quinta-feira, 22 de julho de 2021

TAPAS QUE SALVAM - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAETCHANAN 5781

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ASSUNTOS DA PARASHÁ VAETCHANAN
  • Moshé implora para entrar na Terra de Israel.
  • Fundamentos da Emuná.
  • Obediência a D'us.
  • Exílio e Retorno.
  • Cidades de Refúgio.
  • Repetição dos Dez Mandamentos.
  • Shemá Israel.
  • Mitzvá da Mezuzá.
  • Perigos da Prosperidade.
  • Recordando o Êxodo e transmitindo para as futuras gerações.
  • Advertência contra a assimilação quando entrarem na Terra de Israel.
BS"D

TAPAS QUE SALVAM - PARASHÁ VAETCHANAN 5781 (23 de julho de 2021)


Em 1812, o exército francês cercou Moscou. O exército russo defendeu a cidade com valentia e o cerco acabou estendendo-se por muito tempo. O rigoroso inverno russo estava se aproximando e as tropas francesas estavam com a moral em baixa. Muitos oficiais aconselharam Napoleão Bonaparte a abandonar o cerco e recuar.

- O que vocês estão dizendo faz sentido - admitiu Napoleão - porém, antes eu gostaria de descobrir como está a moral dos soldados russos, para poder tomar uma decisão.

Mas como seria possível saber qual era o nível da moral dos soldados russos? A única maneira seria verificando pessoalmente. Então Napoleão e alguns oficiais escolhidos a dedo disfarçaram-se de camponeses russos e entraram na cidade. Eles seguiram alguns soldados russos até uma taverna e sentaram para ficar escutando a conversa deles. Não levou muito tempo para escutarem os soldados reclamando da fome pela qual estavam passando e da vontade coletiva de se render. Radiantes de alegria, Napoleão e seus companheiros se levantaram para sair. De repente, um dos soldados russos viu Napoleão e, apontando para ele, começou a gritar:
 
- Camaradas, esse é o Napoleão!
 
Seus amigos começaram a rir e debochar dele, achando que ele estava bêbado. Porém, o soldado insistiu, dizendo que, quando esteve na França, tinha visto Napoleão pessoalmente. Ele tinha certeza que aquele era Napoleão! Mas os amigos não acreditavam. O que o Imperador da França estaria fazendo em uma taverna russa? O soldado russo insistiu, deixando Napoleão preocupado. Se ele fosse descoberto, seria capturado e morto. Enquanto os soldados russos discutiam, Napoleão e seus oficiais rapidamente bolaram um plano.

- Ei, Sasha - disse um dos oficiais franceses a Napoleão - venha cá!

Napoleão, fingindo-se de bêbado, derramou um copo de vodka na camisa do oficial. O oficial, fingindo estar irritado, deu um berro e um tapa na cara de Napoleão, derrubando-o no chão. Então ele começou a chutá-lo, gritando: "Seu bêbado desgraçado, tome isto e mais isto!". O espetáculo chamou a atenção dos soldados russos.

- Olhe só, Bóris - um deles gritou, gargalhando - Aí está o seu Napoleão! É assim que eles tratam o Imperador?
 
Ao ver aquela cena, os soldados perderam o interesse em Napoleão e ele conseguiu escapar. Ao retornarem ao acampamento, o oficial que havia batido em Napoleão se ajoelhou e implorou por perdão.

- Perdoar? - disse Napoleão - Eu devo minha vida a você, pois foram estes tapas e pontapés que me salvaram!"

Às vezes também recebemos "tapas" de D'us. Mas precisamos saber que é por bondade e misericórdia que Ele nos bate, para nos ajudar e, muitas vezes, salvar nossas vidas, tanto fisicamente quanto espiritualmente.

Nesta semana lemos a Parashá Vaetchanan (literalmente "E eu implorei"), que continua trazendo os últimos discursos de Moshé antes do seu falecimento e da entrada do povo judeu na Terra de Israel. Moshé continua relembrando os principais acontecimentos dos últimos 40 anos, entre eles o decreto de D'us de que ele não poderia entrar na Terra de Israel junto com o povo, por ter tirado água golpeando a pedra. Moshé implorou para que D'us o permitisse entrar na Terra de Israel, mas a resposta foi negativa. Logo depois D'us pediu para Moshé subir em uma montanha e olhar para a Terra de Israel. Aconteceu então um grande milagre e Moshé conseguiu ver toda a Terra de Israel, incluindo cada pequeno detalhe. Mas para que foi necessário este milagre?
 
Além disso, será que este milagre não causou mais sofrimento em Moshé? Quando alguém está jejuando, a fome começa a apertar na hora do almoço. Se alguém aparecesse com uma refeição apetitosa, com um cheiro delicioso, não seria ainda mais difícil aguentar o jejum? Da mesma forma, Moshé já havia recebido o duro castigo de não entrar na Terra de Israel. Se já não bastasse isso, D'us ainda ordenou que ele subisse em uma montanha e olhasse para a Terra de Israel. Isso não causou ainda mais vontade em Moshé, aumentando seu sofrimento? Se Moshé não iria entrar, será que não era melhor nem ter visto a Terra de Israel?
 
Outro detalhe importante é que este Shabat também é chamado de "Shabat Nachamu" ("Consolem-se"), por causa das palavras iniciais da Haftará lida na semana, na qual o profeta Yeshayahu consola o povo judeu pela destruição do nosso Primeiro Beit Hamikdash. Mas qual é a conexão deste conceito do consolo do povo judeu com o duro decreto de Moshé e o sofrimento dele ter visto a Terra de Israel sem poder entrar?
 
Antes de tudo, precisamos entender por que Moshé queria tanto entrar na Terra de Israel. Será que era para comer dos seus frutos deliciosos ou para olhar suas belas paisagens? O Talmud (Sotá 14a) ensina que o desejo de Moshé de entrar na Terra de Israel era para ter a oportunidade de cumprir todas as Mitzvót da Torá, já que muitas só podem ser cumpridas dentro da Terra de Israel, como a Mitzvá de Shemitá (Ano Sabático). Apesar da insistência, demonstrando o amor de Moshé pelas Mitzvót, a reposta de D'us foi negativa. Mas o Talmud diz que D'us tranquilizou Moshé: "Você está preocupado com a recompensa do cumprimento das Mitzvót que só podem ser feitas dentro da Terra de Israel? Não se preocupe, vou considerar como se você tivesse cumprido todas elas". Por que D'us considerou que Moshé cumpriu todas as Mitzvót, mesmo as que ele não teve a oportunidade de cumprir?
 
A mesma pergunta surge em relação a Yaacov Avinu. Quando Yaacov estava voltando para casa, depois de passar 20 anos na casa de seu tio Lavan, ele pediu para que seus mensageiros dissessem para seu irmão Essav: "Com Lavan morei e demorei até agora" (Bereshit 32:5). Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que a palavra "Morei", em hebraico "Garti", tem o valor numérico de 613, o mesmo número de Mitzvót da Torá. Yaacov estava mandando uma mensagem para Essav: "Mesmo morando na casa de um perverso, eu cumpri todas as Mitzvót da Torá". Yaacov quis dizer para Essav que ele tinha uma proteção Divina especial por ter cumprido a vontade de D'us mesmo vivendo entre pessoas perversas. Porém, se Yaacov estava fora de Eretz Israel, então era impossível ele ter cumprido todas as Mitzvót da Torá, já que muitas delas só podem ser cumpridas em Israel. Então como entender a mensagem que Yaacov mandou para Essav? Como ele pode ter cumprido todas as Mitzvót?
 
A resposta é que muitas vezes queremos cumprir uma Mitzvá, mas somos impedidos por motivos de força maior e situações que estão fora do nosso controle. Por exemplo, uma pessoa vai ao hospital visitar seu amigo doente, querendo cumprir a Mitzvá de "Bikur Cholim", mas ao chegar ao hospital recebe a notícia que o paciente já não pode mais receber visitas. Neste caso, quando alguém fez de tudo o que poderia para cumprir uma Mitzvá, mas foi impedido por uma força maior, nos Céus é considerado como se esta Mitzvá tivesse sido cumprida. Outro exemplo é que estamos obrigados a habitar na Sucá, uma cabana temporária, durante os 7 dias da Festa de Sucót. Porém, quando chove ou as condições climáticas não permitem que a pessoa permaneça na Sucá, ela está isenta. Nossos sábios ensinam que, neste caso, devemos sair da Sucá com dor e pesar, de cabeça baixa, e não com um sentimento de "estou livre". Se a pessoa sofre por não estar conseguindo cumprir uma Mitzvá, como Yaacov Avinu, então é considerado como se ela estivesse efetivamente cumprindo-a de maneira plena. De acordo com os nossos sábios, quanto maior o esforço e o sofrimento para cumprir uma Mitzvá, maior a sua recompensa.
 
Desta maneira entendemos o motivo pelo qual D'us mostrou a Terra de Israel para Moshé. Não foi para fazê-lo sofrer à toa, e sim para lhe dar mais recompensa pelas Mitzvót. Ele não poderia cumpri-las por motivo de força maior, pois D'us o havia impedido de entrar na Terra de Israel. Mas Moshé havia feito tudo o que podia para cumpri-las. E, justamente por causa do sofrimento que Moshé sentiu por não conseguir cumpri-las, elas tiveram ainda mais valor. Ver a Terra de Israel e as Mitzvót que ele poderia ter feito causou uma tristeza profunda em Moshé, que depois foi transformada em méritos espirituais, que embelezaram ainda mais as Mitzvót.
 
Este ensinamento da Parashá carrega três mensagens importantes. Em primeiro lugar, nos ensina a não sermos precipitados no nosso julgamento. O que parecia uma crueldade de D'us, de causar a Moshé um sofrimento desnecessário, se mostrou uma enorme bondade oculta. Precisamos sempre julgar todos para o bem, especialmente D'us, pois tudo o que Ele faz é por bondade, é com perfeição e uma visão completa e ilimitada. Além disso, nos ensina o amor que devemos sentir pelas Mitzvót. Quando não tivermos a possibilidade de cumpri-las, devemos sofrer por isso, e não nos alegrarmos com o sentimento de estarmos "livres de um peso".
 
Finalmente, este ensinamento nos ajuda a responder uma das perguntas filosóficas que mais afligem a humanidade: "Por que pessoas boas sofrem?". Temos uma visão limitada dos sofrimentos. Muitas vezes, quando passamos por sofrimentos, questionamos a bondade de D'us. Porém, isso é um grande equívoco, pois sofrimentos podem ser amargos, mas são para o nosso benefício. O Talmud (Brachót 33b) ensina que devemos agradecer pelas coisas "ruins" da mesma forma que agradecemos pelas coisas boas, pois, em última instância, tudo é para o bem. Remédios podem ser amargos, mas não são ruins, pois salvam. Da mesma maneira, os sofrimentos são um remédio que nos salva, fisicamente e espiritualmente. Esse entendimento é o verdadeiro consolo do povo judeu. A destruição dos nossos Templos foram tapas dados por D'us para nos despertar e nos ajudar a reajustar o nosso foco. Que possamos nos consolar neste Shabat, pois todo aquele que se enluta pela destruição de Jerusalém certamente terá a alegria de ver sua reconstrução.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

 

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quinta-feira, 15 de julho de 2021

NÃO PERCA O FOCO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5781

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ASSUNTOS DA PARASHÁ DEVARIM
  • Moshé começa a relembrar principais acontecimentos.
  • Bronca "encoberta" de Moshé.
  • Apontando juízes sobre o povo.
  • Episódio dos espiões.
  • Encontro com Essav (Terra de Seir).
  • Encontro com Moav.
  • Encontro com Amon.
  • A conquista de Og.
  • A herança das Tribos de Reuven, Gad e metade de Menashe.
BS"D

NÃO PERCA O FOCO - PARASHÁ DEVARIM E TISHÁ BE AV 5781 (16 de julho de 2021)


David, um jovem frequentador da sinagoga, foi falar com o rabino. Com o semblante bastante carregado e visivelmente incomodado, ele disse que não pretendia nunca mais voltar naquela sinagoga.
 
- Mas por que? - perguntou o rabino, assustado - O que aconteceu de tão grave?
 
- Não aconteceu nada grave, mas cansei desse lugar - respondeu David - Há um frequentador que está sempre falando mal dos outros. Há outro frequentador que não sabe conduzir a Tefilá. Mas o pior são as pessoas que, durante a Tefilá, ficam olhando o celular. Isso apenas para citar alguns exemplos, entre tantas e tantas coisas erradas que eu vejo as pessoas fazendo nesta sinagoga. Não aguento mais ver isso toda vez!
 
- Ok, se você quer ir embora, não vou te impedir - disse o rabino, com serenidade - Mas antes quero que você me faça um último favor. Pegue uma colher cheia de água e dê três voltas pela sinagoga, quando estiver lotada, sem derramar nenhuma gota de água no chão. Depois disso, você pode ir embora.
 
David não entendeu o que o rabino queria. Porém, em respeito, fez o que ele pediu. David esperou pelo momento no qual a sinagoga estava cheia e deu as três voltas segurando uma colher cheia de água, concentrado para que nenhuma gota caísse. Quando terminou, o rabino perguntou:
 
- Quando você estava dando as voltas, por acaso você viu algum judeu falando mal dos outros? Talvez você viu se a pessoa que estava conduzindo a Tefilá rezou direito? Ou você percebeu alguém olhando o celular?
 
- Não vi nada disso - respondeu David.
 
- Sabe por que? - concluiu o rabino - Pois você estava focado na colher, para não derramar a água. O mesmo ocorre em nossas vidas. Quando mantemos o foco em cumprir nossos objetivos espirituais, então não temos tempo para ver os erros dos outros. Se você está enxergando tantos erros nos outros, é sinal que perdeu completamente o foco. Isto significa que o problema não está nos outros, está em você mesmo.

Nesta semana começamos o último livro da Torá, Devarim, que traz os discursos finais de Moshé Rabeinu antes do seu falecimento e da entrada do povo judeu na Terra de Israel. E na Parashá desta semana, Devarim (literalmente "Palavras"), Moshé dá uma bronca no povo por alguns erros que eles cometeram durante os 40 anos em que permaneceram no deserto. Um dos erros que Moshé chamou a atenção do povo foi o envio dos espiões, quando estavam prestes a entrar em Israel. Dos 12 espiões enviados, 10 voltaram falando mal da terra, afirmando ser impossível conquistá-la, pois as cidades eram extremamente fortificadas e eram habitadas por gigantes. A consequência foi que o povo inteiro chorou em vão, dizendo: "D'us nos tirou do Egito por ódio, para nos matar no deserto". Mesmo após tantos milagres e bondades de D'us, o povo judeu não soube reconhecer e agradecer. D'us então disse ao povo judeu: "Hoje vocês choraram sem motivo. Darei para vocês, nas futuras gerações, motivos para chorar". Este dia era Tishá Be Av.
 
Talvez este é um dos motivos pelo qual sempre lemos a Parashá Devarim antes de Tishá Be Av, que neste ano começa logo após o término do Shabat (17 de julho). É um dia de choro e de luto, no qual nos abstemos de comer e beber, de vestir sapatos de couro, de relações maritais, de nos lavarmos por prazer e de passarmos óleo e cremes no corpo. Além de nos enlutarmos também por outras tragédias, choramos em especial pela perda dos nossos dois Templos Sagrados, que foram destruídos exatamente em Tishá Be Av, conforme D'us havia profetizado que teríamos realmente motivos para chorar neste dia. Este choro já se estende por quase dois mil anos. Por que não conseguimos ainda ter méritos para nos alegrarmos com a reconstrução do nosso Templo Sagrado?
 
Para responder esta pergunta, precisamos entender os motivos que levaram à destruição do nosso Templo. O Talmud (Gitin 55b) descreve muitos detalhes das tragédias que ocorreram na época da destruição dos dois Templos Sagrados. Dois judeus, Kamtza e Bar Kamtza, são identificados como os responsáveis pela destruição de Jerusalém. O Talmud descreve com detalhes o incidente envolvendo estes dois judeus, que culminou com a destruição de Jerusalém e do Segundo Templo. Um indivíduo organizou uma festa e enviou seu empregado para convidar Kamtza, seu amigo. No entanto, o empregado cometeu um grande equívoco e convidou Bar Kamtza em seu lugar, alguém que era inimigo do dono da festa. Bar Kamtza foi à festa, talvez entendendo que o anfitrião queria fazer as pazes. Porém, quando o anfitrião viu Bar Kamtza sentado entre seus convidados, ele proclamou: "Por acaso este homem não é inimigo daquele homem? O que você está fazendo aqui?". Apesar de Bar Kamtza ter implorado para não ser humilhado publicamente, o anfitrião o expulsou da festa de maneira vergonhosa, diante de todos os outros convidados, que também nada fizeram. O Talmud relata que, para se vingar de sua humilhação pública, Bar Kamtza foi às autoridades romanas e caluniou os judeus, o que acabou resultando na trágica destruição de Jerusalém.
 
Porém, este incidente desperta muitos questionamentos. Em primeiro lugar, segundo o Talmud (Yoma 9b), o Segundo Templo foi destruído como resultado do "Sinat Chinam", o "ódio gratuito e infundado". Mas o que significa um "ódio gratuito e infundado"? Normalmente, todo ódio que uma pessoa sente é tem algum motivo por trás, como uma briga ou um desentendimento. A menos que a pessoa tenha tendências psicopatas, por que alguém odiaria outra pessoa sem motivos? Então o que significa o termo "ódio gratuito e infundado"? Além disso, qual é a relação entre o incidente de Kamtza e Bar Kamtza, trazido por uma fonte do Talmud como sendo o motivo da destruição do Segundo Templo, e o ódio infundado, o motivo trazido por outra fonte do Talmud? O Talmud indica que já havia algum problema entre o anfitrião e Bar Kamtza, tanto que o convite ocorreu apenas por um equívoco do empregado. Se já existia uma briga e algum motivo de descontentamento anterior, por que este incidente está relacionado com o "ódio infundado" que destruiu o Templo?
 
Também nos chama a atenção a reação do dono da festa. Ao se deparar com Bar Kamtza, ele disse: "Por acaso este homem não é inimigo daquele homem? O que você está fazendo aqui?". Esta reação requer uma reflexão. O entendimento mais superficial destas palavras é que o anfitrião se refere a si mesmo em terceira pessoa, identificando Bar Kamtza como sendo seu inimigo. Porém, por que o anfitrião se referiria a si mesmo na terceira pessoa, como "aquele homem", ao invés de simplesmente dizer "Este homem é meu inimigo"? Além disso, se este é um exemplo de ódio infundado, a reação do dono da festa deveria ter sido mais visceral e explosiva. Mas aparentemente o homem foi extremamente comedido e falou inclusive em um tom "filosófico" e racional. O ódio não deveria fazer a reação ter sido mais violenta?
 
Finalmente, por que Kamtza e Bar Kamtza são apontados pelo Talmud como os responsáveis pela destruição de Jerusalém? O dono da festa não deveria ter sido responsabilizado no lugar de Kamtza? Afinal, o que Kamtza fez de errado, além de ter um nome parecido com Bar Kamtza?
 
Explica o Rav Yochanan Zweig que realmente uma pessoa normal geralmente não nutre sentimentos de ódio por outro ser humano a menos que perceba que aquele indivíduo a prejudicou de alguma maneira. No entanto, há uma exceção a esta regra, algo que, infelizmente, já dividiu muitas comunidades judaicas em todo o mundo: a percepção de que os amigos de uma pessoa não podem se associar aos inimigos dela, pois isto seria visto como um ato de traição. A pessoa espera que seus amigos sintam o mesmo desdém que ela sente por seus inimigos, isto é, que odeiem seus inimigos simplesmente porque ela os odeia, que "comprem sua briga", mesmo que não tenham nada a ver com a história. Isso é "Sinat Chinam", um ódio sem nenhum motivo.
 
Desta maneira podemos entender o que o Talmud está nos ensinando. A disputa original era entre Kamtza e Bar Kamtza, conforme indicado pela reação do anfitrião: "Por acaso este homem (Bar Kamtza) não é inimigo daquele homem (Kamtza)?". O anfitrião não estava se referindo a si mesmo na terceira pessoa, ao contrário, ele estava se referindo ao seu amigo Kamtza. Portanto, o anfitrião não reagiu emocionalmente e de forma explosiva, e sim com a compreensão intelectual de que, sendo Bar Kamtza inimigo de seu amigo Kamtza, ele também deveria odiar Bar Kamtza. É por esta razão que o Talmud afirma que Jerusalém foi destruída por causa de Kamtza e Bar Kamtza. Foi a disputa deles, juntamente com a insistência de Kamtza para que seus amigos "comprassem sua briga" e não se associassem ao seu inimigo Bar Kamtza, que causou o ódio no dono da festa. Um ódio gratuito e infundado, pois Bar Kamtza nunca havia feito nada de mal ao anfitrião.
 
Se quase dois mil anos se passaram e não tivemos o mérito de reconstruir o nosso Templo Sagrado, isso é sinal de que ainda não conseguimos consertar este ódio gratuito. O ódio gratuito está em comprarmos brigas que não são nossas, em tomar partidos em discussões que não nos dizem respeito. O ódio gratuito está em perdermos o foco, pois ao invés de prestarmos atenção nos nosso próprios erros e defeitos, prestamos atenção nos erros e defeitos dos outros. Somente quando estivermos mais preocupados com os nossos objetivos e com o conserto dos nossos próprios erros é que estaremos dando a nossa verdadeira contribuição para a reconstrução do nosso Templo Sagrado. Que seja em breve.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

 

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