sexta-feira, 6 de novembro de 2026

O TESTE DO COTIDIANO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT CHAIE SARA 5787

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PARASHAT CHAIE SARA 5787



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O TESTE DO COTIDIANO - PARASHAT CHAIE SARA 5787 (06/nov/26)

“Jerusalém, véspera de Sucót de 1963. Uma livraria no bairro de Meá Shearim havia se transformado em um local de venda de Arbaat Haminim. O ambiente estava movimentado. Muitos judeus examinavam cuidadosamente os Etroguim, muitas vezes munidos de lupas, procurando qualquer pequena imperfeição. Afinal, todos queriam encontrar o Etrog mais bonito para cumprir a Mitsvá. De repente, as pessoas abriram espaço respeitosamente para a entrada de um senhor idoso. Era o Rav Aryeh Levin zt”l (Império Russo, 1885 - Israel, 1969), mais conhecido como “Tzadik de Yerushalaim”.
 
O Rav Aryeh cumprimentou o vendedor e perguntou se poderia pegar o Etrog que havia encomendado. O vendedor sem demora lhe entregou o Etrog, demonstrando enorme reverência pelo rabino. O Rav Aryeh agradeceu, lançou apenas um olhar rápido sobre o Etrog, guardou-o e saiu apressadamente da loja.
 
Um conhecido do Rav Aryeh, que também estava na loja, viu aquela cena e ficou muito intrigado. Como era possível que todos estivessem examinando os Etroguim com tanto cuidado, enquanto o Rav Aryeh, um dos grandes Tzadikim da geração, havia escolhido o seu praticamente sem examiná-lo? Não conseguindo conter a curiosidade, correu atrás dele e perguntou:
 
- Rav, desculpe incomodar, mas por que todas aquelas pessoas examinam os Etroguim tão minuciosamente, procurando até a menor imperfeição, enquanto o senhor olhou rapidamente para o seu Etrog e saiu?
 
- Você fez uma boa pergunta - respondeu o Rav Aryeh, enquanto continuava a caminhar apressadamente - Todos sabem que existem duas Mitsvót que devemos cumprir com “Hidur”, isto é, embelezamento. Uma delas é a Mitsvá do Etrog, sobre o qual a Torá diz que devemos pegar um fruto de uma árvore bonita. Aquelas pessoas estavam examinando os Etroguim para garantir que fossem o mais bonito possível. Mas existe outra Mitsvá que também devemos cumprir de maneira especial: “VeHadarta Pnei Zaken”, honrar a pessoa idosa.
 
O Rav Aryeh então explicou o motivo de sua pressa. Antes de ir à venda dos Arbaat Haminim, ele havia passado em um laboratório de próteses dentárias para buscar a dentadura de um senhor que vivia em um asilo. O Rav Aryeh havia deixado a dentadura para conserto logo depois de Yom Kipur e precisava devolvê-la ao dono antes do jantar. Aquele senhor já estava dois dias sem conseguir comer normalmente. Ele precisava amolecer o pão no leite para conseguir se alimentar. Rav Aryeh queria chegar o mais rápido possível, para que aquele homem pudesse finalmente desfrutar de uma refeição decente, como qualquer pessoa. Por isso, não podia perder tempo examinando seu Etrog. Precisava correr para pegar o ônibus número 11, que poderia chegar a qualquer momento.
 
E assim, enquanto todos estavam concentrados em encontrar o Etrog mais bonito para Sucót, o Rav Aryeh estava preocupado em proporcionar a um senhor idoso a possibilidade de voltar a se alimentar normalmente.”
 
O Rav Aryeh Levin nos ensina que a grandeza espiritual não se manifesta apenas nos momentos extraordinários, quando precisamos realizar grandes atos. Muitas vezes, ela aparece justamente nas pequenas decisões do cotidiano. Por exemplo, quando precisamos escolher entre nossa própria conveniência e a necessidade de outra pessoa. É nesses momentos aparentemente simples que temos a oportunidade de revelar quem realmente somos.

 

A Parashá desta semana, Chaie Sara (literalmente “A vida de Sara”) começa descrevendo o falecimento de Sara, a nossa primeira matriarca. A Parashá então descreve o intrincado processo de negociação da Mearat Hamachpelá, local onde Avraham queria sepultar sua amada esposa. O terreno pertencia a um Chitita chamado Efron, que concordou em vendê-lo para Avraham pelo valor abusivo de 400 moedas de prata.
 
Avraham passou por muitas dificuldades e testes na vida. Nossos sábios ensinam que “Avraham Avinu passou por dez testes, e superou todos eles” (Avot 5:3). A maioria dos comentaristas concorda que o comando para Avraham sacrificar seu próprio filho Yitzchak, que lemos na Parashat da semana passada, constituiu o décimo e último teste. De acordo com esta opinião, Avraham atingiu o ápice de sua espiritualidade ao superar esse teste.
 
Porém, o Rabeinu Yoná (Espanha, 1180 - 1263), em seu comentário sobre o Pirkei Avot, discorda da opinião da maioria dos comentaristas e considera o episódio narrado na Parashá desta semana, relacionado ao sepultamento de Sara, como o décimo e último teste de Avraham. Qual foi exatamente o teste? O fato de Avraham ter precisado comprar de Efron, por um valor extremamente elevado, um terreno para sepultar sua esposa, justamente na terra que D’us havia lhe prometido.
 
A opinião do Rabeinu Yoná está baseada em um ensinamento do Talmud (Baba Batrá 15b), que registra um testemunho do próprio Satan sobre Avraham: “D’us, percorri o mundo inteiro e não encontrei ninguém tão fiel quanto Seu servo Avraham. Pois Você disse a ele: ‘Levanta e percorre toda a terra... pois a você Eu a darei’ (Bereshit 13:17). E, mesmo assim, quando ele não conseguiu encontrar nenhum lugar para sepultar Sara até comprar um lugar por quatrocentos shekalim de prata, mesmo assim ele não reclamou dos Seus caminhos”.
 
Mas não parece anticlimático esse ter sido o último teste? A pergunta fica ainda mais difícil de acordo com o Rav Meir Levush zt”l (Ucrânia, 1809 - 1879), mais conhecido como Malbim, que afirma que os testes pelos quais Avraham passou foram se tornando progressivamente mais difíceis. Então, em que sentido o teste de ter que pagar pelo local de enterro de Sara pode ter sido mais difícil do que o teste de sacrificar o próprio filho?
 
No futebol, existe uma enorme diferença entre uma partida comum e o jogo da final. Quando um jogador sabe que aquele é o momento decisivo, que tudo está em jogo, ele consegue despertar dentro de si enormes reservas de força. Porém, em uma partida comum, é difícil encontrar dentro de si essas mesmas forças. Da mesma forma, quando alguém sabe que está sendo posto à prova, às vezes consegue agir, durante um curto período, em um nível extraordinário, muito acima de suas capacidades habituais, o que dificilmente acontece no cotidiano.
 
Quando Avraham recebeu a ordem de sacrificar seu filho, logo percebeu que estava diante de um grande teste. Com a consciência da grandiosidade daquele momento, reuniu toda a sua força espiritual. A adrenalina tomou conta dele, e Avraham conseguiu estar à altura daquele desafio. Já o episódio da compra do terreno para o sepultamento de Sara foi apenas mais um dia comum, uma situação do cotidiano, que pode acontecer com qualquer um de nós. Avraham se viu diante daquela situação angustiante, na qual não esperava estar sendo testado. A adrenalina não estava em alta. Não havia nenhuma voz em sua cabeça dizendo: “Chegou a hora do teste! Este é o momento decisivo!”. Quando uma pessoa consegue estar à altura de uma situação mesmo nessas circunstâncias, isso demonstra sua verdadeira natureza. Em certa medida, até mais do que aquilo que poderia ser demonstrado em um teste como sacrificar o próprio filho.
 
Qual foi o grande ensinamento do teste do enterro de Sara? Explica o Rav Yssocher Frand shlita que o ensinamento está no fato de que Avraham não apresentou reclamações nem questionamentos quando enfrentou a frustração de ter que pagar um preço exorbitante por um pequeno terreno, em uma terra que D’us havia prometido que seria inteiramente sua. Ele não protestou: “D’us, o que Você está fazendo comigo?”. Mas como sabemos que Avraham não questionou? Talvez ele tenha passado o tempo todo pensando: “Isto não é justo! Você me prometeu toda esta terra, então por que preciso passar por essa situação humilhante com Efron?”. Talvez fosse exatamente isso que Avraham estivesse pensando! Como sabemos qual foi a reação de Avraham?
 
A resposta está baseada em um comentário do Midrash sobre o versículo: “E Avraham prostrou-se diante dos membros do conselho” (Bereshit 23:12). O Midrash afirma: “Aprendemos daqui que devemos agradecer pelas boas notícias”. Por que o Midrash utiliza justamente esse episódio para ensinar sobre a importância da gratidão?
 
Na realidade, essa foi a segunda vez que Avraham se prostrou. Quando ele compareceu pela primeira vez diante dos Bnei Chet, ele também havia se prostrado. O Midrash está destacando que a segunda reverência não foi uma saudação de cortesia aos Bnei Chet, pois isso ele já havia feito anteriormente. Dessa vez, Avraham estava se prostrando diante de D’us. Era uma expressão de agradecimento por ter recebido a “boa notícia” de que finalmente havia conseguido um local para sepultar sua esposa. Se a atitude de Avraham fosse a de alguém que pensava: “Eu não merecia passar por isso”, ele não teria sentido gratidão. Fica claro que, se ele se prostrou para expressar seu agradecimento a D’us, isso é uma demonstração inequívoca de que não tinha reclamações nem guardava ressentimento pelas dificuldades que precisou enfrentar para adquirir o terreno do sepultamento.
 
Às vezes, pensamos que nossa grandeza espiritual é medida pelos grandes momentos da vida, quando precisamos fazer um sacrifício extraordinário, enfrentar uma dificuldade enorme ou tomar uma decisão muito importante. Mas a vida é composta principalmente de momentos comuns. São as pequenas decepções, as dificuldades do dia a dia e as situações que não acontecem como gostaríamos que põem nossa personalidade à prova. É mais fácil nos preparar quando sabemos que estamos diante de um grande desafio. O difícil é manter nosso nível espiritual quando somos surpreendidos por uma pequena dificuldade, quando ninguém está olhando e sequer percebemos que estamos sendo testados. A verdadeira grandeza não se revela apenas na maneira como a pessoa enfrenta os grandes desafios da vida, mas principalmente na maneira como reage às pequenas dificuldades do cotidiano.

SHABAT SHALOM

R’ Efraim Birbojm

 

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quinta-feira, 29 de outubro de 2026

A FONTE DO NOSSO SUSTENTO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAIERÁ 5787

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A FONTE DO NOSSO SUSTENTO - PARASHAT VAIERÁ 5787 (30/out/26)

“Havia um vilarejo onde viviam duas famílias judias, em casas uma em frente à outra. O dono de uma das casas era um homem bondoso e hospitaleiro, enquanto o dono da outra era um homem malvado e mesquinho. Certa vez, Berale, um judeu muito pobre, chegou ao vilarejo. Desesperado de fome, dirigiu-se à casa do homem mesquinho e implorou por um prato de comida. O homem respondeu com escárnio:
 
- Comida? Não está escrito na Torá: “Com o suor do seu rosto comerá pão”? Trabalhe, e eu lhe darei comida.
 
Sem outra opção, o pobre começou a trabalhar. O homem cruel o obrigou a trabalhar em jejum, cortando uma enorme pilha de lenha. Após um dia duro de trabalho, quando o pobre mal conseguia ficar de pé, de fome e cansaço, o homem mesquinho finalmente lhe disse:
 
- Muito bom o serviço. Uma refeição o espera na casa do outro lado da rua. É só entrar e comer. Você merece.
 
Na casa da frente, o dono bondoso e hospitaleiro oferecia aos necessitados uma mesa farta e uma cama confortável para repousar. Berale comeu, satisfeito, e passou a noite ali. Na manhã seguinte, seguiu seu caminho. Algum tempo depois, encontrou outros pobres e, durante a conversa, contou-lhes o que havia acontecido.
 
- Valeu todo o esforço só para comer aquela comida deliciosa - disse Berale.
 
- Você é um tolo! - disseram os outros pobres, dando gargalhada. - Você foi enganado! Se tivesse ido diretamente à segunda casa, teria recebido a mesma comida, sem precisar trabalhar tanto!”
 
O Rav Yaakov Kranz zt”l (Lituânia, 1740 - Polônia, 1804), mais conhecido como o Maguid MiDubno, explica que, às vezes, trabalhamos demais para conseguir um pouco mais de dinheiro, esquecendo que o nosso sustento vem de D’us e que Ele pode enviá-lo das formas mais inesperadas. Se nos voltássemos diretamente a D’us, com Tefilá e Emuná, talvez encontrássemos a solução muito antes, sem tanto esforço desgastante e sofrimento.

Nesta semana lemos a Parashat Vaierá (literalmente “E apareceu”), que começa descrevendo o incrível nível de segurança do nosso patriarca Avraham, cuja tenda era conhecida por estar aberta em todas as direções, oferecendo a todos os viajantes a comida, a água e uma sombra para descansar. Herdamos de Avraham Avinu a hospitalidade e a preocupação com os necessitados.
 
A vontade de Avraham de ajudar era tão grande que superava as dores do seu Brit-Milá, feito aos 99 anos. D'us então os invejosos beduínos, que eram anjos disfarçados, para que Avraham pudesse fazer hold com eles, algo que o preenchia. Antes de irem embora, um dos beduínos profetizou a Avraham: "E ele disse: 'Certamente voltarei a você nesta mesma época, no ano que vem, e é que Sara, sua esposa, terá um filho'. E Sara estava ouvindo à entrada da tenda, que ficou atrás dele" (Bereshit 18:10). Qual foi a ocorrência de Sara ao escutar que seria mãe aos 90 anos? "E Sara riu consigo a mesma, dizendo: 'Depois de eu ter envelhecido, terei novamente a juventude? E, além disso, meu marido é velho!'" (Bereshit 18:1 2).
 
Porém, D'us não gostou da ocorrência de Sara, como está escrito: "E D'us disse a Avraham: 'Por que Sara riu, dizendo: 'Será que realmente darei à luz, sendo que já estou velha?'. Será que existe algo impossível para D'us?'" (Bereshit 18:13,14). Rashi explica que ela olhou para o próprio ventre e disse: “É possível que estas entranhas possam carregar um filho?”. Mas por que D'us ficou bravo?
 
O Midrash explica que isso pode ser comparado a alguém que tinha em suas mãos duas peças desgastadas de metal. Ele as levou a um ferreiro e perguntou: “Você consegue consertá-las?”. O ferreiro respondeu: “Se eu consigo criá-las desde o início, como não conseguiria consertá-las?”. Assim também aqui, D'us disse: “Se fui capaz de criar o ser humano desde o início, como não seria capaz de fazê-lo retornar aos dias de sua juventude?”.
 
O ponto principal é que Sara e Avraham já eram idosos, e a possibilidade de terem um filho parecia naturalmente impossível. Foi o caráter praticamente impossível situação que levou Sara a dar risada. Porém, o Midrash ensina que, para D'us, restaurar a juventude não é mais difícil do que criar a vida.
 
Mas ainda assim é difícil entender por que Sara foi repreendida. Ela olhou para o próprio corpo e disse: “É possível que estas entranhas possam carregar um filho?”. Afinal, ela não sabia que aqueles visitantes eram anjos e que aquelas palavras eram proféticas! Por isso, aos olhos dela, aqueles homens estavam apenas dando um Brachá, em agradecimento pela hospitalidade. Ela simplesmente não acreditou na Brachá que eles queriam parecer algo impossível de acontecer. Por que, então,  ela foi repreendida por ter dado risada? Não seria um acontecimento natural de qualquer pessoa que escutasse uma notícia “absurda” como esta?
 
O Ramban zt"l (
Espanha, 1194 - Israel, 1270) explica que D'us a repreendeu por ela ter considerado algo como sendo impossível de acontecer. Você pode tudo. Ele criou o ventre e, se essa for à Sua vontade, Ele pode rejuvenescer o ventre envelhecido. Sara deveria ter acreditado e aqui: "Amén! Que D'us faça assim!".
 
O Rav Yechezkel Levenstein zt”l (Polônia, 1895 - Israel, 1974) aprofunda as palavras do Ramban. Ele explica que as obrigações de quem possui uma Emuná plena é acreditar que tudo acontece pela vontade de D'us, e que todas as leis da natureza existentes na Criação nada mais são do que a manifestação da Mão Divina. Portanto, mesmo que Sara achou que estava ouvindo apenas uma Brachá comum, proferida por pessoas comuns, ela deveria ter dito: "Amém! Que D'us faça assim!”.
 
É isso que significa a expressão: “Acaso existe algo impossível para D'us?”. Assim como D'us criou o mundo e, com humildade ilimitada, renova continuamente a obra da Criação, Ele também pode alterar todas as leis da natureza. A cada instante, uma nova Criação se revela diante de nossos olhos. O fato de D'us não se altera constantemente as leis da natureza decorre de não sermos merecedores de que esses protetores leis sejam selecionados por nossa causa. Por isso, é dizer “Amén, que D’us faça assim!” diante de qualquer situação, mesmo diante daquela situação que parece impossível de acontecer. Ao dizer essas palavras, a pessoa pede a D'us que a torne merecedora de que a própria ordem da Criação seja alterada em seu favor.
 
Concluímos, portanto, que a Emuná exige que não nos desesperemos em nenhuma situação. Mesmo uma pessoa gravemente doente não deve perder a esperança, como ensina o Talmud (Brachót 10a): “Mesmo que uma espada afiada esteja encostada no pescoço de uma pessoa, ela não deve desistir da misericórdia Divina”. Isso significa que, para sair de uma situação como essa, devemos intensificar nossos Tefilót, para que realmente mereçamos uma fartura de misericórdia Divina. As palavras do Midrash sobre o versículo “Acaso existe algo impossível para D'us?” devem ser entendidas como se D'us estivesse afirmando: “Criar o ventre como ele é originalmente Eu consigo, mas devolvê-lo aos dias da juventude Eu não consigo?!”.
 
Devemos refletir sobre nossa própria situação e considerar o quanto estamos distantes daquele nível de Emuná pelo qual Sara foi repreendida. Quando a salvação ainda não aparece no horizonte, nossa Emuná se mostra insuficiente. A Emuná plena consiste em acreditar que, mesmo quando aparentemente toda esperança se esgotou, convidamos confiar em D'us e dizer: “Que Ele faça assim!”. Isso não é apenas uma demonstração de devoção excepcional, algo além do esperado, mas um princípio básico entre os fundamentos da Emuná, pelo que cada um de nós é responsabilizado. Nenhum de nós pode se esquivar dessas obrigações alegando “como podemos alcançar o nível de Sara?”,pois esse é o nível exigido de cada um de nós.
 
À luz dessas ideias, podemos compreender também as palavras dos nossos sábios: “Diante de Quem você terá de prestar contas e apresentar seu julgamento? Diante do Rei dos reis” (Avot 3:1). Nossas sabedorias estão ensinando que, até mesmo nas situações nas quais, aos olhos humanos, não parece haver nenhuma esperança ou possibilidade de salvação, D'us poderá nos cobrar em Seu julgamento, questionando: “Por que vocês não acreditaram na Minha salvação?”. Afinal, estamos diante do Rei dos reis, e, para Ele, não existe diferença entre uma situação em que há causas e possibilidades naturais de salvação e outra na qual elas estão ausentes.
 
Na verdade, nossa situação é ainda pior: mesmo quando enxergamos causas e possibilidades de salvação, não atribuímos nossa esperança de sermos salvos a D'us, mas a outros fatores. Tudo isso está incluído nas palavras do profeta: “E o justo viverá pela sua Emuná” (Chabakuk 2:4).
 
É evidente que a Emuná é algo integrado, sem divisões nem abordagens. Quando uma pessoa não acredita na possibilidade de D'us de alterar as leis da natureza, ela acaba limitando, aos seus olhos, a capacidade Dele, que é Todo-Poderoso. Nesse caso, sua Emuná deixa de ser uma Emuná verdadeira.
 
Devemos saber e acreditar que o poder de D'us não possui quaisquer limitações e que Ele é capaz, em um único instante, de criar uma perna para uma pessoa que nasceu sem ela ou uma mão para alguém que a perdeu. O único impedimento é uma pessoa não ser merecedora de que D'us realize milagres abertos em seu favor. Que sejamos sempre merecedores dos milagres Divinos, através dos nossos bons atos, da nossa Emuná e da nossa Tefilá.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

 

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