quinta-feira, 12 de setembro de 2013

MENSAGEM YOM KIPUR 5774

 

                                                                                                                                                                                   BS"D
 
MENSAGEM DE YOM KIPUR 5774
 
Quando pensamos em Yom Kipur, a primeira coisa que nos veem à cabeça é aquele enorme Machzor. Parece que o dia não passa, as rezas não terminam e a fome começa a apertar cada vez mais. Mas Yom Kipur é um dia muito especial, uma oportunidade de, apesar de todos os nossos erros que cometemos, começar o novo ano com nossa alma completamente limpa e purificada. Se nos arrependemos de maneira sincera, decidindo não voltar a cometer novamente os mesmo erros, e confessamos para D’us nossas transgressões, elas podem ser transformadas em méritos. Em Rosh Hashaná não mencionamos nossos erros pois é um dia de julgamento, mas Yom Kipur é um dia de misericórdia, uma das maiores demonstrações do amor de D'us pelo povo judeu, então podemos abrir nossos corações e implorar para D’us o perdão pelas nossas transgressões.
 
Em nossos incontáveis erros, pecamos contra D'us e contra o próximo. Apesar da enorme força de expiação dos pecados que existe em Yom Kipur, ela somente funciona para limpar os erros que cometemos contra D'us. Mas os erros que cometemos contra o próximo não são perdoados por D'us até que sejamos perdoados pela pessoa com quem erramos. Por isso é necessário apaziguar a quem ofendemos ou contra quem transgredimos, através de um sincero pedido de perdão.
 
Portanto, gostaria de aproveitar a oportunidade para pedir perdão a qualquer um de vocês, leitores do “Shabat Shalom M@il”, por qualquer atitude minha que possa ter ofendido ou magoado, ou por ter causado qualquer tipo de decepção, como não ter correspondido às expectativas. Tanto os erros intencionais quanto os não intencionais, tanto os erros que eu me lembro quanto aqueles que eu já me esqueci, de todos eles eu me arrependo profundamente e espero que vocês me perdoem. Erramos por causa da falta de tempo, do stress diário, dos nossos “cálculos” do que é o correto, e sempre temos na ponta da língua centenas de justificativas para os nossos maus atos. Mas Yom Kipur é o momento de assumir nossos erros sem procurar desculpas. Eu sei que errei e peço sinceramente perdão. Se alguém tiver alguma mágoa, por favor me escreva para que eu possa pedir perdão pessoalmente.
 
Existe uma incrível fórmula para sermos perdoados em Yom Kipur: “Todo aquele que passa por cima da sua honra e perdoa a alguém que lhe fez mal, D'us passa por cima de todas as suas transgressões e o perdoa”. Portanto, eu perdoo de todo o coração a qualquer um que possa ter feito algum mal para mim, intencionalmente ou não intencionalmente.
 
Que possamos ter um ano bom, com saúde, crescimento espiritual, paz e respeito ao semelhante. Que possamos aprender a conviver com as diferenças do próximo, com muita harmonia e compreensão.
 
Rav Efraim Birbojm

SHABAT SHALOM M@IL - YOM KIPUR 5774


BS”D

CORAGEM PARA ASSUMIR NOSSOS ERROS - YOM KIPUR 5774 (13 de setembro de 2013)

“Yom Kipur estava chegando e Fernando, com um enorme remorso por seus terríveis erros cometidos durante o ano, entrou na sala do seu rabino para perguntar o que poderia fazer para se arrepender por suas transgressões de maneira sincera e verdadeira. Mas como tinha muita vergonha de assumir que ele mesmo era o transgressor daqueles erros terríveis, ele mentiu para o rabino e disse:

- Rabino, eu tenho um amigo que cometeu transgressões terríveis e quer consertar seus atos. Mas ele está tão constrangido e envergonhado que não teve coragem de vir pessoalmente falar com você. Por isso ele me pediu para que eu viesse em seu lugar e pedisse seus conselhos.

Então ele começou a descrever todas as terríveis transgressões que havia feito, com uma satisfação silenciosa de poder consertar seus erros sem precisar assumi-los. Mas o rabino, que era muito sábio e experiente, logo percebeu as intenções de Fernando e quis ensinar-lhe uma lição. Com um sorriso no rosto, ele disse:

- Fernando, antes de tudo, diga para o seu amigo que ele é um grande tolo. Ele não precisava ter mandado você no lugar dele. Ele poderia ter vindo pessoalmente e, para não se sentir envergonhado, bastaria ter dito que um amigo o havia enviado para falar comigo...”

“Podemos fugir das nossas responsabilidades. Mas não podemos fugir das consequências por termos fugido das nossas responsabilidades” (Lord Stamp)

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Neste ano o dia mais sagrado do calendário judaico, Yom Kipur, o “Dia do Perdão”, coincide com o Shabat. No dia de Yom Kipur nos desconectamos do nosso lado físico para podermos nos conectar com força total ao nosso lado espiritual. A partir do por do sol de sexta-feira até a saída das estrelas do sábado de noite não podemos comer nem beber, não nos banhamos nem passamos óleos ou cremes no corpo, não usamos sapatos de couro e estamos proibidos de ter relações maritais.

Porém, não apenas Yom Kipur é um dia especial de conexão espiritual. Os dias entre Rosh Hashaná e Yom Kipur são chamados de “Asseret Yemei Teshuvá” (os 10 dias de Teshuvá). A Teshuvá é o retorno aos caminhos corretos, a volta à nossa espiritualidade. Todo aquele que errou pode se arrepender e decidir não voltar mais a errar. Explica o Rambam (Maimônides), nas “Leis de Teshuvá” do seu livro “Mishnê Torá”, que apesar de podermos nos arrepender durante todo o ano por nossas transgressões, nestes dias a nossa Teshuvá é mais efetiva e recebe uma ajuda especial dos Céus.

Mas observando com cuidado estas “Leis de Teshuvá” do Rambam, há algo que nos chama a atenção. No quinto capítulo ele começa a descrever o livre arbítrio que foi dado ao ser humano, como está escrito: “A possibilidade foi dada nas mãos de cada ser humano. Se ele quiser se inclinar para o lado bom e ser um Tzadik (Justo), a possibilidade está em suas mãos. E se ele quiser se inclinar para o lado mal e ser um Rashá (malvado), a possibilidade está em suas mãos”. Isto desperta duas perguntas. Em primeiro lugar, qual a conexão entre o livre arbítrio e a Teshuvá? E em segundo lugar, o livre arbítrio é a base do nosso relacionamento com o Criador do mundo. Sem o livre arbítrio, isto é, a possibilidade de escolher o bem ao invés do mal, não poderia haver um sistema de castigo e recompensa. Então, se é um conceito tão importante e fundamental, por que o Rambam esperou até as “Leis de Teshuvá” para falar sobre o livre arbítrio, e não mencionou nada na primeira parte, chamada “Yesodei HaTorá” (Os Fundamentos da Torá)?

Há também algo nas “Leis de Teshuvá” que se choca com um dos conceitos mais aceitos pela psicologia moderna. Existe hoje uma forte crença de que a maioria dos nossos comportamentos negativos são apenas sintomas de problemas maiores que estão embutidos na nossa psique. Portanto, muitos psicólogos buscam nas experiências passadas dos pacientes as causas que geraram um mau comportamento ou atitudes inadequadas. Por exemplo, uma pessoa que está sempre caluniando e desprezando os outros pode ser um indicativo de baixa autoestima, enquanto uma personalidade abusiva pode se manifestar em uma pessoa que foi abusada no passado.

Porém, ao observarmos as “Leis de Teshuvá” do Rambam, parece que ele ignora completamente este conceito. O Rambam se alonga em 10 capítulos para descrever como deve ser a Teshuvá completa. Por exemplo, ele descreve que a pessoa que cometeu erros deve abandonar seus maus atos, sentir remorso e arrependimento, expressar verbalmente suas transgressões (Vidui) e se comprometer a não voltar a cometer os mesmos erros. Porém, as motivações e experiências passadas do transgressor, que podem ser os verdadeiros motivadores dos seus erros, não são mencionadas. Será que o Rambam discorda da psicologia moderna? Por que a raiz dos nossos erros não é levada em consideração nas “Leis de Teshuvá”?

Explica o Rav Yochanan Zweig que a resposta está em uma interessante passagem do Talmud (Torá Oral). O Talmud (Yoma 22b) questiona por que Shaul Hamelech (Rei Shaul), que cometeu apenas uma transgressão, foi punido com um decreto de Morte Celestial, além de a monarquia ter sido retirada para sempre de sua família, enquanto David HaMelech (Rei David), que cometeu duas transgressões, apesar de ter sido castigado por seus erros, permaneceu com a monarquia em sua família e não recebeu um decreto de Morte Celestial? A pergunta fica ainda mais difícil quando observamos quais foram os erros que cada um deles cometeu. David errou no caso de Bat Sheva e também errou ao ter contado o povo judeu de forma direta, algo que é explicitamente proibido e que causou a morte de 70 mil judeus. Estes dois erros parecem ser muito mais pesados do que o erro de Shaul HaMelech, que recebeu o comando de D’us de exterminar o povo de Amalek e destruir todos os seus pertences, mas teve misericórdia do rei Agag e poupou sua vida, além de deixar vivo o gado de Amalek, um ato aparentemente bem mais leve, uma simples omissão. Então por que David foi tratado de maneira preferencial, se seus erros parecem ter sido muito mais graves?

A resposta esta na diferença de comportamento entre Shaul HaMelech e David HaMelech depois dos erros cometidos. Quando o profeta Natan repreendeu David após o seu erro com Bat Sheva, ele respondeu: “Eu pequei contra D’us” (Shmuel II 12:13). Shaul também, quando repreendido pelo profeta Shmuel, confessou: “Eu pequei, pois transgredi as palavras de D’us” (Shmuel I 15:24). Aparentemente não há nenhuma diferença entre o arrependimento dos dois. O problema está na continuação das palavras de Shaul HaMelech: “Pois eu temi o povo e cedi às suas reivindicações”. Enquanto David simplesmente assumiu que pecou, Shaul tentou encontrar desculpas que justificassem seu erro, atribuindo-o à pressão feita pelo povo. Ao tentar buscar uma desculpa, Shaul estava tirando de si a responsabilidade pelo seu erro. Pelo fato do elemento mais importante da Teshuvá ser a aceitação da responsabilidade completa pelos nossos erros, ao invés de ficar buscando em quem colocar a culpa, o arrependimento de David HaMelech foi aceito como uma Teshuvá completa, enquanto o arrependimento de Shaul foi incompleto.

Este é o grande problema de tentar conectar nossos maus comportamentos atuais com experiências passadas, pois normalmente nos leva a tirar de nós a responsabilidade pelos nossos erros. Quando estamos fazendo Teshuvá pelas transgressões cometidas, a Torá quer que mantenhamos o nosso foco apenas nos nossos atos atuais, pois devemos aceitar a responsabilidade completa por nossas transgressões. Qualquer tentativa de identificar os nossos erros como meras manifestações de experiências passadas é, na realidade, uma tentativa de diminuir a nossa culpa.

É por isso que o Rambam deixou o assunto de livre arbítrio para ser tratado apenas nas “Leis de Teshuvá”, pois é a habilidade de escolher o certo ao invés do errado que nos torna completamente responsáveis pelos nossos atos. Traços de caráter e experiências passadas podem aumentar o nosso desafio, mas não afeta nossa habilidade de fazer as escolhas corretas. Podemos ter certas propensões e inclinações naturais, mas isto não tira nosso livre arbítrio. Por isso ninguém pode atribuir seus erros às suas dificuldades passadas e traumas, pois, em última instância, a pessoa tem a força e o discernimento de fazer a escolha correta.

Portanto, o judaísmo não discorda do conceito utilizado na psicologia. A análise psicológica da pessoa com problemas e dificuldades pode ajudar a definir os desafios enfrentados por ela e a melhor forma de encaminhá-la. Mas se for usada para tirar da pessoa a responsabilidade por seus atos, então se torna algo muito negativo e fará com que esta característica ruim se enraíze cada vez mais, pois ao invés de se esforçar para mudar, a pessoa buscará sempre desculpas para justificar seus maus atos.

Toda cura vem de D’us, tanto física quanto espiritual. Nos Asseret Iemei Teshuvá, e em especial no dia de Yom Kipur, D’us nos ajuda a retirarmos todos os obstáculos e barreiras que nos dificultam fazer o que é correto. Mas antes temos que fazer a nossa parte. Certamente o principal caminho para que Hashem retire todas as dificuldades é assumirmos, sem buscar desculpas, as nossas próprias culpas.

GMAR CHATIMÁ TOVÁ

SHABAT SHALOM e TSOM KAL

Rav Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT E YOM KIPUR:
São Paulo: 17h39  Rio de Janeiro: 17h26  Belo Horizonte: 17h29  Jerusalém: 18h12
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Aviva (Jackelin) bat Mirta, Ester bat Rivka, Aron Natan ben Avraham, Clarice Chaia bat Nasha Blima, Rena bat Salk, Duvid ben Rachel, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Shimshon ben Nechuma, Pece bat Geni, Baruch ben Yaacov, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Sara Myriam bat Dina, Yolanda bat Sophie, Baruch ben Sarah.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

MENSAGEM ROSH HASHANÁ 5774

BS"D
 
MENSAGEM DE ROSH HASHANÁ 5774

 Parece incrível, mas em poucos dias mais um ano terminará. Já estamos começando os preparativos para Rosh Hashaná, na expectativa do que este novo ciclo nos trará. A verdade é que nunca imaginamos as enormes novidades e mudanças que nos esperam. Como aconteceu neste ano que passou, um ano cheio de mudanças, um ano de muito suor, de muita dedicação e, apesar de muitas dificuldades, um ano com muitas boas novidades. Em especial, o ano do nascimento de uma nova Kehilá em São Paulo, o Netivot HaTorá, da qual faço parte desde a sua fundação espiritual. Uma Kehilá que nasce comprometida em transmitir os incríveis conhecimentos da Torá, de uma maneira alegre e vibrante, para todos aqueles que têm interesses de aprender. Uma Kehilá de portas abertas a todos os que tiverem vontade de vir estudar, rezar e estar em um ambiente positivo e aconchegante.

Gostaria de mais uma vez agradecer a todos os leitores do email de Shabat, não de uma maneira geral, mas a cada um em particular, por mais um ano em que estivemos juntos semanalmente. Espero poder ter participado de muitas Seudót de Shabat, de muitas conversas familiares e de muitos papos de escritório. Espero ter contribuído para que cada um tenha dedicado alguns momentos semanais para a reflexão. Agradeço muito as perguntas, os comentários e principalmente as sugestões de melhorias que são enviadas. E agradeço pelos constantes pedidos para acrescentar nomes na lista dos que recebem o email. Quanto maior fica a lista, mais alegria me traz poder continuar divulgando os incríveis ensinamentos da Torá. A sabedoria é a única coisa que, quanto mais dividimos com os outros, mais ela aumenta, e por isso eu me alegro em poder dar a minha contribuição, apesar de ser apenas uma pequena gota em um enorme oceano de sabedoria.

Agradeço a D’us pela força, mesmo quando o cansaço às vezes parece querer vencer, no ritual semanal de quinta-feira de noite, que começa tarde da noite e não tem hora para terminar. E agradeço especialmente à minha família, pelo apoio incondicional e constante a este projeto que eu já me dedico há mais de 10 anos.

Aproveito a oportunidade para pedir perdão a qualquer um que possa ter se ofendido, por qualquer mensagem que eu tenha enviado ou por qualquer atitude que eu tenha tomado. Como ensinam os nossos sábios, “Não há pessoa no mundo que faz o bem e não comete transgressões”. Certamente não tive intenção de magoar ou ofender ninguém, mas muitas vezes, com a melhor das intenções, acabamos errando e magoando. Portanto, se alguém tiver alguma mágoa ou reclamação, por favor me avise para que eu possa pedir desculpas pessoalmente.

Que possamos aproveitar estes últimos dias do ano para aumentar nossos méritos, tentando crescer um pouco mais em Torá e Mitzvót, para que sejamos todos inscritos no Livro da Vida, com muita saúde, sustento, alegrias, paz e espiritualidade. Que neste ano de 5774 possamos continuar nos encontrando, semanalmente, neste maravilhoso mundo dos conhecimentos da Torá.

Com um enorme agradecimento e carinho,

Rav Efraim Birbojm

SHABAT SHALOM M@IL - ROSH HASHANÁ 5774


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FICANDO PRÓXIMO DO PAI - ROSH HASHANÁ 5774 (30 de agosto de 2013)

“No jardim de uma pequena casa havia algumas cadeiras de lona, nas quais as pessoas da família se sentavam para descansar e respirar o ar fresco do verão. Mas logo aquelas cadeiras começaram a ter um novo uso. A família havia crescido tanto que chegou um momento em que não cabiam mais todos os filhos na pequena mesa de jantar, gerando uma grande discussão. O pai, tentando acalmar os ânimos, falou:

- Meus queridos, a nossa mesa de jantar é pequena e não há lugar para todos. Eu gostaria de pedir que alguns de vocês pegassem seus pratos e sentassem nas cadeiras lá de fora. Quem estiver disposto a fazer isto receberá como recompensa uma porção dupla de comida.

Ao escutar que receberiam o dobro de comida, todos os filhos levantaram-se rapidamente da mesa e se dispuseram a comer lá fora. Apenas um dos filhos permaneceu sentado. Quando o pai questionou se ele não havia se interessado na proposta de receber o dobro de comida, ele respondeu:

- Eu não vou abrir mão de sentar ao lado do meu pai por nenhuma porção a mais de comida. Quando eu estou ao seu lado, posso observar seus movimentos e aprender com você, para ser como você quando eu crescer. Mas se eu sair para comer lá fora, o que eu vou ver? Um monte de vacas e cabras vagando pelo pasto. É isto que vai me ensinar a ser uma pessoa melhor?”

Algumas vezes aceitamos um pouco mais de prazeres do mundo material para se afastar de D’us, o nosso Pai. Em Rosh Hashaná, mesmo que estivemos afastados de D’us durante o ano inteiro, nos focamos em voltar para casa, voltar ao que é correto, novamente ter D’us e Seus ensinamentos como nosso modelo de vida e de conduta.

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Na próxima quarta feira de noite (04 de setembro) é Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento. É um dia especial, no qual estaremos começando as fundações de um novo ano, com novas perspectivas de vida. Mas Rosh Hashaná desperta alguns questionamentos. Em primeiro lugar, que intenções precisamos ter nas Tefilót (rezas) de Rosh Hashaná? O que precisamos pedir para o novo ano? Mais dinheiro? Sucesso no trabalho? Saúde?

Além disso, desde o começo do mês de Elul, o último mês do ano, iniciamos a preparação para o Dia do Julgamento. Durante 30 dias acrescentamos nas rezas da manhã e da noite o Salmo “Ledavid” (Salmo 27). Como este Salmo nos ajuda na preparação para Rosh Hashaná?

E finalmente, no dia de Rosh Hashaná, após a leitura da Torá, lemos na Haftará um trecho do Livro dos Profetas que conta a história de Chana, a mãe do profeta Shmuel. Por que nossos sábios escolheram ler justamente este trecho em Rosh Hashaná?

Nos ensina o Talmud (Rosh Hashaná 18a) que “em Rosh Hashaná todas as criaturas do mundo passam diante de D’us como “Bnei Maron”. O que significa a expressão “Bnei Maron”? O próprio Talmud traz três diferentes opiniões. De acordo com a primeira opinião, são as ovelhas que, quando contadas, passam por uma abertura estreita, uma de cada vez. De acordo com a segunda opinião, é um local com um caminho muito estreito e um precipício dos dois lados, por onde passa somente uma pessoa de cada vez. E de acordo com a terceira opinião, são os soldados do Rei David, que saíam em fila para a guerra, um de cada vez.

É interessante perceber que, na realidade, as três opiniões expressam a mesma ideia: no dia de Rosh Hashaná, a humanidade não é julgada toda de uma vez, como uma grande massa. Cada ser humano passa sozinho diante do Criador no momento do seu julgamento. Mas o que isto significa? Sabemos que D’us poderia nos julgar todos de uma vez, pois para Ele nada é impossível. Qual a mensagem que D’us quer nos transmitir ao nos ensinar que o julgamento de cada ser humano é individual?

Existem vários ensinamentos diferentes que podemos aprender desta afirmação do Talmud. Em primeiro lugar, caso o julgamento fosse coletivo, poderíamos pensar que nem tudo é verificado, talvez alguns detalhes passam batido. Mas pelo fato de sermos julgados sozinhos, nos sentimos mais responsáveis por nossos atos, sabemos que nenhum pequeno detalhe passará despercebido. Nem mesmo os pensamentos e as intenções do coração são ignorados por D’us no momento do nosso julgamento de Rosh Hashaná.

Há outro aspecto desta realidade de sermos julgados sozinhos e não em conjunto. Quando olhamos para trás e refletimos sobre os nossos erros, na maioria das vezes colocamos a culpa nos outros. Sempre foi o outro quem começou o problema, sempre o outro foi intransigente. Mas no momento do julgamento de Rosh Hashaná estamos sozinhos diante de D’us, não há mais ninguém conosco e, portanto, não há em quem colocar a culpa. Rosh Hashaná é o momento em que devemos assumir, de maneira madura, nossos erros e defeitos, ao invés de buscar sempre a culpa nos outros.

Além disso, D’us também quer nos lembrar que em Rosh Hashaná comemoramos a criação do primeiro ser humano, Adam Harishon. Mas por que D’us o criou sozinho, não criou diretamente uma família completa? Muitos dos erros que cometemos são porque achamos que não somos nada. Em um mundo com bilhões de pessoas, qual a nossa importância individual? Por isso D’us criou Adam sozinho, e nos julga em Rosh Hashaná sozinhos, para ressaltar a importância de cada ser humano, como se cada um fosse um mundo por si só. Isto nos dá autoestima, nos dá a certeza de que D’us se importa, de maneira direta, com cada um de nós.

Por que lemos em Rosh Hashaná a história de Chana? A explicação mais simples é que ela foi lembrada por D’us em Rosh Hashaná e, após 19 anos casada, ela finalmente teve um filho, que se tornou um dos maiores profetas do povo judeu. Mas há uma explicação mais profunda, que conecta a história de Chana com uma característica muito importante para que nossas Tefilót possam ser escutadas por D’us.

Se Chana já estava casada há 19 anos, certamente ela já havia rezado muitas vezes. Por que D’us não havia escutado suas preces e súplicas até aquele momento? A resposta está na conversa que ela teve com o marido antes de ir fazer Tefilá no Mishkan (Templo). O marido de Chana viu que ela estava triste e questionou o motivo. Ela explicou que estava triste pois não tinha filhos. Ele então a consolou: “Eu não sou melhor para você do que 10 filhos?” (Shmuel 1:8). Aquela frase do marido foi um grande choque para Chana. Durante 19 anos ela pensou que seu marido estava rezando junto com ela e pedindo por filhos, mas agora tinha ficado claro para ela que seu marido não se importava que ela não tinha filhos. Naquele dia foi a primeira vez em que Chana rezou com a certeza de que estava completamente sozinha, havia apenas ela e D’us. E sua Tefilá foi tão profunda, criou uma conexão espiritual tão forte, que seus lábios se moviam mas sua voz não saia. Assim também devem ser nossas Tefilót, em especial em Rosh Hashaná. Devemos saber que tudo depende apenas de D’us, nossas vidas e todos os detalhes de tudo o que vai acontecer dependem apenas Dele. A cura não depende do médico, o sucesso não depende do chefe, tudo está no controle do Criador do Universo.

Se tivéssemos um encontro com D’us e Ele nos concedesse um único pedido, o que pediríamos? Alguns pediriam dinheiro, outros pediriam fama, os mais gulosos pediriam um suprimento eterno de comida e doces. David Hamelech, no Salmo “LeDavid”, nos ensina que ele pedia algo completamente diferente: “Uma vez eu pedi para D’us apenas um pedido: que eu possa sentar na Casa de D’us todos os dias da minha vida” (Salmo 27:4). Mas David Hamelech não precisava de mais nada? Certamente que precisava, como qualquer ser humano. Mas ele sabia que quando pedimos para estarmos perto de D’us, todo o resto está incluído.

Esta é a essência de Rosh Hashaná. Durante o ano não nos comportamos bem. Com a correria do nosso dia a dia, acabamos nos esquecendo de D’us. Seguimos as nossas vontades, mesmo sabendo que não estamos fazendo o que é correto. Rosh Hashaná é a hora de se arrepender e pedir para voltar para casa. Através do julgamento, D’us demonstra que Ele se importa conosco. Ele quer nos dar um ano de Brachót (Bençãos), Ele quer nos dar um ano de saúde e sucesso. Mas Ele nos pergunta: “Para que você está pedindo mais um ano de vida? Para estar próximo de Mim, sentado Comigo na Minha mesa, ou para passar um ano comendo lá fora, apenas para ganhar um pouco mais de prazeres materiais?”.

Que possamos nos preparar bem para o nosso julgamento, e que D’us possa nos escrever no Livro da Vida e das Brachót, para termos um ano com muita saúde, com bom sustento, com apenas boas notícias, e que finalmente seja o ano da Gueulá (Redenção Final), na qual nos reuniremos novamente, com todos os nossos parentes e amigos, no nosso Beit Hamikdash reconstruído.

SHETIKATEV VETECHATEM BESSEFER CHAIM TOVIM (Que sejamos inscritos e selados no Livro da Vida)

SHABAT SHALOM e SHANÁ TOVÁ

Rav Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib, Avraham ben Meir.

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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

 

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KI TAVÔ 5773


BS”D

FORÇA DAS PALAVRAS - PARASHÁ KI TAVÔ 5773 (23 de agosto de 2013)

“Havia um escravo do rei que era muito dedicado e fiel. Ele era muito inteligente e gostava de ouvir as palavras dos sábios e observar a natureza. Certa vez o rei estava oferecendo um banquete em casa. Chamou seu escravo e, diante de todos, entregou-lhe algumas moedas. Pediu-lhe que fosse ao açougue comprar o que havia de melhor. Passados alguns minutos, o escravo entrou no salão nobre e, diante de todos, apresentou ao rei uma grande língua. O espanto foi geral.

- O que é isso? - perguntou o rei em alta voz - Tire esta coisa nojenta daqui! Como ousa me afrontar diante dos meus convidados? Explique-se!

- Majestade, o senhor me pediu para que buscasse o que há de melhor no açougue. Eu trouxe uma língua. Ela é responsável pela nossa comunicação. É através dela que Vossa Majestade pode me dar uma ordem e elogiar os convidados. É através dela que os sábios e artistas nos transmitem as sabedorias dos antepassados. Como vê, a língua é a melhor coisa que há.

Todos ficaram admirados. O rei, querendo testar novamente a sabedoria de seu escravo, deu-lhe outra tarefa. Pediu para que ele voltasse ao açougue e lhe trouxesse o que havia de pior. Entregou ao escravo mais algumas moedas e enviou-o à sua tarefa. Pouco depois o escravo retornou com outra língua na mão.

- O que é isso? Outra língua? Mas você me disse faz pouco tempo que a língua é o melhor que há!

- Sim, é verdade, majestade, a língua pode ser o melhor que há, mas também pode ser o pior. A língua é usada para a discórdia e para a inveja. A língua, quando utilizada para maldizer e caluniar, provoca divisão e afastamento entre as pessoas. Quando ela é mentirosa, é a pior coisa que há”.

Assim nos ensinou Shlomo HaMelech (Rei Salomão): “A morte e a vida estão no poder da língua, e aqueles que a amam comerão do seu fruto” (Mishlei - Provérbios 18:21). Quando utilizamos a língua para coisas positivas, como ensinar, incentivar ou consolar, ela traz vida para o mundo e podemos aproveitar dos seus benefícios. Mas quando a utilizamos de maneira negativa, como mentir, denegrir e ofender, ela traz apenas morte e destruição.

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Passamos da metade do mês de Elul, o último mês do ano, e no horizonte já começa a aparecer Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento, quando todos os nossos atos serão julgados e tudo o que acontecerá no próximo ano será decretado. Será que estamos nos preparando bem para o nosso julgamento? Será que estamos conseguindo realmente mudar e consertar nossos erros como gostaríamos? Por que às vezes parece ser tão difícil mudar nossas atitudes?

A Parashá desta semana, Ki Tavô, nos ensina um fundamento muito importante, que pode nos ajudar no nosso trabalho de crescimento espiritual e na preparação para Rosh Hashaná. A Parashá começa com o conceito dos Bikurim, as primícias (primeiros frutos), que os agricultores precisavam levar até o Beit Hamikdash (Templo Sagrado). Lá eles deveriam dizer: “Eu declaro hoje diante de D’us que eu vim para a terra que D’us jurou aos nossos antepassados que nos daria” (Devarim 26:3). Rashi, comentarista da Torá, explica que o propósito desta declaração era para demonstrar que o agricultor não era um negador de bondades, uma pessoa mal agradecida. O agricultor então continuava o seu agradecimento a D’us através de uma longa declaração, que recordava desde a proteção que D’us deu ao nosso patriarca Yaacov até a conquista e o estabelecimento do povo judeu na terra de Israel, a terra onde flui o leite e o mel.

Mas a explicação do Rashi para a primeira declaração do agricultor é difícil de ser entendida. Se o propósito da declaração era demonstrar gratidão a D’us, não era suficiente a própria vinda do agricultor até o Beit Hamikdash, abandonando tudo para cumprir a Mitzvá de Bikurim? Por que ele também tinha que pronunciar esta declaração?

Explica o Rav Yaacov Weinberg que a fala é uma força muito mais potente e explosiva do que imaginamos. Há uma diferença muito grande entre expressar o nosso agradecimento e apenas senti-lo no coração. Por que? Pois embora as coisas que pensamos nos influenciam e ajudam a moldar nosso caráter, o que nós falamos nos afeta e influencia nossa identidade de uma maneira muito mais forte.

Isto pode ser percebido quando a Torá nos ensina sobre a importância de manter nossos juramentos, como está escrito: “Se uma pessoa fizer um voto para D’us ou jurar um juramento para proibir algo sobre si, ela não deve profanar sua palavra, ela deve manter todas as palavras que saíram de sua boca” (Bamidbar 30:3). Por que a Torá utilizou a expressão “profanar sua palavra”, ao invés de “transgredir sua palavra”? E por que está escrito “manter todas as palavras que saíram de sua boa” ao invés de simplesmente escrever “manter o seu juramento”?

A resposta é que a Torá está nos ensinando o valor de uma palavra proferida. Não podemos desprezar nem mesmo uma palavra que foi pronunciada, como se fosse algo sem valor, pois a palavra, quando proferida, se torna uma realidade. O problema de quebrar uma promessa não é apenas ser desonesto, é muito mais do que isso. Quando alguém quebra uma promessa, está destruindo uma realidade que foi criada com cada uma de suas palavras.

Daqui aprendemos que dizer algo em voz alta tem um efeito profundo sobre a personalidade humana. Muitas vezes pensamos que apenas importa o que dizemos em público, o que os outros escutam, mas o que dizemos para nós mesmos em um local privado não importa tanto. Porém, isto não é verdade, e novamente aprendemos este conceito observando as leis referentes aos juramentos. Um juramento não precisa ser feito em público, pode ser feito mesmo em particular, sem mais ninguém escutar, e o efeito de quebrar este juramento é tão devastador quanto quebrar um juramento feito em público. Isto quer dizer que amaldiçoar alguém ou mesmo falar palavrões, mesmo se for feito em um local privado, mesmo que mais ninguém escutou, causa um grande dano espiritual para aquele que falou. Enquanto a ideia esta apenas nos pensamentos, ela ainda não se transformou em algo real e nos influencia pouco. Mas após as palavras terem sido pronunciadas, uma poderosa transformação ocorre, pois a fala cria uma nova realidade e causa um profundo impacto na pessoa que falou.

Isto explica também porque um dos grupos que nunca terá o mérito de estar próximo de D’us, mesmo no Olam Habá (Mundo Vindouro), são os mentirosos. Maior do que o efeito da mentira de enganar o outro é a destruição que ela causa a nós mesmos. A realidade criada pelas palavras é destruída quando alguém fala mentira. Por isso nossos sábios ensinam que mesmo em casos em que há permissão de distorcer os fatos, como quando o Shalom Bait (paz familiar) de um casal está em jogo, o ideal é omitir e não mentir. Nestas situações, a pessoa deve tentar ao máximo dizer as coisas de uma maneira ambígua, ao invés de falar uma mentira de maneira explícita.

Mas da mesma forma que a fala negativa tem uma influência poderosa no ser humano, o mesmo vale para a fala positiva. Se uma pessoa apenas pensa em melhorar, ainda assim é muito difícil concretizar este pensamento. Porém, a partir do momento em que a pessoa externaliza seus pensamentos através da fala, isto é mais do que apenas fazer planos, já é uma realidade física.

Quando nossos sábios ensinam os princípios do arrependimento verdadeiro, um dos passos importantes é o Vidui, a confissão dos pecados, em especial no dia de Yom Kipur, quando o Vidui é parte central das nossas rezas. E assim ensina o Rambam (Maimônides): “Teshuvá significa abandonar a transgressão, retirá-la do coração e decidir nunca mais repeti-la. A pessoa deve também se arrepender pelo seu ato. E a pessoa deve confessar com seus lábios e dizer todas estas coisas que ela pensou em seu coração” (Halachót Teshuvá 2:2). Mas se D’us já conhece todos os nossos pecados, por que temos que mencioná-los em voz alta?

O Rambam, ao utilizar a linguagem “confessar com seus lábios”, quer ressaltar o enorme poder que a fala tem em transformar a pessoa que quer se arrepender dos erros cometidos. D’us lê nossos pensamentos, Ele vê todos os nossos atos, portanto não é para Ele que serve a confissão dos nossos erros. A confissão funciona para o nosso próprio crescimento, pois quando os pensamentos se transformam em palavras, as mudanças internas que isto acarreta são muito mais duradouras. Sem a confissão verbal, o arrependimento verdadeiro não pode ser alcançado, e qualquer pensamento de mudança e crescimento espiritual pode acabar se dissipando.

É por isso que temos que tomar muito cuidado com este precioso utensílio que D’us nos presenteou, chamado fala. Apesar de não darmos tanto valor, a fala tem um enorme impacto sobre nossas vidas, tanto para o lado positivo quanto para o lado negativo. Se prestarmos atenção no Vidui de Yom Kipur, perceberemos que 25% dos nossos erros estão relacionados com o mau uso da fala. Este potencial mal utilizado pode destruir, causar sofrimento e desunião. Mas bem utilizado pode trazer vida ao mundo e nos ajudar, no nosso julgamento de Rosh Hashaná, a sermos inscritos no Livro da Vida.

SHETIKATEV VETECHATEM BESSEFER CHAIM TOVIM (Que sejamos inscritos e selados no Livro da Vida)

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Aviva (Jackelin) bat Mirta, Ester bat Rivka, Aron Natan ben Avraham, Clarice Chaia bat Nasha Blima, Rena bat Salk, Duvid ben Rachel, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Shimshon ben Nechuma, Pece bat Geni, Baruch ben Yaacov, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Sara Myriam bat Dina.

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.

 

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

 

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sexta-feira, 16 de agosto de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ KI TETSÊ 5773


BS”D

EDUCANDO NOSSOS FILHOS NOS DIAS DE HOJE - PARASHÁ KI TETSÊ 5773 (16 de agosto de 2013)

Era uma sexta-feira fria de inverno, e Alexandre foi com seu filho Guilherme para a Mikve (local de imersão ritual) da cidade, para fazer um mergulho de purificação antes do Shabat. Apesar de normalmente haver um sistema de aquecimento da água, naquele dia o sistema não estava funcionando e quem quisesse mergulhar na Mikve precisava de muita coragem para enfrentar o frio.

Mas Guilherme não era de desistir tão fácil e decidiu que entraria na água assim mesmo. Alexandre ficou esperando seu filho do lado de fora, já segurando uma toalha quentinha. Quando Guilherme entrou na água, estava tão fria que ele instintivamente gritou: “Aiaiai”. Mergulhou rapidamente 3 vezes e saiu da Mikve. Lá fora, seu pai rapidamente o enrolou com a toalha quentinha. Quando sentiu aquela sensação gostosa de calor, ele exclamou com alívio e prazer: “Ahhhhh”. Alexandre aproveitou a situação para ensinar a Guilherme uma importante lição de vida:

- Meu filho - disse Alexandre - aproveite este momento para aprender uma importante regra. Há uma maneira simples de saber se você está fazendo a coisa certa ou não. Se você faz algo que no início dizemos “Aiaiai” e no final dizemos “Ahhhhh”, isto é sinal de que você está fazendo a coisa certa. Mas se você começa com o “Ahhhh” e termina com o “Aiaiai”, é sinal de que você está provavelmente no caminho errado...”

Apesar de parecer uma piada, vemos estas palavras se cumprindo nos nossos dias. Aqueles que vivem de acordo com as Mitzvót da Torá começam com regras e limitações, mas acabam tendo uma vida mais harmônica e feliz em todas as áreas. Já aqueles que começam apenas buscando preencher seus prazeres, apesar de realmente os encontrarem no começo, depois acabam sofrendo em várias áreas da vida. Depressão, alta taxa de divórcios e delinquência juvenil são apenas alguns exemplos do preço que pagamos pela busca desenfreada de prazeres imediatos.

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No início da Parashá desta semana, Ki Tetsê, a Torá nos ensina sobre um assunto que desperta muitos questionamentos: o “Ben Sorer Umorê” (filho teimoso e rebelde), um jovem que não respeita os limites impostos pelos pais e começa a se afundar na vida, tornando-se um glutão e um beberrão, e chegando ao ponto de roubar os próprios pais para manter seus vícios. A Torá nos ensina que este jovem recebia pena de morte por seu comportamento inadequado. Mas vemos atualmente tantos jovens que não respeitam seus pais, e adolescentes que têm cada vez menos limites, será que o “Ben Sorer Umorê” não é apenas a descrição de um jovem normal, mas com problemas de conduta? Então por que uma punição tão grave?

Explicam nossos sábios que este jovem, com a idade próxima dos 14 anos, apesar de não ter cometido nenhum crime capital, demonstra estar entrando em um caminho de profunda e crescente queda espiritual. Seu comportamento decadente, como o absurdo de chegar a roubar dinheiro dos próprios pais para alimentar seus vícios, indica que ele futuramente será uma pessoa totalmente sem limites, que chegará até mesmo a matar para obter o que deseja. O Talmud (Sanhedrin 72a) ensina que o jovem não recebia pena de morte por sua condição atual, e sim por causa dos seus prováveis futuros atos. Por misericórdia, era melhor que ele morresse jovem, quando ainda era inocente, do que quando já fosse culpado por crimes graves como assassinato.

Mas este conceito se contradiz com outro ensinamento da Torá, descrito no Livro de Bereshit. Após Sara perceber o quanto Ishmael, filho de Avraham com sua escrava Hagar, era uma péssima influência para seu filho Yitzchak, ela pediu para que Avraham os expulsasse de casa. Para Avraham, expulsar seu próprio filho era uma decisão muito difícil, mas D’us confirmou que era o correto a se fazer. Hagar e Ishmael, que em pouco tempo de caminhada chegariam a alguma cidade povoada, se perderam no deserto e ficaram sem água. Ishmael ficou encostado em uma árvore, à beira da morte, e Hagar se afastou para não presenciar a morte do filho. Um milagre então aconteceu e um anjo revelou para Hagar uma fonte de água, de onde ela conseguiu encher seu cantil e salvar a vida de seu filho. Porém, há um Midrash (Torá Oral) que ensina que os anjos imploraram para que D’us não salvasse a vida de Ishmael, pois sabiam que dele sairia no futuro um povo que perseguiria e causaria muitos sofrimentos ao povo judeu. D’us respondeu aos anjos que a pessoa é julgada de acordo com o seu estado presente e não de acordo com o que ocorrerá no futuro.

Mas qual a diferença entre Ishmael, que foi julgado pelos seus atos presentes, e o “Ben Sorer Umorê”, que era julgado por seus atos futuros? Da mesma forma que o “Ben Sorer Umorê” já tinha desde cedo um comportamento inadequado, nossos sábios ensinam que também Ishmael já tinha desde cedo uma conduta muito ruim, envolvendo-se em idolatria, tentativa de assassinato e relações ilícitas. Então por que D’us julgou Ishmael de maneira tão leniente, enquanto o “Ben Sorer Umorê” é julgado de forma tão dura?

Além disso, o Talmud (Sanhedrian 71a) afirma que, por causa de todos os requisitos necessários para que um jovem se torne um “Ben Sorer Umorê”, nunca ocorreu e nunca ocorrerá um caso com este. Por que a Torá precisa nos ensinar que este filho “Ben Sorer Umorê” nunca existirá na prática? E se é uma lei que nunca será aplicada, então por que foi ensinada na Torá?

Explica o Rav Yohanan Zweig que, observando os pré-requisitos para um jovem se tornar um “Ben Sorer Umorê”, podemos responder todos os questionamentos. O Talmud traz uma lista destes pré-requisitos: os pais deste jovem devem ter vozes similares, não podem ter nenhum problema de fala, visão ou audição, não podem ter nenhum membro do corpo faltando e a cidade onde este jovem vive deve ter um Beit Din (Tribunal Rabínico). O que estes pré-requisitos todos têm em comum?

Embora o ambiente e as influências externas negativas não possam ser utilizados para isentar uma pessoa das responsabilidades por seus maus atos, certamente eles podem incliná-la a agir de maneira equivocada. Isto quer dizer que nem sempre o comportamento de uma pessoa é o reflexo de sua essência. E se o comportamento negativo da pessoa é fruto das influências do ambiente, então ainda há esperanças de que ele mudará, pois não necessariamente sua essência foi corrompida. Por outro lado, se o comportamento negativo de uma pessoa não é por influencia do ambiente, isto quer dizer que seu comportamento é o real reflexo de sua essência e, portanto, há poucas esperanças de que esta pessoa conseguirá mudar seus caminhos.

Segundo a Torá, para um jovem ser considerado um “Ben Sorer Umorê”, é necessário ter a certeza de que seus atos são reflexo total de sua verdadeira essência e não foram influenciados pelo ambiente. Quando o Talmud diz que as vozes dos seus pais devem ser semelhantes, isto significa que eles não podem transmitir ao filho, através de ensinamentos ou broncas, mensagens contraditórias. Os pais devem, antes de tudo, chegar a um acordo do que eles esperam do seu filho e devem transmitir isto de uma maneira clara. Além disso, os pais devem ser vistos pelo filho como autoridades legítimas e absolutas, que exigem o devido respeito do filho. Portanto, os pais devem ter os membros perfeitos e devem poder falar, enxergar e escutar, pois a falta de qualquer um destes itens pode impedir os pais de projetarem sobre o filho a figura de autoridade. E para ser um local saudável, a cidade deve ter um Beit Din, que transmita aos moradores o temor de cometer transgressões e os valores necessários para criar na cidade um ambiente onde educar os filhos seja algo positivo.

Portanto, quando o Talmud diz que nunca haverá um caso real de “Ben Sorer Umorê”, nossos sábios estão afirmando que é impossível existir um ambiente tão perfeito e utópico como este que não cause absolutamente nenhum efeito negativo sobre uma criança. Por isso nunca haverá uma criança, por pior que seja seu comportamento, cuja má índole seja reflexo apenas de seu interior corrompido.

Isto explica o comportamento misericordioso de D’us com Ishmael. Embora desde cedo ele tivesse um desvio grave de comportamento, se envolvendo com os piores tipos de transgressão, isto não refletia sua verdadeira essência. Ele foi fortemente influenciado por sua mãe, Hagar, que havia sido no passado uma princesa egípcia, uma idólatra que vinha de um povo completamente imoral. O crescimento de Ishmael e sua educação também ocorreram em um ambiente conturbado, de constante conflito entre Sara e Hagar. Isto explica porque Ishmael não é chamado, durante este período, pelo seu nome, e sim como “o filho da escrava” (Bereshit 21:10), ou simplesmente “o jovem” (Bereshit 21:12). O nome representa a essência da pessoa, e aquela não era a essência verdadeira de Ishmael, e sim o reflexo de um ambiente muito negativo. Isto permitiu com que D’us o julgasse de forma mais leniente, levando em consideração que sua verdadeira essência não estava completamente corrompida. E isto se confirmou no final de sua vida, quando Rashi, comentarista da Torá, afirma que Ishmael fez Teshuvá (se arrependeu por seus maus atos).

Mas ainda fica a pergunta mais intrigante: Se o Talmud afirma que um caso de “Ben Sorer Umorê” nunca acontecerá na prática, então para que a Torá nos ensinou estas leis? Para nos indicar qual o padrão perfeito para uma sociedade. Este padrão deve ser o modelo que devemos buscar implantar em nossa sociedade para tentarmos criar um ambiente saudável, onde poderemos criar nossos filhos com sucesso.

Deste ensinamento fica uma preciosa lição. Por que temos atualmente tantos jovens com problemas, que se envolvem desde cedo com os piores tipos de vícios? Pois os pais acreditam que mandando o filho para o colégio estão automaticamente fazendo a sua parte na educação dele. Mas isto é um grande equívoco, pois os colégios cumprem o objetivo de informar os alunos, não de formar. Um bom colégio é aquele que prepara o jovem para o vestibular, não aquele que prepara o jovem para a vida. Assim vemos não apenas jovens sem educação, mas também muitos profissionais desonestos e imorais. Aprendemos desde cedo que sucesso é conseguir preencher todos os nossos desejos, e fazemos isto mesmo que seja necessário passar por cima dos outros para atingir nosso objetivo. Por isso a cultura ocidental, com pouco mais de 200 anos de existência, já apresenta visíveis sinais de decadência, enquanto o judaísmo, com mais de 3 mil anos, continua vivo e estável.

A boa educação não vem da escola, vem de casa. A presença constante dos pais é um requisito fundamental para que os filhos recebam uma boa educação, principalmente na sociedade em que vivemos, onde o consumismo tornou-se a principal meta de vida. Se a criança aprende que o principal na vida é o que o dinheiro pode comprar, assim será seu comportamento por toda a vida. É obrigação dos pais ensinar que, antes de ser um engenheiro, médico ou advogado, a pessoa deve ser um “Mentch” (ser humano decente).

SHETIKATEV VETECHATEM BESSEFER CHAIM TOVIM (Que sejamos inscritos e selados no Livro da Vida)

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib, Avraham ben Meir.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).

sexta-feira, 9 de agosto de 2013

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHOFTIM 5773

BS"D

EDUCANDO COM ATOS - PARASHÁ SHOFTIM 5773 (09 de agosto de 2013)

"Um grande rabino, interessado em fundar um Kolel (Centro de estudos de Torá para homens casados) na cidade de Cholon, em Israel, foi perguntar ao Rav Elazar Man Shach, o maior rabino da geração passada, qual seria o local mais adequado para a abertura deste Kolel. O Rav Shach, após refletir por alguns instantes, respondeu que o ideal seria procurar um local bem visível, por onde muitas pessoas passassem durante o dia e durante a noite, e explicou:

- Se as luzes do Kolel estiverem acesas tarde da noite e as pessoas escutarem a melodia da Torá sendo estudada, elas receberão influencia para se fortalecerem no estudo e no cumprimento da Torá.

Certo dia, algum tempo depois da inauguração do Kolel, um velhinho com cerca de 70 anos de idade e aparentando não ser conhecedor da Torá entrou lá pela primeira vez. Ele pediu ao Rosh Kolel (rabino responsável) um professor que pudesse ensiná-lo a estudar o Talmud. Aos pouquinhos ele foi se aproximando da Torá e das Mitzvót e, em algumas semanas, este velhinho tinha mudado completamente sua vida. O Rosh Kolel, curioso, perguntou ao velhinho o que o havia motivado a ir estudar no Kolel. O velhinho explicou:

- Em 1948, eu fazia parte de uma unidade especial do exército de Israel que tinha como objetivo atacar e conquistar a Academia de Polícia Árabe. As duas primeiras tentativas foram desastrosas, causando muitas baixas na nossa unidade. Antes da terceira tentativa, um dos soldados da unidade, que era religioso, sugeriu que todos estudassem juntos algumas Mishnaiót (parte da Torá Oral) para o sucesso da missão. Ele leu as Mishnaiót em voz alta e com uma linda melodia por cerca de 15 minutos. Depois disso, quando finalmente atacamos a Academia de Polícia Árabe, obtivemos um grande e rápido sucesso.

- Nos últimos 50 anos eu desejei escutar novamente aquela maravilhosa melodia - continuou o velhinho - mas não sabia onde procurá-la, até que naquela noite eu estava passando pelo Kolel e pude ouvir aquela linda melodia sendo cantada por alguém que estudava. Foi por isso que eu entrei aqui pela primeira vez".

Cada bom ato que fazemos fica guardado para sempre. Não somente o bom ato, mas todas as consequências positivas que ele pode trazer. Aquele soldado religioso nunca sonhou que sua melodia ao estudar a Torá ajudaria, 50 anos depois, a aproximar um velho judeu que estava completamente afastado da Torá. (História Real, retirada do livro "Major Impact, de autoria do R' Dovid Kaplan)

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Na Parashá desta semana, Shoftim, a Torá nos ensina um pouco sobre as guerras do povo judeu. E um dos ensinamentos interessantes é em relação às pessoas que eram dispensadas da guerra. Entre elas estava a pessoa que sentia medo, como está escrito: "Quem é o homem que sente medo e amolece seu coração? Que ele volte para sua casa, e que não derreta o coração de seus companheiros como o seu coração" (Devarim 20:8). Em outras palavras, a Torá está dando a possibilidade a esta pessoa, que está com medo de ir para a guerra, de abandonar o campo de batalhas para não influenciar de maneira negativa seus companheiros, o que causaria uma reação em cadeia que prejudicaria todo o desempenho do exército.

Explica o Ramban (Nachmânides) que este versículo da Torá não está ensinando que a pessoa com medo tem a opção de voltar para casa. Segundo ele, esta é uma das 613 Mitzvót da Torá, isto é, havia uma proibição da Torá de causar medo em seus companheiros. Portanto, se uma pessoa sentia medo e mesmo assim não abandonava o campo de batalhas estava transgredindo uma das Mitzvót da Torá.

Ensina o Rav Chaim Shmulevitz que esta Mitzvá é mais abrangente e inclui qualquer tipo de comportamento nosso que influencie de maneira negativa as pessoas que nos veem. Isto se aplica até mesmo se a pessoa tem justificativas corretas para se comportar de certa maneira, mas que pode ser interpretado de maneira negativa pelas pessoas em volta. Por exemplo, alguém que sai mais cedo da Tefilá (reza), antes de terminar todas as partes necessárias, mesmo se o fizer pelos motivos corretos, passa para as pessoas em volta a impressão de que ele despreza estes momentos de conexão com D'us, e as pessoas podem aprender com ele a se comportar de maneira leviana no momento das rezas. O correto, portanto, seria a pessoa revelar para aqueles que rezam com ela qual o motivo que a faz sair mais cedo, tirando qualquer tipo de mal entendido.

Mas até onde vai a nossa responsabilidade em relação à influência que causamos aos outros? A resposta está na Amidá (reza silenciosa) de Mussaf que fazemos em Rosh Hashaná, o Dia do Julgamento, quando D'us julga todos os nossos atos. E assim falamos na Amidá: "(são lembrados) os atos do ser humano e suas contas". Que os atos da pessoa sejam lembrados no Dia do Julgamento é algo fácil de entender, mas o que significa que "suas contas" serão lembradas? Explica o Rav Chaim Vologziner que cada pessoa tem certo círculo de influências, que inclui sua família, seus amigos e qualquer pessoa que tenha contato com ela. A forma como ela influencia estas pessoas através de seus atos é chamado de "suas contas", e parte do julgamento de Rosh Hashaná é nesta área também. Isso quer dizer que se as pessoas se inspirarem nos nossos atos e assim melhorarem suas atitudes na vida, seremos recompensados por cada bom ato que elas fizerem, mas se as pessoas aprenderem de nós a se comportarem de uma maneira inadequada, então parte dos erros delas serão também cobrados de nós.

Mais do que isso, o Talmud ensina que o Livro da Vida e o Livro da Morte são abertos em Rosh Hashaná. Tossafot, um dos comentaristas do Talmud, explica que isto quer dizer que os mortos também são julgados em Rosh Hashaná. Mas pelo que eles são julgados, se já faleceram e não fazem mais nada? Mesmo depois da morte, os atos que uma pessoa fez em vida podem influenciar outras pessoas, positivamente ou negativamente. Por isso os mortos também são julgados em Rosh Hashaná, não pelos seus próprios atos, mas pelos atos que foram cometidos por outras pessoas em consequência de sua influência.

Além do benefício direto de todos os méritos que recebemos ao influenciar positivamente outras pessoas, há outro grande benefício em ser um modelo de boa conduta para os outros. Existe uma Mitzvá da Torá de dar uma bronca em alguém que fez algo errado, como está escrito "Advirta seu companheiro, para que a transgressão não recaia sobre você" (Vayikrá 19:17). Porém, é muito difícil cumprir esta Mitzvá sem magoar ou envergonhar a pessoa que errou. Então como cumprir esta Mitzvá sem correr o risco de cometer a transgressão de ofender o próximo? De acordo com o Rav Aron Kotler, quando uma pessoa se comporta intencionalmente de maneira exemplar em certa área, com o objetivo de se tornar um modelo de boa conduta para pessoas que insistem em cometer certos tipos de erro, então é considerado como se a pessoa tivesse cumprido a Mitzvá de advertir o próximo, sem correr o risco de causar qualquer constrangimento ou mágoa. Por exemplo, aquele que é cuidadoso em nunca falar nem escutar Lashon Hará (maledicência sobre outras pessoas) faz com que sua mera presença seja um lembrete e um "puxão de orelha" naqueles que gostam de falar Lashon Hará, e certamente eles não se atreverão a transgredir diante desta pessoa. Assim as pessoas melhorarão seus atos mesmo sem a necessidade de efetivamente receberem uma bronca.

Portanto, temos uma grande responsabilidade na vida, e em especial no mês de Elul, o último mês do ano, a preparação final para o nosso Julgamento de Rosh Hashaná. Como sempre há alguém nos observando em praticamente tudo o que fazemos em nossa vida, é importante sermos cuidadosos em cada pequeno ato, para termos a certeza de que estamos sempre influenciando as pessoas à nossa volta para o bem. Pois como ensina o ditado, um ato vale mais do que mil palavras.

SHETIKATEV VETECHATEM BESSEFER CHAIM TOVIM (Que sejamos inscritos e selados no Livro da Vida)

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
São Paulo: 17h27  Rio de Janeiro: 17h15  Belo Horizonte: 17h21  Jerusalém: 18h53
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Aviva (Jackelin) bat Mirta, Ester bat Rivka, Aron Natan ben Avraham, Clarice Chaia bat Nasha Blima, Rena bat Salk, Duvid ben Rachel, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Haya bat Rahel, Avraham ben Miriam, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Shimshon ben Nechuma, Pece bat Geni, Baruch ben Yaacov, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Sara Myriam bat Dina.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Avraham ben Ytzchak, Joyce bat Ivonne, Feiga bat Guedalia, Chana bat Dov, Kalo (Korin) bat Sinyoru (Eugeni), Leica bat Rivka, Guershon Yossef ben Pinchas; Dovid ben Eliezer, Reizel bat Beile Zelde, Yossef ben Levi, Eliezer ben Mendel, Menachem Mendel ben Myriam, Ytzhak ben Avraham, Mordechai ben Schmuel, Feigue bat Ida, Sara bat Rachel, Perla bat Chana, Moshé (Maurício) ben Leon, Reizel bat Chaya Sarah Breindl; Hylel ben Shmuel; David ben Bentzion Dov, Yacov ben Dvora; Moussa HaCohen ben Gamilla, Naum ben Tube (Tereza); Naum ben Usher Zelig; Laia bat Morkdka Nuchym; Rachel bat Lulu; Yaacov ben Zequie; Moshe Chaim ben Linda; Mordechai ben Avraham; Chaim ben Rachel; Beila bat Yacov; Itzchak ben Abe; Eliezer ben Arieh; Yaacov ben Sara, Mazal bat Dvóra, Pinchas Ben Chaia, Messoda (Mercedes) bat Orovida, Avraham ben Simchá, Bela bat Moshe, Moshe Leib ben Isser, Miriam bat Tzvi, Moises ben Victoria, Adela bat Estrella, Avraham Alberto ben Adela, Judith bat Miriam, Sara bat Efraim, Shirley bat Adolpho, Hunne ben Chaim, Zacharia ben Ytzchak, Aharon bem Chaim, Taube bat Avraham, Yaacok Yehuda ben Schepsl, Dvoire bat Moshé, Shalom ben Messod, Yossef Chaim ben Avraham, Tzvi ben Baruch, Gitl bat Abraham, Akiva ben Mordechai, Refael Mordechai ben Leon (Yehudá), Moshe ben Arie, Chaike bat Itzhak, Viki bat Moshe, Dvora bat Moshé, Chaya Perl bat Ethel, Beila Masha bat Moshe Ela, Sheitl bas Iudl, Boruch Zindel ben Herchel Tzvi, Moshe Ela ben Avraham, Chaia Sara bat Avraham, Ester bat Baruch, Baruch ben Tzvi, Renée bat Pauline, Menia bat Toube, Avraham ben Yossef, Zelda bat Mechel, Pinchas Elyahu ben Yaakov, Shoshana bat Chaskiel David, Ricardo ben Diana, Chasse bat Eliyahu Nissim, Reizel bat Eliyahu Nissim, Yossef Shalom ben Chaia Musha, Amelia bat Yacov, Chana bat Cheina, Shaul ben Yoshua, Milton ben Sami, Maria bat Srul, Yehoshua Reuven ben Moshe Eliezer, Chaia Michele bat Eni, Arie Leib ben Itschak, Chaia Ruchel bat Tsine, Malka bat Sara, Penina bat Moshe, Schmuel ben Beniamin, Chaim ben Moshe Leib.
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