quinta-feira, 22 de outubro de 2026

NUNCA PERCA A SENSIBILIDADE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT LECH LECHÁ 5787

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NUNCA PERCA A SENSIBILIDADE - PARASHAT LECH LECHÁ 5787 (23/out/26)
 
“O Rav Israel Salanter zt”l (Lituânia, 1810 - Prússia, 1883) chegou certa vez a uma cidade em pleno inverno. Os líderes da comunidade, honrados com a visita de um dos grandes mestres de Torá da geração, prepararam-lhe uma hospedagem confortável, onde poderia descansar tranquilamente durante sua estadia. Ao passear pela cidade, porém, o Rav Salanter deparou-se com uma realidade muito dura. Famílias pobres viviam em condições precárias, enfrentando o frio intenso sem a proteção adequada. No abrigo destinado aos necessitados, doentes e viajantes sem recursos, as condições eram especialmente difíceis: o vento entrava pelas frestas e o ambiente oferecia pouca proteção contra as baixas temperaturas.
 
O Rav Salanter procurou saber por que aquela situação ainda não havia sido resolvida. Afinal, os responsáveis pela comunidade certamente conheciam as condições em que aquelas pessoas viviam. Por que, então, os reparos necessários ainda não tinham sido feitos?
 
Foi naquele momento que sua atitude chamou a atenção de todos. O Rav Salanter decidiu que não ficaria confortavelmente instalado enquanto os pobres da cidade continuassem sofrendo com aquelas condições. Ele queria que a comunidade compreendesse que o sofrimento daquelas pessoas não poderia ser tratado como algo secundário. Por isso, resolveu se hospedar naquele abrigo, junto aos pobres, até que a comunidade resolvesse o problema. Ele não quis aceitar um conforto que faltava àquelas pessoas.
 
A situação era conhecida. Os necessitados estavam ali, diante dos olhos de todos. O problema não era a falta de informação, mas o fato de que aquela realidade havia se tornado parte da paisagem cotidiana. Aquilo que deveria despertar indignação e urgência já não provocava a reação necessária. O Rav Salanter, porém, não havia perdido essa sensibilidade. Onde os outros já estavam acostumados a enxergar uma situação habitual, ele continuava enxergando o sofrimento de seres humanos que precisavam de ajuda.”
 
Uma das maiores tragédias da humanidade é quando nos tornamos insensíveis e nos acostumamos com aquilo que deveria nos indignar, como quando o mendigo vira parte da paisagem urbana, a corrupção vira aceitável e o roubo vira parte do nosso cotidiano.

 

Nesta semana lemos a Parashat Lech Lechá (literalmente “Vá por você”), que começa a descrever com detalhes a vida de Avraham Avinu, o nosso primeiro patriarca. De Avraham recebemos como herança espiritual a força para superarmos os testes que surgem em nossas vidas. Avraham não se tornou uma grande luz para as futuras gerações simplesmente por ter nascido com uma missão especial. Ao longo de sua vida, ele trabalhou constantemente para se elevar espiritualmente, superar suas próprias limitações e se desconectar dos traços de caráter negativos. Apesar de passar por situações muito difíceis, como uma época de fome, o sequestro de sua esposa, uma grande guerra e a ordem de sacrificar seu próprio filho, Avraham nunca questionou D’us. Ao contrário, através de cada teste e dificuldade ele se conectava ainda mais à sua espiritualidade.
 
Um dos difíceis testes de Avraham foi ele ter que abandonar sua própria casa e sua comodidade para ir a uma terra estranha. D’us prometeu que, ao chegar lá, ele receberia muitas Brachót. Avraham confiou em D’us e cumpriu o comando, deixando para trás tudo o que tinha. Porém, o que aconteceu quando Avraham chegou a Erets Knaan? Uma grande fome. Onde estava a Brachá que D’us havia prometido? Mas Avraham nunca questionou, nem mesmo em pensamento. Ele simplesmente pegou sua família e foi ao Egito em busca de comida.
 
No caminho para o Egito, a Torá descreve algo estranho que ocorreu: “E aconteceu que, quando estavam prestes a entrar no Egito, ele (Avraham) disse à sua esposa Sarai: ‘Eis que agora sei que você é uma mulher de bela aparência... Por favor, diga que você é minha irmã... para que minha vida seja preservada graças a você’” (Bereshit 12:11,13). Avraham pediu a Sara que dissesse que era sua irmã, para protegê-lo dos egípcios, que poderiam cobiçá-la e matá-lo caso descobrissem que ele era seu marido. Os valores dos egípcios eram tão deturpados que, em vez de respeitarem o casamento, poderiam assassinar o marido para se apoderarem da esposa.
 
Porém, esse acontecimento desperta alguns questionamentos. Em primeiro lugar, por que a Torá achou importante nos informar que essa conversa aconteceu quando Avraham e Sara já estavam próximos de seu destino, como está escrito “quando estavam prestes a entrar no Egito”? Além disso, como pode ser que uma questão de tamanha gravidade não tenha sido discutida antes? Avraham deixou para discutir um assunto que envolvia risco de vida apenas quando estava prestes a entrar em uma terra habitada por pessoas imorais?
 
Rashi tenta responder este questionamento ao explicar o que significa que Avraham percebeu a beleza excepcional de Sara só ao se aproximarem do seu destino. É uma informação difícil, já que, normalmente, quando duas pessoas se conhecem, a aparência física é uma das primeiras coisas que percebem uma na outra, e eles já estavam casados há muito tempo. O que ocorreu para que a beleza de Sara fosse percebida naquele momento?
 
Uma explicação de Rashi é que Avraham certamente já tinha percebido a beleza de sua esposa. Porém, devido às dificuldades de uma viagem, é normal que a aparência da pessoa se torne menos atraente. No entanto, Avraham percebeu que Sara manteve a sua beleza mesmo durante a viagem, e foi isso que lhe chamou a atenção.
 
Rashi traz ainda outra explicação. Avraham já havia percebido a beleza de Sara, mas ele sentiu que havia chegado o momento em que deveriam se preocupar com isso, pois eles estavam prestes a chegar no Egito, um lugar de pessoas com feições pouco atraentes, que não estavam acostumados a ver uma mulher muito bonita.
 
A terceira explicação de Rashi é talvez a mais interessante. Avraham e Sara eram pessoas tão recatadas e espiritualizadas que realmente Avraham não havia percebido a beleza física de Sara até aquele momento. Então, o que ocorreu para que a percepção de Avraham mudasse?
 
Explica o Rav Yochanan Zweig shlita que a terra do Egito era conhecida pela má índole de seus habitantes, pessoas materialistas, entregues aos próprios desejos. Em geral, uma pessoa que vive em uma sociedade decadente acaba sendo influenciada por ela, mesmo que não se envolva pessoalmente em nenhum comportamento perverso. Esta situação se compara a uma pessoa que entra em um curtume, local com cheiro muito forte e desagradável. Mesmo que a pessoa não adquira nada, ainda assim suas roupas absorverão o cheiro ruim do lugar.
 
É isso o que os nossos sábios ensinaram ao afirmar: “Afaste-se de um mau vizinho e não se associe a uma pessoa perversa” (Avót 1:7). Por que em relação ao mau vizinho está escrito “afaste-se”, e não apenas “não se associe”?
Pois o mau vizinho, aquele que já está perto, certamente vai nos influenciar negativamente. Por isso, a única solução é nos afastarmos. Talvez isso explique o que ocorreu com Avraham. Ele estava em um nível tão elevado que olhava sua esposa de uma maneira apenas espiritual, sem sequer perceber o quão ela era fisicamente bonita. Ao se aproximar do Egito, Avraham recebeu influências negativas do comportamento materialista dos egípcios, a ponto de perceber a beleza física de sua esposa, algo que nunca havia lhe chamado a atenção.
 
Entretanto, o versículo diz explicitamente que, quando Avraham reparou na beleza de Sara, eles ainda estavam se aproximando, isto é, não haviam nem mesmo entrado em contato com os egípcios. Então como Avraham já havia recebido influências negativas? O Rav Yochanan Zweig responde que talvez a Torá esteja nos ensinando que, embora um Tzadik do calibre de Avraham não se deixasse arrastar pela imoralidade da sociedade, esse ambiente ainda exercia uma influência sutil sobre ele. Mesmo que ele ainda nem sequer vivesse naquela sociedade, a simples proximidade já o afetava.
 
Este é um ensinamento impressionante, atual e importante para as nossas vidas e para a educação dos nossos filhos. Uma das grandes dificuldades da natureza humana é que, muitas vezes, sabemos que algo está errado. Porém, quando convivemos com determinada realidade, deixamos de sentir a mesma necessidade de reagir. O ambiente não precisa nos convencer explicitamente a mudar nossos valores, basta que nos acostumemos com aquilo que antes nos incomodava. É justamente por isso que precisamos proteger nossa sensibilidade interior. Não basta perguntar se estamos fazendo algo errado. Precisamos também perguntar se continuamos percebendo o que é certo e o que é errado, e se ainda nos incomodamos com aquilo que deveria nos incomodar.
 
Talvez isso se conecte com o início da nossa Parashá, na qual D’us mandou Avraham se afastar de sua casa e de sua família. Avraham precisava abandonar as influências que haviam marcado sua vida até então para construir uma identidade espiritual própria. E essa missão não terminou quando ele deixou sua terra natal. Mesmo depois de se tornar um grande Tzadik, ele continuava precisando estar atento às influências que poderiam afetá-lo.
 
Isso nos ensina algo fundamental: não basta tomar uma decisão correta uma vez na vida. Não basta decidir que queremos ser pessoas boas e educar nossos filhos com determinados valores. Precisamos renovar essas escolhas constantemente. O verdadeiro “Lech Lechá” talvez seja justamente isso: ter a coragem de perguntar a nós mesmos se estamos vivendo de acordo com aquilo em que acreditamos ou se, aos poucos, estamos nos tornando aquilo que o ambiente ao redor nos ensina. Às vezes, para nos aproximarmos de quem realmente queremos ser, precisamos nos afastar daquilo que está nos afastando de nós mesmos.

SHABAT SHALOM

R’ Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

QUEM SALVA QUEM? - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT NOACH 5787

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QUEM SALVA QUEM? - PARASHAT NOACH 5787 (16/out/26)

“Um israelense, muito afastado da religião, estava dirigindo seu carro na estrada com sua família quando, de repente, o veículo parou por falta de gasolina. Ele ficou cerca de meia hora esperando ajuda, sem saber como voltaria para casa, até que Yehudá, um homem religioso, passou e viu a família com crianças em dificuldades. Ele parou e prontamente se ofereceu para buscar gasolina. O pai de família quis pagar pela ajuda, mas Yehudá recusou o dinheiro, afirmando que era uma Mitsvá e que ele não estava disposto a perder o mérito dela. Então, o pai de família lhe disse, emocionado:
 
- Eu sou de Beeri, um Kibutz não religioso na fronteira com Gaza. Até hoje eu nunca tinha conhecido uma pessoa religiosa. Tenho até um adesivo no meu carro que diz “Atropele um religioso”. Tenho vergonha desse adesivo e vou removê-lo agora, na sua frente. Muito obrigado pela sua ajuda!
 
Os dois se despediram. Na manhã seguinte, Yehudá telefonou para saber se a família havia chegado bem. Eles tiveram uma conversa agradável, na qual demonstraram respeito e apreço mútuos. E, a partir daquele dia, as conversas se tornaram frequentes. Todas as sextas-feiras, Yehudá telefonava, conversavam por alguns minutos e ele contava uma boa história para o Shabat. Isso continuou por seis meses. Certo dia, em uma das conversas, o homem não religioso perguntou:
 
- Não se ofenda, mas vocês não ficam entediados no Shabat? Vocês passam o dia inteiro apenas rezando e comendo, sem fazer nada. Não é chato?
 
- Por que você não vem passar um Shabat conosco, em Bnei Brak? - respondeu Yehudá, com bom humor - Assim, poderá ver por si mesmo. Vamos recebê-los com alegria e com uma comida deliciosa. O que você tem a perder?
 
O homem não religioso disse que conversaria com a esposa. No final, eles aceitaram o convite e ficaram de marcar uma data. Isso aconteceu pouco antes de Rosh Hashaná. Yehudá então consultou o Rav Chaim Zaid shlita, seu rabino:
 
- Rav, convidei uma família não religiosa de um Kibutz no Sul para passar um Shabat conosco. Mas quando seria o melhor dia para recebê-los e garantir que tenham uma boa experiência?
 
Os dois começaram a pensar juntos. Rosh Hashaná é um dia repleto de Tefilót e poderia ser cansativo. Yom Kipur e Sucót também não eram boas opções. Por fim, decidiram que o ideal seria convidá-los para Simchat Torá. A família poderia conhecer não apenas a observância do Shabat, mas também uma festividade especial e alegre. As crianças ainda poderiam receber presentes e doces na sinagoga e, assim, ter uma experiência marcante.
 
Havia, porém, um problema. Yehudá já havia prometido ao pai que iria até a casa dele, em Sderot, para passarem Simchat Torá juntos. O rabino lhe sugeriu que convidasse seu pai para também vir a Bnei Brak. Assim, poderia estar com ele e, ao mesmo tempo, receber a família de Beeri. E foi isso o que Yehudá fez.
 
E qual foi o resultado? Muitas vidas foram salvas. Aquele Simchat Torá aconteceu no fatídico 7 de outubro de 2023. A casa da família de Beeri foi completamente queimada. Além disso, se Yehudá tivesse ido a Sderot, como havia planejado inicialmente, teria ficado na casa de seu pai, que morava em frente à delegacia de polícia, local que foi tomado pelos terroristas. Infelizmente, a região foi palco de uma tragédia, e centenas de judeus foram brutalmente assassinados. Porém, por causa de um ato de bondade, três famílias foram salvas.”
 
Vejam que incrível a Providência Divina! Um homem ficou parado na estrada, sem gasolina, e não imaginava que aquele seria justamente o motivo pelo qual sua vida seria salva. Outro homem parou para ajudar, sem imaginar que, por meio daquela Mitsvá, sua própria vida e a vida de seu pai também seriam salvas. Na realidade, sempre que ajudamos alguém, no fundo não sabemos quem está ajudando quem.

 

A Parashat Noach, que lemos nesta semana, descreve que, após a queda espiritual da humanidade, D’us decretou sua destruição através de um Dilúvio. Apenas Noach encontrou graça aos olhos de D’us e mereceu ser salvo. E assim o versículo descreve o decreto de destruição do mundo: “Pois, daqui a mais sete dias, farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites, e apagarei da face da terra todos os seres que criei. E Noach fez tudo o que D’us lhe havia ordenado” (Bereshit 7:4,5).
 
O entendimento mais simples das palavras “E Noach fez tudo o que D’us lhe havia ordenado” é que Noach construiu a Arca exatamente como D’us havia comandado, com todos os seus detalhes. No entanto, não é assim que Rashi (França, 1040 - 1105) explica o versículo. Ele interpreta a expressão como uma referência ao fato de que Noach foi até a entrada da Arca. Mas qual seria a importância de a Torá escrever este detalhe? O que há de significativo nesta informação?
 
Além disso, o Talmud (Bava Kama 60a) ensina que, quando é concedida permissão ao Anjo da Destruição para destruir, ele não distingue entre o Tsadik e o Rashá, isto é, o Tsadik não está automaticamente protegido. Então, por que Noach e sua família foram salvos, se aquele era um momento de fúria Divina?
 
O Rav Yissocher Frand explica que a resposta começa com um famoso Midrash, segundo o qual Avraham Avinu perguntou a Shem, filho de Noach: “Como vocês conseguiram se salvar das águas do Dilúvio, da grande ira Divina que estava presente no mundo naquela época?”. Shem respondeu: “Não sei por que fomos salvos. Tudo o que sei é que, durante todo o ano do Dilúvio, nossa única ocupação foi cuidar dos animais, dia e noite”. Há outro Midrash que é ainda mais explícito, e ensina que Eliezer, servo de Avraham, perguntou a Shem: “O que vocês faziam na Arca?”. Shem respondeu: “Os animais que comiam à noite, nós nos ocupávamos de alimentá-los à noite; os animais que comiam durante o dia, nós nos ocupávamos de alimentá-los durante o dia”. Isso significa que, durante todos os doze meses, nem Noach nem seus filhos experimentaram uma boa noite de sono.
 
Estes Midrashim estão nos transmitindo uma informação muito importante: Noach foi salvo porque teve misericórdia dos animais. Foi por esse mérito que ele sobreviveu ao Dilúvio. A misericórdia humana desperta a misericórdia Divina. Isso também responde a outra pergunta. Por que o Anjo da Destruição poupou Noach e sua família? Esta foi a resposta que Shem estava dando a Avraham e a Eliezer: “fomos salvos por uma única razão: pois tivemos misericórdia dos animais”.
 
Com base nisso, podemos responder outra pergunta. O Midrash afirma que, no final das contas, o decreto contra a geração do Dilúvio foi selado por causa do pecado do roubo. Porém, a geração do Dilúvio praticou atos muito piores do que roubar uns dos outros. Seus integrantes se envolveram em todo tipo de perversão. É verdade que roubar não é algo bom, mas o fato de que “a terra estava corrompida” (Bereshit 6:11) por causa de perversões e imoralidade, a ponto de essa corrupção influenciar até mesmo os animais, parece ser muito pior! Se havia estes tipos de comportamentos imorais por toda a sociedade, como se explica que o decreto final tenha sido motivado pelo roubo? Por que esse foi o motivo decisivo, a gota d’água que fez o balde transbordar?
 
A resposta é que, se eles tivessem praticado todas essas outras ações terríveis, mas fossem bons e misericordiosos uns com os outros, o mérito da misericórdia deles os teria salvado. E, mesmo que isso não garantisse uma salvação completa, D’us ainda teria aplicado a punição gradualmente, ao longo de um período prolongado, e não teria destruído o mundo inteiro em questão de dias. Mesmo quando as pessoas fazem coisas muito erradas, se elas ao menos agem corretamente com seus semelhantes, isso contribui muito para protegê-las da punição.
 
A conclusão de tudo isso nos oferece uma maneira extraordinária de enxergar o Dilúvio. Afinal, quem salvou quem na história de Noach e a Arca? Pensávamos que Noach havia salvado os animais, pois os levou consigo na Arca e preservou a vida deles. No entanto, com base nestes Midrashim, aprendemos que aconteceu justamente o contrário: foram os animais que salvaram Noach! Como ele teve misericórdia dos animais, e a misericórdia humana desperta a misericórdia Divina, Noach não foi submetido à regra de que, uma vez concedida ao Anjo da Destruição a permissão para destruir, ele não distingue entre Tsadikim e Reshaim.
 
Quando Rashi ensina que as palavras “E Noach fez tudo o que D’us lhe havia ordenado” significam que Noach foi até a entrada da Arca, ele está nos transmitindo que o simples ato de caminhar até a Arca separou Noach de toda a sua geração. Ao caminhar em direção à Arca, ele estava dizendo ao restante de sua sociedade corrupta: “Não quero ter nada a ver com vocês”. Ao se separar daquela geração, Noach assumiu a tarefa de se preparar para salvar o mundo. Segundo Rashi, o fato de ele ter ido até a Arca demonstrou sua misericórdia e seu senso de responsabilidade em preservar a vida dos animais. Foi isso que salvou sua vida.
 
Que lição incrível podemos trazer para as nossas vidas! Todas as vezes que ajudamos uma pessoa pobre, sentimos que fizemos muito por ela. Mas, de acordo com o ensinamento da nossa Parashá, na verdade foi a pessoa pobre que nos fez uma grande bondade, ao nos dar a oportunidade de praticar atos de Chessed e, assim, nos conectarmos a D’us e alcançarmos salvações. Portanto, ao ajudar um pobre, lembre-se: é você que precisa agradecer a ele.

SHABAT SHALOM E CHAG SAMEACH

R’ Efraim Birbojm

 

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