sexta-feira, 18 de fevereiro de 2022

A EDUCAÇÃO É A ARMA MAIS PODEROSA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KI TISSÁ 5782

Este email é dedicado à elevação da alma da minha querida e saudosa avó

Frade (Fany) bat Efraim z"l

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ASSUNTOS DA PARASHÁ KI TISSÁ
  • Instruções Para o Censo
  • O Kior (Lavatório)
  • O Óleo da Unção
  • O Incenso
  • Os Arquitetos do Mishkan (Betzalel e Achaliav)
  • O Shabat
  • O Bezerro de Ouro
  • A fúria de D'us
  • Moshé Desce e quebra as Tábuas
  • O Pedido de Moshé
  • Moshé implora pelo perdão
  • Visão Divina
  • As Segundas Tábuas
  • 13 Atributos de Misericórdia
  • Primogênitos
  • Moshé retorna com o rosto brilhando
BS"D

A EDUCAÇÃO É A ARMA MAIS PODEROSA - PARASHÁ KI TISSÁ 5782 (18/Fev/2022)

 
Um preso, que havia sido condenado à pena de morte e estava aguardando pela execução, pediu como último desejo um lápis e uma folha de papel. Após escrever por vários minutos, o condenado chamou o guarda e pediu que aquela carta fosse entregue à sua mãe. A carta dizia:
 
"Mãe, se houvesse mais justiça neste mundo, seríamos nós dois executados, e não apenas eu. Pois você é tão culpada quanto eu sou pela vida que tenho levado.
 
Você se lembra de quando roubei e levei pra casa a bicicleta de outro menino? Você me ajudou a escondê-la, para que meu pai não descobrisse.
 
Você se lembra de quando peguei o dinheiro da carteira do vizinho que eu encontrei caída na rua? Você foi comigo gastá-lo no Shopping.
 
Você se lembra de quando você discutiu com meu pai por minha causa, o que acabou causando com que ele fosse embora de casa? Ele só queria me repreender por eu ter roubado o gabarito das provas finais do curso que eu estava fazendo, do qual eu acabei sendo expulso.
 
Mãe, naquela época eu era só uma criança, mas pouco tempo depois eu me tornei um adolescente problemático e agora sou um homem bastante mal formado. Eu era apenas uma criança, e tudo o que eu precisava era de correção, e não de aprovação pelos meus erros!
 
Mas, mesmo assim, eu te perdoo. Só te peço que faça essa carta chegar ao maior número de pais do mundo, para que eles saibam que o que faz os homens se tornarem pessoas do bem é a educação.
 
Obrigado, mãe, por ter me dado a vida. Vida que agora estou prestes a perder por não ter aprendido a vive-la.
 
Assinado: O seu filho delinquente"
 
Quem se nega a castigar seu filho não o ama, como ensina Shlomo Hamelech: "Aquele que economiza na vara da disciplina odeia seu filho" (Mishlei 13:24). A educação é a arma mais poderosa que podemos usar para mudar o mundo. Educação começa nos primeiros anos da infância e vai até o último dia de vida. Eduque enquanto ainda é uma criança, para que não seja necessário punir quando for adulto.

Nesta semana lemos a Parashá Ki Tissá (Literalmente "Quando você contar"), que começa falando sobre uma das diversas contagens do povo judeu no deserto. Além disso, na continuação, a Parashá descreve a terrível transgressão do bezerro de ouro, um dos erros mais graves cometidos pelo povo judeu em toda a sua história. E estes dois assuntos estão conectados entre si, apesar de a ordem estar invertida, já que não existe "antes e depois" na Torá, isto é, a Torá não foi escrita necessariamente na ordem cronológica dos acontecimentos. O erro do bezerro de ouro causou muitas mortes dentro do povo judeu, sendo algumas através da espada, outras através de uma epidemia e outras através do "teste" de beber água como o pó de ouro do bezerro. Logo depois D'us ordenou a contagem do povo, como um pastor que conta suas ovelhas após o ataque de um lobo para saber quantas sobreviveram.
 
O erro do bezerro de ouro, que causou tantas mortes e uma mancha espiritual difícil de ser apagada, é algo complexo de ser entendido. O povo havia acabado de ter uma incrível revelação. D'us havia pessoalmente falado com eles quando estavam sob o Monte Sinai, a primeira e última vez na história da humanidade. É difícil até mesmo imaginar a incrível espiritualidade daquele momento. Porém, quarenta dias depois, este mesmo povo fez um bezerro de ouro, algo que deixou D'us tão furioso a ponto de querer "apagar" o povo judeu e criar um novo povo a partir de Moshé. Somente através de muitas Tefilót e súplicas de Moshé o decreto de D'us pôde ser revogado. Como um povo, que havia acabado de passar por uma experiência tão transcendental, pôde cair tanto? Qual foi a fonte deste erro?
 
O povo judeu errou na conta da data na qual Moshé desceria do Monte Sinai. O Yetser Hará tentou desviar os judeus através de argumentos confusos, mas eles estavam tão elevados que os argumentos não funcionaram. Então a arma utilizada pelo Yetser Hará foi projetar no céu a visão do corpo de Moshé flutuando, falecido. O desespero tomou conta de todos. Uma das provas do tamanho do desespero do povo foi o assassinato de Hur, filho de Miriam, que tinha sido apontado por Moshé como líder do povo, junto com Aharon, enquanto ele estivesse no Monte Sinai. Tudo o que Hur fez foi tentar impedir o povo de construir o bezerro de ouro, mas o povo estava tão obstinado e desesperado que acharam correto matar Hur, já que ele tentava impedir a "solução" do problema.
 
Ninguém esperava a morte de Moshé bem no auge da revelação da entrega da Torá. Mesmo Aharon ficou perdido sobre qual atitude tomar. Ele fez o que pôde para impedir a construção do bezerro de ouro e tentou ganhar tempo, pois sabia que, caso se levantasse contra o povo, seria assassinado como Hur, e certamente o pecado do povo se tornaria ainda mais grave, diminuindo as chances de salvação.
 
Testes na vida são inevitáveis, e tentamos superá-los da melhor maneira possível. Porém, o que fazer quando nos deparamos com uma dificuldade nova e inesperada, diante da qual não temos ideia do que fazer? E se, para piorar, estivéssemos sozinhos, sem ninguém com quem nos aconselhar? Com relação ao pecado do bezerro de ouro, tanto o povo judeu quanto Aharon HaCohen tiveram que decidir sozinhos o que fazer em relação ao suposto falecimento de Moshé. Recorrer ao bezerro de ouro como solução diante de uma situação inesperada mostrou o absurdo das circunstâncias e a fragilidade das convicções espirituais do povo. Após terem presenciados todos os milagres no Egito e a abertura do mar, não era essa a reação esperada, a de construir um bezerro de ouro!
 
Nossos sábios explicam que, na verdade, a intenção não era praticar idolatria, e sim procurar um intermediário entre eles e D'us, assim como estavam acostumados com Moshé intermediando o tempo todo. A revelação no Monte Sinai havia sido tão intensa que o povo judeu não conseguiu suportar a espiritualidade do momento, sendo que suas almas começaram a se desconectar dos seus corpos. Portanto, eles realmente não se sentiam aptos a terem um relacionamento direto com D'us.
 
O grande erro do povo foi não ter entendido que, após a entrega da Torá, não haveria mais absolutamente a necessidade de intermediários, tudo se trataria diretamente com D'us. A existência de intermediários, inclusive, seria considerada uma forma de idolatria, já que cada judeu teria a força, através do cumprimento das Mitzvót, de se elevar e se conectar diretamente com D'us.
 
Além disso, quando estamos acostumados com uma rotina, nos sentimos protegidos em nossa "zona de conforto". Porém, quando saímos da normalidade, perdemos o controle da situação. Faltou um pouco de "maturidade espiritual" ao povo judeu. Eles ainda não estavam preparados para tomar decisões sozinhos, precisavam de alguém fiscalizando a todo o momento para que tomassem a decisão correta.
 
Esta Parashá traz, portanto, dois importantes ensinamentos para nossas vidas. Em primeiro lugar, da mesma forma que um piloto de avião deve estar preparado para qualquer situação de emergência, pois desta maneira saberá reagir de forma rápida e acertada quando um imprevisto surgir, assim também devemos manter o nosso controle. Não podemos abandonar a cabine na primeira turbulência que aparecer. Precisamos sempre avaliar as situações nas quais nos encontramos, refletir sobre prováveis dificuldades que enfrentaremos e imaginar possíveis surpresas. Como em um jogo de xadrez, vence aquele que consegue pensar nas futuras jogadas, que consegue mentalizar o máximo número de possibilidades de movimentação das peças, tanto nossas quanto do nosso adversário. Na vida, nosso adversário é o Yetser Hará, e precisamos sempre imaginar as formas e artimanhas que ele utilizará para nos derrubar, para já estarmos preparados.
 
Outro ensinamento extremamente importante é em relação à educação dos nossos filhos. Devemos educá-los a terem certa autonomia, de forma que, mesmo quando não houver ninguém por perto fiscalizando, eles estarão prontos a fazer a coisa certa. Precisamos incentivá-los em sua "independência espiritual", ajudá-los a tomar decisões corretas sozinhos, mesmo quando surgirem condições adversas. O que é considerado ter sucesso na educação dos filhos? Garantir que eles estejam bem mesmo quando não estamos olhando. Pode parecer algo pequeno, mas será que nossos filhos escovariam os dentes todos os dias se não cobrássemos? Se dermos todo o suporte necessário aos nossos filhos, como conhecimento, responsabilidade e autoestima, teremos cumprido a nossa difícil missão de educá-los.

 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

BRILHANDO COMO AZEITE PURO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ TETSAVÊ 5782

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ASSUNTOS DA PARASHÁ TETSAVÊ
  • Óleo para Menorá.
  • As 8 Vestes do Cohen Gadol:
    1) Efod ("Avental") e os Engastes.
    2) Choshen Mishpat ("Peitoral").
    3) Meil ("Manto").
    4) Tsits ("Tiara", Placa para a cabeça).
    5) Avnet ("Cinto").
    6) Ktonet ("Túnica").
    7) Mitsnefet ("Turbante").
    8) Michnassaim ("Calças").
  • As 4 Vestes dos Cohanim simples.
    1) Ktonet ("Túnica").
    2) Avnet ("Cinto").
    3) Migbaat ("Turbante").
    4) Michnassaim ("Calças").
  • Consagração dos Cohanim.
  • Consagração do Altar.
  • Korban Tamid.
  • Mizbeach (Altar) de Incenso.
BS"D

BRILHANDO COMO AZEITE PURO - PARASHÁ TETSAVÊ 5782 (04/fevereiro/2022)

 
"Uma mulher certa vez procurou desesperada o Rav David HaLevi Segal zt"l (Polônia, 1586 - 1667), mais conhecido como "Taz" (iniciais de "Turei Zahav"). Ele era um comentarista do Shulchan Aruch e uma grande autoridade rabínica da Polônia. A mulher estava chorando amargamente, pois seu único filho estava muito doente, à beira da morte. Os médicos já haviam perdido qualquer esperança de sobrevivência da criança. Desesperada, ela veio ao Taz para pedir ajuda. O Taz, muito sensibilizado com a dor daquela mulher, sugeriu que ela rezasse com muito fervor para que D'us ajudasse na recuperação do seu filho. Mas a mulher, ao escutar as palavras do Taz, balançou a cabeça e disse:
 
- Rabino, já rezei muito pelo meu filho, e outras pessoas também estão rezando por ele, mas não está adiantando. Será que você não pode também oferecer suas Tefilót em prol da recuperação do meu filho?
 
O choro desesperado daquela mulher despertou a compaixão no coração do Taz. Ele ficou em silêncio, meditando por algum tempo. De repente, ele levantou a cabeça e disse:
 
- Durante duas semanas estive "quebrando a cabeça" para descobrir a resposta para uma pergunta complexa da Torá. Foram semanas de muito esforço, até mesmo sofrimento. Peço a D'us que o mérito deste meu sofrimento no estudo da Torá sirva como uma Brachá para que seu filho doente possa se curar.
 
A Tefilá do Taz foi aceita por D'us e milagrosamente a criança começou a melhorar, até que se recuperou completamente. Tudo graças à "luz" trazida ao mundo pelo estudo da Torá."
 
O Midrash nos ensina que, assim como o fogo desceu do céu, também a Torá nos foi entregue do céu. E assim como o fogo permite a vida no mundo, assim também as palavras da Torá nos sustentam e nos dão vida, tanto neste mundo quanto no Mundo Vindouro.

Nesta semana lemos a Parashá Tetzavê (literalmente "Ordene"), que traz dois assuntos principais: a preparação do azeite que seria utilizado para o acendimento diário da Menorá e a descrição das roupas esplendorosas que o Cohen Gadol utilizava em seu Serviço no Beit Hamikdash, como o "Choshen", um peitoral feito com lã, ouro e pedras preciosas, o "Tsits", uma tiara de ouro que continha o nome de D'us, e o "Meil", uma túnica de lã azul celeste com pequenos sinos de ouro e romãs de lã colorida.
 
Assim começa a nossa Parashá: "Você (Moshé) deve ordenar a Israel que lhe tragam azeite de oliva puro, prensado à mão, para iluminação, para acender a Menorá constantemente" (Shemot 27:20). Daquele dia em diante, a Menorá de sete braços colocada no Mishkan se tornaria um símbolo para o povo judeu.
 
Mas este utensílio do Mishkan, a Menorá, desperta alguns questionamentos. Em primeiro lugar, se a Menorá era um elemento essencial dentro do Mishkan, e deveria ser continuamente acesa, certamente sua existência deve carregar uma forte mensagem para as futuras gerações. Qual é esta mensagem? Além disso, sabemos que existem muitos tipos de combustível que podem ser utilizados para acender um fogo. Por que a D'us escolheu justamente o azeite de oliva? E, finalmente, por que o azeite da Menorá precisava ser tão puro, enquanto o azeite utilizado em outros serviços não tinha esta rigorosidade?
 
Explica o Rav Noach Weinberg zt"l (EUA, 1930 - Israel, 2009) que as características do azeite trazem vários ensinamentos para as nossas vidas. Em primeiro lugar, a Torá comandou que as azeitonas fossem esmagadas manualmente, para que delas fosse extraído um líquido puro que poderia ser utilizado como combustível. Similarmente, a essência do povo judeu é pura. Porém, há um Yetser Hará, nosso mau instinto, que nos envolve como uma casca e nos impede de servirmos D'us da maneira correta. Uma vez que esta casca exterior é removida, através da pressão externa, a nossa verdadeira natureza espiritual de Kedushá volta a brilhar. Fomos expulsos de praticamente todos os países da Europa. Fomos perseguidos, torturados e massacrados durante toda a nossa história. Mesmo em nossa casa, a terra de Israel, somos atacados de forma covarde, com atentados terroristas e ataques com misseis apontados para alvos civis. Porém, são justamente todas estas dificuldades que nos trazem de volta aos caminhos de espiritualidade. O povo judeu purifica seus corações e retornam a D'us.
 
Além disso, o azeite, quando colocado junto com outros líquidos, como a água, não se mistura nem desaparece, mas mantém sua essência. Isto é algo muito simbólico do povo judeu. Podemos estar dispersos, espalhados nos quatro cantos do mundo, mas continuamos sendo um povo único e especial. Mesmo quando estamos imersos em uma cultura estrangeira, conservamos nossas qualidades essenciais, às vezes apenas em pequenos detalhes, mas sempre perceptíveis. É o que ocorreu na própria formação do povo judeu no exílio egípcio, quando, apesar da assimilação, mantivemos nossos nomes, nossa língua e nossas vestimentas.
 
Há também outro detalhe do azeite que traz consigo um precioso ensinamento para nossas vidas. Para o azeite utilizado na Menorá, apenas a primeira gota poderia ser utilizada. A extração desta gota, um azeite extra virgem, era feita através de um pilão manual. Depois disso, a azeitona era colocada em uma grande prensa e o restante do seu azeite era extraído. Este segundo azeite já não poderia mais ser utilizado para o acendimento da Menorá, mas poderia ser utilizado em outros Serviços do Mishkan, como o Korban de Minchá, que consistia em uma oferenda de farinha e azeite. O que isto nos ensina?
 
Normalmente um judeu que cumpre as Mitzvót da Torá é extremamente cuidadoso para que sua família consuma apenas alimentos que são Kasher e procura os melhores "Hechsherim" (certificados de Kashrut). Porém, esta mesma pessoa acaba não se preocupando tanto se a "comida para o intelecto" que entra em sua casa, através das mídias, computadores e celulares, também é Kasher. É isso o que a Torá está nos ensinando, pois a Menorá, que representa o nosso intelecto, só pode ser alimentada com o azeite mais puro e refinado, sendo muito superior ao azeite usado no Korban de Minchá. Portanto, devemos filtrar todas as informações que entram em nossas casas, principalmente as que são acessadas pelos nossos filhos, para que possamos garantir que, quando eles crescerem, possam ter a pureza e o brilho da Menorá.
 
Há um último ensinamento interessante relacionado à luz da Menorá. Diz Shlomo Hamelech, o mais sábio de todos os homens: "Ner Mitzvá VeTorá Or" (A Mitzvá é uma vela e a Torá é luz) (Mishlei 6:23). Mas o que significa esta comparação, que a Mitzvá é como uma vela, mas que a Torá é como uma luz?
 
Muitas vezes, quando temos a oportunidade de cumprir uma Mitzvá, nos veem à cabeça todas as razões pelas quais seria difícil cumpri-la: o tempo envolvido, os custos, a falta de vontade de se esforçar, entre outras. Mas Shlomo Hamelech está nos dizendo que a oportunidade de fazer uma Mitzvá é como a chama de uma vela. Pode-se usá-la para acender uma vela após a outra, e mesmo assim a chama original permanece intacta, sem perder nada. Da mesma maneira, nunca perdemos nada cumprindo uma Mitzvá, e seus méritos ficam guardados para sempre. Quando nos esforçamos para fazer um ato de bondade e doamos um pouco de nós mesmos, D'us não coloca obstáculos em nosso caminho. Ele nos guia para que um bom ato possa nos levar a outro bom ato, como ensinam nossos sábios: "Uma Mitzvá traz outra Mitzvá" (Pirkei Avót 4:2).
 
A sabedoria da nossa Torá é o guia de moralidade que nos foi ordenado ensinar ao mundo todo, como disse o profeta "E as nações caminharão sob a tua luz" (Yeshayahu 60:3). Como uma luz, a Torá ilumina o caminho certo para o povo judeu. Sem ela, nossas vidas permanecem obscurecidas. No entanto, não é suficiente nos iluminarmos com a luz da Torá apenas em nossas próprias casas. Temos a importante missão, que herdamos de Avraham Avinu, de espalhar a luz da Torá para todos os lugares. Quando ajudamos os outros, dedicando nosso tempo e nosso esforço, não perdemos nada, pois a luz da Torá nunca diminui, não importa quantas pessoas se beneficiem dela.
 
Ensina o Talmud (Sotá 21a) que da mesma forma que uma vela não protege uma pessoa com sua luz de forma permanente, mas apenas temporariamente, somente enquanto a vela está acesa em sua mão, também uma Mitzvá protege espiritualmente uma pessoa apenas temporariamente, ou seja, enquanto a pessoa está cumprindo a Mitzvá. Mas a Torá é comparada como uma luz, isto é, sua proteção é permanente e constante, mesmo quando a pessoa não está estudando.
 
A Menorá é nosso símbolo como um povo e um sinal da nossa missão. Enquanto nós, como o azeite, mantivermos nossas qualidades especiais, sem nos assimilarmos, teremos a capacidade de cumprir as Mitzvót e seremos uma luz para as nações, conforme D'us nos ordenou: "para acender a Menorá constantemente". É o nosso desafio diário. Em uma época de tanta escuridão espiritual, com a Torá podemos ser uma grande luz na vida das pessoas à nossa volta.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

D’US ESTÁ ENTRE NÓS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ TERUMÁ 5782

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ASSUNTOS DA PARASHÁ TERUMÁ
  • Doações para a construção do Mishkan.
  • Aron Hakodesh e a Kaporet.
  • Shulchan.
  • Menorá.
  • 3 coberturas do Ohel Moed.
  • Tábuas (estrutura do Ohel Moed).
  • Parochet e Tela de entrada.
  • Mizbeach.
  • Pátio.
BS"D

D'US ESTÁ ENTRE NÓS - PARASHÁ TERUMÁ 5782 (04/fevereiro/2022)

 
Adriano, o imperador de Roma, costumava discutir diversos assuntos com o Rabi Yehoshua ben Chanania, um dos grandes sábios do Talmud. Uma vez ele lhe perguntou:
 
- Diga-me, rabino, existe um Senhor do Universo, alguém que o governe o mundo todo?
 
- Óbvio! - respondeu Rabi Yehoshua - Por acaso o mundo é algo sem um Dono? Você acha possível que tudo seja regido pelo acaso?
 
- E quem criou os céus e a terra? - continuou perguntando Adriano, não se contentando com a resposta.
 
- Hashem! - respondeu mais uma vez Rabi Yehoshua - Está escrito na Torá, na Parashá Bereshit.
 
Na realidade, o imperador já sabia as respostas de Rabi Yehoshua. Ele estava apenas tentando "vencer" uma discussão com o sábio judeu. Ele continuou a perguntar com esperteza:
 
- Se isso é verdade, então por que então Ele não aparece, para que todos O vejam e O temam?
 
- Isso é impossível - respondeu Rabi Yehoshua - as criaturas não conseguiriam suportar a luz e o esplendor da Presença Divina!
 
Adriano estava aguardando exatamente esta resposta, e ficou confiante da sua vitória.
 
- Eu não acredito em você - disse o imperador - Eu, Adriano, o imperador de Roma, quero vê-Lo!
 
- Você não vai poder vê-lo, imperador! - respondeu calmamente o Rabi Yehoshua, sem se abater.
 
Adriano começou a insistir que queria ver D'us, e afirmou que caso isso não acontecesse, seria um sinal de que tudo o que o Rabi Yehoshua havia dito não era verdade. Novamente sem se abalar, Rabi Yehoshua pediu para que o imperador aguardasse até o dia seguinte. O imperador ficou desconcertado, não estava esperando uma resposta do Rabi Yehoshua. Ele aceitou, mas ficou muito curioso. Já de manhã bem cedo ele estava impaciente, esperando o Rabi Yehoshua chegar e lhe mostrar D'us. Finalmente, ao meio-dia, Rabi Yehoshua chegou ao palácio. Era o auge do verão e o calor estava intenso. Rabi Yehoshua pediu a Adriano que o acompanhasse para fora do palácio e, apontando para o sol, disse:
 
- Olhe diretamente para o sol e você verá D'us.
 
- Isso é impossível! - respondeu Adriano, indignado - Quem é que pode olhar diretamente para o sol?
 
- É impossível? Você não pode fazer isso? - perguntou Rabi Yehoshua, com um enorme sorriso no rosto - Que seus ouvidos escutem o que sua boca está falando! O sol é apenas uma das centenas de milhares de criações de D'us, e ninguém consegue olhar diretamente para ele. E você quer olhar Hashem, o Todo-Poderoso, o Criador de todo o universo?
 
Resignado, o imperador teve que concordar com as sábias palavras do Rabi Yehoshua ben Chanania.

Nesta semana lemos a Parashá Terumá (literalmente "Porção"), que descreve o comando de D'us para a construção do Mishkan, o Templo Móvel, com todos os seus mínimos detalhes. Além da estrutura, que era composta por um pátio cercado por cortinas de linho e uma construção central, feita de tábuas de madeira revestidas de ouro e coberta com várias camadas de cortinas de lã, linho e couro, a Parashá também descreve os detalhes dos utensílios que ficavam dentro do Mishkan e eram utilizados no Serviço a D'us, como o Aron Hakodesh, a Menorá, a Shulchan e o Mizbeach, também feitos com metais nobres e os mais finos acabamentos.
 
Os judeus, após terem sido libertados da escravidão do Egito, haviam se tornado uma nação. Durante a estadia do povo judeu no deserto, em sua preparação para a entrada na Terra de Israel, Moshé foi ordenado a construir o Mishkan, um Templo temporário e portátil, que podia ser montado e desmontado, e que acompanharia o povo judeu durante suas viagens. Algum tempo após a entrada do povo judeu na Terra de Israel, o Mishkan foi substituído definitivamente pelo Beit Hamikdash de Jerusalém.
 
Mas este conceito central da Parashá, a construção do Mishkan, desperta um grande questionamento: afinal, por que era necessário a construção do Mishkan? Se a Presença Divina permeia cada partícula do espaço no universo, por que D'us comandou ao povo judeu que construísse para Ele uma "moradia" limitada?
 
Além disso, a linguagem utilizada pela Torá parece incomum: "E que eles façam para Mim um Santuário, e neles habitarei" (Shemot 25:8). Esperaríamos que o versículo terminasse com as palavras "e nele habitarei", isto é, se referindo ao Santuário que D'us ordenou que construíssem. Então por que está escrito "e neles habitarei", no plural?
 
Os nossos sábios trazem diferentes respostas para estes questionamentos. O Midrash ensina que, na realidade, o comando para a construção do Mishkan não segue a ordem cronológica dos eventos. A Torá primeiro descreve o Mishkan e as roupas do Cohen Gadol, nas Parashiót Terumá e Tetzavê, e somente depois descreve a terrível transgressão do Bezerro de Ouro, na Parashá Ki Tissá. Porém, na realidade, foi o inverso que ocorreu, isto é, primeiro o povo judeu fez o Bezerro de Ouro e somente depois D'us ordenou a construção do Mishkan. A inversão na descrição dos acontecimentos ensina que D'us prepara o antídoto antes mesmo de a doença surgir.
 
Mas qual é a conexão entre a transgressão do Bezerro de Ouro e a construção do Mishkan? O Midrash explica que quando o povo judeu fez o Bezerro de Ouro, um dos piores erros cometidos em toda a nossa história, a Presença Divina se afastou do povo. D'us quis destruir o povo judeu e recomeçar, através de Moshé, um novo povo. Moshé implorou para que D'us perdoasse o povo judeu, até que finalmente conseguiu despertar a Misericórdia Divina. Porém, ainda assim Moshé não estava satisfeito. Ele questionou: "D'us, como será demonstrado para as nações do mundo que Você realmente perdoou o povo judeu?". D'us então ordenou que Moshé construísse o Mishkan e disse: "No Mishkan o povo judeu oferecerá os Korbanót e Eu os aceitarei. Será uma demonstração pública do Meu amor renovado pelo povo judeu". Através do Mishkan, a Presença Divina, que tinha se afastado, voltou a repousar entre nós.
 
Porém, quando Moshé escutou que D'us, cuja Glória preenche o céu e a terra, pretendia "morar" em uma residência tão "humilde", construída por seres humanos, ele se assustou. Mas D'us o tranquilizou, dizendo: "Não preciso nem mesmo do Mishkan inteiro. Habitarei no espaço entre as barras do Aron Hakodesh". D'us, em Seu grande amor pelo povo judeu, restringiu Sua morada ao pequeno Mishkan, como um pai que aceita viver em uma casa pequena apenas para poder estar perto de seus filhos amados.
 
Já o livro "Lilmod Ulelamed" traz outra resposta para o nosso questionamento. O ser humano pode acreditar que a Presença de D'us existe em todos os lugares, mas é difícil para o intelecto humano conceber prontamente esse conceito tão abstrato. Os sentidos humanos são muito limitados para compreender plenamente a Onipresença de D'us. Portanto, em um gesto de amor com os seres humanos, D'us escolheu um local específico e concreto para repousar a Sua Presença, algo que os seres humanos poderiam prontamente ver e aceitar. Este local foi o Mishkan, e futuramente o nosso Beit Hamikdash.
 
Porém, esta belíssima explicação ainda desperta um enorme questionamento. Infelizmente, não tivemos o mérito de viver com a presença do Beit Hamikdash e sua influência espiritual nos últimos dezenove séculos. Isso significa que não podemos atualmente experimentar esta proximidade da Presença Divina. Então, de que adiantou D'us ter vindo "habitar" no mundo junto conosco, se já não podemos mais sentir Sua presença?
 
A resposta é que a Presença de D'us não é reservada apenas ao Beit Hamikdash. Cada lar judaico (Bait Yehudi), cada sinagoga (Beit Haknesset) e cada Centro de estudo de Torá (Beit Midrash), onde existem manifestações do cumprimento do judaísmo, através de Tefilót, do estudo da Torá e do cumprimento das Mitzvót, pode se tornar um local onde se concentra santidade. Para que a Presença Divina possa pairar de forma que possamos senti-La, cada lar judaico, sinagoga e Centro de estudos devem ser dignos dessa santidade. 
 
É por essa razão que a Torá usa o plural ao declarar "e neles habitarei", para nos recordar que a moradia de D'us não é apenas no Mishkan ou no Beit Hamikdash, mas que D'us habitará no meio de todos nós se formos merecedores deste privilégio. A isso se refere as palavras do versículo: "Que grade nação tem um D'us tão perto de si, como Hashem, nosso D'us, em todos os momentos que nós O invocamos?" (Devarim 4:7). D'us não está apenas no Mishkan, D'us está no coração de cada um de nós, quando nós O procuramos de verdade. Com as Mitzvót e o estudo da Torá podemos transformar nossas casas e sinagogas em um verdadeiro Mishkan.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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