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TOME A INICIATIVA - SHEVII SHEL PESSACH E PARASHAT SHEMINI 5786 (07/abr/26)
“Em um grande reino, conhecido por seus jardins exuberantes, vivia um rei que não apenas governava com justiça, mas também gostava de testar o caráter de seus servos. Certo dia, ele chamou dois de seus servos mais promissores. Em suas mãos, trazia um pequeno estojo de madeira, cuidadosamente lacrado. Ao abri-lo, revelou sementes incomuns. Tinham aparência simples, mas carregavam um valor extraordinário. O rei então disse:
- Estas são sementes raras, trazidas de terras distantes. Seu cultivo é complexo e exige dedicação. Quero que vocês as plantem. O primeiro que me trouxer resultados será fartamente recompensado.
Os dois servos partiram, cada um com suas sementes e com o peso da responsabilidade. O primeiro servo era meticuloso, analítico e extremamente cuidadoso. Assim que chegou em casa, começou a refletir: “Se essas sementes são tão raras, não posso correr o risco de falhar. Preciso entender cada detalhe antes de agir”. Ele então começou a estudar o tipo de solo ideal, o método de irrigação, a incidência do sol e até pensou em aprimorar as sementes antes de plantá-las. Dias se transformaram em semanas. Sempre havia mais um detalhe a considerar, mais uma variável a analisar. E ele repetia para si mesmo: “Quando eu começar, será da forma perfeita”.
Enquanto isso, o segundo servo, embora respeitasse a seriedade da tarefa, teve um pensamento diferente: “Eu realmente não sei como lidar com essas sementes... mas o rei pediu ação, não teoria. Se eu esperar saber tudo, talvez nunca comece”. Sem perder tempo, se aconselhou com um sábio jardineiro, plantou as sementes e começou a regá-las diariamente. Ele cometeu erros, às vezes regou demais, outras de menos. Quando escolheu um lugar com sol excessivo, precisou replantar. Houve muitos momentos de frustração. Mas, a cada erro, ele aprendia algo novo. Ajustava, corrigia, tentava de novo. Pouco a pouco, pequenos brotos começaram a surgir. Semanas depois, o jardim já exibia plantas verdes e vigorosas. Algumas tortas, outras menores, mas eram reais. Eram fruto de esforço, tentativa e persistência. Enquanto isso, o primeiro servo ainda estava imerso em seus planos. Seu conhecimento havia aumentado, ele sabia tudo sobre aquelas sementes... exceto como fazê-las crescer na prática.
Finalmente, o rei decidiu visitar ambos. Primeiro, foi até o segundo servo. Ao ver o jardim em desenvolvimento, com sinais de dedicação, seus olhos brilharam. Depois, foi até o primeiro servo. Lá encontrou anotações detalhadas, esquemas bem elaborados, mas a terra permanecia intacta. O rei então reuniu os dois e declarou:
- Eu não pedi perfeição, eu pedi ação. Aquele que age, mesmo errando, constrói, aprende e cresce. Aquele que espera o momento perfeito, muitas vezes constrói apenas ilusões.”
Muitas vezes, o Yetser Hará não vem como algo claramente negativo. Ele pode se disfarçar de prudência, de reflexão, de “preciso me preparar melhor”. Sem perceber, a pessoa entra em um ciclo no qual nunca começa, pois sempre falta “mais um detalhe”. O sucesso pertence aos que têm a coragem de começar.
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Nesta semana continuamos revivendo a Festa de Pessach, a “Época da nossa liberdade”, e nesta 3a feira à noite (07/abr/26) é novamente Yom Tov, o “Shevii shel Pessach”. O começo de Pessach é Yom Tov, pois é o momento da saída do povo judeu do Egito, marcando o fim de 210 anos de escravidão. O sétimo dia de Pessach também é Yom Tov, por causa de outro milagre que aconteceu ao povo judeu, uma nova salvação: a abertura do Mar Vermelho. Somente quando os judeus viram seus opressores mortos na praia, eles se sentiram livres de verdade.
Porém, diferentemente do que é muitas vezes retratado nos filmes bíblicos, a abertura do mar não ocorreu imediatamente quando o povo judeu se aproximou de suas águas agitadas. Somente depois que Nachshon ben Aminadav, da Tribo de Yehudá, entrou no mar e caminhou até a água chegar ao seu nariz, isto é, o limite até onde era possível ir, então o mar se abriu, salvando todo o povo judeu. Nachshon foi o herói que tomou uma atitude, que deu os primeiros passos, que utilizou uma das características mais importantes para o nosso crescimento espiritual: a Zrizut, agilidade.
Na verdade, a Zrizut é um dos temas centrais da Festa de Pessach, em especial em relação à preparação da Matsá, que deve ser feita de forma rápida e ágil, para que a massa não fermente. A Mishná (Pessachim 2:5) enumera os tipos de grãos que podem ser usados para fazer Matsá e cumprir a Mitzvá no Seder de Pessach: trigo, cevada, espelta, aveia e centeio. O Talmud (Pessachim 35a) observa que os cinco grãos mencionados na Mishná formam uma lista completa, isto é, não há outros grãos permitidos na fabricação da Matsá. Isso implica que, por exemplo, arroz ou painço (milho-miúdo), que não são mencionados, não podem ser usados. Por que? O Talmud estabelece uma ligação entre Chametz e Matsá a partir do versículo: “Não comerá com ele (Korban Pessach) Chametz; durante sete dias comerá com ele Matsá, o pão da aflição” (Devarim 16:3). Daqui aprendemos que somente aquilo que pode potencialmente se tornar Chametz pode ser utilizado para fazer Matsá. Arroz e outros grãos, por não fermentarem ao entrar em contato com a água, não podem ser utilizados.
Este conceito não parece ser muito intuitivo. Já que somos tão rigorosos em evitar que a Matsá se torne Chametz, não seria lógico usar justamente um tipo de grão que nunca fermenta? Por que nos colocamos em uma situação de risco, na qual, se a massa não for preparada e assada rapidamente, pode se tornar Chametz? Com todas as exigências rigorosas envolvidas na preparação da Matsá, por que a Torá não permitiu um grão “seguro”?
Explica o Rav Yssocher Frand shlita que neste ensinamento do Talmud, uma Halachá prática em relação a quais grãos podem ser utilizados na fabricação da Matsá, há uma lição profunda para nossas vidas. Nossos sábios ensinam que o Chametz simboliza o Yetzer Hará, nossa inclinação negativa, enquanto a Matsá simboliza o Yetzer Hatov, nossa inclinação positiva. O Chametz cresce, incha, se expande, simbolizando orgulho, ego e desejos descontrolados. A Matsá, por outro lado, é simples, achatada, não incha, representando humildade, modéstia e a capacidade de viver apenas com o essencial. Ou seja, o Chametz e a Matsá estão em extremos opostos, pois enquanto um representa as falhas espirituais, o outro representa as virtudes.
Neste pequeno detalhe dos grãos da Matsá, a Torá está nos trazendo uma incrível lição: devemos pegar justamente aquilo que pode se tornar Chametz e transformá-lo em Matsá. A analogia para a nossa vida é que a Torá quer que o ser humano pegue o seu Yetzer Hará, isto é, suas dificuldades, tentações e fraquezas, e o transforme em Yetzer Hatov. O objetivo espiritual do ser humano é trabalhar exatamente nas áreas onde ele tem fraquezas. Uma pessoa que é muda não recebe recompensa por não falar Lashon Hará, pois não há desafio. Uma pessoa cega não enfrenta o teste de Shmirat Einaim, guardar os olhos das coisas proibidas, pois para ele também não é um desafio real. A missão do ser humano é justamente enfrentar aquilo que é um desafio, em especial onde ele já falhou no passado, e superar. Mais ainda, transformar essa mesma fraqueza em algo positivo, até mesmo em uma Mitzvá. A pessoa deve, por exemplo, canalizar seus desejos, que talvez já o tenham levado ao erro, para uma direção positiva.
O Midrash traz um questionamento interessante. Por um lado, o profeta descreve os cães como criaturas insaciáveis e insolentes (Yeshayahu 56:11). No entanto, no Perek Shirá, onde cada criatura louva D’us, os cães dizem: “Venham, prostremo-nos diante de Hashem, nosso D’us”. Por que os cachorros receberam o mérito de fazer um cântico tão bonito a D’us se eles são insolentes? A resposta é que na saída do Egito está escrito: “Contra os filhos de Israel, nenhum cão afiará sua língua” (Shemot 11:7). Como recompensa pelos cães não terem latido na saída do Egito, eles mereceram cantar o louvor a D’us. A mensagem é que os cães, por natureza, latem, especialmente quando algo incomum acontece. O fato de não terem latido naquele momento foi uma grande conquista sobre sua natureza. D’us valoriza isso profundamente. Assim como os cães foram recompensados por vencer sua natureza, também o ser humano deve buscar dominar sua inclinação no Serviço a D’us.
Uma das mudanças mais importantes que precisamos fazer na vida é vencer a procrastinação, o deixar tudo para depois. Devemos aproveitar a “Festa da Zrizut” para começarmos a mudar. Não devemos dizer “Sei que preciso mudar, quero melhorar, mas não agora. Quando puder eu farei”. Devemos mudar agora. Porém, as mudanças devem ser de acordo com a vontade de D’us, com aconselhamento. Na Parashat desta semana, Shemini (literalmente “o oitavo”), o Mishkan foi inaugurado e Aharon e seus filhos assumiram o Serviço espiritual. Moshé disse para eles: “Isto é o que D’us ordenou; façam isso, e a glória de D’us aparecerá para vocês” (Vayikrá 9:6). Porém, logo em seguida, a Torá descreve um grave incidente: “E os filhos de Aharon, Nadav e Avihu, cada um tomou o seu incensário, colocaram neles fogo e puseram sobre ele incenso, e trouxeram perante D’us um fogo estranho, que Ele não lhes havia ordenado. E saiu fogo de diante de D’us e os consumiu, e morreram perante D’us” (Vayikra 10:1,2). Os filhos mais velhos de Aharon tiveram a Zrizut, tomaram a iniciativa, mas não de acordo com a vontade de D’us. Eles não se aconselharam com Moshé. Isso terminou de maneira trágica.
Esta é a mensagem do Chametz e da Matsá: não faça Matsá de algo que nunca pode se tornar Chametz, pois isso não é uma conquista. Devemos transformar as fraquezas em vantagem, as dificuldades em oportunidades. Precisamos começar agora, mesmo que seja com pequenos passos e decisões. Sem muitos cálculos de como será depois. Faça agora, mude agora, pelo menos comece. Pessach é o momento de sairmos da escravidão do comodismo para a liberdade da agilidade. PESSACH KASHER VE SAMEACH E SHABAT SHALOM R’ Efraim Birbojm |
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z”L e Frade (Fany) bat Efraim Z”L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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