sexta-feira, 6 de março de 2026

CONFIANDO NA SABEDORIA DIVINA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT KI TISSÁ 5786

BS"D
O e-mail desta semana é dedicado à Refua Shleima (pronta recuperação) de 

Avraham Yaacov ben Miriam Chava

Luna Rachel bat Sara


--------------------------------------------------------

O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de:


Sr. Nelson ben Luiza zt"l (Nissim ben Luna) 

Sr. Avraham Favel ben Arieh z"l 

Sra. Rachel bat Luna 


--------------------------------------------------------

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
efraimbirbojm@gmail.com.
NEWSLETTER R' EFRAIM BIRBOJM
NEWSLETTER EM PDF
NEWSLETTER EM PDF
 
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT


PARASHAT KI TISSÁ 5786



         São Paulo: 18h11                 Rio de Janeiro: 17h57 

Belo Horizonte: 17h58                  Jerusalém: 17h01
Facebook
Facebook
Instagram
Instagram
YouTube
YouTube
Twitter
Twitter
Spotify
Spotify
ASSUNTOS DA PARASHAT KI TISSÁ
  • Instruções Para o Censo
  • O Kior (Lavatório)
  • O Óleo da Unção
  • O Incenso
  • Os Arquitetos do Mishkan (Betzalel e Achaliav)
  • O Shabat
  • O Bezerro de Ouro
  • A fúria de D'us
  • Moshé Desce e quebra as Tábuas
  • O Pedido de Moshé
  • Moshé implora pelo perdão
  • Visão Divina
  • As Segundas Tábuas
  • 13 Atributos de Misericórdia
  • Primogênitos
  • Moshé retorna com o rosto brilhando
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
BS"D

CONFIANDO NA SABEDORIA DIVINA - PARASHAT KI TISSÁ 5786 (06/mar/26)

"O rei de um grande império adoeceu. Era uma enfermidade tão rara e complexa que nenhum médico da corte conseguia diagnosticá-la corretamente. Decidiram então chamar o mais renomado médico do reino, um homem que havia estudado não apenas os sintomas visíveis, mas também os sistemas ocultos do corpo humano.
 
Após dias de análise, o médico finalmente diagnosticou a doença e preparou uma fórmula extremamente precisa: sete ervas raras, cada uma com sua medida em proporção exata. Algumas aqueciam o corpo, enquanto outras resfriavam. Uma era amarga, enquanto outra parecia quase inútil pela quantidade mínima prescrita. Porém, como precisava viajar, chamou seu jovem discípulo, um estudante brilhante, dedicado e leal ao rei.
 
- Escute bem - disse o médico ao seu discípulo - Fabrique esta fórmula e aplique no rei exatamente como está prescrito. Não acrescente nem diminua nada, nem substitua nenhum ingrediente, mesmo que algo lhe pareça ilógico. A cura depende justamente da precisão desta fórmula.
 
Naquela mesma noite, o médico partiu em uma missão urgente. O discípulo estudou cuidadosamente a receita. Era um aluno avançado, conhecia anatomia, fisiologia e as propriedades das ervas. Quanto mais analisava, mais certas proporções lhe pareciam estranhas. Pensou consigo mesmo: "Talvez ele tenha considerado o estado inicial do rei, mas a febre aumentou desde então... Talvez a quantidade da erva amarga seja excessiva... Se eu reduzir um pouco, o efeito será mais equilibrado". Por um momento hesitou. Lembrou-se das palavras do médico: "Não acrescente nem diminua nada". Mas quanto mais pensava, mais lhe parecia que um pequeno ajuste poderia ajudar o rei. Com mãos cuidadosas, alterou ligeiramente as medidas.
 
Finalmente o remédio foi administrado, mas não teve o efeito desejado. O equilíbrio delicado da composição havia sido destruído. Dias depois, o médico retornou e aproximou-se do leito real. Observou o pulso do rei, examinou seus olhos e permaneceu em silêncio por alguns instantes. Algo não estava como deveria. Ao revisar as medidas da fórmula que fora produzida, percebeu que havia sido modificada. Chamou o discípulo e perguntou calmamente se ele havia mudado as medidas.
 
- Sim - respondeu o jovem, abatido e envergonhado - pensei que poderia aperfeiçoar o tratamento. Fiz apenas pequenos ajustes, com a melhor das intenções.
 
- Eu não duvido da sua intenção e nem do seu conhecimento - disse o médico, em um tom compreensivo - Porém, esta fórmula não foi elaborada com base apenas naquilo que é visível. Ela depende de conhecimentos que você ainda não possui. Quando pedi que não mudasse nada, foi porque a cura dependia da exatidão da obediência.
 
O discípulo compreendeu, com dor, que sua falha não havia sido de intenção, mas de princípio. Ele havia substituído a confiança na sabedoria superior por sua própria análise limitada."
 
Às vezes o erro nasce da confiança excessiva no próprio entendimento. Há assuntos espirituais que não dependem da nossa lógica, mas da fidelidade à vontade de Quem os instituiu. A verdadeira grandeza não está em tentar aperfeiçoar as leis, mas em ter a humildade de cumpri-las exatamente como foram dadas.

Nesta semana lemos a Parashat Ki Tissá (literalmente "Quando você contar"), que traz um dos episódios mais tristes da história do povo judeu: a construção do Bezerro de Ouro, um erro que quase custou o extermínio de todo o povo, se não fosse a intervenção de Moshé, através de muitas Tefilót e súplicas.
 
Este erro do povo judeu é difícil de ser entendido. Em primeiro lugar, há um Midrash enigmático que diz: "Era apropriado que nossos antepassados recebessem a Torá e dissessem: 'Tudo o que D'us falou, faremos e ouviremos'. Mas por acaso era apropriado que dissessem: 'Estes são os seus deuses, ó Israel'?". O Midrash está conectando o famoso "Naassê Venishmá" (Shemot 24:7), dito pelo povo judeu antes da entrega da Torá, com a declaração "Estes são teus deuses, ó Israel" (Shemot 32:4), dita após fazerem o Bezerro de Ouro. Porém, por que comparar frases ditas pelo povo em situações completamente diferentes? Uma declaração refere-se a algo completamente bom, enquanto a outra se refere a algo completamente ruim. Então por que o Midrash as compara?
 
Além disso, há um Midrash na Parashat Chukat que conecta a enigmática Mitzvá da Vaca Vermelha com o Bezerro de Ouro, como está escrito: "Isso se compara ao filho de uma serva que sujou o palácio. Disse o rei: que venha a mãe e limpe a sujeira do filho. Assim disse D'us: que venha a Vaca e expie o ato do Bezerro". Entretanto, a Mitzvá da Vaca Vermelha é considerada um "Chok", isto é, uma Mitzvá cujo motivo não nos foi revelado. Por que então o Midrash atribui um motivo explícito para essa Mitzvá?
 
E, finalmente, como é possível que a geração do deserto, conhecida como "a geração do conhecimento", que saiu do Egito, testemunhou milagres grandiosos e presenciou a entrega da Torá no Monte Sinai, tenha caído em uma transgressão tão grave? Eles haviam abandonado D'us tão rápido?
 
Explica o Rav Yossef Dov Soloveitchik zt"l (Bielorrússia, 1820 - 1892), mais conhecido como Beis HaLevi, que cada Mitzvá possui razões e intenções embasadas em segredos ocultos. Por meio do cumprimento das Mitzvót, realizamos retificações nos mundos superiores. Também as Mitzvót relacionadas à construção do Mishkan, que trouxeram a Presença Divina ao mundo, carregam, em cada detalhe, significados profundos. Somente quando todos os detalhes foram completados foi que o Mishkan se tornou apto para ser a morada de D'us.
 
O povo judeu imaginou, portanto, que alguém conhecedor dos profundos segredos da Criação poderia compreender sozinho como construir uma morada para D'us. Quando viram que Moshé, aquele que servia de intermediário entre eles e D'us, não retornava do Monte Sinai, desejaram criar um local especial onde a Presença Divina pudesse habitar. E como não quiseram confiar em sua própria sabedoria, dirigiram-se a Aharon, que era conhecedor dos segredos mais profundos, e pediram: "Faça para nós…" (Shemot 32:1). Eles queriam estabelecer um local apropriado para a manifestação da Presença Divina. As intenções eram, portanto, boas.
 
Contudo, eles cometeram um erro fundamental. É verdade que as ações do homem no mundo inferior produzem retificações nos mundos superiores. Porém, somente quando foi a Torá que ordenou aquela ação. No caso do Mishkan, apenas depois que D'us ordenou cada detalhe, e o povo cumpriu exatamente o que foi ordenado, é que as retificações superiores ocorreram. O princípio é que a essência de toda retificação reside no cumprimento da vontade do Criador. Sem isso, não passa de boas intenções. A sofisticação intelectual, sem o comando de D'us, não apenas perde o valor, mas transforma-se em uma grave transgressão. Este foi o erro do Bezerro de Ouro.
 
Assim podemos entender o que Moshé disse em sua Tefilá ao pedir a D'us misericórdia: "Veja que esta nação é Teu povo" (Shemot 33:13). Ou seja, a transgressão deles não decorreu do desejo de se afastar do Serviço Divino. Pelo contrário, a motivação principal era a ânsia pela proximidade de D'us.
 
Na Parashat Pekudei, após o povo construir cada utensílio ou parte do Mishkan, a Torá repete as palavras "Como D'us ordenou a Moshé". Isso ocorre porque o Mishkan veio expiar a transgressão do Bezerro de Ouro. Se a transgressão consistiu em agir por iniciativa própria, baseado no intelecto humano, sem ter sido ordenado por D'us, então a retificação veio justamente por meio da obediência completa: "como D'us ordenou". Mesmo que Betzalel soubesse os profundos segredos da combinação das letras que formavam os Céus e a Terra, toda sua intenção na construção foi apenas cumprir a ordem Divina. Ele não construiu nada baseado no entendimento do seu intelecto, mas sim na vontade do Criador. Dessa forma, a transgressão do Bezerro de Ouro foi expiada.
 
Com isso compreendemos também a conexão entre a declaração de "Naassê Venishmá" e a transgressão do Bezerro de Ouro. À primeira vista, ao dizerem "Faremos", já estava incluída a ideia de "Ouviremos", pois não se pode fazer nada sem primeiro ouvir. Contudo, "Nishmá" não significa apenas escutar com os ouvidos, mas sim compreender profundamente, como em "Shemá Israel", que implica um entendimento interior. Primeiro o povo disse "Naassê", isto é, aceitaram cumprir as Mitzvót mesmo sem compreensão plena, apenas por obediência. Depois disseram "Nishmá", que significava que eles se comprometiam também a estudar e entender os profundos significados das Mitzvót. A grandeza de terem precedido "Faremos" a "Ouviremos" está em terem aceitado agir como servos obedientes, independente da compreensão. O erro ocorreu quando posteriormente confiaram excessivamente em seu próprio entendimento e criaram algo novo sem ordem Divina.
 
Com isso também entendemos o Midrash "Que venha a Vaca e expie o ato do Bezerro". Nossos sábios não pretendiam afirmar que este é o motivo da Mitzvá da Vaca vermelha, que é um Chok. Mas por ser uma Mitzvá cujo sentido não compreendemos, ela expiava o erro de terem agido apenas segundo o raciocínio próprio. Ao cumprir uma Mitzvá cujo motivo desconhecemos, consertamos o erro de seguir apenas a compreensão humana.
 
Conforme a humanidade evolui tecnologicamente, cresce também a tendência de questionar a sabedoria infinita de D'us. Mudar ou adaptar o que D'us nos ensinou é arrogância. Nos falta humildade de aceitarmos que D'us é infinito, enquanto nós somos limitados. Ao confiarmos em D'us, garantimos que tudo funcionará como deveria.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
 
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, 
R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l 

 
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

FALANDO BEM DE D’US - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT TETSAVÊ E PURIM 5786

BS"D
O e-mail desta semana é dedicado à Refua Shleima (pronta recuperação) de 

Avraham Yaacov ben Miriam Chava

Luna Rachel bat Sara


--------------------------------------------------------

O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de:


Sr. Nelson ben Luiza zt"l (Nissim ben Luna) 

Sr. Avraham Favel ben Arieh z"l 

Sra. Rachel bat Luna 


--------------------------------------------------------

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
efraimbirbojm@gmail.com.
NEWSLETTER R' EFRAIM BIRBOJM
NEWSLETTER EM PDF
NEWSLETTER EM PDF
 
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT


PARASHAT TETSAVÊ 5786



         São Paulo: 18h17                 Rio de Janeiro: 18h03 

Belo Horizonte: 18h04                  Jerusalém: 16h55
Facebook
Facebook
Instagram
Instagram
YouTube
YouTube
Twitter
Twitter
Spotify
Spotify
ASSUNTOS DA PARASHAT TETSAVÊ
  • Óleo para Menorá.
  • As 8 Vestes do Cohen Gadol: 
    1) Efod ("Avental") e os Engastes.
    2) Choshen Mishpat ("Peitoral").
    3) Meil ("Manto").
    4) Tsits ("Tiara", Placa para a cabeça).
    5) Avnet ("Cinto").
    6) Ktonet ("Túnica").
    7) Mitsnefet ("Turbante").
    8) Michnassaim ("Calças").
  • As 4 Vestes dos Cohanim simples.
    1) Ktonet ("Túnica").
    2) Avnet ("Cinto").
    3) Migbaat ("Turbante").
    4) Michnassaim ("Calças").
  • Consagração dos Cohanim.
  • Consagração do Altar.
  • Korban Tamid.
  • Mizbeach (Altar) de Incenso.
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
BS"D

FALANDO BEM DE D'US - PARASHAT TETSAVÊ E PURIM 5786 (27/fev/26)

Em 1940, a guerra já havia explodido na Europa. Milhares de judeus que haviam fugido da Polônia encontravam-se presos na Lituânia, encurralados entre o avanço nazista e o domínio soviético. Sem vistos, sem passaportes válidos e sem um país que os aceitasse, estavam sem saída. A única possibilidade era obter um visto de trânsito pelo Japão, que lhes permitiria atravessar a União Soviética e, a partir dali, buscar refúgio em outro lugar.
 
O homem que tinha poder para conceder esse visto chamava-se Chiune Sugihara, o vice-cônsul do Japão na Lituânia. Quando os primeiros refugiados bateram à porta do consulado, Sugihara fez o que um diplomata deveria fazer: enviou um pedido formal a Tóquio, solicitando autorização para emitir vistos humanitários. A resposta foi negativa. Ele pediu novamente, explicando a situação desesperadora daquelas famílias. Outra negativa. Pela terceira vez tentou sensibilizar o governo japonês. Mais uma vez, recebeu ordem para não conceder os vistos.
 
Pela lógica profissional, a história deveria terminar ali. Um diplomata não desobedece a instruções diretas do seu governo. Sua carreira, reputação e sustento dependiam disso. Mas Sugihara olhou para as filas que se formavam do lado de fora do consulado, com centenas de homens, mulheres e crianças, e tomou uma decisão silenciosa. Passou a escrever vistos e, quando os formulários acabaram, os escrevia manualmente, um por um. Trabalhava sem parar, quase não dormia e mal descansava. Quando recebeu ordem para deixar o país, continuou escrevendo vistos até o último momento, inclusive dentro do trem que o levava embora, entregando documentos pela janela.
 
Após a guerra, Sugihara foi chamado de volta ao Japão. Pouco depois, perdeu sua posição no serviço diplomático. Durante muitos anos viveu no anonimato, trabalhando em empregos simples. Não houve homenagens imediatas. Não houve reconhecimento público. Parecia que sua escolha moral custara sua carreira. Mesmo assim, ele nunca fez discursos dramáticos nem demonstrou amargura. Anos mais tarde, quando perguntado por que havia desobedecido às ordens do governo japonês, ele respondeu de maneira simples: "Eu fiz o que era correto".
 
Décadas depois, sobreviventes começaram a procurá-lo. Histórias começaram a vir à tona. Em 1985, pouco antes de sua morte, ele foi reconhecido pelo Yad Vashem como "Justo entre as Nações". O mundo finalmente entendeu o alcance daquele gesto silencioso. O que parecia uma perda profissional irreversível revelou-se a salvação de milhares de vidas e a continuidade de gerações inteiras. A decisão que parecia trazer apenas prejuízo pessoal tornou-se fonte de luz para incontáveis famílias. Ao todo, cerca de seis mil judeus receberam vistos graças a ele. Aqueles papéis permitiram que eles atravessassem a Rússia, chegassem ao Japão e, posteriormente, encontrassem refúgio seguro. Hoje, estima-se que existam dezenas de milhares de descendentes dessas pessoas.
 
Muitas vezes, só no final o enredo se revela. O que parecia queda transforma-se em elevação. Aquela escolha, que à primeira vista parecia trazer apenas prejuízo pessoal, tornou-se fonte de luz para milhares de famílias. Às vezes leva tempo para enxergarmos que aquilo que parecia negativo fazia parte de um bem muito maior.

Nesta semana lemos a Parashat Tetsavê (literalmente "Ordene"), que descreve as oito e esplendorosas roupas do Cohen Gadol, utilizadas no momento em que ele fazia os Serviços Divinos no Mishkan. As roupas eram feitas de materiais valiosos, algumas até mesmo de ouro e pedras preciosas.
 
Porém, além da beleza, as roupas do Cohen Gadol também tinham uma grande importância: cada uma era responsável pela expiação de uma transgressão específica do povo judeu. Por exemplo, o "Meil", uma túnica azul celeste com sinos de ouro e romãs feitas de lã, expiava a transgressão de Lashon Hará. O sino representa justamente o ruído da nossa língua dentro da boca, enquanto a lã representa o silêncio. Muitas vezes falamos Lashon Hará por não termos nada a dizer. Neste caso, o melhor é ficarmos em silêncio.
 
O Lashon Hará também é normalmente fruto de julgarmos as pessoas para o mal, de estarmos sempre reclamando, de não darmos o benefício da dúvida. E uma das piores consequências de quem não trabalha este traço de caráter é que aquele que fala mal das pessoas, que as julga para o mal, terminará fazendo o mesmo em relação a D'us. Muitos preferem reclamar dos problemas e dificuldades, deixando de perceber as bondades que Ele faz.
 
Isso se conecta com a nossa próxima parada no Calendário Judaico, Purim, na próxima 2ª feira de noite (2/mar), quando começaremos a reviver o grande milagre da salvação do povo judeu na época do exílio persa. Uma das Mitzvót de Purim é escutarmos, tanto de noite quanto de manhã, a leitura da Meguilat Ester, que conta detalhes da salvação do povo judeu. Na Meguilá aparecem alguns personagens centrais, tais como Ester, Mordechai e o rei Achashverosh, mas também alguns personagens secundários, como Charvona. Quantas vezes Charvona é mencionado em toda a Meguilá? Apenas duas vezes. A primeira, no início do primeiro capítulo (Ester 1:10), quando ele é mencionado como um dos sete serviçais de Achashverosh. A segunda vez que Charvona aparece é quando Haman finalmente encontrou sua queda: "Então Charvona, um dos serviçais diante do rei, disse: 'Além disso, eis que a forca que Haman preparou para Mordechai, que falou bem do rei, está de pé na casa de Haman, com cinquenta côvados de altura'. E o rei disse: 'Enforquem-no nela'" (Ester 7:9). Mas o que desperta a nossa curiosidade é perceber que, mesmo parecendo ser um personagem completamente secundário em toda a história de Purim, Charvona é mencionado no poema "Shoshanat Yaakov", que recitamos após a leitura da Meguilá. Lá dizemos: "VeGam Charvona Zachur Latov" (E que também Charvona seja lembrado para o bem). Por que nossos sábios consideraram importante mencionar Charvona neste poema?
 
O Midrash observa um detalhe interessante. Na primeira vez em que aparece na Meguilá, o nome Charvona é escrito com a letra "Alef" no final, enquanto na segunda vez ele é escrito com a letra "Hei". Com base nisso, o Midrash afirma que não se trata da mesma pessoa. O verdadeiro Charvona é aquele que foi mencionado no primeiro capítulo. Já o "segundo Charvona" era, na realidade, Eliahu HaNavi disfarçado como Charvona. É interessantemente perceber que no poema "Shoshanat Yaakov", o nome Charvona é seguido da expressão "Zachur Latov". O Talmud (Eruvin 43a) nos ensina que esta expressão é utilizada normalmente quando se refere justamente a Eliahu HaNavi.
 
Parece um detalhe sem importância. Porém, na verdade, o versículo que traz o "segundo Charvona" carrega uma mensagem que nos ensina como e por que a redenção do povo judeu ocorreu. Está escrito "E Charvona, um dos serviçais diante do rei, disse: 'Também eis aqui a forca que Haman fez para Mordechai, que falou bem do Rei, está erguida no pátio de Haman'". A explicação mais simples do versículo é que Charvona quis incriminar ainda mais Haman ao denunciar a forca construída para matar Mordechai, justamente aquele que no passado havia salvado a vida do rei, ao denunciar um complô de assassinato.
 
Mas há uma forma mais profunda de entender este versículo. O Midrash afirma que "Todo lugar em que está dito nesta Meguilá "rei Achashverosh", o versículo está se referindo ao rei Achashverosh. E todo lugar em que está dito apenas "rei" de forma simples, serve tanto para o sagrado (D'us) quanto para o profano (Achashverosh)". Lendo o versículo desta forma ensinada pelo Midrash, aprenderíamos que Mordechai foi elogiado por Eliahu Hanavi por ser aquele que falava bem de D'us. O que isto significa?
 
Explica o Rav Yssocher Frand que Haman estava prestes a executar seu plano de exterminar, em um único dia, todos os judeus. A data, inclusive, já estava marcada, e o decreto havia sido espalhado por todo o reino. Os judeus estavam tão apavorados que alguns caíram espiritualmente e começaram a questionar: "O que D'us está fazendo conosco?". Era perfeitamente compreensível, pela dificuldade da situação, que eles se desesperassem e começassem a questionar a Justiça Divina. Era comum escutar nas conversas entre os judeus frases como "O que fizemos? Por que merecemos isso?". Queixas contra D'us certamente estavam sendo sussurradas em todos os cantos. Mas Mordechai era aquele que falou bem do Rei, isto é, que nunca reclamou e nunca questionou a Justiça Divina. Ele jamais duvidou que tudo o que estava acontecendo era justo. Ele viveu na prática o princípio: "Tudo o que o Misericordioso faz é para o bem" (Brachót 60b).
 
A mensagem é que Purim, a grande salvação do povo judeu, é o modelo da nossa esperança na Redenção Final. Portanto, este versículo é um ensinamento de como a redenção ocorreu e um prenúncio de como acontecerá novamente. Para assegurar a vinda rápida da redenção, devemos sempre "falar bem do Rei". Isso nem sempre é fácil, após milhares de anos de história judaica cheia de sofrimentos, tanto em escala nacional quanto pessoal. Não questionar D'us é extremamente difícil, especialmente para aqueles que viveram tragédias como a Inquisição e o Holocausto. Mas, apesar de se tratarem de grandes testes, Eliahu HaNavi, aquele mesmo profeta que virá anunciar a Redenção Final, nos ensina que a chave é agir como Mordechai, "aquele que falou bem do Rei".
 
Isso é consistente com o que ensinam nossos sábios. O nosso Templo Sagrado foi destruído pelo Lashon Hará e o ódio gratuito. Ambos são consequência de não julgarmos as pessoas para o bem. A partir do momento em que mudarmos esta característica, chegaremos não apenas ao nível de "falou bem do Rei", mas "falou bem de todas as pessoas". Então, certamente a Redenção Final chegará e teremos o mérito de ver o nosso Templo reconstruído.
 
"Para os judeus houve luz, alegria, regozijo e honra" (Ester 8:16). Que assim também seja conosco. 

SHABAT SHALOM E PURIM KASHER VE SAMEACH 

R' Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
 
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, 
R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l 

 
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
--------------------------------------------

Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by Mailchimp