quinta-feira, 10 de fevereiro de 2022

BRILHANDO COMO AZEITE PURO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ TETSAVÊ 5782

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PARASHÁ TETSAVÊ



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ASSUNTOS DA PARASHÁ TETSAVÊ
  • Óleo para Menorá.
  • As 8 Vestes do Cohen Gadol:
    1) Efod ("Avental") e os Engastes.
    2) Choshen Mishpat ("Peitoral").
    3) Meil ("Manto").
    4) Tsits ("Tiara", Placa para a cabeça).
    5) Avnet ("Cinto").
    6) Ktonet ("Túnica").
    7) Mitsnefet ("Turbante").
    8) Michnassaim ("Calças").
  • As 4 Vestes dos Cohanim simples.
    1) Ktonet ("Túnica").
    2) Avnet ("Cinto").
    3) Migbaat ("Turbante").
    4) Michnassaim ("Calças").
  • Consagração dos Cohanim.
  • Consagração do Altar.
  • Korban Tamid.
  • Mizbeach (Altar) de Incenso.
BS"D

BRILHANDO COMO AZEITE PURO - PARASHÁ TETSAVÊ 5782 (04/fevereiro/2022)

 
"Uma mulher certa vez procurou desesperada o Rav David HaLevi Segal zt"l (Polônia, 1586 - 1667), mais conhecido como "Taz" (iniciais de "Turei Zahav"). Ele era um comentarista do Shulchan Aruch e uma grande autoridade rabínica da Polônia. A mulher estava chorando amargamente, pois seu único filho estava muito doente, à beira da morte. Os médicos já haviam perdido qualquer esperança de sobrevivência da criança. Desesperada, ela veio ao Taz para pedir ajuda. O Taz, muito sensibilizado com a dor daquela mulher, sugeriu que ela rezasse com muito fervor para que D'us ajudasse na recuperação do seu filho. Mas a mulher, ao escutar as palavras do Taz, balançou a cabeça e disse:
 
- Rabino, já rezei muito pelo meu filho, e outras pessoas também estão rezando por ele, mas não está adiantando. Será que você não pode também oferecer suas Tefilót em prol da recuperação do meu filho?
 
O choro desesperado daquela mulher despertou a compaixão no coração do Taz. Ele ficou em silêncio, meditando por algum tempo. De repente, ele levantou a cabeça e disse:
 
- Durante duas semanas estive "quebrando a cabeça" para descobrir a resposta para uma pergunta complexa da Torá. Foram semanas de muito esforço, até mesmo sofrimento. Peço a D'us que o mérito deste meu sofrimento no estudo da Torá sirva como uma Brachá para que seu filho doente possa se curar.
 
A Tefilá do Taz foi aceita por D'us e milagrosamente a criança começou a melhorar, até que se recuperou completamente. Tudo graças à "luz" trazida ao mundo pelo estudo da Torá."
 
O Midrash nos ensina que, assim como o fogo desceu do céu, também a Torá nos foi entregue do céu. E assim como o fogo permite a vida no mundo, assim também as palavras da Torá nos sustentam e nos dão vida, tanto neste mundo quanto no Mundo Vindouro.

Nesta semana lemos a Parashá Tetzavê (literalmente "Ordene"), que traz dois assuntos principais: a preparação do azeite que seria utilizado para o acendimento diário da Menorá e a descrição das roupas esplendorosas que o Cohen Gadol utilizava em seu Serviço no Beit Hamikdash, como o "Choshen", um peitoral feito com lã, ouro e pedras preciosas, o "Tsits", uma tiara de ouro que continha o nome de D'us, e o "Meil", uma túnica de lã azul celeste com pequenos sinos de ouro e romãs de lã colorida.
 
Assim começa a nossa Parashá: "Você (Moshé) deve ordenar a Israel que lhe tragam azeite de oliva puro, prensado à mão, para iluminação, para acender a Menorá constantemente" (Shemot 27:20). Daquele dia em diante, a Menorá de sete braços colocada no Mishkan se tornaria um símbolo para o povo judeu.
 
Mas este utensílio do Mishkan, a Menorá, desperta alguns questionamentos. Em primeiro lugar, se a Menorá era um elemento essencial dentro do Mishkan, e deveria ser continuamente acesa, certamente sua existência deve carregar uma forte mensagem para as futuras gerações. Qual é esta mensagem? Além disso, sabemos que existem muitos tipos de combustível que podem ser utilizados para acender um fogo. Por que a D'us escolheu justamente o azeite de oliva? E, finalmente, por que o azeite da Menorá precisava ser tão puro, enquanto o azeite utilizado em outros serviços não tinha esta rigorosidade?
 
Explica o Rav Noach Weinberg zt"l (EUA, 1930 - Israel, 2009) que as características do azeite trazem vários ensinamentos para as nossas vidas. Em primeiro lugar, a Torá comandou que as azeitonas fossem esmagadas manualmente, para que delas fosse extraído um líquido puro que poderia ser utilizado como combustível. Similarmente, a essência do povo judeu é pura. Porém, há um Yetser Hará, nosso mau instinto, que nos envolve como uma casca e nos impede de servirmos D'us da maneira correta. Uma vez que esta casca exterior é removida, através da pressão externa, a nossa verdadeira natureza espiritual de Kedushá volta a brilhar. Fomos expulsos de praticamente todos os países da Europa. Fomos perseguidos, torturados e massacrados durante toda a nossa história. Mesmo em nossa casa, a terra de Israel, somos atacados de forma covarde, com atentados terroristas e ataques com misseis apontados para alvos civis. Porém, são justamente todas estas dificuldades que nos trazem de volta aos caminhos de espiritualidade. O povo judeu purifica seus corações e retornam a D'us.
 
Além disso, o azeite, quando colocado junto com outros líquidos, como a água, não se mistura nem desaparece, mas mantém sua essência. Isto é algo muito simbólico do povo judeu. Podemos estar dispersos, espalhados nos quatro cantos do mundo, mas continuamos sendo um povo único e especial. Mesmo quando estamos imersos em uma cultura estrangeira, conservamos nossas qualidades essenciais, às vezes apenas em pequenos detalhes, mas sempre perceptíveis. É o que ocorreu na própria formação do povo judeu no exílio egípcio, quando, apesar da assimilação, mantivemos nossos nomes, nossa língua e nossas vestimentas.
 
Há também outro detalhe do azeite que traz consigo um precioso ensinamento para nossas vidas. Para o azeite utilizado na Menorá, apenas a primeira gota poderia ser utilizada. A extração desta gota, um azeite extra virgem, era feita através de um pilão manual. Depois disso, a azeitona era colocada em uma grande prensa e o restante do seu azeite era extraído. Este segundo azeite já não poderia mais ser utilizado para o acendimento da Menorá, mas poderia ser utilizado em outros Serviços do Mishkan, como o Korban de Minchá, que consistia em uma oferenda de farinha e azeite. O que isto nos ensina?
 
Normalmente um judeu que cumpre as Mitzvót da Torá é extremamente cuidadoso para que sua família consuma apenas alimentos que são Kasher e procura os melhores "Hechsherim" (certificados de Kashrut). Porém, esta mesma pessoa acaba não se preocupando tanto se a "comida para o intelecto" que entra em sua casa, através das mídias, computadores e celulares, também é Kasher. É isso o que a Torá está nos ensinando, pois a Menorá, que representa o nosso intelecto, só pode ser alimentada com o azeite mais puro e refinado, sendo muito superior ao azeite usado no Korban de Minchá. Portanto, devemos filtrar todas as informações que entram em nossas casas, principalmente as que são acessadas pelos nossos filhos, para que possamos garantir que, quando eles crescerem, possam ter a pureza e o brilho da Menorá.
 
Há um último ensinamento interessante relacionado à luz da Menorá. Diz Shlomo Hamelech, o mais sábio de todos os homens: "Ner Mitzvá VeTorá Or" (A Mitzvá é uma vela e a Torá é luz) (Mishlei 6:23). Mas o que significa esta comparação, que a Mitzvá é como uma vela, mas que a Torá é como uma luz?
 
Muitas vezes, quando temos a oportunidade de cumprir uma Mitzvá, nos veem à cabeça todas as razões pelas quais seria difícil cumpri-la: o tempo envolvido, os custos, a falta de vontade de se esforçar, entre outras. Mas Shlomo Hamelech está nos dizendo que a oportunidade de fazer uma Mitzvá é como a chama de uma vela. Pode-se usá-la para acender uma vela após a outra, e mesmo assim a chama original permanece intacta, sem perder nada. Da mesma maneira, nunca perdemos nada cumprindo uma Mitzvá, e seus méritos ficam guardados para sempre. Quando nos esforçamos para fazer um ato de bondade e doamos um pouco de nós mesmos, D'us não coloca obstáculos em nosso caminho. Ele nos guia para que um bom ato possa nos levar a outro bom ato, como ensinam nossos sábios: "Uma Mitzvá traz outra Mitzvá" (Pirkei Avót 4:2).
 
A sabedoria da nossa Torá é o guia de moralidade que nos foi ordenado ensinar ao mundo todo, como disse o profeta "E as nações caminharão sob a tua luz" (Yeshayahu 60:3). Como uma luz, a Torá ilumina o caminho certo para o povo judeu. Sem ela, nossas vidas permanecem obscurecidas. No entanto, não é suficiente nos iluminarmos com a luz da Torá apenas em nossas próprias casas. Temos a importante missão, que herdamos de Avraham Avinu, de espalhar a luz da Torá para todos os lugares. Quando ajudamos os outros, dedicando nosso tempo e nosso esforço, não perdemos nada, pois a luz da Torá nunca diminui, não importa quantas pessoas se beneficiem dela.
 
Ensina o Talmud (Sotá 21a) que da mesma forma que uma vela não protege uma pessoa com sua luz de forma permanente, mas apenas temporariamente, somente enquanto a vela está acesa em sua mão, também uma Mitzvá protege espiritualmente uma pessoa apenas temporariamente, ou seja, enquanto a pessoa está cumprindo a Mitzvá. Mas a Torá é comparada como uma luz, isto é, sua proteção é permanente e constante, mesmo quando a pessoa não está estudando.
 
A Menorá é nosso símbolo como um povo e um sinal da nossa missão. Enquanto nós, como o azeite, mantivermos nossas qualidades especiais, sem nos assimilarmos, teremos a capacidade de cumprir as Mitzvót e seremos uma luz para as nações, conforme D'us nos ordenou: "para acender a Menorá constantemente". É o nosso desafio diário. Em uma época de tanta escuridão espiritual, com a Torá podemos ser uma grande luz na vida das pessoas à nossa volta.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2022

D’US ESTÁ ENTRE NÓS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ TERUMÁ 5782

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ASSUNTOS DA PARASHÁ TERUMÁ
  • Doações para a construção do Mishkan.
  • Aron Hakodesh e a Kaporet.
  • Shulchan.
  • Menorá.
  • 3 coberturas do Ohel Moed.
  • Tábuas (estrutura do Ohel Moed).
  • Parochet e Tela de entrada.
  • Mizbeach.
  • Pátio.
BS"D

D'US ESTÁ ENTRE NÓS - PARASHÁ TERUMÁ 5782 (04/fevereiro/2022)

 
Adriano, o imperador de Roma, costumava discutir diversos assuntos com o Rabi Yehoshua ben Chanania, um dos grandes sábios do Talmud. Uma vez ele lhe perguntou:
 
- Diga-me, rabino, existe um Senhor do Universo, alguém que o governe o mundo todo?
 
- Óbvio! - respondeu Rabi Yehoshua - Por acaso o mundo é algo sem um Dono? Você acha possível que tudo seja regido pelo acaso?
 
- E quem criou os céus e a terra? - continuou perguntando Adriano, não se contentando com a resposta.
 
- Hashem! - respondeu mais uma vez Rabi Yehoshua - Está escrito na Torá, na Parashá Bereshit.
 
Na realidade, o imperador já sabia as respostas de Rabi Yehoshua. Ele estava apenas tentando "vencer" uma discussão com o sábio judeu. Ele continuou a perguntar com esperteza:
 
- Se isso é verdade, então por que então Ele não aparece, para que todos O vejam e O temam?
 
- Isso é impossível - respondeu Rabi Yehoshua - as criaturas não conseguiriam suportar a luz e o esplendor da Presença Divina!
 
Adriano estava aguardando exatamente esta resposta, e ficou confiante da sua vitória.
 
- Eu não acredito em você - disse o imperador - Eu, Adriano, o imperador de Roma, quero vê-Lo!
 
- Você não vai poder vê-lo, imperador! - respondeu calmamente o Rabi Yehoshua, sem se abater.
 
Adriano começou a insistir que queria ver D'us, e afirmou que caso isso não acontecesse, seria um sinal de que tudo o que o Rabi Yehoshua havia dito não era verdade. Novamente sem se abalar, Rabi Yehoshua pediu para que o imperador aguardasse até o dia seguinte. O imperador ficou desconcertado, não estava esperando uma resposta do Rabi Yehoshua. Ele aceitou, mas ficou muito curioso. Já de manhã bem cedo ele estava impaciente, esperando o Rabi Yehoshua chegar e lhe mostrar D'us. Finalmente, ao meio-dia, Rabi Yehoshua chegou ao palácio. Era o auge do verão e o calor estava intenso. Rabi Yehoshua pediu a Adriano que o acompanhasse para fora do palácio e, apontando para o sol, disse:
 
- Olhe diretamente para o sol e você verá D'us.
 
- Isso é impossível! - respondeu Adriano, indignado - Quem é que pode olhar diretamente para o sol?
 
- É impossível? Você não pode fazer isso? - perguntou Rabi Yehoshua, com um enorme sorriso no rosto - Que seus ouvidos escutem o que sua boca está falando! O sol é apenas uma das centenas de milhares de criações de D'us, e ninguém consegue olhar diretamente para ele. E você quer olhar Hashem, o Todo-Poderoso, o Criador de todo o universo?
 
Resignado, o imperador teve que concordar com as sábias palavras do Rabi Yehoshua ben Chanania.

Nesta semana lemos a Parashá Terumá (literalmente "Porção"), que descreve o comando de D'us para a construção do Mishkan, o Templo Móvel, com todos os seus mínimos detalhes. Além da estrutura, que era composta por um pátio cercado por cortinas de linho e uma construção central, feita de tábuas de madeira revestidas de ouro e coberta com várias camadas de cortinas de lã, linho e couro, a Parashá também descreve os detalhes dos utensílios que ficavam dentro do Mishkan e eram utilizados no Serviço a D'us, como o Aron Hakodesh, a Menorá, a Shulchan e o Mizbeach, também feitos com metais nobres e os mais finos acabamentos.
 
Os judeus, após terem sido libertados da escravidão do Egito, haviam se tornado uma nação. Durante a estadia do povo judeu no deserto, em sua preparação para a entrada na Terra de Israel, Moshé foi ordenado a construir o Mishkan, um Templo temporário e portátil, que podia ser montado e desmontado, e que acompanharia o povo judeu durante suas viagens. Algum tempo após a entrada do povo judeu na Terra de Israel, o Mishkan foi substituído definitivamente pelo Beit Hamikdash de Jerusalém.
 
Mas este conceito central da Parashá, a construção do Mishkan, desperta um grande questionamento: afinal, por que era necessário a construção do Mishkan? Se a Presença Divina permeia cada partícula do espaço no universo, por que D'us comandou ao povo judeu que construísse para Ele uma "moradia" limitada?
 
Além disso, a linguagem utilizada pela Torá parece incomum: "E que eles façam para Mim um Santuário, e neles habitarei" (Shemot 25:8). Esperaríamos que o versículo terminasse com as palavras "e nele habitarei", isto é, se referindo ao Santuário que D'us ordenou que construíssem. Então por que está escrito "e neles habitarei", no plural?
 
Os nossos sábios trazem diferentes respostas para estes questionamentos. O Midrash ensina que, na realidade, o comando para a construção do Mishkan não segue a ordem cronológica dos eventos. A Torá primeiro descreve o Mishkan e as roupas do Cohen Gadol, nas Parashiót Terumá e Tetzavê, e somente depois descreve a terrível transgressão do Bezerro de Ouro, na Parashá Ki Tissá. Porém, na realidade, foi o inverso que ocorreu, isto é, primeiro o povo judeu fez o Bezerro de Ouro e somente depois D'us ordenou a construção do Mishkan. A inversão na descrição dos acontecimentos ensina que D'us prepara o antídoto antes mesmo de a doença surgir.
 
Mas qual é a conexão entre a transgressão do Bezerro de Ouro e a construção do Mishkan? O Midrash explica que quando o povo judeu fez o Bezerro de Ouro, um dos piores erros cometidos em toda a nossa história, a Presença Divina se afastou do povo. D'us quis destruir o povo judeu e recomeçar, através de Moshé, um novo povo. Moshé implorou para que D'us perdoasse o povo judeu, até que finalmente conseguiu despertar a Misericórdia Divina. Porém, ainda assim Moshé não estava satisfeito. Ele questionou: "D'us, como será demonstrado para as nações do mundo que Você realmente perdoou o povo judeu?". D'us então ordenou que Moshé construísse o Mishkan e disse: "No Mishkan o povo judeu oferecerá os Korbanót e Eu os aceitarei. Será uma demonstração pública do Meu amor renovado pelo povo judeu". Através do Mishkan, a Presença Divina, que tinha se afastado, voltou a repousar entre nós.
 
Porém, quando Moshé escutou que D'us, cuja Glória preenche o céu e a terra, pretendia "morar" em uma residência tão "humilde", construída por seres humanos, ele se assustou. Mas D'us o tranquilizou, dizendo: "Não preciso nem mesmo do Mishkan inteiro. Habitarei no espaço entre as barras do Aron Hakodesh". D'us, em Seu grande amor pelo povo judeu, restringiu Sua morada ao pequeno Mishkan, como um pai que aceita viver em uma casa pequena apenas para poder estar perto de seus filhos amados.
 
Já o livro "Lilmod Ulelamed" traz outra resposta para o nosso questionamento. O ser humano pode acreditar que a Presença de D'us existe em todos os lugares, mas é difícil para o intelecto humano conceber prontamente esse conceito tão abstrato. Os sentidos humanos são muito limitados para compreender plenamente a Onipresença de D'us. Portanto, em um gesto de amor com os seres humanos, D'us escolheu um local específico e concreto para repousar a Sua Presença, algo que os seres humanos poderiam prontamente ver e aceitar. Este local foi o Mishkan, e futuramente o nosso Beit Hamikdash.
 
Porém, esta belíssima explicação ainda desperta um enorme questionamento. Infelizmente, não tivemos o mérito de viver com a presença do Beit Hamikdash e sua influência espiritual nos últimos dezenove séculos. Isso significa que não podemos atualmente experimentar esta proximidade da Presença Divina. Então, de que adiantou D'us ter vindo "habitar" no mundo junto conosco, se já não podemos mais sentir Sua presença?
 
A resposta é que a Presença de D'us não é reservada apenas ao Beit Hamikdash. Cada lar judaico (Bait Yehudi), cada sinagoga (Beit Haknesset) e cada Centro de estudo de Torá (Beit Midrash), onde existem manifestações do cumprimento do judaísmo, através de Tefilót, do estudo da Torá e do cumprimento das Mitzvót, pode se tornar um local onde se concentra santidade. Para que a Presença Divina possa pairar de forma que possamos senti-La, cada lar judaico, sinagoga e Centro de estudos devem ser dignos dessa santidade. 
 
É por essa razão que a Torá usa o plural ao declarar "e neles habitarei", para nos recordar que a moradia de D'us não é apenas no Mishkan ou no Beit Hamikdash, mas que D'us habitará no meio de todos nós se formos merecedores deste privilégio. A isso se refere as palavras do versículo: "Que grade nação tem um D'us tão perto de si, como Hashem, nosso D'us, em todos os momentos que nós O invocamos?" (Devarim 4:7). D'us não está apenas no Mishkan, D'us está no coração de cada um de nós, quando nós O procuramos de verdade. Com as Mitzvót e o estudo da Torá podemos transformar nossas casas e sinagogas em um verdadeiro Mishkan.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

A BRACHÁ DE D’US NÃO FALHA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ MISHPATIM 5782

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ASSUNTOS DA PARASHÁ MISHPATIM
  • O Escravo judeu.
  • "Venda" da filha e a escrava judia.
  • Assassinato.
  • Agressão e injúria aos pais.
  • Morte de Escravos.
  • Penas por agressão física.
  • Morte causada por um animal.
  • Autodefesa.
  • Danos com animais.
  • Danos com fogo.
  • Os 4 tipos de Shomrim.
  • Sedução.
  • Práticas Ocultas.
  • Idolatria e Opressão.
  • Empréstimo de Dinheiro.
  • Aceitação da Autoridade.
  • Justiça.
  • Animais Perdidos.
  • Animal Caído.
  • Shalosh Regalim.
  • Promessas e Instruções.
  • A Terra.
  • Selando a Aliança.
  • Aceitação da Autoridade (Naasê Ve Nishmá).
  • Visão de D'us.
BS"D

A BRACHÁ DE D'US NÃO FALHA - PARASHÁ MISHPATIM 5782 (28/janeiro/2022)

 
"O Rav Israel Meir HaCohen zt"l (Bielorrússia, 1838 - Polônia, 1933), mais conhecido como Chafetz Chaim, foi um dos rabinos mais respeitados de sua geração. Certa vez ele anunciou que iria visitar o Rav Chaim Ozer Grodzinsky zt"l (Bielorrússia, 1863 - Lituânia, 1940) na cidade de Vilna, na Lituânia. Todos os alunos e rabinos das Yeshivót, além da comunidade judaica de Vilna em geral, começaram a fazer preparativos para receber aquele gigante espiritual. Naquela época, o Rav Eliahu Dov Kloi zt"l era um jovem estudante em uma das Yeshivót de Vilna e estava muito feliz com a incrível oportunidade de conhecer o Chafetz Chaim.
 
Porém, um dia antes da chegada do Chafetz Chaim a Vilna, o Rav Eliahu Dov recebeu um telegrama do seu pai, que estava extremamente preocupado com a enorme aglomeração que aconteceria por causa da vinda do Chafetz Chaim. Com medo de que algo ruim pudesse acontecer, o pai o proibiu de ir conhecer o Chafetz Chaim e sugeriu que ele permanecesse na Yeshivá estudando. Que decepção! Mas o pior foi a reação dos seus colegas, que deram risada ao escutar o motivo pelo qual o rapaz não iria conhecer pessoalmente o Chafetz Chaim.
 
Quando os rapazes voltaram do encontro com o Chafetz Chaim, estavam eufóricos. Não apenas tinham visto o grande sábio de perto, mas tiveram a oportunidade de receber dele uma Brachá de longevidade.
 
- Você perdeu duas vezes - disse um deles - Não apenas deixou de conhecer o Gadol HaDor, mas também perdeu a Brachá de vida longa que ele nos deu!
 
O Rav Eliahu Dov não se abalou. Anotou o nome de todos os rapazes da Yeshivá que haviam recebido a Brachá do Chafetz Chaim. Muitos anos mais tarde, ele encontrou aquela lista. Percebeu que todos tinham sobrevivido ao Holocausto e tiveram vidas extremamente longas, falecendo com mais de 90 anos. Porém, ele acompanhou o enterro de todos eles, pois faleceu com a idade de 98 anos."
 
Ninguém perde nada ao cumprir Mitzvót. Enquanto seus colegas receberam a Brachá de longevidade do Chafetz Chaim, o Rav Eliahu Dov recebeu a Brachá de longevidade diretamente de D'us, por ter cumprido a Mitzvá de honrar seu pai.

Nesta semana lemos a Parashá Mishpatim (literalmente "Juízos"), que nos ensina muitas leis, algumas "Bein Adam LaMakom" (entre a pessoa e D'us), mas a maioria "Bein Adam Lehaveiro" (entre a pessoa e seu companheiro), como compensação por danos diretos e indiretos, empréstimo de dinheiro, devolução de objetos perdidos, ajuda com um animal de carga caído e o cuidado com pessoas sensíveis, como viúvas e órfãos.
 
A Parashá começa com as seguintes palavras: "E estes são os juízos que você colocará diante deles" (Shemot 21:1). Rashi, comentarista da Torá, questiona o motivo pelo qual a Torá não escreveu simplesmente "Estes são os juízos". Por que a letra "E" foi acrescentada? O que incomodou Rashi é o fato de a Torá não ser um documento humano, e sim um documento Divino, e cada pequeno detalhe da Torá têm um nível de perfeição acima do entendimento humano. Rashi está nos ensinando com a sua pergunta, portanto, que a Torá é tão profunda que até mesmo uma única letra "a mais" contém muitos ensinamentos de vida.
 
Rashi explica que a letra "E" veio para conectar os assuntos desta Parashá com o que havia sido dito anteriormente. No final da Parashá da semana passada, Itró, a Torá listou os Dez Mandamentos que foram entregues ao povo judeu no Monte Sinai. Portanto, esta é a conexão promovida pela letra "E": da mesma forma que os Dez Mandamentos foram entregues no Monte Sinai, assim também todas as leis ensinadas na Parashá desta semana foram entregues no Monte Sinai.
 
Porém, este ensinamento parece desnecessário, já que o mesmo conceito já foi transmitido na Parashá Behar, que começa ensinando sobre a Mitzvá de Shemitá, o ano Sabático. A Parashá Behar começa com as seguintes palavras: "E disse D'us para Moshé no Monte Sinai" (Vayikrá 25:1). Rashi questiona a necessidade desta "introdução" para a Mitzvá de Shemitá, e explica que assim como com a Mitzvá de Shemitá, seus princípios gerais e seus detalhes mais sutis foram todos ensinados no Monte Sinai, da mesma forma todas as Mitzvót, com seus princípios gerais e seus detalhes mais sutis, também foram ensinados no Monte Sinai. Portanto, por que foi necessário repetir este mesmo conceito no início da Parashá Mishpatim?
 
Poderíamos pensar que todos os princípios éticos e morais da Torá são, na realidade, ensinamentos do coração das pessoas. Isso nos levaria à conclusão equivocada de que no Monte Sinai somente foram ensinadas as Mitzvót "Bein Adam LaMakom", como a Mitzvá de Shemitá, mas que as Mitzvót "Bein Adam Lehaveiró", que são mais fáceis de serem entendidas intelectualmente, foram inventadas por pessoas. Uma única letra "a mais" nos ensina que também as Mitzvót "Bein Adam Lehaveiró" foram transmitidas por D'us no Monte Sinai.
 
Porém, deste ensinamento surge uma interessante pergunta: na prática, qual é a diferença se as Mitzvót "Bein Adam Lehaveiró" foram entregues no Monte Sinai ou se tivessem sido inventadas por pessoas que, preocupados com a humanidade, tivessem criado estas regras para que as pessoas tivessem uma vida melhor e mais harmônica? Por que foi tão importante a Torá enfatizar que as Mitzvót "Bein Adam Lehaveiró" são Divinas e não humanas?
 
Existem algumas respostas para este questionamento. Em primeiro lugar, se cumpríssemos as Mitzvót "Bein Adam Lehaveiró" apenas por serem "regras para um bom convívio social", não receberíamos nenhuma recompensa espiritual por cumpri-las. A palavra "Mitzvá" significa "comando", implicando que há alguém que está comandando e alguém que está sendo comandado a fazer algo. É justamente isso que traz méritos no cumprimento das Mitzvót, o fato de estarmos cumprindo a vontade de D'us. Pelo fato de as Mitzvót serem Divinas, recebemos uma recompensa cada vez que as cumprimos. Mesmo que a consequência das Mitzvót "Bein Adam Lehaveiró" seja a criação de um mundo mais justo, harmonioso e solidário, em última instância cumprimos as Mitzvót porque D'us nos ordenou, não porque as consequências são boas.
 
Além disso, também o fato de as Mitzvót "Bein Adam Lehaveiró" serem Divinas, elas revelam detalhes da bondade e da misericórdia de D'us e, portanto, nos ensinam a nos comportarmos como Ele em nossas bondades. Por exemplo, a Parashá nos ensina algumas leis relacionadas ao furto de objetos e animais. Em relação ao furto de animais, assim está escrito: "Se alguém furtar um boi ou um cordeiro e o abater ou vender, pagará cinco bois pelo boi ou quatro cordeiros pelo cordeiro" (Shemot 21:37). Mas por que há esta diferença, de pagar quatro vezes no caso de um cordeiro e cinco vezes no caso de um boi? Rashi explica que quando alguém rouba um animal grande, como um boi, simplesmente amarra-o e vai puxando o animal. Já alguém que rouba um animal pequeno, como o cordeiro, coloca-o sobre os ombros e sai correndo carregando o animal, algo extremamente vergonhoso para o ladrão. D'us considera essa vergonha já como parte do pagamento pelo crime de furto e, por isso, aquele que roubou o cordeiro paga menos do que aquele que roubou o boi. Esta Mitzvá demonstra a sensibilidade de D'us com as pessoas e com a honra delas, mesmo em se tratando de um ladrão, e nos ensina a termos sensibilidade com as pessoas.
 
Finalmente, há um terceiro ponto muito importante, ressaltado por uma interessante história trazida pelo Talmud (Avodá Zará 24a), sobre Dama ben Netina, um não-judeu que vivia em Ashkelon. Os rabinos queriam comprar dele joias de valor e beleza extraordinários, para substituir as pedras que faltavam no peitoral do Cohen Gadol. O preço era de 600 mil moedas de ouro. Porém, as joias de Dama estavam guardadas em um baú trancado e a chave do baú estava sob a cabeça do seu pai, que dormia profundamente. Dama preferiu não perturbar seu pai, mesmo que isso significaria perder aquela venda milionária. Um ano depois, D'us o recompensou e uma vaca vermelha nasceu no seu rebanho. Esse tipo de vaca era extremamente raro e, na época do Beit Hamikdash, o povo judeu usava as cinzas da vaca vermelha para purificação espiritual. Os rabinos vieram a Dama para comprar sua vaca vermelha. Ele lhes disse: "Sei que vocês me pagariam qualquer quantia que eu pedisse, mas só lhes pedirei a quantia que perdi no negócio das joias por ter respeitado meu pai".
 
Esta história é um maravilhoso ensinamento de até onde devemos nos esforçar para cumprir a Mitzvá de honrar nossos pais. Porém, há algo que muitas vezes passa desapercebido quando escutamos esta história. Quando Dama ben Netina definiu o valor de sua vaca vermelha, ele utilizou a expressão "a quantia que perdi por ter respeitado meu pai". Segundo sua visão de mundo, existia a possibilidade de perder algo quando fazemos o que é correto. Porém, esta não é a visão da Torá. A história do Rav Eliahu Dov Kloi zt"l contrasta com a história de Dama ben Netina, pois é possível perceber que não há nenhuma perda ao cumprirmos uma Mitzvá.
 
Seres humanos são limitados e falíveis, mas D'us é infinito e perfeito. Saber que as Mitzvót são Divinas nos dá a tranquilidade de que, mesmo se em um primeiro momento parece que estamos perdendo algo cumprindo uma Mitzvá, na realidade não há nenhuma perda. Nunca perdemos nada fazendo Mitzvót, em especial ajudando os outros, respeitando e sendo sensíveis às necessidades de cada pessoa. Este é o incrível ensinamento trazido por uma única letra "a mais" na Torá.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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