quinta-feira, 21 de maio de 2020

FILHOS ESPIRITUAIS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT BAMIDBAR 5780

Este E-mail é dedicado à elevação da alma do meu querido e saudoso avô, Meir ben Eliezer Baruch z"l.


Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 

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PARASHAT BAMIDBAR 5780:

São Paulo: 17h10                   Rio de Janeiro: 16h58
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ASSUNTOS DA PARASHAT
- O comando do censo do povo judeu (20 a 60 anos)
- Escolha dos líderes de cada Tribo.
- Início do censo por Tribos.
- Os Leviim.
- O acampamento: Yehudá a Leste, Reuven para o Sul.
- O Mishkan durante as viagens.
- Efraim a Oeste, Dan ao Norte.
- Total.
- Genealogia de Moshé e Aharon.
- Status dos Leviim.
- Censo dos Leviim: Guershon, Kehat e Merari.
- Censo dos Primogênitos.
- Substituindo os Primogênitos pelos Leviim (Redenção dos Primogênitos).
- Funções para Kehat: carregar utensílios do Mishkan.
- Precauções para os Kehatim.
FILHOS ESPIRITUAIS - PARASHAT BAMIDBAR 5780 (22 de maio de 2020)

Elisha vivia em Israel e trabalhava com jovens imigrantes afastados da Torá, em um programa para aproximá-los do judaísmo. Certa vez, voltando de uma viagem, começou a refletir. Seu trabalho era pesado, horas de dedicação diária, mas poucos realmente conseguiam mudar de vida. Será que valia a pena todo aquele esforço?

Na metade do caminho, subiu no ônibus um senhor distinto, de barba branca, chapéu preto e casaco preto longo. Parecia ser alguém importante. Ele sentou-se ao lado de Elisha e começaram a conversar. No meio da conversa, perguntou a Elisha com o que ele trabalhava. Elisha contou sobre o trabalho com os jovens e as dificuldades que vinha encontrando. O senhor ficou em silêncio por um momento e, depois de uma pausa, disse com um sorriso:

- No próximo mês eu vou me aposentar do meu cargo de Dayan (Juiz do Tribunal Rabínico). Eu trabalho com isso há 25 anos. Mas não pense que eu sempre fui assim. Eu não cresci em um lar religioso. Meus pais eram sobreviventes do Holocausto e não tinham a capacidade emocional de me dar a atenção que eu precisava. Eu praticamente cresci na rua e estava prestes a me tornar um marginal, pois andava com más influências. Perto da minha casa havia uma sinagoga e, ao lado dela, havia um campo de futebol, onde eu passava bastante tempo com os meus amigos. Certa vez estávamos jogando em pleno Shabat, quando eu tinha 14 anos. Eu chutei a bola com tanta força que ela não apenas caiu no pátio da sinagoga, mas atingiu em cheio o rabino, que estava saindo. Com o forte impacto, o rabino caiu no chão e seu chapéu voou. Meus amigos e eu demos gargalhada daquela cena.

- O rabino pegou o chapéu do chão e caminhou na minha direção - continuou o senhor - Eu estava esperando uma enorme bronca e, por isso, antes que ele pudesse abrir a boca, eu disse de maneira desrespeitosa: "Shabat Shalom, rabino. O senhor veio fazer Kidush para nós ou juntar-se ao nosso jogo?". Mas, ao contrário do que eu imaginava, o rabino não ficou nervoso. Ele olhou para mim e perguntou: "Onde estão seus pais?". Eu respondi ironicamente "Eles estão mortos". O rabino então me convidou para ir à sua casa. Não sei por que, mas aceitei. Talvez porque estava pensando nas piadas que contaria aos meus amigos quando voltasse. Chegamos à casa dele, ele fez Kidush e me perguntou se eu estava com fome. Quando respondi que sim, o rabino fez um sinal para sua esposa e mais um prato foi colocado à mesa. Me trouxeram comida e comi como se não visse comida há dias. O rabino comeu pouco e disse algumas palavras de Torá. Anos mais tarde, entendi que tinha comido a porção dele.

- Quando terminei de comer, o rabino me perguntou se eu estava cansado - o senhor contava, emocionado - Respondi que estava exausto. O rabino me ofereceu uma cama e eu imediatamente adormeci. Quando acordei, já era Motzei Shabat. O rabino me perguntou o que eu iria fazer. Respondi que adoraria ir ao cinema, mas que não tinha dinheiro para o ingresso. O rabino perguntou quanto custava, foi ao seu quarto e voltou com aquela quantia. Ele se despediu de mim, mas disse: "Volte amanhã". Voltei no dia seguinte, e no próximo, e também no próximo. Comi e ganhei dinheiro para o cinema dia após dia. Acabei descobrindo que haviam outras 12 crianças que, como eu, foram tiradas da rua e recebiam comida. Comecei a me apegar muito a ele. Ele começou a me ensinar sobre judaísmo e, como eu não queria ser ingrato, ouvia com atenção. Ele me comprou um par de Tefilin e sentou-se para estudar comigo. Graças a ele, finalmente fui a uma Yeshivá. Anos mais tarde recebi a ordenação rabínica e, como você pode ver, tornei-me Dayan. Ele fez o meu casamento, dos meus filhos e foi o Sandak do meu neto.

Quando o ônibus estava chegando, o senhor terminou sua história e concluiu: "Não desista do seu trabalho. Veja onde eu comecei e o que eu me tornei. Você precisa apenas amar seus alunos. Ame-os como se fossem seus próprios filhos, e então você terá sucesso". As pessoas começaram a se preparar para descer do ônibus e Elisha conseguiu fazer uma última pergunta antes de se despedir: "Espere, qual era o nome do rabino que o recebeu em casa?". O senhor respondeu, com um enorme sorriso: "O nome dele é Rav Ovadia Yosef zt"l".
Nesta semana começamos o quarto livro da Torá, Bamidbar, que descreve muitos acontecimentos importantes que ocorreram durante os 40 anos em que o povo judeu permaneceu no deserto. E a Parashat desta semana, Bamidbar (literalmente "No deserto"), começa com uma contagem do povo, feita por Tribos. A Tribo de Levi foi contada separadamente, por ser a "legião especial de D'us".

A Parashat também descreve a família de Aharon, o Cohen Gadol, como está escrito: "Estes são os descendentes de Aharon e Moshé, no dia em que D'us falou com Moshé no Monte Sinai. E estes são os nomes dos filhos de Aharon: Nadav, o primogênito, Avihu, Elazar e Itamar" (Bamidbar 3:1,2). Se prestarmos atenção, o versículo começa falando sobre os descendentes de Aharon e Moshé, mas termina falando só sobre os filhos de Aharon. Se a intenção do versículo era apenas listar os filhos de Aharon, por que o nome de Moshé também foi incluído?

Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que este versículo vem nos ensinar que aquele que ensina Torá ao filho do seu companheiro é considerado como se o tivesse dado à luz. Como foi Moshé quem ensinou Torá aos filhos de Aharon, o versículo considera como se eles também fossem filhos de Moshé. Porém, qual é a relação entre ensinar Torá a uma pessoa e dar à luz uma criança?

Há um ensinamento interessante que nos ajuda a responder esta pergunta. O Talmud, em especial no Tratado de Baba Metsia, nos ensina sobre a incrível Mitzvá da Torá de devolver ao dono um objeto perdido que nós encontramos, indo contra o famoso ditado popular "achado não é roubado". Isto representa uma enorme demonstração de preocupação com o próximo. Devolvemos o objeto encontrado pois ele não é nosso, e também porque sentimos a dor daquele que perdeu. O Talmud (Baba Metsia 33a) então levanta um questionamento: se uma pessoa encontra dois objetos perdidos, um que pertence ao seu pai e outro que pertence ao rabino que o ensina Torá, para qual dos dois a pessoa tem a prioridade de devolver? Certamente o mais lógico seria pensar que a prioridade é devolver o objeto ao pai, pois há uma Mitvzá na Torá de honrarmos nossos pais. Porém, para a nossa surpresa, a resposta do Talmud é que a prioridade é devolver o objeto ao rabino que nos ensina Torá.

Mas como entender este ensinamento do Talmud? Por que é mais importante devolver primeiro o objeto ao rabino e não ao pai, aquele que nos deu a vida? A resposta é que obviamente devemos honrar e cuidar dos nossos pais, em um ato de profundo Akarat HaTov (reconhecimento) por todas as coisas boas que eles nos deram, em especial pelo dom da vida. Porém, sabemos que esta vida não é a vida verdadeira, é apenas uma preparação para a vida real, a vida eterna no Olam Habá, conforme ensinam os nossos sábios: "Este mundo é um corredor diante do Mundo Vindouro. Prepare-se no corredor antes de entrar no palácio" (Pirkei Avót 4:21). E qual é a "chave" para entrar no Mundo Vindouro? O estudo e o cumprimento da Torá. Portanto, apesar de todo o reconhecimento que devemos ter pelos nossos pais, que nos trouxeram para este mundo, devemos ter um sentimento de Akarat HaTov ainda mais profundo por aqueles que contribuem para que possamos chegar ao Olam Habá.

De acordo com o Rav Israel Meir HaCohen zt"l (Bielorússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido Chafetz Chaim, este princípio ensinado por Rashi nos ensina o quão gigantesca é a Mitzvá de ensinar Torá aos outros, em especial para pessoas que estão afastadas e não estudariam de outra maneira. Isto é considerado um dos maiores atos de Chessed, pois dar a uma pessoa a possibilidade de adquirir seu Mundo Vindouro é maior do que que qualquer coisa que possamos dar para alguém neste mundo. O Chafetz Chaim citava um Midrash que diz: "Se você encontrar uma pessoa que não estudou Torá, traga-a para sua casa, ensine-a a recitar o Shemá e a Amidá. Ensine a ela um versículo ou uma Halachá todos os dias e encoraje-a a cumprir as Mitzvót, pois não há ninguém mais desnudo do que aquele que não tem conhecimentos de Torá e o mérito de cumprir Mitzvót".

O Chafetz Chaim ressalta que o Midrash utiliza a linguagem "desnudo" para se referir àquele que não tem méritos espirituais. Da mesma forma que somos obrigados a fornecer roupas para aquele que está fisicamente necessitando de algo que cubra seu corpo, muito maior é a nossa obrigação de ajudar a fornecer "roupas espirituais" para aqueles que estão desnudos de méritos de Torá.

Na época dos Tanaim, os sábios que escreveram as Mishnaiót, havia uma grande discussão se todos deveriam ser aceitos no Beit Midrash (Centro de estudos de Torá). Um dos rabinos sustentava que apenas aqueles realmente comprometidos com a Torá deveriam entrar para estudar. Porém, os outros rabinos discordavam dele e opinavam que o Beit Midrash deveria estar aberto a todos aqueles que tivessem vontade de vir estudar Torá, conforme ensinam nossos sábios "Tenha muitos alunos de Torá" (Pirkei Avót 1:1), isto é, ensine Torá para todos a quem puder. E assim ensina o Midrash: "Beit Hilel dizia: 'A pessoa deve ensinar Torá a todos. Pois houveram muitos transgressores a quem foi ensinado Torá e cujos descendentes foram Tzadikim'". Isto quer dizer que a Torá não apenas mudou a vida das pessoas que cometiam maus atos, mas também a vida de seus futuros descendentes.

Nem todos podem ser professores de Torá. Porém, não estamos isentos de nos preocuparmos com a espiritualidade dos outros. Pequenos atos podem mudar a vida de outras pessoas. Por exemplo, convidar uma pessoa afastada para um Shabat em nossas casas ou para assistir conosco um Shiur de Torá, ou até mesmo repassar aos outros mensagens de Torá que recebemos. Estas atitudes são grandes Mitzvót que não exigem nenhum tipo de conhecimento, exigem apenas o sentimento de preocupação com o próximo. Ensinando Torá ao próximo, estamos dando a ele vida eterna. Aquele que aproxima quem está afastado de D'us demonstra seu verdadeiro amor pela Torá e pelas Mitzvót. Já aquele que se preocupa apenas com a sua própria espiritualidade demonstra que, infelizmente, não entendeu o propósito da vida.
 
SHABAT SHALOM
 
R' Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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quinta-feira, 14 de maio de 2020

MANTENHA SUA PALAVRA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI 5780

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PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI 5780:

São Paulo: 17h12                   Rio de Janeiro: 17h00
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ASSUNTOS DAS PARASHIÓT
BEHAR
- Shmitá (O Ano Sabático).
- Yovel (Jubileu) e o toque do Shofar em Yom Kipur.
- Proibição de causar sofrimento (Onaát Mamon e Onaat Devarim).
- Venda e Resgate da terra em Israel.
- Casas em cidades muradas.
- Casas nas Cidades dos Leviim.
- Ajuda aos necessitados.
- Leis dos escravos.
- Resgate dos Escravos que estão nas mãos de Goim. 







BECHUKOTAI
- Recompensas pela obediência.
- Advertência e Passos de afastamento espiritual:
1) Não estudar
2) Não cumprir
3) Desrespeitar quem cumpre
4) Odiar os sábios
5) Impedir outros de cumprirem
6) Negar Divindade das Mitzvót
7) Negar Hashem.

- Punições por desobediência (5 séries de advertências).
- Destruição e arrependimento.
- Conclusão das advertências e consolo.
- Avaliações de doações ao Kodesh.
- Doações de animais e imóveis para o Mishkan e possível resgate.
- Maasser de animais.
MANTENHA SUA PALAVRA - PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI 5780 (15 de maio de 2020)

"O Rav Yehuda Zev Segal zt"l (Inglaterra, 1910 - 1993), Rosh Yeshivá (Diretor espiritual) de Manchester, tinha um aluno que era muito próximo dele. Este rapaz acabou ficando noivo de uma moça canadense e o casamento seria realizado em Montreal. O rabino recebeu seu convite junto com uma passagem, para que pudesse estar presente naquela enorme alegria. Seu aluno também organizou para que o rabino ficasse hospedado na casa de Yoni, um primo da noiva.

Finalmente o dia do casamento chegou e todos estavam radiantes de felicidade. Porém, um problema técnico fez com que o casamento sofresse um grande atraso. Ao invés de começar às 20h00, conforme estava programado, a cerimônia começou somente às 22h00. Logo após a cerimônia, quando a festa mal havia começado, o Rav Segal perguntou para Yoni se ele poderia levá-lo de volta para casa. Yoni ficou chocado com aquele pedido. O rabino havia feito uma viagem tão longa para ficar apenas poucos minutos na festa? Porém, em respeito ao rabino, não comentou nada. Quando chegaram em casa, Yoni ficou ainda mais confuso. O rabino pediu para que ele voltasse para a festa, pois como era parente da família, tinha a grande Mitzvá de alegrar o noivo e a noiva. Yoni fez o que o rabino havia pedido, mas ficou incomodado com a atitude dele.

Na manhã seguinte, o Rav Segal perguntou a Yoni se ele havia estranhado sua atitude na noite anterior. Um pouco envergonhado, Yoni confessou que havia estranhado o fato de ele ter viajado de tão longe apenas para participar do casamento, mas ter ficado tão pouco tempo na festa. O Rav Segal então explicou:

- Você se lembra o que aconteceu ontem de noite, quando estávamos saindo de casa para ir ao casamento? Seu filho pequeno perguntou que horas você voltaria para casa. Você então falou para ele deitar cedo e disse que ele não precisava se preocupar, pois até meia noite haveria alguém em casa. Quando vi que você não voltaria até o horário combinado com o seu filho, por causa do atraso no casamento, eu pedi para voltar, pois caso eu não tivesse voltado, você teria dito uma mentira para ele".

Este é o nível de preocupação que devemos ter com os nossos compromissos. Não manter nossa palavra parece algo normal e aceitável, mas é grave. Palavra é palavra, e precisamos fazer de tudo para mantê-la.
Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Behar (literalmente "No Monte") e Bechukotai (literalmente "Nos Meus decretos"). A Parashat Behar descreve uma das Mitzvót mais emblemáticas da Torá: a Shemitá, o ano Sabático, no qual as terras em Israel não podem ser cultivadas e todas as atividades agrícolas são interrompidas. Já a Parashat Bechukotai traz as Brachót que recaem sobre o povo judeu quando estamos conectados com a Torá, mas também as Klalót (maldições) que recaem caso o povo se afaste dos caminhos de espiritualidade.

No final da Parashat Bechukotai, a Torá traz um assunto muito interessante: a doação de presentes para D'us. Por exemplo, a pessoa poderia doar voluntariamente ao Mishkan (Templo Móvel) o seu próprio valor ou o valor de outra pessoa, e isto era avaliado através de uma certa quantidade de moedas de prata. Esta doação era então encaminhada aos tesouros do Templo e era utilizada na realização dos Serviços espirituais ou em serviços de manutenção. E assim a Torá descreve esta promessa de doação: "Um homem que fizer uma promessa em relação à doação do valor de um ser humano para D'us" (Vayikrá 27:2). A partir do momento em que a pessoa pronunciou seu compromisso de doar, já não pode mais voltar atrás e precisa cumprir a sua palavra.

Há vários aspectos que demonstram o quanto a Torá é rigorosa com o cumprimento de um compromisso assumido. Por exemplo, sabemos que um menino que ainda não chegou à idade de Bar-Mitzvá não está obrigado a cumprir as Mitzvót da Torá. Porém, de acordo com o Talmud (Nazir 62a), a partir do momento em que uma criança já sabe se expressar adequadamente, caso ela assuma um compromisso, como, por exemplo, quando promete doar o valor de uma pessoa aos tesouros do Templo, então ela está obrigada a manter a sua palavra e deve cumprir sua promessa. Entretanto, se a criança ainda está isenta de cumprir todas as outras Mitzvót da Torá, por que justamente esta Mitzvá ela já está obrigada?

Além disso, alguns comentaristas opinam que até mesmo um não judeu tem a responsabilidade de manter sua palavra caso tenha assumido um compromisso. Mas por que a Torá traz esta obrigação aos não judeus, se eles precisam apenas cumprir as sete Mitzvót de Bnei Noach, que não incluem a Mitzvá de manter a palavra?

O Ramban (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270) nos ensina que quando os sábios de uma comunidade se reúnem para tomar uma decisão, eles têm a força de criar obrigações, não apenas para os membros daquela comunidade, mas também para os seus futuros descendentes. Ele cita três exemplos: a aceitação da Torá no Monte Sinai, as leis relacionadas com a Meguilat Ester e os dias de jejum públicos. Porém, por que temos a obrigação de manter os compromissos que foram assumidos por outras pessoas?

Finalmente, o Talmud (Sanhedrin 92a) nos ensina que "Aquele que muda suas palavras é como se estivesse fazendo idolatria". Isto se refere a alguém que não cumpre sua palavra. Porém, como entender este ensinamento do Talmud? Afinal, o ser humano foi colocado neste mundo para servir a D'us e fazer o bem. Só é possível fazer isto quando a pessoa sabe o que é verdadeiro e o que é falso, o que é bom e o que é ruim. Seguir um sistema falso, com valores e deuses falsos, é compreensivelmente uma transgressão grave. Já uma pessoa que se comprometeu a participar da festa de aniversário da sua querida avó mas, ao invés disso, foi ao cinema com os amigos, certamente fez algo muito errado, mas isto pode ser comparado à fazer idolatria?

A resposta para todos os questionamentos está no entendimento das Mitzvót que foram decretadas pelos nossos sábios. Por exemplo, o Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) ensina que, além da proibição de roubo comandado pela Torá, nossos sábios também decretaram o "roubo rabínico". Um exemplo disto é aquele que participa de jogos de azar, isto é, qualquer tipo de jogo no qual as pessoas fazem apostas e aquele que vence o jogo recebe o dinheiro apostado, como ocorre nos cassinos. Nossos sábios declararam que isto é considerado roubo, apesar de o dinheiro ter sido entregue de forma voluntária por todos os envolvidos, pois ele é tirado das pessoas de uma maneira tola. Mas se ninguém está pegando os bens dos outros sem autorização, como pode ser considerado roubo? Qual é a conexão entre fazer alguém perder algo de forma tola e roubar?

O Rambam explica que existem dois propósitos nas Mitzvót. Vamos tomar como exemplo a proibição da Torá de roubar. Por um lado, não podemos roubar pois a Torá quer proteger o dono dos bens e, por isso, proíbe qualquer pessoa de tirar do outro o que não é seu por direito. Desta maneira, a Torá está garantindo uma vida em sociedade com paz e harmonia. Imagine o caos que seria o mundo caso cada um pudesse pegar o que pertence ao outro. Porém, há outro propósito na Mitzvá de não roubar, que é evitar que o ser humano se comporte de maneira desprezível. É por este motivo que não devemos roubar ninguém, mesmo que sejam os bens de um idólatra, isto é, alguém que não mereceria a proteção Divina, pois algo ruim acontece conosco quando roubamos. Isto significa que, fora o dano que causamos aos outros quando roubamos, há um dano que causamos a nós mesmos. E isto se aplica a todas as Mitzvót da Torá.

Explica o Rav
Elchanan Shoff que as Mitzvót foram entregues para garantir que o mundo funcione de uma maneira harmônica. Porém, acima de tudo, as Mitzvót foram entregues para nos mudar. Roubar significa tirar os bens de outra pessoa, mesmo que isto signifique tirar de uma maneira tola. Pois maior do que o mal que isto causa ao dono dos bens é o mal que é causado a quem pratica o ato de desprezar os bens dos outros.

Assim também podemos entender por que é considerado um ato de idolatria a pessoa não manter sua palavra. A Torá está se comunicando com os seres humanos, ensinando-os a como se comportar através das Mitzvót. As Mitzvót afetam tanto o homem quanto o seu relacionamento com D'us. Porém, uma pessoa sem integridade, que não mantém sua palavra, deixa de ser considerado um ser humano. Da mesma forma que não há serviço a D'us quando alguém nega a Sua essência, também não pode haver serviço a D'us quando não há um homem para servi-Lo. É grave errar na definição de D'us, mas é igualmente grave definir erroneamente o ser humano. A Torá pressupõe a existência de um ser humano com integridade antes de comandar qualquer coisa na Torá. É por isto que os nossos sábios ensinam que "Os bons modos vêm antes da Torá". Mesmo antes da Torá ter sido entregue, nossa palavra já tinha um enorme valor. Quando D'us ofereceu a Torá, dissemos "Naasê VeNishmá" (Faremos e entenderemos), isto é, demos nossa palavra de que estávamos aceitando a Torá em nossas vidas. Portanto, se não tivéssemos uma enorme obrigação de manter nossa palavra, o que nos conectaria com a Torá?

Também é este o motivo pelo qual até mesmo um não judeu e uma criança estão comandados a manter a sua palavra, pois não se trata apenas de um comando da Torá, é um comando que está conectado intrinsecamente à condição de ser humano. A Torá não pode mudar um homem e aproximá-lo de D'us se ele não for um homem. Sem integridade, o ser humano não é muito mais do que um animal que anda e fala.

Ser responsável com nossos compromissos nos diferencia de todo o resto da criação. Portanto, devemos ser cuidadosos para não assumir compromissos que não poderemos mantê-los. Pois devemos almejar, antes de querermos chegar ao nível dos anjos, que possamos nos comportar ao menos como seres humanos.
 
SHABAT SHALOM
 
R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 7 de maio de 2020

ACERTO DE CONTAS COM D’US – SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT EMOR 5780


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ASSUNTOS DA PARASHAT
- As Leis Sacerdotais.
- Cohen Gadol.
- Cohanim defeituosos.
- Pureza dos Cohanim.
- Terumá.
- Animais defeituosos.
- Animais aceitáveis.
- Korban Todá.
- Kidush Hashem e Chilul Hashem.
- Dias Especiais: Shabat, Pessach, Omer, Contagem, Shavuót, Rosh Hashaná, Yom Kipur, Sucót, Shemini Atseret.
- A Menorá.
- Lechem HaPanim.
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ACERTO DE CONTAS COM D'US - PARASHAT EMOR 5780 (08 de maio de 2020)

Um homem apareceu certa vez diante do Rav Israel Salanter zt"l (Lituânia, 1810 - Prússia, 1883) com o rosto bastante machucado. Ele relatou ao rabino que havia discutido com um vizinho e que, no calor do momento, o outro judeu havia perdido a cabeça e lhe dado uma surra. O Rav Salanter, chocado de ver aquele rosto todo machucado, imediatamente pediu para que o agressor fosse chamado. O homem chegou com medo e vergonha, pois sabia que a conversa não seria agradável. O Rav Salanter, com a expressão muito séria, disse:

- Você sabe que cometeu duas transgressões muito graves?

- Duas? - perguntou o homem, sem entender - Sei que perdi a cabeça e machuquei meu vizinho. Estou muito arrependido e envergonhado. Porém, foi a única coisa que eu fiz de errado. Não fiz duas transgressões!

- Infelizmente você fez duas transgressões graves. A primeira foi que você agrediu e machucou outra pessoa. Quando Moshé presenciou dois judeus discutindo e viu que um deles tinha levantado a mão para golpear seu companheiro, imediatamente chamou aquele homem de "Rashá" (perverso). E, além disso, você cometeu outra transgressão que também é muito grave. Durante o tempo em que você estava machucando outra pessoa, você poderia estar estudando Torá ou fazendo atos de bondade. Este desperdício de tempo se configura em outra transgressão muito grave".

Não apenas os erros que cometemos são transgressões. A perda da oportunidade de ter feito coisas boas no momento em que fizemos coisas ruins também é transgressão. As oportunidades que perdemos não voltam.
Nesta semana nós lemos a Parashat Emor (literalmente "Fale"), que continua a tratar de assuntos de pureza e impureza espiritual. A Parashá começa com as seguintes palavras: "E disse D'us a Moshé: 'Fale aos Cohanim, filhos de Aharon, e diga a eles: Vocês não devem se contaminar com uma pessoa morta dentre seu povo'" (Vayikrá 21:1). A Parashá então continua descrevendo muitas leis específicas para os Cohanim e para o Cohen Gadol, cujo propósito era mantê-los em um nível maior de pureza, já que eles eram os responsáveis pelos Serviços espirituais do povo judeu e deveriam ser vistos como modelos de santidade.

Porém, além do entendimento mais simples das palavras iniciais da Parashá, há um interessante Midrash que traz um enfoque diferente. O Midrash descreve que D'us mostrou a Moshé cada geração e seus juízes, cada geração e seus reis, cada geração e seus sábios e cada geração e seus ladrões. D'us mostrou a imagem de Shaul HaMelech e de seu filho Yonathan, dois grandes Tzadikim, pessoas espiritualmente muito elevadas, morrendo através da espada durante uma batalha com os Plishtim (Filisteus). Moshé, ao ver aquela cena, questionou D'us: "Por que o primeiro rei do povo judeu deveria morrer de maneira tão desonrosa, através da espada?". D'us então respondeu a Moshé: "Por que você está reclamando comigo? Shaul massacrou Nov, a cidade dos Cohanim. Fale aos Cohanim!"

D'us estava se referindo a um trágico incidente que ocorreu na história do povo judeu. Shaul HaMelech tinha sob seu comando um homem chamado Doeg, que era o chefe dos pastores do reinado. Ele era um homem muito sábio, porém extremamente invejoso, especialmente em relação a David HaMelech. Em certo momento do seu reinado, Shaul HaMelech pensou que David HaMelech estava se rebelando contra ele e passou a persegui-lo com a intenção de matá-lo. David HaMelech precisou fugir para salvar sua vida e buscou refúgio na cidade de Nov, onde viviam os Cohanim. Achimelech, o Cohen Gadol, sem saber que David HaMelech estava sendo perseguido por Shaul HaMelech, forneceu pão a ele. Doeg estava presente naquele momento e, quando Shaul HaMelech mencionou em seu palácio sobre a rebeldia de David HaMelech, ele aproveitou para fazer um Lashon Hará (malediscência) sobre os Cohanim, contando que eles haviam dado refúgio a David HaMelech mesmo sabendo que ele era um rebelde contra o rei. Sem verificar a fundo esta história, Shaul HaMelech acreditou no relato de Doeg e, em um ato desmedido, mandou matar todos os Cohanim de Nov. Portanto, de acordo com o Midrash, as palavras iniciais da Parashá, "Fale aos Cohanim", é a resposta de D'us ao questionamento de Moshé em relação à morte violenta e desonrosa de Shaul HaMelech. D'us quis dizer a Moshé: "Você quer saber por que Shaul morreu desta maneira? Pergunte aos Cohanim de Nov, assassinados por ordem de Shaul".

Porém, este Midrash desperta um enorme questionamento. De acordo com o entendimento mais superficial, a causa da morte violenta e prematura de Shaul HaMelech foi sua atitude de mandar matar os Cohanim de Nov. Porém, este Midrash parece contradizer a razão explícita trazida pela Torá para a morte de Shaul HaMelech. De acordo com o que está escrito no Tanach (Sefer Shmuel), ele desobedeceu ao comando de D'us, transmitido através do profeta Shmuel, de exterminar os homens, mulheres, crianças e animais do povo de Amalek, um povo que representa a escuridão do mundo, a negação da Supervisão Divina e da espiritualidade. Apesar da ordem simples e direta de D'us, Shaul poupou Agag, o rei de Amalek. Certamente seu ato foi embasado em nobres intenções, mas seu ato de "bondade" equivocada teve como resultado a germinação de Haman, descendente de Agag, um inimigo implacável que quase causou o extermínio do povo judeu nos dias de Mordechai e da Rainha Esther, séculos mais tarde. O Tanach então nos ensina que quando o profeta Shmuel viu o que Shaul HaMelech havia feito, desrespeitando a ordem de D'us, informou que alguém que não obedece a D'us não merece ser rei e, por causa disso, ele perderia seu reinado. Portanto, se o motivo da morte de Shaul HaMelech e da perda do seu reinado está explícito na Torá, por que o Midrash conectou a morte de Shaul com o massacre dos Cohanim de Nov, algo que não está escrito na Torá como causa de sua morte prematura?

Responde o Rav Yssocher Frand que o principal erro de Shaul HaMelech foi, de fato, não ter exterminado o povo de Amalek, conforme D'us havia ordenado. Apesar das suas melhores intenções, ele quase causou o extermínio do povo judeu ao ter racionalizado seus atos. Porém, ele poderia ter recebido uma punição mais leve e uma morte menos dolorosa. Shaul HaMelech poderia ter argumentado que ele não queria ter sido desobediente, que seu ato não havia sido uma rebeldia contra D'us, mas que sua atitude havia sido motivada pelo seu coração de manteiga e pela sua enorme compaixão pelas criaturas, que não haviam permitido que ele matasse o rei Agag. Tal argumento não o teria inocentado de sua grave transgressão, mas poderia ter atenuado a sua culpa de alguma forma. No entanto, o massacre dos Cohanim em Nov fechou todas as portas para este tipo de argumento. Onde estava seu coração de manteiga quando ele atacou Nov, pessoas inocentes, que não tinham feito mal a ninguém? Onde estava sua misericórdia quando ele exterminou todos os Cohanim de uma cidade? Isto demonstrou que a falha em matar o rei Agag não foi devido a uma compaixão incontrolável e, portanto, sua culpa não foi diminuída. Quando D'us respondeu o questionamento de Moshé com as palavras "Fale aos Cohanim", Ele estava ensinando que, apesar de muitas vezes termos muitas desculpas que justificam nossos erros, nossos próprios atos acabam demonstrando nossas verdadeiras intenções.

Este Midrash nos ensina algo profundo sobre o julgamento de D'us em relação aos nossos atos neste mundo. Sempre temos uma desculpa na ponta da língua para justificar nossos erros. Por que não viramos a noite estudando Torá em Shavuót? Pois estamos muito cansados. Mas D'us vê quando viramos a noite em uma festa. Por que não damos Tzedaká aos necessitados? Pois a situação econômica do país está difícil. Mas D'us vê quando escolhemos comprar o melhor modelo de Iphone. Por que não estudamos mais Torá durante o nosso dia? Pois não temos tempo. Mas D'us vê quantas horas por dia gastamos nas redes sociais ou assistindo vídeos que não agregam valor em nossas vidas. É isto o que ocorrerá no julgamento do Tribunal Celestial quando sairmos deste mundo. Chegaremos com uma sacola cheia de justificativas por todos os nossos erros, mas D'us nos mostrará, através do filme das nossas próprias vidas, que as justificativas não passavam de desculpas e, automaticamente, todos os argumentos serão derrubados. Os nossos próprios atos acabam contradizendo as nossas justificativas. Este conceito chama-se "Din e Cheshbon", literalmente "Julgamento e Contas".

Além disso, o conceito de "Din e Cheshbon" também tem outra implicação prática. "Din" representa o mau ato cometido, enquanto "Cheshbon" representa o acerto de contas que será feito das coisas positivas que a pessoa poderia ter feito enquanto estava envolvida em suas transgressões. Quando fazemos um mau ato, o problema não está apenas no ato que fizemos, mas também no desperdício do nosso potencial. No mesmo momento em que estamos fazendo coisas erradas ou desperdiçando nosso tempo com coisas que não agregam absolutamente nenhum valor, poderíamos estar aproveitando este tempo para alcançarmos o nosso objetivo neste mundo, que é o nosso crescimento espiritual. Ao invés de utilizar nossa boca para falar Lashon Hará, poderíamos estar utilizando-a para estudar Torá ou para dizer palavras de incentivo aos outros. Ao invés de passar uma hora acompanhando a vida dos outros no Facebook, poderíamos estar lendo um livro com ensinamentos de Torá que nos transformariam em pessoas melhores. Temos um potencial gigantesco, mas acabamos desperdiçando-o, e não nos arrependemos por isso.

Precisamos ser sinceros com as nossas atitudes. Sempre temos mil argumentos para justificar os nossos atos ou as nossas omissões. Porém, não podemos esquecer que é possível enganar os outros, até mesmo enganar a nós mesmos, mas não podemos enganar D'us.
 
SHABAT SHALOM
 
R' Efraim Birbojm

 

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