sexta-feira, 11 de março de 2022

SEJA UMA LUZ SENDO VOCÊ MESMO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAYIKRÁ E PURIM 5782

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ASSUNTOS DA PARASHÁ VAYIKRÁ
  • D'us chama Moshé
  • D'us ensina a Moshé as regras gerais dos Korbanót
  • Korban de gado, rebanho e pássaros (Olá)
  • Oferenda de farinha - Oblação (Minchá).
  • Oferenda cozida, da frigideira, frita na panela.
  • Pacto de sal
  • Oferenda dos primeiros grãos (Bikurim).
  • Oferendas de Pazes de gado, rebanho e cabras (Shelamim).
  • Oferendas de Pecado para o Cohen Gadol, Comunidade, Rei, Indivíduos comuns (Chatat).
  • Cordeiros como Oferendas de Pecado (Chatat).
  • Oferenda de Culpa Ajustável (Ole VeIored).
  • Oblação por Culpa (Chatat).
  • Sacrifício da Malversação.
  • Oferenda por Culpa Questionável (Asham Talui).
  • Oferendas por Desonestidade.
BS"D

SEJA UMA LUZ SENDO VOCÊ MESMO - PARASHÁ VAYIKRÁ E PURIM 5782 (11/Mar/22)

 
Há alguns anos Rogério ficou "preso" em um ônibus, cruzando a cidade de Nova York durante a hora do rush. O tráfego mal se movia. O ônibus estava cheio de pessoas cansadas, irritadas umas com as outras e com o mundo. No fundo do ônibus, dois homens discutiam sobre um empurrão provavelmente nem intencional. Uma mulher grávida subiu e ninguém lhe ofereceu um assento. A raiva pairava no ar. Mas, quando o ônibus se aproximou da Sétima Avenida, o motorista pegou o interfone e disse:

- Pessoal, eu sei que vocês tiveram um dia difícil e estão frustrados. Não posso fazer nada sobre o clima ou o trânsito, mas há algo que eu posso fazer. Quando cada um de vocês descer do ônibus, estenderei minha mão. Enquanto você passar, coloque seus problemas na palma da minha mão. Não leve seus problemas para casa, para suas famílias, apenas deixe-os comigo. Meu caminho passa direto pelo rio Hudson e, quando eu passar por lá mais tarde, abrirei a janela e jogarei todos os problemas na água.

Foi um momento mágico. Todos começaram a rir. Os rostos brilhavam de surpresa. Pessoas que fingiam não perceber a existência uns dos outros de repente estavam sorrindo com eles.

Então, na parada seguinte, conforme prometido, o motorista estendeu a mão e esperou. Um por um, todos os passageiros que saíam colocavam suas mãos logo acima da dele e imitavam o gesto de deixar algo cair. Algumas pessoas riram, outras choraram. O motorista também repetiu o mesmo adorável ritual na parada seguinte. E na próxima. O caminho todo, até chegar no rio Hudson.

Vivemos em um mundo difícil. Às vezes você tem um dia ruim. Outras vezes você tem um dia ruim que dura muito tempo. Você luta e falha. Você perde empregos, dinheiro, amigos e amores. Você testemunha eventos horríveis no noticiário e fica com medo. Há momentos em que tudo parece envolto em trevas. Você anseia pela luz, mas não sabe onde encontrá-la.
 
Mas, e se você for a luz? E se você for o agente de iluminação que uma situação escura precisa? É isso o que esse motorista de ônibus nos ensina: qualquer um pode ser a luz, a qualquer momento. Ele não era um sujeito poderoso, um líder espiritual ou um influenciador. Ele era um motorista de ônibus, um dos trabalhadores mais "invisíveis" em nossa sociedade cheia de rótulos. Mas ele possuía um poder real, e o usou para o benefício de muitos.

Quando a vida parece sombria ou quando nos sentimos impotentes diante dos problemas do mundo, pense nesse motorista e se pergunte: "O que posso fazer agora para ser a luz?" Não podemos acabar com todas as guerras, resolver o aquecimento global nem transformar pessoas ruins em criaturas dóceis e boas. Mas podemos influenciar todos aqueles que encontramos no nosso caminho, mesmo aqueles que nem sabemos seus nomes. Não importa quem você seja, onde esteja ou quão difícil sua situação possa parecer, podemos iluminar ao menos o nosso mundo. E a única maneira pela qual o mundo será iluminado é através de um pequeno e brilhante ato de bondade de cada vez.

Nesta semana começamos o terceiro livro da Torá, Vayikrá, que interrompe o estilo narrativo da Torá. Ao invés de continuar a descrever os acontecimentos mais importantes do povo judeu no deserto, que somente serão retomados no Sefer Bamidbar, o Sefer Vayikrá se dedica a assuntos mais espirituais, como pureza e impureza. E na Parashá desta semana, Vayikrá (literalmente "E chamou"), a Torá começa a nos ensinar vários detalhes relacionados aos Korbanót. Mesmo que atualmente não temos mais o Beit Hamikdash e nem os Korbanót, ainda assim podemos aprender dos detalhes dos Korbanót algumas lições muito importantes para a nossa vida.
 
Um dos detalhes está no versículo: "Todos seus sacrifícios devem ser oferecidos com sal" (Vayikrá 2:13). Além disso, o fermento e o mel não eram permitidos nos Korbanót oferecidos no Mizbeach, o Altar de sacrifícios, como está escrito: "Nenhuma oferenda de cereais que vocês oferecerem a D'us será feita levedada. Pois não fará queimar fermento ou mel como oferenda queimada a D'us" (Vayikrá 2:11). O que estes detalhes nos ensinam?
 
Para responder esta pergunta, antes de tudo precisamos entender as características do fermento, do mel e do sal. O fermento é algo que, ao reagir com a massa, a faz inchar e crescer. Porém, ao invés de acrescentar conteúdo, somente faz a massa se encher de ar. Já o mel, apesar de adoçar a comida, é um aditivo externo que acrescenta um gosto novo aos alimentos, algo que não existia. Em compensação, o sal tem um comportamento completamente diferente. Ele não traz um novo sabor aos alimentos, ele simplesmente realça o próprio sabor da comida, sem acrescentar nenhum gosto novo.
 
De acordo com o Rav Mordechai Gifter zt"l (EUA, 1915 - 2001), estes três elementos simbolizam princípios básicos e importantes relacionados aos assuntos espirituais. No nosso serviço a D'us, não devemos ser como o fermento, que apenas "incha" o pão, acrescentando ar ao invés de acrescentar um conteúdo real. Assim são aqueles que vivem de aparências, que cumprem as Mitzvót com capricho apenas quando os outros estão olhando. O fermento também representa o orgulho, aquele que se infla e se acha melhor que os outros, que faz as Mitzvót com um sentimento de soberba. D'us vê o coração de cada um e sabe das nossas intenções. Da mesma forma que o fermento distorce a realidade da massa, assim também se comportam aqueles que distorcem a realidade ao fingir ser o que não são. Normalmente o "teatro" não consegue se manter por muito tempo e, mais cedo ou mais tarde, as verdadeiras intenções da pessoa veem à tona, causando vergonha e manchando o Nome de D'us.
 
Também não devemos fazer o nosso serviço Divino como o mel. Apesar de ser doce, é algo externo, não é parte da essência do alimento. Muitas pessoas querem "forçar" certas características que não são intrínsecas a elas, e mesmo que seja com um intuito positivo, isso faz com que o serviço se torne pesado e, mais cedo ou mais tarde, a pessoa também não suportará viver desta maneira artificial.
 
Então, qual é o correto? Seja você mesmo, mas fazendo todo o possível para ser o melhor que puder. Esse é o modelo do sal, que representa tirar o melhor de si mesmo, utilizar todas as habilidades e talentos que D'us nos deu. Algumas pessoas nascem com aptidão para a música, outras para a comédia, outras têm o dom da oratória. Use suas ferramentas para se conectar cada vez mais à sua espiritualidade e ajudar outras pessoas. Aquele que gosta de música pode canalizar sua aptidão para criar ambientes alegres, como na mesa de Shabat. Aquele que tem facilidade para fazer os outros darem risada pode ajudar a criar situações de alegria. Assim devemos fazer com todas as ferramentas que D'us nos deu. Da mesma forma que cada um de nós tem uma impressão digital que não se repete em nenhum outro ser humano do universo, D'us nos deu características únicas, pois cada um de nós tem uma missão única e especial, uma contribuição que apenas cada um de nós pode trazer ao mundo.
         
O Rav Zelig Pliskin nos ensina que esta característica do sal nos é recordada constantemente, pois temos o costume de mergulhar o pão no sal no início da refeição, em lembrança dos sacrifícios que eram oferecidos com sal. Além de cumprirmos a Halachá, este ato também pode ser uma lembrança para sermos nós mesmos, sem viver de aparências e sem orgulho, nos esforçando ao máximo para atingir o nosso potencial.
 
Há outro ensinamento incrível em relação aos Korbanót. Há um Korban chamado "Korban Olê Vê Iored", literalmente "Sacrifício que sobe e desce". Por que ele recebe este nome tão estranho? Pois é um Korban do tipo "Chatat", oferecido por alguém que fez certas transgressões, mas cujo valor é flutuante, isto é, varia de acordo com as condições financeiras do transgressor. Para expiar seu erro, a pessoa deve oferecer uma ovelha ou uma cabra. Porém, se a pessoa não tiver condições, é suficiente que ela ofereça apenas dois pássaros. Se nem mesmo para isso a pessoa tiver condições, então ela pode oferecer apenas uma certa quantidade de farinha.  
 
Explica o Rav Israel Meir HaCohen zt"l (Bielorússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim,  que este Korban demonstra a diferença que a Torá estabeleceu em relação às obrigações de uma pessoa rica e uma pessoa pobre. O sacrifício que uma pessoa rica traz deve ser mais caro que o sacrifício trazido por uma pessoa pobre. Se a pessoa rica trouxer um sacrifício com o valor referente ao sacrifício de uma pessoa pobre, sua oferta é invalida e ela ainda fica obrigada a trazer um sacrifício adequado à sua condição financeira.
 
Este mesmo princípio é aplicado em relação à nossa contribuição para Tzedaká. Quanto mais dinheiro a pessoa tem, quanto maior a Brachá que ela recebeu na vida, maior é a sua obrigação em relação à Tzedaká. Este conceito também se aplica a outros talentos e aptidões. Quanto maior o intelecto de uma pessoa, maior a obrigação de compartilhar sua sabedoria com os outros.
 
Na próxima quarta feira de noite (16 de março) é a Festa de Purim. O povo judeu fez um grande erro de ir à festa do rei Achashverosh, um homem perverso. E por que eles foram? Pois já não acreditavam mais em si mesmos, já não enxergavam a grandeza do povo judeu, não se sentiam especiais e únicos. Por isso quase foram exterminados. O povo judeu tem a obrigação de ser uma "Luz para as nações do mundo". Quando desistimos de usar nossas ferramentas para fazer um mundo melhor, perdemos nosso propósito no mundo.
 
Cada pessoa é cobrada de acordo com as suas possibilidades e com as ferramentas que recebeu de D'us. Por isso, devemos ser com o sal: use tudo o que D'us deu, seja você mesmo, sem se comparar com ninguém, se esforçando para ser o melhor que puder. Desta maneira estaremos sendo uma grande luz para o mundo inteiro.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
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quinta-feira, 3 de março de 2022

SOMENTE FAÇA SUA PARTE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ PEKUDEI 5782

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ASSUNTOS DA PARASHÁ PEKUDEI
  • A Contabilidade das doações.
  • Os Materiais doados.
  • Fazendo as roupas do Cohen Gadol.
  • Fazendo o Éfod (Avental).
  • Fazendo o Choshen Mishpat (Peitoral).
  • Fazendo o Meil (Manto).
  • Fazendo o Tsits (Placa para a cabeça).
  • O Mishkan é completado.
  • Moshé aprova o Mishkan e seus utensílios.
  • Ordens para erguer o Mishkan.
  • O Mishkan é erguido e os utensílios são posicionados.
  • A Presença de D'us preenche o Mishkan.
BS"D

SOMENTE FAÇA SUA PARTE - PARASHÁ PEKUDEI 5782 (04/Mar/22)


"Um rapaz teve um sonho que parecia muito real. Ele caminhava pelo céu e viu uma loja que chamou sua atenção. Ele entrou na loja e viu um senhor no balcão. Era uma loja linda, cuja beleza enchia os olhos. Maravilhado com a beleza do lugar, o rapaz perguntou:

- Senhor, o que é vendido nesta loja?

- Todas as coisas boas que as pessoas tanto desejam na vida - respondeu o senhor - vendemos saúde, sustento e sabedoria, entre outras coisas.

- Quanto custa estas coisas? - voltou a perguntar o rapaz.

- Não custa nada. Aqui tudo é de graça - respondeu o senhor, com um sorriso.

O rapaz contemplou a loja e viu que havia jarros de saúde, pacotes de esperança, caixinhas de sustento, fardos de sabedoria, pacotes de paz e muitas outras coisas que tanto desejamos na vida. Maravilhado, ele pediu:

- Por favor, quero um grande jarro de saúde, alguns fardos de sabedoria e algumas caixinhas de sustento. Se for possível, quero levar para mim, para minha família e para os meus amigos.

O senhor então foi preparar tudo. O rapaz estava esperando um pacote enorme, não sabia nem mesmo como conseguiria carregar. Porém, o senhor entregou a ele apenas um pequeno embrulho, que cabia na palma da sua mão. Incrédulo, o rapaz disse:

- Me desculpe, mas acho que o senhor não escutou meu pedido. Pedi saúde, sabedoria e sustento em grandes quantidades. Como pode estar aqui, neste pequeno pacote, tudo o que eu pedi?

Sorrindo, o gentil senhor lhe respondeu:

- Meu filho, na loja do céu não são vendidos frutos, somente as sementes. Portanto, agora vá e plante-as."

Gostaríamos que tudo "caísse do céu", pronto para nosso uso. Mas as coisas mais importantes da vida D'us nos dá apenas a semente, e somos nós mesmos que devemos cultivar.

Nesta semana lemos a Parashá Pekudei (literalmente "Contas") que, como o nome já indica, começa nos ensinando sobre a prestação de contas de Moshé em relação aos materiais doados para a construção do Mishkan, incluindo os totais doados e onde cada material foi utilizado. Apesar de Moshé estar acima de qualquer suspeita, ele queria que tudo fosse feito com a máxima transparência, para que ninguém ficasse com a mínima suspeita de que ele havia se apropriado dos materiais caros doados ao Mishkan.

Com o término da construção do Mishkan e a Presença de D'us repousando sobre ele, a Parashá Pekudei marca o final do segundo livro da Torá, Shemot. É costume, ao completarmos a leitura de um livro da Torá, que todos os que estão presentes na sinagoga recitem as palavras "Chazak, Chazak,Venitchazek" (Forte, Forte , e que nos fortaleçamos). Por que é necessário dizer isso ao final de cada livro da Torá?

O Rav Shimon Schwab zt"l (Alemanha, 1908 - EUA, 1995) nos ensina que, ao completarmos algo e atingirmos um objetivo que estávamos perseguindo, a tendência natural é relaxarmos em nossa motivação e diminuirmos o nosso entusiasmo. É nesse momento que necessitamos de um fortalecimento, pois, apesar de termos terminado um certo objetivo, o trabalho ainda não está completo. Uma forma de seguirmos adiante com vigor é nos conscientizarmos que ainda não é o bastante o que alcançamos. Apesar da alegria da conquista, ainda há muito o que fazer.
 
Portanto, este é o incrível efeito psicológico e espiritual das palavras "Chazak, Chazak, Venitchazek". É um despertar coletivo. Anunciamos na sinagoga que, apesar de termos alcançado um objetivo, isto é, terminar um dos livros da Torá, isso ainda não é o suficiente. Estamos terminando Shemot, mas ainda precisamos terminar  Vayikrá, e depois Bamidbar, e finalmente Devarim. E mesmo depois de terminar Devarim, nós não podemos relaxar, pois devemos voltar novamente a Bereshit, desta vez de forma ainda mais profunda. Isso vale para todas as áreas da vida. Não podemos nos acomodar, achar que já atingimos o suficiente. Temos que sempre seguir em frente e desejar alcançar um nível um pouco mais alto, com entusiasmo. E mesmo quando parece difícil subir ainda mais, devemos fazer a nossa parte, e D'us nos ajudará.
 
Este conceito se conecta com uma ideia muito interessante transmitida pela nossa Parashá. O Mishkan, por sua necessidade de ser transportado durante as muitas viagens do povo judeu no deserto, foi construído em várias partes que, durante a montagem, se encaixavam e davam volume ao Mishkan. Quando todas as partes do Mishkan e os utensílios ficaram prontos, eles foram trazidos para Moshé, como está escrito: "Eles trouxeram o Mishkan para Moshé" (Shemot 39:33). Isso significa que as partes do Mishkan, ainda não encaixadas umas às outras, foram levadas para Moshé. Mas por que isso foi necessário? Se D'us havia dado tanta sabedoria para os construtores e eles já haviam conseguido fazer os trabalhos mais complexos, por que já não aproveitaram para erguer o Mishkan?

Rashi
(França, 1040 - 1105) nos ensina que o motivo pelo qual toda a estrutura desmontada foi trazida até Moshé, ao invés de ter sido erguida, foi que ninguém tinha capacidade de erguer o Mishkan por ele ser muito pesado. O Midrash diz que, já que Moshé não teve uma participação direta na construção do Mishkan, D'us achou apropriado deixar o trabalho de erguê-lo para ele. Por isso ninguém mais conseguiu montá-lo.

Porém, o Midrash nos revela que Moshé também duvidou de sua capacidade de levantá-lo, por isso ele perguntou a D'us: "Como é possível algum ser humano erguer uma estrutura assim tão pesada?". D'us então pediu a Moshé que ele ao menos fizesse um esforço. Moshé tentou tudo o que pôde, mas realmente percebeu que não conseguiria. Então um milagre ocorreu e o Mishkan ergueu-se sozinho.
 
O mais incrível é que, mais adiante, a Torá escreve: "E Moshé montou o Mishkan" (Shemot 40:18). Por que está escrito que foi Moshé que montou o Mishkan, se o Midrash nos ensina que, na verdade, o Mishkan se ergueu sozinho através de um milagre Divino? A resposta é que, já que Moshé fez o esforço, fez tudo o que podia fazer, o versículo credita a ele a montagem do Mishkan.

O Rav Meir Rubman zt"l (Lituânia - Israel, 1967) ensina que deste Midrash aprendemos um princípio muito importante na espiritualidade do ser humano. D'us não exige de nós o resultado, Ele exige de nós apenas que façamos o esforço, dentro das nossas possibilidades. Em outras áreas da vida, a pessoa recebe os créditos apenas pela produção, não importando o esforço envolvido. Se a pessoa fez tudo o que podia, mas mesmo assim não conseguiu nenhum resultado, seu esforço foi completamente em vão. Mas não é assim que funciona com nossa espiritualidade. D'us não está interessado em resultados, e sim no esforço despendido por cada um. Em relação à espiritualidade e ao cumprimento das Mitzvót, D'us deseja a vontade e o esforço. Se vamos obter resultados, isso já não depende de nós.

Todos os dias, quando terminamos o nosso estudo de Talmud e nos preparamos para ir embora do Beit Midrash, lemos a seguinte declaração: "Pois nós trabalhamos e eles trabalham. Nós trabalhamos e recebemos recompensa, e eles trabalham e não recebem recompensa". Mas o que esta declaração está nos transmitindo? O que significa "eles trabalham e não recebem recompensa?" Aquele que se ocupa das atividades mundanas certamente é beneficiado! A pessoa que trabalha recebe seu salário, e se ela não trabalhar não recebe nada. Então como entender esta declaração?

Responde o Rav Issocher Frand que, em se tratando de espiritualidade, quando nós trabalhamos, recebemos por nossos esforços, sem importar se houve resultado ou não. Para D'us o que conta é se a pessoa tentou e se esforçou tudo o que podia. No entanto, em assuntos não espirituais, a abordagem é diferente, pois mesmo que a pessoa tenha trabalhado, se não conseguiu obter resultados, não será remunerada. Se alguém leva um terno sujo para lavar na tinturaria e, quando vai buscá-lo, recebe do tintureiro a notícia que as manchas não saíram, apesar de todos os esforços e tentativas, é obvio que esta pessoa não pagará nenhum centavo, pois deixou o terno para que ficasse limpo, não para que o tintureiro apenas tentasse limpá-lo.
 
Já em assuntos espirituais, o que D'us deseja de nós é um esforço honesto e sincero. Se uma pessoa vai visitar um doente no hospital do outro lado da cidade, mas quando finalmente chega ao hospital o doente está no meio de um procedimento médico e não pode receber visitas, é considerado como se a pessoa cumpriu a Mitzvá de visitar o doente. Em relação ao estudo da Torá e ao cumprimento das Mitzvót, não temos ideia se nossos esforços serão bem sucedidos ou não. Porém, isso não é o mais importante. O que importa de verdade para D'us é ver nossa tentativa e nosso esforço.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2022

ESPÍRITO EMPREENDEDOR - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAYAKEL 5782 (25/fev/22)

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ASSUNTOS DA PARASHÁ VAYAKEL
  • O Shabat.
  • Contribuição de Materiais para o Mishkan.
  • Os construtores do Mishkan.
  • Indicação dos "Arquitetos".
  • Construindo o Mishkan.
  • Construindo as cortinas do Ohel Moed.
  • Construindo as Tábuas (estrutura do Ohel Moed).
  • Construindo a Parochet e a Tela de entrada
  • Construindo o Aron (Arca Sagrada) e a Kaporet.
  • Construindo a Shulchan (Mesa).
  • Construindo a Menorá.
  • Construindo a Altar de Incenso.
  • Construindo o Mizbeach (Altar de Sacrifícios).
  • Construindo o Kior (Lavatório).
  • Construindo o Pátio e a Tela de entrada.
BS"D

ESPÍRITO EMPREENDEDOR - PARASHÁ VAYAKEL 5782 (25/fev/22)


Desde pequena, Svetlana só tinha conhecido uma única paixão na vida: dançar. Ela sonhava em ser uma bailarina do famoso Ballet Bolshoi. Seus pais haviam desistido de exigir que ela se dedicasse a qualquer outra atividade. Até mesmo os rapazes que ela conhecia já haviam entendido que o coração de Svetlana tinha lugar apenas para aquela paixão. Tudo era sacrificado em prol do dia em que ela se tornaria bailarina do Bolshoi.

Certo dia, Svetlana teve sua grande chance. Conseguiu uma audiência com Sergei Davidovitch, o diretor do Ballet Bolshoi, que estava selecionando aspirantes para a famosa Companhia de dança. No dia do teste, Svetlana dançou como se fosse seu último dia na Terra. Colocou tudo que sentia e que aprendera em cada movimento. Ao final, aproximou-se do diretor e lhe perguntou:

- O senhor acha que eu posso me tornar uma grande bailarina?

Na longa viagem de volta à sua pequena cidade, Svetlana, em meio às lágrimas, imaginou que nunca mais aquele "Não" deixaria de reverberar em sua mente. Meses se passaram até que ela pudesse novamente calçar uma sapatilha e fazer seu alongamento em frente ao espelho.

Dez anos mais tarde, Svetlana, que agora já era uma estimada professora de ballet, criou coragem de ir a uma apresentação do Bolshoi que ocorreria na cidade vizinha. Sentou-se bem na frente e notou que o Sr. Davidovitch ainda era o diretor. Após a apresentação, aproximou-se do diretor e lhe contou o quanto ela havia sonhado ter sido bailarina do Bolshoi e o quanto havia doído, anos atrás, ouvir que ela não seria capaz.

- Minha filha, eu digo isso a todas as aspirantes - respondeu o Sr. Davidovitch.

- Mas como o senhor pode cometer uma injustiça dessas? - perguntou Svetlana, um pouco alterada - Eu dediquei toda minha vida! Todos diziam que eu tinha o dom! Eu poderia ter sido uma grande bailarina se não fosse o descaso com que o senhor me avaliou!

Havia empatia e compreensão na voz do diretor, mas ele não hesitou em responder:

- Perdoe-me, minha filha, mas você nunca teria sido grande o suficiente, se foi capaz de abandonar seu maior sonho por causa do "não" de uma única pessoa.

Nesta semana lemos a Parashá Vayakel (literalmente "E reuniu"), que novamente trata da construção do Mishkan, o Templo Móvel, que representava o local de "moradia" da Presença de D'us no mundo. Apesar de a Torá já ter se alongado muito nas Parashiót Terumá e Tetzavê, descrevendo todos os detalhes construtivos do Mishkan e de seus utensílios, naquelas Parashiót a construção do Mishkan era apenas um projeto, um potencial. Já na Parashá desta semana o Mishkan começou a ser efetivamente construído, com a intensa participação do povo judeu, tanto na doação dos materiais quanto na doação da mão de obra.

Em relação à mão de obra para a construção do Mishkan, o Ramban zt"l (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270) traz um interessante questionamento. A construção do Mishkan era uma empreitada muito grandiosa, com detalhes construtivos extremamente rebuscados. Esperaríamos que a escolha dos construtores fosse baseada em elementos técnicos, isto é, na busca de pessoas com habilidades para trabalhos manuais ou com conhecimentos mínimos de construção. Porém, o que a Parashá nos ensina? "E veio todo homem cujo coração o elevava" (Shemot 35:21). Este era o único requisito para a difícil construção do Mishkan?

Explica o Ramban que não havia ninguém com qualquer tipo de experiência anterior em relação a estes tipos de trabalhos requeridos para a construção do Mishkan e não havia nenhum artesão que pudesse transmitir a eles ao menos os conceitos básicos. Mesmo assim, houveram aqueles que se levantaram e se voluntariaram para participar das atividades construtivas, pessoas cujo coração as elevou e as conectou a D'us, aqueles que assumiram a responsabilidade de fazer a construção acontecer.

Explica o Rav Yerucham Leibovitz zt"l (Bielorússia, 1873 - 1936) que este versículo da Torá vem nos ensinar o incrível valor da iniciativa e da ambição positiva, que podem transformar o mundo e a vida de cada um de nós. Se prestarmos atenção nas pessoas mais poderosas e influentes do mundo, aqueles que chegaram ao topo, perceberemos que há um ponto em comum entre todas elas: o sucesso delas veio somente graças à sua incrível capacidade de iniciativa. Todo aquele que tem a força da iniciativa guarda dentro de si o potencial de grandeza, e são boas as chances dele conseguir chegar ao topo do sucesso. Porém, ao contrário, quando a pessoa não tem iniciativa, não terá sucesso em seu caminho e não conseguirá subir na escada das conquistas. Em geral, as pessoas que não têm iniciativa terminam se tornando pessoas pequenas, muito abaixo do seu verdadeiro potencial, e as chances naturais é que permaneçam sempre neste nível mais baixo.

Na construção do Mishkan, D'us não escolheu os melhores profissionais, os mais capacitados e com mais experiência, e sim aqueles cujo coração os elevou, isto é, aqueles que receberam sobre si fazer o trabalho, que tiveram a iniciativa e o empreendedorismo. Naquela geração, esmagada pela opressão da escravidão egípcia, infelizmente não eram muitos que tinham esta característica. Moshé anunciou, diante de todo o povo, um empreendimento gigantesco, com detalhes complexos. Era a construção da "Casa de D'us", que traria a Presença Divina para perto do povo, um empreendimento que nunca havia existido na história da humanidade. Não havia trabalhadores com nenhum tipo de experiência e não havia possibilidade de treinamento. Parecia algo impossível. Mas nem mesmo todos estes desafios impediram aqueles de espírito empreendedor de se levantarem e se voluntariarem ao trabalho. Eles não hesitaram nem por um instante, responderam imediatamente à convocação de Moshé. Esta é a força que existe dentro daqueles que têm iniciativa na vida.

É justamente isso que nos transmitiu o mais sábio de todos os homens, Shlomo Hamelech: "Vá até a formiga, preguiçoso, veja o comportamento dela e se torne sábio. Pois ela não tem chefe, supervisor nem governante e mesmo assim, prepara o seu pão no inverno e reúne na época da colheita seu alimento" (Mishlei 6:6-8). Mas por que Shlomo HaMelech utilizou justamente a formiga como inspiração para o preguiçoso? Explica o Midrash que a formiga não vive mais do que seis meses, e tudo o que ela precisa comer durante a vida é uma espiga e meia de trigo. Porém, mesmo assim ela trabalha duro durante todo o verão. Mas por que ela junta tanta comida, se provavelmente nem mesmo estará viva quando o inverno chegar? Pois ela pensa: "Talvez D'us decretará para mim vida e, caso isso aconteça, eu quero estar com a comida pronta". O Rabi Shimon bar Yochai conta que certa vez encontraram em um formigueiro uma quantidade de 300 Kor (cada Kor equivale a aproximadamente 250 litros), que as formigas haviam estocado durante a época da colheita para o inverno.

É isso que Shlomo Hamelech estava ensinando ao preguiçoso. Da mesma forma que a formiga acumula comida na época de fartura, para poder comer sossegada na época de escassez, assim também o preguiçoso deve se preocupar em juntar Mitzvót neste mundo, onde elas são abundantes, para levá-las ao Mundo Vindouro, onde já não há mais o que fazer para juntar méritos. A formiga é um animal pequeno e frágil. Olhando-a, quanto podemos esperar que ela possa realizar durante sua breve vida? Além disso, sua motivação é baseada em um argumento pouco realista, de que talvez D'us mudará as leis da natureza e ela viverá mais tempo. Apesar disso, percebemos a força de iniciativa da formiga, que contra todas as expectativas, acaba conseguindo fazer atos que vão muito além das suas possibilidades e alcança níveis de sucesso inacreditáveis.

Se pararmos para refletir, chegaremos a uma incrível conclusão: se até mesmo um animal minúsculo como a formiga consegue, através de seu espírito empreendedor, resultados tão incríveis, muito mais o ser humano, com sua força gigantesca. Além disso, diferente da formiga, que precisa apenas de uma espiga e meia de trigo, o ser humano tem diante de si uma tarefa extremamente difícil. Portanto, cada ser humano precisa se esforçar no limite, se reinventar e injetar dentro de si a força da iniciativa. Com tamanho empreendimento diante de si, qual é a esperança de um ser humano que somente consegue reunir uma espiga e meia de trigo quando, na realidade, precisava ter juntado 300 Kor? Infelizmente hoje em dia muitos se encontram nesta situação.
 
Este é o segredo do florescimento dos gigantes espirituais de cada geração. Não é a capacidade de estudo que os transformou em gigantes. O segredo do sucesso foi a intensa vontade interna. A força da iniciativa, o espírito empreendedor deles, que estava sempre acima de suas forças, os elevou tão alto. Não podemos mergulhar na escuridão da desistência. Precisamos injetar ânimo em cada passo em direção ao sucesso, viver com uma iniciativa contínua. Isso não é uma opção em nossas vidas, é uma obrigação, como ensinam nossos sábios: "O ser humano está obrigado o dizer: 'Quando meus atos chegarão ao nível dos atos de Avraham, Ytzchak e Yaacov?'". A linguagem dos nossos sábios é "obrigado", pois este é um dos princípios fundamentais no nosso trabalho espiritual: a "imitação" dos passos dos gigantes espirituais. Quem tem iniciativa não tem medo do fracasso. Ele cai, se levanta, aprende com seu erro e continua subindo na escada do sucesso. Essa é a nossa meta, esse é o nosso verdadeiro potencial. Basta acreditarmos em nós mesmos.

 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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