quinta-feira, 10 de setembro de 2026

SANTIDADE POR UM FIO - SHABAT SHALOM M@IL - ROSH HASHANÁ 5787

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SANTIDADE POR UM FIO - ROSH HASHANÁ 5787 (11/set/26) 

Certo dia, um homem de aproximadamente cinquenta anos entrou em uma Yeshivá para Baalei Teshuvá em Erets Israel, aproximou-se de um dos rabinos e disse: “Finalmente cheguei e estou pronto. Por favor, me ensine Torá”. O rabino o recebeu calorosamente, mas perguntou o que ele queria dizer ao afirmar “finalmente cheguei”. O homem então compartilhou sua extraordinária história:
 
- Minha mãe era uma sobrevivente do Holocausto que havia perdido toda a sua família. Desolada e sozinha, decidiu ir para Erets Israel, onde conheceu meu pai e experimentou, pela primeira vez, sentimentos de pertencimento. Casaram-se e mudaram para Tel Aviv. Pouco tempo depois tiveram a mim, e parecia que a vida dela finalmente começava a entrar nos trilhos. Mas, certo dia, inesperadamente, meu pai faleceu.
 
- Mais uma vez, minha mãe estava sozinha - continuou o senhor - mas, dessa vez, com uma criança pequena para cuidar. Infelizmente, ela não tinha condições emocionais nem recursos financeiros para cuidar de mim. Por isso, tomou a difícil decisão de me enviar a um orfanato. O mais próximo ficava em Bnei Brak e, embora ela não soubesse, havia me enviado para o “Ponevezh Batei Avos”, sob os cuidados do incansável Ponevezher Rav. Fui colocado sob os cuidados de uma equipe amorosa e dedicada, e floresci emocional e espiritualmente.
 
- Durante os primeiros meses, minha mãe não veio me visitar; provavelmente estava lidando com o próprio luto - o homem seguia falando, cada vez mais emocionado - Mas, certo dia, ela veio me visitar, e ficou chocada quando percebeu que havia me enviado para uma instituição religiosa. Imediatamente informou à equipe que iria me tirar de lá, pois jamais permitiria que seu filho recebesse uma educação religiosa. A equipe implorou, mas ela permaneceu irredutível. Naquele mesmo dia, ela me levou embora para Tel Aviv.
 
- Quando o Ponevezher Rav soube o que havia acontecido, ficou devastado - seguiu contando o homem - Ele vinha acompanhando meu progresso e compreendia o quanto seria prejudicial eu me separar da Torá. Na manhã seguinte, ele viajou até Tel Aviv e bateu à nossa porta. Minha mãe ficou bastante surpresa ao se deparar com aquele rabino de aparência tão sagrada. Ela o recebeu e ofereceu-lhe um lugar para sentar. O Rav fez tudo o que pôde para convencer minha mãe de que meu retorno ao orfanato seria o melhor caminho para mim. Explicou que era justamente a inspiração da Torá que proporcionava o calor humano e os cuidados daquela instituição. Minha mãe, porém, não se deixou convencer e insistiu que não havia possibilidade de eu voltar. O Ponevezher Rav ficou arrasado. Então, fez algo que eu jamais esquecerei enquanto viver. Ele colocou a cabeça sobre a mesa da cozinha e começou a soluçar inconsolavelmente. Durante dez longos minutos, o Rav chorou sem qualquer constrangimento. Todo o seu corpo tremia de profunda tristeza. Depois disso, ele enxugou os olhos, ajeitou o chapéu e o fraque e, calma e educadamente, saiu pela porta da frente.
 
- Por quase cinquenta anos, aquelas lágrimas nunca me deixaram - concluiu o senhor - Elas me acompanharam a cada passo da minha vida. Eu sempre soube, no fundo do meu coração, que aquelas lágrimas um dia me conduziriam de volta a tudo aquilo que o Ponevezher Rav representava. Minha jornada foi longa e complicada, mas finalmente estou pronto para voltar para casa!”
 
Pessoas podem passar uma vida inteira distantes da Kedushá. Mas, em algum lugar dentro delas, ainda há algo vivo. E uma única fagulha é suficiente para reacender um coração adormecido.

 

Este Shabat coincide com um dos dias mais solenes do Calendário Judaico: Rosh Hashaná, dia no qual todos os nossos atos passam diante de D’us. Rosh Hashaná é o início de um período chamado “Asseret Yemei Teshuvá” (Os 10 dias de arrependimento), que culminam com Yom Kipur, “o Dia da Expiação”. Esse detalhe desperta uma famosa pergunta: por que Rosh Hashaná vem antes de Yom Kipur? Logicamente, pareceria fazer mais sentido, e certamente seria mais vantajoso para nós, que o dia cheio de Misericórdia, quando somos perdoados por nossos pecados, precedesse o dia em que somos julgados por esses pecados!
 
O Rav Shimon Schwab zt”l (Alemanha, 1908 - EUA, 1995) responde a essa pergunta baseando-se em uma famosa passagem do Sefer Yehoshua. A primeira cidade conquistada por Yehoshua após entrar na Terra de Israel foi Yerichó. Era uma conquista importante e simbólica. Yehoshua enviou espiões para explorar a terra e, principalmente, trazer notícias sobre como os habitantes estavam sentindo a aproximação do povo judeu. Os espiões permaneceram na casa de uma mulher chamada Rachav. Ela os acolheu, os escondeu e os ajudou a escapar dos guardas quando se espalhou a notícia sobre a presença deles na cidade. Como os portões da cidade haviam sido trancados, ela os instruiu a escaparem através da janela, pendurados em uma corda, já que a casa dela ficava sobre o muro da cidade e a janela em questão estava voltada para o lado de fora.
 
Mas quem era exatamente esta mulher? Alguns comentaristas a descrevem como sendo a dona de uma hospedaria, frequentada pelos habitantes da cidade, baseando-se na semelhança entre a palavra utilizada no Tanach e a palavra “Mazon”, que significa “alimento”. Mas o próprio Talmud (Zevachim 116b) dá a entender que a leitura simples dos versículos é que Rachav era uma mulher de má reputação, pois a palavra utilizada pelo Tanach é uma derivação de “Zenut”, que significa “algo imoral”.
 
Rachav forneceu aos espiões as informações que eles queriam ouvir: “Eu sei que D’us lhes deu a terra, e que o seu temor caiu sobre nós... não restou mais espírito em nenhum homem” (Yehoshua 2:9,11). O Talmud (Zevachim 116a) então questiona como Rachav sabia esta informação, e responde que era com base em seu conhecimento pessoal. Ela havia vivido sem valores morais desde os dez anos de idade. Esse foi seu estilo de vida durante todos os quarenta anos em que os judeus vagaram pelo deserto. Durante esse período, não havia príncipe ou governante da região que não passasse por sua casa.
 
Naquele momento, aos cinquenta anos de idade, Rachav se arrependeu e se converteu ao judaísmo. Ela confessou a D’us que, durante seus anos de pecado, utilizava três recursos para trazer secretamente as pessoas para dentro e para fora de sua residência: a corda, a janela e o muro. Portanto, agora ela utilizou esses mesmos três elementos para ajudar os espiões a escaparem sem serem percebidos pelos guardas da cidade, salvando assim suas vidas. Ela pediu a D’us que fosse perdoada pelo uso inadequado que havia feito daqueles objetos, pelo mérito de que agora arriscava sua própria vida e os utilizava por uma razão digna.
 
Mas deste ensinamento surge uma pergunta interessante: o que significa que Rachav utilizava a corda, a janela e o muro para que as pessoas pecassem? Ela administrou uma casa de má reputação durante quarenta anos! Todos sabiam exatamente o que havia naquela casa. Não havia nenhuma razão para ter uma entrada secreta. Depois de quarenta anos, quem esses príncipes e reis estavam tentando enganar? O que estavam tentando esconder? Todos conheciam Rachav, uma mulher de comportamento imoral, e como era sua casa!
 
De acordo com o Rav Schwab, o Talmud está nos ensinando um dos fundamentos da Teshuvá. O que inspirou Rachav a fazer Teshuvá? O fato de ela ter percebido que, mesmo após quarenta anos no negócio, ainda havia pessoas com vergonha de entrar pela porta da frente de sua casa. Ainda havia pessoas com um mínimo de dignidade. Elas possuíam algum grau latente de moralidade que, ao menos, as impedia de cometer pecados de maneira aberta. Apesar de ser uma sociedade imoral, ainda havia indivíduos que possuíam ao menos um sentimento de culpa, um lembrete de que possuíam um “Tzelem Elokim” (Imagem Divina).
 
O Rav Yssocher Frand shlita explica que esse é o segredo da Teshuvá. Se eu acreditar que sou completamente sem valor, então não posso sequer começar a pensar em arrependimento. A Teshuvá só pode começar se eu não desistir de mim mesmo. Quando percebo que, em algum lugar profundo dentro de mim, ainda existe a dignidade humana, ainda existe algo sagrado, então posso utilizar esse sentimento para começar a jornada pelo caminho da Teshuvá. É isso que Rachav quis dizer quando se referiu à corda, à janela e ao muro.
 
Nossos sábios afirmam: “Não seja perverso aos seus próprios olhos” (Avót 2:13). É por isso que Rosh Hashaná deve preceder Yom Kipur. Para que uma pessoa possa iniciar o processo de Teshuvá, ela precisa primeiro perceber que possui valor. Ela precisa saber que é parte do povo judeu, que tem um Rei, e que é serva deste Rei. Sim, talvez eu não tenha sido um servo muito bom, mas pelo menos posso dizer que sou Seu servo. Se começássemos os “Asseret Yemei Teshuvá” simplesmente confessando todos os pecados que cometemos, nos sentiríamos esmagados pela nossa própria falta de valor. Por isso, a percepção de que existe um Rei, de que eu sou Seu servo e, portanto, de que possuo valor próprio, é um pré-requisito para o processo de Teshuvá.
 
Rachav viveu de forma imoral durante quarenta anos, mas depois da Teshuvá casou-se com Yehoshua bin Nun, o maior homem de sua geração. Tudo começou com sua reflexão sobre o muro, a corda e a janela, isto é, com o reconhecimento de que o ser humano, apesar de todos os seus erros, ainda possui santidade. Esse deve ser o início do caminho para a nossa Teshuvá. 

SHABAT SHALOM E SHANÁ TOVÁ – QUE SEJAMOS INSCRITOS E SELADOS NO LIVRO DA VIDA 

R’ Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

UM SÓ HOMEM, UM SÓ CORAÇÃO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIOT NITSAVIM E VAYELECH 5786

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NITSAVIM
  • Renovação do Pacto.
  • Advertência contra idolatria.
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  • A Torá é acessível a todos.
  • Livre-Arbítrio.



 
VAYELECH
  • Preparação para nova liderança.
  • Yehoshua.
  • Hakel e a leitura do Sefer Devarim pelo Rei de Israel.
  • Preparativos finais de Moshé.
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UM SÓ HOMEM, UM SÓ CORAÇÃO - PARASHIOT NITSAVIM E VAYELECH 5786 (04/set/26)

“O ano era 1911. Uma notícia se espalhou pelas comunidades judaicas da Rússia: Mendel Beilis, um judeu comum de Kiev, havia sido preso e acusado de um crime hediondo: assassinar uma criança cristã para usar seu sangue na preparação de Matsót. Era o velho “libelo de sangue”, ressuscitado com toda a força. Mas todos sabiam que não se tratava apenas do destino de um homem. O destino de todo o povo judeu estava em jogo.
 
Em meio à angústia geral, o Rav Meir Shapiro de Lublin zt”l (Império Austro-húngaro, 1887 - Polônia, 1933) não ficou parado. Ele entrou em contato com o rabino-chefe de Moscou, o Rav Yaacov Mazeh zt”l (Bielorrússia, 1859 - Rússia, 1924), fornecendo elementos para desmontar os argumentos da acusação, que apontavam o próprio Talmud como incitador ao ódio. A “prova” central da acusação era um ensinamento do Rabi Shimon bar Yochai (Yevamot 61a): “os judeus são chamados de ‘Adam’ (ser humano), mas as nações do mundo não”. Os promotores a liam como uma suposta declaração de superioridade racial, como se apenas os judeus fossem seres humanos, enquanto as nações fossem uma categoria inferior. Porém, o Rav Shapiro tinha uma leitura bem diferente. Ele pediu ao Rav Mazeh que levasse essa interpretação ao tribunal e ao júri.
 
- Existe entre nós um princípio, ensinada pelo Talmud (Shevuot 39a) - explicou o Rav Mazeh, diante dos juízes - de que “todos os judeus são fiadores uns dos outros”. Por isso, o destino de um único Mendel Beilis não pertence só a ele. Pertence a todo o povo judeu, que se levanta, se preocupa e não descansa até vê-lo livre.
 
Ele lançou, então, a pergunta que desarmaria a acusação:
 
- Se um gentio, em algum país distante, fosse julgado sob uma falsa acusação parecida, o que aconteceria? Quem se importaria? Talvez os vizinhos de sua própria cidade. O resto do país sentiria, no máximo, uma pontada de curiosidade. Fora das fronteiras do país, haveria um silêncio absoluto.
 
- Essa diferença é exatamente o que o Talmud nos ensina. - concluiu o rabino - Os judeus são chamados “Adam”, um homem, no singular, pois quando um único Beilis é julgado, o povo inteiro se levanta como um só homem, um só coração, um único “Adam”. As nações, ao contrário, não são chamadas “Adam”, no singular, e sim “pessoas”, no plural, pois a dor de um não é automaticamente a dor de todos.
 
O julgamento se arrastou por muito tempo. Finalmente, em outubro de 1913, depois de dezenas de audiências acompanhadas pela imprensa do mundo inteiro, os jurados consideraram que o crime tinha marcas de assassinato ritual, mas aceitaram as provas apresentadas pela defesa, de que Beilis estava em outro lugar no momento do assassinato, e o inocentaram.”
 
Ainda que Mendel Beilis tenha sido libertado, o veneno do “libelo do sangue” não foi eliminado. Mas, para o povo judeu, ficou a lição da força da união. Milhares de pessoas que, do outro lado do mundo, sem jamais tê-lo conhecido, sentiram a prisão de um único homem como se fosse sua própria prisão. Essa união, que incluiu Tefilót em sinagogas, advogados e comunidades inteiras mobilizados por um homem que a maioria jamais chegaria a conhecer, era a materialização da explicação do Rav Shapiro. O princípio de que “todos os judeus são fiadores uns dos outros” se cumpriu aos olhos do mundo inteiro: quando um judeu sofre, todo o povo judeu se levanta, unidos como um único “Adam”. Esta é a nossa realidade espiritual. Mesmo com nossas diferenças, o povo judeu é uma unidade. Isso faz de nós um povo: a preocupação de um pelo outro.

 

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Nitsavim (literalmente “De pé”) e Vayelech (literalmente “E foi”), que trazem os discursos finais de Moshé Rabeinu em seu último dia de vida. Ele aproveitou para relembrar o pacto que haviam firmado com D’us e, em especial, os cuidados para não se aproximarem das idolatrias.
 
E assim está escrito no início da Parashat Nitsavim: “Vocês estão todos hoje de pé diante de D’us: os chefes de suas Tribos, seus anciãos e oficiais, cada homem de Israel; seus filhos, esposas e até o estrangeiro que está dentro do seu acampamento, do lenhador até o carregador de água; para entrar no pacto que D’us está estabelecendo com você hoje... para estabelecer você hoje como o povo de D’us e para que Ele seja seu D’us... Eu estabeleço este pacto... não somente com vocês, mas tanto com aqueles que estão aqui conosco hoje, diante do Eterno, nosso D’us, quanto com aqueles que não estão aqui conosco hoje.” (Devarim 29:9-14).
 
Ao examinarmos com cuidado esses versículos, surge uma questão intrigante. Os versículos começam no plural (“Vocês estão aqui”), passam para o singular (“estabelecendo com você hoje”) e voltam ao plural (“E não somente com vocês”). Por que esta alternância entre a linguagem no plural e no singular?
 
Explica o Rav Yitzchak Pinchas Goldwasser shlita que a finalidade do pacto firmado naquele momento estava explicada nas palavras: “para te estabelecer hoje como Seu povo”. A formação de um “povo” consiste na transformação de muitas individualidades em uma única unidade. Quando D’us firmou um pacto com uma multidão, e não com cada indivíduo, isso os transformou em uma unidade.
 
Agora podemos entender os versículos. No início, quando está escrito “vocês estão todos hoje”, a Torá lista uma série de categorias, enfatizando que eram pessoas bem diferentes. Nisso se expressa a condição deles antes do pacto, quando ainda não eram “o povo de Israel”, mas ainda “cada homem de Israel”, uma reunião de indivíduos. Moshé continua e diz que firmou o pacto com eles, mas não como uma multiplicidade de indivíduos, e sim como uma única unidade. Por meio disso, passariam a ser chamados de “povo”. Por isso há várias expressões escritas no singular, tais como “estabelecendo com você”, “para estabelecer você”, pois o pacto foi firmado com o povo como uma unidade.
 
E quanto ao versículo voltar ao plural, isso se explica da seguinte forma: um dos significados principais de os Filhos de Israel serem um “povo” é que, por meio disso, recaem automaticamente, sobre sua descendência e sobre os que se agregam a eles, as obrigações de cumprir a Torá e as Mitsvót. Pois, se apenas os indivíduos estivessem no pacto, seria correto argumentar que quem aceitou a Torá sobre si está obrigado a cumpri-la, mas quem não a aceitou não está obrigado. Porém, uma vez que o pacto foi firmado com o conjunto, e o povo aceitou a obrigação do cumprimento da Torá, todo aquele que pertencer ao conjunto do povo judeu torna-se automaticamente obrigada, mesmo sem seu consentimento pessoal. A responsabilidade recai sobre todos nós.
 
Como este ensinamento se aplica na prática? Explica o Rav Elimelech Biderman shlita, com base no Zohar, que quando o versículo diz “Vocês estão todos hoje de pé diante de D’us”, a palavra “hoje” se refere a Rosh Hashaná. O versículo está nos dando um conselho para sermos julgados favoravelmente em Rosh Hashaná através das palavras “vocês todos”. Significa que, se houver união entre os judeus, haverá Brachót. Pois, quando há união entre os judeus, D’us lhes concede Sua bondade. Quando há união entre os judeus, há vida. O povo de Israel será redimido quando estiver unido, em um só coração, conforme está escrito “Naqueles dias e naquele tempo - diz D’us - virão os filhos de Israel, eles e os filhos de Yehudá, juntos...” (Yirmiyahu 50:4). O Midrash então conclui: “Quando estiverem unidos, eles receberão a face da Presença Divina sobre eles”.
 
Nos ensina Shlomo Hamelech: “Aquele que busca a justiça e a bondade encontrará vida, justiça e honra” (Mishlei 21:21).  Mais uma vez vemos que, quando procuramos oportunidades para praticar Tzedaká e fazer Chessed, teremos vida, justiça e honra no dia do julgamento. Em outras palavras, a união e a ajuda mútua são uma “Segulá”, uma prática propícia para sermos julgados favoravelmente.
                                                               
O Rav Chaim Meir Hager zt”l  (Império Austro-húngaro, 1887 - Israel, 1972), mais conhecido como “Imrei Chaim”, explica o versículo: “Eu estabeleço este pacto... não somente com vocês” (Devarim 29:13) como se D’us estivesse dizendo: “Este pacto não acontecerá quando vocês estiverem sozinhos. Ele só existe quando vocês estão unidos”. Em Rosh Hashaná, devemos rezar por todos os judeus do mundo, para que seus sofrimentos do ano passado terminem e que o próximo ano seja repleto de bondade.
 
O Talmud (Rosh Hashaná 34a) discute como devemos tocar o Shofar. Há uma Tekiá (toque longo) antes, uma Tekiá depois, e o som do meio deve ser quebrado, podendo ser “Shevarim” (três sons médios, quebrados), “Teruá” (sequência de sons curtos e rápidos), ou “Shevarim-Teruá” (combinação dos dois). O Talmud explica que as pessoas choram dessas três formas. Além disso, alguns comentaristas explicam que pessoas de diferentes lugares choram de maneiras diferentes. Nossos sábios não definiram que cada lugar tocasse o Shofar de acordo com a maneira como as pessoas daquele lugar choram, e sim que todos tocassem o Shofar com todos os tipos de choro, para levarmos em consideração todos os judeus, de todos os lugares do mundo.
 
Em Rosh Hashaná, não queremos que D’us responda somente às nossas lágrimas, mas sim às lágrimas e gritos de todo o povo judeu. Onde quer que haja um judeu chorando, nos unimos à sua dor. Com o Shofar, lembramos das lágrimas deles e pedimos por eles. Somente assim garantiremos um ano bom para todos nós.

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R’ Efraim Birbojm

 

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