quinta-feira, 29 de julho de 2021

INSPIRE-SE NO PASSADO E CONFIE NO FUTURO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ EKEV 5781

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  • A garantia de D'us da vitória sobre os inimigos.
  • As lições do Man.
  • Perigos da prosperidade e advertência contra a idolatria.
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  • Lembrança dos erros cometidos no deserto.
  • As Segundas Tábuas.
  • Seguindo o caminho de D'us.
  • A Terra de Israel exigente.
  • Jugo dos Mandamentos.
  • Promessa de vitória.
BS"D

INSPIRE-SE NO PASSADO E CONFIE NO FUTURO - PARASHÁ EKEV 5781 (30 de julho de 2021)

 
Shmuel, um próspero comerciante, tinha uma loja com a qual sustentava sua família. Ele ficou muito chateado quando um concorrente abriu uma loja bem em frente à sua, vendendo exatamente os mesmos produtos. Será que aquele desalmado não poderia montar sua loja em outro lugar? Agora como ele conseguiria sustentar sua família?
 
Certo dia, no auge da sua angústia, Shmuel tomou uma decisão. Pegou seu cavalo e viajou até a longínqua cidade de Tzans. Ele visitou o Rebe de Tzans e, com o coração machucado, começou a reclamar do dono da loja concorrente, dizendo que ele estava acabando com seu sustento. Ele pediu para que o Rebe intervisse e pedisse para que o concorrente fechasse a loja o mais rápido possível. O Rebe escutou o relato do homem e perguntou:
 
- Você mora muito longe. Provavelmente você veio até Tzans de cavalo. E certamente o cavalo bebeu água diversas vezes durante esta longa viagem. Você prestou atenção se acontecia algo esquisito todas as vezem em que seu cavalo bebia água no rio?  
 
- Não vi nada de anormal – respondeu Shmuel, sem saber aonde o Rebe queria chegar.

- Talvez você não percebeu, mas toda vez que o cavalo inclina a cabeça para beber água no rio, ao invés de beber a água imediatamente, antes ele dá algumas patadas nela, e só depois começa a beber - disse o Rebe -  E qual é o motivo disso? Quando o cavalo inclina a cabeça para beber nas límpidas águas do rio, ele vê na sua frente um outro cavalo, que também está se posicionando para beber da mesma água. Na realidade, o que ele está vendo é a sua própria imagem refletida na água. Porém, como ele é um cavalo, não sabe que é a sua própria imagem que ele está vendo e, portanto, pensa que há outro cavalo querendo beber da "sua" água. Ele pensa assim: "Esse cavalo atrevido vem aqui no meu pedaço justamente na hora em que eu quero beber. Tanto lugar sobrando e ele tinha que vir beber justamente aqui?". O cavalo então pensa que seu "concorrente" vai beber toda a água e, por isso, começa a dar patadas na água até ela ficar enlameada. Ao não conseguir mais ver seu reflexo, ele pensa que conseguiu expulsar o outro cavalo. Só então ele se acalma e começa a beber a água.

- Veja bem - continuou o Rebe - O cavalo não tem a capacidade de entender que não há outro cavalo, que tudo é apenas uma ilusão. E mesmo se houvesse outro cavalo, que diferença faria se ele bebesse também? Por acaso no rio não há água suficiente para centenas de cavalos? No final das contas, a única coisa que ele ganhou foi ter bebido lama ao invés de uma água cristalina.

- Assim sendo - concluiu o Rebe - gostaria de lhe perguntar: o que importa se o outro comerciante abriu uma loja perto da sua? Você acha que ele está tirando seus clientes e seu sustento? Nós sabemos que o sustento de uma pessoa é decretado em Rosh Hashaná, e sabemos que nenhuma pessoa encosta no que está destinado a outra pessoa, nem mesmo um fio de cabelo. Também sabemos que o "rio" do Criador do mundo é infinito. A verdade é que seu sustento não está sendo afetado. No entanto, sua preocupação e angústia fazem com que você acabe "bebendo lama". Portanto, confie em D'us e volte tranquilo para sua loja!"

Nesta semana lemos a Parashá Ekev (literalmente "Se"), que continua com os discursos finais de Moshé, tentando preparar o povo, espiritualmente e psicologicamente, para a tão esperada entrada na Terra de Israel. Moshé advertiu o povo a não ter contato com os povos idólatras da Terra de Israel, ressaltando a importância de destruir todos os tipos de idolatria, para que não recebessem nenhum tipo de influência espiritual negativa.
 
A Parashá começa com Moshé relembrando a recompensa que recebemos quando cumprimos a vontade de D'us, que inclui todos os tipos de Brachót e proteção contra sofrimentos e dificuldades. Entre as Brachót condicionais prometidas por D'us está a vitória na guerra contra os nossos inimigos. Quando Moshé mencionou o assunto das guerras de conquista da Terra de Israel, ele quis fortalecer a Emuná do povo judeu, e tinha um forte motivo para isso. Logo após terem recebido a Torá no Monte Sinai, o povo judeu deveria ter entrado imediatamente na Terra de Israel, uma terra com muita santidade, onde poderiam cumprir a Torá em sua totalidade. Porém, um dos piores erros do povo judeu foi ter enviado espiões para olhar a Terra de Israel, não como uma missão estratégica, e sim por falta de Emuná, por não terem confiado em D'us, apesar de Ele ter garantido que a Terra de Israel era boa e que eles conseguiriam conquista-la. A consequência foi que 10 espiões voltaram falando mal da Terra de Israel, argumentando que seria impossível conquistá-la, pois os habitantes eram muito fortes e as cidades muito fortificadas. O povo teve medo e chorou, novamente demonstrando sua falta de confiança em D'us, e aquela geração recebeu o terrível decreto de nunca mais entrar na Terra de Israel. Quase 40 anos depois, Moshé teve medo que o mesmo sentimento de medo e apreensão se repetiria. Por isso ele sentiu a necessidade de dar um reforço na Emuná do povo, como está escrito: "E você vai falar no seu coração: 'Estas nações são mais numerosas que nós, como é que que poderei conquistá-las?'. Não as tema, lembre-se do que Hashem, teu D'us, fez com o Faraó e com todo o Egito" (Devarim 7:17-18).
 
Porém, destas palavras de Moshé surge uma pergunta. Por que Moshé não deu seu reforço de Emuná simplesmente dizendo que D'us poderia fazer milagres e os ajudaria na conquista da Terra de Israel? Por que foi necessário mencionar o que havia acontecido na saída do Egito?
 
Para responder este questionamento, antes de tudo precisamos entender qual é o principal motivo das nossas preocupações. A preocupação normalmente é resultado do medo que temos de situações com as quais não saberemos lidar. É o medo do desconhecido, dos problemas que não estamos acostumados a resolver. Temos a tendência de querer ficar na nossa zona de conforto, e qualquer desafio que nos obriga a sair da zona de conforto nos preocupa. Pessoas chegam a ficar sem dormir antes de uma entrevista de emprego, quando estão endividadas ou preocupadas com o casamento dos filhos. Então qual é a solução para as nossas preocupações e medos?
 
Moshé nos ensinou que a solução para as preocupações é a Emuná, a confiança em D'us. Se a preocupação é o medo de não conseguir resolver uma situação nova, então a solução é lembrarmos como D'us já nos ajudou em situações similares no passado, e desta maneira será mais fácil lidar com os problemas atuais. Foi justamente isso que Moshé quis despertar no coração do povo judeu ao sugerir que, caso novamente surgisse o medo do desconhecido no coração deles e eles começassem a questionar se seriam capazes de derrotar as nações que viviam na Terra de Israel, eles deveriam se lembrar das experiências passadas, da forma como D'us os havia ajudado em situações semelhantes de dificuldade, como ocorreu quando estavam escravizados no Egito, imersos em sofrimentos. Nunca um escravo havia conseguido fugir do Egito. Os judeus já estavam há mais de 200 anos, sem nenhuma perspectiva de conseguir sua tão sonhada liberdade. E quando ninguém esperava, D'us veio, com Mão forte e Braço estendido, com milagres e com sinais, e os retirou do Egito, no meio do dia, diante dos olhos dos egípcios que nada podiam fazer. O mesmo D'us que havia feito tantos milagres aos olhos de todo o povo certamente poderia fazer novamente milagres na conquista da Terra de Israel, então não havia nada a temer.
 
Explica o Rav Zelig Pliskin que este ensinamento de Moshé não foi apenas para a geração do deserto, mas uma regra que podemos utilizar em todos os momentos da vida nos quais estivermos passando por dificuldades. Sempre que surgirem preocupações, imediatamente devemos parar e lembrar tudo o que D'us já fez por nós no passado, de como Ele nos ajudou a lidar com as dificuldades e a superar desafios que pareciam instransponíveis. Desta maneira garantiremos que nosso coração ficará tranquilo, livre de preocupações. Sempre que estivermos preocupados com o futuro, devemos perguntar a nós mesmos: "De que forma D'us já me mostrou no passado que Ele pode me ajudar a superar uma situação como essa?".
 
Podemos utilizar esta regra, de lembrar dos sucessos do passado, em todas as áreas da vida. Por exemplo, ao nos depararmos com dificuldades financeiras, devemos nos lembrar de como já ficamos preocupados no passado com assuntos financeiros e, no final das contas, conseguimos lidar com eles. Ao ficar com medo de não ir bem em um teste ou em uma entrevista de emprego, devemos nos lembrar de como já nos sentimos assim no passado e, apesar das preocupações, conseguimos ter sucesso. Sempre que tememos novas situações, devemos nos lembrar de outras novas situações com as quais já ficamos preocupados, mas que, no final, conseguimos lidar bem com elas.
 
Toda preocupação é, em última instância, uma demonstração de falta de Emuná. Para superar esta falha, devemos lembrar de duas coisas. Em primeiro lugar, D'us é Onipotente e, portanto, pode nos ajudar a vencer qualquer obstáculo, mesmo aqueles que parecem intransponíveis. Foi D'us que criou todas as leis da natureza e Ele pode, sempre que desejar, quebrar estas leis, como já fez diversas vezes na história. Além disso, precisamos lembrar que a grande maioria das coisas que tanto tememos nunca acontecem. Criamos temores em nossas cabeças e corações, mas que, na prática, acabam nunca se concretizando. Por exemplo, quando uma pessoa vai a um lugar novo, já começa a se preocupar e se questionar: "E se eu não encontrar o lugar?", "E se eu não conseguir encontrar vaga para estacionar?", "E se eu não souber voltar?". Na prática, a pessoa acaba encontrando facilmente um lugar para estacionar ao lado do lugar onde precisava ir e volta tranquilamente para casa. Quantas preocupações desnecessárias, que nunca se materializaram! O correto seria tomar as precauções necessárias, como utilizar um aplicativo de orientação e identificar estacionamentos na região, mas sempre com a tranquilidade de saber que, na realidade, não é o "waze" que nos guia, e sim D'us.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

 

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quinta-feira, 22 de julho de 2021

TAPAS QUE SALVAM - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAETCHANAN 5781

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  • Moshé implora para entrar na Terra de Israel.
  • Fundamentos da Emuná.
  • Obediência a D'us.
  • Exílio e Retorno.
  • Cidades de Refúgio.
  • Repetição dos Dez Mandamentos.
  • Shemá Israel.
  • Mitzvá da Mezuzá.
  • Perigos da Prosperidade.
  • Recordando o Êxodo e transmitindo para as futuras gerações.
  • Advertência contra a assimilação quando entrarem na Terra de Israel.
BS"D

TAPAS QUE SALVAM - PARASHÁ VAETCHANAN 5781 (23 de julho de 2021)


Em 1812, o exército francês cercou Moscou. O exército russo defendeu a cidade com valentia e o cerco acabou estendendo-se por muito tempo. O rigoroso inverno russo estava se aproximando e as tropas francesas estavam com a moral em baixa. Muitos oficiais aconselharam Napoleão Bonaparte a abandonar o cerco e recuar.

- O que vocês estão dizendo faz sentido - admitiu Napoleão - porém, antes eu gostaria de descobrir como está a moral dos soldados russos, para poder tomar uma decisão.

Mas como seria possível saber qual era o nível da moral dos soldados russos? A única maneira seria verificando pessoalmente. Então Napoleão e alguns oficiais escolhidos a dedo disfarçaram-se de camponeses russos e entraram na cidade. Eles seguiram alguns soldados russos até uma taverna e sentaram para ficar escutando a conversa deles. Não levou muito tempo para escutarem os soldados reclamando da fome pela qual estavam passando e da vontade coletiva de se render. Radiantes de alegria, Napoleão e seus companheiros se levantaram para sair. De repente, um dos soldados russos viu Napoleão e, apontando para ele, começou a gritar:
 
- Camaradas, esse é o Napoleão!
 
Seus amigos começaram a rir e debochar dele, achando que ele estava bêbado. Porém, o soldado insistiu, dizendo que, quando esteve na França, tinha visto Napoleão pessoalmente. Ele tinha certeza que aquele era Napoleão! Mas os amigos não acreditavam. O que o Imperador da França estaria fazendo em uma taverna russa? O soldado russo insistiu, deixando Napoleão preocupado. Se ele fosse descoberto, seria capturado e morto. Enquanto os soldados russos discutiam, Napoleão e seus oficiais rapidamente bolaram um plano.

- Ei, Sasha - disse um dos oficiais franceses a Napoleão - venha cá!

Napoleão, fingindo-se de bêbado, derramou um copo de vodka na camisa do oficial. O oficial, fingindo estar irritado, deu um berro e um tapa na cara de Napoleão, derrubando-o no chão. Então ele começou a chutá-lo, gritando: "Seu bêbado desgraçado, tome isto e mais isto!". O espetáculo chamou a atenção dos soldados russos.

- Olhe só, Bóris - um deles gritou, gargalhando - Aí está o seu Napoleão! É assim que eles tratam o Imperador?
 
Ao ver aquela cena, os soldados perderam o interesse em Napoleão e ele conseguiu escapar. Ao retornarem ao acampamento, o oficial que havia batido em Napoleão se ajoelhou e implorou por perdão.

- Perdoar? - disse Napoleão - Eu devo minha vida a você, pois foram estes tapas e pontapés que me salvaram!"

Às vezes também recebemos "tapas" de D'us. Mas precisamos saber que é por bondade e misericórdia que Ele nos bate, para nos ajudar e, muitas vezes, salvar nossas vidas, tanto fisicamente quanto espiritualmente.

Nesta semana lemos a Parashá Vaetchanan (literalmente "E eu implorei"), que continua trazendo os últimos discursos de Moshé antes do seu falecimento e da entrada do povo judeu na Terra de Israel. Moshé continua relembrando os principais acontecimentos dos últimos 40 anos, entre eles o decreto de D'us de que ele não poderia entrar na Terra de Israel junto com o povo, por ter tirado água golpeando a pedra. Moshé implorou para que D'us o permitisse entrar na Terra de Israel, mas a resposta foi negativa. Logo depois D'us pediu para Moshé subir em uma montanha e olhar para a Terra de Israel. Aconteceu então um grande milagre e Moshé conseguiu ver toda a Terra de Israel, incluindo cada pequeno detalhe. Mas para que foi necessário este milagre?
 
Além disso, será que este milagre não causou mais sofrimento em Moshé? Quando alguém está jejuando, a fome começa a apertar na hora do almoço. Se alguém aparecesse com uma refeição apetitosa, com um cheiro delicioso, não seria ainda mais difícil aguentar o jejum? Da mesma forma, Moshé já havia recebido o duro castigo de não entrar na Terra de Israel. Se já não bastasse isso, D'us ainda ordenou que ele subisse em uma montanha e olhasse para a Terra de Israel. Isso não causou ainda mais vontade em Moshé, aumentando seu sofrimento? Se Moshé não iria entrar, será que não era melhor nem ter visto a Terra de Israel?
 
Outro detalhe importante é que este Shabat também é chamado de "Shabat Nachamu" ("Consolem-se"), por causa das palavras iniciais da Haftará lida na semana, na qual o profeta Yeshayahu consola o povo judeu pela destruição do nosso Primeiro Beit Hamikdash. Mas qual é a conexão deste conceito do consolo do povo judeu com o duro decreto de Moshé e o sofrimento dele ter visto a Terra de Israel sem poder entrar?
 
Antes de tudo, precisamos entender por que Moshé queria tanto entrar na Terra de Israel. Será que era para comer dos seus frutos deliciosos ou para olhar suas belas paisagens? O Talmud (Sotá 14a) ensina que o desejo de Moshé de entrar na Terra de Israel era para ter a oportunidade de cumprir todas as Mitzvót da Torá, já que muitas só podem ser cumpridas dentro da Terra de Israel, como a Mitzvá de Shemitá (Ano Sabático). Apesar da insistência, demonstrando o amor de Moshé pelas Mitzvót, a reposta de D'us foi negativa. Mas o Talmud diz que D'us tranquilizou Moshé: "Você está preocupado com a recompensa do cumprimento das Mitzvót que só podem ser feitas dentro da Terra de Israel? Não se preocupe, vou considerar como se você tivesse cumprido todas elas". Por que D'us considerou que Moshé cumpriu todas as Mitzvót, mesmo as que ele não teve a oportunidade de cumprir?
 
A mesma pergunta surge em relação a Yaacov Avinu. Quando Yaacov estava voltando para casa, depois de passar 20 anos na casa de seu tio Lavan, ele pediu para que seus mensageiros dissessem para seu irmão Essav: "Com Lavan morei e demorei até agora" (Bereshit 32:5). Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que a palavra "Morei", em hebraico "Garti", tem o valor numérico de 613, o mesmo número de Mitzvót da Torá. Yaacov estava mandando uma mensagem para Essav: "Mesmo morando na casa de um perverso, eu cumpri todas as Mitzvót da Torá". Yaacov quis dizer para Essav que ele tinha uma proteção Divina especial por ter cumprido a vontade de D'us mesmo vivendo entre pessoas perversas. Porém, se Yaacov estava fora de Eretz Israel, então era impossível ele ter cumprido todas as Mitzvót da Torá, já que muitas delas só podem ser cumpridas em Israel. Então como entender a mensagem que Yaacov mandou para Essav? Como ele pode ter cumprido todas as Mitzvót?
 
A resposta é que muitas vezes queremos cumprir uma Mitzvá, mas somos impedidos por motivos de força maior e situações que estão fora do nosso controle. Por exemplo, uma pessoa vai ao hospital visitar seu amigo doente, querendo cumprir a Mitzvá de "Bikur Cholim", mas ao chegar ao hospital recebe a notícia que o paciente já não pode mais receber visitas. Neste caso, quando alguém fez de tudo o que poderia para cumprir uma Mitzvá, mas foi impedido por uma força maior, nos Céus é considerado como se esta Mitzvá tivesse sido cumprida. Outro exemplo é que estamos obrigados a habitar na Sucá, uma cabana temporária, durante os 7 dias da Festa de Sucót. Porém, quando chove ou as condições climáticas não permitem que a pessoa permaneça na Sucá, ela está isenta. Nossos sábios ensinam que, neste caso, devemos sair da Sucá com dor e pesar, de cabeça baixa, e não com um sentimento de "estou livre". Se a pessoa sofre por não estar conseguindo cumprir uma Mitzvá, como Yaacov Avinu, então é considerado como se ela estivesse efetivamente cumprindo-a de maneira plena. De acordo com os nossos sábios, quanto maior o esforço e o sofrimento para cumprir uma Mitzvá, maior a sua recompensa.
 
Desta maneira entendemos o motivo pelo qual D'us mostrou a Terra de Israel para Moshé. Não foi para fazê-lo sofrer à toa, e sim para lhe dar mais recompensa pelas Mitzvót. Ele não poderia cumpri-las por motivo de força maior, pois D'us o havia impedido de entrar na Terra de Israel. Mas Moshé havia feito tudo o que podia para cumpri-las. E, justamente por causa do sofrimento que Moshé sentiu por não conseguir cumpri-las, elas tiveram ainda mais valor. Ver a Terra de Israel e as Mitzvót que ele poderia ter feito causou uma tristeza profunda em Moshé, que depois foi transformada em méritos espirituais, que embelezaram ainda mais as Mitzvót.
 
Este ensinamento da Parashá carrega três mensagens importantes. Em primeiro lugar, nos ensina a não sermos precipitados no nosso julgamento. O que parecia uma crueldade de D'us, de causar a Moshé um sofrimento desnecessário, se mostrou uma enorme bondade oculta. Precisamos sempre julgar todos para o bem, especialmente D'us, pois tudo o que Ele faz é por bondade, é com perfeição e uma visão completa e ilimitada. Além disso, nos ensina o amor que devemos sentir pelas Mitzvót. Quando não tivermos a possibilidade de cumpri-las, devemos sofrer por isso, e não nos alegrarmos com o sentimento de estarmos "livres de um peso".
 
Finalmente, este ensinamento nos ajuda a responder uma das perguntas filosóficas que mais afligem a humanidade: "Por que pessoas boas sofrem?". Temos uma visão limitada dos sofrimentos. Muitas vezes, quando passamos por sofrimentos, questionamos a bondade de D'us. Porém, isso é um grande equívoco, pois sofrimentos podem ser amargos, mas são para o nosso benefício. O Talmud (Brachót 33b) ensina que devemos agradecer pelas coisas "ruins" da mesma forma que agradecemos pelas coisas boas, pois, em última instância, tudo é para o bem. Remédios podem ser amargos, mas não são ruins, pois salvam. Da mesma maneira, os sofrimentos são um remédio que nos salva, fisicamente e espiritualmente. Esse entendimento é o verdadeiro consolo do povo judeu. A destruição dos nossos Templos foram tapas dados por D'us para nos despertar e nos ajudar a reajustar o nosso foco. Que possamos nos consolar neste Shabat, pois todo aquele que se enluta pela destruição de Jerusalém certamente terá a alegria de ver sua reconstrução.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

 

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