sexta-feira, 31 de julho de 2026

ESFORÇO E CONFIANÇA EM D’US - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT EKEV 5786

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ASSUNTOS DA PARASHAT EKEV
  • Recompensas pela obediência.
  • A garantia de D’us da vitória sobre os inimigos.
  • As lições do Man.
  • Perigos da prosperidade e advertência contra a idolatria.
  • Advertência contra autoconfiança demasiada.
  • Lembrança dos erros cometidos no deserto.
  • As Segundas Tábuas.
  • Seguindo o caminho de D’us.
  • A Terra de Israel exigente.
  • Jugo dos Mandamentos.
  • Promessa de vitória.
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ESFORÇO E CONFIANÇA EM D'US - PARASHAT EKEV 5786 (31/jul/26)

O Rav Chaim Vologziner zt”l (Lituânia, 1749 - 1821), quando ensinava aos seus alunos sobre Emuná e Bitachón, tentava sempre trazer exemplos concretos, e não apenas conceitos abstratos. Certa vez, já era quase duas da manhã e ele ainda estava dando uma aula aos alunos da “Chaburat HaBitachón”, um dos vários grupos da Yeshivá fundados para o fortalecimento e o aprimoramento das Midót (traços de caráter). De repente, o Rav Chaim interrompeu a aula e perguntou aos alunos que horas eram, mas ninguém soube responder. Naqueles dias, um relógio era algo que estava na lista dos itens de luxo. Entre os alunos presentes não havia sequer um único relógio. O Rav Chaim então utilizou a pergunta sobre as horas para retomar a aula sobre Bitachón:
 
- Caros alunos, parece que ainda não adquirimos em nosso coração uma confiança plena e verdadeira em D’us. Se realmente tivéssemos Bitachón, nos enviariam um relógio dos Céus, mesmo que fosse feito de ouro.
 
Após falar isso, ele voltou ao ponto onde havia parado, sobre a Providência Divina. Enquanto ele ainda esclarecia e definia alguns fundamentos, entrou no Beit Midrash um soldado russo, usando um boné. Ele olhou para os lados, um pouco apreensivo, aproximou-se rapidamente do Rav Chaim e disse:
 
- Rabino, eu sou judeu. Eu moro em uma pequena cidade perto de Lodz. Fui convocado a me apresentar ao exército real e meu pai, um homem rico e poderoso, subornou o médico-chefe para que ele me dispensasse do exército. Confiei na promessa do médico e também em sua sugestão de vir sem ninguém me acompanhando para receber meu certificado de dispensa. Estava tão confiante de minha dispensa que nem me preocupei em trocar minhas roupas elegantes por roupas simples. Mas uma surpresa me aguardava. Quando chegou minha vez, descobri que o médico havia dispensado outro jovem por engano em meu lugar. O desconhecido afortunado foi embora, enquanto eu fui levado, como todos os outros, aos quartéis do exército.
 
- Já faz algumas semanas que estou no quartel, o único judeu entre muitos soldados gentios - continuou o soldado - Temo que roubem meu precioso relógio de ouro. Acabei de aproveitar uma breve licença e vim para a cidade. Como que vindo dos Céus, avistei a luz que vinha do Beit Midrash e entrei. Peço, então, ao estimado rabino, que aceite guardar meu relógio.
 
O Rav Chaim ficou surpreso com a aparição do soldado e sua estranha história, mas aceitou seu pedido. Porém, avisou-o de antemão que sua casa era quase um domínio público, pois pessoas entravam e saíam o dia todo. Ele, portanto, não queria assumir responsabilidade pelo relógio. O soldado pensou por alguns instantes e disse:
 
- Rabino, eu lhe dou o relógio de presente. Melhor que fique como presente para um rabino judeu do que seja roubado por soldados gentios.
 
Sem esperar a concordância do Rav Chaim, ele deixou seu relógio de ouro e foi embora. O Rav Chaim correu atrás dele para devolver-lhe o relógio, mas não conseguiu alcançá-lo. Então o Rav Chaim concluiu sua aula:
 
- Vocês ouviram o que eu disse antes, que se merecêssemos, e fôssemos possuidores de uma confiança em D’us plena e verdadeira, nos enviariam um relógio dos Céus, mesmo que fosse de ouro. Eis para vocês um exemplo concreto de um Bitachón verdadeiro, comprovado na prática.

 

Nesta semana lemos a Parashá Ekev (literalmente “Recompensa”), na qual Moshé segue ensinando o povo judeu a lidar com os testes e dificuldades que encontrariam na Terra de Israel. Para isso, ele continuou relembrando de acontecimentos importantes que poderiam servir como aprendizados futuros. 
 
Por exemplo, Moshé relembrou ao povo judeu sobre o Man, a comida milagrosa que os alimentou durante os quarenta anos no deserto, em um lugar onde seria impossível conseguir alimento, como está escrito: “Ele o afligiu, deixou que passasse fome e depois o alimentou com o Man, que nem você nem seus antepassados conheciam, para fazê-lo saber que o homem não vive só de pão, mas de tudo o que sai da boca de D’us” (Devarim 8:3). Porém, por que a Torá ressalta que o Man era algo desconhecido até aquele momento?
 
O Rav Yossef Yozel Horowitz zt”l (Lituânia, 1847 - Ucrânia, 1919), mais conhecido como Saba MiNovardok, explica que o caminho correto para aqueles que desejam alcançar a verdadeira perfeição é confiar em D’us de forma plena. Alguém que atinge este nível já não tem necessidade de multiplicar seus esforços (Hishtadlut), pois D’us o sustentará mesmo sem nenhum esforço. Na época do profeta Yirmiahu, o povo judeu havia se afastado muito do estudo e do cumprimento da Torá. Ele então deu uma dura repreensão no povo, como está escrito: “Ó geração, vejam a palavra de D’us. Acaso Eu fui um deserto para Israel?” (Yirmiahu 2:31). Mas por que o profeta disse “vejam a palavra”, ao invés de dizer “escutem”? O Midrash nos ensina que no momento em que o profeta Yirmiyahu disse ao povo judeu: “Por que vocês não se ocupam do estudo da Torá?”, eles responderam: “Se nos ocuparmos da Torá, como nos sustentaremos?”. Naquele momento, o profeta Yirmiyahu mostrou a eles um frasco contendo Man e disse: “Vejam a palavra de D’us”. Então o profeta continuou: “Com isso foram sustentados seus pais, que se ocupavam do estudo da Torá. Ocupem-se vocês também da Torá e D’us lhes proverá sustento através disso. Muitos são os mensageiros de D’us para preparar sustento para os que O temem”.
 
Para os que se ocupam da Torá e confiam em Sua bondade, D’us lhes prepara sustento através de formas ocultas, sem nenhuma necessidade de esforço humano, assim como o Man chegou ao povo judeu sem qualquer esforço, de forma milagrosa. Por que D’us não sustentou o povo de uma maneira menos milagrosa? Talvez a razão seja que qualquer coisa que pode ser atribuída como causa para a vinda do sustento, mesmo a mais remota, a razão humana tende a atribuir o sustento àquela causa. Por isso D’us fez, em Sua bondade, que o Man descesse de modo que não se pudesse atribuir que algum esforço causou sua vinda. Com isso, D’us quis ensinar a eles, e às gerações futuras, que Ele dá sustento aos que O temem, sem nenhuma causa aparente nem esforço humano.
 
O fundamento principal no caminho do Bitachón é: “com a medida com que o homem mede, assim é medido para ele”, isto é, quanto mais próximo o homem está de D’us, mais diretamente a Providência Divina governa sua vida, reduzindo sua dependência dos mecanismos naturais. O Rabeinu Yoná zt”l (Espanha, 1200 - 1263) ensina inclusive que a Midá de Bitachón é uma Mitzvá positiva da Torá. Ao refletirmos sobre isso, perceberemos que o fundamento dessa Mitzvá é também intelectual e lógico. Se um homem coloca sua confiança em seu amigo, e esse amigo sabe que aquele homem confia exclusivamente nele e espera que ele cuide de todas as suas necessidades, não há dúvida de que esse próprio conhecimento já é suficiente para fazer com que, de fato, o amigo cuide dele e realize seus desejos. E mesmo que o amigo tenha muitas razões legítimas para se esquivar dessa responsabilidade, no final, quando vir que o outro confia nele de forma absoluta, ele o ajudará de acordo com suas possibilidades, mesmo que sejam bastante limitadas, e mesmo que seu conhecimento sobre o quanto e como ajudar esteja longe da perfeição. Muito mais o Criador do mundo, que é Todo Poderoso, que tem compaixão por cada ser humano desde o ventre e que conhece perfeitamente a necessidade de cada indivíduo. O homem é obrigado a confiar em D’us e a não se apegar a causas naturais, para que não tropece em pensar: “Minha força e o poder de minha mão fizeram para mim esta riqueza” (Devarim 8:17).
 
De acordo com o Rav Israel Salanter zt”l (Lituânia, 1810 - Alemanha, 1883), quem aumenta demais sua Hishtadlut pertence ao grupo dos que negam D’us, pois demonstram que confiam apenas em sua própria força. Mas, ao contrário, todo aquele que diminui sua Hishtadlut, certamente se cumprirão as palavras “Aquele que confia em D’us, a bondade o rodeará” (Tehilim 32:10), pois, na verdade, ele não tem em quem confiar fora D’us. Somente o Criador pode realizar seu pedido, pois Ele conhece a natureza de suas doenças e sua cura melhor do que o próprio homem conhece a si mesmo, e todo o poder está exclusivamente em Suas mãos.
 
Cada um deve se esforçar para alcançar a Midá do Bitachón, que é o fundamento de toda a Torá, como explica o Rav Asher ben Yechiel zt”l (Alemanha, 1250 - Espanha, 1327), mais conhecido como Rosh: “Dessa Midá depende toda a condição do homem. Se, de fato, colocarmos em D’us toda a confiança, mereceremos a assistência Divina (“Siata DiShmaia”), como está dito: “Abençoado é o homem que confia em D’us, e D’us será sua confiança” (Yirmiyahu 17:7)”. O Bitachón está ao alcance de todos, tanto do homem grande quanto do homem simples. O Gaon MiVilna zt”l (Lituânia, 1720 - 1797) ensina que a confiança em D’us não é herança exclusiva dos perfeitos em temor a D’us e no cumprimento das Mitsvót. Mesmo um judeu que comete transgressões tem o direito de confiar em D’us para que Ele supra suas necessidades, como está escrito: “E não serão culpados todos os que se refugiam Nele” (Tehilim 34:23). Está escrito “Todos os que se refugiam Nele”. Todos, sem exceção. 
 
D’us disse a Moshé junto ao Mar Vermelho: “Por que você grita para Mim? Fale aos Filhos de Israel que sigam adiante” (Shemot 14:15). Com isso, D’us lhes revelou que deles, e somente deles, dependia a salvação. E assim explica o Rav Chaim Vologhziner: “Se eles estivessem na força da Emuná e do Bitachón, e seguissem, indo e avançando em direção ao mar, com o coração firme, sem temer, pela força de sua confiança de que certamente o mar se abriria diante deles, então, através disso, eles causariam um despertar nas alturas, e o milagre aconteceria para eles, e o mar se abriria diante deles”. Ou seja, a confiança plena é a garantia de uma assistência Divina, seja em algo grande como a abertura do Mar, seja em algo pequeno como a vinda de um relógio de ouro.

SHABAT SHALOM

R’ Efraim Birbojm

 

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ASSUNTOS DA PARASHAT VAETCHANAN
  • Moshé implora para entrar na Terra de Israel.
  • Fundamentos da Emuná.
  • Obediência a D’us.
  • Exílio e Retorno.
  • Cidades de Refúgio.
  • Repetição dos Dez Mandamentos.
  • Shemá Israel.
  • Mitzvá da Mezuzá.
  • Perigos da Prosperidade.
  • Recordando o Êxodo e transmitindo para as futuras gerações.
  • Advertência contra a assimilação quando entrarem na Terra de Israel.
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CONSTRUINDO UMA EMUNÁ PALPÁVEL - PARASHAT VAETCHANAN 5786 (23/jul/26)

“O Rav Aryeh Levin zt”l (Império Russo, 1885 - Israel, 1969) vivia com sua família em extrema pobreza. Seu salário na Yeshivá Etz Chaim mal cobria as despesas básicas, e frequentemente faltava dinheiro até mesmo para comprar alimentos. Apesar disso, quem convivia com ele testemunhava que ele jamais demonstrava desespero. Quando surgia uma dificuldade financeira, sua primeira reação era fazer Tefilá. Para ele, recorrer a D’us em Tefilá não era um recurso depois que todas as soluções humanas falhavam; era o caminho natural.
 
Quando sua esposa comentava que a casa estava praticamente sem recursos, o Rav Aryeh respondia com tranquilidade que o sustento pertence a D’us e que Ele enviaria o necessário. Em inúmeras ocasiões, exatamente quando a situação parecia chegar ao limite, alguém batia à porta trazendo uma doação ou um pagamento inesperado. O Rav Aryeh nunca descrevia isso como “coincidência”. Dizia simplesmente que D’us havia enviado o que a família precisava. Ele vivia com a mesma certeza com que uma criança confia que seu pai cuidará dela. Essa postura marcou profundamente todos os que viveram ao seu redor.
 
Todo Shabat, o Rav Aryeh Levin visitava os prisioneiros judeus na prisão central de Jerusalém, muitos deles presos por lutar contra o Mandato Britânico. Ele lia a Torá com eles, dava apoio espiritual e servia de elo entre os presos e suas famílias. Durante uma dessas visitas, enquanto o Rav Aryeh estava lendo a Torá para os prisioneiros, um dos guardas entrou na sala e fez-lhe um sinal de que precisava falar com ele urgentemente. Ele percebeu que algo grave havia acontecido. Do lado de fora, seu genro o esperava. Sua filha havia sido acometida por uma paralisia repentina. Segundo os médicos, levaria anos para que ela pudesse se recuperar.
 
Naquela noite, após o término do Shabat, o mesmo guarda bateu à porta do rabino. Os prisioneiros, tomados pela curiosidade, haviam subornado o guarda para descobrir o motivo da saída repentina do rabino. O Rav Aryeh contou o que havia acontecido e pediu para transmitir que eles não se preocupassem. No Shabat seguinte, os prisioneiros o cercaram perguntando pela saúde da filha. Ele respondeu, emocionado, que ela estava “o melhor possível, dadas as circunstâncias”. Durante a leitura da Torá daquele Shabat, aconteceu algo extraordinário: ao recitar o “Mi Sheberach” para o primeiro homem chamado na Torá, o rabino ficou surpreso ao ouvir o preso anunciar que queria doar um dia de sua própria vida pela recuperação da filha do rabino. O segundo homem chamado doou uma semana de vida. O terceiro, um mês. E assim foi seguindo, até que o sétimo homem declarou: “O que vale a nossa vida na prisão comparada à angústia do rabino? Dedico todos os dias que me restam para a recuperação completa da filha do rabino!”. O Rav Aryeh chorou, comovido pelo carinho daqueles homens.
 
Naquela mesma noite, após o Shabat, a filha milagrosamente começou a mostrar sinais de melhora, movendo alguns membros. Em poucos dias, ela se recuperou completamente, contrariando o prognóstico médico inicial. Porém, para o Rav Aryeh Levin não foi uma surpresa. Ele nunca demonstrava preocupação, pois, para ele, a Tefilá não era apenas uma obrigação religiosa, mas uma conversa real com D’us. Depois de fazer sua Hishtadlut e se voltar a D’us em Tefilá, ele sentia que a questão estava nas mãos de Quem realmente dirige o mundo.”
 
Para pessoas como o Rav Aryeh Levin, a Emuná deixa de ser apenas um conceito intelectual e passa a ser uma percepção concreta da realidade. A pessoa faz sua parte, mas vive com a convicção de que a solução vem de D’us. E essa convicção produz uma tranquilidade que quem observa de fora dificilmente consegue explicar.

 

Nesta semana lemos a Parashat Vaetchanan (literalmente “E eu implorei”), na qual Moshé continua com seus discursos de despedida, tentando implantar no coração do povo judeu a Emuná necessária para vencer os desafios que encontrariam na Terra de Israel.
 
A Parashá começa nos ensinando sobre a força da Tefilá. Moshé relembra quantas vezes implorou para que D’us o deixasse entrar na Terra de Israel. Moshé sabia que tudo depende somente da vontade de D’us, e a nossa Tefilá é um mecanismo que tem o incrível poder de influenciar os mundos espirituais e mudar decretos. E assim também Moshé ensinou: “Pois que grande nação existe que tenha um D’us tão próximo dela como Hashem, nosso D’us, sempre que O invocamos?” (Devarim 4:7). Moshé estava nos ensinando: qual é o povo que tem o privilégio de ter D’us tão perto quanto nós? Sempre que O chamamos com sinceridade, Ele está próximo e escuta as Tefilót.
 
O Rav Israel Meir HaCohen zt”l 
(Bielorússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim, nos ensina que a pessoa deve se acostumar a não pedir para D’us as coisas que necessita apenas na hora da Tefilá, mas sim em todos os momentos que precisar de algo, em qualquer língua que ela conheça.
 
Diz o Talmud (Brachot 63a): “Ensinou Bar Kapará: Qual é a pequena porção da qual dependem todos os fundamentos da Torá? ‘Em todos os seus caminhos, conhece-O, e Ele endireitará seus trajetos’ (Mishlei 3:6)”. O Rabeinu Yoná zt”l (Espanha, século 12) explica que “Em todos os seus caminhos, conhece-O” nos ensina que em tudo o que fizermos, devemos nos voltar a D’us, e assim Ele endireitará nossos caminhos.
 
Qual é a aplicação prática deste ensinamento? O Yetser Hará nos engana e diz que, para assuntos de grande importância, de fato é preciso a ajuda de D’us, mas que para uma coisa simples, não é apropriado incomodá-Lo. Porém, “em todos os seus caminhos” significa inclusive nas coisas pequenas. Se uma pessoa não acredita nisso, já é considerado um certo nível de Kefirá (heresia), pois é uma limitação do poder infinito de D’us. Ainda que o que precisamos seja algo pequeno, a recompensa pela confiança em D’us será muito grande.
 
O Talmud (Brachót 63a) nos ensina algo inacreditável: “Disse o Rav Papa: O ladrão, à entrada do túnel (do assalto), invoca o Misericordioso”. Como podemos entender isso? Significa que, embora o Yetser Hará do ladrão tenha prevalecido sobre ele e ele transgrida a proibição de roubo, esta é apenas uma transgressão pontual. Sua ligação com D’us ainda não foi rompida. Certamente é preferível que ele pare de roubar, mas, enquanto o faz, é bom que ao menos ele compreenda que tudo o que faz é com a ajuda de D’us. A partir disso, sua ligação com D’us pode se fortalecer e, ao pedir coisas erradas e recebê-las através de sua Tefilá, ele acabará sentindo vergonha diante de D’us e passará a pedir coisas permitidas, pois entenderá que se D’us dá até mesmo quando pedimos algo errado, quanto mais nos dará quando pedirmos coisas boas. Através disso, retornará do seu mau caminho.
 
Não devemos ter vergonha de pedir a D’us por nenhum tipo de necessidade material, e muito menos por um assunto espiritual. É verdade que, no início, o pedido será apenas um ato externo, não criará nenhum vínculo. Porém, com o tempo, quando a pessoa perceber que seus pedidos estão sendo atendidos, ela se elevará e se aproximará de D’us através disso. Assim ensina o Rabeinu Yoná: “E, através desse hábito, a alma desejosa alcançará a confiança em D’us”. A busca por D’us se encontra naturalmente nas profundezas da nossa alma. A prova disso é a Tefilá daqueles que negam D’us quando eles, ou um de seus parentes, se encontram em grande angústia. Como se costuma dizer: “Não há ateus em aviões caindo”.
 
Esta forte experiência, de se sentir completamente dependente de D’us, despertada naquele que é descrente quando ele é abalado pela força da aflição, também pode ser atingida por aqueles que já têm Emuná. Para isso, a pessoa deve repetir a si mesma constantemente, em tudo o que fizer: “Se eu vou conseguir ou não, se terei sucesso ou fracassarei, tudo depende da vontade de D’us. E, como desejo ter sucesso, peço a Ele”. O Rav Avraham Yeshayahu Karelitz zt”l (Bielorússia, 1878 - Israel, 1953), mais conhecido como Chazon Ish, ensina a fórmula para chegar à Emuná palpável: “Qualquer coisa que a pessoa precise, que peça a D’us. Se precisa de sapatos novos, que fique de pé no canto do quarto e diga: ‘Dono do Mundo, veja meus sapatos rasgados. Por favor, me providencie dinheiro para que eu possa comprar sapatos novos’. E assim deve fazer com tudo. Através disso, a pessoa se acostumará a reconhecer e sentir que é Ele quem dá tudo”.
 
Se uma pessoa quiser examinar se sua Tefilá é correta ou não, ela deve observar a si mesma e ver como reage quando percebe que sua Tefilá ainda não foi atendida como esperava. Se sua conclusão for que ela não rezou como devia e por isso não foi atendida, isso é um sinal de que sua Tefilá ainda não chegou ao nível apropriado para ser chamada de “súplica”. Mas, se ela disser em seu coração: “Eu fiz a minha parte, isto é, rezei, e D’us me dará conforme e quando Ele entender que é o correto, e eu confio e tenho certeza de que, mesmo que Ele não me dê, isso é apenas para o meu bem”, este é um sinal de que ela rezou como devia. Além disso, para verificar se sua Tefilá é correta ou não, a pessoa deve checar se ela se sente tranquila, realmente acreditando que fez a sua parte e que D’us fará o que for bom aos Seus olhos.
 
Outro passo importante para desenvolver a nossa Emuná é que, quando a pessoa perceber que sua Tefilá foi atendida, ela deve voltar a se dirigir a D’us para Lhe agradecer, em qualquer momento e em qualquer língua. Assim, ela vivencia novamente a experiência da conexão com Ele. Se fizer isso com constância, alcançará a Emuná palpável. Este é o caminho para alcançar a Emuná com a qual vivia o Rav Aryeh Levin.
 
O Chazon Ish zt”l ensinava que devemos colocar em nossos corações a Emuná na Hashgachá Pratit, a Providência Divina, de que não há nada abandonado ao acaso no mundo, tudo é conduzido pela Providência e, portanto, por tudo se pode rezar. Através desse entendimento, a pessoa se transforma. O essencial é viver com aquela pequena porção da qual dependem todos os fundamentos da Torá: ‘Em todos os seus caminhos, conhece-O’”.

SHABAT SHALOM

R’ Efraim Birbojm

 

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