sexta-feira, 29 de março de 2024

A HONESTIDADE TRAZ BRACHÁ - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ TZAV 5784

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Avraham Yaacov ben Miriam Chava

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Sr. Gabriel David ben Rachel zt"l 

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PARASHÁ TZAV 5784



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MENSAGEM DA PARASHÁ TZAV

ASSUNTOS DA PARASHÁ TZAV
  • Cinzas do Altar.
  • 3 fogos do Altar.
  • Leis da Oferenda de Minchá (Farinha).
  • Oferenda do Cohen Gadol e seus filhos.
  • Leis das Oferendas de Pecado (Chatat).
  • Leis das Oferendas de Culpa (Asham).
  • Presentes dos Cohanim.
  • Leis das Oferendas de Agradecimento (Todá)
  • Pigul e Notar - Oferendas que não são mais aceitas.
  • Proibição de consumir as Oferendas em um estado de impureza.
  • Proibição de comer gordura (Chelev) e sangue.
  • A Porção das oferendas dada ao Cohen.
  • Consagração dos Cohanim.
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A HONESTIDADE TRAZ BRACHÁ - PARASHÁ TZAV 5784 (29/mar/24)
 
"Há cerca de oitenta anos houve um caso interessante na cidade de Slonim, na Lituânia. Era uma época em que o antissemitismo crescia e os judeus já começavam a sentir medo de conviver com os não judeus. Porém, os judeus ainda precisavam muito ter contato com os não judeus, pois precisavam comprar e vender produtos. Era uma situação extremamente delicada e preocupante.
 
Certa vez, um judeu da cidade comprou de um fazendeiro não judeu 28 quilos de mel e pagou o preço de 5 rublos. Porém, quando o judeu chegou em casa, percebeu que o fazendeiro havia se enganado e, ao invés vez de entregar 28 quilos, acabou entregando 38 quilos de mel. Era um erro que provavelmente o fazendeiro nem perceberia e, para o judeu, que estava em uma situação econômica difícil, faria uma grande diferença. Porém, mesmo assim aquele judeu dirigiu-se ao fazendeiro e, levando de volta os 10 quilos que haviam sido vendidos por engano, explicou o que havia ocorrido e devolveu a diferença.
 
O fazendeiro, ao ver o gesto nobre daquele judeu, ficou muito surpreso. Então ele disse:
 
- Agora eu vejo que tudo que os antissemitas dizem contra vocês não é verdade, pois você foi muito honesto em me devolver o mel que havia sido vendido por engano.
 
O fazendeiro começou a perguntar sobre a situação financeira daquele judeu e descobriu que ele estava passando por um momento difícil, com muitos gastos e poucas entradas. O fazendeiro ficou ainda mais surpreso. Como alguém com tantas dificuldades mesmo assim ainda conseguia ser honesto? Pelo belo ato de honestidade, não só o fazendeiro se recusou a receber o mel de volta, dando a diferença de presente ao judeu, como também lhe ajudou a financiar a construção de uma casa própria."
 
Além do enorme Kidush Hashem, percebemos que aquele que é honesto recebe mais Brachót de D'us na vida.

Nesta semana lemos a Parashá Tzav (literalmente "Ordene"), que continua explicando os vários tipos de Korbanót que eram oferecidos no Mishkan. Além disso, a Parashá fala sobre a consagração dos Cohanim, isto é, a preparação para que pudessem iniciar os Serviços espirituais. Este processo de "inauguração" dos Cohanim envolvia o mergulho na Mikve, a colocação das vestimentas sagradas, a unção com um óleo especial e a oferenda de alguns tipos de Korbanót. Depois disso a Parashá descreve a consagração de todos os utensílios do Mishkan, que também foram ungidos com um óleo especial.  
 
Em relação à inauguração dos Cohanim, D'us disse para Moshé: "Leve com você Aharon e seus filhos, e as vestes, e o óleo de unção, e o novilho do Korban pelo pecado, e os dois carneiros, e o cesto de Matzót" (Vayikrá 8:2). Logo depois, o versículo confirma que Moshé fez tudo exatamente como D'us o havia ordenado. Porém, em seguida, ocorreu algo estranho. Moshé virou-se para o povo judeu e disse: "Isto é o que o D'us ordenou que fosse feito" (Vayikrá 8:5). O que Moshé quis dizer com isso?
 
Rashi (França, 1040 - 1105) explica que, com estas palavras, Moshé estava transmitindo ao povo judeu a seguinte mensagem: "As coisas que vocês vão me ver fazendo agora, todas foram ordenadas por D'us. Portanto, não digam que estou fazendo isso pela minha própria honra ou pela honra do meu irmão". Como Moshé estava prestes a iniciar a inauguração de Aharon e seus filhos como Cohanim do povo judeu, e isto estava sendo feito diante dos olhos de todo o povo, ele queria que o povo soubesse que a escolha de seu irmão e de seus sobrinhos como Cohanim não era uma questão particular, e sim uma ordem de D'us.
 
Mas por que Moshé sentiu necessidade de dizer estas palavras? Era necessário justificar seus atos perante o povo? Alguém desconfiaria que Moshé, alguém digno da confiança de D'us, estava indicando por sua própria vontade seu irmão? Em especial, por se tratar dos serviços do Mishkan, havia alguma suspeita que recaía sobre Moshé?
 
Para responder este questionamento, o Rav Yerucham Leibovitz zt"l (Bielorússia, 1873 - 1936) traz um impressionante ensinamento dos nossos sábios. O Talmud (Shekalim 3:2) ensina que aquele que era tesoureiro e entrava para recolher as doações que estavam depositadas em uma câmara específica do Beit Hamikdash não podia entrar usando sapatos, sandálias, com os seus Tefilin colocados ou carregando alguns outros objetos. Qual era o motivo desta proibição? Ele não podia entrar com nada que pudesse ser utilizado para esconder dinheiro, para que, caso futuramente ficasse rico, as pessoas não dissessem: "ele enriqueceu roubando as doações do Beit Hamikdash". O Talmud continua e explica que mesmo que não haja efetivamente suspeita de que alguém queira roubar dinheiro do Beit Hamikdash, ainda assim aquele que recolhe o dinheiro da câmara deve, no entanto, tomar estas precauções, pois uma pessoa deve parecer correta aos olhos das pessoas assim como deve parecer correta aos olhos de D'us, como está escrito: "E estarão 'limpos' diante de D'us e diante de Israel" (Bamidbar 32:22).
 
Este versículo, que nos ensina a importância de estarmos "limpos" aos olhos de todos, se refere a uma conversa entre Moshé e os representantes das Tribos de Reuven e Gad, que vieram declarar a Moshé sua vontade de não entrar na Terra de Israel. Após receberem uma dura bronca de Moshé, por potencialmente causarem desunião e enfraquecimento do povo, Reuven e Gad explicaram a Moshé que eles estavam comprometidos a ajudar o povo a conquistar a Terra de Israel. Moshé então enfatizou que os homens das Tribos de Reuven e Gad deveriam ter um comportamento exemplar, entrando para guerrear na frente das outras Tribos, para que as pessoas não desconfiassem que eles estavam fazendo "corpo mole", já que não tinham interesse de viver em Israel. Isto significa que não bastava estarem "limpos" aos olhos de D'us, mas também era importante que estivessem "limpos" aos olhos das pessoas. Este é o conceito da "Nekiut" (limpeza) dos nossos atos, que devem ser sempre precisos e bem planejados para que não levantem nenhum tipo de desconfiança ou suspeita.
 
Voltando para o ensinamento do Talmud, ainda há algo que precisa ser esclarecido. Entendemos que alguém poderia esconder moedas dentro de um sapato ou de uma sandália. Mas como alguém esconderia dinheiro dentro de um Tefilin? Os comentaristas explicam que as pessoas poderiam pensar que o coletor poderia abrir as costuras do Tefilin e colocar moedas dentro para roubar. Mas certamente ninguém faria este tipo de coisa com um Tefilin, um objeto sagrado, ainda mais para roubar moedas do Beit Hamikdash! Mesmo assim não era permitido entrar usando Tefilin. Daqui vemos como é importante o conceito de estar "limpo" diante de D'us e diante das pessoas.
 
O mais incrível é perceber que esta lei também se aplicava a Aharon HaCohen e seus filhos, pois essa obrigação era válida para todos, sem exceções. Mas pairava alguma dúvida sobre a honestidade de Aharon e de seus filhos? Certamente que não. Então podemos aprender que o conceito de "estarão 'limpos' diante de D'us e diante de Israel" não se refere à pessoa ser suspeita ou não, e sim à pessoa se comportar com um grau completo de "limpeza" e transparência em todos os seus atos, o que é uma Mitzvá por si só. A Mitzvá se trata de se afastar até mesmo de uma "poeira" de suspeita. Alguém que fez atos nos quais faltou transparência, mesmo que não tenha feita absolutamente nada de errado, ainda assim não está incluído na categoria de "limpeza dos atos".
 
Nos ensina Shlomo Hamelech: "Um homem confiável terá muitas Brachót" (Mishlei 28:20). Explica o Midrash que este versículo se refere a Moshé, que era um homem de extrema confiança de D'us, e quando ele era tesoureiro de algo, isto recebia Brachá, pois Moshé era muito confiável. Porém, este ensinamento aparentemente contradiz outro ensinamento do Talmud (Shekalim 5:5), que ensina que não se aponta menos do que dois responsáveis pelo dinheiro público. Então como Moshé poderia ser sozinho o tesoureiro do Mishkan?
 
A resposta é que Moshé era tesoureiro sozinho por causa da confiança que D'us sentia nele. Mesmo assim, Moshé fazia questão de sempre chamar outras pessoas para fazer junto com ele a prestação de contas, como está escrito em relação à finalização da construção do Mishkan: "Estas são as contas do Mishkan, que foram calculadas por Moshé... através de Itamar" (Shemot 38:21). Isso ilustra o profundo significado de "serão limpos", significando que não deve haver qualquer brecha nos nossos atos que possa gerar suspeitas e desconfianças.
 
Se D'us tivesse ordenado a Moshé que escolhesse o Cohen Gadol e não tivesse indicado Aharon, Moshé não poderia tê-lo nomeado. Embora todos em Israel soubessem que não havia ninguém mais adequado para o cargo do que Aharon, pelo fato de ele ser seu irmão, havia a possibilidade de as pessoas dizerem que a escolha havia sido por razões pessoais, o que comprometeria a integridade de Moshé e sua "limpeza". Portanto, o versículo diz: "Isto é o que o D'us ordenou que fosse feito". Moshé estava dizendo: "Estou fazendo isso apenas porque é o mandamento de D'us, e não tenho escolha a não ser obedecer".
 
Vivemos atualmente em um mundo tão desonesto que atos de honestidade chamam ainda mais a atenção. Precisamos nos esforçar para que nossos atos sejam exemplares, tanto aos olhos de D'us quanto aos olhos das pessoas. A Halachá nos ensina, por exemplo, que uma pessoa que precisa sair antes do final da Tefilá deve explicar aos outros frequentadores da sinagoga o motivo urgente que o está levando a fazer isso. Mesmo que D'us saiba que a saída é justificável, é importante que as pessoas também saibam disso. Devemos ser exemplares aos olhos de D'us, mas também é muito importante sermos exemplares aos olhos das pessoas. Assim, além de não causarmos nenhuma suspeita ou desconfiança, poderemos nos tornar modelos de conduta para os outros. 

SHABAT SHALOM 

R' Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 22 de março de 2024

A INVEJA E A MÃO DE D’US - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAYIKRÁ E PURIM 5784

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PARASHÁ VAYIKRÁ 5784



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MENSAGEM DE PURIM

ASSUNTOS DA PARASHÁ VAYIKRÁ
  • D'us chama Moshé
  • D'us ensina a Moshé as regras gerais dos Korbanót
  • Korban de gado, rebanho e pássaros (Olá)
  • Oferenda de farinha - Oblação (Minchá).
  • Oferenda cozida, da frigideira, frita na panela.
  • Pacto de sal
  • Oferendas de Pazes de gado, rebanho e cabras (Shelamim).
  • Oferendas de Pecado para o Cohen Gadol, Comunidade, Rei, Indivíduos comuns (Chatat).
  • Cordeiros como Oferendas de Pecado (Chatat).
  • Oferenda de Culpa Ajustável (Ole VeIored).
  • Oblação por Culpa (Chatat).
  • Sacrifício da Malversação.
  • Oferenda por Culpa Questionável (Asham Talui).
  • Oferendas por Desonestidade.
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A INVEJA E A MÃO DE D'US - PARASHÁ VAYIKRÁ E PURIM 5784 (15/mar/24)
 
O Rav Menachem Nachum Twersky zt"l (Ucrânia, 1730, Polônia, 1787), mais conhecido como "Rebe de Chernobyl", teve uma infância traumática e continuou passando por muitas dificuldades ao longo de sua vida. Quando criança, ele ficou órfão de pai e mãe, e acabou sendo criado por seus tios, que também não tinham muitas condições financeiras. Ser órfão já era uma tragédia, mas para piorar a situação, ele foi muito maltratado na casa dos seus tios.
 
Por exemplo, certa vez sua tia serviu torradas com uma pasta de queijo para os filhos, mas para o pequeno Menachem ela deu apenas torradas secas. O pequeno Menachem reclamou que ele também queria queijo, e por isso sua tia o trancou de castigo em um quarto. O pequeno Menachem estava inconformado. De repente, ele viu no canto do quarto um balde que estava cheio de uma pasta branca. Ele achou que era queijo, e mesmo sem pedir permissão, colocou um pouco na sua torrada. Mas, ao provar, ele não conseguiu mais comer a torrada e acabou jogando tudo fora, pois o gosto era muito ruim. Mais tarde ele acabou descobrindo que a pasta branca era cimento.
 
Essa experiência ensinou ao Rav Menachem algo muito valioso, que ele guardou por toda a sua vida: quando alguém tenta pegar o que não é seu, acaba também perdendo o que por direito seria seu.

Nesta semana lemos a Parashá Vayikrá, iniciando o terceiro Livro da Torá. Neste Livro, Torá começa a ensinar muitos conceitos sobre santidade, pureza e impureza espiritual. A Parashá Vayikrá fala principalmente dos Korbanót, a principal forma de servirmos e nos aproximarmos de D'us. Neste Shabat também lemos a Parashá Zachor, para cumprirmos a Mitzvá da Torá de lembrarmos o que Amalek nos fez, quando nos atacou de forma covarde no deserto, para tentar nos "esfriar" espiritualmente. Com a Parashá Zachor lembramos da Mitzvá de exterminar a lembrança de Amalek do mundo, pois Amalek representa todo o mal e a escuridão.
 
E no Motsei Shabat (23/mar/24) começaremos a reviver a próxima Festa do Calendário Judaico: Purim, uma festa muito alegre, na qual comemos, bebemos e dançamos com muita alegria, revivendo a milagrosa salvação do povo judeu na época de Mordechai e Esther, pouco antes da reconstrução do Segundo Templo Sagrado, durante o exílio Persa. D'us nos salvou do decreto de um homem do povo de Amalek, Haman, o primeiro ministro do rei Achashverosh, que queria exterminar todo o povo judeu, homens, mulheres e crianças, em um único dia.
 
A Meguilat Esther, livro no qual toda a história de Purim foi registrada, é extremamente profunda. Inclusive, se prestarmos atenção nos detalhes, perceberemos que surgem muitos questionamentos. Por exemplo, a Meguilá começa contando sobre um banquete oferecido pelo rei Achashverosh, governante da Pérsia, como está escrito: "No terceiro ano do seu reinado, ele fez um banquete para todos os seus oficiais..." (Esther 1:3). Qual era o motivo deste banquete? Havia uma profecia de Yirmiahu HaNavi, de que o exílio do povo judeu duraria 70 anos e que depois o Templo Sagrado seria reconstruído e o povo judeu voltaria para a Terra de Israel. De acordo com os cálculos de Achashverosh, o septuagésimo ano do exílio judeu passou sem consequências, acabando assim com o medo de uma libertação judaica. Achashverosh celebrou essa ocasião com um banquete luxuoso, exibindo os utensílios sagrados saqueados do Templo Sagrado pelo exército de Nevuchadnetzach.
 
O versículo que descreve a ostentação apresentada no banquete (Esther 1:6) contém uma letra escrita em um tamanho maior do que as outras, um "Chet", que tem o valor numérico de oito. Isso alude ao fato de que Achashverosh celebrou a derrota do povo judeu vestindo os oito trajes do Cohen Gadol. Porém, o Talmud (Meguila 11b) ensina que quase uma década antes, Belshatzar, neto de Navuchadnetzach, deu uma festa aos seus lordes e, animado pelo vinho, mandou trazer os utensílios sagrados que o seu avô havia roubado do Templo Sagrado de Jerusalém e bebeu neles. Ele também estava celebrando o que erroneamente calculou como o término do septuagésimo ano do exílio judaico. Porém, embora tenha exibido os utensílios sagrados, não há menção dele vestindo os oito trajes do Cohen Gadol. Qual foi a motivação de Achashverosh em vestir os trajes sacerdotais?
 
Além disso, logo após o plano fracassado de Bigtan e Teresh, em sua tentativa de assassinar o rei, Achashverosh elevou a posição de Haman para primeiro ministro, a segunda pessoa mais poderosa em seu reino. Por que essa foi a reação de Achashverosh ao atentado malsucedido?
 
Outro ponto que chama a atenção é que Haman, em sua nova posição, desfilava pela cidade exigindo que todas as pessoas se curvassem diante dele. Essa ação poderia ter sido vista como uma tentativa de usurpar o poder do rei. Por que Achashveirosh permitiu que Haman se comportasse como se fosse um deus?
 
Finalmente, o ponto de virada da narrativa da Meguilá ocorre no início do sexto capítulo. Achashverosh, sofrendo de insônia, pediu que as Crônicas do reinado fossem lidas diante dele. Ele descobriu que Mordechai nunca havia sido recompensado por ter salvado sua vida. Achashverosh perguntou a Haman o que deveria ser feito com o homem que o rei deseja especialmente honrar, e Haman, pensando que era ele o objeto da benevolência do rei, sugeriu que essa pessoa deveria usar a coroa e a roupa do rei, montar no cavalo do rei e ser conduzida por um dos mais nobres oficiais do rei. Achashverosh conferiu essa honra a Mordechai e exigiu que Haman o conduzisse pessoalmente no desfile pela cidade. De acordo com o Talmud (Meguila 16a), Haman também foi obrigado a cuidar da higiene de Mordechai. Por que Achashverosh submeteu Haman a esta completa e total humilhação, justamente diante de Mordechai, seu inimigo jurado? Ele não deveria honrar seus ministros importantes?
 
A resposta de todas estas perguntas pode ser encontrada ao nos aprofundarmos em outra importante história da Torá. O Talmud (Shabat 10b) afirma que um pai não deve favorecer um filho em relação ao outro. Como resultado de Yaakov ter dado a Yossef uma túnica, o povo judeu foi obrigado a descer ao Egito. Como Yaakov, que foi capaz de enganar Essav e Lavan, não percebeu que dar ao seu filho essa peça adicional de roupa alimentaria as chamas da inveja e do ressentimento entre Yossef e seus irmãos? Por outro lado, há uma aparente contradição. Yaakov ensinou a Yossef toda a Torá que aprendeu durante os quatorze anos em que estudou na Yeshivá de Shem e Ever. Por que isso não incitou os irmãos contra Yossef e não causou inveja?
 
Outro ponto interessante é que depois que Yossef se revelou aos seus irmãos, deu a eles presentes, oferecendo a cada um uma nova roupa. Porém, para Binyamin ele deu cinco conjuntos de roupas e trezentas peças de prata. O Talmud (Meguilá 16a) questiona: como Yossef, que foi vítima da inveja causada pelo favoritismo, pôde cair na mesma falha? O Talmud responde que as ações de Yossef aludiam a um evento futuro na história judaica, quando Mordechai, descendente de Binyamin, seria vestido com cinco trajes reais. Mas isto realmente consegue responder o questionamento do Talmud? Como um evento futuro tiraria a inveja dos irmãos naquele momento?
 
Explica o Rav Yochanan Zweig que, na maioria das sociedades, há uma posição que representa o poder político do estado e outra que representa a liderança religiosa. No caso do povo judeu, essas seriam as posições do rei e do Cohen Gadol. O uso por Achashverosh dos trajes do Cohen Gadol reflete sua tentativa de consolidar em si mesmo as posições política e religiosa. Porém, após um atentado contra sua vida, Achashverosh procurou um aliado que lhe oferecesse segurança. Ele conseguiu isso dando a Haman a posição de líder religioso. Portanto, Achashverosh não se sentiu ameaçado por Haman se comportar como um deus e forçar os outros a se curvarem diante dele. Por outro lado, Haman queria mais do que isso. Quando ele pensou que Achashverosh queria lhe conceder uma honra adicional, pediu para ser rei por um dia, pois isso lhe daria também prestígio político.
 
O estabelecimento de uma posição política geralmente é realizado por um oficial religioso. Por exemplo, o profeta ungia o rei e a o governante era estabelecido pelo clero. Achashverosh solicitou que Haman preparasse Mordechai para seu dia como rei pois o líder religioso tem esta obrigação. Aos olhos de Achashverosh, isso não era uma vergonha para Haman, mas sim uma demonstração de respeito por sua posição. Assim como Aharon banhou e vestiu os Leviim quando eles iniciaram os Serviços, Haman deveria fazer o mesmo por Mordechai.
 
Quando Yaakov transmitiu a Yossef a Torá que recebeu na Yeshivá de Shem e Ever, os irmãos não se sentiram ameaçados, porque isso representava apenas o favoritismo de Yossef em questões religiosas, mas não a usurpação da soberania de Yehuda, que os irmãos entendiam que seria o rei. No entanto, quando Yaakov deu a Yossef uma vestimenta adicional, que simbolizava aspirações de liderança, isso foi vista como uma ameaça à soberania política do povo judeu e, portanto, encontrou a resistência dos outros filhos.
 
Quando Yossef deu a Binyamin vestimentas adicionais, ele explicou aos irmãos que isso se referia às vestimentas que seriam usadas por Mordechai. Mordechai recebeu de Achashverosh a riqueza e a posição de Haman. Isso significava que era uma nomeação religiosa, não política. Portanto, isso tranquilizou os irmãos de Yossef. O presente a mais para Binyamin não representava uma ameaça à estabilidade política do povo judeu.
 
Destas explicações interessantes, que conectam duas histórias do povo judeu, podemos aprender algo muito importante: D'us está no comando. A falta de Emuná nos faz tomarmos atitudes equivocadas. A busca por honra de Achashverosh quase o matou, ao querer reunir em si todos os poderes. O povo judeu passou por muitos sofrimentos no Egito por causa da inveja dos irmãos de Yossef, que acharam equivocadamente que Yossef queria roubar o poder. Quando confiamos na Mão de D'us, vivemos mais tranquilos, sem medo e sem inveja de ninguém. 

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R' Efraim Birbojm

 

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