quinta-feira, 1 de fevereiro de 2018

RELACIONAMENTO DE AMOR COM D’US - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT ITRÓ 5778






BS"D

O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Lerner em Leilui Nishmat de:
Miriam Iocheved bat Mordechai Tzvi z"l


Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.

ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF

BLOG
BLOG

INSCREVA-SE
INSCREVA-SE

VÍDEO PARASHÁ
VÍDEO PARASHÁ


RELACIONAMENTO DE AMOR COM D'US - PARASHAT ITRÓ 5778 (02 de fevereiro de 2018)
"Um general da Academia Militar Russa deu uma palestra sobre Estratégia Militar para um grupo de oficiais russos. No final da palestra, ele perguntou se havia alguma dúvida. Um oficial levantou-se e perguntou:

- General, você acha que haverá uma terceira guerra mundial?  E, caso houver, a Rússia participaria?

O general respondeu afirmativamente a ambas as questões. Outro oficial então perguntou:

- De acordo com a geopolítica atual, qual seria o nosso provável inimigo em uma eventual guerra mundial?

- Tudo indica que seria a China - respondeu o general, deixando todos na plateia chocados.

Um terceiro oficial observou:

- General, somos uma nação com apenas 150 milhões de habitantes, contrastando com os 1,5 bilhão de chineses. Podemos ganhar, ou até mesmo sobreviver, a uma guerra com eles?

- Nas guerras modernas, não é a quantidade de soldados que importa, mas a qualidade das capacidades de um exército - respondeu o general - Por exemplo, no Oriente Médio, tivemos algumas guerras recentemente, onde 5 milhões de judeus lutaram contra 150 milhões de árabes e, apesar disso, Israel sempre foi vitorioso.

Depois de uma pequena pausa, outro oficial da parte de trás do auditório perguntou:

- Mas general, será que nós temos judeus suficientes?"

Há algo de especial no relacionamento entre D'us e o povo judeu. Em toda a história, inclusive nas guerras atuais de Israel, não faltaram demonstração do amor Divino pelo Seu povo. Mas será que estamos correspondendo?

Nesta semana lemos a Parashá Itró, que descreve o momento em que o sogro de Moshé, Itró, se inspirou e decidiu se unir ao povo judeu no deserto, como está escrito: "E escutou Itró, o sacerdote de Midian, sogro de Moshé, tudo o que D'us havia feito a Moshé e a Israel, Seu povo" (Shemot 18:1). Rashi (França, 1040 - 1105) explica que Itró havia escutado sobre dois grandes eventos milagrosos, a Abertura do Mar e a guerra travada contra o povo de Amalek, e por causa destes eventos ele se motivou a tomar uma atitude de mudança espiritual.

O que nos chama a atenção é que, alguns versículos depois, a Torá nos ensina que Moshé contou a Itró os milagres que D'us havia feito ao povo judeu, como está escrito: "E contou Moshé ao seu sogro tudo o que D'us havia feito ao Faraó e ao Egito por causa de Israel" (Shemot 18:8). Rashi explica que, para aproximar Itró da Torá, Moshé novamente contou a ele sobre a Abertura do Mar e sobre a guerra contra Amalek. Porém, se Itró já sabia sobre estes eventos milagrosos, e foi isto que o motivou a se juntar ao povo judeu, o que Moshé quis acrescentar?

Além disso, depois de escutar Moshé descrevendo os acontecimentos milagrosos, a Torá diz que "Vayichad Itró" (Shemot 18:9). Rashi traz duas explicações sobre a linguagem "Vayichad". Uma primeira explicação é que Itró ficou feliz ao escutar sobre os milagres, da linguagem "Chadi", que em aramaico significa "felicidade". Porém, de acordo com a outra explicação, Itró se sentiu desconfortável com as palavras de Moshé, da linguagem "Chad", que em hebraico significa "afiado", como se sua carne tivesse sido dilacerada por um objeto afiado. Baseado nesta segunda explicação, nossos sábios ensinam uma importante Halachá (lei): "É proibido um judeu falar de forma depreciativa sobre um não judeu diante de um convertido". Porém, por que o episódio do encontro de Moshé com Itró é trazido como a fonte deste ensinamento? Moshé era extremamente cuidadoso com a honra de cada pessoa, certamente nunca teria sido desrespeitoso com seu sogro Itró. Ele apenas descreveu os detalhes dos milagres que D'us havia feito ao povo judeu. Em que momento ele falou de maneira depreciativa sobre os outros povos?

Finalmente, se foi o fato de ter escutado sobre a queda dos egípcios e do povo de Amalek que causou tanto sofrimento a Itró, então a proibição imposta pelos nossos sábios não deveria ser apenas de não falar de forma depreciativa dos outros povos. A proibição deveria ter sido muito mais abrangente, incluindo até mesmo a proibição de descrever qualquer tipo de má sorte que ocorra com os outros povos, como tragédias naturais. Por que a proibição é restrita somente a não depreciar os outros povos?

Explica o Rav Yohanan Zweig que, para responder estes questionamentos, é preciso entender a grande diferença que há entre ser um súdito e ser um filho. Um rei justo e correto, quando sente a necessidade de punir um criminoso por um mal causado a um de seus súditos, certamente buscará algum tipo de castigo que seja proporcional ao crime cometido. Entretanto, se o crime tiver sido cometido contra o filho do rei, certamente a pena aplicada será muito mais dura, pois o sofrimento causado ao seu próprio filho despertará a fúria do rei.
Inicialmente, Itró havia se motivado a seu unir ao povo judeu por ter visto a justiça Divina através das medidas punitivas tomadas contra os egípcios e contra Amalek pelos crimes que eles haviam cometido. Porém, quando Moshé detalhou a Itró os milagres que haviam ocorrido nas punições, ele percebeu uma dureza adicional. Além disso, Moshé utilizou a expressão "por causa de Israel". Apesar de Itró ter entendido que a punição dos egípcios havia sido medida por medida pelos crimes cometidos, Moshé acrescentou que as punições foram aplicadas com uma fúria adicional, pelo fato dos crimes não terem sido cometidos contra os "súditos" de D'us, e sim contra os "filhos" Dele. Moshé utilizou estes detalhes para trazer Itró mais perto da Torá, mas acabou causando sofrimentos a ele, pois acabou demonstrando que o relacionamento de D'us com o povo judeu era algo único e especial, diferente do relacionamento com os outros povos, a ponto de D'us destruir todos aqueles que fazem mal ao Seu povo. Isto acabou sendo, de certa maneira, depreciativo com os outros povos aos olhos de Itró, causando a formulação da lei que proíbe falar de forma depreciativa sobre um não judeu diante de um convertido.

A diferença no relacionamento entre D'us e o povo judeu também é ressaltado em uma mudança sutil nos nomes Divinos que aparecem nos versículos. Cada nome de D'us representa algum atributo que Ele está utilizando naquela situação. O nome "Elokim" é utilizado quando o traço de julgamento Divino é evocado, indicando normalmente um ato de justiça e punição, enquanto o nome "Yud - Hei - Vav - Hei" reflete os atributos de amor e misericórdia de D'us. Quando o versículo (18:1) afirma que Itró estava motivado a se unir ao povo judeu pelo que D'us fez aos egípcios e ao povo de Amalek, o nome utilizado foi "Elokim", pois Itró havia entendido que aqueles eram atos meramente punitivos. Porém, quando Moshé descreveu com detalhes os milagres para Itró (18:8), o nome utilizado foi "Yud - Hei - Vav - Hei", pois Moshé estava explicando que o que impulsionou a rigorosidade da punição não foram os crimes cometidos pelos egípcios e pelo povo de Amalek, e sim o amor de D'us pelo povo judeu, o povo contra o qual aqueles crimes haviam sido cometidos.

Este amor especial que existe entre D'us e o povo judeu também é ressaltado de uma forma interessante no primeiro Mandamento da Torá, no qual está escrito: "Eu sou Hashem, teu D'us, Quem te tirou da terra do Egito" (Shemot 20:2). Nossos sábios questionam o motivo pelo qual a Torá identifica D'us como sendo Aquele que tirou o povo judeu do Egito, ao invés de identificá-Lo como sendo Aquele que criou o mundo. Ao defini-lo como Criador do mundo, estaríamos identificando-o como o responsável por toda a existência, enquanto ao defini-lo como Aquele que nos tirou do Egito, estamos limitando-O a ser o responsável por um único evento histórico. Por que a Torá, logo no primeiro Mandamento, identifica D'us de uma maneira limitada?

Rashi traz um interessante comentário sobre este versículo. Ele explica que D'us, ao se definir como sendo "Aquele que tirou o povo judeu do Egito", é como se estivesse dizendo aos judeus: "O fato de Eu ter tirado vocês do Egito é razão suficiente para que vocês estejam subjugados a mim". Isto fica difícil de ser entendido de acordo com outra explicação trazida por Rashi, na qual ele afirma que D'us se revelou ao povo judeu na Abertura do Mar como um poderoso guerreiro, mas na entrega da Torá Ele se revelou como um ancião cheio de misericórdia. Será que combina D'us ter exigido a subserviência do Seu povo com a figura de um ancião cheio de misericórdia?

Explica o Rav Yohanan Zweig que na entrega da Torá D'us começou a moldar um relacionamento com o povo judeu. Rashi não está afirmando que a base do nosso relacionamento com D'us é que devemos a Ele nossa fidelidade por Ele ter nos salvado do Egito. Ao contrário, Rashi está explicando que a base de qualquer relacionamento saudável é a preocupação de cada uma das partes com o bem estar do outro. A atitude de D'us, de ter nos tirado do Egito, reflete Sua compaixão e Seu cuidado com o povo judeu e, portanto, é a "pedra fundamental" do nosso relacionamento com Ele. D'us demonstrou a Sua vontade de construir o relacionamento conosco, mas ainda ficou faltando a nossa demonstração recíproca. Rashi está explicando, portanto, que é apropriado que o ato de D'us, de ter nos libertado, seja a base da nossa obrigação de servirmos a Ele, pois com este ato estaremos demonstrando o nosso compromisso e a nossa preocupação recíproca.

Assim entendemos por que no primeiro Mandamento D'us não está se definindo com Aquele que criou o universo. Apesar de ser um ato muito mais grandioso, isto não refletiria uma preocupação especial de D'us com o povo judeu e, portanto, não seria apropriado para ser a "pedra fundamental" do nosso relacionamento. Já a saída do Egito, feita exclusivamente para o povo judeu, é uma base apropriada para construir nosso relacionamento com Ele.

O relacionamento de amor especial entre D'us e o povo judeu começou na época dos nossos patriarcas, quando eles demonstraram seu amor sem limites por D'us. Na entrega da Torá, comparada a um casamento, D'us revelou todo o amor que Ele sente por nós. Como um relacionamento deve ter reciprocidade, precisamos fazer a nossa parte. A forma de demonstrarmos a nossa vontade é através do cumprimento e do estudo da Torá que Ele nos entregou. D'us já fez a Sua parte, será que estamos fazendo a nossa?

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm
************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHAT ITRÓ 5778:

                   São Paulo: 19h33  Rio de Janeiro: 19h19                    Belo Horizonte: 19h17  Jerusalém: 16h38
***********************************************************************

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).


Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp

quinta-feira, 25 de janeiro de 2018

A PORTA MAIS LARGA DO MUNDO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BESHALACH 5778






BS"D

O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Birbojm em Leilui Nishmat de:
Scheindel bat Tzvi Mendel z"l e Bentzion ben Yoshua z"l


Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.

ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF

BLOG
BLOG

INSCREVA-SE
INSCREVA-SE

VÍDEO PARASHÁ 1
VÍDEO PARASHÁ 1


A PORTA MAIS LARGA DO MUNDO - PARASHAT BESHALACH 5778 (26 de janeiro de 2018)
Um homem com roupas esfarrapadas parou na frente de um pequeno bar, tirou do bolso um metro, mediu a porta e começou a falar em voz alta: "Dois metros de altura por oitenta centímetros de largura". Admirado, como se não acreditasse no que o metro indicava, mediu-a de novo. Tornou a medi-la várias vezes. Curiosas, as pessoas que passavam por ali começaram a parar. Primeiro um pequeno grupo, depois uma multidão. Olhavam, curiosos, o homem que media sem parar a porta do bar. O homem então olhou para a multidão e exclamou, impressionado:

- Parece mentira. Esta porta mede apenas dois metros de altura por oitenta centímetros de largura. No entanto, por ela passou todo o meu dinheiro, meu carro, o pão dos meus filhos. Passaram os meus móveis e a minha casa. E não foram somente os bens materiais. Por ela também passou a minha saúde e toda a felicidade do meu lar. Além disso, passaram também a minha dignidade e os meus sonhos. Todos os meus planos de vida passaram por esta porta, dia após dia, gole por gole.

- Hoje eu não tenho mais nada - continuou o homem - Nem família, nem saúde, nem esperança. Mas quando passo na frente desta porta, ainda ouço o chamado da bebida, aquela que é a responsável pela minha desgraça. Ela ainda me chama insistentemente, dizendo "Só mais um copo! Só hoje! Uma dose apenas!". Ainda escuto sua sugestão zombadora: "Beba só socialmente". Esta era a senha, esta era a isca. E mais uma vez eu caía na armadilha, dizendo para mim mesmo: "Quando eu quiser, eu paro". Isso é o que muita gente pensa, mas isto é uma mentira. É a pior mentira, pois é mentir para si mesmo. Eu comecei com um copo, mas hoje a bebida me dominou completamente. É por isso que eu lhes digo: esta porta, a porta do vício, é a porta mais larga do mundo! Ela tem enganado muita gente. Por esta porta, de aparência tão estreita, pode passar tudo o que temos de mais importante na vida. Hoje eu sei dos malefícios do vício, mas muita gente ainda não sabe. Ou sabe e finge que não sabe, para não admitir que está sob o domínio dos seus vícios.

Visivelmente amargurado, aquele homem se afastou, a passos lentos, deixando para as pessoas que o escutaram motivos de profundas reflexões. Tudo em excesso é ruim. Tudo sem controle faz mal

Nesta semana lemos a Parashat Beshalach (literalmente "Quando enviou"), que descreve a triunfal saída do povo judeu do Egito, após 210 anos de terrível escravidão. Porém, a alegria do povo judeu não durou muito. Sem saber que tudo fazia parte dos planos de D'us, que ainda guardava o castigo final para os egípcios, os judeus se depararam com um mar intransponível diante deles e perceberam, aterrorizados, que os egípcios os perseguiam para levá-los de volta à escravidão. Desesperados, eles gritaram para D'us e reclamaram com Moshé. D'us então comandou que eles entrassem no mar, algo que parecia ilógico. Somente quando eles deram os primeiros passos foi que aconteceu o incrível milagre da Abertura do Mar Vermelho, diante dos olhos de milhões de testemunhas.

Além disso, após atravessarem o mar, os judeus puderam testemunhar a destruição final do exército egípcio, quando o mar fechou-se sobre eles, afogando-os e lançando seus corpos na praia. A Torá então afirma que "Naquele dia D'us libertou Israel das mãos do Egito, e Israel viu as pessoas mortas na praia" (Shemot 14:30). Porém, este versículo desperta um grande questionamento. Se a Abertura do Mar ocorreu somente no sétimo dia após a saída do Egito, então por que a Torá enfatiza que "Naquele dia D'us libertou Israel das mãos do Egito"? A libertação já não havia ocorrido quando eles saíram do Egito?

Explica o Ibn Ezra (Espanha, 1092 - 1167), famoso comentarista da Torá, que mesmo depois de já terem saído do Egito, os judeus ainda sentiam muito medo do Faraó, e somente se sentiram completamente livres do jugo egípcio quando viram a destruição final deles. Isto significa que o sentimento de serem dominados pelos egípcios não se dissipou quando eles escaparam. Foi somente naquele dia, quando viram os egípcios destruídos, que eles puderam realmente se libertar completamente de sua autoimagem de "Escravos do Faraó".

Uma ideia similar é transmitida na Hagadá de Pessach, que afirma: "Fomos escravos do Faraó no Egito. Hashem, nosso D'us, nos tirou de lá com mão forte. E se D'us não tivesse tirado nossos pais do Egito, nós, nossos filhos e os filhos dos nossos filhos seríamos escravos do Faraó no Egito". Mas como a Hagadá pode afirmar que seríamos escravos até hoje, se o Império Egípcio já se desintegrou há milhares de anos? Uma possível resposta é que a Hagadá não está se referindo a uma escravidão física no Egito, e sim a um elemento psicológico de submissão ao Faraó e seu povo. Nós certamente já teríamos nos tornado fisicamente livres, mas nunca teríamos escapado e superado a dominação egípcia. Ao contrário, teríamos sido libertados de forma "padrão" com a desintegração do Império Egípcio, porém teria sido uma libertação apenas parcial, pois nunca teríamos quebrado a nossa autoimagem de um povo controlado por outras nações, que não é livre para se expressar de uma maneira plena.

Apesar de se referir a um evento ocorrido há mais de 3 mil anos, este ensinamento é atual e importante, pois traz as bases de como vencer o desafio de lidar com forças negativas que exercem poder sobre nós. Isto não incluiu apenas a proximidade de pessoas abusivas, que tentam nos controlar de maneira não saudável, mas também os vícios destrutivos e outras armas do Yetser Hará (Má inclinação), como o desejo desenfreado. O que a saída do povo judeu do Egito e a Abertura do Mar podem nos ensinar na prática nesta área?

Em primeiro lugar, aprendemos que há dois estágios distintos no processo de se libertar das influências negativas. O primeiro estágio é escapar da fonte de negatividade, da mesma forma que o povo judeu saiu fisicamente do Egito. O segundo estágio é superar completamente ou eliminar a fonte de negatividade, o que ocorreu através da destruição do exército egípcio no mar. Embora escapar da fonte de dominação seja um estágio extremamente importante, ainda é insuficiente para libertar completamente a pessoa, pois ela só se torna completamente livre quando consegue atingir o segundo estágio. É por isso que a Torá ressalta que "Naquele dia D'us libertou Israel das mãos do Egito", pois foi somente quando o povo judeu viu os egípcios mortos na praia, isto é, quando as força de negatividade foram completamente destruídas, que o povo judeu foi capaz de se libertar completamente da escravidão egípcia.

Por que este ensinamento é tão importante? De acordo com o Rav Yehonasan Gefen, a maioria das pessoas não sabe que existem dois estágios para se libertar de vícios destrutivos. Para sair de um vício, o primeiro passo é a pessoa reconhecer em que estágio ela se encontra. É muito importante uma pessoa ter claro quando ela ainda se encontra em uma situação na qual não superou completamente sua submissão a algum tipo de influência negativa, pois tudo o que ela fez foi escapar momentaneamente do vício. Esta é uma das estratégias utilizadas para libertar pessoas de certos vícios, fazendo com que elas tenham claridade de que o que elas conseguiram por enquanto foi apenas uma fuga, um primeiro estágio, mas que o processo ainda não está completo. Por exemplo, pessoas que pararam de fumar, mesmo há muitos anos, ainda continuam se definindo como "fumantes". Desta maneira, elas estão constantemente lembrando a si mesmas dos riscos de uma recaída nas armadilhas do vício e, portanto, cuidadosamente evitam até mesmo um único cigarro. Por outro lado, se uma pessoa ainda está no primeiro estágio, mas se convence de que não há mais nenhum resquício de seu vício, então ela se sente pronta para fumar um cigarro com a certeza de que isto não a afetará. Porém, na maioria dos casos, um único e "inofensivo" cigarro é o suficiente para impulsionar a pessoa novamente para as garras do seu perigoso vício.

É possível que estes dois estágios estejam aludidos nas explicações que o Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) dá ao explicar os diferentes níveis de Teshuvá (arrependimento). O Rambam, nas "Leis de Teshuvá", afirma que a Teshuvá completa somente pode ser atingida quando a pessoa é colocada exatamente na mesma situação na qual ela previamente tropeçou, mas desta vez ela consegue superar o seu Yetser Hará. Já um nível mais baixo de Teshuvá é quando a pessoa passa pelos 4 estágios necessários (arrependimento, abandonar o erro, confissão e o comprometimento com o futuro), porém ainda não chegou ao nível de superar completamente seu Yetser Hará e, caso passasse pela mesma situação, provavelmente cairia de novo. Provavelmente o Rambam está explicando que o primeiro estágio de Teshuvá se refere a escapar deste Yetser Hará, enquanto o segundo estágio de Teshuvá, a Teshuvá completa, se refere a superar completamente este Yester Hará.

Porém, na prática, como é possível atingir este segundo estágio? Como podemos nos libertar completamente de forças negativas que nos cercam e exercem tanto poder sobre nós, como os desejos e os vícios? Obviamente que não é uma tarefa simples e cada caso necessita de uma análise particular e de uma estratégia específica. Entretanto, há dois pontos esclarecedores que aprendemos da Abertura do Mar. Não foram os judeus que destruíram os egípcios, foi D'us quem destruiu. Isto nos ensina que está além da capacidade humana superar completamente o nosso Yetser Hará, como afirmam os sábios do Talmud (Kidushin 30b): "Diz Rabi Shimon ben Levi: 'O Yetser do ser humano se fortalece e tenta destruí-lo todos os dias... e se não fosse pela ajuda de D'us, não seriamos capazes de derrotá-lo'". Isto significa que, para derrotarmos o nosso Yetser e as forças que nos bloqueiam, precisamos pedir ajuda para D'us.

Por outro lado, também aprendemos do evento da Abertura do Mar que não podemos meramente ficar sentados, aguardando a salvação de D'us. Quando Moshé rezou para D'us, Ele respondeu que Moshé deveria parar de rezar e o povo deveria entrar no mar. Somente depois que o povo deu seus primeiros passos foi que o mar se abriu. Portanto, é essencial a pessoa ter a consciência do enorme esforço, autocontrole e força de vontade exigidos para realmente superar completamente um vício.

Portanto, fica a lição de que é impossível vencer o Yetser Hará e os nossos vícios sem a ajuda de D'us. Por outro lado, a pessoa deve estar disposta a fazer um esforço, para mostrar a D'us que realmente tem vontade de mudar, de melhorar, de escapar daquilo que a bloqueia. Quando a pessoa demonstra para D'us que está preparada, então D'us faz o resto. Somente com esta combinação, a consciência do nosso estágio, a reza para D'us e o nosso próprio esforço, poderemos nos libertar completamente de tudo o que não nos deixa crescer.  

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm
************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHAT BESHALACH 5778:

                   São Paulo: 19h36  Rio de Janeiro: 19h22                    Belo Horizonte: 19h19  Jerusalém: 16h32
***********************************************************************

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).


Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

É ENSINANDO QUE SE APRENDE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BÔ 5778






BS"D

O E-mail desta semana foi carinhosamente oferecido pela Família Grabovsky em Leilui Nishmat de:
Tzvi Mendel ben Eliahu z"l


Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.

ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF

BLOG
BLOG

INSCREVA-SE
INSCREVA-SE

VÍDEO PARASHÁ
VÍDEO PARASHÁ


É ENSINANDO QUE SE APRENDE - PARASHÁ BÔ 5778 (19 de janeiro de 2018)
A Sra. Thompson era uma professora experiente do sexto ano. Ela tinha o costume de, no primeiro dia de aula, dizer aos alunos que gostava de todos igualmente. No entanto, ela sabia que isto não seria verdade naquele ano, já que na primeira fila estava sentado um garoto chamado Teddy. A professora havia escutado coisas muito negativas sobre ele. Sabia que ele não se dava bem com os colegas de classe e vinha muitas vezes para a escola com roupas sujas e cheirando mal. Teddy provavelmente seria daquele tipo de aluno que ela sentiria até mesmo prazer em lhe dar notas vermelhas ao corrigir suas provas e trabalhos.

Para piorar, no primeiro dia de aula todos os alunos haviam trazido para ela presentes de boas-vindas. Eram presentes simples, mas embrulhados em papéis coloridos e brilhante, exceto o de Teddy, que estava enrolado em um papel marrom de supermercado. Quando a Sra. Thompson abriu o pacote dele e retirou uma pulseira faltando algumas pedras e um vidro de perfume pela metade, os outros alunos deram gargalhadas. Para não envergonhá-lo ainda mais, ela agradeceu o presente, pôs a pulseira no braço e passou um pouco do perfume.

No final do dia, quando todos os alunos já tinham saído, a Sra. Thompson começou a ler a ficha escolar de cada um deles. A ficha de Teddy chamou muito sua atenção. A professora do primeiro ano havia escrito que ele era um menino alegre, brilhante e simpático, com trabalhos sempre em ordem e muito caprichoso. Porém, ela leu nos anos seguintes que a mãe de Teddy estava muito doente, o que começou a afetar seu desempenho escolar. Até que ela chegou às anotações do quarto ano, onde estava registrado que a mãe de Teddy havia falecido, um terrível golpe para ele. A partir daí Teddy se tornou distraído e desinteressado, com graves problemas com os outros alunos.

A Sra. Thompson parou de ler, envergonhada. Sentiu-se ainda pior quando lembrou-se dos presentes que os alunos haviam dado de manhã. Teddy havia ficado até um pouco mais tarde na escola, somente para dizer a ela: "Você está cheirosa como a mamãe". Agora ela entendia o que ele quis dizer com aquela frase. Depois que todos os professores já haviam saído, a Sra. Thompson chorou por muito tempo. Em seguida, ela decidiu a mudar completamente sua maneira de ensinar e passou a dar mais atenção aos seus alunos, especialmente a Teddy. Com o passar do tempo ela notou que ele só melhorava. Quanto mais ela lhe dava carinho e atenção, mais ele se animava. Ao finalizar o sexto ano, Teddy era o melhor aluno da classe.

Cinco anos depois, a Sra. Thompson recebeu uma carta de Teddy, na qual ele contava que havia concluído o segundo grau como o terceiro melhor aluno da turma e que, apesar de ter conhecido excelentes professores, ela continuava sendo a melhor professora que ele tivera na vida. Mais cinco anos e ela recebeu outra carta de Teddy, dizendo que, apesar das dificuldades, ele estava se formando na faculdade. Mais uma vez ele aproveitou para ressaltar que a Sra. Thompson continuava sendo a melhor professora da sua vida. Depois disto, outros quatro anos se passaram e ela recebeu uma carta, desta vez com Teddy contando sobre seu doutorado e suas pretensões de crescer na carreira. A carta terminava com a afirmação de que ela ainda era a sua melhor professora. Mas agora a assinatura dele era mais longa: Doutor Theodore F. Stoddard.

Na primavera seguinte, Teddy escreveu que havia conhecido uma garota e iria se casar. Explicou que seu pai havia falecido alguns anos atrás e ele queria convidar a Sra. Thompson para entrar com ele na cerimônia e sentar-se no lugar que era reservado para a mãe do noivo. A Sra. Thompson aceitou, lisonjeada, o convite. No grande dia, a Sra. Thompson usou aquela pulseira com algumas pedras faltando e passou um pouco do perfume que Teddy havia lhe dado de presente no sexto ano. Quando os dois se encontraram, choraram por um longo tempo. Teddy então falou:

- Obrigado por acreditar em mim e me fazer sentir importante, demonstrando que eu podia fazer a diferença.

A Sra. Thompson, com lágrimas nos olhos, respondeu de volta:

- Teddy, foi você quem me mostrou que eu poderia fazer a diferença. Eu não sabia ensinar até conhecer você.

Na Parashá desta semana, Bô (literalmente "Venha"), D'us mandou sobre o Egito as últimas três pragas, que destruíram completamente toda a estrutura física e psicológica dos egípcios. O Faraó, derrotado e humilhado, finalmente permitiu que os judeus partissem em liberdade. Porém, antes de D'us mandar as últimas três pragas, Ele fez uma "introdução" sobre qual seria o objetivo delas: "Para que você conte nos ouvidos dos seus filhos e dos filhos dos seus filhos o que Eu fiz ao Egito, e Minhas maravilhas que Eu coloquei sobre eles. E então vocês saberão que Eu sou D'us" (Shemot 10:2).

Se prestarmos atenção neste versículo, perceberemos que ele desperta alguns questionamentos. Em primeiro lugar, aparentemente D'us está afirmando que mandou as pragas apenas para que tivéssemos "material" para contar aos nossos filhos. Mas as pragas não foram uma forma de castigar os egípcios por todo o mal que eles nos fizeram? Então por que a Torá escreve que as pragas são "para que você conte aos seus filhos"?

Além disso, todos nós acreditamos em D'us, mas apesar disso estamos sempre lidando com uma difícil questão: como aumentar nossa Emuná (fé)? Aparentemente as palavras finais do versículo estão nos ensinando uma fórmula de como se conectar a D'us: contando aos nossos filhos os milagres que ocorreram no Egito. Porém, há algo contraditório nas palavras do versículo, pois ele começa nos ordenando a transmitir aos nossos descendentes os milagres que ocorreram na saída do Egito, aparentemente para que eles tenham Emuná. Porém, no fim do versículo, a Torá conclui que "vocês saberão", e não "eles saberão". Como entender esta contradição? A transmissão é para desenvolver a Emuná nos nossos descendentes ou em nós mesmos?

Explicam os nossos sábios que obviamente um dos principais motivos pelos quais D'us mandou as 10 pragas foi para castigar os egípcios. A prova disso é que os castigos foram "Midá Kenegued Midá" (medida por medida), isto é, cada castigo veio de maneira minuciosamente calculada para que algum mau ato dos egípcios fosse vingado. Por exemplo, os egípcios faziam com que os escravos judeus tivessem que ir para as florestas caçar animais ferozes. Para que este trabalho se tornasse mais divertido para os egípcios, os judeus tinham que caçar animais como leões, tigres e ursos com as próprias mãos, pois eles não recebiam nenhum tipo de arma para isto. Certamente muitos judeus morreram, de forma dolorosa, devorados por animais ferozes. Medida por medida, na quarta praga D'us fez com que milhares de animais ferozes entrassem nas casas dos egípcios, causando caos, morte e destruição.

Porém, além de serem um castigo aos egípcios, os milagres e sinais da saída do Egito presentes nas pragas, que quebraram abertamente as leis da natureza, deveriam estabelecer para o povo judeu uma nova base de Emuná em D'us. Esta Emuná, presente no coração daquela geração que testemunhou os milagres com seus próprios olhos, deveria ser transmitida, de pai para filho, para as futuras gerações. Mas a Torá está nos ensinando outro fundamento importante sobre o que ocorre quando ensinamos algo a outras pessoas: o ensinamento acaba se internalizando em nós mesmos. Quando alguém transmite Emuná aos seus filhos, no final das contas esta Emuná acaba se enraizando em seu próprio coração e se tornando mais real. Desta maneira a Emuná começa a deixar de ser apenas uma crença não palpável para se tornar um conhecimento, algo mais racional e menos emocional. A Torá está nos ensinando que, ao ensinar aos outros sobre a existência de D'us e Seu envolvimento no mundo, a Emuná da pessoa se torna cada vez mais forte e palpável.

Mas por que a Torá nos comanda a ensinar aos nossos descendentes sobre os milagres, ao invés de nos comandar a estudar sobre os milagres, se o propósito é internalizá-los em nossos próprios corações? Um famoso psiquiatra chamado William Glasser certa vez fez um estudo sobre absorção de conteúdo. A conclusão do estudo é a "pirâmide de aprendizagem", na qual as porcentagens de conteúdo absorvido variam de acordo com a forma que interagimos com o conteúdo. Por exemplo, quando lemos, absorvemos 10% do conteúdo. Quando escutamos, absorvemos 20%. Quando assistimos algo, absorvemos 30%. Quando vemos e escutamos, absorvemos 50%. Quando discutimos um assunto com outras pessoas, absorvemos 70%. Quando fazemos atos na prática, absorvemos 80%. Quando ensinamos o conteúdo aos outros, absorvemos impressionantes 95%. Este estudo apenas vem comprovar o que os nossos sábios do Talmud (Taanit 7a) já haviam afirmado há mais de dois mil anos: "Diz o Rabi Chanina: Aprendi muito com os meus professores, mais ainda com os meus colegas, mas foi dos meus alunos que eu mais aprendi". Portanto, quando alguém está ensinando algo aos outros, em última instância ele está ensinando algo a si mesmo.

Diferente de outras línguas, em hebraico os verbos "estudar" e "ensinar" vêm da mesma raiz, "Lamed". A pessoa que ensina, o "Melamed", na verdade é alguém que está estudando de uma maneira mais intensa, profunda e com mais paixão. De acordo com o judaísmo, o ato de ensinar certamente também é um processo profundo de estudo.

A forma com a qual o Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204) nos ensina a Mitzvá de "Talmud Torá" (estudar Torá) também nos transmite a mesma ideia. Ele afirma que "D'us nos comandou a estudarmos Torá e a ensinarmos". Isto significa que estudar e ensinar Torá não são dois mandamentos separados. Na realidade, não cumprimos plenamente nossa obrigação de estudar Torá se não a ensinamos aos outros. Isto não significa que todo judeu deve procurar trabalho na área de ensino. A Torá apenas não nos isenta de procurarmos oportunidades de dividir nossos conhecimentos com outras pessoas, em especial pessoas de nossas famílias e, principalmente, os nossos próprios filhos.

Portanto, para que possamos estudar de maneira verdadeira, para que nosso estudo possa se tornar uma parte significativa de nossas vidas, devemos também ensinar Torá aos outros. Cada geração é um elo da cadeia de transmissão ininterrupta da Torá entregue a Moshé e da Revelação de D'us no Monte Sinai. Devemos receber as informações das gerações passadas e nos esforçar para transmitir este conhecimento às futuras gerações. Esta é a obrigação de "Talmud Torá", o estudo da Torá. E o maior presente é que, quanto mais transmitimos estes conhecimentos aos outros, mais ele se aprofunda em nossos próprios corações.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm
************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHÁ BÔ 5778:

                   São Paulo: 19h38  Rio de Janeiro: 19h23                    Belo Horizonte: 19h20  Jerusalém: 16h26
***********************************************************************

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).


Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp