Yom Kipur é um dos maiores presentes que D’us nos deu. Depois de um ano inteiro em que, muitas vezes, nos afastamos do caminho correto, este dia nos oferece a possibilidade de parar, olhar para dentro e recomeçar. Durante o ano, erramos de diversas maneiras. Algumas vezes deixamos de cumprir aquilo que D’us esperava de nós, outras vezes tomamos decisões erradas, tropeçamos em transgressões e acabamos carregando conosco um peso cada vez maior. Mas D’us, em Sua infinita Misericórdia, não quer que permaneçamos presos aos nossos erros. Ele nos deu Yom Kipur para que possamos voltar.
Neste dia, temos a oportunidade de abrir nosso coração diante de D’us, reconhecer nossos erros, sentir um verdadeiro arrependimento e assumir o compromisso de tentar melhorar. Quando a Teshuvá é sincera, D’us nos oferece a possibilidade de limpar nossa alma e começar novamente. É como alguém que estava caminhando na direção certa, acabou saindo da estrada e percebe que ainda pode retornar ao caminho. Yom Kipur nos ensina que, mesmo depois de termos errado, nunca é tarde para voltar a crescer.
Parte fundamental desse processo de Teshuvá, o retorno aos caminhos corretos, é o Vidui, a confissão dos nossos erros. Por isso, deixo em anexo o texto do Vidui, transliterado, traduzido e comentado, para que possamos compreender melhor aquilo que estamos confessando e refletir sobre os erros que cometemos e suas consequências. É permitido fazer quantas cópias quiser, inclusive para distribuir a outras pessoas na sinagoga.
Mas existe uma parte da Teshuvá que não podemos esquecer: nossos erros não acontecem apenas entre nós e D’us. Ao longo do ano, também podemos ter machucado outras pessoas. Podemos ter falado algo que ofendeu, feito uma brincadeira que causou sofrimento, decepcionado alguém, ignorado a dificuldade de uma pessoa que precisava de nós, prejudicado alguém ou simplesmente deixado de demonstrar a consideração que aquela pessoa merecia.
Nossos sábios ensinam que Yom Kipur expia as transgressões entre a pessoa e D’us, mas as transgressões cometidas contra outra pessoa não são perdoadas até que procuremos aquela pessoa e peçamos seu perdão. Por isso, a Halachá nos orienta a tentar apaziguar sinceramente quem prejudicamos ou magoamos. Não basta simplesmente escrever no status do whatsapp “desculpe por qualquer coisa”. Quando sabemos que fizemos alguém sofrer, precisamos ter a humildade de reconhecer nosso erro e pedir perdão de maneira sincera.
Talvez seja justamente por isso que a Torá tenha nos dado os Dez Mandamentos escritos em duas Tábuas. Uma Tábua representa os mandamentos entre o homem e D’us, enquanto a outra representa os mandamentos entre o homem e seu semelhante. É uma mensagem muito importante: nossa relação com D’us não pode ser separada da maneira como tratamos as outras pessoas. Não podemos buscar proximidade com D’us enquanto ignoramos aqueles que estão ao nosso redor.
Por isso, como faço todos os anos, gostaria de aproveitar este momento para pedir perdão a todos os leitores do “Shabat Shalom M@il” — tanto àqueles que conheço pessoalmente quanto àqueles cujo único contato acontece através dos e-mails semanais. Se em algum momento, por alguma palavra, atitude, omissão ou comportamento, eu tiver ofendido, magoado ou causado tristeza a alguém, peço sinceramente que me perdoe.
Peço perdão tanto pelos erros que cometi intencionalmente quanto por aqueles que cometi sem perceber; tanto pelos erros dos quais me lembro quanto por aqueles que talvez já tenham sido esquecidos. Tenho consciência de que um pedido genérico de “desculpe por qualquer coisa” não substitui um verdadeiro pedido de perdão. Por isso, se alguém guarda alguma mágoa ou sente que eu lhe causei algum mal, peço, por favor, que me procure. Garanto que a pessoa será ouvida, reconhecerei meu erro e pedirei perdão pessoalmente.
Da mesma forma, existe uma atitude que pode transformar completamente a maneira como vivemos Yom Kipur: perdoar. Nossos sábios ensinam que aquele que consegue abrir mão de sua própria honra e perdoar quem lhe fez mal recebe de D’us uma medida semelhante de Misericórdia. Por isso, também quero dizer a todos vocês: eu perdoo, de todo o coração, qualquer pessoa que tenha me magoado ou prejudicado, intencionalmente ou não. Que possamos entrar em Yom Kipur sem carregar mágoas antigas e sem permitir que os erros do passado continuem pesando sobre os nossos corações.
Que este Yom Kipur seja para todos nós um verdadeiro momento de reflexão, Teshuvá e renovação. Que D’us nos conceda um ano de muita saúde, Brachót, crescimento espiritual, paz e respeito ao próximo. Que possamos fortalecer nossa união, voltar a sentir o verdadeiro amor pelo nosso povo e pelo nosso semelhante, e que, através dos nossos esforços, tenhamos o mérito de ver a vinda do Mashiach, a reconstrução do nosso Beit Hamikdash e a chegada de todas as Brachót que D’us deseja tanto nos conceder.
“A QUEM FIZ MAL, PEÇO PERDÃO A QUEM EU AJUDEI, QUERIA TER FEITO MAIS A QUEM ME AJUDOU, AGRADEÇO DE CORAÇÃO”
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