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sexta-feira, 19 de maio de 2023

A UNIÃO DE UM POVO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BAMIDBAR 5783

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MENSAGEM DA PARASHÁ BAMIDBAR

ASSUNTOS DA PARASHÁ BAMIDBAR
  • O comando do censo do povo judeu (20 a 60 anos)
  • Escolha dos líderes de cada Tribo.
  • Início do censo por Tribos.
  • Os Leviim.
  • O acampamento.
  • O Mishkan durante as viagens.
  • Total.
  • Genealogia de Moshé e Aharon.
  • Status dos Leviim.
  • Censo dos Leviim: Guershon, Kehat e Merari.
  • Censo dos Primogênitos.
  • Substituindo os Primogênitos pelos Leviim (Redenção dos Primogênitos).
  • Funções para Kehat: carregar utensílios do Mishkan.
  • Precauções para os Kehatim.
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A UNIÃO DE UM POVO - PARASHÁ BAMIDBAR 5783 (19/Maio/23)
 
Explicam os nossos sábios que, mesmo se não tivéssemos recebido a Torá, ainda assim poderíamos a aprender a como nos comportar observando os animais. Isso certamente se aplica a um comportamento espetacular observado entre os lobos.
 
Quando uma alcateia se desloca, os três primeiros lobos são os mais velhos ou os doentes. Isso ocorre por dois motivos principais. Em primeiro lugar, são eles que marcam o ritmo do grupo. Se fosse o contrário, os mais lentos seriam deixados para trás e perderiam o contato com a alcateia, ficando completamente expostos a ataques de outros animais. Além disso, em caso de uma emboscada, os mais velhos e os doentes sacrificam suas vidas em prol dos mais jovens.
 
Eles são seguidos pelos cinco lobos mais fortes do grupo, que defenderão a alcateia em caso de um ataque surpresa. No centro seguem os demais lobos e, no final do grupo, seguem os outros cinco lobos mais fortes, que protegerão o grupo de ataques vindo por trás. Por último, sozinho, segue o lobo "alfa", o líder da alcateia. Nessa posição, ele consegue controlar tudo ao seu redor, decidir a direção mais segura que o grupo deve seguir e antecipar os ataques dos predadores.
 
Em resumo, a alcateia segue o ritmo dos anciões e doentes, e respeita os comandos do líder, que impõe o espírito de grupo, não deixando ninguém para trás.
 
É interessante notar que os lobos respeitam suas diferenças. Os mais rápidos não forçam os mais lentos a mudarem, nem os abandonam. Os mais fortes não exigem mais força dos que são fracos, ao contrário, os protegem. Esse espírito de grupo e união é o modelo de onde devemos chegar na vida.

 
"O verdadeiro sentido da vida não é chegar primeiro, mas chegar todos juntos ao mesmo destino".

Nesta semana começamos o quarto Livro da Torá, Bamidbar, que retoma a narrativa dos acontecimentos mais marcantes do povo judeu nos quarenta anos em que permaneceram no deserto. Infelizmente alguns dos acontecimentos incluem tragédias que marcaram para sempre a nossa história, como o episódio dos espiões. Na realidade, quando a Torá retoma nesta Parashá a narrativa dos acontecimentos do deserto, o povo judeu estava prestes a entrar na Terra de Israel, inclusive já fazendo seus primeiros preparativos, mas o episódio dos espiões causou com que eles ficassem quarenta anos no deserto, esperando que aquela geração morresse e apenas uma nova geração tivesse o mérito de entrar em Israel.
 
Porém, a Parashá desta semana, Bamidbar (literalmente "no deserto"), parece fugir um pouco desta ideia, já que aparentemente ela não descreve nada muito marcante em termos de acontecimentos, trazendo apenas a contagem do povo judeu, divididos por Tribos, e a posição dos acampamentos. Por que aparentemente esta Parashá não traz nada tão importante e significativo como as outras Parashiót do Sefer Bamidbar? E por que trazer a contagem do povo, de forma tão detalhada? O que isso nos acrescenta 3.300 anos depois?
 
Este questionamento, na realidade, somente existe quando não entendemos o que as contagens representam. Esta não é a primeira contagem do povo judeu, eles já haviam sido contados duas vezes no Sefer Shemot, uma vez logo após a saída do Egito e outra vez logo após a transgressão do Bezerro de ouro. O Ramban (Espanha, 1194 - Israel, 1270) traz três motivos pelos quais D'us fazia constantemente a contagem do povo judeu. Em primeiro lugar, D'us queria ressaltar o crescimento milagroso do povo, que havia chegado ao Egito como uma família de apenas setenta pessoas e, duzentos e dez anos depois, já eram mais de três milhões. Isso mostrava o quanto D'us amava o povo judeu e a enorme Berachá de "crescer e multiplicar" que eles haviam recebido. Da mesma forma, D'us também os contava após as perdas significativas de vidas, como ocorreu no episódio do Bezerro de ouro. Isso nos ensina que todo judeu é importante aos olhos de D'us, e que é duro para Ele a perda de cada indivíduo.
 
Além disso, ensina o Ramban que cada membro do povo judeu tinha o direito de se beneficiar da atenção particular de Moshé e Aharon, e as contagens eram uma grande oportunidade para isso. Para que a contagem fosse feita, todos precisavam comparecer perante Moshé, o "pai dos profetas", e seu irmão Aharon, uma das pessoas mais sagradas que já passaram pela face da Terra. Cada um dizia a eles seu nome, sentindo assim que era um indivíduo com um valor único e especial dentro do povo judeu. Certamente cada um recebia, através deste contato pessoal, uma poderosa influência espiritual positiva. Moshé e Aharon também aproveitavam a oportunidade para dar Berachá a cada judeu e rezar por ele. E, pelo fato de haver uma proibição de contar o povo judeu de uma forma direta, a contagem era feita através de uma moeda de prata, o "Machatzit Hashekel", que era utilizado na compra dos Korbanót, o que também trazia expiação para cada judeu que era contado.
 
Finalmente, o Ramban explica que, uma vez que o povo judeu estava prestes a entrar na Terra de Israel, e isso teria realmente ocorrido caso não tivessem tropeçado no episódio dos espiões, então a contagem era tecnicamente necessária, para preparar a campanha militar, definindo a quantidade de combatentes disponíveis, além de levantar quantas pessoas estavam elegíveis para receber porções na Terra de Israel.
 
Há outro detalhe interessante em relação à contagem do povo na linguagem utilizada pela Torá para descrever o comando de D'us para Moshé, pois está escrito "Faça as contas de toda a congregação dos Filhos de Israel" (Bamidbar 1:2). Em hebraico, a expressão "Faça as contas" é "Seú et Rosh", que literalmente significa "Levante as cabeças". O Ramban explica que essa expressão tem duas implicações possíveis, uma positiva e outra negativa. "Levante as cabeças" pode significar que as pessoas seriam elevadas e, através da contagem, chegariam a um nível mais alto. Porém, esta expressão também pode ter um sentido muito negativo, podendo significar que suas cabeças seriam retiradas. Essa mesma dualidade da expressão pode ser percebida quando Yossef previu que o copeiro chefe do Faraó seria salvo e restituído ao seu cargo, enquanto o padeiro chefe seria executado. Ao copeiro chefe ele disse: "Em três dias Faraó te contará (levantará sua cabeça)" (Bereshit 40:13), significando que o copeiro chefe estaria contado entre aqueles que serviriam o Faraó em seu aniversário. Já quando Yossef foi falar com o padeiro chefe, ele disse: "Em três dias o Faraó retirará (levantará) a sua cabeça" (Bereshit 40:19), significando que ele seria morto. Portanto, a mesma linguagem, "levantar a cabeça", foi utilizada para algo positivo e para algo negativo. Por que no caso da contagem do povo judeu D'us utilizou esta expressão com duplo sentido? Isso era um aviso ao povo judeu, de que se eles fossem dignos e cumprissem as ordens de D'us seriam muito elevados, mas caso não andassem nos caminhos corretos, eles poderiam sofrer muitas consequências negativas.
 
Porém, talvez o detalhe mais interessante é a diferença entre a contagem feita na nossa Parashá e as contagens anteriores. Nas contagens anteriores, o povo judeu foi contado como um todo, sem reconhecer as identidades das Tribos separadas. Porém, a contagem feita na nossa Parashá é de acordo com as Tribos. O que esta diferença nos ensina?
 
O Rav Yaacov Kamenetsky zt"l (Lituânia, 1891 - EUA, 1986) explica que uma contagem por Tribos logo após a saída do Egito levaria ao "nacionalismo" e dividiria o povo em facções, já que ainda não havia nada que os unisse. No entanto, uma vez que o Mishkan havia sido construído, todas as Tribos olhavam para ele como sua principal força unificadora. O Mishkan ficava no centro do povo judeu, tanto fisicamente quanto espiritualmente. A partir daquele momento, o estabelecimento de identidades Tribais separadas seria saudável para o povo judeu. Cada Tribo perceberia que suas habilidades individuais poderiam ser desenvolvidas para contribuir, de maneira única e especial, para a meta do povo judeu como um todo em seu Serviço espiritual. A separação representaria apenas que cada Tribo tinha papéis únicos para serem desempenhados na realização do potencial espiritual de todo o povo.
 
Esse conceito nos conecta com a próxima Festa do Calendário judaico, Shavuót, o Chag Matan Torá. Quando o povo acampou para receber a Torá, eles estavam unidos, como explica Rashi: "como uma única pessoa em um só coração". Foi essa união, apesar das diferenças, que possibilitou a entrega da Torá.
 
A contagem da Parashá ensina, portanto, uma importante lição para o povo judeu, principalmente diante do grande desafio que estamos passando atualmente. O povo judeu se dividiu em "facções", e a consequência é que surge até mesmo ódio gratuito por causa disso. Os judeus começaram a se identificar através de "rótulos", tais como "Judeu ortodoxo", "Ashkenazim", "Sefaradim", "Chassídicos". Ao invés de cada grupo respeitar os outros grupos e olhar as características e costumes positivos de cada um deles, que trazem uma contribuição única e especial para o povo como um todo, começam a ocorrer casos de discriminação e afastamento. Certamente não é isso que D'us quer de nós.
 
Nossos inimigos, quando nos atacam, não fazem nenhuma distinção. Somos todos judeus, independente de qualquer rótulo. Nossa luta deve ser apenas contra o mal, contra o Yetser Hará, e dentro do povo deve haver apenas união e respeito. Pois, se foi isso que possibilitou a entrega da Torá no Monte Sinai, certamente será isso que possibilitará a vinda do Mashiach e a nossa Redenção final. 

SHABAT SHALOM 

R' Efraim Birbojm

 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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sexta-feira, 10 de março de 2023

BONDADES VOLTAM - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KI TISSÁ 5783

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ASSUNTOS DA PARASHÁ KI TISSÁ
  • Instruções Para o Censo
  • O Kior (Lavatório)
  • O Óleo da Unção
  • O Incenso
  • Os Arquitetos do Mishkan (Betzalel e Achaliav)
  • O Shabat
  • O Bezerro de Ouro
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BONDADES VOLTAM - PARASHÁ KI TISSÁ 5783 (10/mar/23)

"Fernanda vinha de um ano complicado, com problemas na família e uma suspeita de câncer de tiroide que acabou não se confirmando, mas que causou muito estresse. Foi quando ela soube do projeto de uma instituição de caridade que arrecadava cabelos e confeccionava perucas para doar a pessoas que passaram por tratamento contra o câncer. Ela decidiu cortar e doar seu cabelo, como forma de agradecer por tudo ter terminado bem.

Fernanda, que era formada em publicidade, gostou tanto do projeto que se interessou em ajudar de outras maneiras. Por exemplo, quando ela soube que seria feita uma campanha em um site de financiamento coletivo, fez questão de contribuir e incentivou outras pessoas a também contribuírem.

Algum tempo depois, Fernanda deixou seu emprego, com a intenção de começar a empreender sozinha. Porém, as coisas não saíram como ela havia planejado. Meses se passaram e ela não conseguia clientes. Sua situação financeira começou a apertar e ela já não sabia mais o que fazer. Foi quando teve ideia de oferecer seus serviços à instituição de caridade, e logo foi contratada. Apesar de ser um valor bem abaixo do mercado, já que eles não tinham condições de pagar um bom salário, mesmo assim era o suficiente para dar a Fernanda um respiro até que encontrasse outras oportunidades. Além disso, ela faria este trabalho com amor, com vontade de ajudar o próximo. E assim ela logo começou a ajudar na divulgação da sua primeira campanha na instituição. Sem saber, aquele seria o primeiro cliente na sua carreira de sucesso em assessoria de comunicação.
 
Um mês depois de começar a trabalhar na instituição de caridade, algo incrível já tinha acontecido: Fernanda já tinha assinado contratos com outros três clientes. Ela então decidiu que não receberia mais pagamento da instituição de caridade, e que seu trabalho seria totalmente voluntário, cuidando da divulgação na imprensa e nas redes sociais. Um ano e meio depois, ela já tinha 11 clientes. Apesar de trabalhar muito, ela sempre arrumava tempo para ajudar a instituição de caridade, fazendo ações que ajudassem na comunicação.

Após aquela experiência maravilhosa, Fernanda sempre aconselhava as pessoas a também se lançarem ao voluntariado, mas pedia que fizessem isso de coração aberto, abraçando a causa, sem esperar nada em troca. Ela ensinava que mesmo sem receber nada em troca, ao ajudarmos os outros ainda assim saímos ganhando. Ao nos preocuparmos com os problemas dos outros, é como se os nossos próprios problemas desaparecessem.
 
Porém, o principal é lembrar que ajudar o próximo não precisa ser feito dentro de um projeto ou instituição de caridade. Basta ser solidário, dar um sorriso para as pessoas que precisam de atenção, ajudar um amigo desempregado ou conversar com alguém que parece não estar bem naquele dia. E essa bondade acabará voltando, em uma alegria silenciosa, aos nossos próprios corações (História real).

Nesta semana lemos a Parashá Ki Tissá (literalmente "Quando você fizer a contagem"). Apesar de ser uma Parashá famosa por ensinar sobre um dos maiores tropeços da história do povo judeu, o pecado do Bezerro de ouro, ela também traz vários outros assuntos interessantes, como as regras para a contagem do povo judeu, a fabricação do "Shemen HaMishchá" (óleo de unção) e do "Ketoret" (incenso), ambos utilizando especiarias aromáticas em sua composição, além da construção do "Kior", o lavatório que servia para a purificação espiritual das mãos e dos pés dos Cohanim, e que foi fabricado com o cobre dos espelhos das mulheres.

A Parashá começa relatando as instruções que D'us deu a Moshé para a realização da contagem do povo. Para esta contagem, cada homem foi comandado a doar um "Machatzit HaShekel", uma moeda de meio shekel de prata, como está escrito: "Quando fizerem a contagem dos filhos de Israel segundo o seu número, cada um deve dar a D'us uma expiação pela sua alma, quando forem contados; então não haverá praga entre eles quando forem contados" (Shemot 30:12). Há alguns pontos interessantes, e até mesmo enigmáticos, neste versículo. Em primeiro lugar, a linguagem "Tissá", que traduzimos como "contagem", significa literalmente "levantamento". Qual é a relação entre contar e levantar algo? Além disso, por que a contagem deveria ser feita através de uma moeda, e não uma contagem direta? E por que entregar esta moeda traria uma expiação para a pessoa? Finalmente, qual é a relação entre a contagem e uma praga que poderia recair sobre o povo judeu?

A Torá nos ensina que o povo judeu não pode ser contado de forma direta. A contagem deveria ser feita sempre através da doação de um "Machatzit HaShekel", pois desta maneira as moedas eram contadas, e não as pessoas. Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que o "Ain Hará" (mau olhado) tem poder sobre as coisas que são contadas, e isso pode trazer uma praga sobre elas. Isso aconteceu, por exemplo, na época de David HaMelech, quando ele fez equivocadamente uma contagem direta do povo e eles foram atingidos por uma dura epidemia que dizimou 70 mil pessoas.
 
O versículo também fala sobre uma expiação que é alcançada através da participação nesta doação da moeda de meio Shekel. Qual era a expiação? Há um grande poder na união de uma nação, quando as pessoas se esforçam por um objetivo comum. Quando todos se juntam em uma única causa construtiva, é como se os méritos espirituais de todos os indivíduos se fundissem, de modo que não apenas os méritos individuais são considerados, e sim a união do mérito de todos do grupo, uns ajudando aos outros. Um ser humano isolado raramente consegue passar pelo Julgamento Divino, pois qual pessoa está livre de transgressões e defeitos? Porém, quando a nação se torna uma, ela ascende a um plano superior, pois todos os seus membros fundem suas virtudes entre si. Como resultado, o coletivo é julgado com muito mais benevolência. É também por isso que é tão importante rezar com um Minian, em vez de individualmente, pois os méritos de todos os presentes se fundem, possibilitando despertar a Misericórdia Divina.
 
A Parashá também ressalta que todos deveriam doar exatamente uma moeda de meio Shekel, não importando se a pessoa fosse muito rica ou extremamente pobre. A participação igualitária de todo o povo simboliza que todos os judeus devem participar na busca dos objetivos nacionais, abandonando seus interesses egoístas e pessoais em prol das necessidades da nação. Aquele que faz isso está dando uma incrível contribuição, pois a missão do povo judeu depende principalmente da união dos indivíduos.
 
O que era feito com o dinheiro arrecadado? Ele era utilizado na compra de Korbanot comunitários e outras necessidades do Mishkan. Essa doação era uma forma de cada judeu participar dos Serviços feitos no Mishkan e, através disso, se elevar. Esta é a relação entre "contar" e "levantar", pois quando doamos algo, em especial para os necessitados ou para causas nobres, como manter uma sinagoga ou uma instituição de Torá, então, no final das contas, somos nós que estamos ganhando, através da nossa elevação espiritual. A função da contribuição do Machatzit HaShekel não era apenas facilitar a contagem ou prover verbas para os Serviços do Mishkan, mas também para elevar o nível espiritual dos contribuintes.

O Gaon MiVilna (Lituânia, 1720 - 1797)  nos ensina que, em relação a donativos, devemos doar assim que formos requeridos, com agilidade e sem demoras. Com relação a isto, ele explica um interessante acontecimento relatado pelo Talmud (Shabat 151b). O Rav Chia certa vez instruiu sua esposa que se uma pessoa lhe viesse pedir pão, ela deveria se apressar em dar, assim como o faria para seus filhos. A esposa dele perguntou se por acaso ele estava amaldiçoando seus próprios filhos, e ele respondeu que não, que apenas estava explicando a ela que a vida é como uma roda que dá voltas. A palavra utilizada no versículo da doação do Machatzit HaShekel é "ונתנו" (e devem dar). Esta palavra também pode ser lida de trás para frente, nos ensinando que a vida dá voltas, às vezes é um que tem condições para doar e o outro recebe, enquanto outras vezes é o outro que pode doar e o que doou anteriormente é o que recebe desta vez. O rico de hoje pode vir a ser o pobre de amanhã e, portanto, devemos nos apressar em doar sempre que formos solicitados. O Talmud, após a história do Rav Chia, conclui: "Quem tem compaixão com as criaturas de D'us receberá compaixão do Céu, mas quem não tem compaixão das criaturas de D'us não receberá compaixão do Céu".

Isso se aplica a todas as áreas da nossa vida, não apenas em relação à Tsedaká. O Rav Chaim Kanievsky zt"l (Bielorússia, 1928 - Israel, 2022) diz também que em relação à Mitzvá de honrar os pais, por exemplo, a pessoa deve fazê-la com perfeição, pois da mesma forma que alguém lida com seus pais, assim será como seus próprios filhos o tratarão. Aquele que honra seus pais terá o mérito que seus filhos venham a lhe honrar no futuro. O Rav Chaim Kanievsky explica que há uma "dica" para isso na Torá. Essav, apesar de ser uma pessoa perversa e ter se desviado de todos os caminhos de retidão e moralidade, honrava seu pai de forma completa e exemplar, alimentando-o e até mesmo trocando de roupas para servi-lo. Em relação às comidas que Essav trazia ao seu pai está escrito: "ויבא לאביו" (e trazia para o seu pai) (Bereshit 27:31). Se prestarmos atenção, perceberemos que estas palavras também podem ser lidas de traz para frente, nos ensinando que aquele serve seus pais certamente também receberá de volta no futuro. Na prática, tudo o que fazemos acaba voltando. Nossa vida é como um eco, pois recebemos de volta exatamente o que fazemos aos outros. Por isso, que possamos fazer sempre bondades, para que elas possam um dia voltar a nós mesmos. 

SHABAT SHALOM  

R' Efraim Birbojm

 
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