quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

QUEM FAZ BONDADE RECEBE BONDADE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT SHEMOT 5779

BS"D
Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
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Parashat Shemot 5779 - R' Efraim Birbojm - Shaarei Biná Brasil

QUEM FAZ BONDADE RECEBE BONDADE - PARASHAT SHEMOT 5779 (28 de dezembro de 2018)

André estava com muita fome, mas como estava atrasado, teria que levar algo para comer no escritório. Resolveu passar por uma famosa lanchonete, onde pediu um sanduíche que estava sonhando há muito tempo. Era um sanduíche com vários tipos de recheio no croissant. Quando ficou pronto, André sentiu o cheiro maravilhoso vindo do embrulho bem quentinho. Ele mal podia esperar para comer.
 
Assim que saiu da lanchonete e atravessou a rua, André deu de cara com um mendigo idoso sentado no ponto de ônibus. Ele parecia faminto, provavelmente não comia nada há um bom tempo. Olhou para o seu sanduíche e imaginou que aquela seria a única refeição do dia daquele senhor. Juntando forças, André abriu mão de seu sanduíche e deu o embrulho para o pobre, que olhou para ele com um olhar de agradecimento sincero.

André ficou feliz com sua atitude. Enquanto se afastava, a única preocupação era que ele ficaria sem almoço, pois estava sem dinheiro na carteira para comprar outro sanduíche. Mas nem tudo estava perdido. O lindo gesto de André não passou despercebido pelo gerente da lanchonete. Ele pediu para que um de seus funcionários chamasse André. Com um grande sorriso, deu a ele outro sanduíche, como cortesia pelo seu belo ato. Certamente aquele o segundo sanduíche estava ainda mais gostoso do que o primeiro. André aprendeu que bons atos acrescentam gosto à nossa vida.

Isto nos recorda um dos mais importantes ensinamentos judaicos: "Aquele que faz bondades recebe bondades".

Nesta semana começamos o segundo livro da Torá, Shemot, que descreve a escravidão dos judeus no Egito e a posterior salvação do povo, sob a liderança de Moshé Rabeinu, com muitos milagres e sinais de D'us. E a Parashat desta semana, Shemot (literalmente "Nomes") é chamada desta maneira justamente por começar listando os nomes dos filhos de Yaacov que foram ao Egito, dando início ao processo que culminaria com o primeiro grande exílio do povo judeu, como está escrito: "Estes são os nomes dos Filhos de Israel que vieram ao Egito; com Yaacov, cada homem e sua família: Reuven, Shimon, Levi e Yehudá. Issachar, Zevulun e Biniamin. Dan, Naftoli, Gad e Asher" (Shemot 1:1-4).

Há na Torá alguns pequenos detalhes que carregam incríveis ensinamentos. Por exemplo, se prestarmos atenção nestes versículos, perceberemos que há algo estranho com a ordem na qual a Torá separou os filhos de Yaacov. Por exemplo, na Parashat Vaishlach, quando Yaacov voltou com a sua família para novamente viver na Terra de Israel, a Torá também listou seus 12 filhos. Porém, naqueles versículos existe uma lógica na ordem utilizada pela Torá. Em um versículo a Torá agrupou Reuven, Shimon, Levi, Yehudá, Issachar e Zevulun, os filhos de Leá. Yossef e Biniamin foram agrupados em outro versículo, pois eram filhos de Rachel. Dan e Naftoli estão juntos em um terceiro versículo, pois eram filhos de Bilá, a escrava de Rachel que havia se casado com Yaacov. Finalmente Gad e Asher estão juntos no último versículo, pois eram filhos de Zilpá, a escrava de Leá que havia se casado com Yaacov. Porém, qual é a lógica utilizada na Parashat desta semana, na qual Issachar e Zevulun, os dois últimos filhos de Leá, estão agrupados com Biniamin, o filho de Rachel?

Além disso, há algo também difícil de ser entendido em relação ao nascimento dos filhos de Yaacov. Após Leá dar à luz seu quarto filho, Yehudá, a Torá afirma que "ela parou de ter filhos" (Bereshit 29:35). Porém, sabemos que depois disso ela ainda teve mais dois filhos. Então por que a Torá quis ressaltar que ela parou de ter filhos se, futuramente, ela voltaria a dar à luz outros filhos?

A resposta está no entendimento mais profundo de um versículo que descreve a família de Nachor, o irmão de Avraham Avinu, no final da Parashat Vayerá (Bereshit 22:20). Nachor teve um total de 12 filhos, sendo 8 com sua esposa Milcá e 4 com sua concubina, Reumá.  Rashi (França, 1040 - 1105) explica que há um paralelo entre os 12 filhos de Nachor e os 12 descendentes de Avraham que dariam origem às 12 tribos de Israel. Mantendo a mesma proporção dos filhos de Nachor, também os 12 filhos de Yaacov seriam divididos em 8 filhos nascidos das suas esposas, Rachel e Leá, e 4 filhos nascidos das escravas de suas esposas, Bilá e Zilpá.
 
Mas há algo nesta comparação que não faz muito sentido. Antigamente um homem podia se casar com mais de uma mulher. Além disso, não necessariamente o casamento com todas as mulheres seguia o mesmo padrão. Existia a possibilidade da mulher se tornar oficialmente uma esposa, e para isto o marido se comprometia a cuidar das necessidades dela através de um documento chamado "Ketubá", ou a mulher poderia se tornar apenas uma concubina, em um casamento um pouco mais informal, sem uma "Ketubá". A palavra que a Torá utiliza para concubina é "Pileguesh", que pode ser dividida em duas palavras, "Plag" (Metade) e "Ishá" (Esposa), isto é, a concubina é considerada uma "meia esposa" e daria à luz metade dos filhos do que a esposa. Foi o que ocorreu na família de Nachor, pois enquanto sua esposa teve 8 filhos, a concubina teve apenas 4 filhos. Rashi explica que, paralelamente, esta proporção também deveria ter se mantido nos descendentes de Avraham. Porém, se as escravas tiveram 2 filhos cada uma, então as esposas deveriam ter 4 filhos cada uma. Por que Leá teve 6 filhos, enquanto Rachel teve apenas 2 filhos? Onde está o paralelo apresentado por Rashi?

Explica o Rav Yohanan Zweig que realmente Leá deveria ter apenas 4 filhos e os outros 4 seriam de Rachel. A "mudança" dos planos de D'us ocorreu após certo evento que, sob um olhar superficial e desatento, não parece ter grande importância. A Torá (Bereshit 30:14) descreve que certa vez Reuven, filho de Leá, encontrou no campo algumas flores chamadas "Dudaim", conhecidas por sua propriedade de aumentar a fertilidade das mulheres, e levou-as para sua mãe. Ao ver as flores, Rachel, que até aquele momento ainda não tinha filhos, pediu-as para Leá, com a esperança de que desta maneira conseguiria engravidar. Leá entrou em um grande dilema. Por um lado, Rachel era sua "concorrente", era o motivo pelo qual seu marido Yaacov não a amava tanto quanto ela gostaria. Ter muitos filhos, enquanto sua irmã não conseguia engravidar, era justamente um diferencial que poderia fazer com que Yaacov a amasse mais. Por outro lado, ela via o sofrimento de Rachel, pois até mesmo as escravas tinham filhos com Yaacov, mas ela não conseguia engravidar. Após uma intensa luta interna, Leá finalmente teve misericórdia de sua irmã e deu a ela as flores.
 
Este incrível ato não passou despercebido aos olhos de D'us. A Torá descreve, logo em seguida, que Leá teve mais dois filhos, Issachar e Zevulun. O nome "Issachar" pode ser dividido em 2 palavras, "Iesh Sachar", que literalmente significa "tem recompensa". Isto nos ensina que o nascimento de Issachar foi uma recompensa pelo ato bondoso de Leá, de abrir mão das flores e doá-las para sua irmã. De acordo com o Rav Ovadia Sforno zt"l (Itália, 1475-1550), também Zevulun nasceu pelos méritos de Leá ter dado as flores para a sua irmã. O nome Zevulun vem de "Zevadani Hashem", que significa "D'us me deu", demonstrando que seu nascimento também foi consequência do bom ato de Leá.

Isto nos ensina algo impressionante. Issachar e Zevulun deveriam ter sido filhos de Rachel, de forma que cada esposa teria 4 filhos, enquanto cada escrava teria a metade, 2 filhos. É por isso que, após Leá ter o quarto filho, Yehudá, a Torá ressaltou que ela parou de dar à luz, pois aquele deveria ter sido seu último filho. Foi somente depois daquele incrível ato de doação, dela ter dado as flores para sua "concorrente", que ela ganhou os méritos necessários para ter mais dois filhos.
 
Desta forma podemos entender a ordem dos nomes descritos no início da nossa Parashat. O primeiro versículo descreve o nome dos 4 filhos que nasceram de Leá. O segundo versículo, que junta Biniamin com Issachar e Zevulun, descreve o nome dos filhos que originalmente deveriam ter nascido de Rachel. Yossef não aparece nesta lista, pois como ele já estava vivendo há 22 anos no Egito, seu nome não estava entre os que foram naquele momento para o "exílio". Finalmente, o próximo versículo descreve os filhos das escravas.

Apesar da "mudança de planos", D'us ainda manteve na família de Yaacov a mesma proporção da família de Nachor, isto é, as esposas deveriam ter o dobro de filhos que as concubinas. Das 70 pessoas que desceram ao Egito, 32 faziam parte dos filhos de Leá e suas famílias, enquanto os filhos de Zilpá e suas famílias totalizavam 16 pessoas, exatamente a metade. Já os filhos de Rachel e suas famílias totalizavam 14 pessoas, enquanto os filhos de Bilá e suas famílias totalizavam 7 pessoas, também exatamente a metade.

Daqui aprendemos dois ensinamentos incríveis para nossa vida. Em primeiro lugar, D'us tem controle sobre absolutamente tudo o que ocorre e cada pequeno detalhe segue Seus planos. Além disso, aprendemos que, quando fazemos atos de Chessed (bondade), achamos que somos nós que estamos fazendo algo de bom pelos outros. Porém, o que ocorre é justamente o contrário. Quando fazemos uma bondade, os maiores beneficiados somos nós mesmos. Nada passa despercebido aos olhos de D'us e tudo o que fazemos de bom fica guardado, nos trazendo muitos méritos, para este mundo e para o Mundo Vindouro. Como afirmam os nossos sábios: "Todo aquele que faz bondades recebe bondades".
 
Devemos fazer o bem para nos assemelharmos a D'us e para construirmos um mundo melhor. Devemos querer ajudar os outros sem esperar receber nada em troca. Porém, podemos ter a tranquilidade de saber que D'us vê todas as nossas bondades e, no momento certo, nos dará o devido pagamento.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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São Paulo: 19h36  Rio de Janeiro: 19h20  Belo Horizonte: 19h16  Jerusalém: 16h08
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara, Chana Mirel bat Feigue, Eliezer ben Shoshana, Mache bat Beile Guice.
 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l, Shlomo ben Salha z"l, Yechiel Mendel ben David z"l, Faiga bat Mordechai HaLewy z"l.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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