sexta-feira, 28 de agosto de 2026

QUAL É O LIMITE DA GRATIDÃO? - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT KI TAVÔ 5786

BS"D
O e-mail desta semana é dedicado à Refua Shleima (pronta recuperação) de 

Eliezer Baruch ben Sheindel
Yehudit bat Chaia Beila
Yeshayahu Eliezer ben Chaia
Esther Chava bat Sarah
Avraham Yaacov ben Miriam Chava

Luna Rachel bat Sara
Esther Luna bat Rachel


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O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de:


Sr. Nelson ben Luiza zt"l (Nissim ben Luna) 

Sr. Avraham Favel ben Arieh z"l 

Sra. Rachel bat Luna 


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Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
efraimbirbojm@gmail.com.
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PARASHAT KI TAVÔ 5786


         São Paulo: 17h35                 Rio de Janeiro: 17h21 

Belo Horizonte: 17h27                  Jerusalém: 18h28
ASSUNTOS DA PARASHAT KI TAVÔ
  • Primeiros Frutos (Bikurim).
  • Declaração pela separação dos Dízimos.
  • Relacionamento de D’us e o povo judeu.
  • O novo pacto: as pedras escritas.
  • Tornando-se uma Nação.
  • A Brachá e a Klalá.
  • A Brachá pela obediência.
  • A Klalá pela desobediência.
  • O Pacto.
  • O discurso final de Moshé.
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QUAL É O LIMITE DA GRATIDÃO? - PARASHAT KI TAVÔ 5786 (28/AGO/26)

Era um dia chuvoso de inverno, e o Rav Elazar Menachem Man Shach zt”l (Lituânia, 1899 - Israel, 2001), famoso Rosh Yeshivá de Ponevezh, ligou para o seu neto e pediu que ele chamasse um táxi para levá-lo a um enterro em Haifa. O neto decidiu acompanhá-lo, pois pensou: “Se meu avô vai a um enterro em Haifa, deve ter falecido algum grande rabino de lá”. Porém, quando eles chegaram, o neto descobriu, para sua enorme surpresa, que se tratava do enterro de uma pessoa simples, uma senhora idosa. Mal havia Minian, e o neto do Rav Shach não conseguia entender por que seu avô quis ir ao enterro daquela senhora.
 
Entretanto, o mais surpreendente aconteceu após o velório. O Rav Shach quis ir ao cemitério, mesmo sob uma chuva torrencial. Ele esperou até que o corpo fosse enterrado e então recitou Kadish por aquela mulher. Depois, ficou ali, por alguns minutos, sob a chuva intensa, junto ao túmulo. O neto estava surpreso com o que estava testemunhando. Não conseguia entender. Quando voltaram ao táxi, o Rav Shach não disse nada. Finalmente, o neto perguntou quem era aquela senhora. O Rav Shach então explicou:
 
- Quando eu fui estudar em uma Yeshivá na Europa, as coisas não eram como hoje, quando as Yeshivot têm confortáveis dormitórios. Os rapazes estudavam o dia inteiro na sinagoga. Aquela era a Yeshivá. O “dormitório” eram os bancos da sinagoga, e havia um sistema de prioridades. Os alunos mais velhos, que estavam na Yeshivá há mais tempo, tinham maior probabilidade de conseguir um banco para dormir. Eu era o aluno mais jovem de lá e, portanto, não consegui um banco para dormir. Eu dormia diretamente no chão. Na Europa, nas noites frias do inverno lituano, fazia um frio congelante.
 
- Em um determinado momento, decidi: “Não aguento mais!” – continuou o Rav Shach - Eis que, naqueles dias, recebi uma carta de um dos meus tios, um homem que não tinha filhos. Meu tio escreveu: “Escute, estou ficando mais velho e não tenho filhos. Tenho um negócio, quero que você venha aprender, pois será tudo seu depois que eu morrer”. Eu havia decidido em minha mente que aceitaria esse trabalho. Eu simplesmente não conseguia mais suportar o frio congelante.
 
- Naquela noite, uma mulher, cujo marido havia acabado de falecer, levantou-se da Shivá – contou o Rav Shach, emocionado - O marido possuía uma fábrica de cobertores. Ela entrou na sinagoga e perguntou: “Alguém aqui precisa de cobertores?”. Eu disse: “Sim. Eu preciso”. Com alguns cobertores no chão e outros sobre mim, minhas condições para dormir se tornaram “suportáveis”. Eu decidi ficar e tornei-me o Rav Shach.
 
- Esta mulher de Haifa foi a mulher que me deu os cobertores na Lituânia, tantos anos atrás – concluiu o Rav Shach – Sem essa mulher, não existiria Rav Shach, não existiria o meu livro Avi Ezri, não existiria o Rosh Yeshivá de
Ponevezh, não existiria nada disso! Eu acompanhei o que acontecia com essa mulher, mesmo décadas depois. Então, quando soube que ela havia falecido, senti que precisava ir ao seu enterro.
 
- Tudo bem - disse o neto - Entendo que você foi ao velório, entendo que você ficou para o enterro e que disse Kadish por ela. Mas por que você permaneceu lá fora, de pé, junto ao túmulo, sob a chuva, mesmo depois que o enterro já havia terminado?
 
- É porque eu queria me lembrar de como era sentir frio – respondeu o Rav Shach - Eu queria apreciar plenamente o que ela fez por mim há tantos anos. É por isso que permaneci lá fora”.
 
Para os grandes sábios do povo judeu, que entendiam a importância do Hakarat HaTov, expressar a gratidão por uma bondade recebida praticamente não tinha limites.

Nesta semana lemos a Parashat Ki Tavô (literalmente, “Quando vocês vierem”), na qual Moshé ensinou algumas Mitsvót que seriam cumpridas apenas após a entrada em Israel. O primeiro assunto da nossa Parashá é a Mitsvá de Bikurim, as primícias das sete espécies que representam a fartura de Erets Israel, que deveriam ser levadas ao Beit Hamikdash e entregues ao Cohen, acompanhadas por uma longa declaração de agradecimento a D’us, como está escrito: “E tomará dos primeiros de todos os frutos da terra” (Devarim 26:2).
 
Há um Midrash que faz um “jogo de palavras” com “Bereshit” (no início), afirmando que o mundo foi criado em função daquilo que é chamado de “Reishit”, literalmente “primeiro”. O mundo foi criado em função do povo judeu, chamado de “Reishit”. Da mesma forma, o mundo foi criado em função da Torá, chamada de “Reishit”. Finalmente, o mundo foi criado em função da Mitsvá de Bikurim, chamada de “Reishit”. Mas o que este Midrash está nos transmitindo? A Mitsvá de Bikurim provavelmente não apareceria na lista das “10 Mitzvót mais importantes da Torá” de ninguém e, apesar disso, este Midrash afirma que o mundo foi criado em função dessa Mitzvá! Qual é o significado deste Midrash?
 
O Rav Moshe Alshich zt”l (Império Otomano, 1508 - Israel, 1593) responde que a Mitzvá de Bikurim contém em si algo que é fundamental para alguém ser verdadeiramente humano: a obrigação de as pessoas expressarem sua gratidão. Isso é algo tão básico e primordial que toda a criação do mundo foi concretizada especificamente por causa desta Mitzvá, que nos ensina e nos treina na característica da gratidão.
 
Há outro Midrash que nos ensina que não há nada mais difícil para D’us suportar do que uma pessoa ingrata. O Midrash cita, como exemplo, que a razão pela qual Adam foi expulso do Gan Eden foi sua ingratidão. Seu pecado não foi apenas ter comido da “Árvore do conhecimento do bem e do mal”. Somente por esse pecado, talvez ele pudesse ter permanecido no Gan Eden. O que acabou por determinar sua expulsão foi o fato de que, em resposta à pergunta de D’us sobre por que ele havia comido o fruto da árvore proibida, Adam disse: “A mulher que Você me deu, ela me deu da árvore, e comi dela” (Bereshit 3:12). Rashi aponta que, com aquela resposta, Adam estava sendo extremamente ingrato. D’us havia criado Chavá como um presente para ele, mas Adam foi ingrato e reclamou que ela havia feito com que ele pecasse.
 
O Midrash continua dizendo que nossos antepassados no deserto também provocaram a fúria de D’us por não reconhecerem Sua bondade. Eles lamentaram a perda dos “bons e velhos tempos” no Egito, quando tinham melões, pepinos e alho, e reclamaram do Man, esquecendo as bondades que D’us havia feito ao salvá-los das torturas da escravidão egípcia com muitos milagres abertos.
 
Finalmente, o Midrash equipara o pecado da ingratidão à gravíssima transgressão da “Kfirá”, a negação de D’us. Aquele que é ingrato com seu semelhante acaba sendo, em última instância, ingrato também com o Criador. Aquele que é ingrato com seus amigos, sua esposa, seus pais e seu vizinho acabará, com o tempo, também negando as bondades recebidas de D’us.
 
Segundo o Rav Yssocher Frand, nós consideramos o Hakarat HaTov uma característica humana fundamental. Se alguém não a possui, existe uma falha básica em sua humanidade. Já o Gaon MiVilna zt”l (Lituânia, 1720 - 1797) entende a gratidão como algo além de um simples traço de caráter humano. Para ele, Hakarat HaTov é uma obrigação da Torá. No Sefer Yehoshua, uma mulher chamada Rachav escondeu em sua casa os espiões enviados por Yehoshua. Rachav pediu aos espiões que jurassem a ela, em Nome de D’us, que retribuiriam o favor a ela e à sua família, poupando-os da morte quando os judeus conquistassem a terra, como está escrito: “E agora, por favor, jurem para mim por D’us, pois eu fiz Chessed com vocês, e vocês também farão Chessed com a casa de meu pai, e a mim darão um sinal de verdade” (Yehoshua 2:12). O Gaon MiVilna aponta que, quando Rachav fala sobre salvar sua família, ela pede um “Chessed”. Porém, quando pede que sua própria vida seja poupada, ela se refere a um “sinal de verdade”. Para a própria Rachav, que arriscou sua vida para salvar os espiões, a retribuição deles estava no âmbito de “Emet”. Retribuir um favor não é apenas um “Chessed”. Lembrar-se de uma dívida de gratidão por uma bondade recebida e retribuir no momento apropriado não é uma gentileza, é algo que a pessoa está obrigada a fazer, é uma verdade absoluta.
 
Ser ingrato é uma das piores falhas de caráter que uma pessoa pode ter. Há um versículo interessante na Parashat Haazinu: “É assim que vocês retribuem a D’us, povo vil e insensato? Ele não é seu Pai, seu Criador? Ele os fez e os estabeleceu” (Devarim 32:6). A expressão usada para “vil” é “Naval”. O Rav Yitzchak Zeev Soloveitchik zt”l (Bielorrússia, 1886 – Israel, 1959), mais conhecido como Brisker Rav, observa que, quando um animal morre sem Shechitá, é chamado de “Nevelá”. Por que uma pessoa que não demonstra gratidão é chamada de “Naval”? Pois deixou de ser humano.
 
Quanto maior é uma pessoa, maior é o seu sentimento de gratidão. Existem inúmeros exemplos de grandes sábios do povo judeu que fizeram esforços extraordinários para serem pessoas gratas. Eles passavam a vida reconhecendo tudo aquilo que era feito por eles. Isso é fundamental para aquilo que significa ser verdadeiramente humano. É por isso que o mundo foi criado em função da Mitsvá de Bikurim, a Mitsvá do Hakarat HaTov, que nos ensina a superar a ingratidão e a alcançar a verdadeira grandeza humana.

SHABAT SHALOM – QUE SEJAMOS INSCRITOS E SELADOS NO LIVRO DA VIDA 

R’ Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z”L e Frade (Fany) bat Efraim Z”L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l 

 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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