quinta-feira, 30 de agosto de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KI TETSE 5772

BS"D

DEVOLVENDO BONDADES – PARASHÁ KI TETSE 5772 (31 de agosto de 2012)

O Sr. Ackerman estava desesperado. A situação financeira de sua Yeshivá, localizada na cidade de Bnei-Brak, estava muito difícil, e ele precisava juntar U$ 25 mil para aliviar um pouco a situação, mas não sabia por onde começar. Viajou para Jerusalém, onde pensava ser mais fácil conseguir o dinheiro. Lá ele encontrou, em uma sinagoga, um famoso filantropo americano que estava de férias em Israel. Convidou-o para jantar e, durante a refeição, contou sobre as dificuldades financeiras da Yeshivá. O filantropo se sensibilizou com a causa e fez uma proposta incrível. Ele fez um cheque de U$ 5 mil e disse que se o Sr. Ackerman conseguisse até o dia seguinte mais U$ 10 mil, ele completaria os U$ 10 mil que faltavam.

O Sr. Ackerman ficou empolgado. No dia seguinte de noite já tinha conseguido os U$ 10 mil. O filantropo então tirou o talão de cheques e preencheu com o valor que faltava. Então, olhando emocionado para o Sr Ackerman, o filantropo falou:

- Você deve estar curioso para saber por que eu doei tanto dinheiro para sua Yeshivá. Eu vou lhe contar uma história que aconteceu há 25 anos. Quando eu era jovem, eu era tão pobre que meus pais não tinham dinheiro nem mesmo para me comprar um chapéu para meu casamento. No dia do casamento eu tomei coragem e fui até a loja de chapéus da cidade, cujo dono era judeu, e expliquei que me casaria naquele dia. Pedi que ele me desse um chapéu e me comprometi a pagar no dia seguinte, com o dinheiro que ganharia de presente. O dono da loja confiou em mim e me deu o chapéu. Lembrei então que meus pais também não teriam dinheiro para comprar os vinhos para o casamento. Fui até a loja de bebidas, cujo dono também era judeu, e ele também confiou em me dar as bebidas. Era um milagre, tudo estava dando certo demais naquele dia.

- Foi então que eu vi você na rua, Sr. Ackerman - continuou o filantropo - Naquela época, você era o mais fantástico dançarino das festas judaicas. Você alegrava os casamentos e transformava as festas em algo inesquecível. D'us já havia me ajudado tanto que eu resolvi arriscar mais uma vez. Apresentei-me e te convidei para o casamento. Você não prometeu nada, mas anotou o endereço do salão e falou que tentaria ir. No meio das danças, você entrou correndo na pista e dançou de forma magnífica. Os convidados adoraram, ficaram muito felizes. Você ajudou a tornar aquela a melhor noite da minha vida.

- Quando chegou o fim da noite - concluiu o filantropo - eu jurei para mim mesmo que algum dia eu retribuiria de alguma maneira por sua bondade. Graças a D'us eu tive sucesso na vida e enriqueci muito. E quando você veio falar comigo, mesmo 25 anos depois, eu te reconheci, e percebi que era o momento de retribuir aquele enorme presente que você me deu. Por isto estou te dando esta enorme doação agora.

Os dois se abraçaram, comovidos, e agradeceram um ao outro pelas bondades feitas de coração.

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Na Parashá desta semana, Ki Tetse, a Torá descreve que, por algum tipo de má-índole intrínseca ou algum comportamento oposto à essência do povo judeu, alguns povos podem até mesmo se converter ao judaísmo, mas não podem se casar com os judeus. Para alguns povos a proibição de se casar é apenas temporária, isto é, por algumas gerações, enquanto para outros povos a proibição é eterna. Entre aqueles que a proibição é apenas por algumas gerações estão os egípcios, como está escrito: "Não abominarás o egípcio, pois peregrinos vocês foram na terra dele" (Devarim 23:8). Mas por que receber os egípcios como parte do nosso povo por termos sido peregrinos em sua terra? Qual a conexão entre as duas coisas?

Imagine que você, recém casado, está desesperado em busca de um lugar para morar. Você encontra então uma pessoa que lhe oferece uma casa para alugar. Você gosta da casa e decide aluga-la, e durante muitos anos o convívio com o dono da casa é agradável. Com o tempo, a família cresce e você sente a necessidade de ir para um lugar maior. Você encontra um lugar mais adequado e decide se mudar. Mas no momento de ir embora, o dono da casa não permite sua saída e subitamente se torna uma pessoa perversa. Ele te obriga a pessoalmente fazer melhorias em todo o apartamento, sem pagar nenhum centavo. Para piorar, ele te causa sofrimentos físicos e psicológicos por meses e meses, sem descanso. Será que seria necessário guardar qualquer sentimento de gratidão por este "louco", que no princípio nos forneceu um lugar para morar, mas que depois nos causou tantos sofrimentos?

Diz o Rav Yeruham HaLevi Levovitz que a mesma pergunta se aplica a este ensinamento trazido na Parashá. É verdade que nos hospedamos por muito tempo no Egito, desde que Yaacov desceu para lá com seus filhos e netos, fugindo da seca que assolou a terra de Israel. E é verdade que no início fomos bem recebidos e vivemos no Egito com tranquilidade. Porém, após a morte de Yossef e seus irmãos, o comportamento dos egípcios mudou completamente. Nossa "hospedagem" se transformou em um verdadeiro inferno. Fomos escravizados e castigados com os piores requintes de crueldade. Nossos bebês foram atirados vivos no Rio Nilo e nosso povo foi quebrado pelo jugo do trabalho pesado, pelo qual não receberam um único centavo. Por mais que os egípcios nos fizeram bem no princípio, no final eles nos fizeram muito mal. Então, por que mostrar qualquer tipo de gratidão, recebendo-os como parte do povo judeu, depois de tanto sofrimento que eles nos causaram?

A pergunta fica ainda mais difícil ao observarmos que, poucos versículos antes, a Torá proíbe para sempre os homens dos povos de Amon e Moav de se casarem com mulheres judias, mesmo depois de se converterem. Nos chama a atenção o motivo apresentado pela Torá: "Pelo fato que eles não te receberam com pão e água no caminho, quando vocês estavam saindo do Egito (Amon), e porque eles contrataram contra vocês Bilaam... para amaldiçoar vocês (Moav)" (Devarim 23:5). Mas diferente dos egípcios, Amon e Moav não nos causaram sofrimentos físicos, não nos escravizaram e nem atiraram nossos bebês vivos no rio. Então, por que D'us foi mais rigoroso com os povos de Amon e Moav do que foi com os egípcios?

A resposta é um dos mais importantes fundamentos do judaísmo: o "Akarat Hatóv" (reconhecer as bondades recebidas). Os povos de Amon e Moav eram "parentes" do povo judeu. Eles descendiam das filhas de Lót, o sobrinho de Avraham. Quando Lót foi sequestrado, Avraham arriscou sua própria vida e não mediu esforços para salvá-lo. Mas os povos de Amon e Moav não tiveram Akarat Hatóv. Apesar de deverem suas vidas a Avraham, eles foram incapazes de dar pão e água quando os judeus estavam famintos no deserto. Mas não porque eram pobres, pois apesar da obrigação de retribuir o bem recebido, eles preferiram gastar seu dinheiro para contratar Bilaam, na tentativa de destruir o povo judeu. Portanto, Amon e Moav demonstraram que não possuem entre suas características o Akarat Hatóv. Por isso não podem se casar, para sempre, com mulheres judias, pois o Akarat Hatóv é um dos principais pilares do povo judeu.

Mas até onde vai a obrigação de Akarat Hatóv? Será que se uma pessoa nos faz um bem, mas depois nos faz mal, mesmo assim ainda estamos obrigados a reconhecer e retribuir o bem que recebemos? A Parashá nos ensina que sim. Os egípcios nos fizeram muito mal, eles quase nos destruíram, fisicamente e espiritualmente, mas mesmo assim a Torá nos obriga a aceitá-los. Por que? Pois eles nos receberam como peregrinos em sua terra em um momento em que não tínhamos mais para onde ir. As coisas ruins que eles nos fizeram não apagam as coisas boas que recebemos deles e, portanto, não nos isenta da obrigação de Akarat Hatóv.

Ensina o livro Tomer Dvora, do Rav Moshe Cordovero, que devemos sempre guardar com toda nossa força as coisas boas que recebemos dos outros, enquanto devemos minimizar e esquecer as coisas ruins, pois é assim que D'us se comporta conosco. Ele guarda para sempre cada Mitzvá que fazemos, mas as Aveirót (transgressões) Ele tenta limpar rapidamente. Para que possamos meritar os prazeres eternos do Mundo Vindouro, D'us não "desconta" as Mitzvót com as transgressões. Por isso, não devemos utilizar as coisas ruins para "descontar" as coisas boas que as pessoas nos fizeram.

Muitas vezes não apenas não nos comportamos da maneira que D'us se comporta, mas fazemos justamente o contrário. Por anos recebemos bondades das pessoas, mas na primeira "pisada de bola" jogamos fora todo o sentimento positivo e o nosso Akarat Hatóv. Frequentamos por anos uma instituição, recebendo bondades e atenção, e após um único desentendimento, decidimos nunca mais pisar neste lugar. Pior ainda, muitas vezes deixamos de manter ou ajudar instituições por pequenas falhas cometidas, depois de termos recebido anos e anos de ajuda. Certamente é o oposto de como esperamos que D'us se comporte conosco.

Este ensinamento é particularmente importante para esta época do ano. Estamos no mês de Elul, o último mês do ano, a época de preparação para o julgamento de Rosh Hashaná, onde nossas próprias vidas, e cada detalhe de tudo o que ocorrerá no próximo ano, estarão em jogo. Ensina o Tomer Dvora que da maneira que nos comportamos aqui embaixo, assim D'us se comporta conosco. Se esquecermos as coisas boas que recebemos e guardarmos as coisas ruins, D'us também fará isto no nosso julgamento, e infelizmente não faltam erros e transgressões que fizemos durante o ano. Mas se guardarmos as coisas boas e esquecermos as coisas ruins, então D'us certamente nos ajudará no nosso julgamento.

"SHETICATEV VETECHATEM BESSEFER CHAIM TOVIM" (QUE SEJAMOS INSCRITOS E SELADOS NO LIVRO DA VIDA).

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 23 de agosto de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHOFTIM 5772

BS"D

PREPARANDO-SE PARA A GUERRA - PARASHÁ SHOFTIM 5772 (24 de agosto de 2012)

"O Rav Israel Meir HaCohen, mais conhecido como Chafetz Chaim, viveu em Radin, na Polônia, um local onde o inverno era extremamente rigoroso. Quando ele tinha cerca de 94 anos, o Yetzer Hará (Má inclinação) tentava de tudo para convencê-lo a não sair da cama de manhã, para fazê-lo perder a reza na sinagoga. Algumas vezes o Yetzer dizia para ele: "Chafetz Chaim, agora é inverno, está muito frio lá fora, fique mais um pouco na cama quentinha". Outras vezes o Yetzer Hará tentava outro argumento: "Chafetz Chaim, você já é um homem muito velho, você precisa descansar mais um pouco". E havia oportunidades em que o Yetzer Hará dizia para ele: "Chafetz Chaim, está cedo demais, você não precisa rezar agora, deixe para rezar mais tarde".

Como o Chafetz Chaim conseguia vencer seu Yetzer Hará? Respondendo para ele: "Yetzer Hará, não seja um hipócrita. Você foi criado junto com o mundo, isto é, você já está velho. E mesmo sendo bem mais velho do que eu, você já está de pé desde a madrugada, no frio, trabalhando. Então por que eu, que sou muito mais jovem do que você, deveria continuar deitado, ao invés de fazer o meu trabalho espiritual?"

O Chafetz Chaim nos ensina que para vencer o Yetzer Hará, temos que saber lutar contra todas as estratégias que ele utiliza para tentar nos derrubar. Ele tenta nos enganar com argumentos simples. Por isso, precisamos estar sempre alertas para saber contra-argumentar cada um deles.

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Na Parashá desta semana, Shoftim, a Torá nos descreve vários aspectos da conduta do povo judeu nas guerras. Moshé começa ressaltando a importância de cada soldado judeu não sentir medo, mesmo nas situações de aparente desvantagem numérica, enfatizando que D'us lutaria junto com o povo. Um "Cohen (sacerdote) de guerra" era especialmente nomeado para as batalhas, e um de seus trabalhos era encorajar os soldados antes da guerra. E assim ele falava aos soldados: "Escute, Israel, vocês se aproximam hoje da batalha contra seus inimigos. Não deixe que seu coração se acovarde, não tenha medo, não sinta pânico, e não se quebre diante deles" (Devarim 20:3). É interessante perceber que o Cohen repetia algumas vezes a mensagem "não sintam medo", mas utilizando diferentes linguagens.

Mas esta necessidade repetitiva de encorajamentos é aparentemente incoerente com um ensinamento do Talmud (Sotá 44b), que diz que apenas os mais Tzadikim (Justos) do povo iam para a guerra, e qualquer transgressão, mesmo as mais leves, desqualificava a pessoa para ser um soldado do povo judeu. Se estamos falando de um exército composto por soldados espiritualmente tão elevados, certamente eram pessoas com muita Emuná (fé). É entendível que eles se amedrontassem, por causa da pressão, quando sentissem a guerra se aproximando. Mas após um primeiro encorajamento, os soldados já deveriam voltar ao seu nível original de Emuná. Então por que o Cohen repetia tantas vezes o conceito de não ter medo, e com tantas linguagens diferentes?

Explica o Rav Eliahu Dessler que uma pessoa com medo não se concentra na luta e contagia seus companheiros, desmotivando todos à sua volta. Por isso, quando um povo saía para lutar contra outro, utilizava quatro tipos de "truques" para apavorar o inimigo. A primeira artimanha era fazer muito ruído batendo objetos uns contra os outros, dando a impressão de que um exército gigantesco se aproximava. Então eles faziam seus cavalos relincharem, dando a impressão de que o exército inimigo era muito bem equipado. Depois disso gritavam com toda força, produzindo um ruído ensurdecedor, que era escutado a dezenas de quilômetros. E finalmente, eles tocavam trombetas, produzindo um som que por si só já amedrontava aqueles que escutavam.

É por isso que o Cohen utilizava quatro expressões diferentes de encorajamento, uma para cada estratégia de guerra utilizada pelo exército inimigo. "Não deixe que seu coração se acovarde" por causa do relincho dos cavalos, "não tenha medo" por causa do barulho dos objetos, "não sinta pânico" por causa do toque das trombetas, e "não se quebre diante deles" por causa dos gritos dos soldados. Mas por que não era suficiente apenas um único encorajamento? Se os inimigos utilizassem apenas uma única estratégia para amedrontar, como o relincho dos cavalos, o encorajamento do Cohen seria suficiente para fazer voltar a Emuná do povo judeu. A partir daí, mesmo que fizessem mais cem vezes seus cavalos relincharem, isto não traria mais medo. Mas quando eles mudavam e utilizavam uma nova estratégia, voltava o perigo de o medo surgir, e por isso era necessário um novo encorajamento. Portanto, para cada uma das quatro táticas de desencorajar o exército inimigo, era necessário um tipo diferente de incentivo do Cohen.

Este conceito trazido na nossa Parashá, apesar de ter sido ensinado há mais de 3.000 anos, também pode ser utilizado para nossas vidas. Qualquer general sabe que um dos pré-requisitos para vencer uma guerra é conhecer bem o inimigo. Quanto mais conhecemos o exército inimigo, suas armas e suas formas de ataque, melhor podemos nos preparar para enfrentá-lo e derrotá-lo. Mas se vamos para a frente de batalha despreparados, podemos ser pegos de surpresa, com menos possibilidade de reação. Este conceito vale para as guerras físicas, mas também pode e deve ser utilizado na nossa guerra espiritual contra o nosso maior inimigo: o Yetzer Hará (Má inclinação). Para derrotá-lo, é preciso conhecê-lo.

O Yetzer nos ataca utilizando o mesmo princípio que os exércitos utilizavam antigamente: a renovação das formas de ataque. Se ele lutasse sempre da mesma maneira, poderíamos facilmente aprender como derrotá-lo. Mas quando pensamos que já o derrotamos, ele se levanta e novamente nos ataca, mas desta vez com outras armas. Portanto, esta é a grande dificuldade de lutar contra o Yetzer: ele muda constantemente a forma de nos atacar. Por isto precisamos estar sempre alertas contra este temível inimigo. Contra ele não existe descanso nem trégua.

Este conceito aprendemos de Yaacov Avinu. A Torá nos conta que ele lutou com o Yetzer Hará e, após a luta, perguntou seu nome, pois no nome está contida a essência de qualquer criatura. Yaacov esperava entender a essência do Yetzer Hará para poder ensinar aos seus descendentes a fórmula para vencê-lo. Mas o Yetzer respondeu: "Para que você pergunta meu nome?" (Bereshit 32:30). É como se o Yetzer estivesse dizendo: "Não adianta eu falar meu nome, pois minha principal força é não ter uma essência fixa. Eu posso mudar a todo instante, para atacar as pessoas onde elas menos esperam".

Um ser humano, ao ser derrotado em uma luta, ainda tenta se levantar novamente. Mas se após duas ou três tentativas ele continua sendo derrotado, ele desiste. Porém, o Yetzer Hará não é assim. Ele pode ser derrotado centenas de vezes, mas sempre voltará, e cada vez com uma nova tática de guerra. Então como vencer um inimigo assim tão poderoso, versado em todos os tipos de batalha e que surge cada vez com um ataque diferente? D'us nos ensinou a receita ao afirmar: "Eu criei o Yetzer Hará, e criei também o antídoto contra ele: a Torá". O que isto significa?

Em países onde as guerras são frequentes, os soldados estão constantemente sob intenso treinamento militar, pois é necessário estar preparado para qualquer situação que possa surgir durante a guerra. O soldado não pode aprender a atirar ou a montar sua arma durante a guerra, pois quando o inimigo está diante dele, vindo para matar, cada segundo é precioso. O soldado precisa treinar muito para aprender as várias técnicas de luta e estar preparado para todas as possibilidades de ataque inimigo. Quanto mais preparado e treinado o exército estiver, maiores as chances de vitória.

Assim também é na nossa guerra espiritual contra o Yetzer Hará. Ensina o Talmud (Makót 23b), em nome do Rabi Chanania ben Akashia: "D'us queria dar méritos para o povo judeu, por isso Ele multiplicou a Torá e as Mitzvót". Temos muitas Mitzvót na Torá, e é isso que mantém o povo judeu vivo há tanto tempo. Elas são o nosso treinamento militar, para nos deixar prontos para os ataques do Yetzer Hará. As Mitzvót cobrem todas as áreas da vida: no "Bein Adam La Makom" (entre o homem e D'us), no "Bein Adam Le Haveiró" (entre o homem e seu semelhante) e no "Bein Adam Le Atzmó" (o homem consigo mesmo).

Diz o ditado popular que quanto mais difícil é o treinamento, mais fácil é a batalha. Seguir as Mitzvót da Torá não é algo fácil, mas nos prepara para vencer as dificuldades e testes da vida. Quando seguimos o "Manual de instruções", nos preparamos para qualquer tipo de surpresa, aprendemos a lidar com as mais diferentes situações. Uma pessoa que cumpre as Mitzvót aprende a ter autocontrole, facilitando muito o sucesso no seu casamento, na educação dos seus filhos e no relacionamento com as pessoas em geral. A pessoa se torna mais paciente e tolerante, aprende a ver a vida de uma maneira positiva e a julgar as pessoas para o bem. Portanto, vive de maneira mais harmoniosa. Por isso, a lição que fica para nossas vidas é a importância de se preparar bastante no treinamento, pois no momento da guerra pode ser tarde demais.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ REÊ 5772


BS"D

AMOR ENTRE DOIS OPOSTOS - PARASHÁ REÊ 5772 (17 de agosto de 2012)

“Cláudia e Ricardo se conheceram em uma festa e foi amor à primeira vista. Logo decidiram que queriam se casar. Porém, o problema é que eles vinham de mundos muito diferentes. Cláudia vinha de família rica, era uma mulher refinada, que gostava de restaurantes caros, óperas, literatura e arte. Já Ricardo era uma pessoa de origem mais “grosseira”. Gostava de ficar jogado no sofá, bebendo cerveja e assistindo futebol. Sua leitura preferida eram os gibis. Adorava um “prato feito” de arroz, feijão e ovo no bar da esquina.

Eles acharam que o amor venceria as dificuldades, mas com o tempo a convivência começou a se tornar difícil. Sentindo o clima pesado, Ricardo quis fazer algo para deixar sua esposa feliz e convidou-a para jantar fora. Claudia se animou, vestiu sua melhor roupa, colocou suas joias e caprichou na maquiagem. Quase desmaiou quando chegaram ao “Bar do Lobão”. Ela tentou agradar o marido e comer algo, mas ao morder o sanduiche, percebeu que seria impossível engolir. Correu ao banheiro para cuspir a comida e quase desmaiou ao ver tantas baratas no chão imundo. Cláudia também tentou fazer sua parte para melhorar a situação e levou Ricardo para conhecer uma ópera. Mas ainda no primeiro ato, Cláudia começou a escutar um barulho estranho. Olhou para o lado e viu que Ricardo dormia profundamente e roncava alto, incomodando as pessoas ao redor.

O casamento ia de mal a pior e a ideia de um divórcio parecia inevitável. Foi então que um amigo de Cláudia indicou um terapeuta de casais, famoso por fazer verdadeiros milagres. Cláudia foi para a primeira consulta. O terapeuta escutou atentamente todos os problemas relatados por ela e disse:

- Não vamos nem pensar em divórcio. Vocês se gostam, nasceram para ficar juntos. Precisamos fazer este casamento dar certo. Uma solução seria você descer para o mundo dele, tentando se acostumar com a comida de boteco e com os programas mais simples. Mas esta solução não seria boa, pois você abriria mão de sua identidade. Você já aprendeu a apreciar as coisas boas e finas, não há como apagar. Além disso, imagine o que aconteceria quando você voltasse para sua casa, para visitar seu pai na mansão em que ele mora. Você não saberia mais se comportar de uma maneira fina e seria uma grande vergonha.

- Portanto - continuou o terapeuta – a solução perfeita é fazer justamente o contrário. Você deve ensinar seu marido a ser uma pessoa fina. Ele deve aprender a apreciar uma boa comida, a gostar de uma boa música, a encontrar dentro dele a sua parte mais nobre. Ele não vai perder nada, só ganhar. Assim, vocês podem construir o casamento com harmonia, um ajudando o outro a cada vez refinar mais os sentidos.”

Este é o paralelo entre as duas partes que compõem o ser humano: o corpo material e a alma espiritual. Cada um deles está voltado à sua essência, criando um grande conflito de interesses. Como não podemos negar nenhum dos dois, como fazer para este “casamento” dar certo? Ensinando o corpo, mesmo quando ele busca prazeres do mundo material, a fazer isto de maneira mais elevada, canalizando para o espiritual.

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Nesta semana lemos a Parashá Reê, na qual Moshé nos relembra dos dois caminhos que temos na vida: o caminho da Brachá (benção) e o caminho da Klalá (maldição). O caminho da Brachá, quando escutamos os ensinamentos de D’us, Quem nos criou e nos conhece nos mínimos detalhes; e o caminho da Klalá, quando achamos que somos sábios o suficiente para decidir sozinhos o nosso caminho.

No livro de Devarim, pelo fato de Moshé estar preparando o povo para a entrada na terra de Israel, diversas vezes ele adverte os judeus a não se comportem como os povos idólatras que viviam lá. Um dos ensinamentos da Parashá é a proibição de um costume relacionado ao luto, como está escrito: “Vocês são filhos de D’us, não façam cortes em vocês, nem rasgue o cabelo entre seus olhos por causa de um morto” (Devarim 14:1). Esta era a prática dos povos idólatras, que causavam ferimentos e cortes em seu próprio corpo em momentos de desespero, como após a perda de um ente querido, e a Torá nos adverte a não seguir este abominável costume.

Porém, quando observamos os costumes judaicos de luto, percebemos uma aparente contradição. Há uma Mitzvá trazida pelo Shulchan Aruch (Código de leis judaico) que diz: “Alguém cujo parente faleceu deve rasgar suas roupas por ele” (Yorê Deá, 340:1). Esta Mitzvá se aplica aos parentes mais próximos, que estão obrigados a se enlutar pelo falecido. E assim a Torá descreve que Yaacov se comportou ao escutar sobre a morte de seu filho Yossef, rasgando suas roupas em sinal de luto. Portanto, como pode ser que causar um ferimento no corpo é uma grande transgressão, enquanto rasgar a roupa, que também parece um ato de desespero, é uma Mitzvá? Qual o significado de rasgar as roupas em sinal de luto?

Explica o Rav Yonathan Guefen que para responder estas perguntas, antes precisamos entender o verdadeiro significado das roupas. Quando D’us criou Adam e Chavá (Adão e Eva) no Gan Éden, Ele os criou sem roupas, e mesmo assim a Torá nos conta que eles não sentiam vergonha. Porém, após terem transgredido ao comer o fruto que D’us havia proibido, a Torá conta que eles perceberam que estavam nus e, como não tinham roupas para cobrir a sua vergonha, imediatamente se cobriram com folhas. Mas o que mudou? Se eles já estavam nus antes, por que somente depois do pecado sentiram vergonha?

Para que possamos cumprir nossa missão neste mundo, D’us colocou no ser humano duas partes opostas: um corpo físico, que se conecta com o material, com os desejos e prazeres imediatos; e uma alma espiritual, que quer se elevar e atingir seu potencial. Desde o início da criação, o ser humano entendeu que não era apropriado que a sua essência ficasse completamente revelada e exposta. Por isso havia a necessidade de algum tipo de “cobertura” ou vestimenta. Como antes do pecado Adam se identificava como sendo uma alma espiritual, seu corpo tinha a única função de ser uma “vestimenta” para a alma, por isso não havia nenhuma necessidade de roupas para o corpo, que era algo secundário. Mas depois que Adam pecou, ele caiu do seu elevado nível espiritual e passou a se identificar mais com seu corpo. A partir do momento em que seu corpo tornou-se o principal, ele sentiu vergonha por não estar coberto e precisou de roupas também para o seu corpo. É interessante perceber que a palavra em hebraico para roupa é “Begued”, e vem da mesma raiz de “Beguidá”, que significa “traição”. A roupa é como se fosse um atestado de que o ser humano traiu a sua essência verdadeira, que é o seu lado espiritual.

No erro de Adam Harishon, não apenas ele caiu espiritualmente, mas toda a humanidade caiu junto com ele. Todos os seus descendentes já nasceram em um nível espiritual inferior, no qual o foco principal era o corpo. Por isso, quando o corpo de um morto é enterrado e sua presença física não é mais percebida pelos nossos 5 sentidos, é comum que as pessoas pensem que toda a sua essência terminou para sempre. Por isso, em desespero, mutilam seu próprio corpo. A palavra “Kever”, que em hebraico significa “túmulo”, contém as mesmas letras da palavra “Rekev”, que significa apodrecer. Para muitos, a morte é o fim de tudo. Quando a pessoa faz cortes no seu corpo, demonstra sua crença de que o falecido deixou de existir completamente. Isto é uma grave proibição da Torá, pois é uma afirmação de que a pessoa não entendeu o propósito da vida neste mundo material.

De acordo com o judaísmo, isto é um grande erro. As letras da palavra “Kever” também formam a palavra “Boker”, que significa “amanhecer”. A morte é apenas a perda do corpo físico, mas a alma continua existindo. Por isso somos comandados a rasgar nossa roupa após a perda de um parente, para lembrar neste momento de dor e sofrimento que a essência da pessoa que amamos não deixou de existir. Somente seu corpo, que era uma vestimenta para sua alma, se perdeu, mas sua alma continua intacta.

As leis de luto no judaísmo não nos ensinam apenas como devemos nos comportar em relação à morte, mas também nos ensina como ter a perspectiva correta durante a vida. Em relação à morte, nós aprendemos que o falecimento não é o fim da existência da pessoa. Nós temos a certeza de que o falecido continua vivo, apenas foi para um plano de existência superior. E em relação à vida, devemos lembrar que a alma é a nossa verdadeira identidade, enquanto o corpo é um utensílio temporário, cujo único propósito é proporcionar bem estar à alma e ajuda-la a cumprir seu trabalho neste mundo.

Mas isto não quer dizer que devemos ir para o extremo de abandonar e negligenciar as necessidades do nosso corpo. Temos uma obrigação da Torá de cuidar da nossa saúde e do nosso bem estar físico. A diferença do enfoque judaico é que, apesar de precisarmos fornecer ao corpo suas necessidades físicas básicas, isto não deve ser feito como um fim e sim como um meio. A pessoa deve cuidar de seu corpo para que possa ter força e saúde para utilizar em seus esforços de crescimento espiritual.

Parece fácil na teoria, mas sabemos que na prática não é tão simples assim. Com a queda das gerações, a tendência é cada vez mais nos conectarmos com o nosso corpo e seguirmos atrás dos nossos desejos materiais. Quando uma pessoa se sente mal, ela não diz “Meu corpo não se sente bem”, e sim “Eu não me sinto bem”, demonstrando que naturalmente focamos no nosso corpo como sendo a nossa essência. A necessidade de não se expor, de não permanecer descoberto, algo que era intuitivo desde Adam Harishon, não é mais importante atualmente. Isto pode ser facilmente observado na banalização da pornografia e na valorização das pessoas pelo seu corpo e não pelas suas características interiores. O recato nas roupas e no comportamento, mais conhecido como “Tsniut”, tornou-se um habito do passado. Aqueles que desejam ser recatados são vistos como pessoas antiquadas, pois o moderno é mostrar o corpo sem vergonha. Quanto mais ousado, mais moderno.

A consequência é que vemos cada vez mais o cumprimento das palavras do começo da Parashá, sobre os dois caminhos, a Brachá e a Klalá. O nome da Parashá, Reê, significa “Veja”, pois os caminhos da Brachá e da Klalá ficam cada vez mais evidentes e fáceis de serem enxergados. A falta de recato, o foco no corpo e o abandono dos conceitos espirituais da Torá levam à perda de outros valores, que são os pilares de uma vida harmônica, como a fidelidade e a família. Os casamentos estão cada vez mais descartáveis e os relacionamentos cada vez mais superficiais. As pessoas buscam apenas o prazer momentâneo e enjoam muito rápido, desejando passar para o próximo prazer. Os valores vão se moldando de acordo com os desejos e necessidades momentâneos, enquanto a falta de Brachá fica cada vez mais evidente no mundo.

A solução é reforçar o reconhecimento racional da importância primária da nossa alma e não esquecer que, da mesma maneira que as roupas que usamos são temporárias e perecíveis, assim também é o nosso corpo. A única maneira do casamento entre o corpo e a alma realmente funcionar, nos possibilitando ver Brachá em nossas vidas, é ensinar nossa alma a puxar para cima nosso corpo, de maneira que ele se eleve e busque, dentro do mundo material, os verdadeiros prazeres espirituais.

SHABAT SHALOM

R’ Efraim Birbojm

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ EKEV 5772

BS"D

ENSINAMENTOS DE PAI PARA FILHO - PARASHÁ EKEV 5772 (10 de agosto de 2012)

Em uma tarde fria de inverno em Tsfat, norte de Israel, o rabino Yaakov Dovid Wilovsky, mais conhecido como Ridvaz, um dos gênios da Torá de sua geração, foi para a sinagoga para Minchá (reza da tarde) um pouco antes de seu horário habitual. Naquele dia era o "Yortzait" (aniversário de falecimento) de seu pai. Ele sentou-se e ficou imerso em seus pensamentos, até que seus olhos se encheram de lágrimas. Os homens que entraram na sinagoga para Minchá perceberam o choro do Ridvaz e, sabendo que era Yortzait de seu pai, mantiveram uma distância respeitosa dele. Um amigo mais próximo aproximou-se dele e perguntou:

- Por que você está tão triste? Seu pai tinha 80 anos quando faleceu, morreu com boa idade, não era um homem jovem. E já faz cinquenta anos que ele morreu. Nossos sábios não ensinam que está decretado que a tristeza em relação aos nossos mortos vai enfraquecendo com o tempo?

- Não estou chorando de saudades - respondeu o Ridvaz - Mas lembrei de algo que me fez chorar. Quando eu ainda era garoto, meu pai contratou o melhor professor da cidade, Rav Chaim Sender, para ser meu professor de Torá. Ele cobrava pelas aulas um rublo por mês, valor muito alto naqueles dias, principalmente para o meu pai, que era um homem pobre. Era uma luta para conseguir o dinheiro cada mês, pois meu pai sustentava a casa construindo fornos. Houve então um inverno no qual não havia cimento nem gesso em nenhuma loja, e por isso meu pai ficou impossibilitado de trabalhar. Como ele não recebia dinheiro, não conseguia pagar as aulas ao Rav Chaim. Após três meses assim, um dia eu cheguei com uma carta do meu professor, na qual ele dizia que não poderia continuar a me ensinar se não recebesse seu salário na manhã seguinte. Quando meus pais leram a carta, foi como se o mundo tivesse acabado. Para eles, a minha educação de Torá era tudo!

- Naquela noite, meu pai foi à sinagoga, como de costume. – continuou o Ridvaz, visivelmente emocionado - Lá ele ouviu um frequentador, que era muito rico, se queixando que a construtora que estava fazendo uma casa para seu filho era incapaz de construir um forno por causa da escassez de cimento e gesso. O homem rico ofereceu seis rublos para quem pudesse montar um forno para seu filho. Na Rússia, um forno era uma necessidade absoluta, para aquecer as casas e cozinhar. Meu pai voltou para casa e, discutindo o assunto com minha mãe, decidiu desmontar o nosso próprio forno, tijolo por tijolo, e usar os materiais para construir um novo forno para o filho do homem rico. Assim eles teriam os seis rublos para pagar o meu professor. Meu pai entregou o forno ao homem rico e recebeu os seis rublos em troca. Ele me chamou e disse: "Filho, diga ao seu professor que três rublos são para o pagamento dos meses que eu estou devendo, e os outros três são para os próximos três meses de aula para o meu Yankel Dovid". Aquele foi um inverno muito frio, e estávamos sempre tremendo e quase congelando. E tudo isto para que eu pudesse ter o melhor professor e poder crescer na Torá.

- Estava frio lá fora hoje - concluiu o Ridvaz - e eu pensei em mandar trazer um Minyan (grupo de 10 homens) para minha casa, ao invés de ir para a sinagoga. Então eu decidi, em honra de meu pai, que eu deveria fazer um esforço especial para ir à sinagoga. Quando senti o frio na rua, refleti sobre todo sofrimento que minha família passou durante aquele longo e frio inverno. Sofrimento por mim e pela minha Torá. É por isso que eu chorei, lembrando do amor dos meus pais e a dedicação sem fim para que seu filho pudesse aprender a sagrada Torá. Se não fosse por seu sacrifício, eu nunca teria sido capaz de escrever o meu comentário sobre o Talmud Yerushalmi".

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Na Parashá desta semana, Ekev, a Torá traz mais alguns versículos que compõe o Shemá Israel. E um dos versículos nos ensina sobre a importância da transmissão dos conceitos e valores judaicos para os nossos filhos, como está escrito: "E você deve ensiná-las aos seus filhos" (Devarim 11:19). Diz o Talmud (Tratado Kidushin 29b) que deste versículo aprendemos que não é apenas "bonito" ensinar judaísmo aos filhos, na verdade o pai tem uma obrigação de ensinar Torá para o seu filho e, se necessário, deve contratar um professor de Torá para ele. Caso o filho precise estudar Torá em outra cidade, o pai tem a obrigação de prover todas as necessidades, como comida e estadia, para que o filho possa aprender Torá.

Mas por que precisamos deste ensinamento especificamente para o estudo da Torá? Apesar de uma criança não estar obrigada a cumprir as Mitzvót da Torá antes de sua maioridade religiosa, os pai tem a obrigação de ensinar aos seus filhos o cumprimento delas, por "Chinuch" (educação). Assim, quando o filho chega à idade em que estará obrigado a cumprir as Mitzvót, já terá se acostumado e não será uma carga tão pesada em suas costas de uma só vez. Portanto, qual a diferença entre a Mitzvá de ensinar Torá aos filhos e as outras Mitzvót da Torá?

Explicam nossos sábios que esta obrigação de preparar os filhos para as Mitzvót (Chinuch) é uma obrigação rabínica. Mas existem 3 Mitzvót que são exceções, nas quais o pai está obrigado a educar seus filhos, mesmo os que ainda não atingiram a maioridade religiosa, não apenas por Chinuch, mas por obrigação direta da Torá. São as Mitzvót de Brit-Milá (circuncisão), Shabat e Torá. Nestas 3 Mitzvót há versículos que explicitamente incluem os filhos no seu cumprimento. Em relação ao Brit-Milá está escrito: "E com 8 dias de idade serão circuncidados todos os filhos homens, por todas as gerações" (Bereshit 17:12). Em relação ao Shabat está escrito: "Não farão nenhum trabalho, você e teu filho e tua filha" (Shemot 20:10). E em relação à Torá está escrito: "E você deve ensiná-las aos seus filhos" (Devarim 11:19).

Há algo interessante que também percebemos em relação a estas 3 Mitzvót. Todas as vezes em que o povo judeu foi exilado ou esteve sob o domínio dos outros povos, sempre houve decretos que proibiam a prática do judaísmo. Mas "coincidentemente", as primeiras Mitzvót a serem proibidas sempre foram estas três, como diz o Talmud (Taanit 18a): "Foi decretado sobre o povo judeu que não se ocupassem com o estudo da Torá, e que não circuncidassem seus filhos, e que desrespeitassem o Shabat". O que há de tão especial nestas 3 Mitzvót, que faz com que mesmo os outros povos queiram arrancá-las de nós?

Responde o livro "Lekach Tov" que, apesar de todas as Mitzvót da Torá estarem incluídas dentro de um pacto que fizemos com D'us no Monte Sinai, estas 3 Mitzvót são individualmente chamadas de "pacto". Em relação ao Shabat está escrito: "Os filhos de Israel devem guardar o Shabat, para cumprir o Shabat por todas as gerações, um pacto eterno" (Shemot 31:16). Em relação ao Brit Milá está escrito: "E você deve guardar o meu pacto" (Bereshit 17:9). E em relação à Torá está escrito: "Se não cumprirem o Meu pacto dia e noite, as leis do céu e da terra Eu não teria instituído" (Irmiahu 33:25).

Portanto, como são pactos do povo judeu com D'us, mesmo as crianças já estão obrigadas a cumprir estas 3 Mitzvót. Um bebê já é introduzido ao pacto do Brit Milá com 8 dias de vida. As crianças já são ensinadas, desde pequenas, a não transgredir o Shabat, sendo proibidas de realizar para os seus pais qualquer uma das atividades criativas proibidas no Shabat. E os pais já ensinam, desde muito cedo, Torá para os seus filhos, acompanhando os seus estudos e seu crescimento espiritual.

Estas 3 Mitzvót são tão fundamentais e vitais para o povo judeu que o nosso Yetzer Hará (má inclinação), quando quer nos derrotar, ataca diretamente neste três pilares. Por isso se repetem, de geração em geração, decretos nos proibindo de cumpri-las. Mas o povo judeu nunca desistiu de manter nossos pactos com D'us. Mesmo em épocas nas quais vigoraram decretos proibindo as Mitzvót, mesmo quando havia pena de morte, muitos deram suas próprias vidas para manter nossos pilares. Mesmo nos momentos em que era impossível cumprir abertamente estas Mitzvót, elas foram cumpridas em segredo. Um exemplo é a antiga União Soviética. Em épocas em que havia proibição de qualquer prática religiosa, sob o risco de ser enviado para a Sibéria, a cerimônia de Brit Milá era feita em garagens e porões das casas, diante de poucos familiares, para não levantar suspeitas dos agentes do governo. Muitas vezes as famílias tinham que esperar o momento certo e o Brit Milá acontecia quando os bebês já tinham mais de 1 ano de idade.

Atualmente vivemos uma época de liberdade religiosa. Apesar do antissemitismo estar cada vez mais presente, na mídia e nos ataques isolados contra a comunidade judaica em todo o mundo, não existem decretos que nos proíbem de cumprir as Mitzvót. Mesmo na Rússia, atualmente os judeus são livres para cumprir suas Mitzvót. Porém, apesar desta liberdade, grande parte do povo judeu está tão afastada que abandonou completamente as Mitzvót. Não conhecemos mais as leis de Shabat, a Torá não é mais ensinada aos nossos filhos, e muitos estão deixando de se importar até mesmo com o Brit-Milá. Isto nos prova que o pior inimigo do povo judeu não é nem os antissemitas nem os ataques de terroristas árabes. Nosso pior inimigo é o comodismo e a ignorância dos ensinamentos da Torá.

Devemos aproveitar nossa liberdade para conhecer os ensinamentos pelos quais nossos antepassados deram a vida para manter. Devemos ter orgulho da nossa Torá, que encheu o mundo inteiro de justiça e sabedoria. Há mais de 3 mil anos a Torá é transmitida, de pai para filho, de professor para aluno, em uma corrente que nunca foi interrompida. Agora chegou a nossa vez, precisamos sentir a responsabilidade de transmitir a Torá para as futuras gerações. Não morrendo pela Torá, mas vivendo por ela, e dando vida espiritual para nossos filhos, netos e bisnetos.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT
São Paulo: 17h30  Rio de Janeiro: 17h13  Belo Horizonte: 17h24  Jerusalém: 18h48
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Chava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Esther bat Miriam, Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita, Latife bat Renee, Avraham bem Sime, Clarisse Chaia bat Nasha Blima, Tzvi Mendel ben Ester, Marcos Mordechai Itschak ben Habibe, Yacov Eliezer ben Sara Masha, Yossef Gershon ben Taube, Manha Milma bat Ita Prinzac, Rachel bat Luna, Chaim Shmuel ben Sara, Moshe Avraham Tzvi ben Ahuva, Avraham ben Ahuva, Miriam bat Yehudit, Alexander Baruch ben Guita, Shmuel ben Nechama Diná, Avracham Moshe ben Miriam Tobá, Guershon Arie ben Dvora, Mazal bat Miriam, Yadah ben Zarife, Shmuel Ben Chava, Mordechai ben Malka, Chaim Dov Rafael ben Esther, Menachem ben Feigue, Shmuel ben Liva, Hechiel Hershl ben Esther, Shlomo ben Chana Rivka, Natan ben Sheina Dina, Mordechai Ghershon ben Malia Rochel, Benyomin ben Perl, Ytzchok Yoel haCohen ben Rivka, Sarah Malka ben Rivka, Malka bat Toibe, Chana Miriam bat Sarah, Feigue bat Guitel, Gutel bat Slodk, Esther bat Chaia Sara, Michael ben Tzivia, Ester bat Lhuba, Brane bat Reize, Chaya Rivka Bat Miriam Reizl, Michele Chaia  bat Eny, Avraham ben Chana, Chaia Sluva bat Chaika, Esther bat Arlette, Bentzion ben Chana, Guitel bat Miriam, Chaia Feigue bat Ides, Esther bat Arlette, Rachel bat Adele, Itzhak ben Faride, Pessach ben Chani, Menusha bat Hana, Sarah bat Reizel, Yossef ben Dinah, Bentzion ben Chana, Yossef ben Mazal, Dvora bat Stera, Miriam bat Dvora Simcha, Isaac Ben Chava, Miriam Bat Lea, Yossef ben Simcha, Moshe ben Rachel, Ida bat Mazal Fortunée, Israel Rafael ben Sara Nesha, Amalia Mili bat Luciana, Guitel (Gretta) bat Miriam, Fiszel Czeresnia.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAETCHANAN 5772

BS"D

QUEM É COMO D'US? - PARASHÁ VAETCHANAN 5772 (03 de agosto de 2012)

 "Carlos entrou na sala do psicólogo, visivelmente irritado, para sua primeira consulta. Deitou-se no divã, mas não conseguiu relaxar. Tentando começar uma conversa amigável, o psicólogo perguntou:

- Boa tarde, Sr. Carlos. Em que posso ajudá-lo? Algum problema em especial? Algo o incomoda?

- Vou ser sincero, doutor - responde Carlos - Não sei nem mesmo porque estou aqui. Minha família me trouxe à força. Eles dizem que eu estou ficando louco, mas não é verdade, eu sou completamente normal.

- Está bem - riu o psicólogo - Mas o que a sua família diz sobre o seu comportamento? Por que eles estão incomodados a ponto de achar que você é louco?

- Eles é que são loucos, doutor - continuou afirmando Carlos, já um pouco mais exaltado - Eles dizem que eu sou megalomaníaco, que estou com mania de grandeza. Mas você pode ver que não é verdade!

- Está bem, fique calmo - tranquilizou o psicólogo – Para que possamos nos conhecer, me conte um pouquinho da sua vida. Comece do princípio.

- Bom, doutor - disse Carlos, com um grande sorriso - No primeiro dia eu criei os Céus e a Terra..."

Pode parecer uma grande piada, mas muitas vezes nos comportamos assim. Esquecemos o quanto somos pequenos e sentimos que temos controle de tudo, como se fossemos D'us. Mas a verdade é que não controlamos absolutamente nada.

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Na Parashá desta semana, Vaetchanan, a Torá traz alguns dos versículos que compõe o Shemá Israel, a nossa maior declaração de Emuná (fé) e amor por D'us, que recitamos duas vezes por dia. E entre outros ensinamentos, estes versículos falam sobre a Mitzvá de colocar uma Mezuzá nas portas de nossas casas, como está escrito: "E as escreverá nos batentes de sua casa e nos seus portões" (Devarim 6:9).

A Mitzvá de Mezuzá tem algumas particularidades interessantes que a diferem das outras Mitzvót da Torá. Em geral, o objeto utilizado para cumprir a Mitzvá dá nome à Mitzvá. É o que ocorre, por exemplo, nas Mitzvót do Shofar e Tefilin. Mas a Mitzvá da Mezuzá é diferente, pois a palavra "Mezuzá" significa literalmente "batente". Isto quer dizer que o objeto por si só, isto é, o pergaminho que contém os versículos do Shemá Israel, não define o nome da Mitzvá. O que dá o nome à Mitzvá é o batente, que é apenas o local onde o pergaminho é colocado. Comparando com outras Mitzvót, isto soa tão estranho quanto chamar a Mitzvá do Tefilin de "Mitzvá do braço".

Além disso, o Talmud (Baba Metzia 102a) nos ensina que quando alguém se muda de uma casa e sabe que os próximos inquilinos também serão judeus, ele é obrigado a deixar as Mezuzót fixadas nas portas e não pode retirá-las para levar para sua nova casa. O Talmud descreve o caso de um homem que tirou as Mezuzót de sua casa e teve uma punição muito rigorosa. Comparando com outras Mitzvót, isto seria como obrigar uma pessoa que se muda de casa a deixar seus Tefilin, seu Talit e seus livros de Torá para o próximo inquilino judeu. Por que a Mitzvá da Mezuzá é tão diferente das outras Mitzvót e a punição daquele que tira as Mezuzót de sua casa é tão rigorosa?

E finalmente, a Torá nos conta um detalhe interessante sobre Ruth, uma mulher nobre do povo de Moav que abandonou uma vida de conforto e tranquilidade para se converter ao judaísmo. E pelo seu ato tão elevado, ela teve o mérito de ser a bisavó de David Hamelech (Rei David). Quando a sogra de Ruth, Naomi, decidiu deixar a terra de Moav e voltar para Israel, Ruth decidiu que iria junto com ela e que se converteria ao judaísmo, como está escrito: "Onde você for, eu irei. E onde você dormir, eu dormirei. Seu povo é meu povo, seu D'us é meu D'us" (Ruth 1:16). Para testar se as intenções de Ruth eram realmente sinceras, Naomi tentou dissuadi-la, mencionando as Mitzvót que ela seria obrigada a cumprir caso realmente quisesse se converter. Explica o Midrash (Ruth Raba 2:23) que uma das Mitsvót mencionadas foi a Mezuzá. Qual o motivo de mencionar esta Mitzvá, aparentemente fácil de cumprir, na tentativa de testar a verdadeira intenção de alguém que quer se converter?

Explica o Rav Yohanan Zweig que a maioria das sociedades vive apenas focada em seus próprios direitos. As passeatas e greves exigindo direitos se multiplicam, enquanto os deverem são deixados cada vez mais de lado. Um caso clássico de descaso com o direito dos outros tem repetidamente acontecido em São Paulo. Trechos da Avenida Paulista são tomados, quase diariamente, por manifestações dos mais diversos grupos exigindo seus direitos. Mas estes grupos não se importam que este tipo de manifestação, na maior avenida de São Paulo, interfere na vida de centenas ou milhares de pessoas, que perdem o seu direito de ir e vir.

Se este descaso com os nossos deveres já acontece nas ruas, ainda pior é o efeito que acontece dentro de nossas casas. Quando as pessoas estão nas ruas, elas sabem que não podem fazer o que querem, pois existem as leis do país. Citando como exemplo o trânsito, as pessoas sabem que não podem dirigir da maneira que desejam. Mas na privacidade de suas casas, a pessoa acha que é soberana, isto é, que nenhuma autoridade pode decidir o que ele pode ou não pode fazer entre quatro paredes. O ser humano sente que é o rei em sua própria casa, que tem o domínio e pode tomar suas próprias decisões e atitudes sem que ninguém interfira. Para que todos saibam quem tem o controle sobre a casa, é comum que as pessoas escrevam o nome da família na porta ou no batente, demarcando o seu território.

Mas esta não é a forma como se comporta o povo judeu. Vivemos o tempo inteiro com a consciência da presença de D'us. Não há nenhum momento em nossas vidas que sentimos que estamos sozinhos e, portanto, isentos de seguir regras. Mesmo quando estamos dentro de casa, sabemos que há um Criador que vê tudo e controla tudo, e por isso devemos nos comportar de acordo com as Suas leis. Portanto, esta é a grande importância da Mitzvá de Mezuzá. Quando colocamos a Mezuzá no batente de nossas portas, é como se estivéssemos escrevendo na nossa porta o nome de D'us, declarando que, apesar de ser um domínio particular, o nosso próprio "reinado", é Ele quem tem domínio sobre o lugar, Ele é a verdadeira autoridade daquela morada. Assim deve ser a casa de um judeu.

Naomi sabia que Ruth vinha de uma sociedade idólatra e decadente, onde as pessoas realmente acreditavam que tinham o controle total dentro de suas próprias casas, que podiam fazer o que quisessem sem nenhuma prestação de contas. Então Naomi advertiu Ruth que, caso ela quisesse se converter, deveria mudar sua forma de viver a vida, mesmo quando estivesse na privacidade de sua casa. Por isto Naomi mencionou a Mezuzá, para ressaltar que o comportamento de um judeu deve ser diferente, pois mesmo entre quatro paredes nós continuamos com a obrigação de cumprir as Mitzvót de D'us.

Quando uma pessoa muda-se de casa e deixa para trás as suas Mezuzót fixadas nas portas, ela está afirmando que esta é uma casa que pertence a D'us. Mas quando a pessoa tira suas Mezuzót, ela está negando qualquer controle de D'us sobre aquela casa. Por isso o castigo de alguém que arranca o "nome de D'us" de uma casa é tão rigoroso. E é por isso que o nome da Mitzvá é "batente", pois como a Mezuzá transforma a casa em um ambiente que pertence a D'us, o objeto da Mitzvá é a própria casa, e não apenas o "nome" grudado na porta.

Destes ensinamentos sobre a Mezuzá aprendemos a importância de manter a santidade e a pureza dos nossos atos, mesmo quando estamos dentro de nossas casas, entre quatro paredes. Não há nenhum lugar e nenhum momento do dia em que estamos isentos de cumprir a vontade de D'us, pois é Ele que tem controle, mesmo quando estamos dentro do nosso domínio. Quando nos comportamos como "donos da casa", estamos sendo orgulhosos. A Mezuzá nos ajuda a ter a humildade de saber que, mesmo no nosso local de "reinado", é D'us quem comanda sempre.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).

sexta-feira, 27 de julho de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5772


BS”D

LÁGRIMAS DO CORAÇÃO - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5772 (27 de julho de 2012)

“Quando o Campo de Concentração de Buchenwald foi libertado pelos aliados, todas as crianças órfãs sobreviventes foram levadas para um orfanato em Ecouis, um pequeno vilarejo da França, onde receberam muitos cuidados e carinho da comunidade judaica local. Havia no orfanato um total de 500 crianças e jovens que não tinham mais ninguém no mundo.

Certa vez organizaram uma homenagem pública aos órfãos, onde estariam presentes muitas personalidades locais, entre eles o comandante da polícia, o comandante militar e o prefeito. Os órfãos não quiseram ir, pois sabiam que aquela homenagem era apenas por interesse das autoridades de fazer propaganda diante da mídia. Mas a responsável pelo orfanato, a Sra. Rachel Mintz, insistiu para que todos fossem, e os rapazes concordaram em comparecer, mas decidiram que não aplaudiriam e nem mesmo levantariam seus olhos do chão quando as personalidades discursassem.

E assim foi. 500 jovens escutaram os discursos de cabeça baixa, sem demonstrar nenhuma emoção. Até que subiu para discursar o último convidado. Era um senhor judeu que havia se salvado de Aushwitz, mas tinha perdido a esposa e todos os filhos. Desde sua libertação, ele havia dedicado todos os seus bens aos órfãos. Ele tentou começar seu discurso, mas as lágrimas embargaram sua voz. Tentou mais uma vez, mas ele tremia muito e as palavras não saíam. Finalmente conseguiu dizer apenas 3 palavras em Ídishe: “Filhos, queridos filhos”. Aqueles órfãos eram tudo o que havia lhe restado na vida.

Os órfãos então levantaram pela primeira vez seus olhos. Cada um começou, sem querer demonstrar a emoção, a enxugar as lágrimas com a manga da camisa, olhando com vergonha para o lado para ver se alguém tinha percebido aquela pequena lágrima escorrendo. E então, de repente, rompeu-se a barreira. De uma só vez abriram-se as comportas, e aqueles 500 jovens choraram um choro sincero e libertador.

Em meio ao choro, levantou-se um jovem chamado Aharon Feldberg, de 25 anos, um dos mais velhos do grupo, e dirigiu-se aos visitantes:

- Gostaria de dizer algumas palavras. Desejo, em nome de todos, agradecer a todos vocês. Não por terem vindo, pois não queríamos esta visita. Não pelos presentes que nos trouxeram, pois não estamos interessados neles. Queremos lhes agradecer pelo maior presente que recebemos de vocês há alguns instantes, que foi a possibilidade de voltar a chorar.

O rapaz, visivelmente emocionado, continuou seu discurso:

- Quando os nazistas levaram meu pai e minha mãe, eu não chorei. Eu estava seco de lágrimas. Quando diversas vezes me golpearam no Campo de Concentração, eu mordi os lábios e não chorei. Há anos não rio e não choro. Passamos fome, congelamos de frio, sangramos, mas não choramos. Desde a libertação do Campo, e ainda antes dela, eu andava com a sensação de que não sou mais uma pessoa normal. Achava que eu não tinha coração, que não conseguiria chorar nos momentos em que é preciso chorar. Achei que eu tinha uma pedra no peito e não um coração humano. Assim eu pensava até 5 minutos atrás, mas não penso mais. Agora eu chorei, e bastante, e lhes digo, que quem é capaz de chorar, poderá amanhã também rir e se alegrar. E é por isto que eu lhes agradeço”
                       
Esta história real, retirada do livro “Lúlek”, uma biografia do rabino Israel Meir Lau, nos ensina que através das lágrimas sinceras, um dia chegaremos à alegria e consolo verdadeiros.

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Nesta semana começamos o último livro da Torá, Devarim, também conhecido como “Mishnê Torá”, cuja tradução literal é “Repetição da Torá”. Por que este “apelido”? Pois grande parte do livro contém o discurso de despedida de Moshé Rabeinu antes de seu falecimento. Para que o povo judeu aprendesse com o passado, tanto com os acertos quanto com os erros, Moshé relembrou muitos dos acontecimentos marcantes nos 40 anos em que o povo permaneceu no deserto.

Esta “revisão” feita por Moshé foi certamente importante para a geração do deserto, pois foi uma preparação para a entrada em Israel. Mas para que serve esta “revisão” para nós, mais de 3 mil anos depois? Se quisermos rever algum acontecimento, podemos simplesmente abrir a Torá na passagem que nos interessa e ler novamente. Então para nós, qual a importância do livro de Devarim?

A resposta é que, apesar de conter repetições, o livro de Devarim também traz muitas novidades. Em primeiro lugar, são ensinadas muitas Mitzvót novas, que ainda não haviam sido ensinadas antes. Além disso, quando a Torá repete os acontecimentos, acrescenta detalhes que ajudam a entender e a se aprofundar em alguns conceitos. É o que acontece, por exemplo, na Parashá desta semana, Devarim, que nos ajuda a entender melhor um dos eventos mais marcantes para o povo judeu: o pecado dos espiões.

Na Parashá Shelach, no livro de Bamidbar, a Torá descreve que o povo judeu, ainda no primeiro ano no deserto, se aproximava da terra de Israel. Ao invés de confiar na promessa de D’us, que havia garantido que a terra era boa e fértil e que eles teriam sucesso em conquistá-la, o povo pediu para enviar espiões. A consequência foi trágica, pois dos 12 espiões enviados, 10 voltaram falando mal da terra, causando uma histeria coletiva e um choro de desespero. D’us então jurou: “Hoje vocês choraram sem motivo. Este dia será fixado como um dia de choro para todas as gerações”. Este dia era Tishá Be Av, o nono dia do mês judaico de Av.

No próximo sábado de noite (28/07), assim que terminar o Shabat, é Tishá Be Av, um dia marcado por tristezas e sofrimentos. Neste dia, conforme D’us havia jurado, terríveis tragédias atingiram o povo judeu, desde as épocas bíblicas até os nossos dias. Exatamente neste dia nossos dois Templos Sagrados foram destruídos, fomos expulsos da Inglaterra, Espanha e Portugal, e foi o dia em que se iniciou a Primeira Guerra Mundial. Também a queda do primeiro avião da companhia aérea israelense El Al aconteceu justamente em Tishá Be Av. Neste dia nós jejuamos e nos abstemos de vários tipos de prazer, como relações maritais, usar sapatos de couro, tomar banho ou passar óleo no corpo. Será que há algo que podemos fazer para mudar este dia tão triste e consertar o erro dos nossos antepassados?

A Parashá Devarim é sempre lida na semana em que cai Tishá Be Av. Um dos motivos é que nesta Parashá Moshé relembra o erro do povo de ter chorado após o relato dos espiões, acrescentando alguns detalhes que nos ajudam a entender um pouco melhor qual foi o erro. A Torá diz que os judeus se desesperaram com as palavras dos espiões, que disseram que os habitantes de Israel eram gigantes e seria impossível derrotá-los. O povo então disse para Moshé: “Com ódio D’us nos tirou do Egito, para nos entregar nas mãos dos Emoritas para nos destruir” (Devarim 1:27). O que significam estas palavras? Por que os judeus achavam que D’us sentia ódio deles?

Explica o Sforno, comentarista da Torá, que o povo judeu pensou que D’us estava bravo por causa da idolatria que eles fizeram enquanto ainda viviam no Egito e que Ele, por causa deste ódio, mesmo tendo poder para esmagar os Emoritas, castigaria o povo judeu entregando-o nas mãos de seus inimigos. Por isso eles choraram tão amargamente.

Mas desta explicação do Sforno surge uma grande pergunta. Segundo suas palavras, o choro do povo judeu foi um choro de arrependimento por um erro cometido, isto é, um choro positivo, uma demonstração de temor a D’us. Então por que nossos sábios dizem que este foi um choro em vão, e que resultou em todas as catástrofes que nos atingem até hoje?

Responde o Rav Eliahu Dessler que realmente a motivação original do povo judeu era proveniente de uma fonte pura de temor a D’us. Porém, o Yetzer Hará (má inclinação) conseguiu misturar neles a falta de Bitachon (confiança em D’us), o que pode ser visto no final do versículo: “Não podemos subir contra eles (os habitantes da terra), pois eles são mais fortes do que nós” (Bamidbar 13:31). Rashi explica que a intenção da frase era também incluir D’us, isto é, o povo começou a acreditar que os habitantes da terra eram fortes demais até mesmo para D’us. O choro, uma demonstração de sofrimento interno, foi consequência da falta de Bitachon, causando uma rápida deterioração espiritual que os levou a se desconectar de D’us.

O conceito de “destruição do Beit Hamikdash (Templo Sagrado)” pode ocorrer em dois níveis: coletivo e individual. O Beit Hamikdash era o lugar onde a presença de D’us repousava. Quando ele foi destruído, os portões celestiais se fecharam e a Presença de D’us se ocultou, como se Ele estivesse em exílio. Há um paralelo com o coração de cada judeu. Existe uma faísca sagrada escondida dentro do coração de cada judeu, como se fosse a Presença de D’us. Esta faísca não pode ser apagada nunca, por mais assimilada e afastada que a pessoa possa estar. Mas quando a pessoa começa a cometer transgressões e a se impurificar, ela cria uma muralha de ferro entre esta faísca sagrada e o seu “eu” exterior. Isto causa um “exílio espiritual interno”, quando a espiritualidade, que deveria estar revelada e brilhando, está escondida e obscurecida. Quando isto ocorre com a maioria do povo, então é como se a presença de D’us tivesse se afastado de nós. É um momento crítico, onde se aproxima uma situação de extermínio espiritual. Foi nesta situação em que ocorreu a destruição dos nossos dois Templos Sagrados, isto é, o exílio espiritual interno causou o exílio espiritual externo.

Infelizmente hoje já não sentimos mais a perda do Beit Hamikdash e nem a falta da espiritualidade em nossas vidas. Aquele que não sente este vazio espiritual é porque já tem dentro de si um “exílio espiritual”, isto é, uma muralha bloqueando seu coração. Mas ao contrário, se a pessoa consegue sentir este vazio espiritual e sofre até o ponto de chorar, um choro verdadeiro e sincero, significa que percebeu a ausência de espiritualidade e conseguiu abrir uma brecha na muralha para começar a consertar o vazio do seu coração.

Por todas as tragédias que ocorreram neste dia, vemos Tishá Be Av de uma maneira negativa, queremos que esta data de luto e tristeza passe rápido. Mas temos que saber que o dia de Tishá Be Av é uma grande oportunidade de despertar espiritual. Quando D’us fixou um choro para todas as gerações, não foi um choro de castigo, e sim um choro de renovação, um choro de conserto espiritual. Quando conseguimos refletir e internalizar nossa perda espiritual, o choro vem automaticamente, sem a necessidade de nenhuma intervenção externa. Mas se não paramos para refletir, então D’us precisa nos mandar sofrimentos e dificuldades externas, para que elas nos causem motivos que nos façam sofrer pela perda da espiritualidade do nosso coração. Este choro, mesmo que causado por fatores externos, é o caminho para a redenção, tanto pessoal quanto do povo judeu como um todo.

Por que o conserto precisa vir através de lágrimas? Pelo fato de todo o problema ser algo interno, então necessariamente o conserto também deve ser de caráter interno. O Talmud (Brachót 32a) diz que quando o Beit Hamikdash foi destruído, todos os portões celestiais se fecharam, com exceção do Portão das lágrimas. Com a mesma intensidade que a pessoa se esforçar para abrir seu coração, assim serão abertos para ela os portões celestiais.

Portanto, quando nos abstemos dos prazeres em Tishá Be Av, junto com a leitura do Livro de Kinót (Lamentações), que nos ajuda a construir em nossas cabeças uma imagem real da destruição do Beit Hamikdash, é possível despertar e chegar ao choro verdadeiro, que sai do coração. E esta é a raiz do conserto interno, que nos ajuda a revelar a espiritualidade que estava escondida e obscurecida.

O que mais nos impressiona é poder perceber a mão de D’us nos acompanhando em todas as gerações. Os vários acontecimentos históricos que ocorreram justamente em Tishá Be Av, apesar de terem sido trágicos, nos ajudam a perceber que é apenas a mão de D’us que guia todos os acontecimentos, mesmo nos momentos de sofrimento. Se o Rei Fernando e a Rainha Isabel, que nos expulsaram de Portugal e Espanha, soubessem quanta Emuná (fé) eles plantaram no coração do povo judeu ao expulsá-los justamente em Tishá Be Av, certamente teriam se arrependido de seu ato.

A nossa preparação para Tishá Be Av é entender pelo que precisamos sofrer e para onde este sofrimento deve nos levar. Em geral a tristeza é um sentimento perigoso, que pode nos levar ao desânimo e a uma queda espiritual. Mas podemos utilizá-la de maneira positiva, para fixar tempos de reflexão, para pensar na grandeza de D’us, contra quem nós constantemente transgredimos, e possamos “quebrar” nosso coração em arrependimento. Mas imediatamente após este arrependimento, devemos abandonar a tristeza e voltar a colocar em nosso coração a certeza de que D’us perdoa as transgressões e é misericordioso com aqueles que se arrependem e decidem consertar seus caminhos. Esta é a alegria que vem imediatamente após a tristeza de Tishá Be Av. Por isto o Shabat logo depois de Tishá Be Av é chamado “Nachamu” (Se consolem), pois é um aviso que depois da tristeza e do choro verdadeiro vem a alegria verdadeira.

Portanto, o propósito de Tishá Be Av é, através da tristeza, enxergar que a destruição dos nossos dois Templos Sagrados, que causou o exílio da Presença Divina, é apenas consequência da nossa queda e do nosso exílio espiritual interno, a muralha de ferro que criamos com nossos maus atos e que separa nossa faísca de Divindade do nosso corpo material. Este choro e sofrimento é a preparação para a nossa redenção e a fonte da alegria verdadeira e do consolo, para nós e para todo o povo judeu.

SHABAT SHALOM

R’ Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Chava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Esther bat Miriam, Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita, Latife bat Renee, Avraham bem Sime, Clarisse Chaia bat Nasha Blima, Tzvi Mendel ben Ester, Marcos Mordechai Itschak ben Habibe, Yacov Eliezer ben Sara Masha, Yossef Gershon ben Taube, Manha Milma bat Ita Prinzac, Rachel bat Luna, Chaim Shmuel ben Sara, Moshe Avraham Tzvi ben Ahuva, Avraham ben Ahuva, Miriam bat Yehudit, Alexander Baruch ben Guita, Shmuel ben Nechama Diná, Avracham Moshe ben Miriam Tobá, Guershon Arie ben Dvora, Mazal bat Miriam, Yadah ben Zarife, Shmuel Ben Chava, Mordechai ben Malka, Chaim Dov Rafael ben Esther, Menachem ben Feigue, Shmuel ben Liva, Hechiel Hershl ben Esther, Shlomo ben Chana Rivka, Natan ben Sheina Dina, Mordechai Ghershon ben Malia Rochel, Benyomin ben Perl, Ytzchok Yoel haCohen ben Rivka, Sarah Malka ben Rivka, Malka bat Toibe, Chana Miriam bat Sarah, Feigue bat Guitel, Gutel bat Slodk, Esther bat Chaia Sara, Michael ben Tzivia, Ester bat Lhuba, Brane bat Reize, Chaya Rivka Bat Miriam Reizl, Michele Chaia  bat Eny, Avraham ben Chana, Chaia Sluva bat Chaika, Esther bat Arlette, Bentzion ben Chana, Guitel bat Miriam, Chaia Feigue bat Ides, Esther bat Arlette, Rachel bat Adele, Itzhak ben Faride, Pessach ben Chani, Menusha bat Hana, Sarah bat Reizel, Yossef ben Dinah, Bentzion ben Chana, Yossef ben Mazal, Dvora bat Stera, Miriam bat Dvora Simcha, Isaac Ben Chava, Yossef Shalom ben Chaya Musha, Miriam Bat Lea, Yossef ben Simcha, Moshe ben Rachel, Ida bat Mazal Fortunée, Israel Rafael ben Sara Nesha, Amalia Mili bat Luciana, Guitel (Gretta) bat Miriam, Fiszel Czeresnia.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, .
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).