quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

DÊ VALOR À SUA VIDA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHEMOT 5785

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PARASHÁ SHEMOT 5785



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ASSUNTOS DA PARASHÁ SHEMOT
  • O Crescimento do povo judeu.
  • O "novo" Faraó e a opressão.
  • Bebês jogados no Nilo.
  • Nascimento de Moshé.
  • Moshé sai para ver seus irmãos.
  • Moshé foge para Midian.
  • O arbusto ardente.
  • Moshé é apontado como salvador do povo judeu.
  • Moshé "discute" com D'us.
  • Moshé volta ao Egito.
  • Brit Milá do filho de Moshé.
  • Moshé e Aharon pedem ao Faraó a liberação do povo judeu.
  • O Faraó aumenta o trabalho do povo.
  • Os judeus reclamam com Moshé.
  • Moshé reclama com D'us.
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DÊ VALOR À SUA VIDA - PARASHÁ SHEMOT 5785 (17/jan/25)
 
"Lilian é uma enfermeira que vive em Israel. Sábado, às 06h30 da manhã, Lilian estava pronta para sair para o seu trabalho em um hospital. Ela pegou um copo de café e, como é o costume de muitos israelenses, saiu na rua com o café na mão. Foi diretamente para o ponto de ônibus, onde passaria a Van especial com o motorista não judeu que levava os médicos e enfermeiras para seu trabalho no hospital no Shabat.
 
Enquanto Lilian esperava a Van, sentiu que sua mão estava molhada. Ela olhou e, para seu desespero, percebeu que o copo descartável estava furado e o café estava vazando, sujando também sua roupa. Ela ficou extremamente irritada. Com tantos copos no pacote, por que havia pegado justamente o que estava furado? Agora teria que trocar de roupa e preparar outro café! Voltou correndo para casa, com a sensação de que havia acordado naquela manhã com o pé esquerdo. Enquanto preparava outro café, Lilian ouviu fortes estrondos na rua. Ela correu até a janela e viu que, bem na frente da sua casa, no ponto de ônibus onde ela estava poucos minutos atrás, haviam terroristas árabes atirando para todos os lados. Era o fatídico dia 7 de outubro de 2023.
 
Assustada, sem entender o que estava acontecendo, Lilian rapidamente fechou todas as janelas, trancou as portas e toda a família entrou no quarto protegido da casa, e lá ficaram por longas horas, até serem salvos pelo exército.
 
Vamos fazer uma pequena reflexão. Aquele copo, um copo dentre milhares de copos descartáveis produzidos na fábrica de copos, saiu com defeito. Imagine que, hipoteticamente, ele foi guardado em um dos milhares de pacotes, na nona posição. Aquele pacote, dentre muitos outros, foi levado para uma loja específica, onde a família de Lilian o comprou. Eles abriram aquele pacote justamente para aquele Sucót. Oito pessoas usaram copos do pacote, até que chegou o nono copo que estava ali, furado, esperando para que Lilian o pegasse, às 06h30 da manhã, naquele Shabat, que também era Simcha Torá, para salvar a vida dela e de toda a sua família.
 
Isso é incrível! Se qualquer detalhe da história fosse um pouquinho diferente, este copo furado não estaria nas mãos dela naquela manhã e o final da história seria trágico. Enquanto Lilian reclamava da sua má sorte, ela não percebia que D'us estava salvando a vida dela e de sua família. Por isso, da próxima vez que alguma coisa der errado na sua vida, saiba que há uma orquestração gigantesca por trás, diretamente lá de cima. Tudo tem o seu motivo, o seu lugar e o seu momento. Aprenda a agradecer mais e a reclamar menos da vida.
 

Nesta semana começamos o segundo Livro da Torá, Shemot, que descreve desde o processo de escravização do povo judeu no Egito até a sua posterior salvação, física e espiritual, feita por D'us através de Moshé Rabeinu, nosso maior líder, com muitos sinais e milagres. D'us demonstrou Sua força e Seu controle sobre toda a natureza.
 
Na Parashá desta semana, Shemot (literalmente "Nomes"), a Torá começa a contar sobre o Faraó que decidiu escravizar os judeus, ignorando o fato de Yossef ter salvado todo o Egito da morte por fome, demonstrando um sentimento extremo de ingratidão, como está escrito "Um novo rei se levantou sobre o Egito, que não conhecia Yossef" (Shemot 1:8). "Não conhecia" significa que ele negou todas as bondades recebidas. O Faraó então começou a convencer seu povo a escravizar os judeus, utilizando falsos argumentos que amedrontaram os egípcios, como está escrito: "Ele disse ao seu povo: "Eis que o povo dos Bnei Israel é mais numeroso e mais forte do que nós. Preparem-se, vamos lidar com eles com astúcia, para que não aumentem, e uma guerra aconteça, e eles se juntem aos nossos inimigos e façam guerra contra nós, e partiremos da terra" (Shemot 1:9,10).
 
O Midrash ensina que a linguagem "vamos lidar com eles com astúcia" (Shemot 1:10) se refere ao plano que o Faraó estava desenvolvendo junto com seus três conselheiros: Bilaam, Yov e Ytró. Bilaam, que apoiou a escravização do povo judeu, foi morto. Yov, que permaneceu em silêncio, foi condenado a terríveis sofrimentos, como a perda de todo o seu dinheiro, de todos os seus filhos e da sua saúde. Ytró, que fugiu, foi recompensado com descendentes que trabalharam no Beit Hamikdash.
 
Mas há algo neste ensinamento do Midrash que desperta um óbvio questionamento. O castigo de Bilaam, que deu um mau conselho contra o povo judeu, deveria ter sido incomparavelmente maior que o de Yov, que apenas ficou em silêncio. Então por que Bilaam apenas foi morto, enquanto Yov foi submetido a sofrimentos amargos e terríveis, que estão além da capacidade humana de suportar?
 
Explica o Rav Chaim Shmulevitz zt"l 
(Lituânia, 1902 - Israel, 1979) que, na realidade, há uma falha filosófica neste questionamento. A pergunta somente surge por nossa falta de reconhecimento do verdadeiro valor da vida. O profeta Yirmiahu nos ensina: "Por que se queixa o homem enquanto vive?" (Eichá 3:39). Rashi, em seu comentário sobre este versículo trazido no Talmud (Kidushin 80b), diz que quando alguém reclama dos problemas da vida, é como se D'us falasse: "Por que ele se queixa das adversidades que lhe acontecem, após o grande ato de bondade que Eu fiz com ele ao lhe dar a vida?".
 
As palavras de Rashi podem ser explicadas através de uma parábola: um homem ganhou sozinho o maior prêmio da loteria. No momento em que foi informado sobre a grande fortuna que receberia, ficou tão feliz que acabou esbarrando em um copo de vidro, que caiu e se quebrou. Será que esse homem sentiria tristeza por uma perda tão insignificante em meio a tamanha alegria? Certamente a felicidade que ele experimenta anula qualquer sensação de pesar por eventos triviais da vida cotidiana. Da mesma forma, uma pessoa deve sentir uma imensa gratidão pela bondade de D'us ao lhe conceder a vida. Sua alegria e felicidade devem ser tão grandes que ela não sinta ou perceba as dificuldades e sofrimentos, por maiores que sejam. Assim disse David HaMelech: "D'us me castigou severamente, mas não me entregou à morte" (Tehilim 118:18). Em outras palavras, David HaMelech está nos ensinando que, embora D'us tenha lhe afligido com grandes sofrimentos, Ele não o entregou à morte, e por isso ele não sentia as dores e sofrimentos da vida.
 
Concluímos, portanto, que uma pessoa que se queixa e lamenta das suas dificuldades está no nível de "Mas o homem que não descansa na sua honra é comparado ao um animal silenciado" (Tehilim 49:13). A linguagem "que não descansa na sua honra" se refere a uma pessoa que não percebe que o mais precioso dos presentes, a vida, foi concedido a ele. Neste caso, ele é comparado a um animal, criatura irracional que não sabe valorizar as coisas, e sua vida perde o valor. Tudo isso ocorre porque ele não reconhece a grande Brachá que é a vida.
 
Por esse motivo, uma pessoa que não aprecia devidamente a alegria e a preciosidade da vida pode acabar perdendo-a completamente. Sabemos que Yaacov deveria ter vivido 180 anos, mas viveu apenas 147 anos. Por que ele perdeu 33 anos de vida? Por ter dito ao Faraó, após ter sido questionado quantos anos ele tinha: "Poucos e ruins foram os dias dos anos da minha vida" (Bereshit 47:9). D'us então disse: "Eu o salvei de Essav e Lavan, devolvi Diná e Yossef para você, e ainda assim você se queixa de que sua vida foi curta e ruim? Garanto a você que, conforme o número de palavras ditas nesta conversa com o Faraó (incluindo a pergunta do Faraó, totalizando 33 palavras), assim será reduzida a sua vida, para que você não alcance a idade de seu pai, Ytzchak". Apesar de Yaacov realmente ter enfrentado muitas adversidades, e certamente ter intenções elevadas no que disse ao Faraó, ainda assim, por seu elevado nível espiritual, ele foi imediatamente punido por se queixar da vida.
 
Mas por que até mesmo a pergunta do Faraó foi incluída no número de palavras pelas quais Yaacov foi responsabilizado? Os comentaristas explicam que a pergunta do Faraó surgiu apenas porque ele percebeu que Yaacov estava muito envelhecido, com os cabelos e a barba completamente brancos, o que chamou a sua atenção. Yaacov respondeu que parecia assim tão velho devido às muitas dificuldades que havia passado na vida, que lhe trouxeram um envelhecimento precoce. As palavras do Faraó foram incluídas no castigo pois, se Yaacov não tivesse sentido tanto pesar por suas dificuldades, a velhice não teria se manifestado de forma tão intensa e o Faraó não teria perguntado sua idade.
 
Agora, compreendemos que o castigo de Bilaam foi incomparavelmente mais severo que o de Yov. Yov, apesar de todos os sofrimentos, permaneceu vivo. A vida, a maior alegria possível, foi mantida para ele. Por outro lado, o castigo de Bilaam foi terrível, pois ele perdeu completamente essa grande alegria.
 
Por que a vida é tão alegre? Pois é a nossa única forma de alcançarmos o Mundo Vindouro, eterno, como ensinam os nossos sábios: "Rabi Yaacov disse: 'O Olam Hazé (este mundo) é como um corredor diante do Olam Habá (Mundo vindouro); prepare-se no corredor para poder entrar no salão de banquetes'" (Pirkei Avot 4:16). Como nos preparamos neste mundo? Através do cumprimento das Mitzvót, do estudo da Torá e bons atos.
 
Todos temos problemas e dificuldades. Porém, eles são parte da vida, da nossa "lapidação" e amadurecimento. Precisamos saber o valor da vida, quanto vale cada segundo de oportunidades para o nosso crescimento. Cada Mitzvá, cada ato de bondade, cada Tefilá, valem eternidade, como ensina o Zohar Hakadosh: "Vale a pena uma pessoa vir ao mundo e passar 70 anos de sofrimentos de Yov apenas para responder uma única vez 'Amen Yechei Sheme Rabá' na Tefilá". Não somos anjos, é difícil ignorarmos os sofrimentos pelos quais passamos na vida, como fizeram gigantes espirituais como David HaMelech. Mas que possamos ao menos agradecer mais e reclamar menos, lembrando sempre o maravilhoso presente e oportunidade que é a vida.

SHABAT SHALOM

 R' Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 10 de janeiro de 2025

MUNIÇÕES ESPIRITUAIS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAIECHI 5785

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ASSUNTOS DA PARASHÁ VAIECHI
  • Doença e os últimos dias de Yaacov.
  • Brachá para Efraim e Menashé.
  • Brachá (e bronca) aos filhos.
  • Último pedido de Yaacov.
  • Falecimento e luto por Yaacov.
  • Yossef pede permissão para enterrar Yaacov em Israel.
  • O enterro de Yaacov.
  • Yossef tranquiliza seus irmãos.
  • A morte de Yossef.
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MUNIÇÕES ESPIRITUAIS - PARASHÁ VAIECHI 5785 (10/jan/25)
 
"Dois reis estavam travando uma guerra feroz há muitos anos, com cada um alternando momentos de vantagem. Um dia, os reis decidiram pôr fim à guerra. Os dois se encontraram e concordaram em travar uma batalha única, que duraria um total de quatro dias. Quem vencesse essa batalha decisiva seria proclamado o vitorioso, e o perdedor se submeteria inteiramente à vontade do vencedor.
 
Os reis começaram a se preparar para a batalha decisiva, e seus melhores generais ensinaram aos soldados novas táticas e estratégias. Quando a guerra começou, ficou claro que ambos os exércitos eram poderosos e habilidosos, porém de força equivalente. De fato, no primeiro dia de luta um dos exércitos foi vitorioso, mas no segundo dia o outro venceu. Ao anoitecer do terceiro dia, um dos generais reuniu os comandantes e exclamou:
 
- Homens, amanhã é o dia final e decisivo desta guerra, e devemos sair vitoriosos a qualquer custo! No entanto, como os lados estão equilibrados, precisamos de um plano brilhante. Nossos espiões relataram que as munições e muitas armas do inimigo estão em um bunker específico no acampamento deles. Se enviarmos uma equipe de soldados de elite para roubar as munições e armas do acampamento inimigo, eles serão facilmente derrotados.
 
Todos concordaram e o plano foi executado. Um esquadrão de soldados de elite entrou secretamente no acampamento inimigo e roubou suas munições e armas. No dia seguinte, houve o som de uma trombeta alta e os exércitos se reuniram para o combate. Mas quando os soldados de um dos exércitos correram para se armar, ficaram chocados ao descobrir que o bunker de armas e munições estava vazio. Sem escolha, eles se renderam"
 
O ser humano está engajado em uma guerra constante contra seu maior inimigo, o Yetzer Hará, a nossa má inclinação. Há ocasiões nas quais o Yetzer Hará sai vitorioso e outras nas quais o homem triunfa. É nesse ponto que o Yetzer Hará formula uma estratégia astuta, de roubar as munições e armas do homem: a sagrada Torá, as Mitzvót, a Tefilá e a nossa espiritualidade, cujo mérito permite derrotar o Yetzer Hará. Devemos tomar cuidado para que o Yetzer Hará não roube nossa poderosa arma. Mesmo que o Yetzer Hará tenha vencido uma batalha, a pessoa não deve desesperar e nem desistir. Pelo contrário, deve se fortalecer e se disciplinar para estudar Torá, fazer Tefilá e praticar boas ações, e só então triunfará no final.
 
 

Nesta semana lemos a Parashá Vaiechi (literalmente "E viveu"), terminando o primeiro Livro da Torá, Bereshit. A Parashá fala sobre o falecimento de Yaacov, nosso último patriarca, após passar 17 anos no Egito junto com seu filho Yossef. Por 22 anos Yaacov passou por uma profunda tristeza, achando que Yossef havia morrido, mas depois de tanto sofrimento Yaacov pôde viver muitos anos de alegrias junto com seus filhos e descendentes.
 
Pouco antes de Yaacov falecer, Yossef foi avisado que ele estava muito doente e correu com seus dois filhos, Efraim e Menashé, para se encontrar com seu pai. Yaacov deu uma Brachá para Efraim e Menashé, elevando-os ao nível de "Tribos", como seus filhos. Yaacov também disse para Yossef: "E eu te dei uma porção a mais que seus irmãos, que tomei da mão dos Emorim com a minha espada e com o meu arco" (Bereshit 48:22). Rashi (França, 1040 - 1105) explica que como Yossef estava se esforçando muito para organizar o enterro de seu pai, que não queria de jeito nenhum ser enterrado no Egito, então Yaacov lhe deu um presente, uma herança, um local onde futuramente Yossef seria enterrado. Qual era esta herança? A cidade de Shechem.
 
Nossos sábios trazem explicações interessantes sobre este versículo, esclarecendo que as palavras "espada" e "arco" não devem ser entendidas literalmente, e sim se referem a armas utilizadas em uma luta espiritual. De acordo com o Midrash, as armas utilizadas são as Mitzvót e as boas ações. Já Unkelos, que traduziu a Torá para o Aramaico, as armas utilizadas são dois tipos diferentes de Tefilá, uma chamada "Tzluti" e outra "Bahuti". O ponto em comum entre estas duas explicações é que, embora o entendimento mais simples do versículo se refira a uma luta física de Yaacov contra seus inimigos, na verdade ele se refere a armas espirituais.
 
Porém, estas explicações não são simples de serem entendidas. O que levou nossos sábios a tirarem o versículo da Torá do seu entendimento mais simples? Se o versículo pode ser entendido literalmente como uma guerra, uma batalha física envolvendo armas de verdade, por que explicar que se trata de armas espirituais?
 
O Rav Yaacov Kanievsky zt"l (Ucrânia, 1899 - Israel, 1985), mais conhecido como Steipler, explica que se Yaacov estivesse utilizando as palavras "espada" e "arco" no seu entendimento mais simples e óbvio, isto é, de armas de verdade, ele deveria ter mencionado inicialmente o arco e só depois a espada. É sabido que nas guerras inicialmente há uma batalha à distância, utilizando armas de longo alcance, que são lançadas contra o inimigo, e somente depois as batalhas se tornam combates face a face, com armas de curto alcance. Pelo fato de Yaacov ter precedido a espada, que é uma arma de guerra para ataques de perto, ao arco e flecha, que é uma arma de ataque de longe, então nossos sábios entenderam que não se tratava de armas para uma guerra material, e sim armas espirituais, utilizadas na guerra contra o nosso Yetser Hará.
 
Mas ainda precisamos entender as analogias utilizadas pelos nossos sábios. Por que o Midrash entende que "arco" e "espada" se referem a "Mitzvót e bons atos", enquanto Unkelos entende que "arco e espada" se referem a dois tipos diferentes de Tefilá? Qual é a conexão entre as armas e estes conceitos espirituais?
 
Quando falamos sobre nossa principal guerra espiritual, a guerra contra o nosso Yetser Hará, precisamos saber que é uma guerra diferente de todas as outras guerras. O Yetser Hará exerce sua influência negativa sobre o ser humano desde o momento em que ele sai do ventre de sua mãe, como ensinam os nossos sábios do Talmud (Sanhedrin 91b), que trazem a conversa entre Antoninus e Rabi Yehuda Hanassi. Antoninus questionou a partir de quando a má inclinação domina uma pessoa. Ele mesmo respondeu que era desde o momento em que a pessoa sai do ventre. O Rabi Yehuda HaNassi aprovou a resposta e disse que há um versículo que apoia este ensinamento: "O pecado paira na entrada" (Bereshit 4:7), indicando que é desde o momento do nascimento, quando o recém-nascido emerge da entrada do ventre de sua mãe, que a má inclinação o domina.
 
Portanto, o início da guerra deve ser justamente com a espada, para expulsar o Yetser Hará de dentro de nós. Depois que a pessoa já se esforçou muito e recebeu apoio Celestial, conseguindo tirar de dentro de si o Yetser Hará, ela ainda não pode baixar a guarda. Ela deve ficar alerta o tempo todo e atirar à distância toda vez que perceber que o Yetser Hará se aproxima novamente, garantindo que ele nunca mais retorne. Foi a isso que Yaacov se referia quando disse "com a minha espada e com o meu arco". Ele estava dizendo: "Pelos méritos de eu ter lutado contra o meu Yetser Hará, de perto e de longe, e por ter cumprido as Mitzvót e feito bons atos".
 
Já Unkelos explica que as palavras do versículo "com a minha espada e o meu arco" se referem a dois diferentes tipos de rezas, uma chamada "Tzluti' e outra "Bahuti". Para explicar este conceito, o Rav Yitzchak Zeev Soloveitchik zt"l (Bielorússia, 1886 - Israel, 1959), mais conhecido como Brisker Rav, explica que há dois tipos de Tefilá: a primeira é a Tefilá que foi definida pelos "Anshei Knesset HaGuedolá", mais conhecida como "Amidá" ou "Shmone Essrê", enquanto a segunda é a Tefilá particular que nós fazemos, de forma individual e com as nossas próprias palavras. Mas como isso se conecta com as palavras "espada" e "arco"?
 
Existe uma diferença fundamental entre a espada e o arco. A espada é muito afiada e, por isso, ela mesma tem o poder para matar e cortar. Mas o mesmo não ocorre com as flechas disparadas através do arco, elas não têm poder de causar dano sozinhas, pois não são tão afiadas quanto uma espada. A capacidade de matar com o arco e flecha, portanto, está na força daquele que puxa a corda do arco e lança a flecha com força em direção ao alvo.
 
Uma diferença semelhante também existe entre os dois tipos de Tefilót descritas anteriormente. A Amidá é uma Tefilá sagrada por si só, independente de quem a reza. Portanto, todos têm a oportunidade de que sua Tefilá suba nos níveis espirituais mais elevados e seja atendida. Já em relação à Tefilá individual há um interessante ensinamento do Talmud (Baba Batra 116a), que qualquer pessoa que tenha uma pessoa doente em casa deve ir a um sábio e pedir a ele que reze, para despertar compaixão Celestial sobre o doente. Ou seja, em uma Tefilá particular não há nenhuma garantia que cada indivíduo terá sua Tefilá atendida e, portanto, é melhor que ela seja feita por um sábio, que tenha mais méritos e mais chances de ser atendido. Por isso a Amidá se compara a uma espada, isto é, algo que funciona por si só, independente de quem a empunha. Já a Tefilá particular se compara a um arco, isto é, algo que funciona apenas de acordo com quem o utiliza.
 
Temos muitas guerras na vida, mas nenhuma é tão difícil quanto a guerra contra o nosso Yetser Hará. Como já nascemos com ele nos influenciando para o mal, o primeiro passo é nos esforçarmos para tirar ele de dentro de nós. E nesta vida não há descanso, pois mesmo quando o vencemos uma vez, ele não desiste e nos ataca outras vezes, de outras maneiras. Sua principal tática é roubar nossa "munição", que são as nossas armas espirituais. É uma luta que travaremos a vida inteira, e não podemos nunca baixar a guarda. Não há férias contra o Yester Hará. Somente com nossas verdadeiras munições, que são o estudo de Torá, o cumprimento das Mitzvót e as Tefilót pedindo para que D'us nos ajude, conseguiremos vencer o Yetser Hará e mantê-lo longe de nós.

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R' Efraim Birbojm

 

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