quinta-feira, 30 de setembro de 2021

SUBORNOS DIÁRIOS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BERESHIT 5782

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PARASHÁ BERESHIT



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VÍDEOS DA PARASHÁ BERESHIT
ASSUNTOS DA PARASHÁ BERESHIT
  • Dia um: Luz e Escuridão.
  • Segundo dia: Separação das águas de baixo e de cima. 
  • Terceiro dia: Terra firme e Vegetais.
  • Quarto dia: Sol, Lua e Estrelas.
  • Quinto dia: Animais aquáticos.
  • Sexto dia: Animais da terra e Adam Harishon.
  • Shabat.
  • Adam e Chavá no Gan Éden.
  • A cobra engana Chavá.
  • A transgressão de Adam e Chavá.
  • D'us aparece no Gan Éden.
  • A maldição da cobra.
  • A maldição de Chavá.
  • A maldição de Adam.
  • A expulsão do Gan Éden.
  • Cain e Hevel: Oferendas e assassinato.
  • Julgamento e castigo de Cain.
  • 10 gerações de Adam a Noach.
  • Os filhos de Noach: Shem, Ham e Yefet.
  • Os gigantes e as transgressões.
  • Decreto de destruição do mundo.
BS"D

SUBORNOS DIÁRIOS - PARASHÁ BERESHIT 5782 (01 de outubro de 2021)

 
"O Rav Israel Salanter zt"l (Lituânia, 1810 - Prússia, 1883) estava certa vez em uma cidade distante, onde as pessoas não o conheciam. Um judeu muito simples, ao ver o distinto rabino, pensou tratar-se de um shochet que estava de passagem. Ele quis aproveitar a oportunidade e pediu para que o rabino fizesse shechitá em sua galinha, para que pudesse preparar o almoço. O Rav Salanter imediatamente recusou, explicando que não era um shochet. O Rav Salanter então continuou conversando com aquele homem. Após alguns momentos, ele perguntou ao homem se ele poderia lhe emprestar por uma semana a quantia de mil moedas. Ao escutar aquele pedido, o homem se assustou e respondeu:

- Mas eu nem te conheço! Como posso confiar em você? Como posso saber se você realmente vai me devolver o dinheiro daqui a uma semana?
 
O Rav Salanter abriu um sorriso e ensinou ao homem uma importante lição:
 
- Se você não me conhece e não confia em mim para me emprestar mil moedas, então como é que você confiou em mim para realizar a shechitá na sua galinha? Seu Mundo Vindouro vale menos do que mil moedas?"
 
É interessante perceber como muitas vezes temos dois pesos e duas medidas nas decisões que tomamos na vida. Isso acontece principalmente quando temos interesses envolvidos. O homem queria tanto comer o frango que estava disposto a confiar na shechitá de um completo desconhecido, mas não confiava na mesma pessoa para emprestar dinheiro, já que nesta área ele não tinha nenhum interesse envolvido.

Acabamos de passar pela Festa de Simchá Torá, na qual completamos o ciclo anual de leitura da Torá, e demonstramos o amor pelos ensinamos de D'us ao reiniciarmos imediatamente sua leitura. Portanto, nesta semana lemos a primeira Parashá da Torá, Bereshit (literalmente "No princípio"), que descreve a criação do mundo e dos primeiros seres humanos, Adam e Chavá. Eles foram criados e colocados no Gan Éden, um lugar paradisíaco, e D'us deu a eles um único mandamento: eles poderiam usufruir de todos os frutos que havia no Gan Éden, menos do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
 
Infelizmente, poucas horas depois de terem sido criados, Adam e Chavá transgrediram o comando de D'us ao comerem do fruto proibido e foram duramente castigados, sendo expulsos do Gan Éden para sempre e perdendo o seu caráter imortal. Além destes castigos gerais, todos os envolvidos na transgressão, isto é, Adam, Chavá e a cobra, receberam castigos particulares, de acordo com a participação de cada um na transgressão. Mas como aconteceu este erro tão grosseiro, poucas horas depois de Adam e Chavá terem sido criados? Eles eram seres muito elevados, estavam muito próximos de D'us! O que os levou a tropeçarem tão rapidamente?
 
Explicam os nossos sábios que Adam, ao receber o comando de D'us que o proibia de comer certo fruto do Gan Éden, quis acrescentar uma proteção extra ao comando de D'us. Ao transmitir a proibição para sua esposa, ele acrescentou também a proibição de tocar no fruto. Com isso, Adam estava fazendo uma proteção para a Mitzvá, pois se eles evitassem encostar no fruto, certamente nunca chegariam a comê-lo. Porém, a falha de Adam foi não ter explicado para Chavá que a proibição de encostar no fruto era apenas um cerco de proteção da Mitzvá. Ele transmitiu para Chavá como se fosse parte do comando de D'us, de forma que Chavá entendeu que morreria se comesse do fruto proibido ou se apenas encostasse nele. A cobra aproveitou-se desta pequena falha para enganar Chavá, empurrando-a para que ela encostasse no fruto. Como nada aconteceu, a cobra disse para Chavá: "Da mesma forma que nada aconteceu por você ter encostado no fruto, então certamente nada acontecerá caso você coma dele". Desta maneira a cobra conseguiu convencer Chavá a transgredir a vontade de D'us. Logo depois de ter comido o fruto proibido, Chavá levou para que Adam também comesse dele.
 
Entendemos que Chavá quis comer do fruto proibido por ter sido enganada pela cobra e por achar que não havia nenhum problema. Mas por que ela também levou do fruto para que seu marido Adam comesse? Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que foi por uma motivação completamente egoísta. Chavá não queria morrer e deixar seu marido vivo, pois sabia que ele se casaria com outra mulher. Então ela levou o fruto para que ele também comesse e, caso ela morresse, ele também morreria.
 
Porém, esta explicação de Rashi desperta um enorme questionamento. Chavá somente comeu do fruto proibido pois estava completamente convencida de que não morreria caso comesse. Então por que imediatamente após ter comido ela teve medo de morrer? O que mudou?

A resposta está em uma interessante parábola. Havia um país no qual os governantes de cada província se reuniam periodicamente para discutir assuntos de interesse comum. Certa vez, em um destes encontros, um dos governantes de uma das menores províncias começou a contar que perto do seu palácio vivia um judeu, muito justo e temente a D'us, que podia prever o futuro. Muitas de suas profecias haviam se concretizado de forma completa e precisa. Quando o governante da maior província escutou aquilo, não conseguiu suportar a ideia de que um governante de uma província tão pequena se gabasse daquela maneira. Por isso, ele sugeriu que o judeu fosse trazido na próxima reunião, para que pudessem testar se a informação era verdadeira. Quando chegou a época da próxima reunião, o judeu foi convidado. Ele começou a tremer muito, imaginando que algo ruim pudesse estar sendo tramado. E ele estava certo. O governante da maior província, que era um homem extremamente orgulhoso, tinha preparado um plano secreto. Ele convidou o judeu, diante de todos, a subir no palco, e fez a ele uma simples pergunta: "Se você pode prever o futuro, então nos diga: quando será o dia da sua morte?". Se o judeu dissesse uma data qualquer, o governante orgulhoso sacaria do bolso uma arma e mataria o judeu, provando que ele estava errado. E mesmo se ele dissesse "Hoje", o governante esperaria anoitecer e o mataria, provando que ele havia errado a previsão. O judeu, apavorado, rezou para que D'us o iluminasse. De repente, ele respondeu: "Não sei a data exata, mas sei que vou morrer exatamente no mesmo dia que você". O governante colocou a mão no bolso para pegar a arma, mas sua mão paralisou. Os outros governantes, que sabiam do plano, o incentivavam, mas ele não conseguia se mexer. Após alguns longos minutos, o governante arrogante mandou o judeu descer do palco e ir embora. Quando os outros governantes vieram questionar o motivo pelo qual ele não havia aproveitado a oportunidade, ele disse: "Vocês são tolos? Não escutaram o que ele disse, que eu vou morrer no mesmo dia que ele? E se ele estiver certo?".
 
Explica o livro "Lekach Tov" que esta é a força dos interesses que movem uma pessoa. Todo momento em que os interesses que moviam o governante era a inveja e o orgulho, ele se recusava a acreditar que o judeu realmente podia prever o futuro. Ele acreditava que era uma farsa, não podia aceitar que havia na província pequena algo melhor do que em sua enorme província. Porém, quando os interesses mudaram e passaram a ser a vontade que o ser humano tem de ficar vivo, então seu entendimento mudou de um extremo para o outro, e ele começou a acreditar que talvez realmente aquele judeu soubesse prever o futuro.
 
Isto também explica a mudança de comportamento de Chavá. Em um primeiro momento, ela estava sendo movida pelo seu desejo de comer a fruta, conforme está escrito: "E a mulher viu que a árvore era boa para comer e era um deleite para os olhos" (Bereshit 3:6). Como seu interesse era o desejo de comer, ela se deixou enganar pelas palavras da cobra e realmente acreditou que nada aconteceria caso ela comesse do fruto proibido. Porém, imediatamente após ter comido o fruto, o interesse baseado no desejo desapareceu, e entrou na cabeça de Chavá a dúvida: "E se as palavras da cobra não forem verdadeiras? Neste caso, eu vou morrer! E se eu morrer, então meu marido se casará com outra mulher!". Portanto, naquele momento entrou em Chavá um novo interesse, o de não permitir que seu marido se casasse com outra mulher. Foi por isso que ela deu a ele o fruto proibido, para que ele também comesse e morresse.
 
Esta mesma luta de interesses acontece o tempo todo dentro de nós. Quando a Torá nos ensina: "Não aceite suborno, pois o suborno cega os olhos dos sábios e perverte as palavras justas" (Devarim 16:19), normalmente pensamos que não é algo que se aplica a nós. Porém, quando a Torá nos proíbe de recebermos suborno, não se refere apenas a recebermos propinas em uma transação comercial ou um juiz receber um presente para julgar um caso de forma parcial. Suborno é tudo aquilo que nos desvia de fazer o que é correto. Suborno são os nossos interesses e desejos, que nos levam a procurar justificativas para nossas condutas incorretas. A verdade é que nossos atos e pensamentos são influenciados o tempo todos pelos nossos interesses. Se prestarmos atenção, perceberemos que estamos o tempo inteiro sendo subornados. Então como não cair no mesmo erro de Chavá?
 
A resposta está em um importante ensinamento dos nossos sábios: "Faça para você um rabino e adquira para você um amigo" (Pirkei Avót 1:6). Amigo verdadeiro é aquele que quer o nosso bem e, ao nos ver tomando as decisões erradas, chama a nossa atenção. O amigo não compartilha dos mesmos interesses e subornos e, portanto, pode nos ajudar a enxergar a verdade. Da mesma forma, o rabino é alguém que nos olha "de fora" e, portanto, pode nos ajudar a tomar as decisões corretas. Além disso, o rabino tem o conhecimento das leis da Torá, e pode nos orientar e nos ajudar a tomarmos sempre as decisões corretas. Somente desta maneira, com muito aconselhamento e a constante busca pela verdade, poderemos garantir que não teremos apenas boas intenções, e sim que estaremos fazendo o que realmente é o correto.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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segunda-feira, 20 de setembro de 2021

O VERDADEIRO VALOR DAS MITZVÓT - SHABAT SHALOM M@IL - SUCÓT 5782

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BS"D

O VERDADEIRO VALOR DAS MITZVÓT - SUCÓT 5782 (19 de setembro de 2021)

 
"O Rabi Pinchas ben Yair era um homem muito bom e, embora fosse pobre, todos o respeitavam por sua honestidade e sabedoria. Uma vez, dois homens pobres vieram à cidade implorando por Tzedaká. As pessoas da cidade também eram pobres e só puderam dar-lhes um pouco de cevada, para que pudessem assar pães. Os dois pobres decidiram tentar a sorte em outro lugar. Mas o que fariam com seus dois sacos pesados de cevada? Eles pediram para o Rabi Pinchas ben Yair guardá-los e disseram que voltariam em breve para pegá-los.
 
Mas os dois homens também não se deram bem na cidade seguinte. Então eles viajaram para uma terceira cidade, e depois para uma quarta, e se esqueceram de sua cevada. O Rabi Pinchas esperou, mas os homens não voltaram. Depois de um ano, ele pensou: "Se eu deixar a cevada por mais tempo, ela estragará ou os ratos a comerão. Quando esses pobres voltarem, não haverá mais nada". Então Rabi Pinchas arou seu campo e plantou os grãos de cevada dos dois sacos. As chuvas vieram e belas espigas de cevada nasceram. Rabi Pinchas colheu a safra e guardou em sacos maiores. Como os homens não voltaram, mais uma vez Rabi Pinchas semeou e colheu. Desta vez, a safra foi ainda maior. Todos os anos, o Rabi Pinchas arava, semeava e colhia os grãos. Finalmente, ele teve que construir um grande armazém para guardar toda a cevada cultivada.
 
Sete anos se passaram. Por acaso, os dois homens pobres voltaram para a cidade do Rabi Pinchas. Um deles lembrou que haviam deixado um pouco de cevada na casa do rabino e foram buscar. O Rabi Pinchas disse:
 
- Venham pegar seus grãos. Mas vocês vão precisar de muitos burros e camelos para levar tudo embora.
 
Em seguida, ele mostrou a eles o armazém repleto de grãos e explicou que tudo aquilo veio dos dois sacos de cevada. Ele não cobrou um centavo por seus sete anos de trabalho árduo. Os homens ficaram muito gratos. Eles conseguiram vender os grãos, abriram um negócio e nunca mais precisaram implorar por Tzedaká"

Da mesma forma, quando um judeu realiza uma Mitzvá, D'us a "semeia" nos Céus, e no Mundo Vindouro Ele nos mostrará os resultados frutíferos dessa "semente".

Estamos chegando na próxima Festa do Calendário Judaico, Sucót, também conhecida como "Zman Simchateinu" (A época da nossa alegria). Sucót é simbolizada principalmente por duas Mitzvót: a Sucá, uma cabana temporária na qual habitamos por uma semana, e os Arbaat HaMinim, as quatro espécies: Etróg (Fruto cítrico), Lulav (folha de palmeira), Adass (Mirta) e Aravá (Salgueiro).
 
Em relação aos Arbaat HaMinim, há algo que nos incomoda. Eles são produtos agrícolas simples, como frutas e folhas, mas quem já os adquiriu uma vez sabe que os preços são muito elevados. O que D'us quer de nós, nos ordenando a cumprirmos esta Mitzvá na qual acabamos pagando tão caro por algo tão simples?
 
Talvez o próprio questionamento já é uma indicação de que não sabemos dar o devido valor às nossas Mitzvót. Para demonstrar a importância dos Arbaat HaMinim para o povo judeu, o Talmud (Sucá 41b) conta a seguinte história: "Aconteceu com Raban Gamliel, Rabi Yehoshua, Rabi Elazar ben Azaria e Rabi Akiva, que se encontravam em um navio, e somente Raban Gamliel possuia um Lulav, que ele havia adquirido pela quantia de mil zuz". Zuz era uma moeda da época, e mil zuz era um valor exorbitante. De acordo com algumas opiniões, representava o salário anual de uma pessoa! O próprio Talmud questiona: sabemos que nada foi registrado no Talmud apenas como curiosidade. Então por que foi necessário ressaltar o valor pelo qual Raban Gamliel comprou os Arbaat Haminim? Responde o Talmud que é para mostrar o quanto as Mitzvót eram importantes para eles. O Talmud quer trazer um enorme louvor por Raban Gamliel ter pago pelos Arbaat HaMinim um valor muito alto, cumprindo as palavras que falamos diariamente no Shemá Israel: "E amarás a Hashem, teu D'us, com todo teu coração, com toda tua alma e com todo o teu dinheiro" (Devarim 6:5). Amar D'us com todo o nosso dinheiro significa estar disposto a gastar muito dinheiro para cumprir a vontade Dele.
 
Porém, desta resposta do Talmud surge um enorme questionamento. Quando o Talmud fala "as Mitzvót são importantes para eles", se refere a todo o povo judeu. Porém, se foi o Raban Gamliel que pagou tanto dinheiro pelos Arbaat Haminim, por que o Talmud diz que isto é um ensinamento do amor de todo o povo judeu pelas Mitzvót? O Talmud deveria ter dito o quanto as Mitzvót são importantes para Raban Gamliel!
 
Explicam nossos sábios que o preço de qualquer produto é estabelecido de acordo com a demanda e a oferta. Quando há escassez de um produto e a demanda é muito grande, então os preços sobem. Ao contrário, quando há fartura de um produto e a demanda é muito pequena, os preços caem. Assim funciona o mercado de compra e venda de qualquer produto, inclusive os objetos com os quais cumprimos Mitzvót.
 
Isto fica ainda mais evidente em uma interessante história que aconteceu nos Estados Unidos. Nas ruas de Nova York, um indivíduo não judeu, de aparência suspeita, se aproximou de um rabino querendo lhe vender um par de Tefilin. O rabino achou esquisito e suspeitou se tratar de um objeto roubado. Ele perguntou quanto o homem estava cobrando pelos Tefilin, e o indivíduo respondeu que queria cem dólares. O rabino disse que não aceitava pagar mais do que dez dólares, mas o homem se recusou a vender por aquele preço, já que imaginava ter um lucro bem maior com o fruto do seu roubo. Por outro lado, o rabino não queria deixar aquele objeto sagrado nas mãos de um homem que certamente não saberia como tratá-lo com o devido respeito. O que ele fez? O rabino disse ao ladrão que aceitava pagar os cem dólares, porém antes queria experimentar os Tefilin, para ver se cabiam nele. O ladrão, que não sabia nada sobre os Tefilin, aceitou. O rabino colocou um Tefilin no braço, o outro na cabeça, e ficou esperando. Quando o ladrão perguntou o que ele estava esperando, o rabino disse que já tinha colocado o Tefilin do braço esquerdo e o Tefilin da cabeça, mas estava faltando o mais importante, que era o Tefilin do braço direito. O ladrão ficou olhando para o rabino, desconcertado, sem saber o que dizer. Finalmente, ele respondeu que era apenas isso que ele tinha disponível, que não tinha o Tefilin para o braço direito. O rabino balançou a cabeça e disse: "Infelizmente está incompleto. Sem o conjunto completo, não vale nada. Ninguém vai comprar de você estes Tefilin faltando o principal!". No final das contas, o rabino acabou adquirindo os Tefilin por apenas um dólar, resgatando-os das mãos do ladrão.
 
Este é um exemplo de demanda e oferta. Ao perceber que não haveria procura pelo Tefilin "defeituoso", o ladrão imediatamente abaixou o preço. Esta história pode ser a resposta para o nosso questionamento. Explica o Rav Shlomo Levenstein que, se o preço dos Arbaat HaMinim estava tão alto na época de Raban Gamiel, a ponto de ser necessário pagar mil zuz por eles, isto significa que a oferta era baixa e a demanda era muito alta. Portanto, podemos aprender daqui que as Mitzvót eram queridas para todo o povo judeu, pois se não houvesse demanda e se os judeus não estivessem dispostos a pagar muito dinheiro por uma Mitzvá, os donos dos Arbaat HaMinim teriam que vendê-los por um ou dois shekalim, e nunca por um valor tão alto. Mas o amor pelas Mitzvót era tão grande que isto acabou "inflacionando" o mercado.
 
O mesmo ocorre nos nossos dias. Quando pagamos um valor alto pelos nossos Arbaat HaMinim, isto é uma demonstração do amor que sentimos pelas Mitzvót. Os mercados de Arbaat HaMinim costumam estar lotados, com pessoas procurando cumprir mais uma Mitzvá da Torá com amor. Muitos não procuram apenas os Arbaat HaMinim que são "Kasher", eles procuram embelezar a Mitzvá comprando Arbaat HaMinim "Mehudarim", mais bonitos, sem manchas nem defeitos, mesmo que isto signifique pagar ainda mais por eles.
 
Ao reclamarmos do preço dos Arbaat HaMinim, demonstramos o quanto nossas escolhas são voltadas ao mundo material, não ao mundo espiritual. Quando vamos ao Shopping ou a um evento, não nos importamos em gastar muito dinheiro, já que queremos nos divertir ou adquirir nossos sonhos de consumo. Já quando se trata de Mitzvót como Tzedaká, achamos que não podemos doar muito, pois pode faltar dinheiro no final do mês. Quando vamos comprar um Iphone, queremos sempre o melhor, com mais recursos, que custam os olhos da cara. Mas quando vamos comprar os Arbaat HaMinim, Tefilin ou Mezuzá, procuramos o mais baratinho, não nos importamos em embelezar a Mitzvá. Em relação ao Arbaat HaMinim muitos dizem: "É muito caro pagar tudo isso por uma Mitzvá que vamos cumprir por apenas uma semana!". Porém, esta mesma pessoa não se importa de gastar uma enorme quantia para devorar, em poucos minutos, um barco de Sushi.
 
No deserto, os judeus perguntaram a Moshé: "Quando D'us nos recompensará por cumprirmos Suas Mitzvót?". Moshé explicou, "Neste mundo aproveitamos apenas uma pequena compensação por cumprir a Torá. A verdadeira recompensa fica guardada para o Mundo Vindouro. E saibam que D'us é um guardião confiável, pois a quem poderíamos confiar a recompensa por um tempo tão longo?". Se Tzadikim como o Rabi Pinchas ben Yair são totalmente confiáveis em guardar o que é dos outros, muito mais ainda é D'us.
 
Precisamos ter claridade sobre qual é a importância das Mitzvót nas nossas vidas e o quanto devemos estar dispostos a usar o nosso dinheiro para poder cumpri-las. Sucót vem logo depois de Yom Kipur, o dia em que pedimos perdão para D'us por todos os nossos erros. Um dos principais erros pelo qual pedimos perdão é por não vivermos nossas vidas com as prioridades corretas. Sucót é a oportunidade de mostrar para D'us que estávamos realmente arrependidos em Yom Kipur. Que esta claridade possa nos acompanhar o ano inteiro.
 

CHAG SAMEACH
 

R' Efraim Birbojm

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quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Mensagem Yom Kipur 5782

VIDUI EM PDF
VÍDEO DE YOM KIPUR
BS"D

MENSAGEM YOM KIPUR 5782
 
Diferente de Rosh Hashaná, que é um dia de Julgamento, Yom Kipur é um dia de Misericórdia Divina, uma das maiores demonstrações do amor de D'us pelo povo judeu. Somos insignificantes perante o Criador e deveríamos passar o dia inteiro agradecendo as Suas bondades, porém acabamos nos desviando e pagamos o bem com o mal. Durante o ano fomos rebeldes, não escutamos o que D'us nos comandou e acabamos tropeçando em várias transgressões, das mais leves às mais pesadas. É difícil continuar a caminhada carregando um pacote tão pesado de transgressões. Por isso, em Sua infinita Misericórdia, D'us nos deu um incrível presente: o dia de Yom Kipur. Neste dia podemos abrir nossos corações e implorar para que D'us nos perdoe pelos nossos erros. Se D'us vê que estamos sendo sinceros, que nos arrependemos, que queremos mudar e futuramente evitar os mesmos erros, então Ele nos perdoa e limpa nossa alma, para que possamos começar o ano mais leves. Isto nos dá a chance de, mesmo após termos "saído da estrada", podermos retomar o nosso caminho de crescimento com o coração completamente purificado.

Parte do processo de Teshuvá (retorno aos caminhos corretos) é o "Vidui", a confissão dos nossos erros. Por isso, deixo em anexo o texto do 
Vidui
, transliterado, traduzido e comentado, para que possamos entender melhor os erros que cometemos e suas consequências. É permitido fazer quantas cópias quiser, inclusive para distribuir a outras pessoas na sinagoga.

Mas não podemos nos esquecer de que não é apenas contra D'us que transgredimos durante o ano. Também erramos muito com as pessoas. Enganamos, roubamos a confiança dos outros, não nos importamos com as dificuldades e sofrimentos das pessoas quando elas mais precisavam, ofendemos, fizemos piadas de mau gosto. Nossos sábios ensinam que, apesar da enorme força de expiação das transgressões que existe em Yom Kipur, ela somente funciona para limpar os erros que cometemos contra D'us. Os erros que cometemos contra o próximo não são perdoados por D'us até que sejamos perdoados pela pessoa com quem erramos. Por isso, a Halachá (Lei Judaica) nos ensina que é necessário apaziguar a pessoa que machucamos, prejudicamos ou magoamos através de um sincero pedido de perdão.

Para entender o quão graves são os erros que cometemos contra as pessoas, é só perceber que D'us, quando nos entregou os 10 Mandamentos, utilizou duas Tábuas, justamente para que em uma Tábua estivessem os Mandamentos entre o homem e D'us, enquanto na outra Tábua estivessem os Mandamentos entre o homem e seu semelhante. Desta maneira, D'us estava nos transmitindo que, aos Seus olhos, as duas Tábuas têm o mesmo valor e transgredi-las é igualmente grave. 

Portanto, gostaria de aproveitar a oportunidade para pedir perdão a qualquer um de vocês, leitores do "Shabat Shalom M@il", tanto aqueles que eu conheço pessoalmente quanto aqueles cujo meu único contato é através dos e-mails semanais, por qualquer atitude que possa ter ofendido ou magoado, ou por ter causado qualquer tipo de tristeza. Tanto os erros intencionais quanto os não intencionais, tanto os erros que eu me lembro quanto aqueles que eu já me esqueci, de todos eles eu me arrependo profundamente e espero que vocês me perdoem. De acordo com a Halachá, não é suficiente mandar uma mensagem para nossos conhecidos dizendo "Desculpe por qualquer coisa". Por isso, peço por favor que, caso alguém realmente tenha alguma mágoa, por favor me escreva para que eu possa pedir perdão pessoalmente.

Existe uma incrível fórmula para sermos perdoados em Yom Kipur: "Todo aquele que passa por cima da sua honra e perdoa a alguém que lhe fez mal, D'us passa por cima de todas as suas transgressões e o perdoa". Portanto, eu perdoo de todo o coração a qualquer um que possa ter feito algum mal para mim, intencionalmente ou não intencionalmente.

Que possamos ter um ano doce, com muita saúde, crescimento espiritual, paz e respeito ao próximo. Que possamos ter paz dentro do povo judeu, que possamos voltar a ser um povo unido, um povo que ama ao próximo como a si mesmo, para que tenhamos o mérito da vinda imediata do Mashiach, a reconstrução do nosso Beit Hamikdash e que possamos receber todas as Brachót que D'us, há mais de 2 mil anos, aguarda para nos mandar.


"A QUEM FIZ MAL, PEÇO PERDÃO
A QUEM EU AJUDEI, QUERIA TER FEITO MAIS
A QUEM ME AJUDOU, AGRADEÇO DE CORAÇÃO"

 
Shaná Tová e Gmar Chatimá Tová

Com carinho,
R' Efraim Birbojm
 






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