sexta-feira, 13 de março de 2015

INFLUÊNCIA DOS NOSSOS ATOS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT VAYAKEL E PEKUDEI 5775

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INFLUÊNCIA DOS NOSSOS ATOS - PARASHIÓT VAYAKEL E PEKUDEI 5775 (13 de março de 2015) 

"Yaacov era um homem de bom coração, sempre que podia ajudava os outros. Certo dia ele caminhava com alguns amigos por uma estrada e, quando passavam por uma ponte, viram um escorpião sendo arrastado pelas águas. Yaacov teve misericórdia e não pensou duas vezes, correu pela margem do rio, entrou na água e pegou o escorpião na mão para salvá-lo. Porém, quando o trazia para fora, o escorpião picou sua mão. Devido à dor, Yaacov deixou o escorpião cair novamente no rio, e ele foi arrastado novamente pelas águas. Mas Yaacov não desistiu, ele foi até a margem, pegou um galho de árvore caído, alcançou novamente o  escorpião e o salvou, mas desta vez sem encostar a mão no bicho. Os amigos, que haviam assistido a cena, ficaram perplexos e disseram:
 
- Yaacov, deve estar doendo muito. Por que você foi salvar esse bicho ruim e venenoso? Que se afogasse, seria um a menos! Veja como ele retribuiu a sua ajuda, picando a mão que o havia salvado! Este bicho não merecia sua misericórdia.
 
Yaacov, sem demonstrar nenhum tipo de arrependimento, respondeu:
 
- O escorpião me picou porque agiu conforme a sua natureza, e eu o salvei pois agi de acordo com a minha natureza".
 
De acordo com os nossos atos nós moldamos a nossa natureza e o nosso coração. Bons atos repetidos continuamente resultam em um bom coração, enquanto maus atos repetidos continuamente resultam em um mau coração. 

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Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Vayakel e Pekudei, que descrevem respectivamente as atividades de construção do Mishkan e a prestação de contas que Moshé fez dos materiais doados para a construção o Mishkan. A Parashá Vayakel também descreve o momento em que as pessoas escolhidas para construir o Mishkan terminaram seu serviço: "E eles trouxeram o Mishkan para Moshé: a Tenda e todos os seus utensílios..." (Shemot 39:33). Por que o Mishkan foi levado até Moshé, e já não foi montado pelos próprios construtores?
 
Explica o Midrash (parte da Torá Oral) que quando Moshé anunciou ao povo que todos poderiam participar na construção do Mishkan através da doação dos materiais, eles se alegraram muito e doaram com entusiasmo e agilidade, atingindo a meta em apenas dois dias. Depois que os trabalhos foram concluídos, o povo inteiro ficou muito ansioso, esperando pelo momento em que a "Shechiná" (Presença de D'us) repousaria entre eles. Os sábios construtores tentaram montar o Mishkan, mas ele não conseguia se manter de pé e caía. Por que eles não conseguiam montar o Mishkan, se D'us havia dado a eles a sabedoria necessária para construir cada parte do Mishkan e cada um dos seus utensílios?
 
Continua o Midrash e explica que Moshé estava sofrendo muito por não ter participado ativamente na construção do Mishkan. D'us viu o sofrimento de Moshé e disse para ele: "Como você está sofrendo por não ter participado da construção do Mishkan, então Eu não deixarei que os homens sábios que construíram o Mishkan consigam montá-lo sem você, para que todo o povo judeu saiba que somente através de você o Mishkan pode ser montado". É por isso que o versículo enfatiza que o Mishkan foi levado até Moshé, pois ele foi o único que realmente conseguiu montá-lo.
 
Mas desta explicação surge uma grande pergunta, pois o Midrash afirma que Moshé estava muito triste por não ter participado da construção do Mishkan. Porém, há outro Midrash que afirma que Moshé estava muito presente durante toda a construção do Mishkan e teve uma participação fundamental, pois ele circulava o tempo inteiro entre os profissionais que estavam construindo o Mishkan para ensiná-los como fazer cada parte e cada utensílio com perfeição, sem nenhum erro. Moshé foi tão zeloso e tão minucioso em construir o Mishkan exatamente da maneira como D'us havia ensinado que diversas vezes a Torá repete que os objetos foram feitos "conforme D'us ordenou a Moshé".
 
Além disso, está escrito na Torá: "E foi no dia em que Moshé terminou de construir o Mishkan" (Bamidbar 7:1). Rashi questiona por que está escrito que foi Moshé quem construiu o Mishkan, como se ele tivesse o mérito de ter construído o Mishkan sozinho, ao invés de atribuir o mérito a Betzalel, Ahaliav e os outros tantos homens sábios que haviam se voluntariado para fazer as atividades construtivas do Mishkan? Ele responde que Moshé se entregou completamente à tarefa de construir o Mishkan, checando uma por uma todas as formas de todos os utensílios e partes do Mishkan e ensinando a cada construtor todos os minuciosos detalhes conforme D'us havia mostrado para ele no Monte Sinai. E o empenho de Moshé teve frutos, pois nenhum formato continha nenhum erro, tudo saiu exatamente como D'us havia mostrado. A dedicação de Moshé foi tanta que ele meritou um versículo que atribui a ele sozinho a construção de todo o Mishkan. quem estabeleceu o Mishkan, e nbçstruçatamente da maneira como D'turesençade  Então por que ele se entristeceu por não ter "colocado a mão na massa", se sua participação na construção havia sido tão fundamental? O que faltava para Moshé?
 
Responde o Rav Bentzion Bamberg zt"l (Alemanha, 1920 - Israel, 1981) que da tristeza de Moshé aprendemos qual é a importância de fazer bons atos na prática. Apesar de toda a sua dedicação e sua participação "intelectual" no Mishkan, Moshé estava triste por não ter participado diretamente na construção física do Mishkan, isto é, por não ter colocado a mão na massa, com atos físicos de construção. Mas o que teria mudado se ele tivesse feito algum ato na prática? Por que não foi suficiente sua participação "intelectual"?
 
Um dos motivos pelos quais D'us nos ordenou Mitzvót que necessitam da utilização de objetos e partes do nosso corpo, como colocar Tefilin no braço e na cabeça ou segurar os Arba Minim em Sucót, é para que as Mitzvót possam ser internalizadas, através dos atos, em nossos corações. O ser humano não consegue, apenas através de seu intelecto, canalizar seus desejos e mudar características que estão naturalizadas. Cada ato externo que fazemos funciona como um contrapeso para as tendências naturais do nosso corpo, como ensinam os nossos sábios: "Atrás dos nossos atos é levado o nosso coração". Por isso muitas Mitzvót envolvem atos físicos, para poderem nos ajudar no processo de purificação e elevação espiritual.
 
Há uma Mitzvá interessante que demonstra o quanto este conceito é verdadeiro. Em relação ao Korban Pessach (sacrifício de Pessach), há uma proibição na Torá de quebrar qualquer osso do Korban. Qual é o motivo desta Mitzvá? Ensina o Sefer HaChinuch (Mitzvá 16) que quebrar os ossos é a forma como os animais e as pessoas pobres e famintas comiam. Mas como o povo judeu foi tirado do Egito para se tornar uma luz para as nações do mundo, um povo sagrado e elevado, não era apropriado que eles se comportassem com atos que não condiziam com o seu novo status, pois os atos que uma pessoa faz ficam gravados em sua alma para sempre. O coração e os pensamentos de uma pessoa sempre vão atrás de seus atos, tanto para o bem quanto para o mal.
 
O Sefer HaChinuch revela algo ainda mais impressionante: mesmo um Rashá Gamur (pessoa completamente má), se ele começar a fazer constantemente bons atos, como estudar Torá, cumprir Mitzvót e fazer atos de caridade, mesmo que não seja com as intenções corretas, sua natureza finalmente penderá para o lado positivo, pois cada ato externo influencia seu interior. E assim nos ensina o Talmud (Makot 23b): "D'us quis trazer méritos ao povo judeu, por isso multiplicou para eles a Torá e as Mitzvót". Como há muitas Mitzvót na Torá, praticamente o dia inteiro estamos nos ocupando com elas. Quando acordamos, quando nos vestimos, quando nos alimentamos, e até mesmo quando vamos ao banheiro. A repetição constante de Mitzvót nos torna, a cada instante, pessoas melhores. O mesmo conceito é ensinado em outro Tratado do Talmud (Menachót 43b): "Aquele que tem Tefilin no braço e em sua cabeça, fios de Tsitsit em sua roupa e uma Mezuzá em sua porta, é garantido que não vai cometer transgressões". Por que justamente estas Mitzvót? Pois são Mitzvót constantes, que cumprimos o tempo inteiro, e por isso elas vão purificando nosso coração e nos afastando das transgressões.
 
Desta Parashá aprendemos o quanto devemos ter cuidado com nossos atos, pois atrás dos nossos ato
s será levado o nosso coração. Moshé sofreu por não ter colocado a mão na massa na construção do Mishkan, pois sabia o quanto cada bom ato que fazemos nos influencia para o bem e purifica nossos corações e pensamentos. Mesmo Mitzvót pequenas e bons atos aparentemente sem importância contribuem para o nosso crescimento constante. Por isso devemos procurar o tempo inteiro oportunidades de cumprir Mitzvót e fazer bons atos, mesmo que em um primeiro momento não façamos com as intenções mais puras e elevadas, pois a repetição de bons atos faz com que nos elevemos e consigamos, em algum momento, atingir também as intenções puras e elevadas, como afirmam os nossos sábios: "Através da repetição de bons atos, mesmo que em um primeiro momento sejam sem intenções puras, virão atos com as intenções mais puras e elevadas".
 
SHABAT SHALOM
 
Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 6 de março de 2015

NÃO SE ENGANE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KI TISSÁ 5775




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NÃO SE ENGANE - PARASHÁ KI TISSÁ 5775 (06 de março de 2015)
"As filas na porta da casa do Rav Simcha Bunim Alter (Israel, 1898 - 1992), mais conhecido como Gerer Rebe, normalmente eram muito longas. Ele era muito querido, e por isso multidões iam diariamente à sua casa, para pedir uma Brachá (Benção) ou simplesmente para vê-lo. Certo dia a fila estava especialmente longa e as pessoas começaram a ficar impacientes. No desespero, um homem começou a empurrar os outros para forçar sua entrada na casa do Rebe, mas o Gabai (pessoa responsável pelo controle de entrada das pessoas nas casas de grandes rabinos) o empurrou de volta. O homem, muito irritado, protestou em voz alta, e o Gabai, não aguentando aquele desaforo, lhe deu um sonoro tapa na cara. Ao ver aquela cena, todos na fila ficaram em silêncio e pararam de reclamar e empurrar. O Gabai ficou feliz, imaginando que o Rebe ficaria orgulhoso ao saber de sua atitude, que havia colocado ordem na casa.

Mais tarde, naquele mesmo dia, um grupo de homens estava reunido na sala do Rebe para Minchá (reza da tarde). Apesar de já haver dez homens, o Gabai estranhou que o Rebe não autorizava o início da reza, como se ainda estivesse esperando alguém para completar o Minian. O Gabai perguntou se podia começar a reza, mas o Rebe, com sofrimento no olhar, respondeu:

- Eu sinto muito, mas nós não podemos começar ainda, pois falta uma pessoa para o Minian. Apesar de termos 10 homens aqui na sala, você não pode ser contado como parte do Minian, pois a Halachá diz que alguém que bate em seu companheiro é desqualificado para fazer parte de um Minian..."

O Gabai pensou que havia feito uma grande Mitzvá, mas descobriu, de forma amarga, que na realidade havia feito uma grave transgressão. Precisamos tomar cuidado com cada ato que fazemos, para não nos enganarmos e cometermos transgressões achando que estamos fazendo Mitzvót. 
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Nesta semana lemos a Parashá Ki Tissá, que descreve um dos erros do povo judeu mais difíceis de serem entendidos: a construção do Bezerro de Ouro. Como os judeus puderam fazer um erro tão grave como este, de construir uma estátua de ouro, apenas quarenta dias após D'us ter se revelado diante de todo o povo no Monte Sinai? Como abandonaram tão rapidamente Moshé, o líder que havia tirado o povo judeu do Egito, e criaram o Bezerro de Ouro como um novo intermediário?

Nossos sábios explicam como o erro começou. Moshé subiu no Monte Sinai para receber a Torá, e avisou que permaneceria no alto da montanha por 40 dias. Porém, houve um erro no cálculo de quando Moshé deveria retornar, e o povo esperou por ele um dia antes da data correta. Como Moshé não voltava, o povo se desesperou. O Talmud (Shabat 89a) se aprofunda um pouco mais e explica que o Yetser Hará (nossa má inclinação) tentou confundir os judeus com argumentos de que Moshé tinha morrido, mas não conseguia convencê-los. Então ele mostrou aos judeus uma imagem de Moshé morto, deitado em uma cama. Aquela imagem mostrada pelo Yetser Hará causou um enorme pânico no povo, que acreditou no que viu e passou a exigir de Aharon um novo intermediário, através do qual eles reestabeleceriam sua conexão com D'us.

Mas há algo nesta explicação do Talmud que nos chama a atenção: o método utilizado pelo Yetser Hará para confundir o povo judeu em relação à morte de Moshé. Mostrar falsas imagens não é a tática tradicionalmente utilizada pelo Yetser Hará para nos enganar. Normalmente ele causa em nós apenas a confusão de ideias, como tentou fazer em um primeiro momento com o povo judeu. Por que neste caso o Yetser Hará mudou sua forma de atuação e mostrou ao povo judeu uma imagem falsa?

Para entendermos a transgressão do Bezerro de Ouro, precisamos voltar ao primeiro erro da história da humanidade, o erro de Adam e Chavá (Adão e Eva), que comeram o fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, apesar de D'us ter proibido. Explica o Rav Chaim Vologziner (Lituânia, 1749 - 1821) que antes desta transgressão, Adam e Chavá não tinham Yetser Hará dentro deles. Porém, isto não quer dizer que eles não tinham livre arbítrio, pois eles também tinham um relacionamento com o mal, através do contato com a serpente que existia no Gan Éden. Mas a forma de contato com o mal era completamente diferente, pois o mal era algo externo, completamente fora deles. O objetivo do mal era persuadir Adam e Chavá a fazerem atos que fossem repugnantes ou logicamente errados, como convencer uma pessoa de que seria bom para ela pisar em uma fogueira acesa. De alguma maneira a serpente conseguiu convencê-los a comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, causando consequêos a comer do fruto do bem e do mal, causando consequ convencer uma pessoa de que seria bom para ela pisar em uma fogueira acesncias para eles e para todos os seus descendentes. Ao comer do fruto proibido, Adam e Chavá trouxeram aquele Yetser Hará, que antes era algo apenas externo, para dentro deles. A partir daquele momento eles se transformaram em seres cuja essência era uma combinação de bom e mal.

O resultado foi que eles e seus descendentes ficaram sujeitos à principal força do Yetser Hará: a confusão. Quando uma pessoa sabe que um ato é claramente errado, ele não o comete. Da mesma maneira que uma pessoa não coloca a mão no fogo pois sabe das consequências negativas deste ato, assim também as pessoas deveriam racionalmente se cuidar das transgressões por causa de todas as suas consequências negativas. Porém, a tática do Yetser Hará é convencer a pessoa de que aquele ato equivocado não é uma transgressão, ao contrário, é a coisa certa a se fazer. É por isso que o Talmud (Sotá 3a) nos ensina que uma pessoa somente comete uma transgressão quando entra nela um espírito de estupidez ou insanidade, isto é, quando ela perde completamente o senso de certo e errado, e faz o que é errado por estar plenamente convencido de que é realmente a coisa certa a se fazer.

O Talmud (Shabat 146a) explica que este novo status da humanidade continuou até a entrega da Torá no Monte Sinai, mas naquele momento o "veneno" engolido por Chavá foi completamente anulado. Os judeus conseguiram se elevar ao ponto de atingir o mesmo nível de Adam Harishon antes de seu pecado, alcançando novamente a imortalidade. Neste novo status, eles estavam tão elevados que não havia mais Yetser Hará dentro deles, e novamente o mal havia se tornado algo apenas externo. De acordo com este nível que eles atingiram, não havia mais sentido para o Yester Hará enganá-los com sua arma tradicional de confusão interna. A forma de persuasão precisou ser algo externo, da mesma maneira que a serpente fez com Chavá, e por isso o Yetser Hará apelou para a falsa imagem de Moshé morto em uma cama. Quando o povo judeu caiu na enganação do Yetser Hará, o "veneno" da transgressão de Adam e Chavá voltou para dentro do ser humano, permitindo ao Yetser Hará novamente causar em nós confusão interna.

Deste ensinamento podemos entender o nosso Yetser Hará e sua forma de atuação. Desde o momento em que o Yetser Hará entrou em nós e passou a fazer parte de nossa própria essência, vivemos com a difícil tarefa de discernir entre o bem o mal que há dentro de nós. A principal arma do Yetser Hará é nos convencer que a transgressão que estamos fazendo é algo permitido. Em alguns casos o Yetser Hará consegue nos convencer de que o erro é até mesmo uma Mitzvá. Isto pode acontecer até mesmo em transgressões graves, como o Lashon Hará (maledicência). Muitos denigrem outras pessoas com sua fala e se justificam dizendo que aquele tipo de comentário é permitido, ou que é permitido falar Lashon Hará daquela pessoa em particular. A pessoa que transgride não assume para si mesma que está falando Lashon Hará, ao contrário, ela racionaliza que está completamente coberta pela Halachá (Lei judaica) em suas palavras. Se oferecêssemos muito dinheiro para que uma pessoa que cumpre as Mitzvót da Torá falasse Lashon Hará, ela certamente recusaria, pois reconhece, intelectualmente, que nenhuma quantia de dinheiro vale a transgressão de uma única Mitzvá da Torá. Então como pode ser que esta mesma pessoa fala Lashon Hará muitas vezes durante o dia sem receber absolutamente nenhum ganho monetário? Pois ela engana a si mesma e se convence de que não está falando Lashon Hará.

Na prática, como podemos discernir entre o bem e o mal que há dentro de nós? Explica o Rav Yehonasan Gefen que uma das ferramentas mais importantes é o estudo da Torá e de todos os detalhes de suas Mitzvót. Se uma pessoa estuda diariamente as Halachót de Shmirat Halashon (cuidados com a fala), por exemplo, será muito mais difícil para ela racionalizar que o Lashon Hará que ela quer falar é permitido. Outra ferramenta fundamental é o estudo diário de Mussar (ética), que auxilia nossos passos de autoaprimoramento e nos ajuda a entender como o Yetser Hará funciona, para sabermos como lutar contra ele. E, por último, outra ferramenta essencial é o "Cheshbon Hanefesh" (reflexão sobre os nossos atos) diário. Normalmente o Yetser Hará nos ataca e nos engana nos momentos em que os desejos nos puxam em direção às transgressões. Na hora em que os desejos estão muito fortes, tudo parece permitido. Mas quando fazemos uma reflexão diária, nos momentos em que o Yetser Hará já não está nos atacando de maneira tão forte, este é o momento propício para enxergarmos que a "Mitzvá" que pensamos ter feito foi na verdade uma grande transgressão. O Cheshbon Hanefesh diário nos permite olhar para trás e racionalmente analisar a verdadeira natureza dos nossos atos.

A combinação destas três ferramentas, associado a um investimento de longo prazo, certamente nos colocará no caminho correto, o caminho que nos trará a clareza de ideias necessária para um real autoconhecimento. Somente assim conseguiremos discernir entre o bem e o mal que existe dentro de nós, para investirmos sempre no bem e anularmos, como no momento da entrega da Torá, o lado negativo que existe em nós.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm
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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

RECATO EM TODOS OS ATOS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ TETZAVÊ E PURIM 5775




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RECATO EM TODOS OS ATOS - PARASHÁ TETZAVÊ E PURIM 5775 (27 de fevereiro de 2015) 
"Um Gabai Tzedaká (pessoa que recolhe dinheiro para distribuir aos necessitados) foi certa vez até a casa de um homem muito rico para pedir dinheiro para sua organização, que distribuía comida de Shabat para famílias carentes. O homem rico, após ouvir a diferença que sua doação poderia fazer para muitas famílias necessitadas, ofereceu doar quinhentos dólares, mas com a condição que o Gabai revelasse o nome das pessoas para quem o dinheiro iria. O Gabai se desculpou, afirmando que a organização não divulgava a identidade das pessoas que eram ajudadas. O homem rico ainda tentou insistir, aumentando a oferta de doação para mil dólares, mas exigindo em troca saber quem estaria desfrutando do Shabat por causa de sua doação. Novamente o Gabai se desculpou e se negou a lhe dar este tipo de informação. O homem rico então se exaltou e falou em voz alta e firme:

- Escute, vou doar dez mil dólares para sua organização, mas com uma condição: eu tenho o direito de saber quem eu estou ajudando com o meu dinheiro!

- Nós nunca divulgamos e nunca divulgaremos as identidades das pessoas que nós ajudamos - respondeu o Gabai, sem perder a calma - Você pode me oferecer até mesmo um milhão de dólares, e ainda assim eu não vou revelar a você para quem o seu dinheiro está indo.

Ao escutar a resposta do Gabai, o homem rico baixou a voz e disse, quase sussurrando:

- Agora eu vejo que posso realmente confiar em você. Por favor, me coloque na sua lista de pessoas que necessitam ser ajudadas. Todos pensam que eu ainda sou rico, mas na realidade eu perdi todo o meu dinheiro no mercado de ações. Eu tinha vergonha de te procurar, pois não queria que as pessoas ficassem sabendo. Mas agora eu sei que vai ser realmente mantido em segredo..."

É muito importante desenvolver nossa sensibilidade com o próximo e controlar o que falamos, mesmo que a consequência seja perder oportunidades ou até mesmo dinheiro (História Real).
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Nesta semana lemos a Parashá Tetzavê, que descreve as roupas que os Cohanim (sacerdotes) e o Cohen Gadol (Sumo sacerdote) utilizavam durante os Serviços Divinos feitos no Mishkan (Templo Móvel). E na próxima 4ª feira de noite (04 de março) começa a festa de Purim, na qual relembramos a incrível salvação do povo judeu nos dias de Mordechai e Esther. Haman, descendente do povo de Amalek, o maior inimigo do povo judeu, havia decretado a "Solução Final" dos judeus da Pérsia, mas D'us, de forma oculta, nos salvou. Normalmente a festa de Purim coincide com a Parashá Tetzavê. Qual a conexão entre elas?

A Meguilat Esther, que conta a história de Purim, é composta por vários acontecimentos que isoladamente parecem irrelevantes, mas quando conectados demonstram que tudo estava sendo orquestrado de forma magistral por D'us. A história descreve o exílio do povo judeu na época do Rei Achashverosh, o governador do Império Persa. Após ser desacatado por sua esposa, a rainha Vashti, o Rei Achashverosh decidiu matá-la e coroar outra rainha em seu lugar. Centenas de jovens foram levadas ao palácio real para um concurso, e entre elas estava Esther, uma moça judia. Mas a Meguilá nos conta um detalhe interessante: Esther não quis revelar sua origem e seu povo. Por que ela guardou este segredo?

A resposta está em um pequeno detalhe da Parashá Tetzavê. Uma das oito roupas que o Cohen Gadol usava chamava-se "Choshen" (Peitoral), e era composta por engastes de ouro nos quais eram colocadas 12 pedras preciosas, onde cada pedra representava uma das tribos de Israel. Segundo o Midrash (parte da Torá Oral), a última pedra do "Choshen", chamada de "Yashpe" (jaspe), estava relacionada com a Tribo de Biniamin. O Midrash explica que o nome "Yashpe" é uma contração das palavras "Yesh" e "Pe", que literalmente significam "tem boca". Por que justamente esta pedra preciosa foi escolhida para representar a Tribo de Biniamin? Pois seu nome reflete um louvável traço de caráter demonstrado por Biniamin, um dos filhos de Yaacov. O Midrash nos conta que, apesar de Biniamin saber que seu irmão Yossef havia sido vendido como escravo por seus próprios irmãos, ele nunca revelou isto para seu pai. Portanto, ele foi louvado pelo seu silêncio.

Porém, este ensinamento do Midrash levanta alguns questionamentos. Em primeiro lugar, se Biniamin estava sendo louvado pelo seu silêncio, por que a pedra preciosa que o representava era chamada de "Yashpe", que significa "tem boca"? Não seria mais apropriado o nome da pedra ser "Einpe", que significa "não tem boca"? E que bom traço de caráter Biniamin demonstrou através do seu silêncio?

Explica o Rav Yochanan Zweig que para entender qual é o bom traço de caráter de Biniamin precisamos observar o comportamento de sua mãe, Rachel, quando ela estava em um momento de enorme pressão. O Talmud (Meguilá 13b) nos ensina que quando Yaacov decidiu casar-se com Rachel, ele suspeitou que seu sogro Lavan utilizaria todos os tipos de artimanhas e malandragens para  substituir Rachel por sua irmã Lea. Como medida preventiva, Yaacov deu a Rachel uma senha secreta que a identificaria na noite do casamento. Mas ao levar em consideração a humilhação pública que sua irmã passaria, Rachel revelou para Lea a senha secreta, permitindo que a enganação de Lavan tivesse sucesso. O Talmud identifica o comportamento de Rachel como um exemplo de "Tzniut" (recato), e afirma que por causa desta "Tzniut" ela meritou grandes descendentes que também demonstraram atos exemplares de "Tzniut". O Talmud cita como exemplo a rainha Esther, que demonstrou sua "Tzniut" ao não revelar sua origem e seu povo durante o concurso de escolha da nova rainha. Mas o que o ato de Rachel, e principalmente o de Esther, tem a ver com "Tzniut"?

Normalmente "Tzniut" é definido como sendo um "código de recato", que determina a forma de como vamos nos vestir e nos comportar. Olhamos a "Tzniut" como uma obrigação apenas na área de "Bein Adam LaMakom" (entre a pessoa e D'us). Porém, o Talmud está aumentando a abrangência do conceito de "Tzniut", incluindo na exigência de recato também obrigações na área de "Bein Adam Lehaveiró" (entre a pessoa e seu semelhante), isto é, dando à "Tzniut" uma responsabilidade social.

As leis de "Tzniut" exigem que a pessoa viva de uma maneira que ela não invada o espaço dos outros. Nossas ações devem ser medidas em termos de como elas vão impactar os outros, e isto deve levar em consideração a sensibilidade de cada um. A maneira de se vestir exigida pela Halachá (Lei judaica) não é ditada apenas por quanto do nosso corpo deve estar coberto, mas também leva em conta a consciência social de que se vestir de uma maneira provocativa pode ser um ataque à sensibilidade dos outros. Roupas que atendem às especificações "Haláchicas" em termos do comprimento das peças ainda assim podem transgredir as leis de "Tzniut" se forem roupas que chamam muita atenção.

Mas permanecer dentro do nosso próprio espaço e não invadir o espaço dos outros não se aplica apenas ao vestuário. A fala é uma área na qual temos muita dificuldade para levar em consideração a sensibilidade dos outros. Frequentemente nós falamos por causa do benefício que teremos com o que estamos dizendo, mas não percebemos que podemos estar causando danos aos outros com o conteúdo, o volume de voz e o quanto nos alongamos nas nossas conversas.

Todos os exemplos de "Tzniut" atribuídos à nossa matriarca Rachel e seus descendentes envolvem o domínio sobre as palavras pronunciadas. No caso de Rachel, foi ressaltado o fato de ela ter conseguido o discernimento do tempo correto para divulgar informações importantes. Em relação aos seus descendentes, foram ressaltadas suas habilidades de se abster de revelar informações, mesmo envolvendo custos pessoais. De acordo com o Rav Yochanan Zweig, o motivo de Esther não ter revelado sua origem foi porque ela tinha uma ascendência real, era descendente direta de Shaul Hamelech, o primeiro rei de Israel. Ela entendeu que revelar esta informação colocaria as outras participantes do concurso em desvantagem, e por isso ficou quieta. Assim Esther demonstrou que havia herdado de Rachel as características de "Tzniut", isto é, a sensibilidade com o próximo mesmo quando isto envolve uma perda pessoal.

E onde vemos a "Tzniut" de Biniamin? Uma pessoa que passou por uma experiência terrivelmente traumática frequentemente é incapaz de falar abertamente sobre o tema, pelo medo que, ao trazer novamente o assunto à tona, isto causará com que a experiência negativa seja reavivada. Uma das formas de superar este medo é conversando com uma pessoa que se preocupa com ela, pois isso ajuda a aliviar um pouco o peso do trauma. Biniamin certamente passou por uma experiência tremendamente traumática quando seu único irmão materno, Yossef, foi vendido como escravo por seus irmãos paternos. Foi uma perda irreparável para Biniamin, e o único com quem ele poderia dividir seus sentimentos era seu pai. Mesmo assim, o Midrash nos ensina que ele se conteve e não falou nada para seu pai.

Ao atibuir a "Yashpe" como a pedra preciosa que representa Biniamin, a Torá está atestando que o motivo pelo qual Biniamin não contou ao seu pai sobre o destino verdadeiro do seu irmão não foi o resultado de sua inabilidade de lidar com o seu trauma. Ao contrário, a Torá ressalta que "Yesh pe", "tem boca", isto é, Biniamim tinha todas as condições psicológicas de lidar com seu trauma e contar tudo o que sabia para o seu pai. Embora ele certamente obteria um enorme benefício emocional ao desabafar com seu pai, a consciência da dor que seu pai sentiria quando ficasse claro para ele o terrível ato de seus filhos fez com que Biniamin decidisse permanecer calado. Esta sensibilidade aguçada de proteger os outros da dor, mesmo que o preço seja um sacrifício pessoal, deriva da perfeição do traço de caráter de "Tzniut" que Biniamin herdou de sua mãe.

Da Parashá aprendemos que tão importante quanto a "Tzniut" das nossas roupas é a "Tzniut" das nossas bocas. Precisamos nos cuidar muito com o que falamos, como falamos e porque falamos, para que nossas palavras não sejam piores do que o nosso silêncio.

SHABAT SHALOM e PURIM SAMEACH

Rav Efraim Birbojm
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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