quinta-feira, 21 de outubro de 2021

INDEPENDÊNCIA OU MORTE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAIERÁ 5782

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ASSUNTOS DA PARASHÁ VAIERÁ
  • D'us visita Avraham após o Brit-Milá, aos 99 anos.
  • Os 3 Beduínos visitantes.
  • Promessa de um filho para Sara.
  • Anjos vão para Sdom.
  • Destruição de Sdom.
  • Nascimento de Amon e Moav.
  • Sequestro de Sara porAvimelech.
  • Nascimento de Itzchak.
  • 9º teste de Avraham: Expulsão de Hagar e Ishmael.
  • O Tratado de Beer Sheva.
  • 10º teste de Avraham: Akeidat Ytzchak.
  • Nascimento de Rivka.
BS"D

INDEPENDÊNCIA OU MORTE - PARASHÁ VAIERÁ 5782 (22 de outubro de 2021)

 
"Em um dia frio dia de inverno, dois mendigos estavam sentados em um banco, tremendo de frio, quando passou um senhor alto, vestindo um fino casaco de lã, luvas e cachecol. Era um homem muito rico que, com pena daqueles dois mendigos tremendo de frio, decidiu dar-lhes 100 rublos, uma quantia alta, para que comprassem casacos. Os dois agradeceram e rapidamente entraram em uma loja de roupas, onde pediram dois casacos. Porém, para a imensa decepção deles, cada casaco custava exatamente 100 rublos, o que significava que poderiam comprar apenas um casaco. Um deles logo disse: "Eu que mereço o casaco, já que você fica em casa o tempo todo, enquanto eu preciso sair na rua para trabalhar!". Mas o outro logo retrucou: "Ao contrário, você é saudável e forte, enquanto eu sou fraco e doente. Eu que mereço mais o casaco!".
 
Subindo o tom de voz e cada vez mais irritados, eles continuaram brigando, até que o homem que lhes havia doado o dinheiro escutou a gritaria, entrou na loja e perguntou o motivo de tamanho escândalo. Mas antes dos mendigos começarem a explicar o motivo da discussão, o vendedor sabiamente adiantou-se e explicou:
 
- O que acontece é que eles têm dinheiro suficiente para comprar um único casaco. Porém, o primeiro homem quer cedê-lo ao seu companheiro, argumentando que ele necessita mais, pois se expõe ao sair no frio para trabalhar. Já seu companheiro argumenta que o primeiro merece mais, por estar doente.
 
Ao escutar aquelas palavras, o homem ficou emocionado e imediatamente entregou ao vendedor outros 100 rublos, para que os dois homens pudessem comprar um casaco. Ainda de boca aberta, os mendigos perguntaram ao vendedor porque ele havia mudado os argumentos da discussão, e ele lhes respondeu:
 
- Se cada um tivesse argumentado ao doador o motivo pelo qual o outro não merece o casaco, o convenceriam de que os dois não mereciam o casaco. Porém, ao argumentar um a favor do outro, o doador se convenceu de que os dois tem razão e merecem um casaco."
 
Que possamos também sempre nos preocupar com as necessidades dos outros. Desta maneira, D'us se preocupará com as nossas necessidades.

Nesta semana lemos a Parashá Vaierá (literalmente "E apareceu"), que continua descrevendo os testes de Avraham Avinu. A Torá também ressalta o incrível nível espiritual atingido por Avraham, em especial na área de amor e preocupação com o próximo. Talvez uma das maiores demonstrações de amor ao próximo foi a "discussão" de Avraham com D'us para tentar salvar a cidade de Sdom da destruição. Mas por que D'us destruiu a cidade de Sdom? O que eles fizeram de tão grave?
 
A cidade de Sdom ficou gravada na história por sua incomparável reputação de ser habitada por pessoas totalmente más e cruéis. A maldade em Sdom havia chegado a um nível insuportável, a ponto de D'us decretar sua destruição. Não apenas eles faziam o mal, mas haviam leis proibindo as bondades, e aqueles que ousassem desrespeitar as leis eram castigados com os piores requintes de crueldade.
 
Mas como entender este comportamento dos habitantes de Sdom? Parece muito superficial dizer que os habitantes de Sdom eram simplesmente pessoas sádicas, que sentiam prazer em fazer mal aos outros. Sabemos que há pessoas com desvios psicológicos, como os psicopatas, que podem fazer maldades com uma assustadora frieza. Porém, como explicar uma cidade inteira se comportando desta maneira? Será que Sdom era uma cidade inteira de psicopatas, que não tinham sentimentos e não se importavam com a dor causada aos outros?
 
Explica o Rav Yitzchak Berkovits que, na realidade, este comportamento era o resultado de uma ideologia, que os motivou a agirem da maneira que agiram. A fim de promover suas crenças, eles instituíram todo um código de leis para impor a adesão ao seu modo de vida cruel. Mas qual era essa ideologia, que pregava a maldade, a tortura e os piores níveis de crueldade e falta de compaixão?
 
O povo de Sdom acreditava que fazer Chessed com outras pessoas constituía um ato de crueldade. Mas como fazer bondades pode ser visto como algo negativo? Eles acreditavam que, ao fornecer à outra pessoa o que ela precisava sem que ela se esforçasse e merecesse, esta seria uma maneira de acostumá-la a depender dos outros para conseguir seu sustento. E uma vez que ela se acostumasse a depender dos outros, nunca mais seria capaz de se tornar um membro independente e produtivo da sociedade. Para evitar esse estrago, eles instituíram todo um conjunto de leis e punições para impedir que o Chessed destruísse a sociedade.

Além disso, as punições não eram formas arbitrárias de causar sofrimento a quem ajudasse os outros. Eles utilizaram um senso de punição "medida por medida" pelos danos que entendiam que o doador "infligia" à "vítima" de seu Chessed. Por exemplo, o Talmud (Sanhedrin 109b) nos diz que quando uma mulher deu comida a um pobre, eles a puniram cobrindo-a com mel, para que as abelhas a picassem até a morte. Eles estavam transmitindo a mensagem de que, ao fazer Chessed, aquela mulher não estava ajudando o pobre, ao contrário, na verdade o estava destruindo, tornando-o fraco e dependente dos outros. Medida por medida, eles a puniram fazendo "Chessed" com as abelhas, colocando mel nela, sendo que o resultado desta "bondade" foi a destruição da mulher.
 
O Talmud também traz outra punição aplicada a quem fizesse Chessed. Qualquer pessoa que convidasse um estranho para comer em um casamento seria punida ficando nua em público. Qual é a conexão entre o "crime" e a punição neste caso? O povo de Sdom sentia que fazer Chessed a alguém significava tirar a dignidade da pessoa, tornando-a um "tomador". Medida por medida, eles tiravam a dignidade da pessoa removendo publicamente suas roupas.
 
D'us também puniu Sdom medida por medida por sua atitude cruel em relação ao Chessed. Rashi (França, 1040 - 1105) explica que, no início, uma chuva suave caiu sobre Sdom, e só depois ela se transformou em uma chuva de enxofre e fogo. A explicação mais simples é que D'us estava dando a eles uma última chance de se arrepender. No entanto, em um nível mais profundo, eles foram punidos por um ato de bondade que se transformou em um ato de destruição. Isso estava exatamente de acordo com o raciocínio distorcido de Sdom utilizado para punir os outros, o equívoco de que Chessed é algo destrutivo. Medida por medida, eles foram apagados do mundo por algo que começou como Chessed e terminou como destruição.
 
Os habitantes de Sdom eram tão cruéis que parece difícil extrair qualquer lição para nossa vida. É óbvio que suas leis eram extremamente cruéis e sua atitude estava completamente errada. No entanto, um aspecto de sua ideologia encontrou apoio no mundo nas últimas décadas: o conceito de que ajudar as pessoas é prejudicial porque as impede de se tornarem independentes. Esta atitude surgiu após pessoas sem emprego começarem a receber um apoio financeiro significativo dos governos. Como resultado, muitas dessas pessoas perderam o incentivo para procurar trabalho, e escolheram permanecer dependentes de outras pessoas.
 
E como a Torá vê esse aspecto da ideologia de Sdom? As leis e a filosofia judaica também enfatizam os benefícios da independência. Estas são as palavras do mais sábio de todos os homens, Shlomo HaMelech: "Quem odeia presentes viverá" (Mishlei 15:27). Isso significa que a maneira ideal de viver é não depender de presentes ou da caridade das outras pessoas. Nesse sentido, o Talmud (Pessachim 113a) diz que uma pessoa que não tem dinheiro suficiente para "caprichar" mais seu Shabat, mesmo assim deve fazer um Shabat mais simples e evitar pedir dinheiro a outras pessoas. Daqui aprendemos que, apesar da grande importância dada ao ato de honrar o Shabat com comidas gostosas, é melhor a pessoa tratar seu Shabat como um dia normal da semana do que depender dos outros. Então será que a Torá concorda que o Chessed enfraquece as pessoas?
 
A resposta é que estas fontes da Torá se concentram em como cada indivíduo deve lidar com sua própria situação pessoal. Ele deve fazer o máximo para ser autossuficiente e não depender dos outros para seu sustento. No entanto, essa atitude se limita à maneira como a pessoa vê a si mesma. A maneira como ela deve ver os outros é muito diferente. Quando se trata das necessidades de seus semelhantes, ela deve deixar de lado todo o julgamento dos motivos pelos quais eles estão em uma situação de necessidade e, ao invés disso, deve se concentrar em como pode ajudá-los.
 
Apesar dessa ênfase em ajudar as pessoas que não podem ajudar a si mesmas, é muito importante notar que, uma vez que a independência é um valor importante, a melhor maneira de ajudar uma pessoa, quando possível, é dando a ela a capacidade de se tornar independente, para que, a longo prazo, ela não dependa dos outros. Na verdade, o Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) escreve que proporcionar a alguém a possibilidade de encontrar trabalho para que seja independente é a forma mais elevada de Tzedaká. No entanto, existem muitas situações tristes, de pessoas que são incapazes de se sustentar. Em tais casos, devemos fazer o possível para ajudá-las. O erro cometido pelo povo de Sdom foi esperar que todos pudessem ser bem-sucedidos caso se esforçassem. Isso não é verdade, já que muitas pessoas estão dispostas a tentar se tornar independentes, mas algumas circunstâncias tornam isso impossível. Portanto, devemos ter mais empatia. Que sejamos rigorosos em relação a nós mesmos, mas sempre muito lenientes e compreensivos com os outros.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 14 de outubro de 2021

SANTIFICANDO O NOME DE D’US - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ LECH LECHÁ 5782

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ASSUNTOS DA PARASHÁ LECH LECHÁ
  • 3º teste de Avraham: Abandonar tudo e ir para uma terra estranha (Lech Lechá).
  • 4º teste de Avraham: Fome em Eretz Knaan.
  • Avraham vai para o Egito.
  • 5º teste de Avraham: Sara é sequestrada pelo Faraó.
  • Avraham e Lot voltam com grandes riquezas.
  • Separação de Avraham e Lot.
  • A Guerra dos 5 reis contra os 4 reis.
  • Lot é sequestrado e Avraham é avisado.
  • 6º teste de Avraham: Luta contra os 4 reis.
  • O "Pacto entre as partes".
  • A promessa da Terra de Israel.
  • 7º teste de Avraham: D'us anuncia a Avraham o exílio dos seus descendentes.
  • Casamento com Hagar.
  • O nascimento de Ishmael.
  • 8º teste de Avraham: Brit-Milá.
BS"D

SANTIFICANDO O NOME DE D'US - PARASHÁ LECH LECHÁ 5782 (15 de outubro de 2021)

 
O que você faria se a sorte grande inesperadamente batesse à sua porta? E se essa sorte grande fosse uma quantia de U$ 98.000,00 em dinheiro, que você pudesse simplesmente colocar no bolso sem ninguém sentir falta? Isto aconteceu com o rabino Noach Muroff, um professor da nona série da Yeshiva de New Haven, em Connecticut, e sua esposa, a Sra. Esther, no ano de 2013. Algumas semanas antes de Rosh Hashaná, o rabino e a esposa compraram uma mesa usada por um ótimo preço, U$ 150,00, pela internet. A proprietária era uma mulher de meia idade, chamada Patty, que morava na região. Quando os Muroff trouxeram a mesa para casa, eles perceberam que ela não passaria pela porta do escritório por poucos milímetros. O casal decidiu desmontar a mesa e remontá-la dentro do escritório. Porém, ao desmontá-la, eles descobriram atrás das gavetas um saco plástico cheio de dinheiro. Contando as notas, eles chegaram a um total de U$ 98.000,00. Eles olharam um para o outro e disseram instintivamente: "Não podemos ficar com este dinheiro". Imediatamente eles pegaram o telefone e ligaram para a proprietária. Ela ficou chocada e começou a chorar de emoção.
 
Naquela noite, o rabino Noach teve dificuldade para adormecer. Ele não estava arrependido de ter entrado em contato com a mulher para devolver o dinheiro, mas ainda assim queria ouvir do seu Rosh Yeshivá em Israel se ele estava fazendo a coisa certa. Ele ligou e escutou do Rosh Yeshivá que devolver o dinheiro era o correto a se fazer, principalmente pois seria um enorme Kidush Hashem (santificação do Nome de D'us). O Rosh Yeshivá também os aconselhou a recusar qualquer recompensa, a menos que a proprietária insistisse muito.
 
No dia seguinte, logo cedo, eles levaram seus quatro filhos juntos para devolver o dinheiro. Queriam que aquela fosse uma experiência de aprendizado para eles, para ensiná-los sobre honestidade e sobre fazer o que é certo. Patty os esperava na porta, cheia de gratidão e admiração. Ela então explicou como aquela grande soma de dinheiro apareceu atrás das gavetas. Ela havia ficado muito triste quando seus pais faleceram, um após o outro, em um curto intervalo de tempo. Quando ela recebeu a herança, planejou colocá-la no banco, mas não tinha força emocional. Em vez disso, ela colocou a bolsa de dinheiro dentro de uma gaveta. Quando ela decidiu depositar o dinheiro no banco, ele havia desaparecido. Provavelmente o dinheiro havia deslizado e caiu para trás das outras gavetas. Quando vendeu sua mesa, Patty não tinha ideia de que o dinheiro ainda estava lá.
 
Patty pediu para que eles aceitassem uma recompensa, mas eles só concordam após muita insistência. Ela também deu a eles uma carta de agradecimento que, entre outras coisas, dizia: "Não posso agradecer o suficiente pela honestidade e integridade de vocês. Não acho que haja muitas pessoas neste mundo que fariam o mesmo que vocês fizeram". Junto com o cartão também estava o dinheiro que eles haviam pago pela mesa.
 
Além de amigos e parentes próximos, inicialmente ninguém mais ficou sabendo da história, e eles preferiam assim, pois eram pessoas humildes, e a história permaneceu oculta por algum tempo. Porém, um grande rabino ficou sabendo da história e insistiu para que eles a divulgassem, para fazer um Kidush Hashem ainda maior. Eles ligaram para a CNN no dia seguinte para compartilhar a história e, em poucas horas, ela havia se tornado viral. Quase todos os meios de comunicação divulgaram e muitos jornais os chamaram para entrevistas. Porém, eles sempre repetiam que não achavam que haviam feito nada de excepcional. Imaginaram que a maioria das pessoas na mesma situação, isto é, que haviam encontrado muito dinheiro e sabiam a quem ele pertencia, fariam a mesma coisa. Certamente um teste muito grande, que resultou em um enorme Kidush Hashem.

Nesta semana lemos a Parashá Lech Lechá (literalmente "Vá por você"), que começa a descrever a vida de Avraham, nosso primeiro patriarca. Ele passou por dez testes muito difíceis, e a cada conquista ele ia construindo sua grandeza espiritual. Um dos testes descritos na Parashá foi uma guerra na qual Avraham participou. Na época de Avraham ocorreu a primeira "guerra mundial", da coligação dos quatro reis contra a coligação dos cinco reis. Os quatro reis eram muito poderosos e conseguiram vencer a guerra. Eles levaram os conquistados como cativos de guerra e saqueram seus pertences. Entre os derrotados estava a cidade de Sdom, e um dos sequestrados era Lót, sobrinho de Avraham. Ao ser avisado, Avraham juntou um pequeno exército e foi resgatar seu sobrinho. Grandes milagres aconteceram e Avraham conseguiu derrotar os quatro reis.
 
Após a guerra, Avraham conseguiu recapturar os despojos e os cativos das mãos dos quatro reis. A Torá então registra um diálogo entre Avraham e o rei de Sdom, no qual o rei ofereceu dividir os despojos com Avraham. A proposta era que Avraham ficasse com as posses materiais, enquanto o rei de Sdom receberia de volta os cativos sequestrados. Avraham rejeitou a proposta com a declaração: "Nem um fio e nem uma tira de sapato. Não vou pegar nada que é seu, para que você não diga: 'Fui eu quem tornei Avram rico'" (Bereshit 14:23).

O Talmud (Sotá 17a) ensina que, por Avraham ter se recusado a aceitar até mesmo um fio ou uma tira de sapato, seus descendentes mereceram receber duas Mitzvót: Tzitzit, pelo mérito do fio, e Tefilin, pelo mérito da tira de sapato. Além da semelhança entre estes objetos e as Mitzvót associadas a elas, sabemos que tudo o que D'us faz é "Midá Kenegued Midá" (medida por medida). Qual característica do Tefilin e do Tsitsit representa o ato de Avraham, de ter recusado qualquer tipo de compensação do rei de Sdom?
 
Rashi (França, 1040 - 1105) explica que as ações de Avraham não foram apenas uma enorme demonstração de desapego e autocontrole. A força de vontade de Avraham foi particularmente meritória por ele não querer se beneficiar de propriedade roubada. Porém, a que propriedade roubada Rashi se refere? De acordo com a lei, os despojos de guerra são de posse legal do vencedor. Por exemplo, depois da vitória na guerra contra Midian, a Torá descreve que o povo judeu pegou os despojos de guerra, entre eles muitos utensílios de preparar comida, e em nenhum momento a Torá chama a atenção que o ato foi ilícito. Inclusive, é através destes despojos de guerra que a Torá nos ensina a Mitzvá de Kasherização de utensílios. Certamente a Torá não nos ensinaria uma Mitzvá através de objetos roubados, algo que sabidamente irrita D'us. Então por que Rashi diz que se Avraham tivesse recebido os despojos de guerra, ele teria se beneficiado de propriedade roubada?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que, embora Avraham tivesse legalmente direito aos despojos, esta não era a percepção do rei de Sdom. Avraham venceu sozinho a guerra e, portanto, tinha o direito de ficar com tudo, enquanto o rei de Sdom não tinha direito a nada. O mero fato de o rei de Sdom ter se oferecido para dividir "generosamente" com Avraham o que foi conquistado na guerra implica que ele sentia que tinha direitos sobre essas posses, e que estava fazendo um gesto de benevolência. O que a Torá considera meritório nas ações de Avraham foi ele ter lidado com o rei de Sdom dentro do contexto da percepção do rei. De acordo com a percepção do rei, se Avraham pegasse todos os bens ele seria um ladrão. Como representante de D'us, Avraham não podia permitir a percepção de que ele havia roubado algo, o que seria um Chilul Hashem (denegrir o Nome de D'us), ou que o dinheiro havia sido dado a ele como um ato benevolente de um ser mortal, o que mancharia a honra de D'us. Avraham mostrou que, para proteger a honra de D'us, ele estava disposto a lidar com as pessoas com base na realidade que elas criaram para si mesmas, mesmo que fosse uma percepção completamente equivocada.
 
Mas por que essa característica de Avraham foi recompensada com as Mitzvót de Tzitzit e Tefilin? O Talmud (Sotá 17a) explica que quando um judeu usa Tefilin, ele inspira admiração em todos os que o veem. Isso não é porque admiram a própria pessoa, mas porque sentem a presença de uma Autoridade Superior que está sendo representada por esse indivíduo. Podemos comparar isso a um policial que usa uma farda e um distintivo. As pessoas não respeitam o próprio homem, e sim a instituição que ele representa. Tefilin é o emblema que representa a presença de D'us. É interessante notar que os Tefilin são usados em áreas geralmente designadas para exibir um emblema: a manga da camisa e o boné. Com relação aos Tzitzit, o Talmud ensina um conceito semelhante. Um judeu vestindo Tzitzit é semelhante a um escravo que usa a insígnia de seu mestre em sua vestimenta. Essas duas Mitzvót refletem a designação do judeu como um representante de D'us e facilitam a percepção da presença de D'us neste mundo.
 
Avraham também demonstrou a capacidade de aceitar a percepção da realidade de outra pessoa. Portanto, ele era a pessoa ideal para representar as Mitzvót de Tzitzit e Tefilin, que permitem que a presença de D'us seja percebida. O egocentrismo impede a pessoa de ver um ponto de vista diferente. Frequentemente exigimos que os outros vivam dentro da nossa realidade, especialmente se considerarmos que a posição do outro é incorreta. Embora significasse desistir do que era seu por direito, Avraham lidou com o rei de Sdom dentro da própria realidade do rei, a fim de preservar a honra de D'us neste mundo. Avraham demonstrou uma total falta de egocentrismo, que é a fundação para a aceitação da autoridade de D'us.
 
Deste incidente aprendemos dois conceitos importantes. O primeiro é que quanto mais nos afastamos do egocentrismo, mais conseguimos entender o ponto de vista das outras pessoas. O segundo é que o conceito de "Chilul Hashem" e "Kidush Hashem" não dependem apenas do ato que estamos fazendo, mas também da percepção de como os outros nos veem. Mesmo quando estamos fazendo algo correto, mas que aos olhos dos outros parece errado, isso pode ser Chilul Hashem. Desta maneira, precisamos ser extremamente cuidadosos com os nossos atos, sempre tentando levar em consideração a forma como os outros entendem a realidade para, desta maneira, estarmos sempre santificando o Nome de D'us.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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