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sexta-feira, 29 de maio de 2026

A VERDADEIRA RIQUEZA DO SER HUMANO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT NASSÓ 5786

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A VERDADEIRA RIQUEZA DO SER HUMANO - PARASHAT NASSÓ 5786 (29/mai/26)

“Um ministro judeu trabalhava no governo de um importante reino. Esse ministro prosperou muito em seus negócios e tornou-se extremamente rico, despertando a inveja dos demais ministros. Movidos pelo ciúme, começaram a difamá-lo diante do rei. Espalharam várias acusações e, entre outras coisas, afirmaram que sua fortuna havia sido construída às custas do tesouro real.
 
Inicialmente o rei não deu atenção às calúnias, pois conhecia a honestidade e a integridade do ministro judeu. Contudo, como os ministros insistiam em fazer uma investigação, não lhe restou alternativa a não ser convocá-lo para prestar esclarecimentos sobre seus bens. Ao apresentar-se diante do rei, este lhe perguntou:
 
- Qual é o valor exato de toda a sua riqueza?
 
Em resposta, o ministro mencionou uma quantia muito menor do que a estimada. O rei, sabendo que o montante declarado era muito inferior ao verdadeiro, enfureceu-se e ordenou imediatamente o confisco de todos os seus bens. Quando tudo foi trazido ao palácio, ficou evidente que o ministro havia mentido descaradamente. O rei então mandou prendê-lo até que fosse devidamente julgado.
 
Quando o dia do julgamento se aproximou, o rei mandou trazer novamente o ministro à sua presença e perguntou-lhe como ousara mentir sobre algo que era tão evidente. O ministro judeu aproveitou a oportunidade para esclarecer suas palavras e disse:
 
- Tudo o que eu disse é verdade! Eis a explicação: costumo anotar em um caderno as quantias que separo para Tsedaká. Quando fui perguntado sobre o valor de minha riqueza, mencionei o montante registrado nesse caderno, pois essa é minha verdadeira riqueza, guardada nos tesouros do Céu, e ninguém pode tirá-la de mim.
 
- Quanto ao restante de meus bens - prosseguiu o ministro judeu - não os considero minha verdadeira riqueza, pois não há garantia alguma de que permanecerão comigo. A prova está diante de nós: Sua Majestade sabe muito bem o que aconteceu com minha “riqueza imaginária”, que em um instante foi confiscada e retirada de mim.
 
Imediatamente o rei ordenou que lhe trouxessem o “caderno da Tsedaká”. Após verificar que as palavras do ministro eram sinceras, devolveu-lhe todos os seus bens e o restituiu ao cargo.”
 
Nosso dinheiro pode ir e vir de repente. O ministro judeu tinha uma fortuna, mas em um instante tudo foi confiscado. Isso demonstra que não era seu de verdade. Somente é nosso de verdade o dinheiro que utilizamos para Torá, Mitzvót e Tsedaká. Esse dinheiro ninguém pode tirar de nós e está guardado para toda eternidade.

Nesta semana lemos a Parashat Nassó (literalmente “Conte”), que traz diversos ensinamentos importantes, tais como a Sotá e o Nazir, e termina com as doações dos Nessiim na inauguração do Mishkan, quando o Nassi de cada Tribo trouxe sua oferenda em um dia diferente.
 
Um dos assuntos tratados na nossa Parashá é os “Matanót Kehuná”, isto é, presentes que D’us nos ordenou darmos aos Cohanim. Como eles se dedicavam apenas a cuidar das necessidades espirituais do povo judeu, como os Serviços do Beit Hamikdash, então D’us incumbiu o restante do povo de ajudá-los em seu sustento, nos ordenando a dar a eles 24 tipos diferentes de presentes, entre eles algumas partes dos Korbanót e uma parte da nossa colheita, conhecida como Terumá, que após ser separada se torna uma comida sagrada. Sobre estes “presentes sagrados” que damos aos Cohanim, a nossa Parashá traz o seguinte versículo: “E as coisas sagradas de cada homem serão suas. Aquilo que um homem der ao Cohen será seu” (Bamidbar 5:10)
 
Porém, se analisarmos com cuidado as palavras deste versículo, perceberemos que ele desperta uma dúvida. Se a Torá nos ordenou a darmos as coisas sagradas aos Cohanim, por que o versículo diz “as coisas sagradas de cada homem serão suas”? Rashi (França, 1040 - 1105) explica que como os presentes do Cohen já foram explicitamente mencionados, poderíamos pensar que eles podem vir e tomá-los à força. Por isso, a Torá declarou que o benefício, isto é, o direito de decidir a qual Cohen ele deseja entregá-las, pertence ao proprietário.
 
Já o Rav Israel Meir HaCohen zt”l (Bielorússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim, explica que neste versículo há uma alusão a um princípio fundamental e importante que toda pessoa deve lembrar a cada instante de sua vida: a verdadeira riqueza do homem consiste exclusivamente dos frutos de seu esforço espiritual. Isso significa que os assuntos de santidade com os quais ele se ocupa, tais como Torá, Mitsvót, Tefilá e Chessed, constituem suas aquisições verdadeiras e eternas, acompanhando-o tanto em vida quanto após sua morte. Somente “suas coisas sagradas” constituem uma posse verdadeira. Todo o resto, isto é, as ações e ocupações mundanas realizadas sob a influência do Yetzer Hará, não constitui uma aquisição verdadeira. São como amigos falsos, que aparentam lealdade e afeição, mas cujo vínculo é apenas temporário e, na hora da aflição, o abandonam à própria sorte.
 
Sobre esse conceito, nossos sábios trouxeram uma parábola interessante: um homem tinha três amigos: Reuven, Shimon e Levi. Reuven era profundamente amado por ele, e parecia-lhe que esse amor era recíproco. Também Shimon era considerado um bom amigo, embora não tão íntimo quanto Reuven. Já com Levi sua relação era mais distante do que com os outros, e ele jamais dera grande importância ao vínculo entre eles. Certo dia, o homem foi convocado a comparecer diante do rei. O motivo da convocação era desconhecido, e ele ficou apavorado com o que poderia lhe acontecer. “Talvez tenham me denunciado”, pensou, “e, nesse caso, posso ser condenado à morte”. Em sua aflição, voltou-se aos seus amigos, pedindo-lhes que o acompanhassem ao rei e intercedessem em seu favor. Para sua grande surpresa, Reuven, que ele considerava ser seu amigo mais fiel, recusou-se a acompanhá-lo. Também Shimon concordou apenas em acompanhá-lo até os portões do palácio, mas deixou claro desde o início que não iria além. Sem alternativa, o homem procurou Levi. Embora, após a recusa dos dois amigos mais próximos, fosse natural imaginar que o terceiro certamente também não aceitaria, Levi, para sua surpresa, concordou de bom grado em acompanhá-lo ao rei e ainda prometeu fazer todo o possível para defendê-lo.
 
Como trazemos esta parábola à nossa realidade? O dinheiro e os bens materiais, tão queridos ao homem, são comparáveis a Reuven. Durante toda a vida da pessoa, a riqueza se apresenta como uma grande amiga e nos engana. O homem imagina que, por meio do dinheiro e da honra, estará protegido contra sofrimentos e dificuldades. Porém, o dia da morte, momento em que a verdadeira amizade é posta à prova, revela a realidade, conforme ensinaram os nossos sábios: “Pois, na hora da partida do homem deste mundo, não o acompanham nem prata, nem ouro, nem pedras preciosas ou pérolas, mas apenas Torá e boas ações” (Pirkei Avót 6:9). Os familiares e amigos são comparáveis a Shimon na parábola. Eles não abandonam a pessoa no momento da morte. Choram por ela e a acompanham até o túmulo. Porém, ali se despedem dela e a deixam seguir sozinha.
 
O livro Yalkut Lekach Tov explica, com base nessa parábola, o seguinte versículo: “Esteja preparado pela manhã, e subirá pela manhã ao Monte Sinai e se apresentará diante de Mim no topo do monte. Nenhum homem subirá com você, ninguém será visto em lugar algum do monte, nem mesmo o rebanho e o gado pastarão diante daquele monte” (Shemot 34:2,3). Este mundo é comparado à noite, enquanto o Mundo Vindouro é comparado ao dia. O amanhecer se refere ao momento em que a pessoa chega ao mundo da verdade. Durante toda a vida, o homem deve se preparar para esse momento, pois naquele dia “você se apresentará diante de Mim no topo do monte”, isto é, a pessoa se apresentará diante de D’us para ser julgada por seus atos. “Nenhum homem subirá com você” significa que amigos e parentes queridos não nos acompanharão neste momento, teremos que ir sozinhos. Eles nos acompanharão até o túmulo, mas não além. “Ninguém será visto em lugar algum do monte” significa que não devemos depositar nossa esperança na ajuda de ninguém. “Nem mesmo o rebanho e o gado pastarão diante daquele monte” significa que até mesmo a nossa riqueza, que imaginávamos ser uma amiga fiel, não nos ajudará, pois ela sequer chegará diante do monte. Somente “Torá e boas ações”, como ensinado no Pirkei Avót, são como o Levi da parábola, os amigos fiéis que continuam acompanhando o homem até diante do Trono Celestial.
 
Muitas pessoas não percebem a profundidade dessa “amizade” e nem o tamanho da salvação que Torá e as boas ações trazem ao homem. Essa é a razão pela qual, na parábola, Torá e as boas ações são representadas pelo amigo aparentemente menos importante. “E as coisas sagradas de cada homem serão suas” vem nos lembrar e ensinar quem são nossos verdadeiros companheiros, amigos e defensores, prontos para falar bem de nós diante do Criador. Eles permanecem conosco para sempre, “serão suas”. Nossa obrigação, portanto, é cultivar essa amizade: multiplicar “amigos” assim durante os dias de nossa vida e desfrutar de sua companhia todos os dias.
 
O final do versículo, “aquilo que o homem der ao Cohen”, complementa esse ensinamento. A Torá nos ensina a direcionar nossos recursos para fins espirituais, pois, de toda a riqueza material do homem, nada restará após sua morte. Somente aquilo que foi investido em Tsedaká e Chessed “será seu”. Ou seja, esse dinheiro é verdadeiramente seu e permanecerá seu para sempre. Ficará guardado para ele e nenhum ladrão poderá levar embora. Se queremos investimentos bons, seguros e de excelente retorno, em vez de investir em ações na bolsa, vale a pena investir em boas ações. Esse investimento é realmente seguro e garantido.

SHABAT SHALOM 

R’ Efraim Birbojm

 

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quinta-feira, 28 de agosto de 2025

A BRACHÁ ESTÁ EM SUAS MÃOS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ REÊ 5785

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  • A Brachá e a Klalá.
  • Santidade da Terra de Israel / Destruição das idolatrias.
  • Altares particulares.
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A BRACHÁ DO MUNDO ESTÁ NAS SUAS MÃOS - PARASHAT R 5785 (22/ago/25) 

O Rav Isroel Meir HaCohen zt"l (Bielorrússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim, vivia em Radin, uma pequena cidade na Polônia, mas suas palavras ecoavam pelo mundo inteiro. Ele tinha uma forma especial de falar, clara e acessível até para as pessoas mais simples, pois suas palavras saíam do coração.
 
Em muitas ocasiões, ele dizia que os judeus não compreendiam a força das Mitzvót, principalmente aquelas que são aparentemente pequenas e sem valor. Isso levava as pessoas a desprezarem as Mitzvót. Além disso, por se sentirem pequenas, achavam que seus atos não tinham influência sobre o mundo. Para explicar a importância de cada ato e de cada pessoa, ele usava a imagem de uma balança extremamente sensível, e assim ele dizia:
 
- Imaginem uma balança equilibrada, com o prato da direita e o da esquerda em perfeito equilíbrio. Se alguém colocar apenas um grão de areia em um dos lados, isso fará a balança inteira pender. Assim também acontece com os nossos atos: cada Mitzvá, por menor que seja, acrescenta peso ao prato do mérito, e cada transgressão, D'us nos livre, por menos grave que pareça, acrescenta peso ao prato da culpa. E isso não se limita apenas à própria pessoa. Um grão de areia em um dos lados da balança pode fazer pender a balança do mundo inteiro.
 
Essas palavras não eram apenas uma metáfora. O Chafetz Chaim escreveu na introdução do seu livro intitulado "Mishná Brurá": "Cada Mitzvá que o homem cumpre, mesmo a menor delas, sustenta mundos inteiros. E cada transgressão, mesmo a mais leve, pode trazer destruição espiritual. Por isso, cada judeu deve se ver como se sua ação fosse decidir não apenas o seu destino, mas o de toda a criação".
 
Muitos alunos testemunharam que, ao ouvir essas palavras do Chafetz Chaim, sentiam de repente o valor de viver com Torá e Mitzvót. Não havia mais espaço para pensar "eu não tenho importância" ou "meus atos não fazem diferença". Pelo contrário, cada um compreendia que carregava nas mãos a responsabilidade pelo mundo inteiro.

Nesta semana lemos a Parashá Reê (literalmente "Veja"), na qual Moshé continua seus discursos finais. Novamente um dos pontos principais mencionados no discurso é o cuidado com as más influências dos povos idólatras que viviam na Terra de Israel, que poderiam contaminar desde indivíduos até cidades inteiras.
 
A Parashá começa com as seguintes palavras de Moshé: "Veja, eu ponho diante de vocês, hoje, a Brachá e a maldição… E será, quando D'us te trouxer à terra… vocês colocarão a Brachá sobre o Monte Guerizim e a maldição sobre o Monte Eival" (Devarim 11:26-29). Moshé estava falando sobre uma cerimônia que aconteceria logo após Yehoshua entrar com o povo judeu na Terra de Israel. O Talmud (Sotá 32a) nos ensina detalhes desta cerimônia: "Quando o povo judeu atravessou o rio Jordão, chegou ao Monte Guerizim e ao Monte Eival... Seis Tribos subiram ao topo do Monte Guerizim e seis Tribos subiram ao topo do Monte Eival, e os Cohanim, os Leviim e o Aron Hakodesh estavam de pé embaixo, entre os dois montes... Os Leviim então se voltaram em direção ao Monte Guerizim e começaram com a Brachá... E os dois grupos, que estavam em cada um dos montes, responderam: 'Amém'. Em seguida, voltaram-se para o Monte Eival e começaram com a maldição... E aqueles e estes responderam: 'Amém'. E assim continuaram, até completar todas as Brachót e maldições". A lista completa das maldições (e o seu contrário, que são as Brachót), está na Parashá Ki Tavô (Devarim 27:15-26).
 
Há vários detalhes interessantes, tanto nos versículos quanto no detalhamento do Talmud. Em primeiro lugar, o que significa a expressão "Veja"? Afinal, visão se aplica a algo palpável, e não a um discurso. Se Moshé não estava diante dos montes sobre os quais ele falava, então o que eles deveriam ver? Além disso, por que o versículo começa no singular, "Veja", mas continua no plural, "eu ponho diante de vocês"? Outro ponto que chama a atenção é que Moshé disse "hoje", mas a Brachá e a maldição mencionadas foram pronunciadas apenas depois que o povo judeu atravessou o Rio Jordão para entrar na Terra de Israel, alguns meses depois. Então a que Moshé se referia quando disse "hoje"? E, finalmente, por que dividiram as Tribos em duas partes? Não seria possível dar a todos juntos a Brachá e a maldição?
 
Uma das grandes dificuldades do ser humano é entender conceitos espirituais e viver de acordo com eles. Estamos prestes a entrar em Elul, o mês que precede Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento, dia no qual nossos atos, tanto individualmente quanto coletivamente, são recordados, para que D'us possa determinar o "balanço geral", isto é, se fizemos mais Mitzvót ou mais transgressões. De acordo com o resultado, serão feitos os decretos de D'us, para nos inscrever no Livro da Vida ou no outro Livro. Para ilustrar o julgamento, nossos sábios trazem sempre a imagem de uma balança com dois pratos, um referente às Mitzvót e outro referente às transgressões.
 
O Rav Yitzchak Zeev Soloveitchik zt"l (Bielorússia, 1886 - Israel, 1959), mais conhecido como Brisker Rav, explica que o discurso de Moshé era para que as pessoas pudessem "materializar" um pouco mais o conceito do julgamento e o impacto, em nossas vidas e no mundo inteiro, de cada ato que fazemos. A divisão das Tribos em dois grupos foi feita para transmitir ao povo judeu aquilo que está ensinado no Talmud (Kidushin 40b): "Sempre a pessoa deve ver a si mesma como se estivesse metade culpada e metade merecedora. Se cumpriu uma Mitzvá, feliz é ela, pois inclinou a si mesma para o lado do mérito. Se cometeu uma transgressão, coitada dela, pois inclinou a si mesma para o lado da culpa". Esta foi a mensagem transmitida ao povo: através de uma única Mitzvá ou de uma única transgressão, a pessoa pode decidir o destino do mundo inteiro, para o mérito ou para a culpa.
 
Para ensinar essa lição, foi ordenado que eles se dividissem em dois grupos quando chegassem ao Monte Guerizim e ao Monte Eival, e lá eles renovariam o recebimento da Torá com um juramento, tornando todos os judeus fiadores uns dos outros. Ao direcionar a Brachá para metade do povo e a maldição para a outra metade, isso era como se seis Tribos fossem merecedoras de Brachá por terem cumprido a Torá, enquanto as outras seis fossem passíveis de castigo por não terem cumprido a Torá. Isso deveria despertar no coração de cada judeu a imensa responsabilidade que repousa sobre ele em cada instante. Por isso foi dito "Veja", isso é, perceba como é a realidade espiritual, de o mundo estar dividido em dois grupos, em equilíbrio, sendo que um único ato pode mudar tudo. A partir dessa visão, cada um poderia guardar no coração e sentir a responsabilidade que tem em suas mãos, de fazer pender o mundo inteiro para o mérito ou, D'us nos livre, para o contrário.
 
A doença do século é a depressão, que atualmente atinge pessoas de todas as idades e classes sociais. Por que tantas pessoas estão deprimidas? Pois sentem que não tem importância, que não tem nada a contribuir no mundo. Às vezes as pessoas fazem transgressões por sentirem que isso não mudará nada, nem em suas vidas e muito menos no mundo. Mas a Torá vem nos ensinar justamente o contrário. O versículo começa no singular e continua no plural, para nos ensinar que cada indivíduo deve ver que a coletividade depende dele. Cada pequeno ato de cada pessoa pode desequilibrar a balança. Cada indivíduo faz muita diferença no mundo.
 
A linguagem "hoje" corresponde às palavras do Talmud: "Sempre a pessoa deve ver a si mesma como se estivesse metade culpada e metade merecedora". A pessoa que refletir sobre isso seguirá com segurança em seu caminho, afastando-se do mal e praticando apenas o bem. Moshé não estava falando sobre o futuro, e sim sobre o presente.
 
Os Cohanim e Leviim estavam, no momento da Brachá e da maldição, embaixo do Monte Gerizim e do Monte Eival, enquanto o povo estava em cima dos montes. Este fato merece reflexão, pois, de acordo com o costume do mundo, quem se dirige ao público fica sobre uma plataforma mais elevada e transmite suas palavras aos que estão abaixo dele. Assim, seria mais lógico que os Cohanim e Leviim subissem ao monte para proclamar a Brachá e a maldição, enquanto as Tribos permanecessem embaixo, escutando. Por que neste caso houve uma inversão?
 
Talvez isso venha ensinar sobre a condição e o status do povo judeu que, em todos os tempos e circunstâncias, encontra-se em posição elevada, sob a supervisão de D'us. Isso se aplica aos momentos de paz, fartura e Brachá, mas também aos momentos de dificuldade e maldição. O Talmud (Ketubot 66b) relata que quando a filha de Nakdimon ben Gurion, um dos homens mais ricos de Jerusalém, recolhia cevada entre os excrementos dos animais, na época do cerco romano, Rabi Yochanan chorou e disse: "Vocês são felizes, Israel, pois quando fazem a vontade do Eterno nenhuma nação pode dominá-los, mas quando não fazem a vontade do Eterno, são entregues nas mãos da nação mais baixa. E não apenas nas mãos da nação mais baixa, mas até mesmo nas mãos dos animais da nação mais baixa". Como entender a reação do Rabi Yochanan diante de uma cena tão trágica?
 
Explica o Rav Shmuel Eliezer Halevi Eidels zt"l (Polônia, 1555 - 1632), mais conhecido como Maharsho, que Rabi Yochanan disse "vocês são felizes" em ambos os aspectos: quando o povo judeu sobe, eleva-se acima de todas as nações e seus príncipes, mas quando não fazem a vontade do Criador, Ele retira Sua Presença deles e eles são mais humilhados e desprezados do que todas as nações. Vemos, portanto, que até na queda do povo judeu podemos reconhecer sua grandeza e elevação. Por isso, os judeus foram ordenados que, no momento da Brachá e da maldição, subissem nos montes, para mostrar que em ambas as situações sua elevação é manifestada. O povo judeu nunca é controlado por astros ou anjos, e sim permanecem somente sob a Mão de D'us.
 
Precisamos entender nosso valor, como indivíduos e como povo, e o impacto que podemos causar com cada ato, em nossas vidas e no mundo inteiro. Esta reflexão constante, lembrando que isso se aplica "hoje", nos ajudará a melhorar nossos atos e a chegarmos em Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento, com uma bagagem maravilhosa.

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