segunda-feira, 6 de abril de 2026

TOME A INICIATIVA - SHABAT SHALOM M@IL - SHEVII SHEL PESSACH E PARASHAT SHEMINI 5786

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TOME A INICIATIVA - SHEVII SHEL PESSACH E PARASHAT SHEMINI 5786 (07/abr/26)

“Em um grande reino, conhecido por seus jardins exuberantes, vivia um rei que não apenas governava com justiça, mas também gostava de testar o caráter de seus servos. Certo dia, ele chamou dois de seus servos mais promissores. Em suas mãos, trazia um pequeno estojo de madeira, cuidadosamente lacrado. Ao abri-lo, revelou sementes incomuns. Tinham aparência simples, mas carregavam um valor extraordinário. O rei então disse:
 
- Estas são sementes raras, trazidas de terras distantes. Seu cultivo é complexo e exige dedicação. Quero que vocês as plantem. O primeiro que me trouxer resultados será fartamente recompensado.
 
Os dois servos partiram, cada um com suas sementes e com o peso da responsabilidade. O primeiro servo era meticuloso, analítico e extremamente cuidadoso. Assim que chegou em casa, começou a refletir: “Se essas sementes são tão raras, não posso correr o risco de falhar. Preciso entender cada detalhe antes de agir”. Ele então começou a estudar o tipo de solo ideal, o método de irrigação, a incidência do sol e até pensou em aprimorar as sementes antes de plantá-las. Dias se transformaram em semanas. Sempre havia mais um detalhe a considerar, mais uma variável a analisar. E ele repetia para si mesmo: “Quando eu começar, será da forma perfeita”.
 
Enquanto isso, o segundo servo, embora respeitasse a seriedade da tarefa, teve um pensamento diferente: “Eu realmente não sei como lidar com essas sementes... mas o rei pediu ação, não teoria. Se eu esperar saber tudo, talvez nunca comece”. Sem perder tempo, se aconselhou com um sábio jardineiro, plantou as sementes e começou a regá-las diariamente. Ele cometeu erros, às vezes regou demais, outras de menos. Quando escolheu um lugar com sol excessivo, precisou replantar. Houve muitos momentos de frustração. Mas, a cada erro, ele aprendia algo novo. Ajustava, corrigia, tentava de novo. Pouco a pouco, pequenos brotos começaram a surgir. Semanas depois, o jardim já exibia plantas verdes e vigorosas. Algumas tortas, outras menores, mas eram reais. Eram fruto de esforço, tentativa e persistência. Enquanto isso, o primeiro servo ainda estava imerso em seus planos. Seu conhecimento havia aumentado, ele sabia tudo sobre aquelas sementes... exceto como fazê-las crescer na prática.
 
Finalmente, o rei decidiu visitar ambos. Primeiro, foi até o segundo servo. Ao ver o jardim em desenvolvimento, com sinais de dedicação, seus olhos brilharam. Depois, foi até o primeiro servo. Lá encontrou anotações detalhadas, esquemas bem elaborados, mas a terra permanecia intacta. O rei então reuniu os dois e declarou:
 
- Eu não pedi perfeição, eu pedi ação. Aquele que age, mesmo errando, constrói, aprende e cresce. Aquele que espera o momento perfeito, muitas vezes constrói apenas ilusões.”
 
Muitas vezes, o Yetser Hará não vem como algo claramente negativo. Ele pode se disfarçar de prudência, de reflexão, de “preciso me preparar melhor”. Sem perceber, a pessoa entra em um ciclo no qual nunca começa, pois sempre falta “mais um detalhe”. O sucesso pertence aos que têm a coragem de começar.

Nesta semana continuamos revivendo a Festa de Pessach, a “Época da nossa liberdade”, e nesta 3a feira à noite (07/abr/26) é novamente Yom Tov, o “Shevii shel Pessach”. O começo de Pessach é Yom Tov, pois é o momento da saída do povo judeu do Egito, marcando o fim de 210 anos de escravidão. O sétimo dia de Pessach também é Yom Tov, por causa de outro milagre que aconteceu ao povo judeu, uma nova salvação: a abertura do Mar Vermelho. Somente quando os judeus viram seus opressores mortos na praia, eles se sentiram livres de verdade.
 
Porém, diferentemente do que é muitas vezes retratado nos filmes bíblicos, a abertura do mar não ocorreu imediatamente quando o povo judeu se aproximou de suas águas agitadas. Somente depois que Nachshon ben Aminadav, da Tribo de Yehudá, entrou no mar e caminhou até a água chegar ao seu nariz, isto é, o limite até onde era possível ir, então o mar se abriu, salvando todo o povo judeu. Nachshon foi o herói que tomou uma atitude, que deu os primeiros passos, que utilizou uma das características mais importantes para o nosso crescimento espiritual: a Zrizut, agilidade.
 
Na verdade, a Zrizut é um dos temas centrais da Festa de Pessach, em especial em relação à preparação da Matsá, que deve ser feita de forma rápida e ágil, para que a massa não fermente. A Mishná (Pessachim 2:5) enumera os tipos de grãos que podem ser usados para fazer Matsá e cumprir a Mitzvá no Seder de Pessach: trigo, cevada, espelta, aveia e centeio. O Talmud (Pessachim 35a) observa que os cinco grãos mencionados na Mishná formam uma lista completa, isto é, não há outros grãos permitidos na fabricação da Matsá. Isso implica que, por exemplo, arroz ou painço (milho-miúdo), que não são mencionados, não podem ser usados. Por que? O Talmud estabelece uma ligação entre Chametz e Matsá a partir do versículo: “Não comerá com ele (Korban Pessach) Chametz; durante sete dias comerá com ele Matsá, o pão da aflição” (Devarim 16:3). Daqui aprendemos que somente aquilo que pode potencialmente se tornar Chametz pode ser utilizado para fazer Matsá. Arroz e outros grãos, por não fermentarem ao entrar em contato com a água, não podem ser utilizados.
 
Este conceito não parece ser muito intuitivo. Já que somos tão rigorosos em evitar que a Matsá se torne Chametz, não seria lógico usar justamente um tipo de grão que nunca fermenta? Por que nos colocamos em uma situação de risco, na qual, se a massa não for preparada e assada rapidamente, pode se tornar Chametz? Com todas as exigências rigorosas envolvidas na preparação da Matsá, por que a Torá não permitiu um grão “seguro”?
 
Explica o Rav Yssocher Frand shlita que neste ensinamento do Talmud, uma Halachá prática em relação a quais grãos podem ser utilizados na fabricação da Matsá, há uma lição profunda para nossas vidas. Nossos sábios ensinam que o Chametz simboliza o Yetzer Hará, nossa inclinação negativa, enquanto a Matsá simboliza o Yetzer Hatov, nossa inclinação positiva. O Chametz cresce, incha, se expande, simbolizando orgulho, ego e desejos descontrolados. A Matsá, por outro lado, é simples, achatada, não incha, representando humildade, modéstia e a capacidade de viver apenas com o essencial. Ou seja, o Chametz e a Matsá estão em extremos opostos, pois enquanto um representa as falhas espirituais, o outro representa as virtudes.
 
Neste pequeno detalhe dos grãos da Matsá, a Torá está nos trazendo uma incrível lição: devemos pegar justamente aquilo que pode se tornar Chametz e transformá-lo em Matsá. A analogia para a nossa vida é que a Torá quer que o ser humano pegue o seu Yetzer Hará, isto é, suas dificuldades, tentações e fraquezas, e o transforme em Yetzer Hatov. O objetivo espiritual do ser humano é trabalhar exatamente nas áreas onde ele tem fraquezas. Uma pessoa que é muda não recebe recompensa por não falar Lashon Hará, pois não há desafio. Uma pessoa cega não enfrenta o teste de Shmirat Einaim, guardar os olhos das coisas proibidas, pois para ele também não é um desafio real. A missão do ser humano é justamente enfrentar aquilo que é um desafio, em especial onde ele já falhou no passado, e superar. Mais ainda, transformar essa mesma fraqueza em algo positivo, até mesmo em uma Mitzvá. A pessoa deve, por exemplo, canalizar seus desejos, que talvez já o tenham levado ao erro, para uma direção positiva.
 
O Midrash traz um questionamento interessante. Por um lado, o profeta descreve os cães como criaturas insaciáveis e insolentes (Yeshayahu 56:11). No entanto, no Perek Shirá, onde cada criatura louva D’us, os cães dizem: “Venham, prostremo-nos diante de Hashem, nosso D’us”. Por que os cachorros receberam o mérito de fazer um cântico tão bonito a D’us se eles são insolentes? A resposta é que na saída do Egito está escrito: “Contra os filhos de Israel, nenhum cão afiará sua língua” (Shemot 11:7). Como recompensa pelos cães não terem latido na saída do Egito, eles mereceram cantar o louvor a D’us. A mensagem é que os cães, por natureza, latem, especialmente quando algo incomum acontece. O fato de não terem latido naquele momento foi uma grande conquista sobre sua natureza. D’us valoriza isso profundamente. Assim como os cães foram recompensados por vencer sua natureza, também o ser humano deve buscar dominar sua inclinação no Serviço a D’us.
 
Uma das mudanças mais importantes que precisamos fazer na vida é vencer a procrastinação, o deixar tudo para depois. Devemos aproveitar a “Festa da Zrizut” para começarmos a mudar. Não devemos dizer “Sei que preciso mudar, quero melhorar, mas não agora. Quando puder eu farei”. Devemos mudar agora. Porém, as mudanças devem ser de acordo com a vontade de D’us, com aconselhamento. Na Parashat desta semana, Shemini (literalmente “o oitavo”), o Mishkan foi inaugurado e Aharon e seus filhos assumiram o Serviço espiritual. Moshé disse para eles: “Isto é o que D’us ordenou; façam isso, e a glória de D’us aparecerá para vocês” (Vayikrá 9:6). Porém, logo em seguida, a Torá descreve um grave incidente: “E os filhos de Aharon, Nadav e Avihu, cada um tomou o seu incensário, colocaram neles fogo e puseram sobre ele incenso, e trouxeram perante D’us um fogo estranho, que Ele não lhes havia ordenado. E saiu fogo de diante de D’us e os consumiu, e morreram perante D’us” (Vayikra 10:1,2). Os filhos mais velhos de Aharon tiveram a Zrizut, tomaram a iniciativa, mas não de acordo com a vontade de D’us. Eles não se aconselharam com Moshé. Isso terminou de maneira trágica.
 
Esta é a mensagem do Chametz e da Matsá: não faça Matsá de algo que nunca pode se tornar Chametz, pois isso não é uma conquista. Devemos transformar as fraquezas em vantagem, as dificuldades em oportunidades. Precisamos começar agora, mesmo que seja com pequenos passos e decisões. Sem muitos cálculos de como será depois. Faça agora, mude agora, pelo menos comece. Pessach é o momento de sairmos da escravidão do comodismo para a liberdade da agilidade. 

PESSACH KASHER VE SAMEACH E SHABAT SHALOM 

R’ Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 27 de março de 2026

O PODER DO AGRADECIMENTO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT TSAV E PESSACH 5786

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O PODER DO AGRADECIMENTO - PARASHAT TSAV E PESSACH 5786 (27/mar/26)

Durante o Holocausto, dois judeus foram enviados ao mesmo Campo de Concentração, sob as mesmas condições brutais: frio intenso, fome e trabalhos forçados. Certo dia, eles encontraram dois casacos jogados e não sabiam a quem pertenciam. Porém, eram casacos finos, rasgados e mal serviam para manter o calor.
 
O primeiro prisioneiro, ao invés de ficar feliz, reclamou: "Isso é uma piada cruel! Acham que vou sobreviver com isso? É uma maldição!". Ele resmungava constantemente e, mesmo quando vestia o casaco, dizia: "D'us nos abandonou". O segundo prisioneiro, porém, disse: "Baruch Hashem, pelo menos temos alguma coisa para nos proteger do frio. Sabe quantos estão aqui sem nada? Eu nem sei quem deixou esses casacos aqui. Talvez alguém que nunca mais voltou do trabalho. Que eu possa usar esse casaco em mérito da elevação de sua alma". Esse homem também dividia o casaco com outros. Certa vez, chegou a tirá-lo para cobrir um menino doente e disse: "Esse casaco foi um presente de D'us, e eu quero que ele também aqueça outras pessoas".
 
O primeiro prisioneiro morreu poucas semanas depois, envenenado pelo próprio desespero, enfraquecido e desiludido. O segundo sobreviveu, foi libertado, construiu uma nova família e anos mais tarde fundou uma Yeshivá em Israel. Ao ser entrevistado décadas depois, ele disse:
 
- Eu não sobrevivi porque era forte. Sobrevivi porque vi sentido onde outros viam caos, porque agradeci onde outros reclamavam, porque vi Brachá onde outros viam maldição.

Nesta semana lemos a Parashat Tsav (literalmente "Ordene"), que continua nos ensinando sobre os vários tipos de Korbanót, entre eles o "Korban Todá", oferecido quando a pessoa havia passado por algum risco de vida e se salvado. Era o reconhecimento de que a salvação não havia ocorrido por acaso, e sim através da Mão de D'us.
 
O Korban Todá se encaixava na categoria de "Korban Shelamim". Porém, havia duas diferenças fundamentais entre o Korban Todá e o Korban Shelamim tradicional. O Korban Shelamim poderia ser consumido por dois dias e uma noite, enquanto o Korban Todá poderia ser consumido por apenas um dia e uma noite. Além disso, o Korban Shelamim não exigia que fossem trazidos pães para acompanhá-lo, mas o Korban Todá deveria ser oferecido junto com quarenta pães. Por que estas diferenças?
 
O Korban Todá era oferecido após situações de salvação, como na recuperação de doenças graves ou sucesso em viagens que envolviam perigo de vida. Existe a Mitzvá de "Notar", que nos proíbe deixar sobrar carne dos Korbanót além do prazo máximo de consumo. No caso do Korban Todá, como o tempo de consumo era menor e havia muitos pães, a pessoa que o oferecia era obrigada a convidar parentes e amigos para compartilhar a refeição. O milagre acabava sendo divulgado e o agradecimento a D'us era feito em público.
 
O agradecimento a D'us se conecta com a próxima parada do Calendário Judaico: a Festa de Pessach, também conhecida como "A época da nossa liberdade", que começaremos a reviver na próxima 4ª feira de noite (01/abril/26). É uma festa na qual agradecemos pela libertação da terrível escravidão egípcia.
 
Na Parashat Vaerá, D'us mandou Moshé e Aharon falarem com o Faraó para pedirem a libertação do povo judeu. D'us avisou que o Faraó iria pedir um sinal, um milagre, para comprovar que eles estavam realmente vindo como emissários de D'us. Então D'us instruiu que Aharon deveria jogar seu cajado no chão para que ele virasse uma cobra. E assim realmente aconteceu.
 
Se víssemos um cajado se transformando em cobra, ficaríamos assombrados. No entanto, o Faraó não se espantou. Ele imediatamente chamou seus magos e eles fizeram o mesmo com seus cajados. O Midrash diz que o Faraó deu gargalhada e, para humilhar Moshé e Aharon, chamou crianças egípcias, que fizeram o mesmo "milagre" com seus cajados. Os dois maiores magos do Egito disseram a Moshé e Aharon: "O que vocês querem provar com esta demonstração barata? Aqui é o país da feitiçaria!". Foi um momento difícil para Moshé e Aharon.
A grande pergunta é: por que D'us fez desta maneira? Por que Ele realmente começou com uma demonstração de poder tão "fraca", ao invés de fazer algo grandioso, que convenceria o Faraó e seus magos de que era realmente um poder Divino, e não o uso de feitiçaria barata?
 
Para responder, precisamos voltar no tempo. O povo judeu estava escravizado no Egito havia mais de duzentos anos. Gerações inteiras haviam nascido, vivido e morrido em uma escravidão brutal. Quando o povo finalmente gritou para D'us, colocando sua Emuná na salvação Divina, então D'us escutou e pediu para que Moshé e Aharon falassem com o Faraó, o que foi descrito no final da Parashat Shemót. Porém, o Faraó disse: "Está sobrando tempo para os judeus ficarem reclamando? Então vou dar mais trabalho para eles!". Ele ordenou que não fosse mais dada aos escravos a matéria-prima para a fabricação de tijolos, e ainda assim eles precisavam manter a mesma produção. Isso significa que, após Moshé atender a ordem de D'us e falar com o Faraó, a situação piorou. Moshé então foi questionar D'us: "Por que Você fez mal a este povo? Por que me enviou?" (Shemot 5:22).
 
Depois disso, D'us mandou Moshé falar uma segunda vez com o Faraó e, desta vez, fazer o sinal da cobra. Realmente este não foi um grande milagre, pois a intenção não foi assombrar o Faraó, e sim transmitir uma importante mensagem para Moshé e para o povo judeu. Qual era a lição que D'us estava ensinando?
 
A história não terminou depois que Aharon e os magos egípcios transformaram seus cajados em cobras. Na continuação aconteceu um milagre realmente impressionante: o cajado de Aharon engoliu as cobras dos egípcios. Uma cobra engolindo as outras teria sido algo natural, mas um objeto inanimado engolindo seres vivos foi algo acima da natureza. O Faraó teve medo que, após engolir as cobras, Aharon ordenasse que a vara o engolisse. Isso significa que no início o Faraó estava zombando, mas depois desabou. E para Moshé, a história dos cajados virarem cobras, que no início parecia algo ruim, se transformou em algo bom, o início da salvação.
 
Isso foi, portanto, a resposta ao questionamento de Moshé. A lição foi que não podemos questionar os caminhos de D'us. Mesmo quando a situação parece difícil, não podemos duvidar da misericórdia Dele. Por bondade, quando Moshé foi a primeira vez falar com o Faraó, D'us aumentou os sofrimentos do povo. Eles precisavam passar por 400 anos de escravidão, como havia sido profetizado para Avraham, mas não suportariam ficar mais tempo, pois já tinham chegado nos 49 níveis de impureza, o máximo que alguém pode chegar. D'us então aumentou a força dos sofrimentos, para que o decreto de escravidão fosse completado em apenas 210 anos.
 
No início da Parashat Vaerá, a Torá compara Moshé com os patriarcas. Eles nunca haviam questionado D'us, mesmo quando tinham "motivos". Por exemplo, D'us prometeu a Avraham que sua herança espiritual seria transmitida através de seu filho Ytzchak, mas depois pediu para que ele o sacrificasse. Apesar da aparente contradição, Avraham não questionou e nem se queixou com D'us, ele simplesmente madrugou para cumprir a ordem. Nossos sábios comparam os patriarcas com um cavalo que foi levado para dentro de um pântano. O cavalo até poderia questionar o dono: "por que ele escolheu este caminho mais difícil, se poderíamos ter ido por um caminho seco, mais fácil?". Porém, quando o cavalo confia no cavaleiro, ele pensa: "Se ele me trouxe por este caminho, certamente há um bom motivo. Talvez por aqui deve ser mais curto ou mais seguro". Questionar D'us é uma das coisas que mais nos afasta Dele. Portanto, confiar Nele é uma das coisas que mais nos aproxima Dele.
 
Ensina Shlomo HaMelech: "Não seja precipitado com a sua boca, nem o seu coração se apresse a proferir palavra alguma diante de D'us, pois D'us está nos céus e você está na terra" (Kohelet 5:1). Explica o Rav Yeshayahu HaLevi Horowitz zt"l (Boêmia, 1555 - Israel, 1630), mais conhecido como Shla Hakadosh, que a pessoa não deve se espantar com os acontecimentos do mundo, pois D'us está no céu, isto é, Ele vê do alto, enquanto nós estamos na terra, com a nossa visão reduzida. Por isso, não seja precipitado em julgar as situações. Saiba que D'us tem visão ilimitada, enquanto nós somos limitados.
 
Moshé era um líder preocupado com seu povo. Mas D'us ficou bravo pela linguagem que ele usou: "Por que Você fez mal". Precisamos tomar cuidado com o que falamos. Nunca devemos perguntar, em nenhuma situação, "Como D'us permite algo assim?". É muito grave! É uma forma de questionarmos a bondade e a retidão de D'us.
 
Na Hagadá há um ensinamento interessante: "Disse o Rabi Elazar ben Azariá: 'Sou como um homem de setenta anos e não consegui provar que a Saída do Egito deve ser mencionado às noites, até que Ben Zomá interpretou: 'Para que você se lembre do dia da sua saída da terra do Egito todos os dias de sua vida'. "Os dias de sua vida" referem-se aos dias, "todos os dias de sua vida" inclui as noites". A palavra "Dia" representa dias bons, tranquilos, enquanto a palavra "Noite" representa os dias difíceis, escuros. Não houve época tão escura quanto Mitzraim. Mesmo assim eles não desistiram. Eles fizeram Tefilá, mesmo que não houvesse uma luz no fim do túnel. Por isso, em vez de reclamar, peça forças a D'us para os dias escuros.
 
Também diz a Hagadá: "Todo aquele que se alonga em contar sobre a Yetsiat Mitsraim é louvável". Por que? Explica o Rav Galinsky zt"l (Bielorrússia, 1920 – Israel, 2014) que negar D'us vem da ingratidão. Mais fácil do que agradecer pelas bondades é fingir que Ele não existe. Quanto mais a pessoa é grata, mais se aproxima, mais dá "existência" a Ele. Por isso no Seder agradecemos a noite toda, para nos conectarmos a D'us com doçura.

SHABAT SHALOM E PESSACH KASHER VESAMEACH

R' Efraim Birbojm

 

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