sexta-feira, 19 de agosto de 2011
SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ EKEV 5771
sexta-feira, 12 de agosto de 2011
SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAETCHANAN 5771
BS"D
AUTOCONTROLE – PARASHÁ VAETCHANAN 5771 (12 de agosto de 2011)
O rabino Moshe Feinstein foi um dos maiores sábio de Torá dos Estados Unidos durante grande parte do século passado. Escreveu diversos livros, em especial sobre Halachá, a lei judaica, demonstrando um incrível conhecimento. Mas além do seu estudo, Rav Moshe, como era carinhosamente conhecido por todos, era um modelo de bondade, compaixão e preocupação com os outros. Ele conseguiu, através do estudo da Torá e do cumprimento das Mitsvót, trabalhar seu caráter pessoal em um nível quase sobre humano. Isto pode ser verificado em várias histórias contadas por seus parentes e alunos mais próximos.
Entre as histórias, uma nos chama a atenção pelo grande nível de autocontrole atingido pelo Rav Moshe Feinstein. Certo dia ele estava na sinagoga, concentrado nos seus estudos, fazendo anotações em sua Guemará (livro da Torá Oral). Alguém o interrompeu em certo momento e ele deixou brevemente sua mesa para resolver algo fora da sinagoga. Enquanto ele estava fora, um dos seus alunos teve curiosidade de ler as anotações que o rabino havia feito na Guemará. Mas ao se aproximar, acidentalmente ele derrubou um frasco de tinta azul sobre a Guemará do Rav Moshe Feinstein, deixando a página completamente azul.
O aluno entrou em pânico. Ele havia estragado a Guemará de um dos maiores rabinos da geração! Se sentiu tão envergonhado que não conseguiu nem mesmo se mover para se afastar dali. Quando o Rav Moshe Feinstein voltou para sua mesa e viu sua Guemará completamente arruinada e seu aluno paralisado de medo, abriu um grande sorriso e disse carinhosamente:
- Sabe que azul é a minha cor favorita? O livro ficou ainda mais bonito agora do que antes.
Então o Rav Moshe Feinstein sentou-se e voltou a estudar, como se nada tivesse acontecido"
Muitas pessoas gostariam de ter autocontrole para nunca ofender outro ser humano. Mas apenas querer não é suficiente. A única maneira de atingir níveis espirituais elevados é através de muito esforço e dedicação.
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Na Parashá desta semana, Vaetchanan, Moshé continuou com seu discurso de despedida. A Parashá também traz o Shemá Israel, uma das maiores expressões de Emuná (fé) do povo judeu, e a repetição dos 10 Mandamentos, que já haviam sido ensinados na Parashá Itró.
No final da Parashá, aprendemos a importância da transmissão da Torá aos filhos. E assim está escrito: "E quando seu filho perguntar no futuro: 'O que são os testemunhos, os estatutos e as leis que Hashem, nosso D'us, comandou a você?'. E você deve contar ao se filho: 'Nós fomos escravos do Faraó no Egito, e D'us nos tirou do Egito com mão forte... E D'us nos comandou a cumprir todos estes estatutos, e temer a D'us, para o nosso bem, todos os dias, para nos dar vida como este dia" (Devarim 6:20,21,24).
Mas este versículo, muito conhecido por fazer parte da Agadá de Pessach, na pergunta do filho Chacham (sábio), desperta uma pergunta. Se o filho perguntou ao pai "o que são estas Mitsvót", por que o pai respondeu "D'us nos tirou do Egito"? Por que não disse diretamente que são as leis que D'us nos comandou?
Uma pergunta semelhante surge ao observarmos atentamente os Mandamentos da Torá. Logo no primeiro Mandamento está escrito "Eu sou teu D'us, que te tirei da terra do Egito" (Devarim 5:6). A saída do Egito foi acompanhada de muitos milagres, mas que envolviam apenas modificações da natureza existente. Já na criação do mundo os milagres foram muito maiores, pois toda a natureza foi criada a partir do nada. Portanto, a demonstração do poder e da grandeza de D'us foi muito maior na criação do mundo do que na saída do Egito. Então por que não está escrito no primeiro Mandamento "Eu sou teu D'us, que criou o mundo"?
Ibn Ezra, um famoso comentarista da Torá, nos ensina que o filho não está questionando "o que são as Mitsvót", e sim "por que recebemos um jugo maior do que as outras pessoas?". Quando a Torá começa respondendo que D'us nos tirou do Egito, está nos ensinando uma importante lição: as Mitsvót foram entregues para o nosso próprio bem. Da mesma forma que D'us nos tirou do Egito por bondade, assim também o comando das Mitsvót foi uma grande bondade. D'us também preferiu associar o primeiro Mandamento à saída do Egito para nos ensinar que da mesma maneira que toda a redenção do Egito foi para o nosso benefício, assim também as Mitsvót são para o nosso próprio benefício.
Poderíamos pensar que a Torá se refere aos benefícios que teremos no Mundo Vindouro, onde aproveitaremos, por toda a eternidade, o prazer da proximidade de D'us. Mas explica o Sforno, comentarista da Torá, que apesar do principal benefício das Mitsvót realmente ser no Mundo Vindouro, elas também nos trazem vida neste mundo.
Nossos sábios utilizam muito a expressão "jugo das Mitsvót". Por que? Jugo é uma palavra utilizada para descrever a peça de madeira que fica sobre o pescoço do boi durante seu trabalho no campo. O jugo, à primeira vista, é algo negativo, que prende o boi. Mas o que aconteceria se o boi trabalhasse sem o jugo? O tempo inteiro ele se desviaria do caminho, não conseguindo fazer seu trabalho. O jugo é justamente o que mantém o boi em linha reta, ajudando-o a fazer o que ele necessita. O mesmo benefício obtemos com as Mitsvót. À primeira vista parece que elas nos prendem e nos limitam, parecem um peso sobre nossos pescoços, mas a verdade é que as Mitsvót nos ajudam a não desviar do caminho correto. As Mitzvót nos dão autocontrole, nos dão equilíbrio e estabilidade emocional. Em um mundo tão complicado, com relacionamentos humanos cada vez mais difíceis, a Torá surge como uma bóia que não nos deixa afundar. Isto explica porque a cada dia mais pessoas, por mais afastados que estejam, começam a voltar ao cumprimento das Mitsvót.
Estes conceitos nos ajudam a entender um difícil Midrash (parte da Torá Oral) que se refere à época da destruição do nosso Beit-Hamikdash (Templo Sagrado). Assim está escrito: "Eles pecaram duplamente, foram castigados duplamente e serão consolados duplamente" (Yalkut Eichá). O que significa que o erro, o castigo e o consolo serão em dose dupla?
A resposta está na explicação de Ibn Ezra de que as Mitsvót foram comandadas para o nosso próprio benefício. Por isso, quando uma pessoa comete uma transgressão, ela comete dois crimes: um é a rebeldia contra D'us, o outro é um crime contra si mesmo, por ter causado para si a perda de uma Mitzvá. Consequentemente o castigo também é em dobro: não apenas D'us castiga a pessoa pela desobediência, como um pai que castiga seu filho para discipliná-lo e fazê-lo voltar aos caminhos corretos, mas também a pessoa é castigada com a perda do benefício que receberia pela Mitzvá. E finalmente o consolo também será em dobro: um dia finalmente entenderemos o benefício real de cada Mitzvá e, além disso, enxergaremos que os castigos que D'us nos mandou também foram para o nosso bem, para nos prevenir de perdermos nossa recompensa eterna.
Precisamos mudar nossa forma de olhar para as Mitsvót. D'us não ganha nada quando colocamos Tefilin, fazemos uma Tefilá (reza) ou acendemos as velas de Shabat. Quem ganha somos nós mesmos, tanto neste mundo quanto no Mundo Vindouro. E o maior ganho neste mundo é o nosso autocontrole. A Torá nos ajuda a ser donos da nossa vontade, transformando o corpo material em algo espiritual. Apenas querer crescer não é suficiente, as Mitsvót nos levam a praticar e a conquistar avanços diários. Não apenas para competirmos, mas para chegarmos a ser como o Rav Moshe Feinstein, entre tantos outros grandes rabinos, que se tornaram verdadeiros campeões de bondade, sensibilidade e autocontrole.
Shabat Shalom
Rav Efraim Birbojm
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sexta-feira, 5 de agosto de 2011
SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5771
BS"D
NUNCA MAIS EU RECLAMO - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5771 (5 de agosto de 2011)
"Fernando estava no meio de uma longa e cansativa viagem. Havia começado a chover forte e, como ele viu que o tanque estava quase vazio, achou melhor parar logo em um posto de gasolina para não correr o risco de ficar parado no meio da estrada por falta de combustível em um tempo chuvoso daqueles.
Fernando estacionou no primeiro posto que encontrou. A tempestade havia apertado ainda mais e o vento forte fazia com que a chuva caísse sobre o frentista, deixando-o completamente ensopado enquanto ele enchia o tanque. Confortavelmente sentado dentro de seu carro, Fernando viu o frentista trabalhando embaixo daquela chuva fria e sentiu-se mal. Mas o mais interessante é que o frentista não estava triste ou irritado. Ao contrário, ele assobiava alegremente enquanto trabalhava. Após encher o tanque, ainda se ofereceu para medir o nível do óleo e da água do radiador, mesmo embaixo daquela chuva.
Quando Fernando estava partindo, como que se desculpando, disse:
- Sinto muito que você tenha que estar aí fora com este tempo.
- Não se preocupe, isto não me incomoda nem um pouco – respondeu o frentista, com um sorriso no rosto.
- Você sempre teve este alto astral? – perguntou Fernando, curioso.
Na verdade não – respondeu o frentista – Eu era um jovem que tinha tudo. Estudava em uma boa faculdade, tinha um bom carro, morava com meus pais em uma bela casa e tinha muitos amigos. Mas eu não sabia dar valor para tudo o que eu tinha e estava sempre reclamando de tudo. Perdi bons amigos e diversas vezes briguei com meus pais por motivos fúteis. Foi então que eu fui convocado para lutar no Vietnã. Tive que deixar tudo para trás e viajar para um lugar estranho onde eu não conhecia ninguém. Foi lá que eu conheci o inferno. Passava dias sem comer uma refeição decente, dormindo na lama, acordando com o barulho de tiros e vendo meus colegas caindo mortos ao meu lado.
- Então certo dia eu cheguei ao meu limite – continuou o frentista, emocionado. Comecei a lembrar quantas coisas boas eu tinha na minha vida e nunca soubera dar valor, principalmente minha família e meus amigos. Naquele momento eu prometi a mim mesmo que, se um dia eu conseguisse sair vivo daquele inferno, eu seria tão grato a D'us que nunca mais reclamaria de nada. Uma semana depois a guerra acabou e eu fui mandado de volta para casa. E assim, desde aquele dia, nada mais me aborrece"
Assumir a responsabilidade por nossas atitudes é parte da construção de uma vida feliz.
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Nesta semana começamos o último livro da Torá, Devarim, também conhecido como "Mishnê Torá" (repetição da Torá), já que grande parte do livro recorda os acontecimentos mais importantes dos 40 anos do povo judeu no deserto. E a Parashá desta semana, Devarim, traz o discurso final de Moshé, no qual ele aproveita o momento da despedida, quando as pessoas estavam com o coração mais aberto, para fazer uma crítica construtiva sobre os graves erros cometidos pelo povo judeu.
Um dos erros ressaltados por Moshé nos chama a atenção pela profunda falta de sensibilidade do povo judeu. Mesmo após D'us ter garantido que a Terra de Israel era boa, o povo pediu o envio de espiões para verificá-la. As consequências foram desastrosas, pois dos 12 espiões enviados, 10 voltaram falando mal da terra, descrevendo-a como um local habitado por gigantes, sem chance de ser conquistada. Isto causou uma histeria coletiva e um choro sem motivo. Mas o mais grave foi a reclamação feita pelo povo contra D'us, como está escrito: "E vocês falaram mal em suas tendas e disseram: 'Por ódio D'us nos tirou do Egito, para nos entregar nas mãos dos Emoritas para nos destruir' " (Devarim 1:27).
D'us, para nos tirar do Egito, fez inúmeros milagres. Mandou as 10 pragas sobre o Egito, abriu o Mar Vermelho para que o povo judeu pudesse passar em segurança e fechou o mar para afogar os egípcios. Além disso, a própria sobrevivência no deserto foi acompanhada de milagres abertos: nuvens que guiavam e protegiam o povo dia e noite, roupas que cresciam junto com a pessoa sem se desgastarem com o tempo, o "Man" que caía do céu diariamente, entre muitos outros milagres.
Então surge uma grande pergunta: como pode ser que, após verem tantos milagres abertos e bondades feitas por D'us, os judeus chegaram neste nível espiritual tão baixo de não apenas negar as bondades de D'us, mas também enxergar as bondades como se tivessem sido maldades?
Explicam os nossos sábios que, em geral, as pessoas não "despencam" espiritualmente. Nosso Yetzer Hará (má inclinação) vai nos derrotando em pequenas batalhas e, sem percebermos, vamos caindo em queda livre. Foi isto o que aconteceu com o povo judeu. Mas o que motivou o começo da queda?
Nos ensina o Rabeinu Yona, em seu livro "Shaarei Teshuvá", que uma das piores características do ser humano é ser reclamão. A natureza do reclamão é estar sempre descontente e reclamando de tudo e de todos, constantemente criticando o que as pessoas fizeram ou disseram. Por sempre focar o lado negativo das coisas, o reclamão se torna uma pessoa rigorosa e intransigente. Mesmo quando alguém faz algo sem intenção, o reclamão julga o próximo para o mal e considera como se tivesse sido uma agressão intencional.
E o que ocorre com quem não trabalha esta terrível característica? Ao se acostumar apenas a reclamar e a procurar coisas negativas nos outros, no final o reclamão termina reclamando também daqueles que nunca fizeram nenhum mal, ou pior, reclama daqueles que somente fazem bem a ele. Ele se considera sempre como agredido e perseguido pelos outros, como se os atos errados do próximo fossem intencionais contra ele, mas na verdade ele é o agressor e o perseguidor, que machuca os outros com suas reclamações constantes. Por isso o reclamão acaba se tornando uma pessoa sozinha, pois como se torna alguém inconveniente, seus amigos e pessoas próximas se afastam dele.
Mas talvez a pior consequência de ser reclamão é que ele acaba se tornando um negador de bondades recebidas, ao ponto de considerar coisas boas como sendo coisas ruins, pagando o bem com o mal. Ele fica tão obcecado em exigir "justiça" que, mesmo quando alguém faz algo para o seu bem mas de uma maneira que ele não concorda, ele acaba enxergando isso como uma maldade. Por exemplo, os jovens sentem que suas mães são malvadas por não permitirem que eles voltem das festas às 5 da manhã. A mesma mãe que deu vida ao filho, que constantemente dá tudo o que ele necessita, é vista como vilã apenas por sua decisão de ir contra as vontades do filho. Por medo da violência e da inconsequência de muitos motoristas que dirigem embriagados pelas ruas de madrugada, as mães fazem de tudo para proteger seus filhos, mas são vistas como desalmadas. Por que? Pois somos reclamões, olhamos feio para tudo o que não é feito do nosso jeito. Foi isto o que aconteceu com o povo judeu durante os 40 anos no deserto.
Em diversos eventos descritos pela Torá podemos perceber que os judeus tinham naturalizado esta péssima característica em seus corações. Apesar das bondades e milagres constantes de D'us, eles reclamavam por causa da comida, por causa da água, por causa do caminho um pouco mais longo, e em diversas situações se rebelavam sem motivo. Nem mesmo os terríveis castigos mandados por D'us eram suficientes para fazer com que as pessoas entendessem o quanto esta característica é nociva. Por não tratarem esta característica negativa eles chegaram ao ponto de realmente acreditar que D'us os havia tirado do Egito, com milagres abertos, quebrando todas as leis da natureza, apenas por maldade, para prejudicá-los no deserto.
Quando olhamos os eventos descritos na Torá, enxergamos facilmente os erros do povo judeu e as conseqüências. Mas enxergamos os mesmos erros em nós mesmos? Será que também não somos tão reclamões quanto os judeus do deserto? Será que não sofremos também duras consequências por termos em nossos corações esta terrível característica? Achamos absurda a forma como o povo judeu questionou a bondade de D'us, mas será que não fazemos o mesmo quando acontecem coisas que fogem do nosso controle e entendimento?
Na próxima 2a feira de noite é Tishá Be Av, o dia mais triste do ano, no qual nos enlutamos por várias catástrofes que ocorreram com o povo judeu em nossa história. Mas de todas as tragédias, nenhuma se compara à destruição do nosso Beit Hamikdash (Templo Sagrado). Por que ele foi destruído e até hoje, dois mil anos depois, ainda não foi reconstruído? Por causa do ódio gratuito entre os judeus. Se o nosso Beit Hamikdash não foi reconstruído até hoje, é uma prova de que continuamos persistindo no mesmo erro.
De onde vem o ódio gratuito? Principalmente de julgarmos sempre os outros para o mal, mesmo sem conhecer as pessoas de verdade. Nos acostumamos a sempre reclamar e exigir nossos direitos, ao invés de focar nos nossos deveres. São cada vez mais comuns passeatas pelos direitos, mas são cada vez menos freqüentes as demonstrações de preocupação verdadeira com o próximo e com os nossos deveres.
A Torá nos ensina que não temos direitos, temos deveres, temos obrigações, temos responsabilidades. Somente quando cada um focar mais nos seus próprios erros do que nos erros dos outros estaremos realmente caminhando para um mundo melhor. Um mundo com mais justiça, com mais união, onde o direito de cada um será verdadeiramente respeitado. Somente então mereceremos a reconstrução do nosso Beit Hamikdash.
SHABAT SHALOM
Rav Efraim Birbojm
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quinta-feira, 28 de julho de 2011
SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ MASSEI 5771
BS"D
PREOCUPAÇÃO COM OS OUTROS - PARASHÁ MASSEI 5771 (29 de julho de 2011)
"Era dezembro de 1994. O vôo entre Tel Aviv e Nova York começou normalmente, com a decolagem pontualmente às 04h30 e previsão de uma rápida parada de reabastecimento em Bruxelas, na Bélgica. Após o reabastecimento, que ocorreu às 09h00, o capitão anunciou que uma série de problemas mecânicos causaria um atraso no vôo. Mas até as 14h00 os problemas mecânicos do avião ainda não haviam sido resolvidos e os cerca de 500 passageiros, cansados, foram levados de ônibus para um hotel local. Desde a madrugada até o meio da tarde a companhia aérea tinha apenas servido bebidas e salgadinhos. Embora a companhia aérea tivesse distribuído um vale-refeição para ser utilizado no restaurante do hotel, isto não ajudava a maioria dos passageiros, que precisavam de comida Kasher.
As notícias desse atraso interminável chegaram até a Antuérpia, onde ficava a maior comunidade judaica da Bélgica, situada a 45 minutos de Bruxelas. A comunidade judaica da Antuérpia rapidamente organizou uma impressionante variedade de refeições Kasher, e tudo foi entregue no hotel de Bruxelas, onde mais de 400 judeus, homens, mulheres e crianças famintos, ansiosamente se perguntavam quando eles conseguiriam ter uma refeição Kasher.
O detalhe é que a quantidade de alimento enviada foi tão grande que alimentou os passageiros em um farto jantar, sobrou ainda para o café da manhã do dia seguinte e para o almoço durante o vôo, após finalmente o avião ter conseguido decolar com um atraso total de 27 horas" (História Real)
É isso o que a Torá exige de nós: que nos preocupemos com o sofrimento e a necessidade do próximo a ponto de, mesmo sem que os necessitados peçam ajuda, estejamos lá para ajudar"
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Nesta semana terminamos o quarto livro da Torá, Bamidbar. E a Parashá desta semana, Massei, nos ensina, entre outros assuntos, sobre a pena recebida por uma pessoa que matou não intencionalmente outro ser humano. Mas o que mais impressiona é perceber que, apesar da Torá ressaltar diversas vezes que a pessoa não teve nenhuma intenção de matar, mesmo assim ela é chamada de "assassino". Além disso, a Torá descreve que esta pessoa recebia uma pena extremamente dura. Ela tinha que abandonar sua família, seus amigos e a cidade onde morava para se exilar em uma das cidades de refúgio, construídas justamente para abrigar assassinos que matavam sem intenção. Por quanto tempo durava este exílio? Ninguém sabia. A pessoa ficava na cidade de refúgio até a morte do Cohen Gadol (Sumo Sacerdote), isto é, era um exílio por tempo indeterminado. Poderia ser 1 mês, 1 ano ou 40 anos. Porém, se a pessoa não teve nenhuma intenção de matar, foi tudo uma grande fatalidade, por que a Torá aplica uma pena tão dura?
A mesma pergunta também fazemos em Yom Kipur. Durante o "Vidui", a confissão dos nossos pecados, pedimos perdão para D'us "pelos pecados que pecamos diante de Ti intencionalmente e não intencionalmente". Entendemos a necessidade de pedir perdão por um pecado intencional, mas por que pedir perdão por um ato não intencional? E se foi não intencional, por que mesmo assim é chamado de "pecado"?
Além disso, refletindo um pouco sobre a punição daqueles que cometeram um assassinato não intencional, surge uma grande pergunta. Quando uma pessoa era enviada para a cidade de refúgio, seu maior desejo era poder sair de lá, mas isto só aconteceria apenas após a morte do Cohen Gadol. Portanto, mesmo que de forma não intencional, todos os que estavam na cidade de refúgio desejavam a morte do Cohen Gadol e, quando rezavam para sair logo dali, estavam incluindo indiretamente em suas rezas um pedido pela morte rápida do Cohen Gadol. Esta reza tinha tanta força que o Talmud conta que a mãe do Cohen Gadol levava comida e roupas para os moradores das cidades de refúgio para convencê-los a não rezar pela morte do filho. Mas por que o Cohen Gadol merecia isto? Ele estava sendo castigado por algum tipo de erro?
Explica o Rav Meir Rubman um fundamento espiritual muito importante, que nos ajuda a enxergar acontecimentos do cotidiano com outros olhos. Nos ensina Shlomo Hamelech (Rei Salomão): "Mesmo sem intenção, a alma não é boa" (Mishlei 19:2). O que este versículo quer dizer? Que quando um ser humano comete um mau ato, mesmo sem intenção nenhuma, isto é um sinal que há algo de errado em sua alma. Pois os maus atos não intencionais são consequência da falta de cuidado e da falta de sensibilidade com a dor e com as perdas do próximo. Se a pessoa tivesse tido um pouco mais de cuidado e preocupação com o próximo, certamente o acidente não intencional não teria ocorrido.
Tudo o que ocorre, tanto nos mundos espirituais quanto no mundo material, está sob controle total do Criador do universo. Nada ocorre sem a Sua permissão. D'us cumpre Sua vontade utilizando o nosso próprio livre arbítrio. Ele utiliza pessoas com méritos espirituais como intermediários para mandar coisas boas aos outros e pessoas com problemas espirituais como intermediários para aplicar decretos ruins. Portanto, a pessoa que morreu já tinha um decreto espiritual de morte, mas D'us utilizou o assassino, que não se preocupava com o próximo como deveria, como um intermediário para aplicar esta pena de morte através de um assassinato não intencional. Portanto, alguém que fez mal ao outro de maneira não intencional precisa se questionar e refletir, para procurar alguma falha em sua alma e tentar corrigir. É por isso que pedimos perdão em Yom Kipur também pelas transgressões não intencionais, pois se tivéssemos sido mais cuidadosos, se tivéssemos pensado mais nos outros, teríamos evitado muitos danos e sofrimentos, e D'us não nos teria utilizado como instrumento para causar coisas desagradáveis aos outros.
Explica ainda o Rav Rubman que isto vale para pessoas normais, isto é, de nível espiritual mediano. Mas para pessoas de nível espiritual mais elevado, com um potencial maior, a cobrança é muito mais rigorosa. Para eles, mesmo os atos não intencionais são considerados como intencionais. Mesmo se eles não fizeram nada errado, apenas deixaram de fazer algo que poderiam pelo povo judeu, como rezar para que nada de mal acontecesse, eles são cobrados por isso. O Cohen Gadol era uma pessoa de nível muito elevado, com um contato especial com D'us, diferente de todo o povo. Se durante os anos em que ele exerceu o sacerdócio ocorreram assassinatos não intencionais dentro do povo judeu, isto era um sinal de que ele não havia rezado pelo bem do povo com a intenção e a força que poderia e deveria ter feito. Por isto era castigado desta maneira tão severa.
O que aprendemos deste fundamento espiritual para nossas vidas cotidianas? Muitas vezes causamos, sem nenhuma intenção, sofrimentos e danos aos outros. Tentamos justificar nossos erros com os argumentos de "Não sabia", "Não escutei" ou "Não prestei atenção". Porém, isto na verdade não são justificativas para nossos erros, são na verdade grandes questionamentos: "Por que não sabíamos?", "Por que não escutamos?", "Por que não prestamos atenção?". Se realmente nos preocupássemos com o próximo como deveríamos, poderíamos ter evitado o dano e o sofrimento causado.
Recentemente um motorista de um Porshe, dirigindo a uma velocidade de 150 km/h pelas ruas da cidade, atingiu outro veículo em um cruzamento. A motorista do outro veículo, uma advogada de 28 anos, morreu na hora. Nas entrevistas, o motorista alegou que não era um criminoso, como vinha sendo tratado pela mídia. Mas segundo o judaísmo isto não é verdade. Alguém que dirige desta maneira, alcoolizado e em velocidade irresponsável, é sim um criminoso. O crime praticado é chamado pela Torá de assassinato e o autor é um assassino que menospreza o valor da vida alheia.
A Torá nos ensina que a solução está no cumprimento rigoroso de uma importante Mitzvá: "Ame ao próximo como a ti mesmo". Da mesma forma que nos esforçamos para evitar qualquer tipo de sofrimento ou dano a nós mesmos, assim temos que nos esforçar, no mesmo nível, para evitar danos aos outros. A forma de nos preocuparmos mais com os outros é nos dedicando mais ao Chessed (bondade), pensando mais no próximo e menos em nós mesmos, investindo tempo para encontrar formas de ajudar a quem necessita. Fazendo Chessed de maneira constante, vamos desenvolvendo uma sensibilidade cada vez maior, percebendo o que as pessoas realmente precisam. Podem ser bens materiais, mas muitas vezes pode ser apenas um abraço, um sorriso ou um momento de atenção. Assim ajudaremos aos outros e a nós mesmos, pois D'us nos utilizará apenas como instrumento para levar o bem às pessoas, diminuindo o nosso sofrimento e também o dos outros.
SHABAT SHALOM
Rav Efraim Birbojm
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome da mãe, mas para Leilui Nishmat deve ser enviado o nome do pai).
sexta-feira, 22 de julho de 2011
SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ MATÓT 5771
BS"D
COMUNICAÇÃO COM O INFINITO - PARASHÁ MATÓT 5771 (22 de julho de 2011)
"Atualmente todos os edifícios de Israel são preparados para bombardeios e ataques aéreos. Um dos quartos de cada apartamento, ou pelo menos um ambiente no subsolo do edifício, é construído com paredes de concreto maciço e janelas blindadas. Em caso de ataques aéreos, como aconteceu na Guerra do Golfo e na Guerra de Gaza, sirenes alertam os habitantes sobre o ataque iminente e todos correm o mais rápido que podem para os abrigos blindados.
Mas nem sempre foi assim. Em 1967, durante a Guerra dos 6 dias, Jerusalém estava sendo severamente bombardeada pelos aviões de guerra árabes. Naquela época, poucas pessoas tinham abrigos para se refugiar no momento dos ataques. Um dos lugares um pouco mais seguros para os moradores do centro de Jerusalém era o refeitório da famosa Yeshivá de Mir. O que havia lá de especial? Parte do refeitório era enterrado, protegendo as pessoas e funcionando como um abrigo nos momentos de ataques aéreos. Quando os ataques começavam, toda a vizinhança corria para lá.
Durante um dos fortes ataques, muitos correram para o refeitório de Mir, inclusive os alunos e rabinos da Yeshivá, entre eles o Rav Chaim Shmulevitz, o Rosh Yeshivá (Diretor). O refeitório estava completamente lotado. Muitas bombas caiam perto do edifício da Yeshivá, causando um barulho assustador e deixando as pessoas apavoradas.
O Rav Chaim Shmulevitz percebeu então que, em um canto escuro do refeitório, uma mulher rezava com muito fervor. Com os olhos fechados, ela conversava com D'us com muita emoção, como se pudesse vê-Lo e senti-Lo. O sofrimento daquela mulher era muito conhecido no bairro, pois seu marido a havia abandonado e nunca mais tinha mandado notícias. Curioso, o Rav Chaim Shmulevitz aproximou-se para ouvir o que ela pedia e escutou as seguintes palavras de desabafo:
- D'us, desde que meu marido me abandonou, Você sabe o quanto eu sofro diariamente. Diante de todos os meus conhecidos e amigos eu passo uma enorme vergonha e humilhação. Mas, apesar de todo o mal que ele me causa, eu o perdôo de todo o coração. Por favor, D'us, perdoe também o Seu povo e nos salve das mãos dos nossos inimigos.
O Rav Chaim Shmulevitz ficou emocionado ao escutar aquela reza tão sincera. Alguns minutos depois escutaram um forte barulho, seguido de um violento tremor e depois um silêncio total. Quando foram verificar o que havia acontecido, descobriram que um grande míssil havia caído dentro da Yeshivá de Mir. Era grande o suficiente para ter mandado pelos os ares toda a Yeshivá, matando imediatamente todos os que estavam escondidos no refeitório. Mas, apesar do forte impacto com a estrutura do edifício, milagrosamente o míssil não explodiu, salvando centenas de homens, mulheres e crianças.
Quando o Rav Chaim Shmulevitz contava esta história aos seus alunos, ele fazia questão de ressaltar sua certeza de que todos os presentes naquele refeitório, uma centena de pessoas, tiveram suas vidas salvas por causa da Tefilá sincera de uma única mulher"
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Na Parashá desta semana, Matót, a Torá nos descreve a guerra de vingança que D'us comandou contra o povo de Midian, por eles terem propositalmente desviado o povo judeu, levando-o à idolatria e promiscuidades. O mais grave no ato dos Midianim é que eles não tinham nenhum motivo importante para nos prejudicar. Não era uma questão de defesa pessoal, não era uma briga por território, era apenas um sentimento de ódio gratuito. Moshé então formou o exército com participantes de todas as tribos. E assim descreve o versículo: "Mil de cada tribo, mil de cada tribo, de todas as tribos de Israel vocês devem enviar para o exército" (Bamidbar 31:4). Como eram 12 tribos, o total de soldados enviados para a frente de batalha foi de 12 mil homens.
Nos ensina o Midrash Rabá (parte da Torá Oral) que na verdade não foram mandados para a guerra apenas mil homens de cada tribo, e sim três mil homens. Mil eram os soldados enviados para a frente de batalha, mas também foram enviados mil homens para cuidar dos suprimentos do exército e mais mil homens para fazer Tefilá (reza) pelos soldados.
Deste interessante Midrash surgem algumas perguntas. Em primeiro lugar, a guerra contra Midian havia sido comandada diretamente por D'us, para se vingar do ato desprezível deles. Se foi D'us Quem ordenou a guerra, certamente Ele ajudaria que o povo judeu tivesse sucesso. Portanto, com a vitória já garantida, por que era necessário rezar? Além disso, a linguagem do Midrash sugere que os homens que faziam Tefilá também saíram para a guerra junto com os soldados. Por que tiveram que fazer a Tefilá no local da batalha, ao invés de fazer a Tefilá no acampamento, junto com o resto do povo judeu? E finalmente, por que foi necessário designar mil homens de cada tribo para a Tefilá? Se estes homens não tivessem sido escolhidos, não é certeza de que Moshé e o resto do povo teriam rezando pelos soldados que foram para a batalha?
Explica o Rav Yechezkel Levinshtein que, por vivermos em um mundo material, onde a presença de D'us não é evidente e explícita, o ser humano vive muito próximo da mentira e da enganação. Por isso estamos tão propensos a viver com a idéia equivocada de que "minha força e o esforço de minhas mãos me trouxeram estas riquezas", esquecendo que D'us é o verdadeiro responsável por todo o nosso sucesso, em todas as áreas da vida. É necessário um grande e constante esforço para arrancar do nosso coração este tipo de idéia equivocada.
Apesar de Moshé ter mandado para o exército apenas Tzadikim (Justos) com elevado nível espiritual, escolhidos a dedo, eles também estavam sujeitos a, após a vitória na batalha, sentir orgulho por sua força e valentia. D'us quis ensinar, para a geração do deserto e para cada um de nós, uma das mais importantes lições de vida: as batalhas são vencidas através de méritos espirituais, não com a força física. Foi por isso que D'us mandou o mesmo número de soldados e de pessoas para fazerem Tefilá, demonstrando que, tão importante quanto a pessoa que segura a espada é aquele que está rezando e protegendo espiritualmente o exército.
Mas ainda fica uma pergunta: por que os homens que faziam Tefilá não podiam permanecer no acampamento? Explicam os nossos sábios que os 5 sentidos exercem muita influência sobre o ser humano, tanto para o bem quanto para o mal. Se os homens que faziam Tefilá tivessem permanecido longe do campo de batalha, os soldados não associariam sua vitória à Tefilá. Somente vendo com seus próprios olhos a força da Tefilá é que eles conseguiam fugir da falsa idéia de que a vitória era mérito dos seus golpes de espada. Se os soldados apenas imaginassem que o povo rezava por eles, sem ver com seus próprios olhos, não teria o mesmo impacto para salvá-los da mentira e enganação.
Quem estuda a história das modernas guerras de Israel logo percebe que elas não seguem nenhuma lógica. Vitória de 1 milhão de pessoas, com pouco treinamento militar e armas obsoletas, contra 12 milhões de árabes. Uma guerras vencida de forma arrasadora em 6 dias. Inimigos que fugiam sem estarem sendo perseguidos por ninguém, apenas por falsas informações de seus serviços de inteligência. Fatos que vão contra a lógica e o bom senso. Novamente a mão de D'us presente, para que tenhamos a certeza de que as vitórias não dependem de armamentos nem de soldados, e sim de méritos espirituais. Pois enquanto soldados iam para a frente de batalha, milhares de judeus no mundo inteiro rezavam fervorosamente, pedindo a ajuda e a proteção de D'us.
Mas se tudo depende da nossa Tefilá, por que temos que nos esforçar? Apenas para que D'us oculte Seus milagres atrás dos nossos atos. Fazemos a nossa parte, cumprimos a nossa obrigação, mas com a certeza de que os resultados dependem apenas de D'us.
Não apenas nas guerras corremos o risco de esquecer que nós somos apenas atores coadjuvantes neste mundo onde tudo o que acontece é controlado por D'us. Por este motivo nossos sábios decretaram que devemos pronunciar Brachót (bênçãos) antes de termos qualquer tipo de proveito do mundo material. É um lembrete que tudo que temos na vida, sem exceção, é um grande presente de D'us.
Portanto, este é um dos principais motivos pelos quais fazemos Tefilá: D'us sabe tudo o que necessitamos, mas quando fazemos uma Tefilá e abrimos nosso coração para pedir coisas para Ele, mesmo as nossas pequenas necessidades, estamos na verdade enraizando no nosso coração de que tudo vem de D'us.
SHABAT SHALOM
Rav Efraim Birbojm
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