| | | | | ASSUNTOS DA PARASHAT MISHPATIM - O Escravo judeu.
- "Venda" da filha e a escrava judia.
- Assassinato.
- Agressão e injúria aos pais.
- Morte de Escravos.
- Penas por agressão física.
- Morte causada por um animal.
- Autodefesa.
- Danos com animais.
- Danos com fogo.
- Os 4 tipos de Shomrim.
- Sedução.
- Práticas Ocultas.
- Idolatria e Opressão.
- Empréstimo de Dinheiro.
- Aceitação da Autoridade.
- Justiça.
- Animais Perdidos.
- Animal Caído.
- Shalosh Regalim.
- Promessas e Instruções.
- A Terra.
- Selando a Aliança.
- Aceitação da Autoridade (Naasê Ve Nishmá).
- Visão de D'us.
| | | DOANDO INDEPENDÊNCIA - PARASHAT MISHPATIM 5786 (13/fev/26) O Rav Israel Salanter zt"l (Lituânia, 1810 - Prússia, 1883), fundador do Movimento do Mussar, era conhecido não apenas por sua profundidade intelectual, a ponto de conseguir preparar um Shiur de duas horas em menos de cinco minutos, mas também por sua incrível preocupação com o próximo e sua sensibilidade em relação às dores e sofrimentos dos outros. Para ele, o estudo da Torá que não se traduzisse em refinamento do caráter e em responsabilidade social estava incompleto. Certa vez, aproximou-se dele um homem visivelmente abatido. Suas roupas estavam gastas e o rosto marcado pela preocupação. Com voz baixa, pediu uma ajuda monetária. Explicou que sua situação era desesperadora e que não sabia como compraria comida para sua família nos próximos dias. O Rav Salanter ouviu atentamente. não o interrompeu, não fez perguntas apressadas e não correu para tirar dinheiro do bolso. Em vez disso, convidou o homem a sentar-se e começou a conversar com ele, com tranquilidade. Entre outros assuntos, perguntou sobre seu passado, seu trabalho, suas habilidades e sua rotina diária. Pouco a pouco, tornou-se claro que aquele homem não era incapaz de trabalhar. Ele estava apenas perdido, sem direção, esmagado por uma sequência de fracassos que haviam lhe roubado a confiança. Ao final da conversa, o Rav Salanter fez algo incrível. Ele ajudou o homem necessitado a organizar suas ideias, orientou-o sobre como retomar seu trabalho, colocou-o em contato com uma pessoa da comunidade que precisava exatamente de alguém com as habilidades que ele tinha e garantiu-lhe uma oportunidade concreta de trabalho. Apenas então lhe deu também um empréstimo, para que pudesse se reerguer até receber seu primeiro salário. O homem saiu de lá renovado, com um belo sorriso naquele rosto antes tão caído e abatido. Alguns dias depois, um dos alunos do Rav Salanter, que havia testemunhado a cena, perguntou respeitosamente: - Rav, não teria sido mais simples e rápido dar-lhe uma quantia maior? O homem estava claramente necessitado. Por que gastou tanto tempo conversando com ele? - Se eu lhe desse apenas dinheiro, ele voltaria em pouco tempo precisando de mais – respondeu o Rav Salanter, com serenidade - Eu teria aliviado sua dor por um momento, mas teria mantido ele dependente de mim. Ao ajudá-lo a se sustentar sozinho, devolvi-lhe algo muito maior do que dinheiro: devolvi-lhe a dignidade. Pois a maior bondade não é aquela que faz o outro precisar de você, mas aquela que faz com que ele não precise mais. | | | Nesta semana lemos a Parashat Mishpatim (literalmente "Leis"), que traz muitas leis práticas do nosso dia-a-dia, em especial no nosso relacionamento com o próximo. Esta Parashá vem logo depois da revelação de D'us no Monte Sinai, que lemos na semana passada, na Parashá Itró. Com esta justaposição, D'us nos ensina que Ele não espera de nós incríveis e admiráveis atos grandiosos, e sim pequenas demonstrações de retidão nos atos cotidianos. Por isso, a Parashá traz dezenas de Mitzvót do nosso dia-a-dia, em especial Mitzvót Bein Adam Lehaveiró, que nos obrigam a agir com o próximo com honestidade, bondade e sensibilidade. À medida que repetimos estes atos diariamente, os bons traços de caráter vão se internalizando e se transformando em parte da nossa natureza. Uma das Mitzvót trazidas na nossa Parashá é a famosa obrigação de ajudar a levantar o burro de alguém que você odeia, que caiu por causa do excesso de carga, como está escrito: "Se você vir o burro do seu inimigo caído sob o peso da sua carga, você deixaria de ajudá-lo? Você deve ajudá-lo repetidamente junto com ele" (Shemot 23:5). A Torá está nos ensinando que somos obrigados a ajudar uma pessoa em dificuldades, mesmo quando nutrimos por ela uma forte antipatia. Em primeiro lugar, isso nos ajuda a trabalhar nossos traços de caráter, aprendendo a vencer o ódio, um sentimento tão negativo, causador de tantas tragédias. Mas, além disso, a Torá está tratando de um caso de ódio permitido. Por exemplo, alguém que odeia o dono do burro por ter testemunhado que ele fez certa transgressão e, por ser uma única testemunha, nada pôde fazer para puni-lo no Beit Din. Estamos falando, portanto, de um transgressor. Então por que ajudá-lo? Pois, através de boas influências e bons exemplos, talvez ele se arrependa de suas transgressões. Ver o comportamento exemplar de outra pessoa pode inspirá-lo e ajuda-lo a corrigir seus erros. A expressão utilizada pela Torá para "Você deve ajudá-lo repetidamente junto com ele" é "Azov Taazov Imo". No entanto, o uso do termo "Azov" para descrever a ajuda que somos obrigados a oferecer é intrigante, pois "Azov" geralmente significa "deixar, abandonar", como encontramos no versículo "Não rebusque a tua vinha, nem recolha os frutos caídos da sua vinha; para o pobre e para o estrangeiro os deixará (Taazov). Eu sou Hashem, seu D'us" (Vayikrá 19:10). À primeira vista, isso poderia sugerir exatamente o oposto da mensagem pretendida pelo versículo da nossa Parashá, pois se traduzíssemos literalmente, estaríamos dizendo: "Se você vir alguém necessitando de ajuda, deixe-o". Por que a Torá escolheu utilizar uma palavra que parece ter uma conotação oposta para descrever o ato de ajudar? Além disso, a pergunta fica ainda mais forte ao percebermos que a Torá utiliza o termo "Azov" também ao descrever o momento em que um homem deixa a casa de seus pais para constituir sua família: "Por isso, o homem deixará (Yaazav) seu pai e sua mãe e se unirá à sua esposa" (Bereshit 2:24). Certamente a Torá não está orientando o filho a abandonar seus pais no momento em que vai se casar. Por mais que o filho esteja prestes a assumir novas responsabilidades na vida, ainda assim ele continua com suas obrigações de honrar e temer seus pais por toda a vida. Então por que a Torá utiliza a linguagem "deixar seus pais" quando descreve a passagem de uma pessoa a uma nova fase de vida? Explica o Rav Yochanan Zweig shlita que a razão pela qual o casamento é descrito como "deixar a casa dos pais" é para nos ensinar que o matrimônio exige que o indivíduo adquira independência. Enquanto ele estiver dependente dos pais, não conseguirá estabelecer um vínculo verdadeiro com sua nova esposa. Somente após adquirir esta independência ele estará apto a estabelecer um novo lar. Assim, o termo "Azov", neste caso, não significa abandonar os pais, e sim tornar-se independente deles. Podemos então aplicar este mesmo conceito ao versículo que fala sobre Chessed na nossa Parashá. A maior ajuda que podemos oferecer a alguém necessitado é levá-lo a uma situação na qual ele já não precisará mais de ajuda. Ao fazer isso, estamos lhe concedendo independência e liberdade. A Torá nos ensina que, quando ajudamos o próximo, isso deve ser feito como um ato de "Azov", proporcionando ao beneficiado a capacidade de "nos deixar", isto é, de não depender mais da nossa ajuda. Obviamente que devemos suprir as necessidades imediatas de alguém que está em uma situação de extrema carência, mas não devemos nos contentar com isso, pois o ideal é dar ao necessitado a capacidade de se levantar e de andar novamente com as suas próprias pernas. O Rambam (Hilchot Matanot Aniyim 10:7-14) explica que há oito níveis de Tzedaká. Quanto menos a pessoa envergonha o pobre que está recebendo a ajuda, maior é o nível da Tzedaká. O nível mais baixo é a pessoa que dá Tzedaká de cara feia, pois isso causa dor e vergonha ao pobre. O próximo nível é dar menos do que o pobre pediu, mas ao menos fazer isso com um sorriso no rosto. O nível acima é dar o que o pobre pediu, mas somente depois que ele pediu. Aqui também causamos dor e vergonha, pois a pessoa tem que se humilhar e expor sua situação difícil. Qual é o nível mais elevado de todos, a forma mais completa e meritória de dar Tzedaká? É alguém que sustenta uma pessoa que caiu na pobreza, dando-lhe um presente, um empréstimo, associando-se a ele em uma parceria ou providenciando-lhe um trabalho, de modo que sua mão seja fortalecida, para que não precise pedir esmola a outras pessoas. O Rambam está nos ensinando que o nível do Tzedaká aumenta conforme tiramos do pobre a vergonha e a humilhação. Este é exatamente o conceito da linguagem "Azov", ajudar de forma que o outro possa "nos deixar", isto é, não depender mais de nós, não ter que passar novamente pela vergonha de ter que pedir esmola. Portanto, a maior ajuda é aquela que torna desnecessárias ajudas futuras. Por que é tão difícil chegar ao maior nível de Tzedaká? Pois praticar atos de bondade nos faz bem, nos dá uma sensação de termos cumprido nosso objetivo. Pelo lado do doador, há um sentimento de preenchimento. Porém, precisamos ter sensibilidade com aquele que recebe. É incompleto doar algo somente depois de a pessoa necessitada já ter se humilhado para pedir, e fazer com que tenha que pedir de novo e de novo. Essa doação vem acompanhada de um sentimento de vergonha e, portanto, diminui o mérito da Mitzvá. Assim fica mais claro o incrível comportamento do Rav Israel Salanter, que ilumina o sentido profundo do versículo: "Azov Taazov Imo". A Torá escolheu a palavra "Azov" para nos ensinar que a verdadeira ajuda é aquela que permite ao outro "se afastar", seguir seu caminho com forças próprias. O Chessed que a Torá exige não cria dependência, mas restaura a autonomia; não humilha, mas reconstrói; não prende o necessitado ao benfeitor, mas o devolve à sua dignidade. Esse é o Chessed que transforma, não apenas a situação imediata, mas a vida inteira de uma pessoa. Esse é o Chessed que devemos sempre buscar fazer. SHABAT SHALOM R' Efraim Birbojm | | Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima. --------------------------------------------  Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno. Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno. Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno. Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l -------------------------------------------  Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l. -------------------------------------------- Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com (Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai). | | | | | | | |