quarta-feira, 20 de maio de 2026

OPORTUNIDADES E RESPOSABILIDADES - SHABAT SHALOM M@IL - SHAVUÓT 5786

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OPORTUNIDADES E RESPONSABILIDADES - SHAVUÓT 5786 (21/mai/26)

O Rav Eliyahu Dessler zt”l (Império Russo, 1892 - Israel, 1953), que se tornou um dos maiores mestres de Mussar de sua geração, contava que, quando ainda era um menino pequeno, havia em sua casa dois lindos pratos de vidro. Certo dia, enquanto brincava, ele acabou quebrando um deles em um descuido. Quando sua mãe descobriu o ocorrido, repreendeu-o severamente.
 
Algumas semanas depois, uma das galinhas que circulavam pela casa, algo comum na Europa do final do século XIX, quebrou o outro prato de vidro. A mãe do Rav Dessler simplesmente recolheu os cacos e colocou a galinha de volta no galinheiro. Ainda criança, ao perceber que nada havia acontecido com a galinha, ele pensou imediatamente: “É melhor ser uma galinha do que um ser humano”.
 
O Rav Dessler relata que, refletindo sobre isso, mesmo sendo muito pequeno, percebeu seu erro. Ele podia sentar-se à mesa e comer comida de verdade, enquanto a galinha era enxotada de um lado para o outro da casa e alimentada com milho seco. Concluiu, então, que era muito melhor ser uma pessoa do que uma galinha.
 
Desde cedo, o Rav Dessler entendeu que uma galinha tem menos responsabilidades e preocupações do que um ser humano, mas continuará sempre sendo apenas uma galinha, nada além disso. Já o ser humano possui enormes responsabilidades, mas também imensos privilégios e oportunidades.

Estamos chegando a mais uma parada no Calendário Judaico, a Festa de Shavuót (na noite do dia 21/mai/26), também conhecida como “Chag Matan Torá”, na qual revivemos a entrega da Torá no Monte Sinai. Neste dia somos julgados em relação ao nosso estudo de Torá e costumamos passar a noite acordados, estudando, demonstrando a D’us o quanto estamos ansiosos pelo recebimento da Torá. Mas será que realmente temos a consciência do quão importante a Torá é em nossas vidas?
 
Um detalhe interessante sobre a Festa de Shavuót é que ela sempre cai junto com a Parashat Bamidbar. Inclusive, um dos critérios que os nossos sábios utilizam para escolher quais Parashiót serão lidas juntas também leva isso em consideração. Mas qual é a conexão entre Shavuót e a Parashat Bamidbar, uma Parashat extremamente “técnica”, que trata principalmente da contagem do povo judeu no segundo ano em que estavam no deserto?
 
O Sefer Bamidbar começa com o seguinte comando de D’us para Moshé: “Faça a contagem de toda a congregação dos filhos de Israel segundo suas famílias... todo homem conforme sua contagem” (Bamidbar 1:2). No final do Sefer Bamidbar, mais especificamente na Parashat Pinchás, a Torá mais uma vez faz a contagem do povo, já no final dos quarenta anos de permanência no deserto. É por isso que o Sefer Bamidbar também é chamado de “Chumash HaPekudim” (o Livro das Contagens). Até mesmo na nomenclatura não judaica, este Livro da Torá é chamado de “Números”, porque começa e termina com contagens.
 
Mas por que D’us precisa contar o povo judeu, se Ele é Onisciente? E por que repetir algumas vezes a contagem? Rashi
(França, 1040 - 1105) traz uma bela explicação sobre estas constantes contagens: “Por causa do carinho que D’us tem por eles, Ele os conta constantemente. Quando saíram do Egito, Ele os contou; depois do pecado do Bezerro de Ouro, Ele os contou para verificar quantos haviam sido perdidos; e quando fez Sua Presença Divina repousar sobre eles, Ele os contou. Como o Mishkan foi erguido no primeiro dia de Nissan, Ele os contou no primeiro dia de Iyar”. Em outras palavras, a contagem constante demonstra que D’us ama o povo judeu.
 
Por outro lado, há algo na contagem que, à primeira vista, parece contraditório com esta mensagem de amor. Existe um enorme perigo envolvido na contagem do povo judeu. Isso está explícito na Parashat Ki Tissá: “Quando você fizer o recenseamento dos Filhos de Israel conforme o seu número, cada homem dará a D’us expiação por sua alma ao serem contados, para que não haja epidemia entre eles quando forem contados” (Shemot 30:12). Contar o povo judeu de forma equivocada traz o risco de provocar uma epidemia. De fato, nos dias de David HaMelech, quando ele contou o povo judeu de forma direta, algo que é proibido pela Torá, houve uma terrível epidemia na qual setenta mil judeus morreram. Afinal, como devemos entender a contagem do povo judeu? É algo que devemos fazer porque demonstra nosso imenso valor diante do Criador do mundo e Seu amor por nós, ou é algo que traz um terrível risco de epidemia?
 
A resposta é que tudo depende de como a contagem é feita. A chave está na linguagem utilizada por D’us ao ordenar a contagem do povo: “Seú Et Rosh Kol Adat Bnei Israel”, que significa literalmente “Erga a cabeça de toda a congregação dos Filhos de Israel” (Bamidbar 1:2). Há inúmeras maneiras em hebraico de dizer “Conte”. Existem palavras tradicionais, como “Sefor” e “Menei”, entre outras. Certamente a forma mais peculiar de dizer “conte” é “Seú Et Rosh”, “Erga as cabeças”. Por que, então, dentre todas as expressões possíveis, a Torá escolheu justamente “Erga as cabeças”?
 
A resposta é que essa expressão nos ensina a como evitar o lado negativo da contagem. O perigo da contagem é que, ao contar uma massa de pessoas, a importância de cada indivíduo pode se perder. Quando alguém faz um recenseamento e conta 600 mil pessoas, isso pode minimizar a importância e a dignidade de cada indivíduo dentro desse conjunto. A Torá quer nos advertir: podemos ter 600 mil pessoas, mas cada uma delas é única e especial, e possui uma importância própria, algo que jamais deve ser esquecido.
 
Explica o Rav Yssocher Frand shlita que há um grande perigo existente nas multidões. Além da perda da identidade individual, algo que sempre ocorre nas grandes reuniões das massas, a multidão gera uma espécie de “mentalidade de rebanho”. Quando muitos do grupo começam a fazer algo, os outros acabam sendo arrastados atrás deles, mesmo que inicialmente não concordavam com tal atitude. Um exemplo que pode ser citado é a chamada “Mania das tulipas”. Na Holanda, no século XVII, as pessoas ficaram fascinadas pela beleza das tulipas, e aquilo se tornou a sensação do momento. Por isso, tulipas viraram a mercadoria mais desejada do mercado, e as pessoas gastavam fortunas por um único bulbo de tulipa, no que foi considerado a primeira “bolha especulativa” da história. Tulipas foram trocadas por terras e animais valiosos. Algumas variedades podiam custar mais que uma casa em Amsterdã. Isso continuou até que, de repente, alguém despertou e disse: “Pessoal, estamos falando de uma flor! Não faz sentido uma simples flor valer tanto!”. Por isso, hoje podemos entrar em uma floricultura e comprar uma dúzia de tulipas por um valor razoável.
 
O perigo das massas é, portanto, duplo. Em primeiro lugar, quando olhamos para uma multidão, não damos o devido valor aos indivíduos como pessoas únicas e especiais. As pessoas se tornam apenas “números”. Esse é um dos perigos de fazer parte da massa. Foi isso que os nazistas queriam causar ao tatuar números nos braços dos prisioneiros judeus: destruir a nossa identidade e a nossa individualidade. A partir de agora o judeu não era mais uma pessoa, era apenas um número.
 
O outro perigo é que as próprias pessoas perdem sua capacidade de pensar individualmente. Não é assim que um judeu deve agir. O Talmud (Brachót 58a) nos ensina: “Aquele que vê uma multidão de Israel deve recitar a Brachá: “Baruch Atá Hashem... Chacham HaRazim” (D’us, Fonte das Brachót, que conhece os segredos). Que louvor é este que estamos dando a D’us? Quando nós olhamos para uma multidão, tudo o que enxergamos é o grupo como um todo. Somos levados pela massa e deixamos de ver os indivíduos. Quando D’us olha para essa enorme multidão, mesmo assim Ele sabe exatamente o que está no coração de cada indivíduo. Ele sabe que cada pessoa é diferente, possui sua própria personalidade e tem seus próprios segredos. D’us vê cada pessoa naquela massa humana e conhece todos os seus segredos. Essa é a ideia de “erguer cada cabeça”: jamais esquecer a importância de cada indivíduo.
 
O Rav Yssocher Frand traz ainda outro aprendizado importante da linguagem peculiar “Erga a cabeça” utilizada para a contagem do povo judeu. O Midrash comenta que esta linguagem pode indicar tanto as maiores alturas quanto as maiores profundezas. Yossef, ao interpretar o sonho do copeiro-chefe, disse que o Faraó o restabeleceria à sua posição de honra usando a expressão: “Em três dias o Faraó erguerá sua cabeça” (Bereshit 40:13). Por outro lado, Yossef usou a mesma expressão “Em três dias o Faraó erguerá sua cabeça” (Bereshit 40:19) ao interpretar o sonho do padeiro-chefe, para informar a ele que o Faraó lhe cortaria a cabeça fora. A mesma linguagem pode significar crescimento e rebaixamento. Qual é o significado desta dualidade?
 
Segundo o Midrash, o uso desta linguagem específica no recenseamento indica que cada judeu possui, através de ter sido escolhido para receber a Torá, uma oportunidade muito especial, mas que é acompanhada de uma responsabilidade igualmente especial. As pessoas podem receber oportunidades extraordinárias e, com elas, alcançar os maiores níveis. Mas, se não lidarem corretamente com essa oportunidade e a desperdiçarem, ela poderá levar as pessoas a uma grande queda. Shavuót é o lembrete de que fazemos parte do povo que foi escolhido para receber a Torá no Monte Sinai e se tornar uma “Luz para as nações”. E dentro desta nação, mesmo que sejamos milhões, cada um tem a sua participação única e especial. A missão de cada judeu é única e intransferível. Não somos um número, somos pessoas que podem mudar o mundo. Que possamos aproveitar a oportunidade.

CHAG SAMEACH E SHABAT SHALOM 

R’ Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 15 de maio de 2026

VIVENDO PELA TORÁ - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT BAMIDBAR 5786

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ASSUNTOS DA PARASHAT BAMIDBAR
  • O comando do censo do povo judeu (20 a 60 anos)
  • Escolha dos líderes de cada Tribo.
  • Início do censo por Tribos.
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  • O acampamento: Yehudá (Yehudá, Issach, Zevulun) no Leste, Reuven (Reuven, Shimon, Gad) no Sul.
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  • Total.
  • Genealogia de Moshé e Aharon.
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  • Censo dos Primogênitos.
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VIVENDO PELA TORÁ - PARASHAT BAMIDBAR 5786 (15/mai/26)

Uma das mais fortes e documentadas histórias sobre Messirut Nefesh no estudo da Torá, isto é, um grau de dedicação plena, aconteceu com os alunos do Rav Meir Shapira zt”l (Império Austro-húngaro,1887 - Polônia, 1933), estudantes da Yeshivat Chachmei Lublin, durante os anos terríveis do Holocausto.
 
Quando os nazistas começaram a destruir o mundo judaico da Polônia, muitos jovens ficaram sem comida, sem família e sem qualquer estabilidade emocional. Em várias cidades, as Yeshivót foram fechadas à força. Havia uma fome devastadora. Pessoas vendiam os últimos objetos de casa por um pedaço de pão.
 
Entre os sobreviventes, há relatos impressionantes de rapazes que continuavam a estudar Guemará escondidos em porões, sótãos e campos de trabalho. Um deles contou que certa vez conseguiu um pedaço pequeno de pão depois de dias praticamente sem comer nada. Enquanto se preparava para comer, percebeu outro rapaz sentado em um canto, repetindo baixinho um Tossafot de memória. Ele não conseguiu se conter e perguntou:
 
- Você não come há dias. Como consegue estudar agora?
 
- Se o corpo está faminto - o outro rapaz respondeu, com palavras que mais tarde se tornariam famosas entre os sobreviventes - então é justamente a alma que precisa comer.
 
Em outra ocasião, alguns alunos da Yeshivá conseguiram esconder um volume de Guemará rasgado e sem capa. Cada grupo ficava com o livro por algumas horas e depois o passava secretamente para outro grupo. As páginas estavam tão gastas de tanto serem manuseadas que começaram literalmente a se desfazer nas mãos dos rapazes. Anos depois, um dos sobreviventes disse:
 
- As pessoas pensavam que nós estudávamos Torá porque éramos fortes. A verdade era o contrário: sobrevivíamos porque estudávamos Torá.”
 
Essa talvez seja uma das definições mais profundas de “Messirut Nefesh pela Torá”: não apenas estar disposto a morrer pela Torá, mas viver por ela, mesmo quando tudo ao redor conspira para arrancá-la de nós. Mesmo quando o mundo inteiro afundava, o vínculo com a Torá permaneceu mais forte que o caos ao redor.

Nesta semana começamos o quarto livro da Torá, Bamidbar, que descreve os principais acontecimentos do povo judeu a partir do segundo ano no deserto. O Sefer Bamidbar traz muitos acontecimentos importantes, como a transgressão dos espiões, que causou o decreto de permanência por 40 anos no deserto.
 
A Parashat Bamidbar (literalmente “No deserto”) traz a contagem do povo judeu e a ordem das Tribos durante as viagens. A Parashá começa com as seguintes palavras: “E disse D’us a Moshé no deserto do Sinai” (Bamidbar 1:1). Baseado neste versículo, nossos sábios fazem uma pergunta interessante: por que D’us escolheu justamente o deserto, um lugar inóspito, distante da civilização, completamente vazio, como local para nos entregar a Torá? Por que Ele não nos entregou a Torá na Terra de Israel, onde está o principal cumprimento das Mitsvót?
 
O Rav Yehuda Assad zt”l (Império Austro-húngaro, 1794 - 1866) explica que com três coisas a Torá foi adquirida: com fogo, com água e com deserto. Nestas três coisas há uma alusão de como deve ser o Serviço espiritual do ser humano. O fogo simboliza o calor, e nos ensina que o ser humano deve cumprir as Mitsvót com fervor e entusiasmo. Já a água alude à frieza, e nos ensina que quando desperta no homem o fogo dos desejos, ele deve ser frio para manter o autocontrole. E o deserto vem nos ensinar que, quando nos encontramos em companhia de pessoas que falam coisas fúteis e vazias, mesmo que não sejam coisas proibidas, devemos permanecer silenciosos, como um deserto, e não participar destes tipos de conversas.
 
Porém, saber utilizar estes traços de caráter não é algo fácil. A palavra em hebraico para “traços de caráter” é “Midót”, que também significa “medidas”. Para um traço de caráter estar de acordo com a vontade de D’us, ele deve estar na medida certa. Mesmo bons traços de caráter podem afastar a pessoa dos caminhos corretos quando utilizados da forma ou em momentos incorretos, e mesmo traços de caráter ruins podem nos aproximar de D’us se forem utilizados da maneira e nos momentos corretos.
 
O mesmo se aplica em relação ao “calor” e ao “frio”. Muitas vezes o Yetser Hará nos engana e nos faz errar na dose. Em vez de usar a frieza em relação às transgressões e desejos, acabamos utilizando-a no cumprimento das Mitsvót. É o que ocorre, por exemplo, quando deixamos a nossa Tefilá em “piloto automático” e rezamos com frieza, sem nenhuma empolgação, esquecendo que estamos diante do Criador do universo. Também acontece quando cumprimos as Mitsvót sem vontade, apenas para “sair da obrigação”. Outras vezes, ao invés de usar o calor para cumprir as Mitsvót com mais fervor, acabamos utilizando-o para fazer transgressões com grande entusiasmo e para nos entregar aos nossos desejos. Isso ocorre, por exemplo, quando comemos de forma exagerada, mesmo quando a comida é Kasher, apenas pela falta de controle.
 
Desta maneira podemos explicar as palavras do mais sábio de todos os homens, Shlomo Hamelech: “Espinhos e armadilhas estão no caminho tortuoso; quem guarda sua alma se afasta deles” (Mishlei 22:5). “Espinhos” (Tsinim) se refere ao frio. “Armadilhas” (Pachim) se refere ao calor. “No caminho tortuoso” se refere àquele que não sabe quando e qual medida usar. “Quem guarda sua alma se afasta deles”, pois a pessoa que não utiliza seus traços de caráter da maneira correta pode acabar comprometendo sua alma e seu Mundo Vindouro.
 
Assim também podemos explicar as palavras do profeta: “A justiça nela repousava, e agora há assassinos” (Yeshayahu 1:21). “A justiça nela repousava” significa que, em relação aos atos de bondade e justiça, a pessoa segue o caminho do “repouso”; isto é, adia a realização das suas boas ações, empurrando-as com desculpas diversas, como “vamos ver” e “quem sabe”. Porém, quando se trata de atos negativos, como por exemplo o assassinato, ela corre imediatamente para praticá-los, como está escrito “e agora há assassinos”, isto é, agora, imediatamente, não depois. Exatamente o contrário do que deveríamos fazer. Embora a maioria das pessoas não comete assassinatos, sentimos esta “empolgação”, por exemplo, quando queremos falar Lashon Hará.
 
Assim também ocorre na questão da humildade e do orgulho. Em todos os assuntos na vida o homem deve conduzir-se com humildade, exceto no Serviço a D’us, onde ele deve ser forte e seguro de si. Entretanto, as pessoas agem exatamente ao contrário: quando se trata do Serviço Divino, de repente as pessoas se tornam humildes e submissas. Quando a pessoa não quer estudar Torá ou cumprir Mitsvót, ela diz “com humildade”: “Eu não estou no nível necessário para estudar e conhecer todos os Tratados do Talmud, então talvez seja melhor nem começar”, ou “não sou digno de ser um grande estudante, então por que me esforçar?”. Na verdade, a pessoa se transforma em “humilde” por causa dos seus desejos. Foi isso, portanto, que disseram nossos Sábios: “Através de três coisas a Torá é adquirida: fogo, água e deserto”. O homem precisa saber quando e onde usar o fogo e a água. Do mesmo modo, deve saber como e quando usar o “deserto”, que simboliza o temor aos Céus. A falsa humildade, fantasiada de “temor aos Céus”, pode nos afastar de D’us.
 
Há outro aspecto interessante relacionado ao fato de a Torá ter sido entregue no deserto e não na Terra de Israel. Ensina o Rav Yossef Shalom Elyashiv zt”l (Lituânia, 1910 - Israel, 2012) que no deserto não há presença humana e, sem os milagres que D’us realizou para o povo judeu, eles não teriam conseguido sobreviver, como está escrito: “Aquele que te conduziu pelo grande e temível deserto, de serpente venenosa e escorpião, e sede onde não havia água” (Devarim 8:15).
 
Além disso, no próprio momento da entrega da Torá, todas as forças da criação se uniram diante do povo judeu, por meio da água e do fogo, dos trovões, relâmpagos e da fumaça que havia sobre o Monte Sinai. E isso vem nos ensinar que, assim como a Torá foi dada em um lugar de perigo e em condições extremamente difíceis para a sobrevivência humana, assim também o povo judeu está obrigado a cumprir a Torá e guardar suas Mitsvót em qualquer situação, e nenhuma dificuldade do mundo pode servir como desculpa para isentar a pessoa da Torá.
 
Nossos sábios explicam que o contrário também é verdade. Se apesar de todas as dificuldades a pessoa não se enfraquecer no estudo da Torá e no cumprimento das Mitsvót, está garantido que D’us a ajudará e a salvará de toda aflição e angústia, sustentando-a em todas as dificuldades e provações que surgirem em seu caminho, assim como o povo judeu pôde viver no deserto inóspito através de milagres. Mesmo nas piores épocas da nossa história, sempre houve aqueles que continuaram a se dedicar ao estudo da Torá dia e noite. E a Torá trouxe vida para elas.
 
Assim ensina o Rambam (Espanha, 1135 – Egito, 1204): “Todo homem do povo judeu está obrigado ao estudo da Torá, seja pobre ou rico, seja saudável ou sofredor, seja jovem ou muito idoso. Mesmo um pobre que vive de esmolas, mesmo alguém casado e com filhos, é obrigado a estabelecer tempos fixos para o estudo da Torá de dia e de noite”. Se isso vale nas dificuldades, muito mais em nossa geração, na qual temos total liberdade de cumprir as Mitsvót e de nos dedicar ao estudo da Torá. As gerações passadas estudavam Torá mesmo em condições de Messirut Nefesh, estavam dispostos a morrer pela Torá. Que possamos, ao menos, estar dispostos a viver por ela.

SHABAT SHALOM
 

R’ Efraim Birbojm

 

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