quinta-feira, 14 de outubro de 2021

SANTIFICANDO O NOME DE D’US - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ LECH LECHÁ 5782

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VÍDEOS DA PARASHÁ LECH LECHÁ
ASSUNTOS DA PARASHÁ LECH LECHÁ
  • 3º teste de Avraham: Abandonar tudo e ir para uma terra estranha (Lech Lechá).
  • 4º teste de Avraham: Fome em Eretz Knaan.
  • Avraham vai para o Egito.
  • 5º teste de Avraham: Sara é sequestrada pelo Faraó.
  • Avraham e Lot voltam com grandes riquezas.
  • Separação de Avraham e Lot.
  • A Guerra dos 5 reis contra os 4 reis.
  • Lot é sequestrado e Avraham é avisado.
  • 6º teste de Avraham: Luta contra os 4 reis.
  • O "Pacto entre as partes".
  • A promessa da Terra de Israel.
  • 7º teste de Avraham: D'us anuncia a Avraham o exílio dos seus descendentes.
  • Casamento com Hagar.
  • O nascimento de Ishmael.
  • 8º teste de Avraham: Brit-Milá.
BS"D

SANTIFICANDO O NOME DE D'US - PARASHÁ LECH LECHÁ 5782 (15 de outubro de 2021)

 
O que você faria se a sorte grande inesperadamente batesse à sua porta? E se essa sorte grande fosse uma quantia de U$ 98.000,00 em dinheiro, que você pudesse simplesmente colocar no bolso sem ninguém sentir falta? Isto aconteceu com o rabino Noach Muroff, um professor da nona série da Yeshiva de New Haven, em Connecticut, e sua esposa, a Sra. Esther, no ano de 2013. Algumas semanas antes de Rosh Hashaná, o rabino e a esposa compraram uma mesa usada por um ótimo preço, U$ 150,00, pela internet. A proprietária era uma mulher de meia idade, chamada Patty, que morava na região. Quando os Muroff trouxeram a mesa para casa, eles perceberam que ela não passaria pela porta do escritório por poucos milímetros. O casal decidiu desmontar a mesa e remontá-la dentro do escritório. Porém, ao desmontá-la, eles descobriram atrás das gavetas um saco plástico cheio de dinheiro. Contando as notas, eles chegaram a um total de U$ 98.000,00. Eles olharam um para o outro e disseram instintivamente: "Não podemos ficar com este dinheiro". Imediatamente eles pegaram o telefone e ligaram para a proprietária. Ela ficou chocada e começou a chorar de emoção.
 
Naquela noite, o rabino Noach teve dificuldade para adormecer. Ele não estava arrependido de ter entrado em contato com a mulher para devolver o dinheiro, mas ainda assim queria ouvir do seu Rosh Yeshivá em Israel se ele estava fazendo a coisa certa. Ele ligou e escutou do Rosh Yeshivá que devolver o dinheiro era o correto a se fazer, principalmente pois seria um enorme Kidush Hashem (santificação do Nome de D'us). O Rosh Yeshivá também os aconselhou a recusar qualquer recompensa, a menos que a proprietária insistisse muito.
 
No dia seguinte, logo cedo, eles levaram seus quatro filhos juntos para devolver o dinheiro. Queriam que aquela fosse uma experiência de aprendizado para eles, para ensiná-los sobre honestidade e sobre fazer o que é certo. Patty os esperava na porta, cheia de gratidão e admiração. Ela então explicou como aquela grande soma de dinheiro apareceu atrás das gavetas. Ela havia ficado muito triste quando seus pais faleceram, um após o outro, em um curto intervalo de tempo. Quando ela recebeu a herança, planejou colocá-la no banco, mas não tinha força emocional. Em vez disso, ela colocou a bolsa de dinheiro dentro de uma gaveta. Quando ela decidiu depositar o dinheiro no banco, ele havia desaparecido. Provavelmente o dinheiro havia deslizado e caiu para trás das outras gavetas. Quando vendeu sua mesa, Patty não tinha ideia de que o dinheiro ainda estava lá.
 
Patty pediu para que eles aceitassem uma recompensa, mas eles só concordam após muita insistência. Ela também deu a eles uma carta de agradecimento que, entre outras coisas, dizia: "Não posso agradecer o suficiente pela honestidade e integridade de vocês. Não acho que haja muitas pessoas neste mundo que fariam o mesmo que vocês fizeram". Junto com o cartão também estava o dinheiro que eles haviam pago pela mesa.
 
Além de amigos e parentes próximos, inicialmente ninguém mais ficou sabendo da história, e eles preferiam assim, pois eram pessoas humildes, e a história permaneceu oculta por algum tempo. Porém, um grande rabino ficou sabendo da história e insistiu para que eles a divulgassem, para fazer um Kidush Hashem ainda maior. Eles ligaram para a CNN no dia seguinte para compartilhar a história e, em poucas horas, ela havia se tornado viral. Quase todos os meios de comunicação divulgaram e muitos jornais os chamaram para entrevistas. Porém, eles sempre repetiam que não achavam que haviam feito nada de excepcional. Imaginaram que a maioria das pessoas na mesma situação, isto é, que haviam encontrado muito dinheiro e sabiam a quem ele pertencia, fariam a mesma coisa. Certamente um teste muito grande, que resultou em um enorme Kidush Hashem.

Nesta semana lemos a Parashá Lech Lechá (literalmente "Vá por você"), que começa a descrever a vida de Avraham, nosso primeiro patriarca. Ele passou por dez testes muito difíceis, e a cada conquista ele ia construindo sua grandeza espiritual. Um dos testes descritos na Parashá foi uma guerra na qual Avraham participou. Na época de Avraham ocorreu a primeira "guerra mundial", da coligação dos quatro reis contra a coligação dos cinco reis. Os quatro reis eram muito poderosos e conseguiram vencer a guerra. Eles levaram os conquistados como cativos de guerra e saqueram seus pertences. Entre os derrotados estava a cidade de Sdom, e um dos sequestrados era Lót, sobrinho de Avraham. Ao ser avisado, Avraham juntou um pequeno exército e foi resgatar seu sobrinho. Grandes milagres aconteceram e Avraham conseguiu derrotar os quatro reis.
 
Após a guerra, Avraham conseguiu recapturar os despojos e os cativos das mãos dos quatro reis. A Torá então registra um diálogo entre Avraham e o rei de Sdom, no qual o rei ofereceu dividir os despojos com Avraham. A proposta era que Avraham ficasse com as posses materiais, enquanto o rei de Sdom receberia de volta os cativos sequestrados. Avraham rejeitou a proposta com a declaração: "Nem um fio e nem uma tira de sapato. Não vou pegar nada que é seu, para que você não diga: 'Fui eu quem tornei Avram rico'" (Bereshit 14:23).

O Talmud (Sotá 17a) ensina que, por Avraham ter se recusado a aceitar até mesmo um fio ou uma tira de sapato, seus descendentes mereceram receber duas Mitzvót: Tzitzit, pelo mérito do fio, e Tefilin, pelo mérito da tira de sapato. Além da semelhança entre estes objetos e as Mitzvót associadas a elas, sabemos que tudo o que D'us faz é "Midá Kenegued Midá" (medida por medida). Qual característica do Tefilin e do Tsitsit representa o ato de Avraham, de ter recusado qualquer tipo de compensação do rei de Sdom?
 
Rashi (França, 1040 - 1105) explica que as ações de Avraham não foram apenas uma enorme demonstração de desapego e autocontrole. A força de vontade de Avraham foi particularmente meritória por ele não querer se beneficiar de propriedade roubada. Porém, a que propriedade roubada Rashi se refere? De acordo com a lei, os despojos de guerra são de posse legal do vencedor. Por exemplo, depois da vitória na guerra contra Midian, a Torá descreve que o povo judeu pegou os despojos de guerra, entre eles muitos utensílios de preparar comida, e em nenhum momento a Torá chama a atenção que o ato foi ilícito. Inclusive, é através destes despojos de guerra que a Torá nos ensina a Mitzvá de Kasherização de utensílios. Certamente a Torá não nos ensinaria uma Mitzvá através de objetos roubados, algo que sabidamente irrita D'us. Então por que Rashi diz que se Avraham tivesse recebido os despojos de guerra, ele teria se beneficiado de propriedade roubada?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que, embora Avraham tivesse legalmente direito aos despojos, esta não era a percepção do rei de Sdom. Avraham venceu sozinho a guerra e, portanto, tinha o direito de ficar com tudo, enquanto o rei de Sdom não tinha direito a nada. O mero fato de o rei de Sdom ter se oferecido para dividir "generosamente" com Avraham o que foi conquistado na guerra implica que ele sentia que tinha direitos sobre essas posses, e que estava fazendo um gesto de benevolência. O que a Torá considera meritório nas ações de Avraham foi ele ter lidado com o rei de Sdom dentro do contexto da percepção do rei. De acordo com a percepção do rei, se Avraham pegasse todos os bens ele seria um ladrão. Como representante de D'us, Avraham não podia permitir a percepção de que ele havia roubado algo, o que seria um Chilul Hashem (denegrir o Nome de D'us), ou que o dinheiro havia sido dado a ele como um ato benevolente de um ser mortal, o que mancharia a honra de D'us. Avraham mostrou que, para proteger a honra de D'us, ele estava disposto a lidar com as pessoas com base na realidade que elas criaram para si mesmas, mesmo que fosse uma percepção completamente equivocada.
 
Mas por que essa característica de Avraham foi recompensada com as Mitzvót de Tzitzit e Tefilin? O Talmud (Sotá 17a) explica que quando um judeu usa Tefilin, ele inspira admiração em todos os que o veem. Isso não é porque admiram a própria pessoa, mas porque sentem a presença de uma Autoridade Superior que está sendo representada por esse indivíduo. Podemos comparar isso a um policial que usa uma farda e um distintivo. As pessoas não respeitam o próprio homem, e sim a instituição que ele representa. Tefilin é o emblema que representa a presença de D'us. É interessante notar que os Tefilin são usados em áreas geralmente designadas para exibir um emblema: a manga da camisa e o boné. Com relação aos Tzitzit, o Talmud ensina um conceito semelhante. Um judeu vestindo Tzitzit é semelhante a um escravo que usa a insígnia de seu mestre em sua vestimenta. Essas duas Mitzvót refletem a designação do judeu como um representante de D'us e facilitam a percepção da presença de D'us neste mundo.
 
Avraham também demonstrou a capacidade de aceitar a percepção da realidade de outra pessoa. Portanto, ele era a pessoa ideal para representar as Mitzvót de Tzitzit e Tefilin, que permitem que a presença de D'us seja percebida. O egocentrismo impede a pessoa de ver um ponto de vista diferente. Frequentemente exigimos que os outros vivam dentro da nossa realidade, especialmente se considerarmos que a posição do outro é incorreta. Embora significasse desistir do que era seu por direito, Avraham lidou com o rei de Sdom dentro da própria realidade do rei, a fim de preservar a honra de D'us neste mundo. Avraham demonstrou uma total falta de egocentrismo, que é a fundação para a aceitação da autoridade de D'us.
 
Deste incidente aprendemos dois conceitos importantes. O primeiro é que quanto mais nos afastamos do egocentrismo, mais conseguimos entender o ponto de vista das outras pessoas. O segundo é que o conceito de "Chilul Hashem" e "Kidush Hashem" não dependem apenas do ato que estamos fazendo, mas também da percepção de como os outros nos veem. Mesmo quando estamos fazendo algo correto, mas que aos olhos dos outros parece errado, isso pode ser Chilul Hashem. Desta maneira, precisamos ser extremamente cuidadosos com os nossos atos, sempre tentando levar em consideração a forma como os outros entendem a realidade para, desta maneira, estarmos sempre santificando o Nome de D'us.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 7 de outubro de 2021

FUGINDO DA REALIDADE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ NOACH 5782

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ASSUNTOS DA PARASHÁ NOACH
  • Noach encontra graça aos olhos de D'us.
  • Construção da Arca.
  • O grande Dilúvio e um ano na Arca.
  • O corvo e a pomba.
  • Noach e a família saem da Arca.
  • Noach oferece um Korban.
  • O pacto: Arco-Íris.
  • Noach fica bêbado e é envergonhado por seu filho Ham.
  • Knaan, filho de Ham, é amaldiçoado.
  • Descendentes de Yafet, Ham, Knaan e Shem.
  • A Torre de Babel e a dispersão.
  • 10 Gerações de Noach a Avraham.
  • 1º teste de Avraham: 13 anos escondido de Nimrod.
  • 2º teste de Avraham: Ur Kassdim.
BS"D

FUGINDO DA REALIDADE - PARASHÁ NOACH 5782 (01 de outubro de 2021)

 
Era uma vez um cavalo que, em pleno inverno, desejava o regresso da primavera. De fato, ainda que agora descansasse tranquilamente no estábulo, via-se obrigado a comer palha seca.

- Como sinto saudades de comer a erva fresca que nasce na primavera! - pensava o pobre animal.

A primavera chegou e o cavalo teve sua erva fresca, mas começou a trabalhar muito, pois era época da colheita.

- Quando chegará o verão? Já estou farto de passar o dia inteiro puxando o arado! - lamentava-se o cavalo.

Chegou o verão, mas o trabalho aumentou e o calor tornou-se muito forte.

- Estou ansioso pela chegada do outono! - dizia mais uma vez o cavalo, convencido de que naquela estação terminariam seus males.

Mas no outono teve que carregar lenha para que seu dono estivesse preparado para enfrentar o inverno. E o cavalo não parava de queixar-se e de sofrer.
 
Quando finalmente o inverno chegou novamente e o cavalo pôde finalmente descansar, ele compreendeu que tinha sido fantasioso tentar fugir do momento presente e refugiar-se na imaginação do futuro. Fugir da realidade não é a forma correta de encarar as dificuldades da vida e do trabalho.

Nesta semana lemos a Parashá Noach, que descreve um dos episódios mais tristes e sombrios da história da humanidade. Dez gerações após a criação do primeiro ser humano, Adam Harishon, a humanidade já havia se corrompido tanto que D'us decidiu apagar do mundo todos os habitantes através de um Dilúvio. Somente Noach encontrou graça aos olhos de D'us e mereceu ser poupado, junto com sua família.
 
Quando o Dilúvio terminou e Noach finalmente pôde sair da arca, após um ano, ele enfrentou a difícil tarefa de reconstruir o mundo. Ele começou plantando um vinhedo, atitude que teve consequências terríveis, como está escrito: "E Noach, o homem da terra, começou e plantou um vinhedo. E ele bebeu do vinho e ficou bêbado, e ele se despiu dentro de sua tenda" (Bereshit 9:20,21)". A linguagem "Vayachel" pode ser traduzida como "E começou", mas também significa "se degradou". A Torá está criticando fortemente a decisão de Noach de ter plantado um vinhedo como seu primeiro ato na reconstrução do mundo. Mas o que havia de tão grave nisso?
 
O vinho é uma bebida especial e faz parte de praticamente todas as cerimônias judaicas, como o Brit Milá, o casamento, o Shabat e as Festas. O vinho tem o poder de causar alegria no ser humano e pode ajudá-lo a se sentir mais próximo de D'us. Entretanto, Rashi (França, 1040 - 1105) ressalta que Noach deveria ter começado a plantar algo que fosse mais urgente para a reconstrução do mundo. Outros comentaristas dizem que o vinho pode ter efeitos muito negativos quando usado incorretamente, como ocorreu neste incidente. Portanto, Noach deveria ter plantado algo que tivesse menos chance de causar danos ao mundo que estava sendo reconstruído.

Porém, a maior dificuldade em relação a este incidente é que Noach era um grande Tzadik, conforme a própria Torá atesta: "Noach era um Tzadik, perfeito em sua geração. Noach andava com D'us" (Bereshit 6:9). É impossível, portanto, abordar seu erro de maneira superficial, como se ele fosse um desocupado que bebia de forma descontrolada. Qual foi, portanto, a intenção de Noach ao plantar o vinhedo? E por que seu primeiro ato na reconstrução do mundo foi justamente este?
 
O Rav Meir Rubman zt"l (Israel, século 20) explica que quando Noach saiu da Arca, se deparou com uma destruição incrível. O mundo inteiro em que ele viveu havia sido completamente destruído e todas as criaturas estavam mortas. Ele naturalmente se sentiu devastado e desanimado com essa cena chocante. Ele sabia que tais sentimentos não contribuiriam para trazer espiritualidade a este novo mundo, conforme ensinam nossos sábios que a Presença Divina só pode estar presente em meio à alegria de fazer a vontade de D'us. Sabendo que o vinho tem a capacidade de alegrar uma pessoa, ele decidiu plantar um vinhedo e usar o vinho que iria beber como um meio de trazer a Presença Divina para a Terra.
 
Porém, se as intenções de Noach eram tão nobres, por que suas ações tiveram consequências tão negativas? Se toda a sua intenção era trazer espiritualidade para o mundo, por que a Torá utilizou a expressão "E se degradou"?

O Rav Elazar Simcha Wasserman zt"l (Império Russo, 1899 - Israel, 1992) explica que, misturadas com as boas intenções de Noach, havia outras intenções menos nobres que influenciaram negativamente sua decisão de como recomeçar o mundo. Mas que intenções negativas eram estas? Diante de uma dor tão terrível, Noach sentiu a necessidade de se distrair da triste situação que agora enfrentava e, por isso, decidiu plantar um vinhedo, cujo vinho oferecia uma forma de escapar da forte dor que sentia. Esta escolha foi considerada um erro para alguém da grande estatura de Noach e, portanto, teve resultados negativos. A Torá o critica pois, ao enfrentar um mundo destruído, ele deveria primeiro ter se concentrado na reconstrução, ao invés de se concentrar na fuga da realidade. A Torá não diz que Noach cometeu uma transgressão terrível. Ele tinha o potencial de fazer algo sagrado e elevado, mas acabou fazendo algo que era "Chol" (mundano), o que é enfatizado pela linguagem utilizada para descrever o erro de Noach, "Vayachel", que literalmente significa algo mundano, no qual falta santidade e grandeza espiritual.

Cerca de setenta anos atrás, muitas pessoas enfrentaram um teste muito difícil, um "dilúvio em suas vidas". O Holocausto destruiu milhões de vidas. Comunidades inteiras foram devastadas e muitas pessoas perderam toda a família. Certamente aqueles que sobreviveram a esta situação tinham uma tendência muito forte para "escapar da realidade" em algum nível. No entanto, certos indivíduos imediatamente se comprometeram a reconstruir o povo judeu. Gigantes espirituais, como o Rav Yossef Shlomo Kahaneman zt"l (Império Russo, 1886 - Israel,1969), mais conhecido como Ponevicher Rav, e o Rav Yekutiel Yehudá Halberstam zt"l (Polônia, 1905 - Israel, 1994), mais conhecido como Klausenberger Rebe, perderam toda a família no Holocausto, mas ainda assim encontraram forças para embarcar no imenso desafio de reconstruir o povo judeu.

O Rav Yissochar Frand traz outro exemplo comovente de alguém que evitou a tentação de escapar da realidade no mundo pós-Holocausto. O Rav Joseph Rosenberg zt"l sobreviveu e foi viver nos Estados Unidos. Ele percebeu que havia uma Mitzvá em particular que havia sido completamente negligenciada: a verificação de Shatnez (mistura de lã e linho) nas roupas. Ele criou sozinho os laboratórios de verificação de Shatnez e, por várias décadas, verificou centenas de milhares de roupas. Ele sobreviveu a mais de um Holocausto. Um era o Holocausto físico do povo judeu, e o outro era a destruição espiritual, o abandono completo de uma Mitzvá.

Explica o Rav Yehonatan Gefen que temos que agradecer que nossa geração não tem que lutar contra uma destruição comparável à do Dilúvio ou do Holocausto. No entanto, também enfrentamos a destruição espiritual do povo judeu em vários níveis. O povo judeu se depara com a maior destruição espiritual de sua história. Estima-se que mais almas judias foram perdidas para a assimilação e a apatia espiritual nos últimos setenta anos do que no Holocausto. Esta destruição é menos aparente e chocante do que o Holocausto, mas o dano que está causando é imenso. Existem muitos caminhos diferentes para ajudar os judeus afastados da Torá e das Mitzvót, mas o mais importante é a decisão de não tentar escapar do problema dizendo "não posso fazer nada".

Todos conhecem pessoas que se deparam com suas próprias tragédias individuais. Pessoas que não conseguem sustentar suas famílias, que sofrem de terríveis doenças, rapazes e moças que não conseguem casar, pessoas divorciadas ou viúvas que se sentem sozinhas e desamparadas. A lista é interminável. Quando encontramos pessoas assim, temos duas opções: escapar ou construir. Não é suficiente apenas se sentir mal por elas e dizer "coitadas". Devemos nos esforçar para ajudar de todas as maneiras que forem possíveis. Por exemplo, se alguém perdeu o emprego, podemos usar nossos contatos para ajudá-lo a encontrar um novo emprego. Ou se uma pessoa não consegue encontrar alguém para casar, então podemos gastar um pouco de tempo pensando se conhecemos algum parceiro adequado em potencial. Até mesmo dedicar nosso tempo para fazer Tefilá ou ler Tehilim pelas pessoas com dificuldades é uma grande contribuição que podemos fazer aos outros.

Ao longo da vida, enfrentamos dificuldades e perdas. Esses eventos podem ser muitas vezes traumáticos e desafiadores, causando uma reação natural de querer escapar da dor da situação. No entanto, um sinal de grandeza é fazer um esforço para reconstruir e seguir em frente com nossas vidas. Aprendemos isso de um acontecimento registrado no Sefer Yoná. Uma terrível tempestade ameaçava destruir o navio onde o profeta Yoná estava viajando. Em meio a esse tumulto, os marinheiros encontraram Yoná dormindo em sua cabine. O marinheiro chefe perguntou a Yoná: "Por que você está dormindo? Levante-se e chame seu D'us!" (Yoná 1:6). O marinheiro chefe estava dizendo a Yoná: "Como você pode dormir em uma situação como esta? Faça algo!". Da mesma forma, devemos nos perguntar: por que estamos dormindo durante os eventos tumultuosos que nos cercam? Que possamos nos esforçar para reconstruir, e não escapar, das dificuldades da vida.
 

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R' Efraim Birbojm

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