| | | | | ASSUNTOS DA PARASHAT ITRÓ - A chegada de Yitró
- O Conselho de Yitró
- Requerimento para a liderança
- Chegada ao Monte Sinai
- Preparação para receber a Torá
- A revelação de D'us
- Os Dez Mandamentos: 1º Mandamento: Eu sou D'us; 2º Mandamento: Não terá outros deuses; 3º Mandamento: Não falar o nome de D'us em vão; 4º Mandamento: Guardar o Shabat; 5º Mandamento: Honrar pai e mãe; 6º Mandamento: Não matarás; 7º Mandamento: Não cometer adultério; 8º Mandamento: Não roubar (não sequestrar); 9º Mandamento: Não dar falso testemunho; 10º Mandamento: Não cobiçar.
- Leis sobre a construção de um Altar.
| | | NÃO CHORE SOBRE O VINHO DERRAMADO - PARASHAT ITRÓ 5786 (06/fev/26) Estava tudo preparado para o Bar Mitzvá do jovem Itai, que aconteceria em Simchá Torá, na cidade israelense de Sderot. Após meses de preparação, Itai estava feliz que seus amigos e familiares viriam prestigiar sua leitura da Torá na sinagoga. Porém, naquela manhã, todos foram acordados de uma maneira diferente. Os habitantes de Sderot estavam acostumados com sirenes, mas naquele dia havia algo estranho no ar, pois as sirenes não paravam de tocar. Em seguida, barragens de mísseis começaram a cruzar o céu de Sderot. Mas o pior foi quando chegaram as notícias de que terroristas do Hamas haviam se infiltrado na cidade. Era o fatídico dia 7 de outubro de 2023. O Bar Mitzvá de Itai foi cancelado e, naquela semana, a família de Itai, assim como outros moradores de Sderot, foi transferida e hospedada em um hotel. Itai estava muito triste. Por que isso havia acontecido justamente no dia do seu Bar Mitzvá, para o qual ele havia se preparado tanto? O dia mais esperado de sua vida havia se transformado em uma grande decepção! Por que D'us havia feito isso com ele? Ele não queria brincar com os outros meninos, passava o dia inteiro quieto no seu canto e às vezes chorava. Ninguém conseguia consolá-lo. Certo dia, uma terapeuta voluntária veio ao hotel onde Itai estava hospedado e se ofereceu para atender pessoas que precisavam de apoio psicológico. Disseram a ela que havia no hotel um menino cujo Bar Mitzvá havia sido cancelado e que estava muito mal. Ela sentou-se para conversar com Itai, mas logo ele já estava chorando. Repetia insistentemente a pergunta "Por que justamente a minha festa tinha que ser estragada? Por que mereci isso?". A terapeuta então pediu para ele contar sobre o dia do Bar Mitzvá. Itai começou a contar toda a história, desde o momento em que havia acordado com as sirenes, e acabou mencionando um detalhe muito interessante. Seu tio estava servindo no exército de Israel, mas havia recebido folga naquele Simchá Torá para poder participar do Bar Mitzvá de Itai. E, naquela manhã, por volta das seis da manhã, ele recebeu uma mensagem no seu rádio informando sobre uma invasão do Hamas na região. Imediatamente ele correu para a sinagoga, avisou o Gabai para não abrir as portas e o orientou a mandar todos os frequentadores de volta para suas casas e a procurarem um abrigo seguro, pois haviam terroristas na região. A terapeuta imediatamente interrompeu Itai e disse: - Preste atenção no que você está me contando. Você está triste pois D'us não permitiu que você tivesse seu Bar Mitzvá como você tanto sonhou. Mas D'us te deu algo muito maior! Em mérito do seu Bar Mitzvá, não só a sua família foi salva, mas toda a sua Kehilá de Sderot, simplesmente porque o seu tio estava lá para o seu Bar Mitzvá. Se seu tio não estivesse lá, vocês não teriam a informação preciosa de se trancarem para se proteger. Tudo precisa ser enxergado a partir de um prisma positivo, sabendo que D'us está sempre ao nosso lado, nos protegendo. Ao escutar aquelas palavras, Itai se consolou e voltou a brincar normalmente com seus colegas. Seu Bar Mitzvá não havia sido como ele sonhara, mas havia ajudado a salvar a vida de centenas de pessoas. | | | Nesta semana lemos a Parashat Itró, que traz um assunto importante: os Dez Mandamentos, entregues por D'us ao povo judeu no Monte Sinai, após a saída do Egito. Porém, a entrega não ocorreu imediatamente, pois foram necessários 49 dias de preparação espiritual para limpar toda a impureza que eles haviam adquirido no Egito. De acordo com o livro Orchot Chaim, todo o corpo das leis da Torá está incluído nos Dez Mandamentos. Isso significa que os Dez Mandamentos são como os "Avot das Mitzvót", isto é, as categorias primárias, assim como as "39 Avot Melachot" em relação às leis de Shabat. Os Dez Mandamentos são, portanto, os "Avot" de toda a Torá. Mas como podemos trazer este conceito para algo mais prático em nossas vidas? Nas leis de Havdalá, o Rav David ben Shmuel HaLevi zt"l (Ucrânia, 1586 - 1667), mais conhecido como Taz, cita o costume de encher o copo antes da Havdalá de modo que o vinho transborde pela borda do cálice. Qual é o motivo desse costume? Nossos sábios mencionam o conceito de "Toda casa na qual o vinho não é derramado como a água não tem sinal de Brachá". Mas o Taz esclarece que certamente nossos sábios não estão nos incentivando a literalmente derramarmos vinho como se fosse água, pois isso seria "Bal Tashchit", a proibição de desperdiçar. Em geral não há Bal Tashchit em relação à água, mas certamente há em relação ao vinho. É inconcebível que fôssemos instruídos a derramar um bom vinho como se fosse água. Explica o Taz que o ensinamento dos nossos sábios é em relação ao nosso comportamento. Quando alguém derrama uma garrafa de água, ele não faz disso um caso. Da mesma forma, se você tem uma garrafa de vinho caro e seu filho a derrama no chão, não faça disso um drama. Quando algo se quebra em sua casa, não perca a calma. Um episódio desses não deve fazer você perder a paciência. Os nossos sábios não estavam falando apenas em relação a uma garrafa de vinho. Os filhos quebram louças, os cônjuges derrubam copos, nós desperdiçamos comidas. Não fique tão transtornado com esse tipo de situação. Mesmo que haja um prejuízo, acidentes acontecem. Se o vinho derramou, o copo quebrou ou a porcelana lascou, não chore por isso. A reação natural das pessoas é se irritar com essas coisas. Os nossos sábios, buscando minimizar essa reação instintiva, disseram: "Toda casa na qual o vinho não é derramado como a água não verá sinal de Brachá". Essa é a atitude correta quando algo derrama, quebra ou estraga. É um mau sinal quando o derramamento de vinho causa mais crise em uma casa do que o derramamento de água. É isso que o Talmud (Sotá 3b) nos ensina: "Rav Chisda disse: 'A raiva em uma casa é como um verme nas sementes de gergelim'". Assim como o verme consome o gergelim, a raiva destrói a estrutura da casa. Da mesma forma que o verme, ao consumir as sementes, causa um prejuízo, assim também alguém perder a cabeça em casa causa um estrago. E a perda não se limita ao valor do que foi quebrado ou danificado, pois se a pessoa perde a calma em casa, D'us também a punirá com mais perdas. Porém, sabemos que uma das características mais marcantes de D'us é que, tanto nos castigos quanto nas recompensas, Ele utiliza Sua característica de Midá Kenegued Midá, isto é, Ele retribui medida por medida. Qual é a Midá Kenegued Midá neste caso? Explica o Rav Yssocher Frand shlita que quando algo se quebra em uma casa e o dono sofre um prejuízo, se ele tiver Emuná de verdade, reconhecerá que foi D'us quem quis que isso acontecesse. Era a vontade de D'us, de acordo com Seus cálculos abrangentes e perfeitos, que a pessoa sofresse essa perda. Então, por que ficar bravo? Com quem ele está ficando bravo? A pessoa pode se irritar com seu filho ou com seu cônjuge, mas, na verdade, não foram eles a causa verdadeira da perda, e sim apenas instrumentos nas mãos de D'us. Se a pessoa tivesse Emuná verdadeira, se comportaria como David HaMelech quando foi duramente ofendido por Shimi ben Guerá. Quando questionado por que ele não tomava uma atitude mais dura, David respondeu: "Ele está me amaldiçoando porque D'us lhe disse: 'Amaldiçoe David'. Quem pode então dizer: 'Por que você fez isso?'" (Shmuel II 16:10). Nossa atitude diante de um vidro quebrado ou um vinho derramado deve ser a seguinte reflexão: "Por algum bom motivo D'us fez isto acontecer. Se essa perda veio da Mão de D'us, então por que ficar chateado?". Se a pessoa fica brava, é porque pensa que está no controle, acha que é ela que decide e determina seus lucros e prejuízos. D'us então diz: "Eu vou mostrar para você quem está no controle", e traz dificuldades financeiras à casa desta pessoa, para que ela entenda que D'us é a fonte da estabilidade financeira. Por outro lado, se a pessoa não perde a paciência com essas situações e as aceita com serenidade, como sendo algo que estava destinado a acontecer, essa Emuná será um sinal de Brachá, pois D'us irá repor a perda sofrida como recompensa. Essa é uma das grandes mensagens transmitidas pelos Dez Mandamentos. Eles começam com a Mitzvá de "Eu sou Hashem, teu D'us" (Shemot 20:2) e terminam com a Mitzvá de "Não cobiçarás" (Shemot 20:14). "Eu sou Hashem, teu D'us" é a Emuná na teoria, enquanto a Emuná na prática é "Não cobiçarás". Quando cobiçamos o que é do próximo, estamos dizendo "Eu gostaria de ter uma casa assim, um carro assim, uma esposa assim. Eu quero isso!". Essa Mitzvá de "Não cobiçarás" é a Emuná colocada na prática, pois é viver com a certeza de que já temos exatamente tudo aquilo que D'us quer que tenhamos. D'us não quer que tenhamos aquela casa. Ele não quer que tenhamos aquele carro. Ele não quer que tenhamos aquela esposa. Já temos o que precisamos e, portanto, o que não temos é sinal de que não precisamos para o nosso trabalho espiritual neste mundo. O Orchot Chaim acrescenta que, se toda a Torá está incluída nos Dez Mandamentos, então a última Mitzvá, o "Não cobiçarás", ensina que quem a transgride está, em última instância, transgredindo toda a Torá. A Torá se resumiria a estas palavras: "Não cobiçarás a casa do teu próximo". Isso não pode ser apenas algo da boca para fora. Precisamos acreditar de verdade que tudo emana de D'us, inclusive toda a nossas riquezas materiais e posses, nossos bons e maus momentos, nossos lucros e perdas. Tudo vem Dele. Uma pessoa com uma Emuná tão arraigada jamais ficará com raiva. Já a pessoa que transgride o "Não cobiçará" acabará também tropeçando em outras Mitzvót, como o "Não matará", o "Não roubará" e principalmente o "Eu sou Hashem, teu D'us". Em sentido inverso, a lição do Taz é que toda casa na qual o vinho é derramado como água, isto é, onde se encara o vinho derramado como se fosse apenas água, algo que não justifica aborrecimentos, verá um sinal de Brachá como resultado de sua Emuná. Tudo o que D'us faz é para o nosso bem, mesmo quando ainda não conseguimos enxergar isso. Ele nos demonstra constantemente Sua bondade. Nossa tarefa é reconhecer essas bondades no dia a dia e confiar Nele também nos momentos em que a bondade ainda está oculta, certos de que ela está lá. SHABAT SHALOM R' Efraim Birbojm | | Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima. --------------------------------------------  Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno. Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno. Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno. Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l -------------------------------------------  Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l. -------------------------------------------- Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com (Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai). | | | | | | | |