sexta-feira, 15 de maio de 2026

VIVENDO PELA TORÁ - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT BAMIDBAR 5786

BS"D
O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de:
Naomi Hava bat Moshe Arie Leib z"l
O e-mail desta semana é dedicado à Refua Shleima (pronta recuperação) de 

Avraham Yaacov ben Miriam Chava

Luna Rachel bat Sara

Esther Luna bat Rachel


--------------------------------------------------------

O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de:


Sr. Nelson ben Luiza zt"l (Nissim ben Luna) 

Sr. Avraham Favel ben Arieh z"l 

Sra. Rachel bat Luna 


--------------------------------------------------------

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
efraimbirbojm@gmail.com.
NEWSLETTER R' EFRAIM BIRBOJM
NEWSLETTER EM PDF
NEWSLETTER EM PDF
 
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT


PARASHAT BAMIDBAR



         São Paulo: 17h12                 Rio de Janeiro: 16h59 

Belo Horizonte: 17h07                  Jerusalém: 18h49
Facebook
Facebook
Instagram
Instagram
YouTube
YouTube
Twitter
Twitter
Spotify
Spotify
ASSUNTOS DA PARASHAT BAMIDBAR
  • O comando do censo do povo judeu (20 a 60 anos)
  • Escolha dos líderes de cada Tribo.
  • Início do censo por Tribos.
  • Os Leviim.
  • O acampamento: Yehudá (Yehudá, Issach, Zevulun) no Leste, Reuven (Reuven, Shimon, Gad) no Sul.
  • O Mishkan durante as viagens.
  • Efraim (Efraim, Menashe e Biniamin) no Oeste, Dan (Dan, Asher, Naftali) no Norte.
  • Total.
  • Genealogia de Moshé e Aharon.
  • Status dos Leviim.
  • Censo dos Leviim: Guershon, Kehat e Merari.
  • Censo dos Primogênitos.
  • Substituindo os Primogênitos pelos Leviim (Redenção dos Primogênitos).
  • Funções para Kehat: carregar utensílios do Mishkan.
  • Precauções para os Kehatim.
 
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
BS"D

VIVENDO PELA TORÁ - PARASHAT BAMIDBAR 5786 (15/mai/26)

Uma das mais fortes e documentadas histórias sobre Messirut Nefesh no estudo da Torá, isto é, um grau de dedicação plena, aconteceu com os alunos do Rav Meir Shapira zt”l (Império Austro-húngaro,1887 - Polônia, 1933), estudantes da Yeshivat Chachmei Lublin, durante os anos terríveis do Holocausto.
 
Quando os nazistas começaram a destruir o mundo judaico da Polônia, muitos jovens ficaram sem comida, sem família e sem qualquer estabilidade emocional. Em várias cidades, as Yeshivót foram fechadas à força. Havia uma fome devastadora. Pessoas vendiam os últimos objetos de casa por um pedaço de pão.
 
Entre os sobreviventes, há relatos impressionantes de rapazes que continuavam a estudar Guemará escondidos em porões, sótãos e campos de trabalho. Um deles contou que certa vez conseguiu um pedaço pequeno de pão depois de dias praticamente sem comer nada. Enquanto se preparava para comer, percebeu outro rapaz sentado em um canto, repetindo baixinho um Tossafot de memória. Ele não conseguiu se conter e perguntou:
 
- Você não come há dias. Como consegue estudar agora?
 
- Se o corpo está faminto - o outro rapaz respondeu, com palavras que mais tarde se tornariam famosas entre os sobreviventes - então é justamente a alma que precisa comer.
 
Em outra ocasião, alguns alunos da Yeshivá conseguiram esconder um volume de Guemará rasgado e sem capa. Cada grupo ficava com o livro por algumas horas e depois o passava secretamente para outro grupo. As páginas estavam tão gastas de tanto serem manuseadas que começaram literalmente a se desfazer nas mãos dos rapazes. Anos depois, um dos sobreviventes disse:
 
- As pessoas pensavam que nós estudávamos Torá porque éramos fortes. A verdade era o contrário: sobrevivíamos porque estudávamos Torá.”
 
Essa talvez seja uma das definições mais profundas de “Messirut Nefesh pela Torá”: não apenas estar disposto a morrer pela Torá, mas viver por ela, mesmo quando tudo ao redor conspira para arrancá-la de nós. Mesmo quando o mundo inteiro afundava, o vínculo com a Torá permaneceu mais forte que o caos ao redor.

Nesta semana começamos o quarto livro da Torá, Bamidbar, que descreve os principais acontecimentos do povo judeu a partir do segundo ano no deserto. O Sefer Bamidbar traz muitos acontecimentos importantes, como a transgressão dos espiões, que causou o decreto de permanência por 40 anos no deserto.
 
A Parashat Bamidbar (literalmente “No deserto”) traz a contagem do povo judeu e a ordem das Tribos durante as viagens. A Parashá começa com as seguintes palavras: “E disse D’us a Moshé no deserto do Sinai” (Bamidbar 1:1). Baseado neste versículo, nossos sábios fazem uma pergunta interessante: por que D’us escolheu justamente o deserto, um lugar inóspito, distante da civilização, completamente vazio, como local para nos entregar a Torá? Por que Ele não nos entregou a Torá na Terra de Israel, onde está o principal cumprimento das Mitsvót?
 
O Rav Yehuda Assad zt”l (Império Austro-húngaro, 1794 - 1866) explica que com três coisas a Torá foi adquirida: com fogo, com água e com deserto. Nestas três coisas há uma alusão de como deve ser o Serviço espiritual do ser humano. O fogo simboliza o calor, e nos ensina que o ser humano deve cumprir as Mitsvót com fervor e entusiasmo. Já a água alude à frieza, e nos ensina que quando desperta no homem o fogo dos desejos, ele deve ser frio para manter o autocontrole. E o deserto vem nos ensinar que, quando nos encontramos em companhia de pessoas que falam coisas fúteis e vazias, mesmo que não sejam coisas proibidas, devemos permanecer silenciosos, como um deserto, e não participar destes tipos de conversas.
 
Porém, saber utilizar estes traços de caráter não é algo fácil. A palavra em hebraico para “traços de caráter” é “Midót”, que também significa “medidas”. Para um traço de caráter estar de acordo com a vontade de D’us, ele deve estar na medida certa. Mesmo bons traços de caráter podem afastar a pessoa dos caminhos corretos quando utilizados da forma ou em momentos incorretos, e mesmo traços de caráter ruins podem nos aproximar de D’us se forem utilizados da maneira e nos momentos corretos.
 
O mesmo se aplica em relação ao “calor” e ao “frio”. Muitas vezes o Yetser Hará nos engana e nos faz errar na dose. Em vez de usar a frieza em relação às transgressões e desejos, acabamos utilizando-a no cumprimento das Mitsvót. É o que ocorre, por exemplo, quando deixamos a nossa Tefilá em “piloto automático” e rezamos com frieza, sem nenhuma empolgação, esquecendo que estamos diante do Criador do universo. Também acontece quando cumprimos as Mitsvót sem vontade, apenas para “sair da obrigação”. Outras vezes, ao invés de usar o calor para cumprir as Mitsvót com mais fervor, acabamos utilizando-o para fazer transgressões com grande entusiasmo e para nos entregar aos nossos desejos. Isso ocorre, por exemplo, quando comemos de forma exagerada, mesmo quando a comida é Kasher, apenas pela falta de controle.
 
Desta maneira podemos explicar as palavras do mais sábio de todos os homens, Shlomo Hamelech: “Espinhos e armadilhas estão no caminho tortuoso; quem guarda sua alma se afasta deles” (Mishlei 22:5). “Espinhos” (Tsinim) se refere ao frio. “Armadilhas” (Pachim) se refere ao calor. “No caminho tortuoso” se refere àquele que não sabe quando e qual medida usar. “Quem guarda sua alma se afasta deles”, pois a pessoa que não utiliza seus traços de caráter da maneira correta pode acabar comprometendo sua alma e seu Mundo Vindouro.
 
Assim também podemos explicar as palavras do profeta: “A justiça nela repousava, e agora há assassinos” (Yeshayahu 1:21). “A justiça nela repousava” significa que, em relação aos atos de bondade e justiça, a pessoa segue o caminho do “repouso”; isto é, adia a realização das suas boas ações, empurrando-as com desculpas diversas, como “vamos ver” e “quem sabe”. Porém, quando se trata de atos negativos, como por exemplo o assassinato, ela corre imediatamente para praticá-los, como está escrito “e agora há assassinos”, isto é, agora, imediatamente, não depois. Exatamente o contrário do que deveríamos fazer. Embora a maioria das pessoas não comete assassinatos, sentimos esta “empolgação”, por exemplo, quando queremos falar Lashon Hará.
 
Assim também ocorre na questão da humildade e do orgulho. Em todos os assuntos na vida o homem deve conduzir-se com humildade, exceto no Serviço a D’us, onde ele deve ser forte e seguro de si. Entretanto, as pessoas agem exatamente ao contrário: quando se trata do Serviço Divino, de repente as pessoas se tornam humildes e submissas. Quando a pessoa não quer estudar Torá ou cumprir Mitsvót, ela diz “com humildade”: “Eu não estou no nível necessário para estudar e conhecer todos os Tratados do Talmud, então talvez seja melhor nem começar”, ou “não sou digno de ser um grande estudante, então por que me esforçar?”. Na verdade, a pessoa se transforma em “humilde” por causa dos seus desejos. Foi isso, portanto, que disseram nossos Sábios: “Através de três coisas a Torá é adquirida: fogo, água e deserto”. O homem precisa saber quando e onde usar o fogo e a água. Do mesmo modo, deve saber como e quando usar o “deserto”, que simboliza o temor aos Céus. A falsa humildade, fantasiada de “temor aos Céus”, pode nos afastar de D’us.
 
Há outro aspecto interessante relacionado ao fato de a Torá ter sido entregue no deserto e não na Terra de Israel. Ensina o Rav Yossef Shalom Elyashiv zt”l (Lituânia, 1910 - Israel, 2012) que no deserto não há presença humana e, sem os milagres que D’us realizou para o povo judeu, eles não teriam conseguido sobreviver, como está escrito: “Aquele que te conduziu pelo grande e temível deserto, de serpente venenosa e escorpião, e sede onde não havia água” (Devarim 8:15).
 
Além disso, no próprio momento da entrega da Torá, todas as forças da criação se uniram diante do povo judeu, por meio da água e do fogo, dos trovões, relâmpagos e da fumaça que havia sobre o Monte Sinai. E isso vem nos ensinar que, assim como a Torá foi dada em um lugar de perigo e em condições extremamente difíceis para a sobrevivência humana, assim também o povo judeu está obrigado a cumprir a Torá e guardar suas Mitsvót em qualquer situação, e nenhuma dificuldade do mundo pode servir como desculpa para isentar a pessoa da Torá.
 
Nossos sábios explicam que o contrário também é verdade. Se apesar de todas as dificuldades a pessoa não se enfraquecer no estudo da Torá e no cumprimento das Mitsvót, está garantido que D’us a ajudará e a salvará de toda aflição e angústia, sustentando-a em todas as dificuldades e provações que surgirem em seu caminho, assim como o povo judeu pôde viver no deserto inóspito através de milagres. Mesmo nas piores épocas da nossa história, sempre houve aqueles que continuaram a se dedicar ao estudo da Torá dia e noite. E a Torá trouxe vida para elas.
 
Assim ensina o Rambam (Espanha, 1135 – Egito, 1204): “Todo homem do povo judeu está obrigado ao estudo da Torá, seja pobre ou rico, seja saudável ou sofredor, seja jovem ou muito idoso. Mesmo um pobre que vive de esmolas, mesmo alguém casado e com filhos, é obrigado a estabelecer tempos fixos para o estudo da Torá de dia e de noite”. Se isso vale nas dificuldades, muito mais em nossa geração, na qual temos total liberdade de cumprir as Mitsvót e de nos dedicar ao estudo da Torá. As gerações passadas estudavam Torá mesmo em condições de Messirut Nefesh, estavam dispostos a morrer pela Torá. Que possamos, ao menos, estar dispostos a viver por ela.

SHABAT SHALOM
 

R’ Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
 
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z”L e Frade (Fany) bat Efraim Z”L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, 
R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l 

 
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp

sexta-feira, 8 de maio de 2026

LEMBRE-SE QUE NÃO É SEU - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI 5786

BS"D
O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de:

Sra. Libi bat Hersch HaCohen z"l 
O e-mail desta semana é dedicado à Refua Shleima (pronta recuperação) de 

Avraham Yaacov ben Miriam Chava

Luna Rachel bat Sara

Esther Luna bat Rachel


--------------------------------------------------------

O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de:


Sr. Nelson ben Luiza z"l (Nissim ben Luna) 

Sr. Avraham Favel ben Arieh z"l 

Sra. Rachel bat Luna z"l


--------------------------------------------------------

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
efraimbirbojm@gmail.com.
NEWSLETTER R' EFRAIM BIRBOJM
NEWSLETTER EM PDF
NEWSLETTER EM PDF
 
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT


PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI



         São Paulo: 17h16                 Rio de Janeiro: 17h03 

Belo Horizonte: 17h10                  Jerusalém: 18h44
Facebook
Facebook
Instagram
Instagram
YouTube
YouTube
Twitter
Twitter
Spotify
Spotify
ASSUNTOS DAS PARASHIÓT
PARASHAT BEHAR
  • Shmitá.
  • Yovel e o toque do Shofar em Yom Kipur.
  • Proibição de causar sofrimento (Onaát Mamon e Devarim).
  • Venda e Resgate da terra em Israel.
  • Casas em cidades muradas.
  • Casas nas Cidades dos Leviim.
  • Ajuda aos necessitados.
  • Leis dos escravos.
  • Resgate de escravos das mãos de Goim.
 
PARASHAT BECHUKOTAI
  • Recompensas pela obediência.
  • Advertência e Passos de afastamento espiritual.
  • Punições por desobediência (5 séries de advertências).
  • Destruição e arrependimento.
  • Conclusão das advertências e consolo.
  • Avaliações de doações ao Kodesh.
  • Doações de animais e imóveis para o Mishkan e resgate.
  • Maasser de animais.
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
BS"D

LEMBRE-SE QUE NÃO É SEU - PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI 5786 (08/mai/26)

Certa vez, um homem procurou o Rav Moshe Feinstein zt”l (Império Russo, 1895 - EUA, 1986) com uma pergunta Haláchica. Porém, o rabino logo percebeu que a pergunta escondia uma questão muito mais profunda. Tratava-se de um homem de negócios muito bem-sucedido, que havia acumulado durante sua vida uma fortuna significativa. Ele queria fazer uma grande doação para uma instituição de Torá, mas havia um detalhe que o incomodava. Sentado diante do rabino, ele explicou seu dilema:
 
- Rav, eu estou disposto a doar uma quantia muito grande para certa instituição, mas gostaria de ter certeza que o dinheiro será usado exatamente da forma que eu considero correta. Pois, no final das contas, o dinheiro é meu e eu faço com ele o que eu bem entender. Como devo proceder?
 
O Rav Moshe Feinstein não respondeu imediatamente. Ele olhou para o homem com atenção, como alguém que não escuta apenas as palavras pronunciadas, mas também o sentimento que estava por trás delas. Após alguns instantes, o rabino disse calmamente:
 
- Se é realmente o seu dinheiro, então você tem razão. Você pode decidir exatamente o que fazer com ele e como ele deve ser utilizado.
 
O homem balançou a cabeça positivamente, sentindo-se compreendido e validado. Entretanto, o Rav Moshe Feinstein continuou:
 
- Mas precisamos esclarecer uma coisa antes. Esse dinheiro é realmente seu? Como ele chegou até você? Você criou as oportunidades? Você controlou as circunstâncias? Você garantiu o sucesso?
 
O homem ficou em silêncio. Já havia entendido onde o Rav Moshe Feinstein queria chegar. O rabino então concluiu:
 
- Se você reconhece que tudo isso veio de D’us, então o dinheiro não é propriamente seu. Ele foi colocado em suas mãos. E, nesse caso, a pergunta muda completamente. A pergunta não é: “O que eu quero fazer com o meu dinheiro”, e sim “Para que uso D’us me confiou esse dinheiro?” ”
 
O ser humano muitas vezes acredita que tudo o que ele tem é fruto exclusivo de suas próprias forças. Vem a Torá e nos ensina que nada é nosso de verdade e, portanto, somos responsáveis por fazer bom uso do que D'us nos deu.

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Behar (literalmente “No monte”) e Bechukotai (literalmente “Nos Meus estatutos”). A Parashat Behar trata principalmente da Mitzvá de Shmitá, o Ano Sabático, no qual os judeus deixam seus campos descansarem por um ano inteiro após seis anos de trabalho. É uma Mitzvá que envolve muita Emuná, a confiança plena em D’us de que, mesmo parando de trabalhar no campo por um ano inteiro, nada nos faltaria. Em gerações passadas, nas quais a base da economia era a agricultura, o teste era ainda mais difícil. Já a Parashat Bechukotai traz as Brachót destinadas ao povo judeu no caso de eles cumprirem as Mitzvót da Torá, e as maldições que nos atingiriam caso nos desviássemos dos caminhos corretos.
 
Sobre a Mitzvá de Shmitá, a Torá nos diz: “Quando você vier à terra que Eu dou a vocês, a terra descansará um Shabat para D’us” (Vayikrá 25:2). Esta foi uma das Mitzvót que foram iniciadas apenas após a entrada do povo judeu na Terra de Israel, sua conquista e a divisão da terra entre todas as Tribos.
 
Porém, o que significa a linguagem “um Shabat para D’us”? Explica Rashi
(França, 1040 - 1105) que é em honra de D’us, assim como foi dito em relação ao Shabat, como está escrito “Shabat para Hashem, teu D’us” (Devarim 5:14). Mas o que há de especial no Shabat e no ano de Shemitá, que neles é utilizada a expressão “para D’us”? E qual é a conexão entre a Shemitá e o Shabat?
 
O Rav Yerucham Leibovitz zt”l (Bielorússia, 1873 - 1936) estabelece um princípio fundamental: o objetivo das Mitsvót é que o ser humano reconheça que tem um Criador que governa sobre ele. Por exemplo, depois que D’us deu terras a uma pessoa, ela pode facilmente pensar que a terra é sua, que ele é o proprietário absoluto, e acabar esquecendo de D’us. Para evitar esse esquecimento, D’us cercou todas as ações e movimentos do ser humano com Mitsvót.
 
O Rav Avraham ben David zt”l (França, 1125 - 1198), mais conhecido como Raeved, traz diversos exemplos: quando D’us concede ao homem um campo, Ele o vincula a várias leis, em todas as fases de trabalho da terra, desde a aragem até a colheita. É proibido arar com um boi e um jumento juntos e é proibido semear misturas (Kilaim). Na colheita, devemos cuidar das leis de Orlá e Neta Revai, isto é, alguns anos após o plantio nos quais ainda não podemos ter benefício das frutas. Devemos deixar a Peá, os cantos do campo intactos, para que os pobres possam vir recolher. As espigas que caem tornam-se Léket, também deixados para alimentar os pobres. Ao recolher os feixes, caso se esqueça de um deles, não pode voltar para pegá-lo (Shichechá), ele deve ser deixado aos pobres. Depois da colheita, já no celeiro, há as obrigações de Terumot e Maassrot, separar partes da produção para os Cohanim e Leviim. Em seguida, temos a Mitsvá de Chalá, que é separar para o Cohen uma parte da massa. Além disso, antes e depois de comer devemos fazer Brachót, pedindo permissão a D’us para usufruirmos do que pertence a Ele e agradecendo pelo proveito recebido. Estes são apenas alguns exemplos dentre as dezenas de Mitsvót relacionadas com o campo.
 
Também nas nossas vestimentas temos muitas leis. Fomos ordenados a não misturar lã com linho (Shaatnez), e uma roupa com quatro cantos exige que os cantos recebam fios de Tsitsit. Em relação aos nossos animais, há leis como não cruzar espécies, o resgate do primogênito do jumento e a doação do primogênito dos animais puros ao Cohen. Temos também Mitzvót que se aplicam diretamente ao nosso corpo, como a Mitsvá de Brit Milá. Isso nos ensina que não somos donos nem mesmo do nosso corpo, já que não fomos nós que o criamos. Há também leis específicas que regulamentam o nosso tempo, como o Shabat, as Festas, o Rosh Chodesh, e assim por diante.
 
Cada Mitzvá tem um efeito único e especial sobre o nosso corpo e a nossa alma. Porém, um ponto em comum entre todas as Mitsvót é que elas nos transmitem uma importante mensagem. A Shemitá nos ensina que a terra não é verdadeiramente nossa. Peá, Léket e Shichechá nos ensinam que nem toda a produção é nossa, e que o verdadeiro Dono da produção nos ordena a dar parte dela aos necessitados. O Brit Milá nos ensina que o corpo não é nosso, isto é, não posso fazer com meu corpo o que eu bem entender, o que nos afasta do pensamento equivocado de “meu corpo, minhas leis”. E o Shabat nos ensina que nem mesmo o tempo é realmente nosso. A Torá vem desfazer a nossa ilusão de “A minha força e o poder da minha mão fizeram para mim esta riqueza” (Devarim 8:17).
 
Esse é, na verdade, o fundamento da Parashat Behar: “Quando você vier à terra que Eu dou a vocês”. A Torá enfatiza “que Eu dou a vocês”, para nos ensinar que, embora D’us nos conceda a terra como presente, podemos cair no erro de pensar que somos seus donos desde sempre e esquecer de D’us, Aquele a Quem tudo pertence. Por isso Ele ordenou: “a terra descansará um Shabat para D’us”. A terra pertence a D’us, que foi Quem criou os céus e a terra, o Criador de todo o universo. Somos apenas trabalhadores temporários, com permissão para usufruirmos do que Ele nos concedeu, mas com a responsabilidade de utilizar nossos presentes da forma correta. Por isso, no ano de Shemitá, a terra torna-se livre: não podemos arar nem semear. Nesta situação de vulnerabilidade, lembramos que não somos verdadeiramente donos de nada.
 
Esse também é o sentido de “um Shabat para Hashem” dito sobre o Shabat semanal. Não se trata apenas de agir “em honra de D’us”, mas de reconhecer uma realidade: o homem, nesse dia, se desprende de sua sensação de domínio. Durante seis dias ele trabalha e pode pensar que “sua força e o poder de sua mão” produziram sua riqueza. O Shabat vem para interromper isso. É um dia totalmente separado, sem trabalhos criativos, dedicado a D’us e à nossa espiritualidade. E, mesmo parados, sem criar nada, percebemos que o mundo continua, que ele não depende de nós para existir. Isso diminui nossa arrogância e nos aproxima de D’us.
 
Assim se entende o ensinamento citado por Rashi: o ponto comum entre o Shabat e a Shemitá é a anulação da sensação de propriedade que o homem normalmente desenvolve. Ambas conduzem o ser humano ao objetivo geral das Mitsvót, conforme explicou o Raeved: “Para que o homem saiba que tem um Criador que governa sobre ele”, e que a terra e tudo o que nela existe pertencem, em última instância, a D’us.
 
Isso obviamente não se aplica apenas ao Shabat ou ao trabalho na terra, mas a tudo o que nós temos. Isso nos ensina uma nova forma de como viver a vida. Muitos traços de caráter e comportamentos negativos são consequência de olharmos as nossas posses de forma equivocada. Aquele que se acha o verdadeiro dono de tudo o que tem acaba se tornando orgulhoso, egoísta e materialista. A solução é sabermos quem é o verdadeiro Dono, e lembrar que somos apenas Seus intermediários. Assim, usaremos o que Ele nos presenteou apenas para fazer o bem, cumprindo as Mitzvót, sendo pessoas corretas e ajudando os necessitados, sempre com responsabilidade.

SHABAT SHALOM 

R’ Efraim Birbojm

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
 
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z”L e Frade (Fany) bat Efraim Z”L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, 
R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l 

 
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp