sexta-feira, 5 de junho de 2026

NÃO DISCUTA COM D’US - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT BEHAALOTECHÁ 5786

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NÃO DISCUTA COM D’US - PARASHAT BEHAALOTECHÁ 5786 (05/jun/26)

O Rav Tzvi Hirsch Levin zt”l (Polônia, 1721 - Alemanha, 1800), rabino-chefe de Berlim, foi certa vez questionado por David Friedlander, um dos líderes da Haskalá, o movimento iluminista judaico, a respeito de diversas Mitsvót que, em sua opinião, já haviam se tornado ultrapassadas. Friedlander chegou a defender abertamente sobre a necessidade de “reformas” na religião, afirmando:
 
- Se Moshé Rabeinu estivesse vivo em nossa época, escreveria a Torá de acordo com o espírito do nosso tempo.
 
O rabino respondeu com a seguinte parábola:
 
“Certo comerciante contratou um cocheiro para transportá-lo, juntamente com sua mercadoria, até a feira anual da cidade de Leipzig. Eles fizeram um acordo formal: se o cocheiro não o levasse ao destino dentro do prazo estabelecido, perderia seu pagamento e ainda teria de indenizar o comerciante pelos prejuízos financeiros decorrentes do atraso. Era inverno, mês de Tevet. Mal haviam deixado a cidade quando começou uma chuva torrencial. Poucas horas depois, caiu uma nevasca intensa, que cobriu completamente as estradas. Os sinais do caminho desapareceram e o cocheiro se perdeu. Apenas com um enorme esforço e muita sorte conseguiu finalmente chegar ao destino. Entretanto, chegaram somente após o encerramento da feira, causando ao comerciante grandes prejuízos. O cocheiro então exigiu receber seu pagamento. Porém, o comerciante não apenas se recusou a pagar como também exigiu uma indenização pelos prejuízos causados pelo atraso. Ambos apresentaram suas reivindicações perante o Beit Din. Após ouvir os argumentos e analisar cuidadosamente o caso, o Beit Din decidiu em favor do comerciante e responsabilizou o cocheiro. Indignado, o cocheiro perguntou:
 
- Por que me condenaram? Acaso não se aplica aqui o princípio de que alguém atingido por circunstâncias de força maior está isento de responsabilidade?
 
O rabino-chefe do Beit Din respondeu calmamente:
 
- Tudo o que decidimos está fundamentado na Torá. Por que reclama de nós?
 
O cocheiro pensou por alguns instantes e, então, exclamou de forma bastante exaltada:
 
- Há algo muito errado aqui! Em que época do ano foi dada a Torá? No mês de Sivan! Nessa época as estradas não estão cobertas de neve! Não há tempestades nem nevascas! No verão eu teria viajado em segurança, não teria me perdido e não teria chegado atrasado nem por um minuto! Uma Torá dada no Sinai durante os meses de verão não pode servir para julgar um caso ocorrido no inverno! Estou convencido de que, se Moshé Rabeinu tivesse dado a Torá no inverno, teria escrito a lei de modo a me absolver! Nesse caso o julgamento seria completamente diferente, adequado ao espírito da época, e a decisão seria a meu favor!”
 
Então o rabino concluiu serenamente:
 
- Esse cocheiro parece ser estúpido, não? David, aos meus olhos você se parece exatamente com esse cocheiro...
 
Ao ouvir essas palavras, David Friedlander, profundamente envergonhado e sem argumentos, foi embora.

Nesta semana lemos a Parashat Behaalotechá (literalmente “Quando acender”), que traz vários grandes tropeços do povo judeu durante as viagens no deserto, com constantes reclamações desnecessárias e consequentes punições duras de D’us, como a reclamação por causa dos esforços na viagem, quando na verdade se tratava de uma bondade de D’us para que o povo judeu pudesse entrar mais rapidamente na Terra de Israel, ou a reclamação por carne, embora eles recebessem diariamente o milagroso Man, que poderia ter o gosto do que quisessem.
 
A Parashá começa nos ensinando sobre a Mitzvá do acendimento diário da Menorá, que era cumprida pelos Cohanim. Após as instruções, a Torá conclui com as seguintes palavras: “E assim fez Aharon” (Bamidbar 8:3). Rashi questiona a necessidade desta conclusão e explica que, na realidade, a Torá está dando um louvor a Aharon, declarando que ele não alterou absolutamente nada no comando que recebeu.
 
Porém, este louvor da Torá é difícil de ser entendido. Estamos falando de Aharon HaCohen, o primeiro Cohen Gadol do povo judeu, alguém cuja grandeza espiritual era extraordinária, que cumpria com alegria todos os detalhes da Torá. Se até uma pessoa simples sabe que não se deve alterar um comando de D’us, então por que isso seria um louvor para Aharon?
 
Explica o Rav Yaacov Kranz zt”l (Lituânia, 1740 - Polônia, 1804), mais conhecido como Maguid MiDuvno, que isso pode ser respondido através de uma parábola. Três pessoas adoeceram gravemente. Os três foram a um médico especialista e receberam dele remédios e instruções sobre como proceder para alcançar a cura. O primeiro homem, um completo ignorante em relação aos conceitos da medicina, fez exatamente tudo o que o médico lhe ordenou e se curou. O segundo homem, que possuía algum conhecimento de medicina, começou a analisar os medicamentos que havia recebido. Os remédios cuja utilidade compreendia, ele tomou; porém, aqueles cuja finalidade ele não entendia, rejeitou e recusou-se a tomar. Pouco tempo depois, morreu de sua doença. O terceiro homem também entendia de medicina e, assim como o segundo, interessou-se em compreender a natureza dos remédios. Contudo, diferentemente do amigo, ele não deixou de obedecer às instruções do médico, mesmo quando não conseguia compreender plenamente sua lógica. Esse paciente foi curado, porque teve a sabedoria e a humildade de submeter sua própria opinião à do médico, que era muito mais conhecedor do que ele.
 
Quem tem mais méritos, o primeiro ou o terceiro paciente? O primeiro paciente seguiu as instruções médicas por não ter nenhum conhecimento para questionar. Porém, o terceiro paciente tinha conhecimentos e poderia, como o segundo paciente, questionar e se recusar a fazer o que não entendia. Porém, ele demonstrou sabedoria e humildade ao aceitar as orientações do médico até mesmo nas coisas que não compreendia. Ele tem mais méritos.
 
Da mesma forma, no que diz respeito à relação das pessoas com a Torá e as Mitsvót, podem-se distinguir três grupos. Há pessoas com poucos conhecimentos, mas que cumprem as Mitsvót sem investigar seus motivos. Outros têm algum conhecimento e procuram compreender as razões por trás das Mitsvót. Este segundo grupo encontra-se em grande perigo, pois, ao se se depararem com uma Mitsvá cujo motivo não compreendam, podem acabar deixando de cumpri-la. E, de fato, muitos “grandes conhecedores” tropeçam nisso. O terceiro grupo é composto por aqueles que, apesar de também terem conhecimentos, cumprem as palavras dos nossos sábios na Mishná: “Todo aquele cujo temor a D’us precede sua sabedoria, sua sabedoria se mantém” (Pirkei Avót 3:9). Eles confiam na infinita sabedoria do Criador e cumprem todas as Mitsvót sem questionamentos. Eles procuram compreender os motivos das Mitsvót, mas não condicionam a observância à compreensão.
 
A isso se referia David Hamelech quando disse: “Escolhi o caminho da Emuná; coloquei diante de mim os Seus juízos” (Tehilim 119:30). Em outras palavras, David Hamelech estava dizendo que “mesmo em relação às Mitsvót cujos motivos sou capaz de investigar, estabeleço para mim o mesmo caminho que adoto em todas as Mitsvót: o caminho da Emuná, de confiar na sabedoria infinita do Criador do mundo”.
 
Com este entendimento, podemos agora compreender a grandeza de Aharon e o motivo pelo qual a Torá quis elogiá-lo. O fato de ele ser um gigante espiritual, que conhecia com profundidade toda a Torá, poderia levá-lo a confiar excessivamente em seu próprio entendimento e a questionar Mitsvót que não compreendesse plenamente ou sugerir adaptações ou ajustes para as Mitsvót. Mas, como o terceiro paciente, que, apesar de seus conhecimentos, aceitou humildemente as orientações do médico, Aharon também aceitou com humildade todas as instruções de D’us, sem questionamentos ou “sugestões de melhoria”.
 
Assim como isso constitui um elogio a Aharon, deve servir também como advertência para nós. Muitos tropeçam ao querer se aprofundar nos motivos das Mitsvót e, em consequência, chegam a teorias estranhas segundo as quais seria necessário modificar ou adaptar as Mitsvót conforme o espírito da época. Este foi o ponto inicial de movimentos como o Reformismo, que, infelizmente, afastam cada vez mais os judeus da Torá e de D’us. Esses “conhecedores” perguntam admirados: “como é possível que uma Torá dada há mais de três mil anos continue a nos orientar sem qualquer mudança também em nossos dias? Afinal, entre todas as nações, as leis mudam de uma geração para outra!”.
 
A diferença é que nossas leis não são falhas como as leis humanas, que a todo momento precisam de adaptações. Nossas leis são Divinas, e quando D’us as entregou, já conhecia o futuro, já sabia das mudanças que ocorreriam. Nossas Mitzvót são atemporais, pois seus efeitos são principalmente em relação à nossa alma, não ao nosso corpo. O reformismo, em sua soberba, tenta ensinar que nossa lógica está à altura da sabedoria Divina. A verdadeira grandeza está em nossa humildade, em entender nossas limitações e confiar em D’us mesmo naquilo que não compreendemos. Que desta forma possamos, como Aharon, receber o enorme elogio de “E assim fez”.

SHABAT SHALOM 

R’ Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 29 de maio de 2026

A VERDADEIRA RIQUEZA DO SER HUMANO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT NASSÓ 5786

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A VERDADEIRA RIQUEZA DO SER HUMANO - PARASHAT NASSÓ 5786 (29/mai/26)

“Um ministro judeu trabalhava no governo de um importante reino. Esse ministro prosperou muito em seus negócios e tornou-se extremamente rico, despertando a inveja dos demais ministros. Movidos pelo ciúme, começaram a difamá-lo diante do rei. Espalharam várias acusações e, entre outras coisas, afirmaram que sua fortuna havia sido construída às custas do tesouro real.
 
Inicialmente o rei não deu atenção às calúnias, pois conhecia a honestidade e a integridade do ministro judeu. Contudo, como os ministros insistiam em fazer uma investigação, não lhe restou alternativa a não ser convocá-lo para prestar esclarecimentos sobre seus bens. Ao apresentar-se diante do rei, este lhe perguntou:
 
- Qual é o valor exato de toda a sua riqueza?
 
Em resposta, o ministro mencionou uma quantia muito menor do que a estimada. O rei, sabendo que o montante declarado era muito inferior ao verdadeiro, enfureceu-se e ordenou imediatamente o confisco de todos os seus bens. Quando tudo foi trazido ao palácio, ficou evidente que o ministro havia mentido descaradamente. O rei então mandou prendê-lo até que fosse devidamente julgado.
 
Quando o dia do julgamento se aproximou, o rei mandou trazer novamente o ministro à sua presença e perguntou-lhe como ousara mentir sobre algo que era tão evidente. O ministro judeu aproveitou a oportunidade para esclarecer suas palavras e disse:
 
- Tudo o que eu disse é verdade! Eis a explicação: costumo anotar em um caderno as quantias que separo para Tsedaká. Quando fui perguntado sobre o valor de minha riqueza, mencionei o montante registrado nesse caderno, pois essa é minha verdadeira riqueza, guardada nos tesouros do Céu, e ninguém pode tirá-la de mim.
 
- Quanto ao restante de meus bens - prosseguiu o ministro judeu - não os considero minha verdadeira riqueza, pois não há garantia alguma de que permanecerão comigo. A prova está diante de nós: Sua Majestade sabe muito bem o que aconteceu com minha “riqueza imaginária”, que em um instante foi confiscada e retirada de mim.
 
Imediatamente o rei ordenou que lhe trouxessem o “caderno da Tsedaká”. Após verificar que as palavras do ministro eram sinceras, devolveu-lhe todos os seus bens e o restituiu ao cargo.”
 
Nosso dinheiro pode ir e vir de repente. O ministro judeu tinha uma fortuna, mas em um instante tudo foi confiscado. Isso demonstra que não era seu de verdade. Somente é nosso de verdade o dinheiro que utilizamos para Torá, Mitzvót e Tsedaká. Esse dinheiro ninguém pode tirar de nós e está guardado para toda eternidade.

Nesta semana lemos a Parashat Nassó (literalmente “Conte”), que traz diversos ensinamentos importantes, tais como a Sotá e o Nazir, e termina com as doações dos Nessiim na inauguração do Mishkan, quando o Nassi de cada Tribo trouxe sua oferenda em um dia diferente.
 
Um dos assuntos tratados na nossa Parashá é os “Matanót Kehuná”, isto é, presentes que D’us nos ordenou darmos aos Cohanim. Como eles se dedicavam apenas a cuidar das necessidades espirituais do povo judeu, como os Serviços do Beit Hamikdash, então D’us incumbiu o restante do povo de ajudá-los em seu sustento, nos ordenando a dar a eles 24 tipos diferentes de presentes, entre eles algumas partes dos Korbanót e uma parte da nossa colheita, conhecida como Terumá, que após ser separada se torna uma comida sagrada. Sobre estes “presentes sagrados” que damos aos Cohanim, a nossa Parashá traz o seguinte versículo: “E as coisas sagradas de cada homem serão suas. Aquilo que um homem der ao Cohen será seu” (Bamidbar 5:10)
 
Porém, se analisarmos com cuidado as palavras deste versículo, perceberemos que ele desperta uma dúvida. Se a Torá nos ordenou a darmos as coisas sagradas aos Cohanim, por que o versículo diz “as coisas sagradas de cada homem serão suas”? Rashi (França, 1040 - 1105) explica que como os presentes do Cohen já foram explicitamente mencionados, poderíamos pensar que eles podem vir e tomá-los à força. Por isso, a Torá declarou que o benefício, isto é, o direito de decidir a qual Cohen ele deseja entregá-las, pertence ao proprietário.
 
Já o Rav Israel Meir HaCohen zt”l (Bielorússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim, explica que neste versículo há uma alusão a um princípio fundamental e importante que toda pessoa deve lembrar a cada instante de sua vida: a verdadeira riqueza do homem consiste exclusivamente dos frutos de seu esforço espiritual. Isso significa que os assuntos de santidade com os quais ele se ocupa, tais como Torá, Mitsvót, Tefilá e Chessed, constituem suas aquisições verdadeiras e eternas, acompanhando-o tanto em vida quanto após sua morte. Somente “suas coisas sagradas” constituem uma posse verdadeira. Todo o resto, isto é, as ações e ocupações mundanas realizadas sob a influência do Yetzer Hará, não constitui uma aquisição verdadeira. São como amigos falsos, que aparentam lealdade e afeição, mas cujo vínculo é apenas temporário e, na hora da aflição, o abandonam à própria sorte.
 
Sobre esse conceito, nossos sábios trouxeram uma parábola interessante: um homem tinha três amigos: Reuven, Shimon e Levi. Reuven era profundamente amado por ele, e parecia-lhe que esse amor era recíproco. Também Shimon era considerado um bom amigo, embora não tão íntimo quanto Reuven. Já com Levi sua relação era mais distante do que com os outros, e ele jamais dera grande importância ao vínculo entre eles. Certo dia, o homem foi convocado a comparecer diante do rei. O motivo da convocação era desconhecido, e ele ficou apavorado com o que poderia lhe acontecer. “Talvez tenham me denunciado”, pensou, “e, nesse caso, posso ser condenado à morte”. Em sua aflição, voltou-se aos seus amigos, pedindo-lhes que o acompanhassem ao rei e intercedessem em seu favor. Para sua grande surpresa, Reuven, que ele considerava ser seu amigo mais fiel, recusou-se a acompanhá-lo. Também Shimon concordou apenas em acompanhá-lo até os portões do palácio, mas deixou claro desde o início que não iria além. Sem alternativa, o homem procurou Levi. Embora, após a recusa dos dois amigos mais próximos, fosse natural imaginar que o terceiro certamente também não aceitaria, Levi, para sua surpresa, concordou de bom grado em acompanhá-lo ao rei e ainda prometeu fazer todo o possível para defendê-lo.
 
Como trazemos esta parábola à nossa realidade? O dinheiro e os bens materiais, tão queridos ao homem, são comparáveis a Reuven. Durante toda a vida da pessoa, a riqueza se apresenta como uma grande amiga e nos engana. O homem imagina que, por meio do dinheiro e da honra, estará protegido contra sofrimentos e dificuldades. Porém, o dia da morte, momento em que a verdadeira amizade é posta à prova, revela a realidade, conforme ensinaram os nossos sábios: “Pois, na hora da partida do homem deste mundo, não o acompanham nem prata, nem ouro, nem pedras preciosas ou pérolas, mas apenas Torá e boas ações” (Pirkei Avót 6:9). Os familiares e amigos são comparáveis a Shimon na parábola. Eles não abandonam a pessoa no momento da morte. Choram por ela e a acompanham até o túmulo. Porém, ali se despedem dela e a deixam seguir sozinha.
 
O livro Yalkut Lekach Tov explica, com base nessa parábola, o seguinte versículo: “Esteja preparado pela manhã, e subirá pela manhã ao Monte Sinai e se apresentará diante de Mim no topo do monte. Nenhum homem subirá com você, ninguém será visto em lugar algum do monte, nem mesmo o rebanho e o gado pastarão diante daquele monte” (Shemot 34:2,3). Este mundo é comparado à noite, enquanto o Mundo Vindouro é comparado ao dia. O amanhecer se refere ao momento em que a pessoa chega ao mundo da verdade. Durante toda a vida, o homem deve se preparar para esse momento, pois naquele dia “você se apresentará diante de Mim no topo do monte”, isto é, a pessoa se apresentará diante de D’us para ser julgada por seus atos. “Nenhum homem subirá com você” significa que amigos e parentes queridos não nos acompanharão neste momento, teremos que ir sozinhos. Eles nos acompanharão até o túmulo, mas não além. “Ninguém será visto em lugar algum do monte” significa que não devemos depositar nossa esperança na ajuda de ninguém. “Nem mesmo o rebanho e o gado pastarão diante daquele monte” significa que até mesmo a nossa riqueza, que imaginávamos ser uma amiga fiel, não nos ajudará, pois ela sequer chegará diante do monte. Somente “Torá e boas ações”, como ensinado no Pirkei Avót, são como o Levi da parábola, os amigos fiéis que continuam acompanhando o homem até diante do Trono Celestial.
 
Muitas pessoas não percebem a profundidade dessa “amizade” e nem o tamanho da salvação que Torá e as boas ações trazem ao homem. Essa é a razão pela qual, na parábola, Torá e as boas ações são representadas pelo amigo aparentemente menos importante. “E as coisas sagradas de cada homem serão suas” vem nos lembrar e ensinar quem são nossos verdadeiros companheiros, amigos e defensores, prontos para falar bem de nós diante do Criador. Eles permanecem conosco para sempre, “serão suas”. Nossa obrigação, portanto, é cultivar essa amizade: multiplicar “amigos” assim durante os dias de nossa vida e desfrutar de sua companhia todos os dias.
 
O final do versículo, “aquilo que o homem der ao Cohen”, complementa esse ensinamento. A Torá nos ensina a direcionar nossos recursos para fins espirituais, pois, de toda a riqueza material do homem, nada restará após sua morte. Somente aquilo que foi investido em Tsedaká e Chessed “será seu”. Ou seja, esse dinheiro é verdadeiramente seu e permanecerá seu para sempre. Ficará guardado para ele e nenhum ladrão poderá levar embora. Se queremos investimentos bons, seguros e de excelente retorno, em vez de investir em ações na bolsa, vale a pena investir em boas ações. Esse investimento é realmente seguro e garantido.

SHABAT SHALOM 

R’ Efraim Birbojm

 

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