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ESFORÇO E CONFIANÇA EM D'US - PARASHAT EKEV 5786 (31/jul/26)
O Rav Chaim Vologziner zt”l (Lituânia, 1749 - 1821), quando ensinava aos seus alunos sobre Emuná e Bitachón, tentava sempre trazer exemplos concretos, e não apenas conceitos abstratos. Certa vez, já era quase duas da manhã e ele ainda estava dando uma aula aos alunos da “Chaburat HaBitachón”, um dos vários grupos da Yeshivá fundados para o fortalecimento e o aprimoramento das Midót (traços de caráter). De repente, o Rav Chaim interrompeu a aula e perguntou aos alunos que horas eram, mas ninguém soube responder. Naqueles dias, um relógio era algo que estava na lista dos itens de luxo. Entre os alunos presentes não havia sequer um único relógio. O Rav Chaim então utilizou a pergunta sobre as horas para retomar a aula sobre Bitachón:
- Caros alunos, parece que ainda não adquirimos em nosso coração uma confiança plena e verdadeira em D’us. Se realmente tivéssemos Bitachón, nos enviariam um relógio dos Céus, mesmo que fosse feito de ouro.
Após falar isso, ele voltou ao ponto onde havia parado, sobre a Providência Divina. Enquanto ele ainda esclarecia e definia alguns fundamentos, entrou no Beit Midrash um soldado russo, usando um boné. Ele olhou para os lados, um pouco apreensivo, aproximou-se rapidamente do Rav Chaim e disse:
- Rabino, eu sou judeu. Eu moro em uma pequena cidade perto de Lodz. Fui convocado a me apresentar ao exército real e meu pai, um homem rico e poderoso, subornou o médico-chefe para que ele me dispensasse do exército. Confiei na promessa do médico e também em sua sugestão de vir sem ninguém me acompanhando para receber meu certificado de dispensa. Estava tão confiante de minha dispensa que nem me preocupei em trocar minhas roupas elegantes por roupas simples. Mas uma surpresa me aguardava. Quando chegou minha vez, descobri que o médico havia dispensado outro jovem por engano em meu lugar. O desconhecido afortunado foi embora, enquanto eu fui levado, como todos os outros, aos quartéis do exército.
- Já faz algumas semanas que estou no quartel, o único judeu entre muitos soldados gentios - continuou o soldado - Temo que roubem meu precioso relógio de ouro. Acabei de aproveitar uma breve licença e vim para a cidade. Como que vindo dos Céus, avistei a luz que vinha do Beit Midrash e entrei. Peço, então, ao estimado rabino, que aceite guardar meu relógio.
O Rav Chaim ficou surpreso com a aparição do soldado e sua estranha história, mas aceitou seu pedido. Porém, avisou-o de antemão que sua casa era quase um domínio público, pois pessoas entravam e saíam o dia todo. Ele, portanto, não queria assumir responsabilidade pelo relógio. O soldado pensou por alguns instantes e disse:
- Rabino, eu lhe dou o relógio de presente. Melhor que fique como presente para um rabino judeu do que seja roubado por soldados gentios.
Sem esperar a concordância do Rav Chaim, ele deixou seu relógio de ouro e foi embora. O Rav Chaim correu atrás dele para devolver-lhe o relógio, mas não conseguiu alcançá-lo. Então o Rav Chaim concluiu sua aula:
- Vocês ouviram o que eu disse antes, que se merecêssemos, e fôssemos possuidores de uma confiança em D’us plena e verdadeira, nos enviariam um relógio dos Céus, mesmo que fosse de ouro. Eis para vocês um exemplo concreto de um Bitachón verdadeiro, comprovado na prática.
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Nesta semana lemos a Parashá Ekev (literalmente “Recompensa”), na qual Moshé segue ensinando o povo judeu a lidar com os testes e dificuldades que encontrariam na Terra de Israel. Para isso, ele continuou relembrando de acontecimentos importantes que poderiam servir como aprendizados futuros.
Por exemplo, Moshé relembrou ao povo judeu sobre o Man, a comida milagrosa que os alimentou durante os quarenta anos no deserto, em um lugar onde seria impossível conseguir alimento, como está escrito: “Ele o afligiu, deixou que passasse fome e depois o alimentou com o Man, que nem você nem seus antepassados conheciam, para fazê-lo saber que o homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca de D’us” (Devarim 8:3). Porém, por que a Torá ressalta que o Man era algo desconhecido até aquele momento?
O Rav Yossef Yozel Horowitz zt”l (Lituânia, 1847 - Ucrânia, 1919), mais conhecido como Saba MiNovardok, explica que o caminho correto para aqueles que desejam alcançar a verdadeira perfeição é confiar em D’us de forma plena. Alguém que atinge este nível já não tem necessidade de multiplicar seus esforços (Hishtadlut), pois D’us o sustentará mesmo sem nenhum esforço. Na época do profeta Yirmiahu, o povo judeu havia se afastado muito do estudo e do cumprimento da Torá. Ele então deu uma dura repreensão no povo, como está escrito: “Ó geração, vejam a palavra de D’us. Acaso Eu fui um deserto para Israel?” (Yirmiahu 2:31). Mas por que o profeta disse “vejam a palavra”, ao invés de dizer “escutem”? O Midrash nos ensina que no momento em que o profeta Yirmiyahu disse ao povo judeu: “Por que vocês não se ocupam do estudo da Torá?”, eles responderam: “Se nos ocuparmos da Torá, como nos sustentaremos?”. Naquele momento, o profeta Yirmiyahu mostrou a eles um frasco contendo Man e disse: “Vejam a palavra de D’us”. Então o profeta continuou: “Com isso foram sustentados seus pais, que se ocupavam do estudo da Torá. Ocupem-se vocês também da Torá e D’us lhes proverá sustento através disso. Muitos são os mensageiros de D’us para preparar sustento para os que O temem”.
Para os que se ocupam da Torá e confiam em Sua bondade, D’us lhes prepara sustento através de formas ocultas, sem nenhuma necessidade de esforço humano, assim como o Man chegou ao povo judeu sem qualquer esforço, de forma milagrosa. Por que D’us não sustentou o povo de uma maneira menos milagrosa? Talvez a razão seja que qualquer coisa que pode ser atribuída como causa para a vinda do sustento, mesmo a mais remota, a razão humana tende a atribuir o sustento àquela causa. Por isso D’us fez, em Sua bondade, que o Man descesse de modo que não se pudesse atribuir que algum esforço causou sua vinda. Com isso, D’us quis ensinar a eles, e às gerações futuras, que Ele dá sustento aos que O temem, sem nenhuma causa aparente nem esforço humano.
O fundamento principal no caminho do Bitachón é: “com a medida com que o homem mede, assim é medido para ele”, isto é, quanto mais próximo o homem está de D’us, mais diretamente a Providência Divina governa sua vida, reduzindo sua dependência dos mecanismos naturais. O Rabeinu Yoná zt”l (Espanha, 1200 - 1263) ensina inclusive que a Midá de Bitachón é uma Mitzvá positiva da Torá. Ao refletirmos sobre isso, perceberemos que o fundamento dessa Mitzvá é também intelectual e lógico. Se um homem coloca sua confiança em seu amigo, e esse amigo sabe que aquele homem confia exclusivamente nele e espera que ele cuide de todas as suas necessidades, não há dúvida de que esse próprio conhecimento já é suficiente para fazer com que, de fato, o amigo cuide dele e realize seus desejos. E mesmo que o amigo tenha muitas razões legítimas para se esquivar dessa responsabilidade, no final, quando vir que o outro confia nele de forma absoluta, ele o ajudará de acordo com suas possibilidades, mesmo que sejam bastante limitadas, e mesmo que seu conhecimento sobre o quanto e como ajudar esteja longe da perfeição. Muito mais o Criador do mundo, que é Todo Poderoso, que tem compaixão por cada ser humano desde o ventre e que conhece perfeitamente a necessidade de cada indivíduo. O homem é obrigado a confiar em D’us e a não se apegar a causas naturais, para que não tropece em pensar: “Minha força e o poder de minha mão fizeram para mim esta riqueza” (Devarim 8:17).
De acordo com o Rav Israel Salanter zt”l (Lituânia, 1810 - Alemanha, 1883), quem aumenta demais sua Hishtadlut pertence ao grupo dos que negam D’us, pois demonstram que confiam apenas em sua própria força. Mas, ao contrário, todo aquele que diminui sua Hishtadlut, certamente se cumprirão as palavras “Aquele que confia em D’us, a bondade o rodeará” (Tehilim 32:10), pois, na verdade, ele não tem em quem confiar fora D’us. Somente o Criador pode realizar seu pedido, pois Ele conhece a natureza de suas doenças e sua cura melhor do que o próprio homem conhece a si mesmo, e todo o poder está exclusivamente em Suas mãos.
Cada um deve se esforçar para alcançar a Midá do Bitachón, que é o fundamento de toda a Torá, como explica o Rav Asher ben Yechiel zt”l (Alemanha, 1250 - Espanha, 1327), mais conhecido como Rosh: “Dessa Midá depende toda a condição do homem. Se, de fato, colocarmos em D’us toda a confiança, mereceremos a assistência Divina (“Siata DiShmaia”), como está dito: “Abençoado é o homem que confia em D’us, e D’us será sua confiança” (Yirmiyahu 17:7)”. O Bitachón está ao alcance de todos, tanto do homem grande quanto do homem simples. O Gaon MiVilna zt”l (Lituânia, 1720 - 1797) ensina que a confiança em D’us não é herança exclusiva dos perfeitos em temor a D’us e no cumprimento das Mitsvót. Mesmo um judeu que comete transgressões tem o direito de confiar em D’us para que Ele supra suas necessidades, como está escrito: “E não serão culpados todos os que se refugiam Nele” (Tehilim 34:23). Está escrito “Todos os que se refugiam Nele”. Todos, sem exceção.
D’us disse a Moshé junto ao Mar Vermelho: “Por que você grita para Mim? Fale aos Filhos de Israel que sigam adiante” (Shemot 14:15). Com isso, D’us lhes revelou que deles, e somente deles, dependia a salvação. E assim explica o Rav Chaim Vologhziner: “Se eles estivessem na força da Emuná e do Bitachón, e seguissem, indo e avançando em direção ao mar, com o coração firme, sem temer, pela força de sua confiança de que certamente o mar se abriria diante deles, então, através disso, eles causariam um despertar nas alturas, e o milagre aconteceria para eles, e o mar se abriria diante deles”. Ou seja, a confiança plena é a garantia de uma assistência Divina, seja em algo grande como a abertura do Mar, seja em algo pequeno como a vinda de um relógio de ouro. SHABAT SHALOM R’ Efraim Birbojm |
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z”L e Frade (Fany) bat Efraim Z”L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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