quinta-feira, 18 de junho de 2026

O RECONHECIMENTO DOS NOSSOS ERROS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT KORACH 5786

BS"D
O e-mail desta semana é dedicado à Refua Shleima (pronta recuperação) de 

Esther Chava bat Sarah

Avraham Yaacov ben Miriam Chava


Luna Rachel bat Sara

Esther Luna bat Rachel


--------------------------------------------------------

O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de:


Sr. Nelson ben Luiza zt"l (Nissim ben Luna) 

Sr. Avraham Favel ben Arieh z"l 

Sra. Rachel bat Luna 


--------------------------------------------------------

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
efraimbirbojm@gmail.com.
NEWSLETTER R' EFRAIM BIRBOJM
NEWSLETTER EM PDF
NEWSLETTER EM PDF
 
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE YOM TOV


PARASHAT KORACH 5786


         São Paulo: 17h09                 Rio de Janeiro: 16h56 

Belo Horizonte: 17h05                  Jerusalém: 19h07
Facebook
Facebook
Instagram
Instagram
YouTube
YouTube
Twitter
Twitter
Spotify
Spotify
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
BS"D

O RECONHECIMENTO DOS NOSSOS ERROS - PARASHAT KORACH 5786 (19/jun/26)

“Há quase dois mil anos havia na Terra de Israel, na época dos Amoraim, um homem cuja força física era extraordinária. Sua coragem era lendária, assim como suas façanhas. Porém, infelizmente, ele tinha feito escolhas erradas na vida e se tornou o líder de um grupo de bandidos.
 
Certa vez, em um dia muito quente, o grande sábio Rabi Yochanan, um dos maiores rabinos daquela geração, entrou no rio Yarden para se banhar. Rabi Yochanan possuía uma aparência extremamente bela. Aquele chefe dos bandidos avistou de longe alguém dentro da água. Vendo apenas as costas, imaginou tratar-se de uma mulher. Movido pela curiosidade, e confiante em sua força física, tomou impulso e saltou de uma margem à outra do rio em um único salto impressionante. Porém, ao chegar perto, ele percebeu, decepcionado, que havia se enganado. Não era uma mulher, mas o grande Rabi Yochanan. Quando o Rabi Yochanan olhou para aquele homem com tamanha força, percebeu imediatamente que havia nele um potencial extraordinário. Em vez de repreendê-lo por suas más condutas, disse-lhe apenas:
 
- Sua força descomunal deveria ser usada para a Torá.
 
Rabi Yochanan então lhe propôs um novo caminho. Disse-lhe que, caso ele se dedicasse ao estudo da Torá, lhe daria sua irmã em casamento, garantindo que ela era ainda mais bonita do que ele.
 
Naquele momento ocorreu algo extraordinário. Nenhum raio caiu do céu. Nenhum castigo o atingiu. Nenhum sofrimento o obrigou a mudar. Mas, pela primeira vez, alguém havia mostrado uma verdade que aquele homem nunca havia enxergado: toda a força, coragem, determinação e energia que ele havia usado até aquele momento para uma vida de violência e bandidagem poderiam ser utilizadas para algo infinitamente maior.
 
Imediatamente, aquele homem decidiu mudar. O Talmud conta que, quando ele tentou voltar para recuperar seus pertences do outro lado do rio, já não conseguiu repetir o salto. Assim que aceitou a responsabilidade de se dedicar ao estudo da Torá, ele perdeu sua extraordinária força física. Seus talentos começavam a ser direcionados para outro propósito.
 
O Rabi Yoḥanan ensinou para ele Torá e o transformou em um grande homem. Conforme havia prometido, também permitiu que ele se casasse com sua irmã. Anos mais tarde, aquele homem tornou-se o famoso Reish Lakish, um dos mais destacados estudiosos da Torá de sua geração. Seus debates com seu cunhado, Rabi Yochanan, ocupam inúmeras páginas do Talmud e são estudados até hoje em todas as Yeshivót do mundo. (História retirada do Talmud, Tratado de Baba Metsia 84a).”
 

O mais impressionante não é a grandeza que Reish Lakish alcançou, apesar de seu passado obscuro, mas o momento em que tudo começou. A mudança não começou com um grande sofrimento, mas quando ele reconheceu a verdade sobre si mesmo que até então não queria ou não conseguia enxergar. A essência da Teshuvá é o reconhecimento da verdade. Enquanto a pessoa continua justificando seus erros, permanece presa a eles. Quando finalmente admite a verdade, já iniciou seu processo de conserto. Reish Lakish tornou-se um gigante da Torá. Mas não no dia em que dominou muitos conhecimentos profundos da Torá, e sim no dia em que teve a coragem de olhar para sua vida e reconhecer que ela precisava mudar.

Nesta semana lemos a Parashat Korach, que descreve mais um momento triste na história do povo judeu, quando um homem chamado Korach, da Tribo de Levi, iniciou uma rebelião contra seus primos, Moshé e Aharon, com a intenção de assumir o poder. As consequências foram trágicas, com a morte de Korach, dos outros líderes e de milhares de seguidores e apoiadores.
 
E assim Korach argumentou contra Moshé: “Pois toda a congregação, todos eles são sagrados, e D’us está no meio deles. Por que vocês se elevam acima da congregação de D’us?” (Bamidbar 16:3). Apesar de os argumentos de Korach parecerem uma legítima busca de igualdade social, na realidade suas motivações eram egoístas. A faísca que levou à explosão da rebelião foi a inveja de Korach quando seu primo Elitsafan foi o escolhido para a liderança da Família de Kehat, cargo que Korach considerava seu por direito. Nossos sábios ensinam: “A inveja, a busca desenfreada pelos prazeres e a busca por honra tiram o homem do mundo” (Avót 4:21). No final das contas, Korach se perdeu espiritualmente e, sem perceber o tamanho da transgressão que estava cometendo, foi até o fim, juntando seguidores para uma rebelião que levaria todos eles para a destruição.

Como Korach conseguiu convencer tantas pessoas a participar e apoiar sua rebelião? Ele começou a zombar dos ensinamentos de Torá de Moshé, utilizando a lógica humana limitada para questionar o sentido das Mitzvót que Moshé ensinava. O problema é que isso consistia, em última instância, em questionar não apenas a liderança de Moshé, mas também a validade de toda a Torá. Para que não ficassem dúvidas de que Korach estava equivocado, D’us o castigou de uma maneira sobrenatural. Ele foi engolido por uma “boca” que se abriu na terra, como está escrito: “E eles desceram, eles e tudo o que lhes pertencia, vivos ao Sheol” (Bamidbar 16:33).
 
Mas o que aconteceu com Korach depois de ter sido engolido pela terra? Há um impressionante Midrash que nos ensina: “Disse Raba bar Bar Chana: Certa vez eu vinha pelo caminho e um comerciante árabe me disse: ‘Venha, e eu lhe mostrarei os engolidos de Korach’. Fomos, e vi duas fendas das quais saía fumaça. Ele pegou um tufo de lã, molhou-o com água, colocou-o na ponta de uma lança e o introduziu ali; a lã queimou-se por causa do calor. Ele me disse: ‘Escute o que eles dizem’. E ouvi que diziam: ‘Moshé e sua Torá são verdadeiros, e nós somos mentirosos’. Ele me disse: ‘A cada trinta dias o Guehinom os revolve como carne dentro de uma panela, e eles dizem: Moshé e sua Torá são verdadeiros’”.
 
As palavras deste Midrash são assustadoras. Afinal, desde os dias de Moshé Rabeinu até a época de Raba bar Bar Chana já haviam transcorrido muitos séculos e, apesar disso, a transgressão ainda não tinha sido corrigida! Apesar do Guehinom e dos sofrimentos, a transgressão ainda permanecia no mesmo lugar, e os “engolidos de Korach” continuavam obrigados a clamar: “Moshé e sua Torá são verdadeiros!”. Isso já é suficiente para nos conscientizar sobre a enorme responsabilidade que temos pelos nossos atos e as consequências dos nossos erros.
 
O Rav Yechezkel Levenstein zt”l (Polônia, 1895 - Israel, 1974) se aprofunda ainda mais e afirma que há aqui um ensinamento que desperta reflexão sobre a maneira como uma transgressão pode ser corrigida. Dos seguidores de Korach aprendemos que uma transgressão não é corrigida a não ser através do reconhecimento de tê-la praticado. Uma vez que a transgressão dos seguidores de Korach consistiu em negar Moshé e seus ensinamentos de Torá, então a correção de sua transgressão era justamente proclamar: “Moshé e sua Torá são verdadeiros!”.
 
Na verdade, este é o fundamento da Teshuvá: quando a pessoa se arrepende de uma transgressão, confessa para D’us, reconhece e assume sobre si não voltar a errar, ela reconhece a verdade e, assim, alcança a expiação necessária. Portanto, se Korach e seus seguidores tivessem chegado a esse reconhecimento enquanto ainda estavam vivos, teriam poupado de si mesmos todos os castigos do Guehinom.
 
De onde podemos comprovar este princípio? Do que ocorreu com os filhos de Korach. A Torá diz explicitamente: “E os filhos de Korach não morreram” (Bamidbar 26:11). Eles tiveram a sabedoria de reconhecer seu erro no último instante e, por isso, não morreram. Os demais, que não fizeram Teshuvá, precisaram ser julgados no Guehinom para que, por meio da purificação através dos sofrimentos, chegassem a esse reconhecimento verdadeiro de que Moshé e sua Torá são verdadeiros.
 
E este conceito nos ensina algo incrível: o Guehinom não é apenas um castigo destinado a purificar a transgressão, mas também um meio para levar a pessoa ao reconhecimento do erro que cometeu, pois somente dessa forma a transgressão pode ser corrigida. Assim entendemos também por que D’us utiliza tanto o conceito de “Midá Kenegued Midá” ao nos aplicar castigos, para nos despertar e nos ajudar, através de reflexões, a entender onde erramos e possibilitar que façamos os consertos necessários. D’us quer nos ajudar a consertar os nossos erros ainda neste mundo, para que não tenhamos que passar por sofrimentos ainda mais duros no Guehinom.
 
E talvez mais importante ainda seja conseguir entender os nossos erros sem necessitar passar por sofrimentos. Se constantemente refletirmos sobre as nossas atitudes e nos aconselharmos com os sábios de Torá, poderemos fazer como fez o Reish Lakish, que mudou a direção de sua vida sem precisar passar por sofrimentos e dificuldades.
 
Uma vez que todas as nossas transgressões decorrem de uma deficiência na nossa Emuná e na confiança que temos na Providência Divina, se fortalecermos dentro de nós o fundamento de que Moshé e sua Torá são verdadeiros, nos aproximaremos de maneira genuína de D’us e garantiremos o mérito da vida eterna no Mundo Vindouro.

SHABAT SHALOM 

R’ Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
 
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z”L e Frade (Fany) bat Efraim Z”L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, 
R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l 

 
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp

sexta-feira, 12 de junho de 2026

O PODER DA VERDADE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT SHELACH 5786

BS"D
O e-mail desta semana é dedicado à Refua Shleima (pronta recuperação) de 

Esther Chava bat Sarah

Avraham Yaacov ben Miriam Chava


Luna Rachel bat Sara

Esther Luna bat Rachel


--------------------------------------------------------

O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de:


Sr. Nelson ben Luiza zt"l (Nissim ben Luna) 

Sr. Avraham Favel ben Arieh z"l 

Sra. Rachel bat Luna 


--------------------------------------------------------

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
efraimbirbojm@gmail.com.
NEWSLETTER R' EFRAIM BIRBOJM
NEWSLETTER EM PDF
NEWSLETTER EM PDF
 
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE YOM TOV


PARASHAT SHELACH 5786


         São Paulo: 17h08                 Rio de Janeiro: 16h55 

Belo Horizonte: 17h04                  Jerusalém: 19h05
Facebook
Facebook
Instagram
Instagram
YouTube
YouTube
Twitter
Twitter
Spotify
Spotify
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
BS"D

O PODER DA VERDADE - PARASHAT SHELACH 5786 (12/jun/26) 

“Havia, em uma pequena cidade, um comerciante conhecido por sua honestidade. Durante anos ele construiu uma reputação impecável. As pessoas confiavam nele sem hesitar. Até que, certo dia, um cliente habitual entrou na loja para comprar alguns quilos de farinha. Enquanto observava a pesagem, teve a impressão de que a balança estava marcando um pouco a menos do que deveria. Pensou em comentar, mas como não tinha certeza, desistiu. Afinal, conhecia o comerciante havia muitos anos. Nas semanas seguintes, voltou outras vezes e notou a mesma coisa. As diferenças eram muito pequenas, mas sempre favoreciam o vendedor. Por fim, resolveu falar:
 
- Posso lhe fazer uma pergunta? Você já verificou sua balança recentemente? Tenho a impressão de que ela está pesando um pouco menos do que deveria.
 
- Não creio – disse o comerciante, franzindo a testa - Se houvesse algum problema, eu teria percebido.
 
Mesmo assim, depois que o cliente foi embora, o comerciante decidiu conferir. Descobriu que, de fato, a balança estava desregulada. Mandou consertá-la imediatamente. Alguns dias depois, o mesmo cliente voltou. Ao perceber que a balança tinha sido ajustada, elogiou o comerciante. O cliente então perguntou:
 
- Como você não tinha percebido isso antes? Você trabalha aqui todos os dias!
 
O comerciante ficou em silêncio por alguns instantes. Então ele suspirou e disse:
 
- Para dizer a verdade, eu tinha percebido que ultimamente meus lucros estavam acima do normal. Eu estranhava, mas logo encontrava alguma explicação: talvez o movimento estivesse melhor, talvez estivesse comprando mercadoria por preços melhores, talvez estivesse administrando melhor. Agora entendo que eu não queria investigar muito a questão. Enquanto os resultados me favoreciam, era mais confortável aceitar as explicações do que fazer perguntas. Somente quando você apontou o problema é que fui obrigado a encarar a realidade.”
 
O problema muitas vezes não é desconhecer a verdade. O problema é que, enquanto a mentira nos traz alguma vantagem, encontramos argumentos para evitar enxergar a verdade que, no fundo, já conhecemos.

Nesta semana lemos a Parashat Shelach (literalmente “Envie”), que descreve um dos erros mais graves do povo judeu, com consequências trágicas para todas as futuras gerações: o pecado dos espiões. Pouco tempo depois de terem saído do Monte Sinai, o povo judeu finalmente se aproximou de Erets Israel. Mas eles cometeram um erro enorme: não confiaram em D’us. Apesar de Ele já ter prometido que nos daria a Terra de Israel, uma terra onde flui o leite e o mel, o povo insistiu em enviar espiões para verificar a terra. Dos doze espiões enviados, dez voltaram falando mal da terra, dizendo que seria impossível conquistá-la, enquanto apenas dois, Calev e Yehoshua, falaram bem da terra e insistiram que D’us nos ajudaria na conquista. O povo preferiu escutar aqueles que trouxeram informações negativas e choraram um choro amargo e desesperado. Aquele dia era Tishá Be Av, e ficou marcado como um dia de choro para todas as gerações, com muitas tragédias dentro do povo judeu.
 
Mas é difícil entender como uma geração de pessoas tão elevadas, que haviam recebido pessoalmente a Torá no Monte Sinai e presenciado milagres abertos, pudessem cometer uma falha tão grosseira. Eles eram conhecidos como “Dor HaDeá”, a geração do conhecimento! Então por que não confiaram em D’us?
 
Há um interessante Midrash que traz um pouco de luz e entendimento sobre o que realmente aconteceu. De acordo com o Midrash, o povo disse a Moshé: “Enviemos homens à nossa frente” (Devarim 1:22). Moshé então questionou: “Para que vocês querem enviar espiões?”. Para Moshé, era óbvio que não havia necessidade de nenhum esforço adicional. O povo respondeu: “D’us nos prometeu que entraremos em Eretz Knaan e herdaremos todas as riquezas deles. Porém, quando os habitantes ouvirem que estamos chegando, poderão tentar esconder seus bens. Então parecerá que a promessa de D’us não se cumpriu integralmente e o Nome Dele será manchado. Portanto, vamos enviar espiões para descobrir onde eles esconderam seus tesouros”. Quando Moshé ouviu isso, achou que era um bom argumento, como está escrito: “E a coisa pareceu boa aos meus olhos” (Devarim 1:23).
 
Segundo o Midrash, o povo não estava sendo hipócrita. As pessoas realmente estavam convencidas de que sua intenção ao enviar os espiões era apenas promover um Kidush Hashem, a santificação do Nome Divino. Aquela geração, que havia recebido pessoalmente a Torá no Har Sinai, apesar de toda a sua compreensão espiritual, não conseguiu percebeu seu próprio erro.
 
O mais incrível foi que nem mesmo Moshé conseguiu identificar que, no fundo, as intenções não eram puras. Mas como isso é possível? Moshé, com a grandeza de sua sabedoria, conseguia compreender cada pessoa em sua essência, incluindo as forças mais ocultas de sua alma. Ele discernia o caráter das pessoas através da sabedoria da fisionomia, chamada “Chochmat Hapartsuf”. Os judeus costumavam procurar Moshé para pedir orientação sobre seu Serviço particular a D’us. Moshé ensinava a cada um os conselhos e caminhos apropriados à sua situação específica. Então, como nem mesmo ele conseguiu perceber o erro presente na motivação do povo?
 
Devemos necessariamente concluir que o erro era tão sutil que nem mesmo Moshé conseguiu percebê-lo. Afinal, D’us responsabilizou o povo judeu pelo pecado dos espiões, mas não Moshé. Isso demonstra que, mesmo com a maior sabedoria possível, não se pode discernir todas as sutilezas das forças interiores da alma. Somente através da profecia seria possível esclarecê-las completamente. No caso dos espiões, D’us não quis revelar a Moshé a verdade por trás da iniciativa do povo, conforme o significado das palavras iniciais da nossa Parashá: “Shelach Lechá”, “Envie para você”, isto é, segundo o seu próprio entendimento. Por isso, apesar de toda a sua sabedoria, Moshé errou nessa sutileza, pois humanamente não tinha como percebê-la.
 
Mas desta explicação do Midrash surge então um enorme questionamento: se Moshé não foi responsabilizado por esse erro, já que não era possível entender que as verdadeiras intenções do plano de enviar espiões não eram realmente boas, então por que o povo judeu foi responsabilizado?
 
O Rav Eliyahu Dessler zt”l (Império Russo, 1892 - Israel, 1953) explica que uma das coisas que pode nos desviar dos caminhos corretos é o suborno, como a própria Torá afirma: “Pois o suborno cega os olhos dos sábios e perverte as palavras dos justos” (Devarim 16:19). Suborno não necessariamente significa aceitar uma certa quantia de dinheiro para fazer algo errado. Os nossos interesses também podem funcionar como suborno. Porém, uma vez que o suborno cega os olhos dos sábios e ninguém consegue enxergar suas próprias falhas, então como é possível distinguir a verdade? Afinal, em tudo o que escolhemos na vida, já possuímos algum envolvimento pessoal com um dos lados da questão!
 
A resposta é que o interesse pessoal não encobre completamente a verdade. Mesmo depois que o Yetzer Hará seduz a pessoa e a leva a pensar que o caminho da falsidade também é verdadeiro, ela continua sabendo, no íntimo, que o caminho da verdade é mais verdadeiro do que qualquer outra alternativa. É uma das grandes bondades de D’us o fato de Ele não ter concedido ao Yetzer Hará o poder de ocultar a verdade por completo. Toda pessoa é capaz de perceber em seu coração qual é o caminho da verdade pura. Da mesma forma que D’us disse sobre o povo judeu em relação aos nossos exílios físicos: “Não os rejeitei nem os desprezei para destruí-los” (Vaikrá 26:44), assim também ocorre no exílio da nossa alma: o reconhecimento da verdade jamais desaparece completamente, mesmo quando está exilado sob o domínio do Yetser Hará.
 
Por isso, a pessoa deve refletir constantemente e lembrar-se de que somente a verdade possui existência real. Tudo aquilo que se afasta dela é falsidade e não possui consistência verdadeira. Depois de enraizar em si essa percepção, deverá utilizar a reflexão, o aconselhamento com os nossos sábios e o temor a D’us para salvar-se da falsidade e distingui-la da verdade.
 
Aquele que examina suas ações sob essa perspectiva é chamado de alguém que tem um “olhar da verdade”. E há algo extraordinário nisso, pois nos ensina o quão grande é o poder desse “olhar da verdade” e, portanto, até que ponto a pessoa é responsável mesmo por um erro extremamente sutil, pois ela tem, em última instância, a possibilidade de esclarecê-lo através desse olhar, mesmo que o desvio seja algo extremamente sutil.
 
Com esta explicação do Rav Dessler podemos entender o motivo pelo qual o povo judeu foi castigado pelo pecado dos espiões. Mesmo um erro tão sutil, impossível de ser percebido por Moshé quando observava os outros, poderia ter sido percebido por cada uma das pessoas envolvidas através do seu próprio “olhar da verdade”, se eles realmente desejassem enxergá-lo. E por não terem feito isso, foram punidos de forma tão severa, a ponto de provocar o decreto do “choro para todas as gerações”.
 
Esta é uma lição muito preciosa para nós. Também somos enganados pelo Yetser Hará nas sutilezas das nossas escolhas. Muitas vezes achamos que estamos fazendo uma grande Mitsvá quando, na realidade, estamos nos afastando de D’us. Nossa tarefa é nos fortalecer constantemente na qualidade da verdade e nos apegar a ela, principalmente através da reflexão constante e do aconselhamento com os nossos sábios. Pois, quando a pessoa faz isso, o Yetzer Hará já não consegue mais enganá-la de forma alguma.

SHABAT SHALOM 

R’ Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
 
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z”L e Frade (Fany) bat Efraim Z”L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, 
R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l 

 
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp