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NUNCA É TARDE PARA MELHORAR - PARASHAT PINCHÁS 5786 (03/jul/26)
Yossef era um velho joalheiro, famoso por lapidar pedras preciosas com incrível precisão. Sua maior alegria foi quando Yaacov, seu filho, decidiu seguir o ofício do pai. Durante muitos anos, sempre que o filho cometia um erro, Yossef gritava: “Não é assim que se faz! Você está estragando tudo!”. Ele batia a mão na bancada com força, de forma ameaçadora. Yaacov, ano após ano, foi se tornando um joalheiro habilidoso, e Yossef atribuía esse sucesso à sua disciplina rígida.
Certo dia, um cliente chegou à joalheria trazendo uma pedra muito valiosa e rara. No instante em que a mão de Yaacov desviou um milímetro do ângulo ideal, Yossef gritou, como sempre fazia: “Não é assim!”. Yaacov, assustado com o grito do pai, deixou a mão tremer justamente no momento do corte, fazendo com que a pedra ficasse marcada com um risco tão profundo que não havia mais conserto. Yossef ficou paralisado, olhando a joia destruída. Pela primeira vez, ele entendeu que a culpa não foi do filho, pois o corte já estava quase certo. Foi o próprio grito, no momento errado, que fez a mão de seu filho tremer.
Alguns dias depois, outro cliente trouxe uma pedra delicada para lapidar e entregou a Yaacov. Por hábito, Yossef logo abriu a boca para gritar ao perceber um pequeno desvio no corte, mas se conteve. Aproximou-se devagar, pegou a pedra com cuidado, olhou-a contra a luz e disse baixinho: “Veja como a luz entra aqui. Se você tivesse cortado um pouquinho mais para a esquerda, ela brilharia ainda mais”. E, suavemente, devolveu a pedra ao filho.
- Se eu errei, por que o senhor não gritou comigo, como sempre faz? - perguntou Yaacov, surpreso.
E o velho joalheiro respondeu, com a voz embargada:
- Pois a pedra que estragamos nesta semana não foi riscada por sua causa, foi por minha causa, pelo meu grito. Passei anos pensando que meus gritos ensinavam. Talvez até tenham ensinado, já que você se tornou um habilidoso joalheiro. Mas eu vi, com meus próprios olhos, que eles também destroem. Finalmente entendi que a mesma boca que corrige pode, se usada da forma errada, destruir.”
A dureza de Yossef destruiu a pedra que ele tanto queria proteger. E foi essa consequência, tangível e irreversível, que o levou à introspecção genuína e ao doloroso reconhecimento de que uma educação rígida demais, com gritos e ameaças, sempre tem um custo alto.
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Nesta semana lemos a Parashat Pinchás, na qual Moshé foi ordenado a se vingar dos Midianim por sua atitude abominável, por terem feito suas filhas seduzirem os homens do povo judeu e os convencerem a cometer idolatria e imoralidade, o que causou a morte de vinte e quatro mil homens. Esta “batalha de vingança” contra Midian somente ocorre na Parashat da semana que vem, Matot. Lá, novamente D’us ordena a Moshé para se vingar dos Midianim. Moshé reúne um exército de doze mil homens, que atacam Midian e matam os homens e os reis, mas poupam as mulheres e as crianças, que são trazidas como cativas. Quando Moshé viu isso, ficou furioso com os oficiais. Ele questionou: “Vocês mantiveram as mulheres vivas?” (Bamidbar 31:15). As mulheres de Midian, a causa de toda a tragédia, obviamente deveriam ter sido mortas!
Além das mulheres, os soldados voltaram com muitos espólios de guerra, inclusive utensílios utilizados para cozinhar. Este é o único lugar onde a Torá estabelece as leis de Kasherização de utensílios, nos ensinando os processos necessários para extração do gosto dos alimentos não-Kasher que ficaram absorvidos nos utensílios. Curiosamente, este ensinamento não foi transmitido ao povo judeu por Moshé, mas sim por seu sobrinho, Elazar, que era o novo Cohen Gadol, como está escrito: “Elazar, o Cohen, disse aos homens do exército que voltaram da batalha: ‘Este é o decreto da Torá que D’us ordenou a Moshé...’” (Bamidbar 31:21). Mas por que estas leis tão importantes da Torá não foram transmitidas por Moshé?
Rashi (França, 1040 - 1105) explica que, como Moshé ficou irritado, ele cometeu um erro. Embora a irritação fosse por razões legítimas, pois tratava-se de uma repreensão adequada por terem mantido vivas as mulheres de Midian, ainda assim, pelo fato de ter perdido a paciência, ele errou. Por esse motivo, os ensinamentos sobre a Kasherização dos utensílios de Midian foram transmitidos através de Elazar, e não através de Moshé.
Rashi cita vários incidentes ao longo da Torá nos quais Moshé também ficou irritado e, como resultado, esqueceu a Halachá. Um dos exemplos que Rashi cita é o incidente descrito na Parashat Chukat, quando o povo reclamou da falta de água e Moshé disse para eles: “Ouçam, seus rebeldes!” (Bamidbar 20:10). Esse incidente fez com que Moshé perdesse a oportunidade de entrar em Erets Israel. Novamente, por ter ficado irritado com o povo, Moshé cometeu um erro, batendo na rocha em vez de falar com ela. Percebemos, portanto, que diversas vezes Moshé repreendeu o povo de maneira dura e, apesar de ter as motivações adequadas, ele acabou esquecendo a Halachá.
Porém, esta maneira dura de Moshé repreender o povo não se encaixa com o início da Parashat Devarim: “Estas são as palavras que Moshé falou a todo Israel do outro lado do Yarden, no deserto, na Aravá, defronte ao Yam Suf, entre Paran e Tofel, e Lavan e Chatzerot, e Di-Zahav” (Devarim 1:1). Rashi explica que cada um dos lugares mencionados neste discurso alude a algum tipo de repreensão sutil que Moshé estava dando ao povo. Vemos aqui uma forma completamente diferente de repreender o povo! Onde estavam as duras broncas de Moshé?
Explica o Rav Yssocher Frand shlita que a resposta está na primeira palavra do Sefer Devarim, “Eleh” (אלה), que significa “Estas são”. Nossos sábios ensinam que a linguagem “Eleh” sempre exclui o que foi mencionado anteriormente. A Torá está nos ensinando algo incrível: Moshé entendeu seu erro e mudou. Eram suas últimas cinco semanas de vida. Moshé pensou: “Cometi alguns erros no passado. Um deles foi ter sido duro demais com o povo. Fui explícito demais nas minhas críticas a eles. Chamei-os de ‘Rebeldes’. Preciso mudar minha forma de criticá-los”. Por isso, em seus discursos de despedida, Moshé decidiu dar sua repreensão de forma sutil.
Existem duas maneiras de repreender uma pessoa. Quando alguém faz algo errado, você pode dizer a ele “Como você fez isso?” ou pode dizer “Como você fez isso?”. Quando a ênfase está na palavra “isso”, a implicação é que a pessoa fez algo terrível. Mas quando a ênfase está na palavra “você”, a implicação é que o ato talvez não seja tão terrível, mas que uma pessoa de tão grande estatura não deveria estar fazendo algo assim.
Este conceito também foi transmitido pelo mais sábio de todos os homens, Shlomo Hamelech: “Não repreenda um zombador, para que ele não te odeie; repreenda um sábio e ele o amará" (Mishlei 9:8). O entendimento mais simples deste versículo é que não devemos repreender uma pessoa que é zombadora, pois ela não quer melhorar e não está interessada em receber críticas, nem mesmo quando são construtivas, e odiará aquele que tentar repreendê-la. Mas o sábio, que quer sempre crescer e melhorar, amará aquele que apontar algo que ele pode consertar e melhorar. O Rav Yeshayahu HaLevi Horowitz zt”l (Boêmia, 1555 - Israel, 1630), mais conhecido como Shla Hakadosh, ensina uma lição ainda mais profunda. Ele ensina que o versículo não se refere a duas pessoas diferentes. Ao dar uma bronca em alguém, se eu tratar a pessoa como um zombador, ela vai me odiar. Porém, se eu tratá-la como um sábio, ela vai me amar. Portanto, Shlomo Hamelech está nos ensinando que, ao repreender uma pessoa, devemos tratá-la como um sábio, não como um zombador.
É isso que Moshé está nos transmitindo. No passado, ele havia adotado a abordagem de repreender o povo como se fossem zombadores, o que fica claro na linguagem “Ouçam, seus rebeldes!”. No entanto, agora, no fim da vida, ele pensou: “Vou mudar minha abordagem. Vou repreendê-los como sábios, apenas com termos discretos”.
A verdade é que repreender os outros não é algo que devemos fazer constantemente. O Rav Avraham Yeshayahu Karelitz zt”l (Bielorússia, 1878 - Israel, 1953), mais conhecido como Chazon Ish, escreve que hoje em dia não sabemos mais como repreender da maneira correta. A menos que a pessoa seja um rabino ou esteja em uma posição de autoridade, como um professor, não cabe a nós repreender o próximo, porque não sabemos como fazê-lo. No entanto, há uma área em que todos podemos, e devemos, repreender: na educação dos nossos filhos. A lição do Shla haKadosh é que existe uma forma certa de repreender nossos filhos e uma forma errada. A forma errada é repreendê-los como “zombadores”. Em vez disso, devemos apelar ao “sábio” dentro deles. Como Mishlei ensina: “Repreenda o sábio e ele o amará”.
Além disso, há outro ensinamento incrível. Moshé estava completando 120 anos. Ele estava na liderança do povo há quarenta anos, com muito sucesso. A maioria das pessoas que está em uma mesma função há quarenta anos, e com sucesso, pensaria consigo mesma: “Não há mais nada para aprender sobre como fazer isso melhor”. No entanto, Moshé, nas últimas semanas de vida, olhou para si mesmo e disse: “Cometi erros ao longo do caminho. Minhas repreensões às vezes foram fortes demais, pois fiquei irritado. Vou tentar uma abordagem diferente”.
Esta é uma lição para todos nós. Independentemente da nossa idade e da nossa experiência de vida, devemos estar sempre abertos a melhorar nossas habilidades interpessoais. Se Moshé, no fim de seus dias, pôde refletir e dizer “Tenho que mudar minha abordagem”, também precisamos sempre olhar para nós mesmos e dizer: “Preciso mudar minha abordagem”. Devemos tratar a todos como se fossem sábios, sem querer diminuir ninguém. Afinal, repreender alguém é uma Mitzvá apenas se estamos ajudando a construí-lo, não a destruí-lo. SHABAT SHALOM R’ Efraim Birbojm |
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z”L e Frade (Fany) bat Efraim Z”L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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