quarta-feira, 5 de abril de 2017

IDENTIDADE JUDAICA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ TZAV E PESSACH 5777 

BS"D
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
VÍDEO PARASHÁ
VÍDEO PARASHÁ
VÍDEO PESSACH
VÍDEO PESSACH
Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.

IDENTIDADE JUDAICA - PARASHÁ TZAV E PESSACH 5777 (07 de março de 2017)

"O Rav Shmuel Grinblat (nome fictício) viajou de Jerusalém para a Itália com o intuito de arrecadar fundos para as suas instituições de caridade. Lá ele conheceu o Sr. Mandelbaum (nome fictício), um dos milionários mais generosos da comunidade, que o recebeu muito bem e o convidou a conhecer sua casa. Mas não era uma simples casa, era uma incrível mansão, certamente a mais bonita que o Rav Shmuel já havia visto em sua vida. Enquanto contemplava a riqueza e o luxo daquela mansão, algo chamou sua atenção. Em uma das prateleiras, junto com outros enfeites, havia uma garrafa de vidro quebrada, velha e suja de óleo. O Sr. Mandelbaum, percebendo a surpresa do seu convidado, disse:
 
- Eu sei que você está estranhando ver cacos de vidro sujos expostos na prateleira. Certamente não é um enfeite encontrado em qualquer casa. Mas fique sabendo que tudo o que eu tenho hoje em dia eu devo a estes cacos de vidro...

Então o Sr. Mandelbaum começou a relatar ao rabino sua fascinante história:
 
- Eu vim de uma família religiosa. Desde criança estudei em uma escola judaica na Holanda. Meu avô era um grande comerciante aqui na Itália e, como eu era o mais velho dos netos, ele me pediu para que eu viajasse à Itália para ajudá-lo com sua loja. Ele já estava velhinho e estava muito pesado para tomar conta dos negócios sozinho. Ao chegar aqui na Itália, ainda muito jovem, eu descobri que tinha um tino comercial e rapidamente me tornei um vendedor bem sucedido. Pouco depois meu avô faleceu, deixando-me como o único responsável por todo o negócio. Porém, conforme eu crescia nos negócios, pouco a pouco ia me afastando do judaísmo. Parei de rezar, fui abandonando as Mitzvót e no final acabei me assimilando completamente.

- Muitos anos depois, já casado e com filhos, estava caminhando na rua quando vi algumas crianças judias brincando - continuou o Sr. Mandelbaum, visivelmente emocionado - Uma das crianças chorava sem parar e gritava: "O que eu vou dizer ao meu pai? O que eu vou explicar para ele?".  Me aproximei e perguntei o que havia acontecido. O garoto apontou para uma garrafa de óleo toda quebrada e uma poça de óleo escorrendo pelo chão da rua. Ele me explicou, chorando muito, que seu pai havia passado meses economizando dinheiro para comprar óleo para acender as velas de Chánuca. Ele havia pedido ao filho para que fosse ao mercado comprar uma garrafa de óleo. No caminho de volta, a criança havia parado para brincar com seus amigos e acabou deixando a garrafa quebrar, derramando todo o precioso óleo. Agora ele estava desesperado de pensar em como contaria ao pai. Ao ouvir o que havia acontecido, fui até a loja e lhe comprei uma garrafa nova. O menino ficou muito feliz e eu também, pois depois de tantos anos senti que havia feito uma grande Mitzvá. No entanto, a frase daquele menino ficou gravada na minha memória: "O que vou dizer ao meu pai?". Naquele dia, voltando para casa, eu comecei a perguntar a mim mesmo: "Quando chegar a minha hora, o que vou dizer ao meu Pai Celestial? Como vou acertar as minhas contas?". Então, voltei ao local em que havia encontrado o garoto e recolhi os cacos da garrafa quebrada. Naquela noite eu fiz algo que há muitos anos não tinha feito: acendi uma vela de Chanucá. Senti que aquela vela que brilhava também acendia dentro de mim a minha alma, que estava há tantos anos apagada. Desde então voltei a respeitar o Shabat, a dar Tzedaká (caridade) aos necessitados e a cumprir outras Mitzvót, o que faz me sentir mais íntegro e a ter ainda mais sucesso em todos meus negócios.
 
Com os olhos cheios de lágrimas, o Sr. Mandelbaum olhou para o Rav Shmuel e disse:
 
- Agora você entende por que esta garrafa de óleo que eu guardo, a mesma garrafa quebrada do menino, é tão especial para mim?" (História Real).

Nesta semana lemos a Parashá Tzav (literalmente "Ordene"), que continua descrevendo alguns dos Korbanót (sacrifícios) oferecidos no Mishkan (Templo Móvel). Entre os diversos Korbanót, um dos que mais nos chama a atenção é o "Korban Todá", oferecido em agradecimento a D'us por alguma salvação. E isto conecta a nossa Parashá com a próxima parada do nosso calendário judaico, a festa de Pessach, que começamos a reviver na próxima 2ª feira de noite (10 de abril). Pessach também é conhecida como "Zman Cheruteinu" (Época da nossa liberdade), pois é um momento do ano no qual nós recordamos e agradecemos nossa libertação da terrível escravidão egípcia, que ocorreu envolvendo incríveis milagres, entre eles as dez pragas, que destruíram completamente o Egito e quebraram o espírito obstinado e arrogante do Faraó.
 
O nome "Pessach" vem do versículo "E (D'us) verá o sangue sobre a verga e sobre os dois batentes, e D'us saltará ("Passach") a entrada e Ele não permitirá o destruidor entrar em sua casa para destruir vocês" (Shemot 12:23). O verbo "Passach" pode ser entendido como "saltar" ou como "terá misericórdia". O sangue ao qual o versículo se refere é o sangue do "Korban Pessach", o cordeiro que foi sacrificado sob o comando de D'us antes da saída do Egito. Além de fazer o sacrifício, o povo judeu também recebeu o comando de utilizar o sangue do Korban para pintar os batentes das suas portas antes da vinda da última praga, a "Morte dos Primogênitos". Deste versículo aprendemos que a exigência de pintar as portas das casas com o sangue do Korban Pessach era uma proteção para a casa dos judeus, para que D'us tivesse misericórdia deles, implicando que todo aquele que não pintasse suas portas com o sangue também teria sua casa atingida pela fúria de D'us despejada contra os egípcios.

Há algo que nos chama a atenção quando a Torá lista todos aqueles que foram atingidos pela última praga: "Aconteceu à meia-noite, e D'us golpeou todo primogênito na terra do Egito, desde o primogênito do Faraó, que se senta no seu trono, até o primogênito do cativo que está na prisão" (Shemot 12:29). Rashi (França, 1040 - 1105), diz que "cativo" trata-se de um estrangeiro que foi levado como prisioneiro ao Egito. Mas Rashi se incomoda com o fato do estrangeiro que está na prisão também ter sido atingido pela praga, já que ela era direcionada apenas aos egípcios, por todo mal que eles fizeram ao povo judeu. Rashi então explica que o motivo pelo qual o prisioneiro estrangeiro também foi atingido pela praga é que, caso ele saísse ileso, imediatamente creditaria aos seus próprios deuses a punição que recaiu sobre os egípcios, como se seus deuses estivessem mandando aquela praga como punição aos egípcios pela vergonha causada a ele.
 
De acordo com esta explicação de Rashi, o estrangeiro somente seria afetado pela praga para não atribuí-la aos seus deuses. Mas, se isto é verdade, então por que foi exigido dos judeus que eles fizessem um sinal em suas portas para que fossem protegidos do castigo? Se era uma punição voltada apenas aos egípcios e a única exceção foram os cativos idólatras, que poderiam atribuir sua salvação aos seus deuses, então por que os judeus não estavam automaticamente excluídos da última praga? Por que o versículo nos transmite o conceito de que pintar as portas com sangue era uma condição necessária para a salvação do povo judeu?
 
Outra pergunta surge quando refletimos sobre uma história trazida pelo Talmud (Sanhedrin 91a). Quando Alexandre Magno conquistou o Oriente Médio, ele criou um "Tribunal Internacional" para julgar as queixas trazidas pelas diferentes nações que se sentiam injustiçadas por atos feitos por outras nações. Uma das reclamações apresentadas no Tribunal foi dos egípcios contra os judeus. Os egípcios exigiam que todo o dinheiro e objetos de valor que o povo judeu havia levado embora do Egito durante a sua saída fossem devolvidos aos seus devidos donos. Um rabino chamado Gaviha ben Pessissa encabeçou a defesa do povo judeu. Ele contra-argumentou a acusação egípcia apresentando um cálculo que levava em consideração as milhares e milhares de horas que os judeus haviam trabalhado no Egito, demonstrando matematicamente que eram os egípcios que deviam dinheiro aos judeus. Diante deste fato, a reivindicação dos egípcios foi derrubada e eles fugiram envergonhados. Porém, desde quando um escravo tem direito de exigir uma compensação monetária do seu dono pelo trabalho executado? Se os judeus eram apenas escravos do Faraó, como o argumento do Rav Gaviha foi aceito no Tribunal de Alexandre Magno?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que a resposta está em uma lei trazida pelo Rambam (Espanha, 1135 - Egito, 1204), de que um rei tem a autoridade de alistar, mesmo à força, súditos para que façam trabalhos pessoais para ele. Porém, isto não é um trabalho escravo e, por isso, o rei tem a obrigação de dar uma compensação financeira a estes indivíduos alistados. Portanto, o Rav Gaviha estava argumentando que os judeus haviam trabalhado como súditos egípcios alistados de forma forçada para executar os serviços do Faraó e, por isso, tinham o direito de exigir uma compensação monetária.
 
Do entendimento desta história aprendemos algo impressionante. Antes da salvação do povo judeu do Egito, percebemos que eles não se sentiam como um povo estrangeiro escravizado, e sim como súditos egípcios alistados à força pelo rei. Este conceito é reforçado pelo ensinamento dos nossos sábios de que apenas 20 por cento do povo judeu saiu do Egito. Os 80 por cento remanescentes se recusaram a abandonar sua "pátria mãe". Eles morreram durante a praga da Escuridão para evitar que os egípcios pudessem testemunhar suas mortes. Isto significa que, durante a época em que os judeus viveram no Egito, grande parte do povo havia perdido completamente sua identidade judaica e considerava-se egípcio.
 
O Korban Pessach foi a maneira através da qual a identidade do povo judeu foi novamente moldada. O cordeiro era uma das maiores idolatrias egípcias e, portanto, o comando de sacrificá-lo e pintar os batentes com o seu sangue era uma demonstração de lealdade a D'us e um despertar da identidade judaica. A colocação do sangue nos batentes da porta significava que aquele que vivia na casa se identificava como um judeu e não como um egípcio. Caso o sinal não fosse encontrado nos batentes da casa, isto era uma afirmação de que os judeus que viviam naquela casa se definiam como súditos egípcios, não como judeus. Portanto, aqueles judeus que se sentiam egípcios também estavam sujeitos às consequências da última praga, a "Morte do Primogênito".
 
Estamos há mais de 2 mil anos no exílio, um exílio difícil, de enorme escuridão espiritual, no qual o povo judeu perde cada vez mais sua identidade. Judeus espalhados pelos quatro cantos do mundo se sentem como parte das nações e não enxergam mais o judaísmo como sendo algo que nos une e nos conecta. A essência da Festa de Pessach é justamente resgatar a identidade do povo judeu. Nos lembrar quem somos, de onde viemos e para onde estamos indo. Nos recordar que, não importa onde estamos vivendo atualmente, somos os descendentes de Avraham, Ytzchak e Yaacov. Somos o povo escolhido por D'us, o povo retirado do Egito com Mão forte e Braço estendido, para nos tornarmos uma Luz a todas as nações do mundo. Porém, quando nos esquecemos da nossa identidade e da nossa missão, voltamos a ser simplesmente escravos egípcios.
 
Que possamos voltar a sentir orgulho da nossa identidade judaica.
 
Shabat Shalom e Pessach Kasher VeSameach

R' Efraim Birbojm

************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHÁ TZAV 5777:

                   São Paulo: 17h39  Rio de Janeiro: 17h26                    Belo Horizonte: 17h30  Jerusalém: 18h27
***********************************************************************
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp

quinta-feira, 30 de março de 2017

SEJA CUIDADOSO NA VIDA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAYIKRÁ 5777





BS"D

ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF

BLOG
BLOG

INSCREVA-SE
INSCREVA-SE

PARASHÁ EM VÍDEO
PARASHÁ EM VÍDEO

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.


SEJA CUIDADOSO NA VIDA - PARASHÁ VAYIKRÁ 5777 (31 de março de 2017)
"O Rav Yossef Dov Soloveitchik zt"l (Bielorrússia, 1820 - 1892), mais conhecido como "Beis Halevi", era um grande sábio de Torá e o juiz da cidade onde morava. Certo dia ele foi para a sinagoga estudar com seu filho pequeno. Era um dia muito quente de verão e o Rav Yossef Dov retirou seu terno e seu chapéu, sentou-se e em poucos instantes estava completamente imerso no estudo de Torá com seu filho. De repente, entrou na sinagoga um dos açougueiros da cidade e começou a gritar e a ofender o Rav Yossef Dov. Entre as ofensas, o açougueiro começou a acusar o rabino de ser desonesto e ter desviado intencionalmente um julgamento. No dia anterior, este açougueiro havia ido ao Beit Din (Tribunal Rabínico) do Rav Yossef Dov para uma disputa com outro açougueiro. O Rav Yossef Dov, de acordo com os dados que foram trazidos pelas duas partes, deu a razão ao outro açougueiro. O homem ficou muito irritado, pois ele tinha certeza absoluta de que estava com a razão. Por isso, começou a acusar o Rav Yossef Dov de ter sido subornado pelo outro açougueiro com uma enorme quantia de dinheiro.

Quando o Rav Yossef Dov escutou as acusações que estavam sendo proferidas contra ele, levantou-se, vestiu seu terno e seu chapéu e ficou de pé, olhando para o chão, completamente em silêncio. No momento em que o açougueiro viu que o rabino havia ficado de pé, começou a ofendê-lo ainda mais, falando palavras de desprezo e proferindo maldições, além de chamá-lo de ladrão. O açougueiro chegou inclusive a levantar a mão, ameaçando agredir o rabino. Mas enquanto o açougueiro despejava suas ofensas e maldições, o Rav Yossef Dov se controlava e escutava as humilhações em completo silêncio. Quando finalmente o açougueiro virou-se para ir embora, o Rav Yossef Dov caminhou lentamente na direção dele e da sua boca saíram as seguintes palavras: "Eu te perdoo, eu te perdoo, não quero que você seja castigado por causa dos meus sofrimentos".

No dia seguinte, o açougueiro estava caminhando por uma das ruas da cidade, levando para o abatedouro alguns bois que havia acabado de comprar no mercado. De repente, um dos bois começou a se comportar de maneira estranha, como se tivesse enlouquecido, e se jogou sobre o açougueiro, matando-o imediatamente. Quando o Rav Yossef Dov escutou a notícia da morte do açougueiro, ele ficou arrasado, imerso em uma terrível tristeza, e repetiu algumas vezes ao seu filho: "Eu suspeito que, por ter ficado chateado com este homem, eu causei a morte dele". Seu filho respondeu que ele não devia pegar para si a culpa, pois havia perdoado o homem. O Rav Yossef Dov não queria acreditar nas palavras do seu filho, achando que ele estava inventado apenas para acalmá-lo. Quando seu filho começou a descrever as palavras que ele havia utilizado para perdoar o açougueiro e o lugar exato da sinagoga onde ele estava quando disse aquelas palavras, somente então ele se acalmou um pouco. Apesar disso, ficou extremamente triste com o ocorrido.

O Rav Yossef Dov participou do enterro do açougueiro e chorou amargamente sobre seu caixão. Ele recebeu sobre si falar o "Kadish" pelo falecido durante os 11 meses de luto e também estudar diariamente "Mishnaiót" em elevação da alma dele. Além disso, ano após ano, até o último ano de sua vida, o Rav Yossef Dov jejuava, falava Kadish e estudava Mishnaiót no "Yortzait" (dia do falecimento) do açougueiro, com as mesmas rigorosidades que fazia no dia do Yortzait do seu próprio pai."

Mesmo após ter sido duramente ofendido e humilhado, o Rav Yossef Dov não se consolava pela remota possibilidade de que ele havia causado a morte do açougueiro. Assim vemos o temor a D'us verdadeiro de uma pessoa, através dos cuidados e da preocupação que ela tem com as consequências dos seus atos e pensamentos.

Nesta semana começamos o terceiro livro da Torá, Vayikrá, que nos ensina sobre os Serviços espirituais feitos no Mishkan (Templo Móvel). E a Parashá desta semana, Vayikrá (literalmente "E chamou"), traz detalhes de um dos principais Serviços: os Korbanót (sacrifícios) oferecidos no Mizbeach (altar). O nome "Korban" vem de "Karóv", que significa "perto", demonstrando que a principal função dos Korbanót era nos aproximar de D'us. Em especial esta aproximação era necessária quando uma pessoa transgredia, pois toda transgressão causa um afastamento espiritual. O Korban vinha consertar o estrago espiritual e reaproximar a pessoa de D'us.

Um dos Korbanót mais interessantes trazidos nesta Parashá é o "Asham Talui", oferecido por alguém que tinha dúvidas se havia cometido ou não uma transgressão, como está escrito: "Se a pessoa pecar e cometer uma das Mitzvót de D'us que não podem ser feitas, mas ele não souber e se tornar culpado, ele carregará sua transgressão" (Shemot 5:17). Este versículo refere-se, por exemplo, ao caso de alguém que está comendo tranquilamente sua refeição, seguro de que está consumindo apenas alimentos Kasher, como "Shuman" (um tipo de gordura permitida). Porém, depois de terminar sua refeição, surge uma dúvida se aquela gordura que ele comeu era realmente "Shuman" ou se era "Chelev", uma gordura cujo consumo é proibido pela Torá. É justamente neste caso de dúvida que a Torá obriga a pessoa a trazer o Korban "Asham Talui", que literalmente significa "culpa pendente". Uma das funções deste Korban é proteger a pessoa de sofrimentos de expiação que poderiam vir sobre ela caso tenha realmente cometido a transgressão.

Porém, por que viriam sofrimentos sobre a pessoa? Mesmo que tenha comido o "Chelev", o versículo mesmo diz de forma explícita que trata-se de algo completamente sem intenção, sem o desejo de transgredir. Durante a refeição a pessoa estava tranquila e segura de que estava comendo algo permitido, a dúvida só surgiu depois. Então por que o Korban precisava ser trazido para proteger o transgressor de um possível castigo Celestial?

Explica o Rav Yechezkel Avramsky zt"l (Bielorrússia, 1886 - Israel, 1976) que o ser humano precisa estar sempre preocupado com suas responsabilidades na vida e com as consequências físicas e espirituais de seus atos. O erro expiado através do Korban "Asham Talui" é o fato da pessoa não ter sido suficientemente rigorosa com seus atos, a ponto de ter comido algo que era possivelmente uma grande transgressão da Torá sem ao menos ter suspeitado disso. Se tivesse sido mais cuidadosa, se tivesse se certificado de que realmente o que estava consumindo era Kasher, não teria nem se aproximado da transgressão. Por isso, este desleixo tem consequências espirituais negativas e poderia causar com que sofrimentos de expiação viessem sobre aquele que comeu algo proibido, mesmo que sem intenção.

Nos ensina o Talmud (Kidushin 81b) que quando Rabi Akiva chegava a este versículo da Torá, "mas ele não souber e se tornar culpado, ele carregará sua transgressão", ele chorava e dizia: "Se é tão rigoroso quando uma pessoa tem intenção de comer "Shuman" e acaba sem intenção comendo "Chelev", a ponto de a Torá afirmar que ele "carregará sua transgressão", quanto mais e mais a Torá é rigorosa com aquele que tem a intenção de transgredir e comer "Chelev". O choro do Rabi Akiva nos ensina a refletir sobre o quanto devemos nos preocupar com nossos atos, lembrando que tudo o que fazemos tem consequências.

Este conceito também é ensinado em relação às consequências físicas dos nossos atos. O Talmud (Baba Kama 26a) afirma que "Adam Muad Leolam", isto é, o ser humano é responsável por seus atos e é considerado como se estivesse sempre "pré-advertido" em relação às possíveis consequências negativas de seus atos. Se uma pessoa com uma mochila nas costas entra em uma loja de cristais e, ao virar-se de forma descuidada, derruba uma prateleira inteira, quebrando vários cristais caros, ela está obrigada a pagar pelos danos causados. Mas por que, se foi um ato sem intenção, um mero acidente? Pois de acordo com o Talmud, desde o Har Sinai D'us já nos avisou: "Quebrou, pagou". O ser humano tem que ser extremamente cuidadoso com cada um dos seus atos. Por exemplo, quando estamos dirigindo, devemos lembrar que o carro é uma arma letal, pronta a causar, a qualquer instante, danos irreversíveis. Um veículo, pesando mais de uma tonelada e viajando a 60 km/h, tem uma força destruidora imensa. Passar um sinal vermelho por estar com pressa é o mesmo do que dar um tiro para cima sem se preocupar em quem vai cair. Uma pessoa que matou de forma não intencional é chamada pela Torá de "Rotzeach", que significa "assassino". Apesar de ter sido "sem querer", a pessoa é responsável pelas consequências de seus atos. Por isso, precisamos sempre fazer tudo de maneira bem pensada e calculada.

O Talmud (Baba Kama 26a) chega ao ponto de afirmar que uma pessoa é responsável pelas consequências negativas de seus atos até mesmo se estiver dormindo. Por exemplo, se uma pessoa deitou-se ao lado de um vaso caríssimo e, enquanto estava dormindo, rolou na cama e quebrou o vaso, ela está obrigada a pagar. Por que? Pois antes de se deitar ela deveria ter levado em consideração a possibilidade de quebrar o vaso. Em outras palavras, em termos das consequências negativas que um ser humano pode causar através de seus atos, não existe o conceito de "foi sem querer". D'us nos deu um intelecto muito poderoso e Ele espera que o utilizemos também para evitar causar danos aos outros e a nós mesmos.

Se isto é verdade em relação aos atos com consequências materiais, muito mais devemos ser cuidadosos com os nossos atos que têm consequências espirituais. Nunca podemos fazer nada na vida sem pensar nas futuras consequências. Qualquer ato impensado e qualquer atitude sem a devida seriedade pode ter consequências espirituais muito negativas. O Korban "Asham Talui", oferecido pela simples possibilidade da pessoa ter cometido uma transgressão, é um lembrete de como as pessoas devem ser rigorosas e cuidadosas com seus atos. Somente com responsabilidade e seriedade podemos viver uma vida na qual estaremos livres de transgressões e de possíveis danos, a nós mesmos e às outras pessoas.
SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm
************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHÁ VAYIKRÁ 5777:

                   São Paulo: 17h46  Rio de Janeiro: 17h33                    Belo Horizonte: 17h36  Jerusalém: 18h22
***********************************************************************

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).


Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp

quarta-feira, 22 de março de 2017

CONTANDO NOSSO DINHEIRO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT VAYAKEL E PEKUDEI 5777





BS"D

ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF

BLOG
BLOG

INSCREVA-SE
INSCREVA-SE

Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.

BS"D


CONTANDO NOSSO DINHEIRO - PARASHIÓT VAYAKEL E PEKUDEI 5777 (24 de março de 2017)
"Rafael, nos seus quase oito anos, já tinha adquirido um hábito nada saudável. Tudo para ele se resumia em dinheiro. Queria saber o preço de tudo o que via e, se não custasse grande coisa, para ele não tinha valor algum. Rafael não entendia que há muitas coisas que o dinheiro não compra. E, dentre estas coisas, algumas são as melhores da vida.

Certo dia, no café da manhã, Rafael colocou cuidadosamente sobre o prato da sua mãe um papelzinho dobrado. Quando a mãe chegou, ela viu o bilhete, abriu e leu: "Mamãe, você me deve: Três reais por levar recados. Dois reais por tirar o lixo. Dois reais por varrer o chão. Dois reais por arrumar a cama. Total da dívida: Nove reais".

A mãe espantou-se em um primeiro momento. Depois sorriu, guardou o bilhetinho no bolso do avental e não disse nada. O garoto foi para a escola e retornou faminto. Correu para a mesa do almoço e viu, sobre o seu prato, o seu bilhetinho com nove reais em cima. Os seus olhinhos brilharam. Enfiou depressa o dinheiro no bolso e ficou imaginando o que compraria com aquele dinheiro. Foi então que ele percebeu que havia outro papel ao lado do seu prato, igualzinho ao seu e bem dobrado. Curioso, abriu e leu. Era um bilhete escrito pela sua mãe: "Meu querido filhinho, você me deve: Por cuidar da sua catapora e das suas gripes: nada. Pelas roupas, calçados e brinquedos: nada. Pelas três refeições diárias e pelo lindo quarto: nada. Total que você me deve: nada, pois tudo o que eu faço para você, eu faço por amor".

Rafael ficou sentado, lendo e relendo a sua conta. Não conseguia dizer nenhuma palavra. Depois se levantou, pegou os nove reais e os colocou na mão da sua mãe. A partir daquele dia, Rafael passou a ajudar sua mãe por amor."

Não é apenas com as crianças que isto ocorre. Infelizmente, pelo amor aos nossos bens e o desejo de sempre termos mais, nos desconectamos da nossa espiritualidade e nos tornamos pessoas mal agradecidas.

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Vayakel (literalmente "E reuniu") e Pekudei (literalmente "Contas"). Apesar de a Torá ter dado detalhadas instruções sobre a construção do Mishkan (Templo Móvel) nas Parashiót anteriores (Terumá, Tetsavê e Ki Tissá), nas duas Parashiót desta semana a Torá repete os detalhes construtivos do Mishkan, porém desta vez não apenas como uma ordem de D'us, e sim como a efetiva execução.

A Parashá Pekudei começa com um detalhe interessante. Moshé prestou contas de todos os materiais que foram doados, como está escrito: "Estas são as contas do Mishkan, o Mishkan do Testemunho, que foram contadas sob o comando de Moshé" (Shemot 38:21). Apesar de ser uma pessoa acima de qualquer suspeita, Moshé achou que era importante para o povo a comprovação de que toda a doação havia sido efetivamente utilizada na construção do Mishkan. Não se tratavam de materiais simples e baratos, como tijolos e cimento, e sim materiais caros, como ouro, prata, pedras preciosas, tecidos e couros. Nada havia sido desviado para usos particulares.

O Midrash (parte da Torá Oral) conecta este versículo sobre a prestação de contas de Moshé com outro versículo, ensinado por Shlomo Hamelech (Rei Salomão): "Um homem de confiança terá muitas Brachót (bênçãos)" (Mishlei 28:20). Isto quer dizer que justamente pelo fato de uma pessoa ser confiável é que virá para ela uma abundância de Brachót. O Midrash diz que este versículo de Mishlei se refere a Moshé Rabeinu, que se tornou uma pessoa de integridade inigualável e, por isso, foi apontado como o tesoureiro responsável pela contabilidade de todas as doações feitas pelo povo para a construção do Mishkan. Para trazer um apoio de que o versículo de Mishlei se refere a Moshé, o Midrash traz outro versículo: "Não é assim Meu servo Moshé. Ele é confiável em toda a Minha casa" (Bamidbar 12:7). Mas qual é a conexão entre ser uma pessoa confiável e receber uma abundância de Brachót? E por que o versículo "Ele é confiável em toda a Minha casa" é utilizado para atestar a integridade financeira de Moshé, se o versículo se refere à singularidade da profecia de Moshé, única e inigualável, e não à sua honestidade? E por que Moshé era a única pessoa confiável para este cargo? Não havia outras pessoas honestas em sua geração?

Outro questionamento surge ao analisarmos um ensinamento do Talmud (Taanit 8b), que afirma que as Brachót somente repousam sobre as coisas que estão escondidas dos nossos olhos. A partir do momento que algo é contado, o seu potencial de Brachá se perde. Mas se este conceito do Talmud é verdadeiro, então por que a nossa Parashá começa justamente apresentando a contabilidade dos materiais doados para a construção do Mishkan? Se contar as coisas tira o seu potencial de Brachá, não é uma enorme contradição os materiais do Mishkan terem sido contados?

De acordo com o Zohar (parte mística da Torá), pelo fato desta contagem ter um propósito sagrado, então neste caso a contagem era permitida, como também ocorre, por exemplo, na contagem dos rebanhos para a retirada do "Maasser" (dízimo). Porém, como podemos entender este conceito do Talmud, de que algo deve ficar oculto dos nossos olhos para que receba Brachá, mas que isto não se aplica se a contagem é feita por motivos sagrados?

Explica o Rav Yohanan Zweig que a resposta está em outro interessante ensinamento do Talmud (Baba Metsia 21b). Quando uma pessoa encontra na rua um objeto perdido sem nenhum tipo de sinal que o identifique, mesmo assim a pessoa ainda não tem a permissão de pegar para si este objeto, a não ser que tenha certeza que já passou bastante tempo desde o momento da perda, o suficiente para que o dono do objeto já tenha sentido sua falta e já tenha desistido dele. Entretanto, o Talmud afirma que se o objeto encontrado for dinheiro e não houver no dinheiro nenhum sinal de identificação, então a pessoa pode imediatamente ficar com ele. Porém, como podemos ter a certeza de que a pessoa já percebeu que perdeu o dinheiro? Responde o Talmud que "a pessoa constantemente checa seus bolsos para se certificar que seu dinheiro ainda está lá". Isto quer dizer que, quando encontramos dinheiro sem sinal de identificação, sempre podemos ter a certeza de que a pessoa que perdeu já está ciente de sua perda e já desistiu de procurar seu dinheiro e, por isso, podemos ficar com o dinheiro.

O Talmud não está apenas nos ensinando uma Halachá (lei) em relação a objetos perdidos, mas também está nos ensinando algo incrível sobre a psicologia do ser humano. É inerente a qualquer ser humano a insegurança em relação às suas posses, algo que se manifesta através da necessidade que o ser humano tem de sentir o domínio sobre todas as suas propriedades. Ficar constantemente mexendo nos bolsos para checar se o dinheiro ainda está lá é um exemplo da necessidade que o ser humano tem de se sentir conectado às suas posses. Para atender esta necessidade de domínio, a pessoa fica constantemente contando o que tem, pois contar o que é seu traz ao ser humano um forte senso de domínio e posse. Algumas pessoas chegam ao absurdo de checar várias vezes no dia quanto dinheiro elas têm na conta ou na carteira, enquanto outros abrem o dia inteiro as notícias para saber o valor do dólar e das bolsas.

A palavra Brachá, que significa "Benção", vem da mesma raiz da palavra "Breichá", que significa "Reservatório, Fonte". As Brachót são uma conexão com a nossa Fonte de existência, isto é, D'us. Se uma planta está conectada à terra, que é sua fonte, então ela se desenvolve e floresce. D'us é a fonte de toda a vitalidade. Quando o ser humano conecta algo à sua Fonte, ele recebe Brachá. Por outro lado, quando um ser humano quer demonstrar sua dominação sobre certo objeto, ele está separando este objeto de sua Fonte e, portanto, a Brachá é perdida. É por isso que a Brachá somente repousa sobre os objetos que estão escondidos dos nossos olhos, isto é, que não foram contados pelo ser humano, pois a contagem é uma maneira de demonstrar sua dominação sobre o objeto.

Esta é a diferença entre alguém que conta para si mesmo, de uma maneira dominadora, e alguém que conta "Leshem Shamaim" (em nome de D'us). Quando a contagem é para cumprir uma Mitzvá, então o próprio ato de contar conecta o objeto a D'us. Mas não adianta apenas o ato ser voltado a cumprir a vontade de D'us, pois mesmo quando uma pessoa recolhe e conta doações feitas para uma Mitzvá, como ocorreu na construção do Mishkan, existe o perigo do responsável por esta função sentir uma dominação ou uma conexão mais forte com estes fundos coletados. É por isso que o responsável por coletar as doações do Mishkan precisava ser alguém espiritualmente elevado. Moshé estava muito conectado com D'us, o que é atestado pelo versículo no qual D'us afirma que o nível de profecia dele era algo único e inigualável. Moshé estava tão elevado que é considerado como se ele estivesse na "casa de D'us". Por isso Moshé era a pessoa mais adequada para ser o tesoureiro responsável por coletar e contar as doações que o povo judeu fez ao Mishkan, pois seus atos eram completamente puros e direcionavam todos os objetos doados diretamente para D'us, a Fonte de toda a Brachá.

Assim conseguimos entender a explicação do versículo "um homem de confiança terá muitas Brachót". Aquele que é honesto, que faz tudo "Leshem Shamaim", sem motivações pessoais, se torna uma pessoa completamente íntegra. Desta maneira, ele conecta todo o fruto dos seus esforços a D'us, a Fonte de toda a vitalidade, e pode florescer e crescer abundantemente, como uma planta conectada à terra que lhe dá os nutrientes necessários ao seu crescimento.

Desta explicação do Rav Yohanan Zweig fica um ensinamento muito importante e atual. Vivemos em uma sociedade completamente conectada aos valores materiais. O valor das pessoas é medido de acordo com a quantidade de bens que elas têm. Isto faz com que as pessoas se tornem conectadas aos bens materiais de uma maneira negativa, de uma forma dominadora, se desconectando da sua espiritualidade e da Fonte de vida, D'us. Para termos Brachá na vida, é preciso usar o mundo material de forma que ele seja canalizado para nossa espiritualidade. Quando colocamos no coração que tudo vem de D'us, quando somos honestos nos negócios, quando utilizamos o que temos para também ajudar os outros e quando valorizamos as pessoas pelos que ela são e não pelo que elas têm, certamente isto nos traz muitas Brachót na vida.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm
************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHIÓT VAYAKEL E PEKUDEI 5777:

                   São Paulo: 17h53  Rio de Janeiro: 17h40                    Belo Horizonte: 17h42  Jerusalém: 18h17
***********************************************************************

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).


Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com


Copyright © 2016 All rights reserved.






This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp