quinta-feira, 16 de julho de 2026

BRONCAS COM AMOR - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT DEVARIM E TISHÁ BE AV 5786

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Luna Rachel bat Sara

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Sr. Nelson ben Luiza zt"l (Nissim ben Luna) 

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ASSUNTOS DA PARASHAT DEVARIM
  • Moshé começa a relembrar os principais acontecimentos.
  • Bronca “encoberta” de Moshé.
  • Apontando juízes sobre o povo.
  • Episódio dos espiões.
  • Encontro com Essav (Terra de Seir).
  • Encontro com Moav.
  • Encontro com Amon.
  • A conquista de Og.
  • A herança de Reuven, Gad e metade de Menashe.
 
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PARASHAT DEVARIM 5786


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BRONCAS COM AMOR - PARASHAT DEVARIM E TISHÁ BE AV 5786 (17/jul/26)

“O Rav Israel MiVizhnitz zt”l (Império Austríaco, 1860 - Romênia, 1936) costumava sair todas as tardes para caminhar. Certa vez, durante esse passeio, ele foi à casa do diretor do banco local, um homem instruído, mas muito afastado do judaísmo. O rabino bateu à porta e, quando o mordomo abriu, ele entrou em silêncio.
 
O dono da casa, que era educado e cortês, recebeu o rabino com grande respeito. Ofereceu-lhe uma cadeira e aguardou. O rabino sentou-se e permaneceu completamente em silêncio. Passaram-se alguns minutos sem que uma única palavra fosse dita. Por fim, o rabino levantou-se, despediu-se cordialmente e foi embora.
 
Por respeito, o anfitrião acompanhou o rabino até a casa dele. Quando chegaram, já não conseguindo conter a curiosidade, ele finalmente perguntou:
 
- Rabino, em minha casa não seria educado perguntar por que o senhor me honrou com sua visita. Mas agora peço que me diga: qual foi o motivo?
 
- Fui à sua casa para cumprir uma Mitsvá - respondeu serenamente o rabino - e consegui cumpri-la.
 
- Que Mitsvá? - perguntou o homem, ainda mais intrigado.
 
- Os nossos sábios ensinaram: “Assim como é Mitsvá dizer aquilo que será ouvido, também é Mitsvá não dizer aquilo que não será ouvido” - explicou o rabino - Se eu tivesse permanecido em casa, como poderia cumprir essa Mitsvá? Era preciso ir até a casa daquele que não ouviria e, estando lá, não lhe dizer nada.
 
O diretor do banco insistiu para que ele falasse, pois quem sabe o escutaria, mas o rabino se recusou, afirmando que tinha certeza de que ele não ouviria. Quanto mais o rabino se recusava a falar, maior se tornava a curiosidade do homem. Depois de muita insistência, o rabino finalmente revelou:
 
- Há uma viúva, extremamente pobre, que deve ao banco uma enorme quantia referente à hipoteca de sua casa. Ela não tem como pagar. Em breve, o banco leiloará a casa e ela será despejada. Eu queria pedir que o senhor cancelasse essa dívida. Porém, não o fiz por saber que o senhor não me escutaria.
 
- Como eu poderia fazer isso? - respondeu o homem, assustado - O dinheiro é do banco. Sou apenas o diretor!
 
- Eu sabia que era isso que o senhor diria - respondeu o rabino, com um sorriso - por isso não queria lhe dizer.
 
Com essas palavras, o rabino encerrou a conversa, se despediu e entrou em casa. Mas a conversa não terminou no coração daquele homem. As palavras do rabino penetraram em sua consciência e não lhe deram descanso. Dias depois, ele retirou do próprio bolso toda a quantia da dívida e permitiu que a viúva ficasse com a casa.”
 

Muitas vezes, quando gritos e broncas duras não têm efeito, a delicadeza consegue resultados impressionantes.

 

Nesta semana lemos a Parashat Devarim (literalmente “Palavras”), começando o último livro da Torá, Devarim, que trata principalmente dos discursos finais de Moshé em suas últimas cinco semanas de vida. Ele relembrou os principais acontecimentos ocorridos nos quarenta anos em que o povo judeu permaneceu no deserto, aproveitando para repreender o povo pelos erros graves cometidos.
 
E assim diz o versículo que introduz as palavras de Moshé: “Moshé falou aos filhos de Israel, conforme tudo o que Hashem lhe havia ordenado a dizer-lhes” (Devarim 1:3). Porém, o Rav Zalman Sorotzkin zt”l (Império Russo, 1881 - Israel, 1966) pergunta: no início da Parashá já havia sido dito: “Estas são as palavras que Moshé falou” (Devarim 1:1). Por que a Torá voltou a enfatizar que “Moshé falou”? E por que da segunda vez a Torá acrescentou que as palavras foram “conforme tudo o que Hashem lhe havia ordenado a dizer”?
 
A resposta começa com o entendimento de um interessante ensinamento do Talmud (Ketubot 105b): “Se um Talmid Chacham é amado pelos habitantes da cidade, não é necessariamente porque ele seja mais virtuoso, mas porque ele não os repreende em assuntos do Céu”. Mas por que o Talmud acrescenta a expressão “em assuntos do Céu”? Bastaria dizer: “porque não os repreende”!
 
Na realidade existem duas formas de repreensão. Há uma forma de repreensão que é feita “na linguagem dos homens”, de forma mais delicada, apenas com alusões e parábolas, mas não de maneira direta. Há, entretanto, a forma de repreensão “em assuntos do Céu”, quando a pessoa diz a verdade de forma direta e contundente, como fez o profeta Yeshayahu ao declarar: “Ai da nação pecadora, povo carregado de iniquidade, descendência de malfeitores, filhos corruptores...” (Yeshayahu 1:4), trecho que é lido justamente na Haftará desta semana.
 
Qual é a diferença entre os dois tipos de repreensão? A repreensão “em assuntos do Céu” frequentemente desperta oposição da pessoa que escuta e até mesmo coloca em risco quem repreende. Não por acaso, o profeta Yeshayahu acabou sendo morto pelo rei Menashé. Já a repreensão “na linguagem dos homens” normalmente faz com que as palavras possam ser aceitas e recebidas.
 
Isso significa que a repreensão “na linguagem dos homens” é sempre melhor do que a repreensão “em assuntos do Céu”? Não necessariamente, e é justamente isso o que um interessante Midrash vem nos ensinar: “Quando D’us pediu a Moshé que repetisse a Torá, ele não quis repreender Israel pelo que haviam feito de errado. A que isso se assemelha? A um aluno que caminhava com seu professor e viu uma pedra jogada no chão. Pensando que era uma pedra preciosa, ele a pegou e queimou-se, pois na verdade era uma brasa. Dias depois, caminhando novamente com seu professor, o aluno viu outra pedra preciosa, mas pensando que novamente tratava-se de uma brasa, teve medo de tocá-la. Seu professor lhe disse: ‘Pegue-a, é uma pedra preciosa’. Assim disse Moshé: ‘Por causa do que eu lhes disse: “Escutem agora, seus rebeldes”, sofri o castigo por causa deles, e agora voltarei a repreendê-los?’. D’us então respondeu-lhe: ‘Moshé, não tenha medo’”.
 
Desta maneira podemos entender a aparente repetição no início da Parashá. Normalmente Moshé repreendia o povo “em assuntos do Céu”, de forma bem direta e rígida. Porém, quando ele fez isso após a reclamação do povo por água, dizendo: “Escutem agora, seus rebeldes” (Bamidbar 20:10), ele foi punido por D’us e perdeu o mérito de entrar na Terra de Israel. Foi justamente por isso que Moshé iniciou sua última repreensão apenas por meio de alusões. No primeiro versículo da Parashá está escrito: “Estas são as palavras que Moshé falou a todo Israel, do outro lado do Yarden, no deserto, na planície, diante de Suf, entre Paran, Tofel, Lavan, Chatzerot e Di Zahav” (Devarim 1:1). Rashi (França, 1040 - 1105) explica que esses locais não são mencionados para indicar uma localização geográfica, já que lugares como “Tofel” e “Lavan” não existiam. Na verdade, são alusões às falhas que o povo cometeu no deserto. Por exemplo, “Na planície” refere-se ao pecado de Baal Peor, nas planícies de Moav. “Tofel e Lavan” é uma alusão às reclamações sobre o Man. “Di Zahav” é uma alusão ao Bezerro de Ouro.
 
Entretanto, D’us ordenou a Moshé que, antes de sua morte, advertisse o povo de maneira clara e explícita, garantindo que nenhum mal lhe aconteceria. A partir desse momento, Moshé passou a falar “conforme tudo o que D’us lhe havia ordenado”, dizendo abertamente: “Vocês se rebelaram contra a palavra de Hashem, seu D’us” (Devarim 1:26) e “Rebeldes vocês foram contra Hashem desde o dia em que eu os conheci” (Devarim 9:24).
 
As duas maneiras usadas por Moshé para repreender o povo nos ensinam uma lição muito preciosa: não há forma padrão para repreender alguém que cometeu um erro. Mesmo a repreensão dura é retratada pelo Midrash como uma “pedra preciosa”. Porém, devemos ter sensibilidade para perceber o que a pessoa realmente precisa para escutar. A repreensão deve ser, antes de tudo, um ato de amor, motivado pelo desejo de ajudar o próximo a corrigir seus erros e a melhorar. Algumas vezes é suficiente uma leve indicação do erro cometido, mas outras vezes isso não é suficiente para a pessoa se arrepender. A história do Rav Israel MiVizhnitz mostra que a verdadeira sabedoria da repreensão não está apenas no que se diz, mas principalmente em como se diz. Há momentos em que a verdade deve ser dita sem rodeios; em outros, uma atitude delicada, uma insinuação ou até mesmo o silêncio têm muito mais força do que um discurso inteiro. O desafio é discernir qual maneira é a vontade de D’us para cada pessoa e em cada situação.
 
Na próxima quarta-feira de noite (22/jul/26) começa Tishá Be Av, o dia mais triste do ano. Neste dia nos sentamos no chão e choramos pela destruição dos nossos dois Templos, que ocorreram justamente neste dia, o nono dia do mês de Av. Além disso, várias outras tragédias aconteceram neste dia. Sabemos que tudo o que D’us faz é para o bem, pois Ele tem misericórdia infinita. Então por que Ele permitiu que todas estas tragédias acontecessem?
 
D’us nos ama e quer sempre o nosso bem. Mas, da mesma forma que é Mitzvá um pai educar seu filho, às vezes com palavras suaves e outras vezes com palavras mais duras, assim também D’us se comporta conosco. Quando D’us percebe que estamos adormecidos espiritualmente, nos afastando Dele, Ele nos dá uma sacudida, querendo nos despertar e nos trazer de volta. As Suas broncas duras são atos de amor, de preocupação. Estas Três Semanas são uma oportunidade de reflexão: D’us, um Pai amoroso, nos quer de volta. Que possamos dar o primeiro passo. 

SHABAT SHALOM E TSOM KAL

R’ Efraim Birbojm

 

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ASSUNTOS DAS PARASHIÓT
PARASHAT MATÓT
  • Juramentos e Promessas.
  • Atacando os Midianim.
  • Moshé critica a decisão dos oficiais de poupar as mulheres.
  • Purificação depois da guerra (Kasherização dos utensílios).
  • Divisão dos despojos de guerra.
  • Dedicação de parte dos despojos de guerra.
  • O Pedido de Reuven e Gad.
  • Bronca de Moshé.
  • O pedido é esclarecido.
  • As Condições de Moshé – Participação na conquista e divisão da Terra de Israel.
PARASHAT MASSEI
  • Resumo da Jornada: O Êxodo até a morte de Aharon
  • As Jornadas Finais.
  • Orientações para ocupação da Terra de Israel.
  • As fronteiras da Terra de Israel.
  • Nova liderança para a Terra de Israel.
  • As Cidades dos Leviim.
  • As Cidades de Refúgio (Assassinato não intencional).
  • Proibição de casamentos entre as Tribos.

 
 
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SÒ O AMOR GRATUITO CONSTRÓI - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5786 (10/Jun/26)

Charlotte Herzberg tinha apenas 8 anos. Uma menina sardenta, de sorriso contagiante, que vivia em Monsey, Nova York. Em uma tarde como tantas outras, no fatídico dia 2 de junho de 2026, ela pedalava sua bicicleta perto de casa quando foi atingida por um carro. O motorista não estava no celular, nem embriagado, nem em alta velocidade. Era um membro respeitado da comunidade judaica ortodoxa local, voluntário dedicado da Hatzalá. E, mais do que isso, era o melhor amigo e Chavruta de Yehuda Herzberg, o pai de Charlotte. O motorista assumiu imediatamente a responsabilidade pelo terrível acidente. Infelizmente, Charlotte não resistiu aos ferimentos.
 
Naquela noite, voltando do hospital, com o coração rasgado por uma dor terrível, Yehuda fez uma parada. Foi à casa do amigo que dirigia o carro. Foi abraçá-lo, consolá-lo e dar-lhe forças. Duas vidas poderiam ter sido destruídas: uma pela morte, e a outra pela culpa e recriminação. Mas não foi isso o que aconteceu.
 
No funeral da filha, Yehuda falou sobre os sentimentos de dor e o medo da divisão que aquela tragédia poderia causar entre vizinhos e amigos. Declarou, publicamente e com firmeza, que o Yetser Hará havia tentado dividir a Kehilá ao fazer com que quem estivesse dirigindo o carro fosse justamente o seu melhor amigo e Chavruta.
 
- Naquele momento, minha esposa e eu entendemos que estávamos diante de um teste - disse ele. - Meu grande amigo jamais quis que isso acontecesse. Nós não vamos cair, nem brigar. Não permitiremos que o Yetzer Hará vença. Vamos transformar essa tragédia em uma oportunidade de conserto e crescimento.
 
Na noite seguinte, quando as pessoas chegaram para consolar a família durante a Shivá, a cena que viram era inacreditável. Yehuda e o motorista do carro estavam abraçados, chorando, consolando um ao outro. A poucos passos dali, a mãe de Charlotte e a esposa do motorista, amigas íntimas, também se abraçavam e choravam juntas.
 
A mensagem não ficou restrita àquela casa. Rabinos contaram a história em seus Shiurim e convocaram os alunos a darem também o primeiro passo rumo ao Shalom. Ainda durante a Shivá, nascia a campanha “Shalom for Charlotte” (www.shalomforcharlotte.com). A família enlutada passou a pedir que todo aquele que pudesse colocar fim a uma antiga briga, resolver um ressentimento acumulado, um conflito entre vizinhos ou um afastamento familiar, que fizesse isso em elevação da alma de Charlotte e compartilhasse a história. Os relatos compartilhados são impressionantes: irmãos que não se falavam há anos, sócios que haviam rompido relações, uma sinagoga prestes a se dividir por uma disputa interna. Em poucas semanas, o site já havia reunido mais de dois mil relatos de dezenas de países. A família escreveu: “Poderíamos ter escolhido culpar, sentir raiva e afundar na dor. Mas entendemos que podemos aproximar a Redenção por meio de pequenos passos de perdão e entendimento”.

 

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Matót (literalmente “Tribos”) e Massei (literalmente “Viagens”). A Parashá Matót fala sobre promessas e Kasherização de utensílios. Já a Parashat Massei recorda as viagens do povo judeu e fala sobre as “cidades de refúgio” para assassinos não intencionais.
 
Na Parashá Matót, D’us deu um comando a Moshé: “Vingue os Bnei Israel dos Midianim” (Bamidbar 31:2). Era uma vingança pelo ato hediondo dos Midianim, que utilizaram suas próprias filhas como “iscas” para atrair o povo judeu e levá-los à idolatria e às imoralidades. Das palavras “dos Midianim” aprendemos que a guerra deveria ser apenas contra Midian, mas não contra Moav. Porém, quem começou o problema foi justamente Balak, o rei de Moav, quando contratou Bilaam para amaldiçoar o povo judeu! E os Moavim também estavam envolvidos no ato hediondo! Então por que D’us ordenou a guerra apenas contra os Midianim?
 
Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que os Moavim se envolveram por medo, pois receavam que os judeus conquistariam suas terras. Os Midianim, porém, “intrometeram-se em uma disputa que não lhes dizia respeito”. O Rav Meir Rubman zt”l (Lituânia, 1895 - Israel, 1967) explica que a gravidade da atitude dos Midianim não foi o ato propriamente dito, mas a intenção. Enquanto os Moavim agiram por um instinto de autodefesa, os Midianim entraram na guerra e tentaram destruir o povo judeu sem qualquer motivo, isto é, por ódio gratuito.
 
O Rabeinu Asher zt”l (Alemanha, 1250 - Espanha, 1327), mais conhecido como Rosh, traz outro motivo para a gravidade daquele que se envolve em uma briga que não é sua. Ele explica que não devemos nos intrometer em uma disputa que não nos pertence pois, no fim, os envolvidos farão as pazes e nós permaneceremos com o ressentimento. Quando uma discussão nasce de um motivo concreto, ao desaparecer a causa, desaparece também a disputa. Já o conflito daquele que entra na briga alheia não tem fim, pois não depende de uma causa real.
 
“Entrar na briga alheia” se refere a “tomar as dores” de parentes e amigos em uma briga. Mas é óbvio que podemos, e devemos, nos envolver quando se trata de tentar fazer Shalom. O Talmud (Brachót 64a) afirma que uma das características dos Talmidei Chachamim é que eles “multiplicam a paz no mundo”. Isso significa que o papel deles vai além do amor gratuito. Eles não apenas deixam de odiar e passam a amar. Eles trabalham ativamente para aumentar a paz entre as pessoas.
 
Também no texto da reza “Avinu Malkeinu” encontramos uma alusão à gravidade com que nossos sábios encaram o ódio gratuito. Dizemos: “Nosso Pai, nosso Rei, lembra da Sua misericórdia e controla Sua ira. Remova de nós e de todo o Teu povo a peste, a espada, a fome, o cativeiro, o destruidor, a transgressão, a epidemia, todo mal, toda enfermidade, toda desgraça, toda discórdia, toda espécie de calamidade, todo decreto mau e o ódio gratuito”. É uma lista medonha. O que falta de desgraças nessa longa lista? E, ainda assim, o último item é justamente o ódio gratuito. A forma de expressão dos nossos sábios é ir do mais leve ao mais grave, como ensina o Talmud (Bava Batra 8b): “O que vem por último é o mais severo”. Sendo assim, concluímos que o ódio gratuito é mais grave do que todas as demais calamidades e decretos mencionados. Devemos encarar essa transgressão como um verdadeiro assassino, pois o Talmud (Shabat 32b) ensina: “Pelo pecado do ódio gratuito, multiplicam-se as brigas dentro da casa da pessoa, sua esposa sofre abortos, e seus filhos morrem ainda pequenos”.
 
Para consertar essa transgressão e arrancá-la do coração é preciso agir de maneira oposta: esforçar-se para amar o próximo com amor gratuito, ou seja, sem esperar nada em troca; amar simplesmente porque ele é judeu, por ter sido chamado de “Filho de Hashem”. Com isso compreendemos bem o que dizemos em Shoshanat Yaakov, após a leitura da Meguilat Ester: “Maldito seja Haman, que quis me destruir; bendito seja Mordechai, o judeu”. Por que explicamos o motivo de amaldiçoar Haman, “que quis me destruir”, mas não apresentamos nenhuma justificativa para bendizer Mordechai? A resposta é que sem nenhuma razão seria proibido amaldiçoar até mesmo Haman, pois aprendemos: “Amado é o ser humano, pois foi criado à imagem de D’us” (Avot 3:14). Odiamos Haman unicamente porque ele “quis me destruir”. Já para amar Mordechai não é necessária nenhuma justificativa. Basta o fato de ele ser “Mordechai, o judeu”, e já devemos amá-lo, mesmo sem motivo específico.
 
Estamos nas “Três Semanas”, época de tristeza e luto do povo judeu, que culmina com Tishá Be Av, o dia no qual nossos dois Templos foram destruídos. O Rambam (Espanha, 1135 – Egito, 1204) explica que “esses dias foram instituídos para despertar os corações e abrir os caminhos do arrependimento; para recordar nossas más ações e as de nossos antepassados que causaram aquelas tragédias. Ao nos lembrarmos delas, retornaremos ao bem”. Quais más ações trouxeram tantas desgraças? O Talmud (Yoma 9b) explica: “O Primeiro Templo foi destruído por idolatria, imoralidade e derramamento de sangue. O Segundo Templo, embora naquela geração estudassem Torá, cumprissem Mitzvót e fizessem Chessed, foi destruído por causa do ódio gratuito. Isso ensina que o ódio gratuito equivale às três transgressões mais graves juntas”. E ainda não conseguimos consertá-lo.
 
O Rav Natan Tzvi Finkel zt”l (Império Russo, 1849 - Israel, 1927), mais conhecido como Saba MiSlabodka, questiona: como nosso coração não estremece enquanto o Satan do ódio gratuito continua dançando entre nós? Quem sabe quantas calamidades ainda nos aguardam? Somos melhores que os nossos antepassados? Eles estudavam Torá, cumpriam Mitzvót e faziam Chessed, e isso não os protegeu no dia da ira de D’us. E nós? Com o que nos ocupamos? Com o ódio gratuito, dia e noite. E ainda temos a ousadia de reclamar da longa duração do nosso exílio! Nossos sábios preocuparam-se conosco. Desejaram apressar nossa Redenção e instituíram as três semanas de luto para despertar nossos corações ao arrependimento. E o que fazemos? Cumprimos as leis e costumes que eles instituíram mecanicamente, como crianças, sem refletir sobre nossas próprias transgressões. Podemos escutar muitas aulas sobre a importância de construir o Shalom dentro de uma Kehilá. Mas, através da Família Herzberg, aprendemos uma lição viva em nossa própria geração. Nos inspira saber que existem dentro do povo judeu pessoas verdadeiramente extraordinárias, que estão nos convidando a nos elevar.
 
A Parashá Massei fala sobre mortes causadas por alguém sem intenção de causar dano. Diante da perda, o ser humano naturalmente busca um culpado, canalizando seu luto em raiva e vingança. Isso explica a figura do “vingador do sangue”, algo que ainda é presente em diversas sociedades do Oriente Médio. Para prevenir esse tipo de vingança, a Torá estabeleceu as “cidades de refúgio”, para onde um assassino involuntário poderia fugir e ser protegido. A existência do “vingador de sangue” demonstra que Torá entende o ser humano. Seria demais esperar que a família enlutada reconhecesse a inocência do responsável e abrisse mão de sua raiva. E, no entanto, foi isso que a família de Charlotte fez. Não porque a dor fosse menor, mas porque, diante dela, escolheram enxergar a mão de D’us e responder à tragédia com entendimento, aceitação da Vontade Divina e Shalom.

SHABAT SHALOM 

R’ Efraim Birbojm

 

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ASSUNTOS DAS PARASHIÓT
PARASHAT BEHAR
  • Shmitá.
  • Yovel e o toque do Shofar em Yom Kipur.
  • Proibição de causar sofrimento (Onaát Mamon e Devarim).
  • Venda e Resgate da terra em Israel.
  • Casas em cidades muradas.
  • Casas nas Cidades dos Leviim.
  • Ajuda aos necessitados.
  • Leis dos escravos.
  • Resgate de escravos das mãos de Goim.
 
PARASHAT BECHUKOTAI
  • Recompensas pela obediência.
  • Advertência e Passos de afastamento espiritual.
  • Punições por desobediência (5 séries de advertências).
  • Destruição e arrependimento.
  • Conclusão das advertências e consolo.
  • Avaliações de doações ao Kodesh.
  • Doações de animais e imóveis para o Mishkan e resgate.
  • Maasser de animais.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, 
R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l 

 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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