sexta-feira, 10 de agosto de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ EKEV 5772

BS"D

ENSINAMENTOS DE PAI PARA FILHO - PARASHÁ EKEV 5772 (10 de agosto de 2012)

Em uma tarde fria de inverno em Tsfat, norte de Israel, o rabino Yaakov Dovid Wilovsky, mais conhecido como Ridvaz, um dos gênios da Torá de sua geração, foi para a sinagoga para Minchá (reza da tarde) um pouco antes de seu horário habitual. Naquele dia era o "Yortzait" (aniversário de falecimento) de seu pai. Ele sentou-se e ficou imerso em seus pensamentos, até que seus olhos se encheram de lágrimas. Os homens que entraram na sinagoga para Minchá perceberam o choro do Ridvaz e, sabendo que era Yortzait de seu pai, mantiveram uma distância respeitosa dele. Um amigo mais próximo aproximou-se dele e perguntou:

- Por que você está tão triste? Seu pai tinha 80 anos quando faleceu, morreu com boa idade, não era um homem jovem. E já faz cinquenta anos que ele morreu. Nossos sábios não ensinam que está decretado que a tristeza em relação aos nossos mortos vai enfraquecendo com o tempo?

- Não estou chorando de saudades - respondeu o Ridvaz - Mas lembrei de algo que me fez chorar. Quando eu ainda era garoto, meu pai contratou o melhor professor da cidade, Rav Chaim Sender, para ser meu professor de Torá. Ele cobrava pelas aulas um rublo por mês, valor muito alto naqueles dias, principalmente para o meu pai, que era um homem pobre. Era uma luta para conseguir o dinheiro cada mês, pois meu pai sustentava a casa construindo fornos. Houve então um inverno no qual não havia cimento nem gesso em nenhuma loja, e por isso meu pai ficou impossibilitado de trabalhar. Como ele não recebia dinheiro, não conseguia pagar as aulas ao Rav Chaim. Após três meses assim, um dia eu cheguei com uma carta do meu professor, na qual ele dizia que não poderia continuar a me ensinar se não recebesse seu salário na manhã seguinte. Quando meus pais leram a carta, foi como se o mundo tivesse acabado. Para eles, a minha educação de Torá era tudo!

- Naquela noite, meu pai foi à sinagoga, como de costume. – continuou o Ridvaz, visivelmente emocionado - Lá ele ouviu um frequentador, que era muito rico, se queixando que a construtora que estava fazendo uma casa para seu filho era incapaz de construir um forno por causa da escassez de cimento e gesso. O homem rico ofereceu seis rublos para quem pudesse montar um forno para seu filho. Na Rússia, um forno era uma necessidade absoluta, para aquecer as casas e cozinhar. Meu pai voltou para casa e, discutindo o assunto com minha mãe, decidiu desmontar o nosso próprio forno, tijolo por tijolo, e usar os materiais para construir um novo forno para o filho do homem rico. Assim eles teriam os seis rublos para pagar o meu professor. Meu pai entregou o forno ao homem rico e recebeu os seis rublos em troca. Ele me chamou e disse: "Filho, diga ao seu professor que três rublos são para o pagamento dos meses que eu estou devendo, e os outros três são para os próximos três meses de aula para o meu Yankel Dovid". Aquele foi um inverno muito frio, e estávamos sempre tremendo e quase congelando. E tudo isto para que eu pudesse ter o melhor professor e poder crescer na Torá.

- Estava frio lá fora hoje - concluiu o Ridvaz - e eu pensei em mandar trazer um Minyan (grupo de 10 homens) para minha casa, ao invés de ir para a sinagoga. Então eu decidi, em honra de meu pai, que eu deveria fazer um esforço especial para ir à sinagoga. Quando senti o frio na rua, refleti sobre todo sofrimento que minha família passou durante aquele longo e frio inverno. Sofrimento por mim e pela minha Torá. É por isso que eu chorei, lembrando do amor dos meus pais e a dedicação sem fim para que seu filho pudesse aprender a sagrada Torá. Se não fosse por seu sacrifício, eu nunca teria sido capaz de escrever o meu comentário sobre o Talmud Yerushalmi".

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Na Parashá desta semana, Ekev, a Torá traz mais alguns versículos que compõe o Shemá Israel. E um dos versículos nos ensina sobre a importância da transmissão dos conceitos e valores judaicos para os nossos filhos, como está escrito: "E você deve ensiná-las aos seus filhos" (Devarim 11:19). Diz o Talmud (Tratado Kidushin 29b) que deste versículo aprendemos que não é apenas "bonito" ensinar judaísmo aos filhos, na verdade o pai tem uma obrigação de ensinar Torá para o seu filho e, se necessário, deve contratar um professor de Torá para ele. Caso o filho precise estudar Torá em outra cidade, o pai tem a obrigação de prover todas as necessidades, como comida e estadia, para que o filho possa aprender Torá.

Mas por que precisamos deste ensinamento especificamente para o estudo da Torá? Apesar de uma criança não estar obrigada a cumprir as Mitzvót da Torá antes de sua maioridade religiosa, os pai tem a obrigação de ensinar aos seus filhos o cumprimento delas, por "Chinuch" (educação). Assim, quando o filho chega à idade em que estará obrigado a cumprir as Mitzvót, já terá se acostumado e não será uma carga tão pesada em suas costas de uma só vez. Portanto, qual a diferença entre a Mitzvá de ensinar Torá aos filhos e as outras Mitzvót da Torá?

Explicam nossos sábios que esta obrigação de preparar os filhos para as Mitzvót (Chinuch) é uma obrigação rabínica. Mas existem 3 Mitzvót que são exceções, nas quais o pai está obrigado a educar seus filhos, mesmo os que ainda não atingiram a maioridade religiosa, não apenas por Chinuch, mas por obrigação direta da Torá. São as Mitzvót de Brit-Milá (circuncisão), Shabat e Torá. Nestas 3 Mitzvót há versículos que explicitamente incluem os filhos no seu cumprimento. Em relação ao Brit-Milá está escrito: "E com 8 dias de idade serão circuncidados todos os filhos homens, por todas as gerações" (Bereshit 17:12). Em relação ao Shabat está escrito: "Não farão nenhum trabalho, você e teu filho e tua filha" (Shemot 20:10). E em relação à Torá está escrito: "E você deve ensiná-las aos seus filhos" (Devarim 11:19).

Há algo interessante que também percebemos em relação a estas 3 Mitzvót. Todas as vezes em que o povo judeu foi exilado ou esteve sob o domínio dos outros povos, sempre houve decretos que proibiam a prática do judaísmo. Mas "coincidentemente", as primeiras Mitzvót a serem proibidas sempre foram estas três, como diz o Talmud (Taanit 18a): "Foi decretado sobre o povo judeu que não se ocupassem com o estudo da Torá, e que não circuncidassem seus filhos, e que desrespeitassem o Shabat". O que há de tão especial nestas 3 Mitzvót, que faz com que mesmo os outros povos queiram arrancá-las de nós?

Responde o livro "Lekach Tov" que, apesar de todas as Mitzvót da Torá estarem incluídas dentro de um pacto que fizemos com D'us no Monte Sinai, estas 3 Mitzvót são individualmente chamadas de "pacto". Em relação ao Shabat está escrito: "Os filhos de Israel devem guardar o Shabat, para cumprir o Shabat por todas as gerações, um pacto eterno" (Shemot 31:16). Em relação ao Brit Milá está escrito: "E você deve guardar o meu pacto" (Bereshit 17:9). E em relação à Torá está escrito: "Se não cumprirem o Meu pacto dia e noite, as leis do céu e da terra Eu não teria instituído" (Irmiahu 33:25).

Portanto, como são pactos do povo judeu com D'us, mesmo as crianças já estão obrigadas a cumprir estas 3 Mitzvót. Um bebê já é introduzido ao pacto do Brit Milá com 8 dias de vida. As crianças já são ensinadas, desde pequenas, a não transgredir o Shabat, sendo proibidas de realizar para os seus pais qualquer uma das atividades criativas proibidas no Shabat. E os pais já ensinam, desde muito cedo, Torá para os seus filhos, acompanhando os seus estudos e seu crescimento espiritual.

Estas 3 Mitzvót são tão fundamentais e vitais para o povo judeu que o nosso Yetzer Hará (má inclinação), quando quer nos derrotar, ataca diretamente neste três pilares. Por isso se repetem, de geração em geração, decretos nos proibindo de cumpri-las. Mas o povo judeu nunca desistiu de manter nossos pactos com D'us. Mesmo em épocas nas quais vigoraram decretos proibindo as Mitzvót, mesmo quando havia pena de morte, muitos deram suas próprias vidas para manter nossos pilares. Mesmo nos momentos em que era impossível cumprir abertamente estas Mitzvót, elas foram cumpridas em segredo. Um exemplo é a antiga União Soviética. Em épocas em que havia proibição de qualquer prática religiosa, sob o risco de ser enviado para a Sibéria, a cerimônia de Brit Milá era feita em garagens e porões das casas, diante de poucos familiares, para não levantar suspeitas dos agentes do governo. Muitas vezes as famílias tinham que esperar o momento certo e o Brit Milá acontecia quando os bebês já tinham mais de 1 ano de idade.

Atualmente vivemos uma época de liberdade religiosa. Apesar do antissemitismo estar cada vez mais presente, na mídia e nos ataques isolados contra a comunidade judaica em todo o mundo, não existem decretos que nos proíbem de cumprir as Mitzvót. Mesmo na Rússia, atualmente os judeus são livres para cumprir suas Mitzvót. Porém, apesar desta liberdade, grande parte do povo judeu está tão afastada que abandonou completamente as Mitzvót. Não conhecemos mais as leis de Shabat, a Torá não é mais ensinada aos nossos filhos, e muitos estão deixando de se importar até mesmo com o Brit-Milá. Isto nos prova que o pior inimigo do povo judeu não é nem os antissemitas nem os ataques de terroristas árabes. Nosso pior inimigo é o comodismo e a ignorância dos ensinamentos da Torá.

Devemos aproveitar nossa liberdade para conhecer os ensinamentos pelos quais nossos antepassados deram a vida para manter. Devemos ter orgulho da nossa Torá, que encheu o mundo inteiro de justiça e sabedoria. Há mais de 3 mil anos a Torá é transmitida, de pai para filho, de professor para aluno, em uma corrente que nunca foi interrompida. Agora chegou a nossa vez, precisamos sentir a responsabilidade de transmitir a Torá para as futuras gerações. Não morrendo pela Torá, mas vivendo por ela, e dando vida espiritual para nossos filhos, netos e bisnetos.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAETCHANAN 5772

BS"D

QUEM É COMO D'US? - PARASHÁ VAETCHANAN 5772 (03 de agosto de 2012)

 "Carlos entrou na sala do psicólogo, visivelmente irritado, para sua primeira consulta. Deitou-se no divã, mas não conseguiu relaxar. Tentando começar uma conversa amigável, o psicólogo perguntou:

- Boa tarde, Sr. Carlos. Em que posso ajudá-lo? Algum problema em especial? Algo o incomoda?

- Vou ser sincero, doutor - responde Carlos - Não sei nem mesmo porque estou aqui. Minha família me trouxe à força. Eles dizem que eu estou ficando louco, mas não é verdade, eu sou completamente normal.

- Está bem - riu o psicólogo - Mas o que a sua família diz sobre o seu comportamento? Por que eles estão incomodados a ponto de achar que você é louco?

- Eles é que são loucos, doutor - continuou afirmando Carlos, já um pouco mais exaltado - Eles dizem que eu sou megalomaníaco, que estou com mania de grandeza. Mas você pode ver que não é verdade!

- Está bem, fique calmo - tranquilizou o psicólogo – Para que possamos nos conhecer, me conte um pouquinho da sua vida. Comece do princípio.

- Bom, doutor - disse Carlos, com um grande sorriso - No primeiro dia eu criei os Céus e a Terra..."

Pode parecer uma grande piada, mas muitas vezes nos comportamos assim. Esquecemos o quanto somos pequenos e sentimos que temos controle de tudo, como se fossemos D'us. Mas a verdade é que não controlamos absolutamente nada.

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Na Parashá desta semana, Vaetchanan, a Torá traz alguns dos versículos que compõe o Shemá Israel, a nossa maior declaração de Emuná (fé) e amor por D'us, que recitamos duas vezes por dia. E entre outros ensinamentos, estes versículos falam sobre a Mitzvá de colocar uma Mezuzá nas portas de nossas casas, como está escrito: "E as escreverá nos batentes de sua casa e nos seus portões" (Devarim 6:9).

A Mitzvá de Mezuzá tem algumas particularidades interessantes que a diferem das outras Mitzvót da Torá. Em geral, o objeto utilizado para cumprir a Mitzvá dá nome à Mitzvá. É o que ocorre, por exemplo, nas Mitzvót do Shofar e Tefilin. Mas a Mitzvá da Mezuzá é diferente, pois a palavra "Mezuzá" significa literalmente "batente". Isto quer dizer que o objeto por si só, isto é, o pergaminho que contém os versículos do Shemá Israel, não define o nome da Mitzvá. O que dá o nome à Mitzvá é o batente, que é apenas o local onde o pergaminho é colocado. Comparando com outras Mitzvót, isto soa tão estranho quanto chamar a Mitzvá do Tefilin de "Mitzvá do braço".

Além disso, o Talmud (Baba Metzia 102a) nos ensina que quando alguém se muda de uma casa e sabe que os próximos inquilinos também serão judeus, ele é obrigado a deixar as Mezuzót fixadas nas portas e não pode retirá-las para levar para sua nova casa. O Talmud descreve o caso de um homem que tirou as Mezuzót de sua casa e teve uma punição muito rigorosa. Comparando com outras Mitzvót, isto seria como obrigar uma pessoa que se muda de casa a deixar seus Tefilin, seu Talit e seus livros de Torá para o próximo inquilino judeu. Por que a Mitzvá da Mezuzá é tão diferente das outras Mitzvót e a punição daquele que tira as Mezuzót de sua casa é tão rigorosa?

E finalmente, a Torá nos conta um detalhe interessante sobre Ruth, uma mulher nobre do povo de Moav que abandonou uma vida de conforto e tranquilidade para se converter ao judaísmo. E pelo seu ato tão elevado, ela teve o mérito de ser a bisavó de David Hamelech (Rei David). Quando a sogra de Ruth, Naomi, decidiu deixar a terra de Moav e voltar para Israel, Ruth decidiu que iria junto com ela e que se converteria ao judaísmo, como está escrito: "Onde você for, eu irei. E onde você dormir, eu dormirei. Seu povo é meu povo, seu D'us é meu D'us" (Ruth 1:16). Para testar se as intenções de Ruth eram realmente sinceras, Naomi tentou dissuadi-la, mencionando as Mitzvót que ela seria obrigada a cumprir caso realmente quisesse se converter. Explica o Midrash (Ruth Raba 2:23) que uma das Mitsvót mencionadas foi a Mezuzá. Qual o motivo de mencionar esta Mitzvá, aparentemente fácil de cumprir, na tentativa de testar a verdadeira intenção de alguém que quer se converter?

Explica o Rav Yohanan Zweig que a maioria das sociedades vive apenas focada em seus próprios direitos. As passeatas e greves exigindo direitos se multiplicam, enquanto os deverem são deixados cada vez mais de lado. Um caso clássico de descaso com o direito dos outros tem repetidamente acontecido em São Paulo. Trechos da Avenida Paulista são tomados, quase diariamente, por manifestações dos mais diversos grupos exigindo seus direitos. Mas estes grupos não se importam que este tipo de manifestação, na maior avenida de São Paulo, interfere na vida de centenas ou milhares de pessoas, que perdem o seu direito de ir e vir.

Se este descaso com os nossos deveres já acontece nas ruas, ainda pior é o efeito que acontece dentro de nossas casas. Quando as pessoas estão nas ruas, elas sabem que não podem fazer o que querem, pois existem as leis do país. Citando como exemplo o trânsito, as pessoas sabem que não podem dirigir da maneira que desejam. Mas na privacidade de suas casas, a pessoa acha que é soberana, isto é, que nenhuma autoridade pode decidir o que ele pode ou não pode fazer entre quatro paredes. O ser humano sente que é o rei em sua própria casa, que tem o domínio e pode tomar suas próprias decisões e atitudes sem que ninguém interfira. Para que todos saibam quem tem o controle sobre a casa, é comum que as pessoas escrevam o nome da família na porta ou no batente, demarcando o seu território.

Mas esta não é a forma como se comporta o povo judeu. Vivemos o tempo inteiro com a consciência da presença de D'us. Não há nenhum momento em nossas vidas que sentimos que estamos sozinhos e, portanto, isentos de seguir regras. Mesmo quando estamos dentro de casa, sabemos que há um Criador que vê tudo e controla tudo, e por isso devemos nos comportar de acordo com as Suas leis. Portanto, esta é a grande importância da Mitzvá de Mezuzá. Quando colocamos a Mezuzá no batente de nossas portas, é como se estivéssemos escrevendo na nossa porta o nome de D'us, declarando que, apesar de ser um domínio particular, o nosso próprio "reinado", é Ele quem tem domínio sobre o lugar, Ele é a verdadeira autoridade daquela morada. Assim deve ser a casa de um judeu.

Naomi sabia que Ruth vinha de uma sociedade idólatra e decadente, onde as pessoas realmente acreditavam que tinham o controle total dentro de suas próprias casas, que podiam fazer o que quisessem sem nenhuma prestação de contas. Então Naomi advertiu Ruth que, caso ela quisesse se converter, deveria mudar sua forma de viver a vida, mesmo quando estivesse na privacidade de sua casa. Por isto Naomi mencionou a Mezuzá, para ressaltar que o comportamento de um judeu deve ser diferente, pois mesmo entre quatro paredes nós continuamos com a obrigação de cumprir as Mitzvót de D'us.

Quando uma pessoa muda-se de casa e deixa para trás as suas Mezuzót fixadas nas portas, ela está afirmando que esta é uma casa que pertence a D'us. Mas quando a pessoa tira suas Mezuzót, ela está negando qualquer controle de D'us sobre aquela casa. Por isso o castigo de alguém que arranca o "nome de D'us" de uma casa é tão rigoroso. E é por isso que o nome da Mitzvá é "batente", pois como a Mezuzá transforma a casa em um ambiente que pertence a D'us, o objeto da Mitzvá é a própria casa, e não apenas o "nome" grudado na porta.

Destes ensinamentos sobre a Mezuzá aprendemos a importância de manter a santidade e a pureza dos nossos atos, mesmo quando estamos dentro de nossas casas, entre quatro paredes. Não há nenhum lugar e nenhum momento do dia em que estamos isentos de cumprir a vontade de D'us, pois é Ele que tem controle, mesmo quando estamos dentro do nosso domínio. Quando nos comportamos como "donos da casa", estamos sendo orgulhosos. A Mezuzá nos ajuda a ter a humildade de saber que, mesmo no nosso local de "reinado", é D'us quem comanda sempre.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 27 de julho de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5772


BS”D

LÁGRIMAS DO CORAÇÃO - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5772 (27 de julho de 2012)

“Quando o Campo de Concentração de Buchenwald foi libertado pelos aliados, todas as crianças órfãs sobreviventes foram levadas para um orfanato em Ecouis, um pequeno vilarejo da França, onde receberam muitos cuidados e carinho da comunidade judaica local. Havia no orfanato um total de 500 crianças e jovens que não tinham mais ninguém no mundo.

Certa vez organizaram uma homenagem pública aos órfãos, onde estariam presentes muitas personalidades locais, entre eles o comandante da polícia, o comandante militar e o prefeito. Os órfãos não quiseram ir, pois sabiam que aquela homenagem era apenas por interesse das autoridades de fazer propaganda diante da mídia. Mas a responsável pelo orfanato, a Sra. Rachel Mintz, insistiu para que todos fossem, e os rapazes concordaram em comparecer, mas decidiram que não aplaudiriam e nem mesmo levantariam seus olhos do chão quando as personalidades discursassem.

E assim foi. 500 jovens escutaram os discursos de cabeça baixa, sem demonstrar nenhuma emoção. Até que subiu para discursar o último convidado. Era um senhor judeu que havia se salvado de Aushwitz, mas tinha perdido a esposa e todos os filhos. Desde sua libertação, ele havia dedicado todos os seus bens aos órfãos. Ele tentou começar seu discurso, mas as lágrimas embargaram sua voz. Tentou mais uma vez, mas ele tremia muito e as palavras não saíam. Finalmente conseguiu dizer apenas 3 palavras em Ídishe: “Filhos, queridos filhos”. Aqueles órfãos eram tudo o que havia lhe restado na vida.

Os órfãos então levantaram pela primeira vez seus olhos. Cada um começou, sem querer demonstrar a emoção, a enxugar as lágrimas com a manga da camisa, olhando com vergonha para o lado para ver se alguém tinha percebido aquela pequena lágrima escorrendo. E então, de repente, rompeu-se a barreira. De uma só vez abriram-se as comportas, e aqueles 500 jovens choraram um choro sincero e libertador.

Em meio ao choro, levantou-se um jovem chamado Aharon Feldberg, de 25 anos, um dos mais velhos do grupo, e dirigiu-se aos visitantes:

- Gostaria de dizer algumas palavras. Desejo, em nome de todos, agradecer a todos vocês. Não por terem vindo, pois não queríamos esta visita. Não pelos presentes que nos trouxeram, pois não estamos interessados neles. Queremos lhes agradecer pelo maior presente que recebemos de vocês há alguns instantes, que foi a possibilidade de voltar a chorar.

O rapaz, visivelmente emocionado, continuou seu discurso:

- Quando os nazistas levaram meu pai e minha mãe, eu não chorei. Eu estava seco de lágrimas. Quando diversas vezes me golpearam no Campo de Concentração, eu mordi os lábios e não chorei. Há anos não rio e não choro. Passamos fome, congelamos de frio, sangramos, mas não choramos. Desde a libertação do Campo, e ainda antes dela, eu andava com a sensação de que não sou mais uma pessoa normal. Achava que eu não tinha coração, que não conseguiria chorar nos momentos em que é preciso chorar. Achei que eu tinha uma pedra no peito e não um coração humano. Assim eu pensava até 5 minutos atrás, mas não penso mais. Agora eu chorei, e bastante, e lhes digo, que quem é capaz de chorar, poderá amanhã também rir e se alegrar. E é por isto que eu lhes agradeço”
                       
Esta história real, retirada do livro “Lúlek”, uma biografia do rabino Israel Meir Lau, nos ensina que através das lágrimas sinceras, um dia chegaremos à alegria e consolo verdadeiros.

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Nesta semana começamos o último livro da Torá, Devarim, também conhecido como “Mishnê Torá”, cuja tradução literal é “Repetição da Torá”. Por que este “apelido”? Pois grande parte do livro contém o discurso de despedida de Moshé Rabeinu antes de seu falecimento. Para que o povo judeu aprendesse com o passado, tanto com os acertos quanto com os erros, Moshé relembrou muitos dos acontecimentos marcantes nos 40 anos em que o povo permaneceu no deserto.

Esta “revisão” feita por Moshé foi certamente importante para a geração do deserto, pois foi uma preparação para a entrada em Israel. Mas para que serve esta “revisão” para nós, mais de 3 mil anos depois? Se quisermos rever algum acontecimento, podemos simplesmente abrir a Torá na passagem que nos interessa e ler novamente. Então para nós, qual a importância do livro de Devarim?

A resposta é que, apesar de conter repetições, o livro de Devarim também traz muitas novidades. Em primeiro lugar, são ensinadas muitas Mitzvót novas, que ainda não haviam sido ensinadas antes. Além disso, quando a Torá repete os acontecimentos, acrescenta detalhes que ajudam a entender e a se aprofundar em alguns conceitos. É o que acontece, por exemplo, na Parashá desta semana, Devarim, que nos ajuda a entender melhor um dos eventos mais marcantes para o povo judeu: o pecado dos espiões.

Na Parashá Shelach, no livro de Bamidbar, a Torá descreve que o povo judeu, ainda no primeiro ano no deserto, se aproximava da terra de Israel. Ao invés de confiar na promessa de D’us, que havia garantido que a terra era boa e fértil e que eles teriam sucesso em conquistá-la, o povo pediu para enviar espiões. A consequência foi trágica, pois dos 12 espiões enviados, 10 voltaram falando mal da terra, causando uma histeria coletiva e um choro de desespero. D’us então jurou: “Hoje vocês choraram sem motivo. Este dia será fixado como um dia de choro para todas as gerações”. Este dia era Tishá Be Av, o nono dia do mês judaico de Av.

No próximo sábado de noite (28/07), assim que terminar o Shabat, é Tishá Be Av, um dia marcado por tristezas e sofrimentos. Neste dia, conforme D’us havia jurado, terríveis tragédias atingiram o povo judeu, desde as épocas bíblicas até os nossos dias. Exatamente neste dia nossos dois Templos Sagrados foram destruídos, fomos expulsos da Inglaterra, Espanha e Portugal, e foi o dia em que se iniciou a Primeira Guerra Mundial. Também a queda do primeiro avião da companhia aérea israelense El Al aconteceu justamente em Tishá Be Av. Neste dia nós jejuamos e nos abstemos de vários tipos de prazer, como relações maritais, usar sapatos de couro, tomar banho ou passar óleo no corpo. Será que há algo que podemos fazer para mudar este dia tão triste e consertar o erro dos nossos antepassados?

A Parashá Devarim é sempre lida na semana em que cai Tishá Be Av. Um dos motivos é que nesta Parashá Moshé relembra o erro do povo de ter chorado após o relato dos espiões, acrescentando alguns detalhes que nos ajudam a entender um pouco melhor qual foi o erro. A Torá diz que os judeus se desesperaram com as palavras dos espiões, que disseram que os habitantes de Israel eram gigantes e seria impossível derrotá-los. O povo então disse para Moshé: “Com ódio D’us nos tirou do Egito, para nos entregar nas mãos dos Emoritas para nos destruir” (Devarim 1:27). O que significam estas palavras? Por que os judeus achavam que D’us sentia ódio deles?

Explica o Sforno, comentarista da Torá, que o povo judeu pensou que D’us estava bravo por causa da idolatria que eles fizeram enquanto ainda viviam no Egito e que Ele, por causa deste ódio, mesmo tendo poder para esmagar os Emoritas, castigaria o povo judeu entregando-o nas mãos de seus inimigos. Por isso eles choraram tão amargamente.

Mas desta explicação do Sforno surge uma grande pergunta. Segundo suas palavras, o choro do povo judeu foi um choro de arrependimento por um erro cometido, isto é, um choro positivo, uma demonstração de temor a D’us. Então por que nossos sábios dizem que este foi um choro em vão, e que resultou em todas as catástrofes que nos atingem até hoje?

Responde o Rav Eliahu Dessler que realmente a motivação original do povo judeu era proveniente de uma fonte pura de temor a D’us. Porém, o Yetzer Hará (má inclinação) conseguiu misturar neles a falta de Bitachon (confiança em D’us), o que pode ser visto no final do versículo: “Não podemos subir contra eles (os habitantes da terra), pois eles são mais fortes do que nós” (Bamidbar 13:31). Rashi explica que a intenção da frase era também incluir D’us, isto é, o povo começou a acreditar que os habitantes da terra eram fortes demais até mesmo para D’us. O choro, uma demonstração de sofrimento interno, foi consequência da falta de Bitachon, causando uma rápida deterioração espiritual que os levou a se desconectar de D’us.

O conceito de “destruição do Beit Hamikdash (Templo Sagrado)” pode ocorrer em dois níveis: coletivo e individual. O Beit Hamikdash era o lugar onde a presença de D’us repousava. Quando ele foi destruído, os portões celestiais se fecharam e a Presença de D’us se ocultou, como se Ele estivesse em exílio. Há um paralelo com o coração de cada judeu. Existe uma faísca sagrada escondida dentro do coração de cada judeu, como se fosse a Presença de D’us. Esta faísca não pode ser apagada nunca, por mais assimilada e afastada que a pessoa possa estar. Mas quando a pessoa começa a cometer transgressões e a se impurificar, ela cria uma muralha de ferro entre esta faísca sagrada e o seu “eu” exterior. Isto causa um “exílio espiritual interno”, quando a espiritualidade, que deveria estar revelada e brilhando, está escondida e obscurecida. Quando isto ocorre com a maioria do povo, então é como se a presença de D’us tivesse se afastado de nós. É um momento crítico, onde se aproxima uma situação de extermínio espiritual. Foi nesta situação em que ocorreu a destruição dos nossos dois Templos Sagrados, isto é, o exílio espiritual interno causou o exílio espiritual externo.

Infelizmente hoje já não sentimos mais a perda do Beit Hamikdash e nem a falta da espiritualidade em nossas vidas. Aquele que não sente este vazio espiritual é porque já tem dentro de si um “exílio espiritual”, isto é, uma muralha bloqueando seu coração. Mas ao contrário, se a pessoa consegue sentir este vazio espiritual e sofre até o ponto de chorar, um choro verdadeiro e sincero, significa que percebeu a ausência de espiritualidade e conseguiu abrir uma brecha na muralha para começar a consertar o vazio do seu coração.

Por todas as tragédias que ocorreram neste dia, vemos Tishá Be Av de uma maneira negativa, queremos que esta data de luto e tristeza passe rápido. Mas temos que saber que o dia de Tishá Be Av é uma grande oportunidade de despertar espiritual. Quando D’us fixou um choro para todas as gerações, não foi um choro de castigo, e sim um choro de renovação, um choro de conserto espiritual. Quando conseguimos refletir e internalizar nossa perda espiritual, o choro vem automaticamente, sem a necessidade de nenhuma intervenção externa. Mas se não paramos para refletir, então D’us precisa nos mandar sofrimentos e dificuldades externas, para que elas nos causem motivos que nos façam sofrer pela perda da espiritualidade do nosso coração. Este choro, mesmo que causado por fatores externos, é o caminho para a redenção, tanto pessoal quanto do povo judeu como um todo.

Por que o conserto precisa vir através de lágrimas? Pelo fato de todo o problema ser algo interno, então necessariamente o conserto também deve ser de caráter interno. O Talmud (Brachót 32a) diz que quando o Beit Hamikdash foi destruído, todos os portões celestiais se fecharam, com exceção do Portão das lágrimas. Com a mesma intensidade que a pessoa se esforçar para abrir seu coração, assim serão abertos para ela os portões celestiais.

Portanto, quando nos abstemos dos prazeres em Tishá Be Av, junto com a leitura do Livro de Kinót (Lamentações), que nos ajuda a construir em nossas cabeças uma imagem real da destruição do Beit Hamikdash, é possível despertar e chegar ao choro verdadeiro, que sai do coração. E esta é a raiz do conserto interno, que nos ajuda a revelar a espiritualidade que estava escondida e obscurecida.

O que mais nos impressiona é poder perceber a mão de D’us nos acompanhando em todas as gerações. Os vários acontecimentos históricos que ocorreram justamente em Tishá Be Av, apesar de terem sido trágicos, nos ajudam a perceber que é apenas a mão de D’us que guia todos os acontecimentos, mesmo nos momentos de sofrimento. Se o Rei Fernando e a Rainha Isabel, que nos expulsaram de Portugal e Espanha, soubessem quanta Emuná (fé) eles plantaram no coração do povo judeu ao expulsá-los justamente em Tishá Be Av, certamente teriam se arrependido de seu ato.

A nossa preparação para Tishá Be Av é entender pelo que precisamos sofrer e para onde este sofrimento deve nos levar. Em geral a tristeza é um sentimento perigoso, que pode nos levar ao desânimo e a uma queda espiritual. Mas podemos utilizá-la de maneira positiva, para fixar tempos de reflexão, para pensar na grandeza de D’us, contra quem nós constantemente transgredimos, e possamos “quebrar” nosso coração em arrependimento. Mas imediatamente após este arrependimento, devemos abandonar a tristeza e voltar a colocar em nosso coração a certeza de que D’us perdoa as transgressões e é misericordioso com aqueles que se arrependem e decidem consertar seus caminhos. Esta é a alegria que vem imediatamente após a tristeza de Tishá Be Av. Por isto o Shabat logo depois de Tishá Be Av é chamado “Nachamu” (Se consolem), pois é um aviso que depois da tristeza e do choro verdadeiro vem a alegria verdadeira.

Portanto, o propósito de Tishá Be Av é, através da tristeza, enxergar que a destruição dos nossos dois Templos Sagrados, que causou o exílio da Presença Divina, é apenas consequência da nossa queda e do nosso exílio espiritual interno, a muralha de ferro que criamos com nossos maus atos e que separa nossa faísca de Divindade do nosso corpo material. Este choro e sofrimento é a preparação para a nossa redenção e a fonte da alegria verdadeira e do consolo, para nós e para todo o povo judeu.

SHABAT SHALOM

R’ Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT
São Paulo: 17h24  Rio de Janeiro: 17h08  Belo Horizonte: 17h19  Jerusalém: 18h59
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Chava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Esther bat Miriam, Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita, Latife bat Renee, Avraham bem Sime, Clarisse Chaia bat Nasha Blima, Tzvi Mendel ben Ester, Marcos Mordechai Itschak ben Habibe, Yacov Eliezer ben Sara Masha, Yossef Gershon ben Taube, Manha Milma bat Ita Prinzac, Rachel bat Luna, Chaim Shmuel ben Sara, Moshe Avraham Tzvi ben Ahuva, Avraham ben Ahuva, Miriam bat Yehudit, Alexander Baruch ben Guita, Shmuel ben Nechama Diná, Avracham Moshe ben Miriam Tobá, Guershon Arie ben Dvora, Mazal bat Miriam, Yadah ben Zarife, Shmuel Ben Chava, Mordechai ben Malka, Chaim Dov Rafael ben Esther, Menachem ben Feigue, Shmuel ben Liva, Hechiel Hershl ben Esther, Shlomo ben Chana Rivka, Natan ben Sheina Dina, Mordechai Ghershon ben Malia Rochel, Benyomin ben Perl, Ytzchok Yoel haCohen ben Rivka, Sarah Malka ben Rivka, Malka bat Toibe, Chana Miriam bat Sarah, Feigue bat Guitel, Gutel bat Slodk, Esther bat Chaia Sara, Michael ben Tzivia, Ester bat Lhuba, Brane bat Reize, Chaya Rivka Bat Miriam Reizl, Michele Chaia  bat Eny, Avraham ben Chana, Chaia Sluva bat Chaika, Esther bat Arlette, Bentzion ben Chana, Guitel bat Miriam, Chaia Feigue bat Ides, Esther bat Arlette, Rachel bat Adele, Itzhak ben Faride, Pessach ben Chani, Menusha bat Hana, Sarah bat Reizel, Yossef ben Dinah, Bentzion ben Chana, Yossef ben Mazal, Dvora bat Stera, Miriam bat Dvora Simcha, Isaac Ben Chava, Yossef Shalom ben Chaya Musha, Miriam Bat Lea, Yossef ben Simcha, Moshe ben Rachel, Ida bat Mazal Fortunée, Israel Rafael ben Sara Nesha, Amalia Mili bat Luciana, Guitel (Gretta) bat Miriam, Fiszel Czeresnia.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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sexta-feira, 20 de julho de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT MATÓT E MASSEI 5772

BS"D

QUEM ESTÁ NO COMANDO? - PARASHIOT MATÓT E MASSEI 5772 (20 de julho de 2012)

"Jacó estava com dificuldades financeiras e acabou pedindo muito dinheiro emprestado para Abrão. Como era uma soma muito alta, quando chegou o dia do pagamento, Jacó ainda não tinha conseguido o dinheiro necessário. Ele ficou andando na sala, de um lado para o outro, pensando em como conseguiria aquela quantia. Já era tarde da noite e ele não conseguia dormir. Tentou deitar, mas ficava revirando na cama. Sara, incomodada com tamanha agitação, perguntou:

- O que você tem hoje? Por que está assim tão agitado? Deita e dorme, pois já é tarde!

- Não consigo dormir, querida - respondeu Jacó - Amanhã de manhã preciso devolver um empréstimo para o Abrão, mas não tenho este dinheiro. O que eu vou fazer? Como eu posso dormir?

Sara, ao escutar isso, pegou o telefone e ligou para o Abrão. Quando ele atendeu, assustado com o telefonema no meio da madrugada, ela disse:

- Abrão, aqui é a Sara. Estou ligando apenas para te avisar que meu marido não vai pagar o dinheiro que ele está devendo. Não adianta insistir. Boa noite.

Quando ela desligou o telefone, o marido, atônito, perguntou:

- Querida, você ficou louca? Por que fez isso?

- Jacó, você já pode deitar e dormir. O Abrão já sabe que você não vai pagar a dívida. Agora quem vai ficar sem dormir é ele..."

Muitas vezes fazemos o mesmo em relação às dívidas que temos com D'us. Nos esquecemos das nossas obrigações e nos comportamos como se, no nosso relacionamento, somente Ele tem deveres.
                       
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Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Matót e Massei, terminando o 4º livro da Torá, Bamidbar. E a Parashá Matót começa com um assunto muito importante dentro da lei judaica: as promessas e juramentos, como diz o versículo: "Um homem que fizer uma promessa para D'us ou um juramento para proibir algo sobre si, ele não deve descumprir sua palavra. Ele deve fazer de acordo com o que saiu de sua boca" (Bamidbar 30: 3).

Infelizmente não tratamos as promessas e juramentos com a devida seriedade. Estamos acostumados a nos comprometer e a não cumprir nossa palavra, sem sentir nenhuma vergonha por isso. Fazemos juramentos sem nenhuma intenção de cumprir, apenas para mostrar nossa convicção. "Juro que foi assim que aconteceu", "Juro que isso não acontecerá novamente". Será que não estamos desprezando algo importante, que pode ter graves consequências?

Existem duas categorias de promessas. A pessoa pode se proibir de algo que a Torá permite, como alguém que promete não comer mais maças, ou a pessoa pode se obrigar a fazer algo que não estava obrigada, como alguém que promete doar certa quantia de Tzedaká (caridade) para uma instituição. Em ambos os casos é muito grave a pessoa não cumprir sua promessa. E em relação às promessas nas quais nos obrigamos a fazer algo, não apenas é um problema não cumprir o que prometemos, mas também adiar o cumprimento de algo prometido já é extremamente grave. Podemos ver isto através das palavras de um Midrash (parte da Torá Oral), que nos ensina que aquele que prometeu algo e tarda em cumprir o que prometeu, seu castigo é ser lançado ao mar.

Apesar de parecer algo não literal, as palavras do Midrash já se cumpriram muitas vezes durante a história. O profeta Yoná, por exemplo, prometeu a D'us que iria à cidade de Nínive para advertir seus moradores sobre suas graves transgressões e avisá-los que a cidade seria destruída por D'us. Mas ao invés de cumprir sua palavra, Yoná tentou adiar sua missão, fugindo em um navio. D'us então mandou uma tempestade que quase afundou o navio onde estava Yoná. Os marinheiros, apavorados, jogaram a sorte e descobriram que o culpado era Yoná. A tempestade só parou quando ele foi atirado ao mar, cumprindo as palavras do Midrash.

Mas sabemos que os castigos de D'us são "Midá Kenegued Midá" (medida por medida), isto é, da maneira que erramos, assim somos punidos, para que possamos entender nosso erro e consertá-lo. Então por que a punição de alguém que adia o cumprimento de uma promessa é ser atirado ao mar? Mais do que isso, o que leva alguém a adiar o cumprimento de uma promessa? Provavelmente o Midrash não está falando de alguém que não cumpriu a promessa por algum impedimento de força maior, e sim daquele que poderia ter cumprido e não cumpriu. Se a pessoa prometeu, então por que não cumpre logo sua palavra? E finalmente, há um interessante ensinamento sobre promessas no Talmud (Nedarim 22a), que afirma que aquele que faz uma promessa se compara a alguém que constrói um altar próprio. O que o Talmud está nos ensinando, e qual a conexão com os ensinamentos trazidos anteriormente?

Explica o Rav Yohanan Zweig que, para responder todas estas perguntas, antes é necessário entender o que leva uma pessoa a fazer uma promessa. A promessa é uma ferramenta que a pessoa utiliza para fortalecer suas convicções. Se uma pessoa toma uma decisão sem nenhum tipo de comprometimento, ela pode facilmente mudar de ideia. A promessa entra como uma "ajuda Divina" para que a pessoa se mantenha firme em suas convicções, mesmo quando surgirem dificuldades e desejos contrários. Se refletirmos, vamos perceber que a promessa dá para a pessoa um direito que até agora pertencia somente à D'us: a capacidade de criar um novo status para um objeto. Por exemplo, quando alguém promete não comer mais maças, para esta pessoa a proibição de comer maças tem o status equivalente à proibição estabelecida por D'us de comer carne de porco. Pelo fato da promessa ser um poder dado por D'us aos seres humanos, aquele que a utiliza para o seu próprio benefício é comparado com alguém que constrói em seu quintal um altar para uso privado, ao invés de utilizar o altar coletivo.

Porém, esta consciência de que a pessoa precisa da ajuda de D'us para satisfazer suas necessidades pessoais causa uma forte sensação de endividamento. E assim diz Shlomo Hamelech (Rei Salomão): "Uma pessoa que toma dinheiro emprestado torna-se escravo daquele que emprestou" (Mishlei - Provérbios 22:7). Da mesma forma que alguém que pediu emprestado dinheiro ao seu companheiro sente que está nas mãos dele, assim também a pessoa que utilizou a força de D'us para o seu próprio benefício sente, mesmo que de forma subconsciente, que está nas mãos de D'us.

Há outro paralelo interessante entre as dívidas monetárias e as promessas. É muito comum encontrar pessoas que, apesar de terem dinheiro para pagar suas dívidas, ficam postergando o pagamento. Qual a verdadeira intenção delas? Ao atrasar o pagamento, elas estão reestruturando o relacionamento. Ao invés de serem controladas pela pessoa que emprestou o dinheiro, eles passam a assumir o papel de controladoras. Agora é a pessoa que emprestou o dinheiro que está nas mãos do devedor. Este paralelo pode ser aplicado à pessoa que pode cumprir uma promessa e adia. O adiamento da promessa dá para a pessoa a sensação de que ele não está mais nas mãos de D'us, ao contrário, ela sente que agora tem controle sobre seu relacionamento com Ele.

O que significa a punição de ser atirado nas águas? Na terra, a pessoa sente que tem controle. Como a terra é o nosso habitat natural, estamos acostumados e já temos muitas habilidades desenvolvidas neste meio. Já na água, a pessoa se sente completamente indefesa, ela sabe que não tem controle sobre nada. Foi o que ocorreu, por exemplo, com o general Tito, como nos ensina o Talmud (Guitin 56b). Após ter destruído o Beit Hamikdash (Templo Sagrado) e ter causado todos os tipos de desonra possíveis para o nome de D'us, Tito partiu de volta para Roma em um navio carregado de tesouros roubados do Beit Hamikdash. D'us mandou uma forte tempestade que quase partiu seu navio ao meio. Tito então gritou para os Céus: "O D'us dos judeus somente é valente na água. Veio o Faraó e Ele o afogou na água. Veio Sisra e Ele o afogou na água. E quanto a mim, Ele também quer me afogar na água. Se Ele é realmente valente, que me deixe chegar à terra firme e lá guerrearemos". Isto demonstra que, enquanto as pessoas pensam que na terra podem controlar, na água todos se sentem indefesos e totalmente sob o controle de D'us. Aquele que atrasa o cumprimento de uma promessa é atirado ao mar, pois como a pessoa estava motivada pelo seu desejo de controlar, a punição é dada de maneira que ela perca qualquer falsa percepção de que está realmente no controle.

Infelizmente não é apenas com as promessas não cumpridas que tentamos, mesmo que inconscientemente, tirar das nossas costas a responsabilidade do nosso relacionamento com D'us. Pois todo relacionamento implica em uma reciprocidade. Qualquer pacto precisa de duas partes ativamente envolvidas. Mas nós estamos sempre cobrando a parte de D'us. Por que Ele não nos deu o que precisávamos? Por que Ele não evitou aquele problema? Será que esta é a postura correta, sempre jogar a responsabilidade para o outro lado, sem nunca questionar se estamos fazendo a nossa parte?

Além disso, damos diversas demonstrações de que sentimos que somos nós que estamos no comando, não D'us. Por exemplo, todas as vezes em que acontece algo diferente do que esperávamos, ficamos extremamente irritados. O que isto significa? Que estamos insatisfeitos com a vontade de D'us, que queremos as coisas do nosso jeito e não do jeito Dele. Também todas as vezes que sentimos inveja, o que estamos demonstrando? Que sentimos que sabemos mais do que D'us. Se Ele deu o carro novo para o vizinho e não para nós, certamente é porque Ele está equivocado. E assim, se prestarmos atenção no nosso comportamento cotidiano, perceberemos o quanto esquecemos que quem está no controle é D'us, e não nós.

Este é o ensinamento que fica com o assunto das promessas: a seriedade que devemos olhar nosso relacionamento com D'us. O quanto devemos nos sentir endividados por tudo o que Ele fez, faz e fará por cada um de nós. E, principalmente, devemos trabalhar a nossa característica de humildade para aceitar que D'us, cuja sabedoria é ilimitada, busca apenas o nosso bem, mesmo quando, em nossa sabedoria pequena e limitada, não conseguimos enxergar.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

quinta-feira, 12 de julho de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ PINCHÁS 5772

BS"D

ATINGINDO SEU PRÓPRIO POTENCIAL - PARASHÁ PINCHÁS 5772 (13 de julho de 2012)

 

"Eduardo foi convidado para participar de uma corrida. Era uma competição diferente, e Eduardo ficou sabendo de apenas algumas poucas informações: a data e o local da corrida, o valor do prêmio milionário que o vencedor receberia e que o outro competidor seria Rafael, um velho conhecido seu. As demais regras seriam divulgadas apenas no dia da competição, o que deixou Eduardo muito ansioso.

 

Quando finalmente chegou o dia marcado, Eduardo chegou ao local combinado. A competição seria uma corrida de 3 horas por uma estrada onde não havia limites de velocidade. Os organizadores então trouxeram para Rafael um lindo carro esportivo, com as mais modernas tecnologias. Eduardo ficou imaginando que receberia um carro igual, mas foi com grande surpresa que ele viu os organizadores trazendo para ele, nada mais e nada menos do que... uma bicicleta. Seria uma piada? Será que ele estava participando de um daqueles programas humorísticos de "câmera oculta"? Enquanto o outro competidor havia recebido um carro esportivo, ele havia recebido uma bicicleta, e ainda por cima sem marchas! Eduardo ficou muito decepcionado, aquela competição parecia muito injusta. Como ele poderia, com uma bicicleta, competir contra um carro?

 

A corrida começou e, apesar do desânimo, Eduardo deu o melhor de si. Ele pedalava com vontade e se esforçava, principalmente nas subidas, mas por mais que tentasse, não chegava nem perto de Rafael. Não que Rafael estivesse fazendo muito esforço, ao contrário, apesar de poder voar a quase 300 km/h, ele passeava tranquilamente, aproveitava para tomar sol e escutar Rock no seu aparelho de som digital. O tempo passava, Eduardo pingava de suor e seus músculos doíam, enquanto Rafael estava tranquilo, sentado no seu carro, com o ar condicionado ligado. Como Rafael viu que era muito mais rápido que Eduardo, não se preocupou em acelerar. Foi tranquilo, fez inclusive uma parada para cochilar e aproveitou para telefonar para seus amigos para contar sobre a sua grande sorte.

 

Após 3 horas de prova, Eduardo estava acabado. Apesar do esforço, havia conseguido completar apenas 90 km do percurso, enquanto Rafael, tranquilo, havia completado 100 km. Rafael já festejava por dentro, estava com um grande sorriso no rosto. Porém, o sorriso desapareceu quando os juízes anunciaram que Eduardo era o vencedor. Agora era Eduardo quem sorria. As dores musculares já não incomodavam mais, todo o esforço tinha valido a pena, ele era milionário! Rafael, inconformado, foi tirar satisfações com um dos organizadores:

 

- Escute aqui, eu venci, pois eu andei mais. Ele andou apenas 90 Km, enquanto eu andei 100 Km. Eu mereço receber o prêmio!

 

- É verdade que você andou mais – disse o organizador – mas quem falou que este era o requisito para a vitória? Você acha que se fosse este o requisito, seria justo você receber um carro esportivo e o outro competidor receber apenas uma bicicleta? Você não percebeu esta aparente "injustiça"?

 

- Na verdade – continuou o organizador - o vencedor foi aquele que melhor aproveitou o potencial do que lhe foi oferecido. O Eduardo recebeu uma bicicleta e andou com ela 90 Km. Como o máximo que ele poderia ter andado seria 100 km, ele aproveitou 90% do seu potencial. Mas você, que recebeu um carro possante, poderia ter andado quase 1.000 km com ele, mas como andou apenas 100 km, aproveitou só 10% do seu potencial. É verdade que você, no total, andou mais do que ele. Mas do seu enorme potencial, você não aproveitou quase nada, enquanto ele, com um potencial muito menor, aproveitou quase tudo. O Eduardo é o vencedor, pois a corrida não era um contra o outro, era cada um contra si mesmo."

 

Assim D'us também julga nossos atos. Ele não leva em consideração até onde cada um chegou, mas quanto cada um aproveitou em relação ao seu próprio potencial.

                       

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Na Parashá desta semana, Pinchás, a Torá escreve em sequência dois assuntos aparentemente desconectados. Após terem cometido muitas transgressões durante os 40 anos no deserto e terem recebido castigos tão duros de D'us, o povo judeu estava desmotivado de entrar em Israel. Muitos estavam tão desanimados que preferiam até mesmo voltar para o Egito. Neste contexto vieram as cinco filhas de um homem chamado Tzlofechad reclamar que elas também queriam um pedaço de terra em Israel. Qual era o motivo da reclamação delas? Quando elas viram que D'us havia pedido uma nova contagem do povo antes da entrada em Israel, entenderam que aquele número era para fazer a divisão das terras entre as famílias que havia em cada tribo. Mas elas perceberam que apenas os homens foram contados, e então entenderam que a divisão das terras seria feita apenas de acordo com a quantidade de homens em cada família. Mas o pai delas, Tzlofechad, havia morrido sem deixar filhos homens e, portanto, elas não teriam direito a nenhuma terra, por isso foram reclamar. D'us gostou desta reclamação, pois demonstrou a vontade que elas tinham de ir para Israel, contrastando com o desânimo do resto do povo. Imediatamente a Torá ensinou as leis de herança, com os detalhes de como os bens deveriam ser passados para os filhos e parentes depois da morte dos pais.

 

Logo depois deste evento a Torá traz outro assunto. Moshé, avisado que sua morte estava iminente, pediu para D'us um novo líder para o povo, como está escrito: "Que nomeie Hashem, D'us dos espíritos de toda a carne, um homem sobre a congregação" (Bamidbar 27:16). Qual a conexão entre estes dois assuntos aparentemente tão distintos, a herança passada dos pais para os filhos e a escolha de um novo líder?

 

Explica Rashi, comentarista da Torá, que quando Moshé viu que D'us havia ensinado para o povo as leis de herança, isto é, que os filhos herdam o que era de seus pais, ele sentiu que era o momento de fazer um pedido pessoal para D'us. Ele pediu para que seus dois filhos, Guershom e Eliezer, também herdassem sua grandeza e se tornassem os próximos líderes do povo judeu. Porém, vemos que D'us não escutou o pedido de Moshé, pois logo depois está escrito "E disse D'us para Moshé: Pegue Yoshua bin Nun, um homem que está repleto de espírito (de sabedoria), e apoie suas mãos sobre ele" (Bamidbar 27:18). Isto quer dizer que D'us pessoalmente escolheu Yoshua, e não os filhos de Moshé, como o próximo líder do povo judeu. Mas qual o motivo desta escolha de D'us? O mais lógico não seria Moshé ter passado a liderança para seus filhos, como fizeram futuramente a maioria dos reis, que passaram o trono para seus descendentes? Então por que os filhos de Moshé não foram os escolhidos?

 

Há um Midrash (parte da Torá Oral) que traz uma resposta surpreendente. O Midrash diz que os filhos de Moshé não foram os escolhidos pois não sentavam para estudar Torá. Já Yoshua, ao contrário, não saía da tenda de estudos e se dedicava ao máximo para adquirir sabedoria de seu mestre Moshé. Mas como entender este Midrash? Moshé se importava demais com o povo, e comprovou isto durante toda sua vida, ao se dedicar de corpo e alma às necessidades do povo antes mesmo de pensar em suas próprias necessidades. Então como ele pode ter pensado em pedir para D'us que nomeasse como líderes do povo seus filhos, se eram pessoas que não estudavam Torá? Ele não sabia o quanto era importante que o novo líder tivesse muita sabedoria para ser também um juiz e um professor para o povo? Ele deixou que subisse à sua cabeça a vontade de que seus filhos herdassem seu posto de liderança, mesmo eles não sendo aptos para isso?

 

Explica o livro Lekach Tov que existe uma grande diferença entre o mundo material e o mundo espiritual em relação a quanto o esforço influencia no valor de algo realizado ou produzido. No mundo material, o valor das coisas não leva em consideração os esforços envolvidos, o que importa são apenas os resultados. Por exemplo, se um artesão habilidoso leva um dia para fabricar um vaso, enquanto outro artesão menos habilidoso leva 3 dias e precisa de muito mais esforço e dedicação, quando os dois vasos estão prontos, eles têm no mercado exatamente o mesmo valor. Isto quer dizer que todo o esforço e a dificuldade envolvidos na fabricação do vaso não são levados em consideração. Mais do que isso, se uma pessoa passa o dia inteiro criando e digitando uma matéria para ser publicada no jornal, mas no momento de salvar o arquivo fica corrompido e não pode mais ser aberto, quanto vale o que a pessoa fez e todo o esforço que ela despendeu? Absolutamente nada.

 

Porém, não é isto que ocorre no mundo espiritual. O valor de cada ato espiritual, como o cumprimento de uma Mitzvá ou o estudo da Torá, não leva em consideração apenas o resultado, mas também todo o esforço envolvido. Quanto maior a dificuldade, maior o valor do ato, como nos ensina a última Mishná do Pirkei Avót (Ética dos Patriarcas): "De acordo com a dificuldade, assim é a recompensa". Isto quer dizer que mesmo se duas pessoas cumprirem exatamente a mesma Mitzvá, mas uma delas cumprir com facilidade enquanto a outra cumprir com muita dificuldade e esforço, apesar do resultado ter sido o mesmo, o valor da Mitzvá é completamente diferente para cada pessoa. Para aquele que se esforçou mais, o valor de sua Mitzvá é muito maior.

 

Com este conceito podemos entender o ensinamento do Midrash. Certamente Moshé não era um irresponsável, nunca indicaria com líder alguém que não tivesse capacidade para isso. A verdade é que, em termos de nível espiritual e de conhecimento da Torá, os filhos de Moshé eram tão grandes quanto Yoshua. Mas o problema é que eles tinham um potencial de crescimento ainda maior do que o de Yoshua, eles poderiam ter chegado ainda mais alto. O que aconteceu? Eles desperdiçaram seu potencial, pois não utilizaram todas as suas forças e aptidões. Se tivessem se esforçado mais, teriam chegado muito mais alto do que Yoshua.

 

Quando o Midrash diz que eles não estudaram Torá, não quer dizer que não estudaram nada e não tinham conhecimento. O Midrash quer nos ensinar que eles não atingiram seus verdadeiros potenciais espirituais e, por isso, comparado com nível que poderiam ter chegado, é como se não tivessem estudado. Eles perderam para sempre a oportunidade de serem os líderes do povo judeu. Já Yoshua, ao contrário, apesar de ter menos aptidões do que os filhos de Moshé, utilizou seu potencial no limite. Ele madrugava para ir para a tenda de estudos, passava o dia inteiro próximo de Moshé, absorvendo seus conhecimentos, e só voltava para casa tarde da noite. Seu amor pela Torá e pelos conhecimentos era tão grande que era ele quem organizava a tenda de estudos no final do dia, arrumando as mesas, cadeiras e livros. Por isso foi ele, e não os filhos de Moshé, o escolhido para ser o sucessor na liderança do povo.

 

Este conceito espiritual pode ser aplicado também em outras áreas da vida e nos ajuda a responder uma das grandes perguntas filosóficas. Olhamos para o mundo e vemos muitas desigualdades. Enquanto alguns nascem em famílias abastadas, outros passam por dificuldades e privações. Enquanto alguns nascem fortes e saudáveis, outros nascem fracos e doentes. Por que há tanta desigualdade no mundo? Por que uma pessoa nasce milionária e pode doar milhões, enquanto outra nasce pobre e pode doar apenas alguns trocados? Por que uma pessoa nasce saudável e pode caminhar sem dificuldade para a sinagoga, enquanto outra precisa ir de muletas ou em uma cadeira de rodas. Onde está a justiça de D'us?

 

A resposta é que, pelo fato de D'us não medir as Mitzvót pelo resultado e sim pelo esforço, as dificuldades se transformam em oportunidades. Aquela pessoa pobre, que doa com esforço apenas alguns reais, uma quantia significativo para suas poucas possibilidades, seu ato vale aos olhos de D'us como se ele tivesse doado uma soma muito grande de dinheiro. Aquele que vai para a sinagoga com dificuldade, cada passo vale muito mais, cada palavra de sua reza tem muito mais força.

 

Yoshua nunca invejou os filhos de Moshé por eles terem mais aptidões, e no final vemos que foi ele o escolhido para liderar o povo judeu. Da mesma maneira, não devemos invejar se os outros têm mais dinheiro ou mais aptidões. A inveja é uma tolice, pois recebemos de D'us exatamente as ferramentas necessárias para cumprir nosso papel espiritual no mundo, nada a mais e nada a menos. Devemos lembrar sempre que a corrida verdadeira da vida não é contra os outros, é contra nós mesmos. 


SHABAT SHALOM

 

R' Efraim Birbojm

 

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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Chava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Esther bat Miriam, Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita, Latife bat Renee, Avraham bem Sime, Clarisse Chaia bat Nasha Blima, Tzvi Mendel ben Ester, Marcos Mordechai Itschak ben Habibe, Yacov Eliezer ben Sara Masha, Yossef Gershon ben Taube, Manha Milma bat Ita Prinzac, Rachel bat Luna, Chaim Shmuel ben Sara, Moshe Avraham Tzvi ben Ahuva, Avraham ben Ahuva, Miriam bat Yehudit, Alexander Baruch ben Guita, Shmuel ben Nechama Diná, Avracham Moshe ben Miriam Tobá, Guershon Arie ben Dvora, Mazal bat Miriam, Yadah ben Zarife, Shmuel Ben Chava, Mordechai ben Malka, Chaim Dov Rafael ben Esther, Menachem ben Feigue, Shmuel ben Liva, Hechiel Hershl ben Esther, Shlomo ben Chana Rivka, Natan ben Sheina Dina, Mordechai Ghershon ben Malia Rochel, Benyomin ben Perl, Ytzchok Yoel haCohen ben Rivka, Sarah Malka ben Rivka, Malka bat Toibe, Chana Miriam bat Sarah, Feigue bat Guitel, Gutel bat Slodk, Esther bat Chaia Sara, Michael ben Tzivia, Ester bat Lhuba, Brane bat Reize, Chaya Rivka Bat Miriam Reizl, Michele Chaia  bat Eny, Avraham ben Chana, Chaia Sluva bat Chaika, Esther bat Arlette, Bentzion ben Chana, Guitel bat Miriam, Chaia Feigue bat Ides, Esther bat Arlette, Rachel bat Adele, Itzhak ben Faride, Pessach ben Chani, Menusha bat Hana, Sarah bat Reizel, Yossef ben Dinah, Bentzion ben Chana, Yossef ben Mazal, Dvora bat Stera, Miriam bat Dvora Simcha, Isaac Ben Chava, Yossef Shalom ben Chaya Musha, Miriam Bat Lea, Yossef ben Simcha, Moshe ben Rachel, Ida bat Mazal Fortunée, Israel Rafael ben Sara Nesha, Amalia Mili bat Luciana, Guitel (Gretta) bat Miriam, Fiszel Czeresnia.

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

 

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.

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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

 

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).


quinta-feira, 5 de julho de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BALAK 5772

BS"D


VIVER, E NÃO MORRER, POR UM IDEAL - PARASHÁ BALAK 5772 (06 de julho de 2012)

 

"Roberto era uma ótima pessoa. Era muito responsável e queria que sua família tivesse uma vida tranquila e sem nenhum tipo de privação. Para isso, trabalhava duro, inclusive aos domingos e feriados. Mas seu filho, o pequeno Johny, não estava contente. Apesar de ter os melhores brinquedos, ele sentia a falta do pai. Toda semana Johny perguntava para seu pai se eles poderiam jogar bola no domingo, mas sempre recebia a mesma resposta: "Infelizmente nesta semana não vai dar, filhão. O papai precisa trabalhar".


Então, numa certa semana, após muitas e muitas recusas de Roberto, Johny perguntou:


- Pai, quanto dinheiro você ganha quando trabalha no domingo?

 

O pai, perplexo com a pergunta do filho de 5 anos, fez algumas contas rápidas de cabeça e respondeu o valor. O filho agradeceu e entrou no quarto, sem dar nenhuma satisfação do porquê tinha perguntado aquilo. O pai ficou curioso, mas preferiu não falar nada.

 

No domingo de manhã, Roberto estava saindo de casa para ir trabalhar quando viu Johny parado na porta de casa. Era muito cedo, por que será que ele já tinha levantado? Johny mostrou ao pai a mão fechada. Quando abriu, Roberto viu que havia muitas moedinhas. Johny então começou a contá-las em voz alta e, quando terminou a conta, estendeu o dinheiro ao pai e disse:

 

- Pai, isto deve ser suficiente para pagar 1 hora do seu domingo. Podemos agora sair para jogar futebol?"

 

Esta história é um bom exemplo de como vivemos em uma triste ironia. Toda razão pelo qual um pai trabalha tão duro é para dar aos filhos uma boa vida. Mas o trabalho acaba ocupando tanto nosso tempo que, no final das contas, perdemos o propósito das coisas. Pois os filhos acabam tendo tudo do bom e do melhor, mas ficam sem o principal: ficam sem um pai...

                       

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Nesta semana lemos a Parashá Balak, que nos descreve um dos personagens mais contraditórios da Torá: o profeta Bilaam. Em geral, todas as pessoas que estão mencionadas na Torá têm um comportamento bem definido, isto é, ou são Tzadikim (justos), apesar de algumas vezes cometerem erros, ou são Reshaim (malvados). Mas Bilaam é uma grande exceção. Por um lado era uma pessoa com alto nível de profecia, talvez até maior do que Moshé Rabeinu, e podia falar diretamente com D'us através de sonhos. Por outro lado, se comportava como um animal, dominado por seus desejos e pela busca de honrarias.

 

Bilaam era muito famoso por utilizar seus "dons espirituais" para amaldiçoar pessoas ou povos inteiros. O rei Balak, do povo de Moav, teve medo do avanço esmagador do povo judeu, que no deserto conseguiu derrotar todas as grandes potências da época. Balak sabia que era inútil tentar lutar contra os judeus, pois eram abençoados por D'us. Ele sabia que o sucesso na batalha dependia de méritos espirituais e, por isso, contratou Bilaam para amaldiçoar o povo judeu, aumentando suas chances de vitória. Bilaam aceitou, em troca de uma grande quantidade de moedas de ouro, mas sua missão foi um grande fracasso, pois D'us protegeu o povo judeu e, por três vezes, transformou as tentativas de maldição de Bilaam em Brachót (bênçãos) para o povo judeu.

 

Das palavras que saíram da boca de Bilaam aprendemos muito para nossas vidas. Por exemplo, da primeira vez em que ele tentou amaldiçoar o povo judeu, assim ele falou: "Que minha alma morra a morte dos justos, e que meu fim seja como o deles" (Bamidbar 23:10). O que estas palavras significam? Que tipo de morte Bilaam queria? E por que ele, um grande Rashá, se compara aos Tzadikim?

 

A resposta começa na diferença entre Bilaam e os grandes profetas do povo judeu. Os grandes profetas judeus tiveram que trabalhar duro para atingir o nível de profecia. Para cada um deles foi um trabalho de crescimento gradual, durante toda a vida. Pessoas como Moshé Rabeinu e Eliahu Hanavi trabalharam muito para chegar ao nível em que chegaram. Já Bilaam recebeu seu elevado nível espiritual pronto, sem nenhum esforço, e por isso não conseguiu manter-se elevado.

 

Mas se Bilaam era um profeta, então ele sabia toda a verdade. Ele sabia da existência de D'us, sabia que Ele entregou ao povo judeu a Torá, o documento Divino que contém valores morais para toda a humanidade. E se ele sabia que a Torá era Divina, sabia que todos nossos atos têm consequências espirituais eternas, para o bem ou para o mal. Então, com todo este conhecimento, como ele pode ter se transformado em uma pessoa tão baixa, quase no nível de um animal?

 

Explica um dos mais famosos comentaristas da Torá, o Rav Chaim ben Atar, mais conhecido como Or Hachaim, que Bilaam não conseguiu internalizar as verdades que conhecia porque não parava para refletir e, consequentemente, seus atos não estavam de acordo com seu elevado potencial espiritual. Mas por outro lado, as palavras que saíram de sua boca demonstram que, apesar de viver uma vida desregrada e vazia, ele esperava receber, após a morte, a mesma recompensa dos grandes Tzadikim, isto é, o Mundo Vindouro e seus prazeres espirituais infinitos. Bilaam, que sabia a verdade, achava que receberia uma recompensa mesmo sem ter feito nenhum bom ato? Certamente que não. Ele sabia que existe um sistema de castigo e recompensa para os nossos atos, nada é de graça no mundo espiritual. Então como ele esperava receber esta grande recompensa eterna?

 

O Or HaChaim traz uma resposta surpreendente. Bilaam planejava corrigir sua conduta e fazer Teshuvá (se arrepender de todos os seus maus atos). Mas quando ele pretendia fazer isto? Bilaam sabia que vivia uma vida de mentira e que perdia, a cada instante, méritos para adquirir a vida eterna no Mundo Vindouro. Ele queria mudar, queria ser uma pessoa correta, mas queria isto somente no final de sua vida.

Mas por que deixar para o final da vida? Se esta era a verdade, por que não se arrependeu imediatamente?

 

Bilaam fez um erro nos seus cálculos. E por mais ilógico que seus pensamentos possam parecer, não foi o único na história que errou desta maneira. O Or HaChaim diz que conheceu pessoalmente muitos Reshaim que afirmaram que, se fosse possível fazer Teshuvá e imediatamente morrer, eles fariam, mas não conseguiriam fazer Teshuvá e viver da maneira correta uma vida inteira. Eles argumentavam que eram dominados pelo Yetzer Hará, a má inclinação, e por isso logo voltariam aos maus atos. Bilaam e todos os seus "seguidores" durante a história achavam que era impossível derrotar o Yetzer Hará. Mas eles se esqueceram de um fundamento ensinado pelos nossos sábios: "Não há nada que pode impedir a vontade verdadeira". Mesmo que eles tinham muito Yetzer Hará, se quisessem de verdade poderiam ter vencido. Mas preferiram se acomodar e aceitar passivamente a derrota.

 

Bilaam não é apenas mais um personagem da Torá. Ele representa as pessoas que sabem a verdade e estão dispostas a morrer por ela, mas não estão dispostas a viver por ela. Parece que Bilaam era um grande tolo e fraco. Mas será que muitas vezes não cometemos o mesmo erro? Será que não nos comportamos da mesma maneira no nosso cotidiano, apesar de saber a verdade?

 

Há uma questão básica que todos devem se perguntar em algum momento da vida: "Qual é o propósito da minha vida? Pelo que eu estou vivendo?". E, ao contrário do que parece, esta não é uma questão simples de ser respondida. A grande maioria das pessoas não tem resposta, pois nunca se questionou ou, mesmo se chegou ao questionamento, nunca se aprofundou para encontrar respostas. E mesmo entre os que realmente buscam respostas, a maioria define seu propósito de maneira vaga, dizendo que a meta é se aproximar de D'us. Mas há muitas maneiras de se aproximar de D'us, e não é fácil encontrar um caminho específico, que se adeque ao potencial e às características individuais de cada pessoa. Como fazer então, na prática, para ter a certeza de que estamos vivendo uma vida de verdade?

 

O Rav Noach Weinberg dá uma sugestão para tornar esta busca menos abstrata. A pessoa deve pensar nas coisas pelas quais ela está disposta a morrer. Então, ela deve dizer a si mesma: "Eu não quero morrer por isso. Eu quero viver por isso".

 

Um excelente exemplo, que demonstra que não vivemos de acordo com nossas convicções, é como cuidamos dos nossos filhos. Qualquer um de nós daria a vida pelos filhos, mas será que dedicamos o tempo e a energia suficientes para viver por eles? Muitas vezes optamos por uma vida com mais conforto, mesmo que isto resulte em praticamente trocar o tempo com os filhos por mais e mais tempo no escritório. Também muitos dariam a vida pelo povo judeu, em situações em que a continuidade do judaísmo está sob ameaça de destruição, como fizeram tantos mártires durante nossa história. Mas quanto nos dedicamos para viver pelo povo judeu? Quanto do nosso tempo é dedicado aos nossos irmãos necessitados? Quanta energia gastamos para trazer de volta judeus afastados, que mal sabem o que é judaísmo? Abrimos mão do tempo em que ficamos no escritório em prol do judaísmo ou do povo judeu? Nos sentimos verdadeiramente responsáveis pela continuidade do judaísmo? Infelizmente não.

 

Apesar do seu potencial espiritual elevado, Bilaam é chamado pela Torá de Rashá, pois ele estava apenas disposto a morrer pela verdade, não a viver por ela. Por isso ele acabou se deixando levar pelos seus desejos mais baixos. Qualquer um deve parar e se questionar sobre suas convicções, para não nos perdermos com a correria de nossas vidas. A dica prática é sempre lembrar quais são as coisas pelas quais estaríamos dispostos a morrer, e nos questionar o quanto estamos efetivamente vivendo por elas.

 

Explica o Rav Yonathan Guefen que em muitas gerações os judeus precisaram morrer fazendo "Kidush Hashem" (santificando o nome de D'us), isto é, dando suas próprias vidas para manter a chama do judaísmo aceso. Durante a Inquisição, por exemplo, muitos judeus preferiram morrer a se converter. Também os judeus preferiram abandonar a comodidade de suas vidas em Portugal e na Espanha, e muitos morreram de fome e doenças pelo caminho, mas nunca abandonaram seu judaísmo. Mas nossa geração não precisa mais de judeus que estão dispostos a morrer pelo judaísmo. Nossa geração precisa cada vez mais de judeus que estão dispostos a viver pelo judaísmo. Pois decidir fazer um ato heroico e logo depois morrer é muito louvável e uma decisão difícil, mas não se compara a viver uma vida inteira heroicamente fazendo o que é correto, mesmo quando vai contra nosso comodismo e nossos desejos.

 

SHABAT SHALOM

 

R' Efraim Birbojm

 

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

 

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.

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