terça-feira, 15 de setembro de 2026

MENSAGEM DE SHANÁ TOVÁ 5787

Simanim PDF
MENSAGEM SHANÁ TOVÁ 5787
 
Baruch Hashem, chegamos novamente ao dia especial que antecede Rosh Hashaná. Mais um ano termina, e outro está prestes a começar. É um momento no qual naturalmente paramos por alguns instantes para olhar para trás, lembrar tudo o que vivemos e pensar no que queremos para o futuro.
 

Quando olhamos para o ano que passou, encontramos momentos de alegria e momentos de dificuldade, conquistas e decepções, momentos em que sentimos que estávamos avançando e outros em que parecia que não estávamos conseguindo sair do lugar. Mas talvez a pergunta mais importante não seja apenas “O que aconteceu comigo neste ano?”, e sim: “O que eu aprendi com tudo aquilo que aconteceu?”

 

A vida é uma grande escola. Nem todas as aulas são agradáveis, nem todas as provas são fáceis e nem sempre entendemos imediatamente por que determinadas situações precisaram acontecer. Mas cada experiência pode nos ensinar alguma coisa. Os momentos felizes nos ensinam a agradecer. As dificuldades nos ensinam a ser fortes. Os erros nos ensinam humildade. As perdas nos ensinam a valorizar. E os desafios nos obrigam a descobrir forças que muitas vezes nem sabíamos que possuíamos.

 

Por isso, quando chegamos ao final de um ano, não devemos olhar com desânimo para aquilo que não conseguimos alcançar. Precisamos olhar para o caminho que percorremos. Talvez não tenhamos chegado exatamente onde planejávamos, mas certamente não somos mais as mesmas pessoas que éramos há um ano.

 

Existe uma diferença enorme entre não ter conseguido chegar ao destino que imaginávamos e não ter avançado. Às vezes, avançamos justamente através das dificuldades. Às vezes, uma pequena mudança de comportamento representa uma grande vitória. Às vezes, uma Tefilá feita com um pouco mais de Kavaná, uma palavra de incentivo que demos a alguém, uma discussão que decidimos não iniciar ou uma Mitzvá que cumprimos apesar da falta de vontade são conquistas muito maiores do que imaginamos.

 

Rosh Hashaná nos convida a olhar para nossa vida com honestidade, mas também com esperança. Não estamos apenas encerrando um ano. Estamos recebendo uma nova oportunidade. É como alguém que termina uma viagem e abre a mala antes de partir novamente. Ele não leva tudo o que trouxe da viagem anterior. Algumas coisas continuam sendo importantes e precisam acompanhá-lo. Outras precisam ser deixadas para trás. Algumas estão quebradas e precisam ser consertadas antes de serem levadas novamente.

 

Assim também deve ser o nosso Rosh Hashaná:

 

- Há coisas que precisamos deixar para trás: mágoas antigas, ressentimentos, hábitos que sabemos que nos prejudicam, discussões desnecessárias e pensamentos negativos que nos impedem de crescer.

 

- Há coisas que precisamos consertar: relacionamentos que foram abalados, nossa maneira de falar com as pessoas, nossa Tefilá, nossa relação com D'us e nosso compromisso com as Mitzvot.

 

- E há coisas que precisamos levar conosco: os aprendizados deste ano, as conquistas, as pessoas que estiveram ao nosso lado, os momentos de Kedushá e, acima de tudo, a Emuná de que nunca estamos sozinhos.

D'us está conosco em cada etapa da caminhada. Mesmo quando não entendemos o caminho, Ele conhece o destino. Mesmo quando não conseguimos enxergar o sentido de determinada situação, Ele conhece o sentido e sabe o quanto é importante para o nosso crescimento como seres humanos. Nossa função não é sempre compreender tudo. Muitas vezes, nossa função é continuar caminhando com Emuná, mesmo quando não entendemos.

 

Talvez esta seja uma das maiores diferenças entre uma pessoa que enfrenta a vida sozinha e uma pessoa que vive com Emuná. Ambas podem passar pelas mesmas dificuldades. Ambas podem enfrentar problemas, decepções e momentos de incerteza. Mas aquele que possui Emuná sabe que existe Alguém conduzindo a história. Ele sabe que nem tudo está sob seu controle, mas que tudo está sob o controle de D'us. E essa consciência muda completamente a maneira como enfrentamos a vida.

 

Por isso, quando pedimos em Rosh Hashaná que D'us nos conceda um novo ano, não devemos pedir apenas que tudo seja fácil. Devemos pedir que tenhamos forças para enfrentar aquilo que vier, sabedoria para tomar as decisões certas, sensibilidade para perceber as oportunidades de crescimento e Emuná para reconhecer a mão de D'us em todos os momentos. 

 

E, naturalmente, devemos agradecer. Temos a tendência de perceber rapidamente aquilo que está faltando e, muitas vezes, de nos acostumarmos rapidamente com aquilo que recebemos. Algo que ontem parecia um presente extraordinário pode, depois de algum tempo, parecer simplesmente parte da nossa rotina. Rosh Hashaná é uma oportunidade de parar e olhar novamente para aquilo que temos. Nossa família. Nossos amigos. Nossa saúde. Nossa casa. Nosso sustento. Nossa capacidade de estudar, trabalhar, caminhar, enxergar, ouvir, conversar e sorrir. As pessoas que nos amam. As oportunidades que recebemos. A possibilidade de acordar todas as manhãs e tentar novamente. Nada disso deve ser tratado como algo óbvio.

 

Talvez uma das maiores formas de crescimento seja aprender a olhar para aquilo que temos com os olhos de quem acabou de receber. Quando conseguimos fazer isso, descobrimos que temos muito mais motivos para agradecer do que para reclamar.

 

E é justamente por tudo isso que desejo aproveitar esta oportunidade para agradecer também a vocês, leitores do Shabat Shalom M@il. Mais um ano passou e, Baruch Hashem, continuamos juntos semanalmente, compartilhando pensamentos, ensinamentos e histórias da nossa maravilhosa Torá. Para mim, este trabalho continua sendo muito mais do que simplesmente escrever um e-mail. É uma oportunidade de estudar, refletir, aprender e, principalmente, transmitir.

 

Muitas vezes, quando escrevemos algo, não conseguimos imaginar até onde aquela mensagem chegará. Uma ideia compartilhada pode ser lida por alguém em outro lugar, comentada em uma Seudá de Shabat, compartilhada com familiares ou utilizada para despertar uma reflexão em uma pessoa que talvez estivesse precisando justamente daquela mensagem naquele momento.

 

Recebo durante o ano mensagens de pessoas que compartilham comigo que algum ensinamento foi levado para a mesa de Shabat, para uma aula, para uma conversa familiar ou simplesmente ficou na cabeça durante a semana. Cada uma dessas mensagens me dá muita alegria e, ao mesmo tempo, um enorme senso de responsabilidade.

A Torá é tão rica, tão profunda e tão atual que sempre existe algo novo para aprendermos. E quanto mais estudamos, mais percebemos que não estamos apenas transmitindo ensinamentos aos outros. Estamos também sendo transformados por aquilo que estudamos.

 

Por isso, agradeço profundamente a cada um de vocês que acompanha, lê, comenta, incentiva, compartilha e envia sugestões. Vocês são uma parte importante da motivação para que este trabalho continue.

 

Agradeço também à minha esposa e aos meus filhos, pela compreensão, pelo carinho e por abrirem mão de momentos em família para que eu possa dedicar tempo e esforços a este projeto. 

 

Agradeço aos meus pais, por todo o amor, dedicação, educação e valores que me transmitiram e que continuam sendo uma parte fundamental de quem sou.

 

E, acima de tudo, agradeço a D'us. Agradeço por tudo aquilo que consegui compreender e também por aquilo que ainda não compreendo. Agradeço pelas alegrias e pelos desafios. Agradeço pelas oportunidades de crescer, pela possibilidade de estudar Torá e de compartilhar um pouco dela com outras pessoas. E agradeço pelo privilégio de poder chegar a mais um Rosh Hashaná com a esperança de que o próximo ano seja melhor do que o anterior.

 

Mas há ainda uma coisa importante que precisamos fazer antes de começar um novo ano: olhar para as pessoas que fazem parte da nossa vida. Rosh Hashaná não é apenas uma oportunidade de melhorar nossa relação com D'us. É também uma oportunidade de melhorar nossa relação com as pessoas. Talvez exista alguém que magoamos. Talvez exista alguém com quem deixamos de falar. Talvez uma palavra nossa tenha causado sofrimento. Talvez uma discussão tenha deixado uma ferida que o tempo não conseguiu apagar.

 

Não devemos esperar que o outro dê o primeiro passo. Às vezes, crescer significa ter a humildade de dizer: “Eu errei. Sinto muito. Quero consertar.” Que aproveitemos estes últimos momentos do ano para limpar o coração, deixar de lado pequenas disputas e reconstruir relacionamentos. Não sabemos quanto tempo teremos pela frente e não vale a pena entrar em um novo ano carregando pesos desnecessários do ano anterior.

 

Por isso, aproveito esta oportunidade para pedir perdão a qualquer pessoa que possa ter se sentido ofendida, magoada ou prejudicada por alguma mensagem que enviei, por alguma palavra que falei ou por alguma atitude que eu tenha tomado (ou deixado de tomar), mesmo que sem intenção. Se alguém tiver alguma mágoa ou reclamação comigo, peço que me procure e me permita pedir perdão pessoalmente.

 

Da mesma maneira, perdoo de coração qualquer pessoa que possa ter me causado algum sofrimento ou mágoa. Que possamos começar o novo ano com o coração mais leve e com mais espaço para a alegria, para a Torá, para a Emuná e para o amor ao próximo.

 

Que neste Rosh Hashaná saibamos olhar para o passado sem ficar presos a ele, aprender com nossos erros sem nos definir por eles e olhar para o futuro com esperança.

 

Que D'us nos conceda um ano de saúde, sustento, alegrias, Shalom, crescimento espiritual e muitas oportunidades para fazer o bem. Que tenhamos forças para transformar nossas intenções em atitudes, nossos sonhos em objetivos e nossos objetivos em conquistas. E que, quando chegarmos novamente ao final de 5787, possamos olhar para trás e sentir que não apenas vivemos mais um ano, mas que nos tornamos pessoas melhores durante esse ano.

 

Que possamos ser inscritos e selados no Livro da Vida, para uma vida de saúde, felicidade, prosperidade, Kedushá e realização. Que D'us traga Brachá a todos nós, nossas famílias e todo o Am Israel, e que possamos continuar juntos, semanalmente, neste incrível mundo dos conhecimentos da Torá.

SHANÁ TOVÁ UMETUKÁ! KETIVÁ VECHATIMÁ TOVÁ!
 
Com muito carinho,
 

R' Efraim Birbojm

efraimbirbojm@gmail.com

 






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