sexta-feira, 21 de junho de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BALAK 5773


BS"D

O E-mail desta semana e das semanas anteriores pode ser encontrado no Blog www.ravefraim.blogspot.com 

TRAZENDO O CÉU PARA A TERRA - PARASHÁ BALAK 5773 (21 de junho de 2013)

Havia em Israel um grupo de empresários que se reuniam todas as noites na sinagoga para estudar Torá. Certa vez o Rav Shlomo Wolbe zt"l escutou que o tema das aulas deste grupo era as leis relacionadas com a Mitzvá de Tsitsit. Ele ressaltou que estudar aquelas leis era algo realmente muito importante, mas sugeriu que o grupo, justamente por ser formado por empresários, deveria estudar o Choshen Mishpat, a parte do Shulchan Aruch (Código de leis judaico) que trata das leis relacionadas aos negócios.

Em um primeiro momento eles não gostaram muito da ideia. Eles preferiam estudar assuntos mais espirituais, não queriam assuntos "pequenos", que envolviam atividades do dia a dia. Queriam ser mais espiritualizados, queriam assuntos mais elevados. Mas como viram que o Rav Shlomo Wolbe insistia tanto, aceitaram a mudança.

Quando começaram as aulas de Choshen Mishpat, foi um grande choque. Eles começaram a perceber quantas leis eles desconheciam, quantas vezes eles haviam sido desonestos, com a melhor das intenções, e haviam prejudicado clientes e concorrentes! Foi então que eles perceberam que a espiritualidade verdadeira não está nos assuntos mais místicos e nem nas Mitzvót mais elevadas, e sim nos assuntos do nosso cotidiano. A espiritualidade está nos assuntos mais simples do dia a dia, justamente para que possamos, com cada pequeno ato, contribuir para que o mundo inteiro possa se elevar espiritualmente.

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Durante a história do povo judeu, poucas vezes tivemos inimigos tão perversos quanto Balak, o rei do povo de Moav, e Bilaam, o profeta de elevado nível espiritual que, ao invés de utilizar seu potencial para ajudar as pessoas, utilizou seu poder para amaldiçoar e destruir. E a Parashá desta semana, Balak, é inteira dedicada a descrever os esforços destes dois Reshaim (perversos), junto com o povo de Midian, para prejudicar o povo judeu. Eles entenderam que não poderiam vencer fisicamente os judeus e, por isso, utilizaram seus conhecimentos espirituais para tentar atingir seus objetivos abomináveis.

Mas de todos os esforços de Balak e Bilaam, ficam algumas dúvidas. Em primeiro lugar, ao utilizar seus conhecimentos espirituais, aparentemente eles queriam que D'us se voltasse contra o povo judeu para destruí-los. Isto parece um propósito fútil, até mesmo tolo, pois todos sabiam do relacionamento eterno e do pacto inquebrável criado entre D'us e o povo judeu, desde a época dos nossos patriarcas, Avraham, Yitzchak e Yaacov. Portanto, qual era a real intenção de Balak e Bilaam? Além disso, Balak declarou seu objetivo como sendo "talvez eu poderei golpeá-los e expulsá-los da terra" (Bamidbar 22:6). Explica o Midrash (parte da Torá Oral) que o objetivo de Balak era impedir o povo judeu de entrar na Terra de Israel. Mas as terras de Moav e Midian não estavam no caminho do povo judeu e, portanto, a entrada deles em Israel não oferecia nenhuma ameaça à Balak e Bilaam. Então por que esta obstinação em não permitir a entrada do povo judeu em Israel?

Há um interessante versículo nos Tehilim (Salmos), escritos por David Hamelech (Rei David), que nos ajuda a encontrar a resposta: "O Céu é de D'us, e a terra Ele deu ao ser humano" (115:1). Poderíamos pensar que este versículo significa que D'us cuida das coisas espirituais, e Ele nos deu a terra para que possamos nos dedicar ao que é apenas material. Mas explica o Rav Yitzchak Meir Rottenburg, mais conhecido como "Chidushei Harim", que o entendimento correto do versículo é completamente diferente. Neste versículo está contido o propósito da Criação do mundo. D'us deu ao ser humano a terra, isto é, tudo o que está contido no mundo material, para que possamos, através das Mitzvót que Ele nos ordenou, elevar o mundo material e transformá-lo em um "Céu", em espiritualidade.

Portanto, desta explicação, aprendemos que a meta de nossas vidas não é viver uma vida puramente espiritual. Devemos nos envolver com o mundo material, isto faz parte do nosso objetivo. E a missão do povo judeu é justamente transformar o uso do mundo material em algo espiritual. Quando este objetivo for atingido, chegará o Fim dos Tempos e toda a existência humana mudará completamente. Isto influenciará profundamente também as outras nações do mundo, forçando que todos abandonem qualquer forma de comportamento imoral e incorreto, e todos se esforcem para elevar sua existência física.

Explica o Rav Shmuel Bornsztain, mais conhecido como "Shem MiShmuel", que isto poderia acontecer no momento em que o povo judeu entrasse na Terra de Israel. Por que eles não poderiam atingir este nível tão elevado ainda no deserto? Pois durante os 40 anos em que estavam no deserto, os judeus viveram uma vida completamente desconectada das necessidades do mundo material, já que elas eram supridas de maneira sobrenatural e eles estavam livres para se dedicar integralmente ao serviço Divino. Como a existência espiritual do povo judeu estava completamente desconectada do mundo material, eles ainda não tinham conseguido atingir o objetivo da Criação. Mas no momento em que o povo entrasse na Terra de Israel, eles passariam por uma mudança significativa em seu estilo de vida. Eles precisariam lutar pela sua subsistência, elevando o mundo físico, principalmente através das Mitzvót conectadas com a agricultura.

Com esta explicação podemos entender melhor qual era a motivação verdadeira de Balak e Bilaam. Eles sabiam que quando o povo judeu entrasse na Terra de Israel eles poderiam atingir o propósito da Criação, e todas as outras nações se sentiriam obrigadas a mudar também seus estilos de vida. Balak e Bilaam se sentiram pessoalmente ameaçados pelo povo judeu, pois desejavam manter separado o mundo material do mundo espiritual. Apesar de terem um potencial espiritual muito grande, eles não queriam abrir mão de suas vidas completamente conectadas ao mundo material, repleta de prazeres momentâneos. Balak, e principalmente Bilaam, eram pessoas que buscavam prazeres de maneira incessante, e desejavam manter a espiritualidade afastada do mundo material, como se fosse possível se comportar como um animal e, ao mesmo tempo, ser elevado espiritualmente.

Portanto, Balak e Bilaam não queriam necessariamente destruir o povo judeu. O que eles queriam era evitar que o povo judeu conectasse o material com o espiritual. Eles não haviam entendido que parte fundamental do propósito do povo judeu é justamente se envolver com o mundo material para santificá-lo, elevando os elementos da terra, o mundo material, ao status de "Céu", injetando espiritualidade em cada pequeno ato cotidiano. Por isso eles tentaram evitar que o povo judeu entrasse em Israel. Se eles permanecessem no deserto, o propósito de elevação do mundo material nunca seria alcançado e eles não teriam suas vidas alteradas.

Após algumas vezes tentar amaldiçoar o povo judeu, Bilaam finalmente entendeu seu grande erro, o que pode ser percebido em uma das Brachót (Bençãos) que saiu de sua boca: "Quem contou o pó de Yaacov?" (Bamidbar 23:10). Explica o Midrash que Bilaam está se referindo às inúmeras Mitzvót relacionadas ao pó da terra, isto é, as leis que envolvem a agricultura. As leis agrícolas são aquelas que estão relacionadas à vida no mundo material, que representam a forma mais básica de buscar a subsistência. É justamente por isso que D'us nos deu tantas Mitzvót relacionadas com a agricultura, para que mesmo as atividades mais mundanas possam ser elevadas a atos de santidade.

Não apenas Balak e Bilaam cometeram este erro, de tentar separar o mundo material do mundo espiritual, como se fossem duas coisas contraditórias. Infelizmente nós também cometemos este grande erro conceitual. A espiritualidade não está apenas dentro da sinagoga ou do Beit Midrash (centro de estudos de Torá). Nossas atividades cotidianas também contém muita espiritualidade. Por exemplo, existem muitas Halachót (leis) que nos ajudam a sermos honestos nos negócios. O simples ato de comer requer um significativo conhecimento das leis de Kashrut e das Brachót (bênçãos) que devem ser pronunciadas antes e depois de cada tipo de alimento. E entre centenas de religiões existentes no mundo, apenas o judaísmo tem uma Brachá especialmente pronunciada após a utilização do banheiro. Mesmo um dos atos mais baixos e animalescos do ser humano, de expulsar os restos da comida que não foram absorvidos pelo corpo, pode ser transformar em espiritualidade e santidade. De todas as Brachót estabelecidas pelos nossos sábios, a Brachá dita depois de irmos ao banheiro é a única que menciona o "Kissê HaKavód" (Trono Celestial de D'us), o ápice de santidade e elevação espiritual. Tudo isto para nos ensinar que, mesmo os atos mais mundanos, e até mesmo os aparentemente mais baixos, são queridos aos olhos de D'us, pois podem ser transformados em espiritualidade.

A Parashá nos ensina que temos duas escolhas de como viver nossas vidas. Quando a pessoa se conecta de forma desenfreada ao mundo material, termina se afundando, como Bilaam, e se torna completamente dependente dos prazeres físicos, que não nos preenchem. Mas quando a pessoa utiliza o mundo material com controle, com direcionamento, ela transforma a terra em Céu. Este é o papel do povo judeu e, portanto, o papel de cada um de nós.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 14 de junho de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ CHUKAT 5773


BS"D

 

FAZENDO CÁLCULOS ERRADOS - PARASHÁ CHUKAT 5773 (14 de junho de 2013)

 

"O Rav Chaim Shmulevitz era uma pessoa extremamente humilde, e fugia de qualquer tipo de honrarias e títulos. Quando ele enviava cartas às pessoas, assinava sempre como "Chaim Shmulevitz", nunca colocando a palavra "rabino" como título, apesar de toda a sua fama e a sua grandeza em conhecimentos de Torá.

 

Certa vez, o Rav Chaim Shmulevitz pediu para que uma pessoa de sua família o ajudasse a escrever uma carta para um amigo que estava em um asilo. Mas desta vez, por algum motivo, o Rav Chaim Shmulevitz pediu ao seu parente que escrevesse, no remetente, o título de "Rabino". O parente não entendeu o pedido. Ele sempre fugia de qualquer reconhecimento e honra, por que desta vez havia até mesmo insistido para que seu nome viesse acompanhado de um título? Sorrindo, o Rav Chaim Shmulevitz explicou:

 

- Não se preocupe, eu não deixei o orgulho subir à minha cabeça. Este senhor para quem eu estou mandando a carta é um brilhante "Talmid Chacham" (estudante de Torá). Mas atualmente ele está muito velhinho e vive sozinho em um asilo. É muito provável que não estão tratando-o com o devido respeito. Por isto, desta vez eu pedi para que você escrevesse um título junto ao meu nome, pois talvez se alguém perceber que é um rabino conhecido que está mandando cartas para ele, vão tratá-lo de maneira mais honrosa".

 

Para si mesmo, o Rav Chaim Shmulevitz nunca buscava nenhuma honra. Ele não deixava seus conhecimentos o transformarem em uma pessoa orgulhosa, que não consegue mais enxergar os outros. Esta é a verdadeira humildade.

 

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A Parashá desta semana, Chukat, descreve uma das Mitzvót mais enigmáticas da Torá: as cinzas da vaca vermelha. Esta Mitzvá guarda grandes segredos, pois nosso intelecto não consegue entender como as cinzas de uma vaca completamente vermelha, misturadas com as cinzas da casca do cedro e as cinzas do hissopo, podem purificar alguém que está espiritualmente impuro. Ensinam os nossos sábios que apenas Moshé chegou ao entendimento completo desta Mitzvá.

 

Mas explica Rashi, comentarista da Torá, que há certo entendimento intelectual para esta misteriosa Mitzvá. Ele compara esta Mitzvá ao filho de uma criada do rei que sujou o chão do palácio, e sua mãe foi chamada pelo rei para limpar a sujeira que seu filho fez. Assim também D'us ordenou a Mitzvá da vaca vermelha para limpar a sujeira deixada pela terrível transgressão do bezerro de ouro.

 

Porém, esta comparação feita por Rashi para explicar a Mitzvá da vaca vermelha é muito estranha. Entendemos que o bezerro é o filho da vaca, mas por que considerar que o bezerro de ouro é o filho da vaca vermelha? Qual a relação entre os dois assuntos? E qual sujeira do bezerro de ouro que a vaca vermelha veio purificar? E finalmente, por que apenas Moshé entendeu a Mitzvá da vaca vermelha, um grande mistério até mesmo para Shlomo Hamelech (Rei Salomão), o mais sábio de todos os homens?

 

Também há outra questão que surge ao observarmos um ensinamento do Talmud (Chulin 88b) sobre este assunto. O Talmud afirma que o mérito da Mitzvá das cinzas da vaca vermelha veio de Avraham Avinu, quando ele, em sua enorme humildade, declarou: "E eis que eu quis falar com D'us, mas eu sou apenas pó e cinzas" (Bereshit 18:27). Qual a relação entre a humildade de Avraham Avinu e a Mitzvá das cinzas da vaca vermelha?

 

A resposta está em outro ensinamento interessante do Talmud (Shabat 145b), que afirma que quando Adam e Chava pecaram no Gan Éden, a cobra injetou no mundo uma imundície espiritual. Quando o povo judeu recebeu a Torá no Monte Sinai, esta imundície foi completamente limpa, mas quando o povo judeu construiu o bezerro de ouro, logo depois, parte da imundície espiritual voltou. As cinzas da vaca vermelha vieram justamente para limpar esta imundície espiritual que voltou ao mundo após o bezerro de ouro. Mas de que imundície espiritual o Talmud está falando?

 

Precisamos entender qual foi a fonte do erro de Adam Harishon. Apesar de D'us ter explicitamente ordenado para que ele não comesse do fruto do conhecimento do bem e do mal, ele descumpriu a vontade de D'us. Ele deu ouvidos à cobra, que quis desviá-lo do caminho correto com argumentos intelectuais. Nossos sábios explicam que a imundície não veio ao mundo após o ato de comer o fruto proibido. A imundície que a cobra injetou no mundo foi convencer Adam a fazer cálculos intelectuais ao invés de escutar o que D'us havia ordenado explicitamente. Este erro foi completamente consertado pelo povo judeu no Monte Sinai, quando todos declararam "Naassê VeNishmá" (faremos e entenderemos), demonstrando que estavam dispostos a cumprir a vontade de D'us sem fazer cálculos, sem buscar desculpas intelectuais para se desviar da verdade. O Sfat Emet, comentarista da Torá, explica que quando eles estavam no Monte Sinai, entenderam a grandeza da Torá e o quanto estavam longe do seu entendimento, em uma imensa demonstração de humildade. Mas o povo judeu logo escorregou de novo. Ao errarem a conta da volta de Moshé Rabeinu, eles novamente começaram a fazer cálculos, indo contra a vontade de D'us. Quando a mente humana não conseguiu entender a vontade de D'us, eles tentaram "consertar" a situação da sua própria maneira, trazendo de volta a sujeira espiritual, a sujeira da arrogância, de acharmos que podemos entender intelectualmente tudo e criar as nossas próprias regras espirituais.

 

Qual é o ponto em comum entre o erro de Adam Harishon e o bezerro de ouro? A falta de humildade, a arrogância de se considerar no mesmo nível de D'us, de querer tomar as decisões do que é correto ou incorreto sozinhos, mesmo indo contra a vontade Dele e Sua sabedoria ilimitada. É por isto que Rashi explica que a vaca vermelha é a mãe que veio limpar a sujeira do bezerro de ouro. O erro do bezerro de ouro surgiu do desconforto do ser humano perceber que não pode entender tudo. Nós queremos entender, nós buscamos, de forma incessante, dominar o desconhecido. Então veio a Mitzvá das cinzas da vaca vermelha consertar nosso erro, nos trazendo de volta à humildade. O orgulhoso sente-se como um cedro, a maior das árvores, mas precisa entender que seu conhecimento não passa de um hissopo, uma planta muito baixa. Mesmo que temos conhecimento em várias áreas, se pararmos para refletir, perceberemos que, na realidade, nós não sabemos nem entendemos quase nada.

 

Por isso a Mitzvá da vaca vermelha, que vem nos ensinar humildade, foi mérito de Avraham, alguém que mudou a humanidade mas, ao mesmo tempo, se sentia pó e cinzas diante de D'us. Apesar de ser um gigante espiritual, Avraham não fazia cálculos, ele cumpria exatamente o que D'us ensinava para ele, mesmo quando  a vontade de D'us ia contra a lógica humana. E por isso Moshé, o mais humilde de todos os homens, meritou entender a Mitzvá da vaca vermelha, algo que nem Shlomo HaMelech conseguiu. A Mitzvá da vaca vermelha está acima de qualquer entendimento lógico. Enquanto a pessoa não é completamente humilde, enquanto ela tenta entender as coisas com seu intelecto limitado, ela não consegue entender a Mitzvá da vaca vermelha. Moshé aceitou o fato de que a Mitzvá não podia ser entendida da maneira que a lógica humana está acostumada a pensar. Ele chegou a um nível de humildade tão grande, se sentia tão insignificante perante a grandeza de D'us, que meritou entender a Mitzvá.

 

Este é o segredo da vaca vermelha: o profundo entendimento de que não entendemos nada. A lição de humildade, que coloca o ser humano de volta ao seu lugar. Achamos que, por causa de nossas evoluções tecnológicas, podemos ditar as regras, podemos enfrentar D'us. Esta é a fonte da imundície espiritual que veio ao mundo com Adam Harishon e com o bezerro de ouro. E este deve ser o nosso trabalho de limpeza do mundo, começando com cada um de nós. O trabalho de sabermos o quanto somos limitados. O trabalho de aceitar a vontade de D'us, mesmo quando não conseguimos entender, por causa das nossas limitações intelectuais. Somente assim conseguiremos chegar ao nosso objetivo, da total consciência de que a única coisa correta, fazendo ou não sentido para o nosso intelecto limitado, é cumprir a vontade de D'us.

 

SHABAT SHALOM

 

Rav Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 7 de junho de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KORACH 5773


BS"D

FAZENDO A JOIA BRILHAR - PARASHÁ KORACH 5773 (07 de junho de 2013)

"Alexandre estava com um grupo de amigos fazendo turismo em Hong Kong. Certo dia eles foram conhecer uma famosa joalheria, conhecida pela diversidade de pedras preciosas. O grupo ficou maravilhado com a quantidade de pedras preciosas diferentes que estavam em exposição. Mas a que mais chamou a atenção de Alexandre não foram as pedras brilhantes e coloridas. Ao contrário, havia em um canto da loja uma pedra opaca, completamente desprovida de brilho, nem parecia uma pedra preciosa. Ao chegar perto, Alexandre viu que era uma pedra cara. Curioso em saber quem se interessaria por uma pedra daquelas, cara e completamente sem graça, ele questionou o joalheiro.

O joalheiro explicou que aquela era uma pedra cara por causa do seu brilho maravilhoso. Vendo a cara de espanto de Alexandre, o vendedor abriu um sorriso, retirou a pedra da vitrine, colocou-a no centro de sua mão e fechou. Alguns instantes depois, ele abriu a mão e, para a surpresa de Alexandre, a pedra brilhava com uma beleza incomum.

- Esta pedra – ensinou o joalheiro – é uma opala, mais conhecida como "joia sentimental". Ela parece opaca e apagada, mas tudo o que ela necessita é do contato com a mão humana para irradiar brilho e luz"

As crianças são joias como opalas. Podemos dar presentes caros, viagens extravagantes, os mais modernos jogos, mas isto tudo não é suficiente para deixar uma criança realmente feliz. O que preenche de verdade uma criança é o carinho e a proximidade dos pais, a "mão humana" que faz a luz delas brilhar.

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Na Parashá desta semana, Korach, a Torá descreve uma grande rebelião organizada contra Moshé e Aharon, na qual suas posições de destaque, respectivamente como líder do povo e Cohen Gadol (Sumo sacerdote), foram questionadas. A rebelião terminou de forma trágica, com centenas de pessoas mortas através de castigos aplicados diretamente por D'us. Em seguida a Torá lista os serviços pelos quais os Cohanim (sacerdotes) eram responsáveis e uma série de presentes que o povo judeu deveria dar a eles. Qual a conexão entre estes assuntos?

Os Cohanim eram os responsáveis pelos serviços espirituais do Mishkan (Templo Móvel), e por isso D'us deu a eles presentes, como uma recompensa por sua dedicação. Além disso, D'us queria afirmar publicamente que os Cohanim eram Sua "legião pessoal". Esta afirmação foi feita justamente depois da rebelião de Korach e seu grupo, na qual eles haviam questionado Aharon, o Cohen Gadol, pois D'us queria afirmar o quanto os Cohanim eram queridos e próximos Dele.

Entre os vários presentes listados na Parashá, há um que nos chama a atenção: "Aqueles que necessitam ser redimidos, a partir de 1 mês de idade você deve redimir, de acordo com o seu valor, cinco shekels de prata, do shekel sagrado, que são vinte guerá" (Bamidbar 18:16). Sobre o que está falando este versículo e onde está o presente aos Cohanim?

Explica o Sefer HaChinuch (Mitzvá 18) que existe uma Mitzvá de oferecer a D'us nossos primeiros frutos, para nos lembrarmos que tudo é Dele. Quando o ser humano se esforça para produzir algo, os primeiros frutos são muito queridos, e mesmo assim imediatamente oferecemos para D'us. Entre as coisas que oferecemos a D'us está o filho primogênito, que é o primeiro fruto do ventre.  Por isso, o pai precisa resgatar seu filho, que simbolicamente pertence a D'us, através de um Cohen, dando para ele cinco moedas de prata, em uma cerimônia chamada "Pidion Haben" (resgate do filho). Estas cinco moedas de prata, que o pai da criança dava para resgatar seu filho, era um dos presentes que os Cohanim recebiam.

Há um detalhe muito interessante nesta cerimônia do "Pidion HaBen". Nossos sábios estabeleceram que durante o resgate o Cohen deve fazer ao pai da criança a seguinte pergunta: "Qual deles você prefere?". Em outras palavras, o Cohen está perguntando ao pai: "Você prefere seu filho ou as cinco moedas de prata?". Mas esta pergunta do Cohen desperta uma série de questionamentos. Em primeiro lugar, parece uma pergunta tola, sem o menor sentido. Que pai em sã consciência escolheria o dinheiro ao invés do próprio filho, e ainda mais o primogênito? Além disso, há aparentes problemas com a Halachá (lei judaica), pois se a Torá exige que o pai redima seu filho, então por que o Cohen propõe que o pai deixe de redimir seu filho e fique com o dinheiro? E finalmente, mesmo se o pai se recuse a redimir seu filho, o Cohen não tem nenhum direito de ficar com a criança, pois ela não é sua propriedade, o Cohen é apenas um intermediário nesta transação entre o pai e D'us. Portanto, por que nossos sábios estabeleceram esta estranha pergunta do Cohen no momento da realização desta interessante Mitzvá de "Pidion HaBen"?

Explica o Rav Yochanan Zweig que nossos sábios querem chamar nossa atenção para um triste fenômeno. Se uma pessoa oferecesse a qualquer pai a proposta de comprar seu filho por 10 milhões, alguém aceitaria? Certamente que não. Isto quer dizer que temos um verdadeiro tesouro em nossas casas. Uma pessoa que tem 4 filhos é um verdadeiro milionário, pois tem mais de 40 milhões dentro de casa. A grande pergunta é: sabemos realmente dar o verdadeiro valor para os nossos filhos e para a nossa família? Quantas vezes nós trocamos nossos filhos por um pouco mais de conforto em nossas vidas? Muitas vezes um pai trabalha duro para dar uma vida mais confortável aos seus filhos, mas deixa seu filho sem o mais importante, que é a presença do pai. Estamos sempre racionalizando nossos atos, nos enganando, tentando mostrar a nós mesmos que precisamos realmente trabalhar tanto, mesmo às custas de ficarmos muito tempo fora de casa, transferindo nossa obrigação de educar nossos filhos à escola e à babá.

Os pais dizem que trabalham tanto justamente para poderem dar um futuro decente aos seus filhos. Mas será que a presença dos pais em casa, apesar de optarem por uma vida mais simples, não seria muito mais benéfica a eles? A verdade é que a ideia de que estamos ajudando o futuro dos nossos filhos dando a eles uma vida material confortável é apenas uma racionalização, pois visto através da ótica correta, se assemelha muito ao ato de trocar o filho pelo dinheiro.

Por isto nossos sábios inseriram na cerimônia de "Pidion HaBen" esta pergunta tão chocante, na qual o Cohen oferece ao pai a opção de trocar seu filho pelo dinheiro. O propósito dos nossos sábios é nos despertar, para que sejamos mais exigentes ao avaliar nossas motivações. Quando o dinheiro deixa de ser uma necessidade de prover o bem estar da família e se torna uma busca por um conforto desnecessário, às custas do tempo com a família? Quanto o conforto que oferecemos aos nossos filhos é realmente mais importante do que a nossa presença e atenção?

Vivemos em uma geração que vê os pais cada vez mais comprometidos com o trabalho, uma geração na qual cada vez menos faltam para as famílias recursos materiais, mas cada vez mais falta atenção e carinho em casa. O resultado é o aumento da violência, da delinquência juvenil, dos casos cada vez mais frequentes de depressão atacando jovens em idades ainda muito tenras. Uma geração de crianças que tem tudo – dos jogos mais caros até os tablets mais tecnológicos – e ao mesmo tempo não tem nada. Uma geração que tem o brilho da opala, mas que falta a mão humana que faça esta joia brilhar. Esta é a lição da pergunta do Cohen, e ela deve ajudar a direcionar nossas escolhas na vida. O conforto é importante, uma boa fonte de sustento é essencial, mas não podem estar acima dos nossos próprios filhos.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 31 de maio de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHLACH 5773


BS"D

OS FRUTOS DOS NOSSOS ATOS - PARASHÁ SHLACH 5773 (31 de maio de 2013)

"O Rav Yitzchak Elchanan Spector foi um dos maiores rabinos de sua geração. Ele era um grande estudioso de Torá e publicou muitos livros. Certa vez, um homem muito rico foi à sua casa e ofereceu doar uma grande soma de dinheiro para que o Rav Yitzchak Elchanan pudesse publicar seus livros. Porém, ao invés de responder, o rabino olhou bem nos olhos daquele homem e contou uma história:

- Quando eu tinha sete anos de idade, eu fiquei órfão e vivia em um terrível estado de pobreza, passando todos os tipos de necessidade. Eu não tinha nem mesmo sapatos, e sofria muito com o frio. Mas apesar das necessidades, eu tinha muita vergonha de pedir ajuda para as pessoas. Certa vez eu me enchi de coragem e fui à casa de uma pessoa muito rica, implorando por algum dinheiro. Eu não precisava muito, apenas um par de sapatos e um pouco de comida. Mas tudo o que eu recebi daquele homem rico foi uma porta na cara.

- Se eu tivesse comprado sapatos – continuou o Rav Yitzchak Elchanan – eu certamente teria estudado muito melhor e poderia ter escrito livros ainda mais profundos e interessantes do que os que eu escrevi.

- Portanto – finalizou o Rav Yitzchak Elchanan – você acha que eu tenho que dar o mérito de financiar a publicação dos meus livros justamente àquela pessoa que um dia me fechou a porta na cara, sem me dar nem mesmo um par de sapatos para usar nos dias mais frios de inverno? Certamente que não. Então me perdoe, mas não tenho absolutamente nenhum interesse no seu dinheiro"

Não levamos em consideração as consequências futuras dos nossos atos. Por isso, muitas vezes não percebemos que as consequências de atos impensados podem se propagar e causar muito mais danos do que imaginávamos.

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Na Parashá desta semana, Shlach, a Torá traz um dos mais graves incidentes que ocorreram com o povo judeu no deserto: o pecado dos espiões. Mesmo após D'us ter garantido que Israel era uma terra fértil e boa, de onde fluía leite e mel, e mesmo depois de todas as provas do poder infinito de D'us, quando Ele esmagou o poderoso império egípcio com 10 pragas, o povo judeu não confiou Nele. O povo exigiu que a terra de Israel fosse previamente verificada, e para isso foram enviados 12 espiões. Mas o que deveria ter sido apenas uma missão de reconhecimento se transformou em uma grande tragédia: 10 espiões voltaram falando mal de Israel e desestimularam o povo, argumentando que era uma terra de gigantes, impossível de ser conquistada. O povo chorou, perdendo o mérito de entrar na terra de Israel. D'us decretou que aquele dia, Tishá be Av (dia nove do mês de Av), seria um dia de choro para todas as gerações. Toda aquela geração morreu no deserto e somente uma nova geração entrou em Israel.

Se para o povo judeu as consequências foram tão negativas, para os 10 espiões que falaram mal da terra as consequências foram ainda mais trágicas. Além deles terem sofrido uma morte terrível, o Talmud (Sanhedrin 108 a) afirma que eles também perderam sua vida eterna no Olam Habá (Mundo Vindouro).

Desta afirmação do Talmud surge uma grande dúvida. Explica o Rambam (Maimônides) que D'us nos julga de acordo com os nossos atos. Se os méritos de uma pessoa são maiores do que suas transgressões, ela é considerada Tzadik (Justo), mas se suas transgressões são maiores do que seus méritos, então ela é considerada Rashá (malvado). Quando uma pessoa é rotulada por D'us como Tzadik ou Rashá, isto tem uma grande diferença em como será o Mundo Vindouro da pessoa. Se o Talmud conta que os espiões não tiveram Mundo Vindouro, isto significa que eles foram rotulados como Reshaim, isto é, que suas transgressões era maiores do que seus méritos.

Mas como isto é possível? Quando Moshé enviou os espiões para Israel, ele sabia da dificuldade da missão e, justamente por isso, enviou apenas pessoas completamente íntegras e justas. Os comentaristas da Torá explicam que os espiões eram pessoas espiritualmente muito elevadas, os maiores de sua geração. Portanto, certamente eles faziam centenas de Mitzvót todos os dias. Então como pode ser que uma única transgressão "arrancou" todos os bons atos que eles fizeram durante a vida, a ponto de perderem até mesmo o Mundo Vindouro? Se a maioria dos atos deles eram bons e retos, por que apenas um mau ato tirou deles o status de Tzadikim e colocou-os na categoria de Reshaim?

Explica o Rambam que o conceito de Tzadik ou Rashá não é medido através da quantidade de transgressões e méritos, e sim através do tamanho das transgressões e méritos. Isto quer dizer que uma pessoa ruim, que a vida inteira fez coisas erradas, pode meritar o Mundo Vindouro através de uma única Mitzvá, e uma pessoa que fez bons atos a vida inteira pode perder seu Mundo Vindouro por causa de uma única transgressão. Como isto funciona?

Os cálculos de D'us não são como os cálculos humanos, pois Ele, em Sua perfeição, pode levar em consideração muitos pontos que são impossíveis de serem considerados pelos seres humanos, por causa das nossas limitações. Detalhes de uma Mitzvá ou de uma transgressão podem fazer com que elas tenham um peso muito maior ou menor. Por exemplo, uma transgressão feita com vontade, sem nenhuma tentativa de evitá-la, certamente tem um peso muito maior do que uma transgressão feita depois de muita luta interna. E, ao contrário, uma Mitzvá feita com Cavaná (intenção) e com todo o cuidado tem um peso muito maior do que uma Mitzvá feita sem atenção.

Além disso, há outro ponto que faz com que uma transgressão os uma Mitzvá fique mais pesada: os frutos que ela cria. Todos os nossos atos tem consequências, mas às vezes as consequências não são apenas para nós mesmos, pois atingem também outras pessoas. Quanto mais pessoas são atingidas por uma transgressão ou por uma Mitzvá, maior é o peso dela. Por exemplo, uma pessoa espiritualmente elevada que faz "Hilul Hashem" (denigre o nome de D'us) através de atos que não condizem com seu nível espiritual elevado, ensinando para as pessoas a se comportarem de maneira equivocada, terá sua transgressão multiplicada de acordo com o número de pessoas que foram influenciadas e o nível de influência sobre cada uma delas. Detalhes como estes apenas D'us, que tem controle sobre todo o universo, pode saber.

Com este conceito é possível entender a gravidade do erro dos espiões. Quando eles falaram Lashon Hará da terra, causaram uma histeria coletiva no povo judeu e fizeram com que uma geração inteira, de pessoas muito elevadas espiritualmente, perdesse o mérito de entrar em Israel. Por isso o castigo deles foi também tão pesado, pois foi proporcional a todos os frutos que saíram da transgressão que eles cometeram. Foi causado um grande Hilul Hashem, pois pessoas que deveriam ter sido vistas como exemplo de Emuná (fé) causaram com que uma geração inteira chorasse de desespero. E este choro de Tishá be Av, fruto daquela transgressão, ainda persiste até os nossos dias. É por isto que, apesar de todas as Mitzvót que os espiões já tinham feito em suas vidas, com uma única transgressão eles colocaram tudo a perder.

Mas ensinam nossos sábios que a bondade de D'us é centenas de vezes maior do que Sua justiça. Se as consequências dos frutos que saem de um mau ato são tão negativas, muito maiores são as consequências positivas de um ato de "Kidush Hashem (santificar o nome de D'us), quando ensinamos para as pessoas, através dos nossos bons atos, como elas devem se comportar. Quanto mais pessoas são influenciadas pelos nossos bons atos, quanto mais bons frutos vêm ao mundo, maior o nosso mérito para toda a eternidade.

Por isso, devemos prestar atenção em cada pequeno ato que fazemos. Costumamos fazer atos de forma impensada justamente por não levarmos em consideração até onde as consequências podem chegar. Temos que lembrar que nada passa despercebido aos olhos de D'us, e Ele espera que, ao invés de desviar as pessoas, possamos utilizar cada ato para ensinar lições de boa conduta a todo o mundo, cumprindo nossa missão de ser uma "Luz para as nações" e multiplicando nossos méritos para o Mundo Vindouro.

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 24 de maio de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BEHALOTECHÁ 5773


BS"D

PREPARANDO-SE PARA AS DIFICULDADES - PARASHÁ BEHALOTECHÁ 5773 (24 de maio de 2013)

Júlio estava andando em um parque. Diante dele, a uma curta distância, estava uma mãe e sua filhinha de três anos de idade. A menininha andava contente, segurando um balão de gás na mão. De repente, quando a menininha estava distraída, uma rajada de vento arrancou o balão de sua mão e ele começou a subir em direção ao céu. Júlio se preparou para escutar, em poucos segundo, um grande escândalo. Mas não foi isto o que aconteceu. A pequena menina acompanhou com os olhos o balão indo para o céu, virou-se alegremente para sua mãe e gritou: "Uau!".

Júlio, sem perceber, havia aprendido naquele momento uma importante lição de vida. Mais tarde, naquele mesmo dia, ele recebeu um telefonema de uma pessoa com a notícia de um problema inesperado. Em um primeiro momento ele sentiu vontade de dizer "Não acredito! E agora, o que faremos?". Mas então Júlio lembrou-se da reação da garotinha. Ele então abriu um grande sorriso e disse para a pessoa que aguardava, aflita, do outro lado da linha:

- Uau, este problema é interessante. Como podemos resolvê-lo juntos?

Uma coisa é certa: a vida sempre tentará nos desequilibrar apresentando problemas inesperados e situações difíceis. Isto é um fato. Mas o que está em nossas mãos é a nossa reação, a nossa resposta diante dos problemas. Podemos escolher ser derrotados, ou podemos escolher ser vitoriosos.

Quanto mais nos prepararmos para encarar os problemas de maneira positiva e confiante, quanto mais investirmos em nossa espiritualidade para adquirirmos ferramentas de autocontrole e Emuná (fé), estaremos aumentando as chances de, nas situações mais difíceis, olharmos os nossos problemas de maneira positiva, ao invés de perdermos a tranquilidade e a esperança.

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A Parashá desta semana, Behalotechá, descreve o momento em que o povo judeu já se aproximava de sua entrada na Terra de Israel, após cerca de um ano no deserto, mas termina com uma série de transgressões, que culminaram no terrível pecado dos espiões, descrito na Parashá da semana que vem, e o consequente decreto de que o povo judeu permaneceria 40 anos no deserto. Entre os pecados desta Parashá estão o "excesso de vontade" do povo de abandonar o Monte Sinai, como uma criança que foge da escola ao escutar o sinal, e o pecado de terem desejado tanto comer carne a ponto de reclamarem do Man que D'us mandava diariamente, causando com que uma praga matasse muitos judeus.

Ao escutarmos estas transgressões, como definimos em nossas cabeças o nível dos judeus daquela época? Parecem pessoas guiadas apenas pelos desejos, ávidas por prazeres físicos imediatos, que não apreciavam o prazer profundo do estudo da Torá no Monte Sinai e os benefícios espirituais de comer Man, a comida que caía do céu. Mas certamente este é um entendimento equivocado, pois aquela era uma gerações de pessoas em um elevado nível espiritual, que haviam presenciado os grandes milagres da saída do Egito e a revelação de D'us no Monte Sinai. A geração do deserto é conhecida como "a geração do conhecimento" e, portanto, não poderiam ter se comportado como animais, apenas guiados pelos seus desejos. Então como devemos entender estes graves erros desta geração tão elevada?

Explica o Rav Avraham Grodzinsky que o povo judeu, durante todo o período em que estava no deserto, estava vivendo acima das leis da natureza. Eles não comiam uma comida normal, não precisavam se envolver com tarefas domésticas como lavar as roupas, não precisavam arar a terra e presenciavam constantemente milagres abertos. Esta não é a vida normal para a qual D'us nos criou, pois não somos anjos, seres meramente espirituais. A vida verdadeira é uma vida de interação com o mundo material, na qual é necessário um esforço constante para elevar o material e transformá-lo em espiritual. Os anjos não passam pelos testes que nós passamos, e são justamente os testes que nos elevam e nos conectam a D'us em um nível especial e único. Então por que D'us fez com que o povo judeu vivesse desta maneira "artificial" por tanto tempo? Pois, em Sua sabedoria superior, D'us queria que o povo judeu se preparasse para os futuros testes que se deparariam quando entrassem na terra de Israel. Eles precisavam de um tempo de espiritualidade pura para que, quando precisassem estar envolvidos com o mundo material, continuassem firmes no propósito de se conectar a D'us em cada pequeno ato do cotidiano.

Porém, esta situação "artificial" tinha um lado negativo. Quando uma pessoa está sujeita a testes e dificuldades, ela se conecta a D'us através do esforço utilizado para derrotar sua má inclinação. Cada vez que ela vence um teste, ela se eleva e adquire mais espiritualidade. Mas enquanto o povo judeu vivia neste estado "sobrenatural", eles não estavam sujeitos a nenhum tipo de teste e, portanto, o seu elevado nível espiritual em que eles se encontravam não foi conquistado, e sim dado de presente por D'us.

Esta foi a fonte dos erros descritos nesta Parashá. O povo judeu já estava há quase um ano no deserto, imersos em total espiritualidade. Eles então sentiram que já estavam prontos para voltar ao mundo material. Sua motivação era sincera e sua intenção era pura, pois o povo judeu queria aplicar toda a espiritualidade absorvida no Monte Sinai na difícil tarefa de elevar o mundo material. Foi este o motivo que os levou ao "excesso de vontade" de abandonar o Monte Sinai. Não uma vontade infantil de fugir da espiritualidade, e sim o desejo de viver de maneira a conseguir elevar o material ao espiritual. Isto também explica a rejeição do Man e a vontade de comer carne. O Man simboliza o estilo de vida "sobrenatural", e o povo sentiu-se pronto para abandonar este estado "artificial" e começar uma existência real, dentro das leis da natureza, comendo comida normal. Eles acreditavam que assim se deparariam com os testes que acompanham uma vida física e, portanto, teriam a oportunidade e o mérito de se aproximar de D'us em um nível nunca antes atingido.

Porém, se esta foi a verdadeira motivação do povo judeu, então por que D'us os castigou de maneira tão severa? Responde o Rav Avraham Grodzinsky que o momento do povo judeu voltar a uma existência natural ainda não havia chegado. Eles ainda precisavam viver uma vida "sobrenatural" por mais algum tempo, para estarem suficientemente preparados para vencer os desafios que encontrariam pela frente. O desejo de sair deste estado "sobrenatural" foi, portanto, prematuro e grave, pois colocou em risco todo o elevado nível espiritual do povo judeu. Além disso, o povo foi duramente castigado pois, ao invés de confiar em D'us, preferiu fazer seus próprios cálculos. Se D'us continuava mandando Man, significava que ainda era importante continuar no nível "sobrenatural". Se D'us não os havia mandado sair do Monte Sinai, significava que ainda havia muita espiritualidade para ser absorvida antes dos testes. A consequência foi desastrosa, causando uma queda espiritual que culminou no pecado dos espiões, e aquela geração inteira, a geração do conhecimento, morreu no deserto e não teve o mérito de entrar na Terra de Israel.

Portanto, fica para nós uma enorme lição de vida. Para podermos enfrentar os desafios e dificuldades da vida, é necessária uma preparação espiritual. A vida verdadeira não é uma vida de anjos, uma vida completamente espiritual, e sim uma vida material, na qual o materialismo precisa ser canalizado para o espiritual e, através do controle dos nossos impulsos e desejos, podemos nos conectar a D'us. Isto somente é possível com a devida preparação. O tempo diário que passamos no Beit HaMidrash (Centro de estudos de Torá), nos dedicando a estudar a Torá e a trabalhar nossas Midót (características), é uma das partes mais importantes na nossa preparação para os desafios da vida. Durante este tempo diário, no qual a pessoa quer se dedicar ao seu crescimento espiritual, ela deve se desconectar de suas ocupações mundanas e se focar na sua espiritualidade. Uma dica simples e importante é desligar o telefone celular durante o estudo de Torá e da Tefilá (reza), para aproveitarmos profundamente cada momento de espiritualidade do nosso dia.

A vida sempre nos traz dificuldades. Mas são justamente as dificuldades que nos ajudam a crescer. Quanto mais estivermos preparados, maiores serão as chances de conseguirmos reagir da maneira correta aos testes da vida. Assim, como a menininha do balão de gás, ao invés de lamentarmos e reclamarmos quando surgir uma dificuldade, poderemos abrir um enorme sorriso e dizer aos nossos problemas: "Uau".

"NÃO DIGA A D'US QUE VOCÊ TEM UM GRANDE PROBLEMA. DIGA AO PROBLEMA QUE VOCÊ TEM UM GRANDE D'US"

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 17 de maio de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ NASSÓ 5773


BS"D

HONESTIDADE ACIMA DE TUDO - PARASHÁ NASSÓ 5773 (17 de maio de 2013)

Ariel, um judeu religioso e extremamente honesto, foi ao dentista. Ao sair da consulta, encaminhou-se à mesa da secretária e foi informado que sua conta era de 34 shekalim. Ele deu para a secretária duas notas de 20 shekalim, mas a secretária informou que não tinha troco. Ele então procurou moedas em todos os seus bolsos e, após contar as que havia encontrado, percebeu que somavam apenas 13 shekalim. A secretária falou para ele:

- Pague 33 shekalim e, da próxima vez que vier ao consultório, você traz o que faltou.

Mas Ariel não ficou tranquilo. Ele perguntou se ela poderia anotar que ele estava devendo 1 shekel. A secretária respondeu que não, pois o computador estava quebrado.

- Sabe, deixe para lá. Me dê os 33 shekalim e está tudo certo – disse a secretária, querendo facilitar.

- Me desculpe – respondeu Ariel, com tranquilidade - mas como você é apenas funcionária da clínica, não tenho certeza se você pode dispensar este dinheiro que falta. Então vamos fazer o contrário. Para que não fique nenhuma dúvida, pegue os 40 shekalim e a diferença pode ficar para o dono da clínica. Prefiro pagar a mais do que correr o risco de ficar devendo, mesmo que seja apenas 1 shekel.

A secretária, que não era religiosa, não acreditou no que escutou. Admirada, ela comentou:

- Se houvesse no mundo mais pessoas como você, com a sua honestidade, certamente o Mashiach já teria chegado" (História Real, retirada do livro "Major Impact", de autoria de Dovid Kaplan).

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A Parashá desta semana, Nassó, nos conta que quando o Mishkan (Templo Móvel) foi inaugurado, os líderes das 12 tribos do povo judeu trouxeram suas oferendas particulares, em comemoração ao grande acontecimento. Mas há algo interessante nas oferendas dos líderes. Se prestarmos atenção, apesar de terem sido doações voluntárias e que cada um poder doar o que quisesse, os 12 líderes doaram exatamente as mesmas coisas, para evitar que surgisse inveja, competição e ódio dentro do povo judeu. D'us, querendo demonstrar como esta atitude O agradou, escreveu na Torá a oferenda de cada tribo, isto é, a mesma oferenda foi escrita 12 vezes, demonstrando que, apesar delas serem iguais, cada oferenda foi recebida como sendo única e especial.

Cada um dos objetos que fazia parte da oferenda dos líderes, além de ser um presente doado para o Mishkan, tinha um simbolismo especial. Por exemplo, entre outras coisas, cada líder doou ao Mishkan um novilho de boi, um carneiro e um cordeiro. Explica Rashi, comentarista da Torá, que o novilho correspondia a Avraham, o carneiro correspondia a Ytzchak e o cordeiro correspondia à Yaacov. Mas qual a relação entre estas oferendas e os nossos patriarcas?

Explica o Midrash (parte da Torá Oral) que o novilho representa o Chessed (bondade) de Avraham. Quando ele recebeu os três anjos fantasiados de beduínos, ofereceu a eles língua de boi com mostarda, uma comida dos reis e nobres, mostrando sua extraordinária bondade com os outros. O carneiro representa o temor a D'us de Ytzchak, que estava disposto a ser oferecido a D'us como um sacrifício. Quando um anjo segurou a mão de Avraham e não deixou que ele terminasse o sacrifício de seu próprio filho, um carneiro foi sacrificado no lugar de Ytzchak. Já o cordeiro representa Yaacov, que cuidava dos rebanhos de seu sogro Lavan.

Mas deste Midrash fica uma grande pergunta. Entendemos que o boi represente Avracham e seu incrível nível de Chessed, e que o carneiro represente Ytzchak e seu temor a D'us, que estava acima do próprio temor à morte. Mas que grande característica de Yaacov é representada através de um cordeiro? Qual a grandeza de Yaacov representada pelo fato dele ter sido pastor das ovelhas de Lavan?

Explica o Rav Meir Tzvi Bergman que Yaacov não era um simples pastor de ovelhas. Se prestarmos atenção em seus atos, perceberemos nele uma incrível característica de integridade em assuntos que envolviam o relacionamento com seus semelhantes. Ele chegava a um nível extremo de cuidado para evitar causar qualquer dano ou receber qualquer benefício de outros se houvesse qualquer indício de ilegitimidade neste ato. Esta honestidade extrema de Yaacov foi demonstrada durante os 20 anos pelos quais ele foi pastor de ovelhas de seu tio Lavan, uma pessoa traiçoeira e desonesta. Apesar de centenas de vezes seu tio Lavan ter mudado as regras do seu pagamento, apesar de todas as tentativas de trapaça e enganação, Yaacov nunca se desviou de sua integridade absoluta. Mesmo quando ele teve oportunidade de "dar o troco" e enganar seu sogro, Yaacov se manteve firme em suas convicções.

Uma destas oportunidades foi quando Lavan decidiu que o pagamento de Yaacov seria os animais do rebanho que tivessem manchas ou listras, que eram, na verdade, os animais menos desejados. Então Yaacov utilizou uma artimanha especial: quando os animais em época de acasalamento olhavam para uma vara descascada, que ele colocou estrategicamente no local onde os animais bebiam água, os filhotes nasciam listrados ou manchados.

Mas explica o Radak que Yaacov não utilizou esta artimanha indiscriminadamente. Ele poderia utilizar em todos os animais, fazendo com que todos os filhotes saíssem manchados e listrados, deixando Lavan sem nenhum animal. Porém, apesar de ter sido tantas vezes enganado, Yaacov não fez isto. Ele mostrava a vara descascada apenas aos animais que já eram manchados e listrados, para que seus filhotes também saíssem à sua imagem, manchados e listrados. Assim ele assegurava que nenhum dos animais que nasceriam dos manchados e listrados seria completamente branco.

Mas se o acordo com Lavan era que os animais listrados e manchados seriam de Yaacov, então mesmo se deles nascessem animais sem manchas ou listras, eles pertenceriam legalmente à Yaacov. Então por que ele utilizou esta artimanha de fazer com que todos os filhotes dos animais manchados e listrados também saíssem assim, se era algo desnecessário?

Daqui aprendemos o quanto Yaacov era rigoroso e cuidadoso com a menor possibilidade de fazer algo errado, ou até mesmo de deixar a impressão de que havia feito algo errado. Ele queria ter certeza de que Lavan não teria absolutamente nenhum argumento para dizer que ele o havia roubado. Se houvessem ovelhas brancas, mesmo que fossem legalmente de Yaacov, Lavan certamente as utilizaria como argumento para acusá-lo de roubo. Por isso Yaacov chegou ao extremo de utilizar a artimanha das varas descascadas apenas para afastar qualquer suspeita, evitando que o nome de D'us fosse denegrido.

Este é o entendimento do Midrash, que associa o cordeiro com Yaacov. Yaacov representa a Emet (verdade), e ele sabia que a verdade não é medida apenas em termos absolutos, mas também de acordo com a maneira como cada um a percebe. Ele chegou ao extremo de se preocupar com sua honestidade e com a forma como seria visto pelas outras pessoas. Mesmo que Lavan o enganava abertamente, centena de vezes, Yaacov conseguiu passar no teste, e esta característica ficou marcada nele para sempre.

Ensinam os nossos sábios que devemos sempre nos perguntar: "Quando nossos atos chegarão ao nível dos atos dos nossos antepassados, Avraham, Ytzchak e Yaacov?". Será que estamos perto da honestidade de Yaacov? Quando alguém no banco nos dá troco a mais, nós imediatamente devolvemos, ou ficamos com o dinheiro e racionalizamos "eles me roubam tanto, cobrando taxas injustas, agora eu estou apenas fazendo justiça"? Nos importamos com pequenas quantias que ficamos devendo aos outros? Tomamos cuidado para não utilizar, para assuntos pessoais, o telefone e o computador do escritório, ou mesmo o nosso tempo de trabalho?

As pessoas entendem que para saber como cumprir as Mitzvót, com todos os seus detalhes, é importante se aconselhar com um rabino. Sempre quando surge uma dúvida, todos sabem a quem recorrer. Mas em relação aos negócios, achamos que não é necessário nenhum tipo de aconselhamento. Chegamos a achar que existem duas vidas independentes, uma no escritório e outra em nossa vida particular. Mas nos ensina o Talmud (Shabat 31a) que no momento em que sairmos deste mundo, D'us nos fará 3 perguntas. E justamente a primeira pergunta será: "Você foi honesto nos seus negócios?". Antes mesmo de D'us nos perguntar se esperamos ansiosamente pela salvação ou se fixamos tempos para o estudo da Torá, D'us questionará nossa honestidade nos negócios.

A honestidade nos negócios envolve muitas Mitzvót da Torá, e aquele que não se preocupa pode estar transgredindo todas elas. A obrigação de garantir que os pesos e as medidas estejam corretos, a proibição de enganar uma pessoa (Gneiva Dáat), a proibição de causar qualquer dano monetário (Onaát Mamon), a proibição de "colocar uma pedra na frente de um cego", além da possibilidade de causar "Chilul Hashem" (denegrir o nome de D'us) são apenas alguns exemplos de proibições que uma pessoa que é desonesta nos negócios pode transgredir. E como passamos grande parte do nosso dia no trabalho, não ter cuidado com a honestidade pode ter consequências desastrosas na nossa espiritualidade.

O ser humano tem uma enorme atração por dinheiro. E como em todas as áreas nas quais nós sentimos um forte desejo, a Torá exige de nós autocontrole. Não enganar os clientes de nenhuma maneira, pagar nossas dívidas na data correta, não cobrar mais do que o valor real de um produto e questionar um rabino quando surgem dúvidas em questões monetárias são alguns exemplos de desafios do nosso autocontrole nesta área. A grandeza de Yaacov foi sua honestidade mesmo diante da malandragem de Lavan. Pois o teste de uma pessoa não é se ele se comporta eticamente quando os outros também estão se comportando eticamente com ele. O teste verdadeiro é quando a pessoa mantém a ética nos negócios mesmo que todos os outros não se preocupam mais com isso.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 10 de maio de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BAMIDBAR E SHAVUÓT 5773


BS"D

DESEJO DE PROXIMIDADE - PARASHÁ BAMIDBAR E SHAVUÓT 5773 (10 de maio de 2013)

Certa vez um não judeu estava passando ao lado de um Beit Midrash (casa de estudos) quando escutou a descrição das magníficas roupas do Cohen Gadol (Sumo sacerdote). Maravilhado, ele pediu a um dos maiores sábios de Torá da geração, Shamai, para que o convertesse ao judaísmo, acreditando que assim poderia se tornar o Cohen Gadol. Shamai irritou-se com o pedido daquele homem e sua motivação, e o mandou embora.

Mas aquele não judeu estava decidido a ir até o fim. Procurou então outro grande sábio de Torá da geração, Hilel, com o mesmo pedido. Hilel aceitou convertê-lo, mas informou-o que antes de se tornar Cohen Gadol era necessário estudar todas as leis referentes ao cargo. Quando ele começou a estudar, chegou a um versículo que ensinava a proibição de uma pessoa que não é da linhagem dos Cohanim de fazer os serviços do Beit Hamikdash (Templo). Confuso, ele perguntou a Hilel:

- A que tipo de pessoa este versículo se refere?

- Mesmo David Hamelech, um dos maiores reis da história do povo judeu, estaria proibido de fazer os serviços do Beit Hamikdash, pois ele não era da linhagem dos Cohanim – respondeu Hilel.

Aquele homem entendeu que se nem mesmo o rei de Israel podia fazer os serviços do Beit Hamikdash, como ele, um recém-convertido, faria? Entendeu então que nunca poderia se tornar o Cohen Gadol, era apenas uma grande ilusão. Percebeu a grandeza da sabedoria de Hilel e se emocionou com sua tolerância, e por isso agradeceu profundamente a Hilel por tê-lo ajudado a se tornar parte do povo judeu. (História Real, ensinada no Talmud Shabat 32a).

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Nesta semana começamos o 4o livro da Torá, Bamidbar, que literalmente significa "No deserto". Este livro descreve muitos acontecimentos importantes que ocorreram durante os 40 anos em que o povo judeu estava no deserto, como a rebelião de Korach, o erro dos espiões e as guerras contra outros povos que viviam na região. E a Parashá desta semana, Bamidbar, sempre é lida antes de Shavuót, a Festa da entrega da Torá, que começa na próxima terça feira de noite (14/05). Qual é a conexão entre a Parashá Bamidbar e a Festa de Shavuót?

A Parashá Bamidbar começa com a contagem do povo judeu, de acordo com as tribos. A única exceção é a tribo de Levi, que não foi contada junto com o resto do povo por seu nível espiritual diferenciado. A Torá então enumera alguns dos serviços que eram realizados apenas pelos homens da tribo de Levi, como a montagem, a desmontagem e o transporte do Mishkan (Templo Móvel). Estas funções, bem como outros serviços feitos no Mishkan, eram proibidos para pessoas de outras tribos, como está escrito "Quando o Mishkan viaja, os Leviim devem desmontá-lo, e quando o Mishkan acampa, os Leviim devem montá-lo. E um estranho que se aproximar morrerá" (Bamidbar 1:51).

O que a Torá chama de "estranho"? Qualquer pessoa que não fizesse parte da tribo de Levi não poderia participar dos serviços feitos no Mishkan, mesmo que fosse um rei ou um grande líder do povo. E a gravidade deste erro está ressaltada na punição, a pena de morte, aplicada diretamente por D'us e não por um Beit Din (Tribunal). Foi justamente este versículo que, quando estudado por aquele homem convertido por Hilel, o fez entender que era uma grande ilusão uma pessoa que não era da tribo de Levi querer se tornar o Cohen Gadol.

Mas esta história da conversão feita por Hilel desperta uma grande dúvida. O Rambam (Maimônides) ensina que a conversão ao judaísmo é permitida apenas se aquele que deseja se converter não está motivado por nenhuma razão externa, como a busca de honra, dinheiro ou apenas para se casar. A conversão deve vir da vontade verdadeira da pessoa de se unir ao povo judeu para servir à D'us e cumprir Suas Mitzvót. Portanto, como Hilel consentiu que aquele não judeu se convertesse, se suas motivações eram aparentemente externas, se sua vontade verdadeira era apenas se tornar o Cohen Gadol?

Ensinam os nossos sábios: "Não seja como os escravos que servem seu dono para receber uma recompensa" (Pirkei Avót 1:3). Isto nos ensina que não devemos cumprir as Mitzvót apenas pensando na recompensa que vamos receber por elas. Mas se nós sabemos que todo o propósito de D'us ter criado o mundo foi apenas para beneficiar a humanidade, e que o sistema de regras que D'us nos entregou serve para permitir aos seres humanos sentir que "adquiriram" o direito de receber as bondades de D'us, então como pode ser que o Pirkei Avót nos ensina a servir a D'us sem buscar nenhuma recompensa?

Além disso, esta Mishná se choca com outro ensinamento dos nossos sábios: "Uma pessoa deve cumprir as Mitzvót que parecem ser menos rigorosas com o mesmo cuidado com que cumpre as Mitzvót que parecem ser mais rigorosas, pois a recompensa de cada Mitzvá não é sabida" (Pirkei Avót 2:1). Esta Mishná nos dá a entender que se soubéssemos quais Mitzvót têm recompensa maior, então cumpriríamos estas Mitzvót com mais vontade. Portanto, como entender a contradição com o ensinamento da primeira Mishná, que ressalta que devemos servir a D'us sem querer receber nenhuma recompensa?

Responde o Rav Yohanan Zweig que há dois motivos para uma pessoa dar recompensa. Uma razão é por incentivo ou compensação, como ocorre em ambientes empresariais. Neste caso, existe uma relação conflituosa: o dono do negócio quer que certa atividade seja realizada, enquanto seu empregado, embora preferisse não fazer o que seu chefe pediu, termina por realizá-lo por estar motivado pelo dinheiro que receberá. O dono prefere não dar seu dinheiro, mas sabe que se não o fizer, seu empregado não fará o trabalho. Portanto, o dinheiro simboliza a natureza contraditória desta relação.

Outra razão para dar uma recompensa é para demonstrar a proximidade e apreço que a pessoa que está dando a recompensa sente por aquela que está recebendo. Neste caso, a pessoa que está recebendo não está motivada pela recompensa, apenas a utiliza como forma de "calibrar" o relacionamento.

Se prestarmos atenção, as duas Mishnaiót do Pirkei Avót, aparentemente contraditórias, utilizam palavras diferentes para expressar o termo "recompensa". A primeira Mishná, que nos proíbe servir a D'us apenas em busca de recompensa, utiliza a linguagem "Prass", enquanto a segunda Mishná, que diz que se soubéssemos a recompensa de cada Mitzvá nos esforçaríamos mais naquelas de maior valor, utiliza a linguagem "Sachar". Por que esta diferença?

A palavra "Prass", além de "recompensa", também significa "separar um objeto de sua fonte". Por exemplo, é o termo utilizado para cortar uma fatia de pão, isto é, separar parte do pão do resto. Se a recompensa é utilizada em uma relação conflituosa, há uma separação entre as duas partes e o dinheiro representa esta separação. Este tipo de recompensa separa, ao invés de juntar. É o que ensina a primeira Mishná, que se tentarmos nos conectar a D'us sem vontade de cumprir Suas leis, fazendo apenas com o intuito de receber uma recompensa, isto não nos une a Ele de verdade.

Já o termo "Sachar" reflete a proximidade de uma relação. A vontade de receber "Sachar" não é visto de maneira negativa, ao contrário, é algo positivo, pois a vontade da pessoa de servir D'us é apenas com o intuito de se aproximar Dele, e a recompensa é apenas a forma de medir se o objetivo está sendo atingido. A segunda Mishná nos ensina, portanto, que também devemos ser cuidadosos com as Mitzvót "leves", pois não sabemos o verdadeiro valor de cada uma delas, e uma Mitzvá "leve" pode nos conectar a D'us de uma maneira mais forte do que uma Mitzvá "pesada". A Mishná está ressaltando que, se soubéssemos o valor de cada Mitzvá, nos esforçaríamos mais naquelas que nos conectam mais com D'us, por amor a Ele, não por motivos egoístas.

Isto explica a conversão descrita na história de Shamai e Hilel. Quando a pessoa procurou Shamai, alegando que queria ser Cohen Gadol, Shamai entendeu que a única motivação daquele homem em se tornar judeu era a honra conectada ao cargo de Cohen Gadol, isto é, algo egoísta, e por isso o mandou embora. Mas Hilel percebeu que sua motivação não era por honra. Ele entendeu que aquele homem buscava servir D'us da maneira mais completa possível. Sua vontade de ser Cohen Gadol não era uma busca de recompensa, e sim uma vontade de estar mais perto de D'us. Sua motivação não era externa, Hilel viu nele um desejo verdadeiro de se tornar judeu, e por isso o converteu.

Este desejo pela proximidade de D'us é a essência da Festa de Shavuót. Há mais de 3.000 anos D'us nos entregou a Torá, por amor, nos dando a possibilidade de, através das Mitzvót, nos aproximarmos Dele. A recompensa que teremos com cada Mitzvá deve ser apenas utilizada como medida da nossa conexão espiritual, mas nossa verdadeira motivação deve ser a vontade de se aproximar de D'us e se tornar, a cada dia, uma pessoa melhor e mais completa.

Em Shavuót a Torá é novamente entregue para cada judeu. Mas é como uma chuva que cai após o período de plantio. Se nos prepararmos, internalizando a importância da Torá em nossas vidas e recebendo-a com alegria, sabendo que é a nossa única forma de conexão com D'us, Shavuót vem trazendo muitas Brachót (Bençãos). Mas se não nos prepararmos, Shavuót "escorre" das nossas mãos, como uma chuva que caiu sobre um campo que não foi arado nem plantado.

SHABAT SHALOM e CHAG SAMEACH

Rav Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).