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sexta-feira, 4 de setembro de 2026

UM SÓ HOMEM, UM SÓ CORAÇÃO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIOT NITSAVIM E VAYELECH 5786

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Sr. Avraham Favel ben Arieh z"l 

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PARASHIÓT NITSAVIM E VAYELECH 5786


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NITSAVIM
  • Renovação do Pacto.
  • Advertência contra idolatria.
  • Arrependimento e Redenção.
  • A Torá é acessível a todos.
  • Livre-Arbítrio.



 
VAYELECH
  • Preparação para nova liderança.
  • Yehoshua.
  • Hakel e a leitura do Sefer Devarim pelo Rei de Israel.
  • Preparativos finais de Moshé.
  • A Torá é colocada como testemunha.

 
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UM SÓ HOMEM, UM SÓ CORAÇÃO - PARASHIOT NITSAVIM E VAYELECH 5786 (04/set/26)

“O ano era 1911. Uma notícia se espalhou pelas comunidades judaicas da Rússia: Mendel Beilis, um judeu comum de Kiev, havia sido preso e acusado de um crime hediondo: assassinar uma criança cristã para usar seu sangue na preparação de Matsót. Era o velho “libelo de sangue”, ressuscitado com toda a força. Mas todos sabiam que não se tratava apenas do destino de um homem. O destino de todo o povo judeu estava em jogo.
 
Em meio à angústia geral, o Rav Meir Shapiro de Lublin zt”l (Império Austro-húngaro, 1887 - Polônia, 1933) não ficou parado. Ele entrou em contato com o rabino-chefe de Moscou, o Rav Yaacov Mazeh zt”l (Bielorrússia, 1859 - Rússia, 1924), fornecendo elementos para desmontar os argumentos da acusação, que apontavam o próprio Talmud como incitador ao ódio. A “prova” central da acusação era um ensinamento do Rabi Shimon bar Yochai (Yevamot 61a): “os judeus são chamados de ‘Adam’ (ser humano), mas as nações do mundo não”. Os promotores a liam como uma suposta declaração de superioridade racial, como se apenas os judeus fossem seres humanos, enquanto as nações fossem uma categoria inferior. Porém, o Rav Shapiro tinha uma leitura bem diferente. Ele pediu ao Rav Mazeh que levasse essa interpretação ao tribunal e ao júri.
 
- Existe entre nós um princípio, ensinada pelo Talmud (Shevuot 39a) - explicou o Rav Mazeh, diante dos juízes - de que “todos os judeus são fiadores uns dos outros”. Por isso, o destino de um único Mendel Beilis não pertence só a ele. Pertence a todo o povo judeu, que se levanta, se preocupa e não descansa até vê-lo livre.
 
Ele lançou, então, a pergunta que desarmaria a acusação:
 
- Se um gentio, em algum país distante, fosse julgado sob uma falsa acusação parecida, o que aconteceria? Quem se importaria? Talvez os vizinhos de sua própria cidade. O resto do país sentiria, no máximo, uma pontada de curiosidade. Fora das fronteiras do país, haveria um silêncio absoluto.
 
- Essa diferença é exatamente o que o Talmud nos ensina. - concluiu o rabino - Os judeus são chamados “Adam”, um homem, no singular, pois quando um único Beilis é julgado, o povo inteiro se levanta como um só homem, um só coração, um único “Adam”. As nações, ao contrário, não são chamadas “Adam”, no singular, e sim “pessoas”, no plural, pois a dor de um não é automaticamente a dor de todos.
 
O julgamento se arrastou por muito tempo. Finalmente, em outubro de 1913, depois de dezenas de audiências acompanhadas pela imprensa do mundo inteiro, os jurados consideraram que o crime tinha marcas de assassinato ritual, mas aceitaram as provas apresentadas pela defesa, de que Beilis estava em outro lugar no momento do assassinato, e o inocentaram.”
 
Ainda que Mendel Beilis tenha sido libertado, o veneno do “libelo do sangue” não foi eliminado. Mas, para o povo judeu, ficou a lição da força da união. Milhares de pessoas que, do outro lado do mundo, sem jamais tê-lo conhecido, sentiram a prisão de um único homem como se fosse sua própria prisão. Essa união, que incluiu Tefilót em sinagogas, advogados e comunidades inteiras mobilizados por um homem que a maioria jamais chegaria a conhecer, era a materialização da explicação do Rav Shapiro. O princípio de que “todos os judeus são fiadores uns dos outros” se cumpriu aos olhos do mundo inteiro: quando um judeu sofre, todo o povo judeu se levanta, unidos como um único “Adam”. Esta é a nossa realidade espiritual. Mesmo com nossas diferenças, o povo judeu é uma unidade. Isso faz de nós um povo: a preocupação de um pelo outro.

 

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Nitsavim (literalmente “De pé”) e Vayelech (literalmente “E foi”), que trazem os discursos finais de Moshé Rabeinu em seu último dia de vida. Ele aproveitou para relembrar o pacto que haviam firmado com D’us e, em especial, os cuidados para não se aproximarem das idolatrias.
 
E assim está escrito no início da Parashat Nitsavim: “Vocês estão todos hoje de pé diante de D’us: os chefes de suas Tribos, seus anciãos e oficiais, cada homem de Israel; seus filhos, esposas e até o estrangeiro que está dentro do seu acampamento, do lenhador até o carregador de água; para entrar no pacto que D’us está estabelecendo com você hoje... para estabelecer você hoje como o povo de D’us e para que Ele seja seu D’us... Eu estabeleço este pacto... não somente com vocês, mas tanto com aqueles que estão aqui conosco hoje, diante do Eterno, nosso D’us, quanto com aqueles que não estão aqui conosco hoje.” (Devarim 29:9-14).
 
Ao examinarmos com cuidado esses versículos, surge uma questão intrigante. Os versículos começam no plural (“Vocês estão aqui”), passam para o singular (“estabelecendo com você hoje”) e voltam ao plural (“E não somente com vocês”). Por que esta alternância entre a linguagem no plural e no singular?
 
Explica o Rav Yitzchak Pinchas Goldwasser shlita que a finalidade do pacto firmado naquele momento estava explicada nas palavras: “para te estabelecer hoje como Seu povo”. A formação de um “povo” consiste na transformação de muitas individualidades em uma única unidade. Quando D’us firmou um pacto com uma multidão, e não com cada indivíduo, isso os transformou em uma unidade.
 
Agora podemos entender os versículos. No início, quando está escrito “vocês estão todos hoje”, a Torá lista uma série de categorias, enfatizando que eram pessoas bem diferentes. Nisso se expressa a condição deles antes do pacto, quando ainda não eram “o povo de Israel”, mas ainda “cada homem de Israel”, uma reunião de indivíduos. Moshé continua e diz que firmou o pacto com eles, mas não como uma multiplicidade de indivíduos, e sim como uma única unidade. Por meio disso, passariam a ser chamados de “povo”. Por isso há várias expressões escritas no singular, tais como “estabelecendo com você”, “para estabelecer você”, pois o pacto foi firmado com o povo como uma unidade.
 
E quanto ao versículo voltar ao plural, isso se explica da seguinte forma: um dos significados principais de os Filhos de Israel serem um “povo” é que, por meio disso, recaem automaticamente, sobre sua descendência e sobre os que se agregam a eles, as obrigações de cumprir a Torá e as Mitsvót. Pois, se apenas os indivíduos estivessem no pacto, seria correto argumentar que quem aceitou a Torá sobre si está obrigado a cumpri-la, mas quem não a aceitou não está obrigado. Porém, uma vez que o pacto foi firmado com o conjunto, e o povo aceitou a obrigação do cumprimento da Torá, todo aquele que pertencer ao conjunto do povo judeu torna-se automaticamente obrigada, mesmo sem seu consentimento pessoal. A responsabilidade recai sobre todos nós.
 
Como este ensinamento se aplica na prática? Explica o Rav Elimelech Biderman shlita, com base no Zohar, que quando o versículo diz “Vocês estão todos hoje de pé diante de D’us”, a palavra “hoje” se refere a Rosh Hashaná. O versículo está nos dando um conselho para sermos julgados favoravelmente em Rosh Hashaná através das palavras “vocês todos”. Significa que, se houver união entre os judeus, haverá Brachót. Pois, quando há união entre os judeus, D’us lhes concede Sua bondade. Quando há união entre os judeus, há vida. O povo de Israel será redimido quando estiver unido, em um só coração, conforme está escrito “Naqueles dias e naquele tempo - diz D’us - virão os filhos de Israel, eles e os filhos de Yehudá, juntos...” (Yirmiyahu 50:4). O Midrash então conclui: “Quando estiverem unidos, eles receberão a face da Presença Divina sobre eles”.
 
Nos ensina Shlomo Hamelech: “Aquele que busca a justiça e a bondade encontrará vida, justiça e honra” (Mishlei 21:21).  Mais uma vez vemos que, quando procuramos oportunidades para praticar Tzedaká e fazer Chessed, teremos vida, justiça e honra no dia do julgamento. Em outras palavras, a união e a ajuda mútua são uma “Segulá”, uma prática propícia para sermos julgados favoravelmente.
                                                               
O Rav Chaim Meir Hager zt”l  (Império Austro-húngaro, 1887 - Israel, 1972), mais conhecido como “Imrei Chaim”, explica o versículo: “Eu estabeleço este pacto... não somente com vocês” (Devarim 29:13) como se D’us estivesse dizendo: “Este pacto não acontecerá quando vocês estiverem sozinhos. Ele só existe quando vocês estão unidos”. Em Rosh Hashaná, devemos rezar por todos os judeus do mundo, para que seus sofrimentos do ano passado terminem e que o próximo ano seja repleto de bondade.
 
O Talmud (Rosh Hashaná 34a) discute como devemos tocar o Shofar. Há uma Tekiá (toque longo) antes, uma Tekiá depois, e o som do meio deve ser quebrado, podendo ser “Shevarim” (três sons médios, quebrados), “Teruá” (sequência de sons curtos e rápidos), ou “Shevarim-Teruá” (combinação dos dois). O Talmud explica que as pessoas choram dessas três formas. Além disso, alguns comentaristas explicam que pessoas de diferentes lugares choram de maneiras diferentes. Nossos sábios não definiram que cada lugar tocasse o Shofar de acordo com a maneira como as pessoas daquele lugar choram, e sim que todos tocassem o Shofar com todos os tipos de choro, para levarmos em consideração todos os judeus, de todos os lugares do mundo.
 
Em Rosh Hashaná, não queremos que D’us responda somente às nossas lágrimas, mas sim às lágrimas e gritos de todo o povo judeu. Onde quer que haja um judeu chorando, nos unimos à sua dor. Com o Shofar, lembramos das lágrimas deles e pedimos por eles. Somente assim garantiremos um ano bom para todos nós.

SHABAT SHALOM – QUE SEJAMOS INSCRITOS E SELADOS NO LIVRO DA VIDA 

R’ Efraim Birbojm

 

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quinta-feira, 25 de setembro de 2025

É SÓ PEDIR PARA VOLTAR - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAYELECH E YOM KIPUR 5786

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É SÓ PEDIR PARA VOLTAR - PARASHÁ VAYELECH E YOM KIPUR 5786 (26/ago/25)

"Ronaldo havia terminado o ensino médio. Como é típico dos jovens, disse aos pais que queria viajar e descobrir o mundo. Seu pai, com toda a sua experiência de vida, lhe disse que não era hora de gastar tempo com viagens inúteis, que não iriam acrescentar nada em sua vida. Era hora de começar uma faculdade, pensar no futuro. Ronaldo, porém, não aceitou o conselho do pai. Em seu desejo de conhecer um mundo novo, disse com desprezo:
 
- Não quero me prender a uma faculdade agora. Preciso abrir minhas asas e voar, para ver como é o mundo.
 
O pai, porém, não gostou do desrespeito do filho. Muito irritado, ele disse:
 
- Não seja irresponsável! Se você sair, não precisa mais voltar! Ou você toma juízo e começa imediatamente uma faculdade, ou nunca mais será bem-vindo aqui nesta casa.
 
Infelizmente, Ronaldo já estava com a cabeça decidida. Mesmo com as ameaças do pai, decidiu viajar. Ele deixou sua casa em Maryland e começou a viajar de carona pelos Estados Unidos. Colheu uvas na Califórnia e fez trabalhos temporários em vários lugares, apenas para ter o que comer. Os primeiros momentos foram incríveis, com muitas descobertas e experiências novas. Porém, como era esperado, depois de algum tempo vivendo sozinho e sem conforto, Ronaldo ficou com saudades de casa. Sentia falta dos pais, de um teto, de saber de onde viria a próxima refeição. Decidiu então voltar para casa. Mas, quando chegou em Iowa, lembrou-se da ameaça do pai. Sentou-se então em uma calçada e escreveu uma carta:

"Querida mãe, estou cansado, com fome e me sentindo sozinho. Quero voltar para casa, mas não sei se o papai vai me receber de volta. Você sabe que a linha do trem passa ao lado da nossa fazenda, bem onde fica uma enorme macieira. Se o papai me deixar voltar, quero que você amarre uma toalha branca em um galho dessa árvore. Quando eu estiver no trem, olharei para a macieira para verificar se há uma toalha branca pendurada. Se não houver nenhuma toalha branca lá, será um sinal de que o papai ainda sente o mesmo que sentia no dia em que saí de casa, quando me disse para nunca mais voltar. Então saberei que não sou mais bem-vindo".
 
Ronaldo continuou com as caronas até chegar perto de Maryland, onde embarcou no trem em direção à sua casa. À medida que o trem se aproximava, ele começou a ficar nervoso. Será que haveria uma toalha na macieira? Quando o trem já estava bem próximo, ele se virou para um homem que estava sentado ao lado dele e disse:
 
- Poderia me fazer um favor? Vamos passar ao lado de uma fazenda onde tem uma macieira bem grande. Vou fechar meus olhos. Apenas me diga se há uma toalha branca amarrada em um dos galhos dessa árvore. Estou nervoso demais para olhar eu mesmo.
 
Ele estava tão preocupado com a possibilidade de que a toalha não estaria lá que tinha medo de olhar para a árvore. Ele ficou com os olhos bem fechados enquanto o trem passava pela fazenda. Tomando coragem, Ronaldo abriu os olhos e perguntou ao homem se ele havia visto uma toalha branca. O homem respondeu:
 
- Rapaz, há uma toalha branca em cada galho daquela árvore. Devem ter centenas de toalhas brancas penduradas"
 
Em essência, o pai mal podia esperar para que o filho voltasse para casa, pois a misericórdia de um pai pelo seu filho nunca acaba. Assim também ocorre com D'us. O que Ele mais quer é que possamos "voltar para casa".

Nesta semana lemos a Parashá Vayelech (literalmente "E foi"), na qual Moshé avisou ao povo que naquele dia estava completando 120 anos. Apesar da idade avançada, ele não tinha perdido suas forças, mas ele relembrou ao povo que não poderia cruzar o Rio Jordão, pois D'us havia decretado que Ele não entraria na Terra de Israel.
 
Este conceito se conecta com os Asseret Yemei Teshuvá, os 10 dias de arrependimento, que vão desde Rosh Hashaná, quando D'us escreve os decretos para o nosso ano, até Yom Kipur, quando D'us os sela. Talvez seja possível dizer que esta é a semana mais importante do ano. Temos diante de nós uma tarefa tremenda, que é o trabalho da Teshuvá, o arrependimento, o conserto dos nossos atos e tomar para si a responsabilidade de melhorar.
 
Mas há um pensamento que sempre nos incomoda nesta época: será que D'us me quer de volta? Será que não errei demais e me afastei demais Dele durante o ano que passou? Esse é um veneno do Yetser Hará, que nos faz desistir e não nos deixa melhorar. E qual é o antídoto deste veneno? Ter em mente um fato importante: D'us deseja desesperadamente que voltemos.
 
Explica o Rav Yssocher Frand que dizemos todos os dias na Tefilá uma Brachá sobre Teshuvá: "Traga-nos de volta, nosso Pai, à Sua Torá... e nos influencie a retornar em arrependimento perfeito diante de Você". A Brachá termina com as palavras: "Você, D'us, a Fonte de toda Brachá, quer o arrependimento (HaRotse BiTeshuvá)". Recitamos essas palavras tantas vezes durante o ano que talvez elas percam um pouco o impacto. "HaRotse BiTeshuvá" não significa apenas que D'us aceita nosso arrependimento. Significa que Ele deseja nosso arrependimento. E o desejo Dele de que voltemos é tão grande que, até mesmo se fizermos um esforço mínimo, Ele estará lá, esperando para nos receber de volta. Se um pai que brigou com seu filho tem misericórdia dele, muito mais D'us, nosso Pai Celestial, cuja misericórdia é infinita. Ele certamente nos quer de volta, tanto quanto qualquer pai poderia querer seu filho rebelde de volta.
 
E se queremos voltar, o momento é agora! Nós acreditamos, com Emuná completa, que tudo o que acontecerá durante o próximo ano, tanto em nível pessoal quanto em nível coletivo, será determinado durante os Asseret Yemei Teshuvá. Todos nós estamos familiarizados com o conceito de "Busque a D'us quando Ele pode ser encontrado, chame-O quando Ele está próximo" (Yeshayahu 55:6). Este é o momento do ano em que D'us está próximo e, portanto, os obstáculos que impedem que nossas Tefilót sejam eficazes são removidos, de modo que nossas Tefilót sinceras certamente serão ouvidas e nos conectarão a Ele.
 
Devemos aproveitar este período do ano e pedir tudo o que necessitamos. Não importa o que normalmente fazemos durante o resto do ano, em termos de frequência ao Minian, da Kavaná durante a reza ou de quão rápido rezamos. Tudo isso deve ser deixado de lado neste período do ano, em que cada Shacharit, Minchá e Maariv são uma oportunidade única de comunicação com D'us, de uma forma singular que ocorre apenas nesta época do ano. Não podemos desperdiçar essas oportunidades de ouro de nos conectarmos a Ele.
 
Nos ensina David HaMelech: "Espera em D'us, seja forte, e Ele fortalecerá o seu coração; espera em D'us" (Tehilim 27:14). Por que esta repetição? O Talmud (Brachot 32b) explica que se uma pessoa reza e vê que suas Tefilót não são atendidas, deve rezar de novo. Pensamos que rezamos por tantos doentes que não melhoraram, por tantas situações miseráveis que não evoluíram, por tantas coisas que aparentemente nossas Tefilót não foram atendidas, e achamos que não valeu. O Talmud (Brachot 6b) afirma que a Tefilá é uma das coisas que estão no topo do mundo, mas que as pessoas tratam de forma leviana. O Baal Shem Tov explica que a razão pela qual as pessoas tratam a Tefilá levianamente é justamente porque seus efeitos acontecem "no topo do mundo" e, portanto, pode levar muito tempo até que seus efeitos sejam percebidos aqui embaixo. Podemos rezar por nós mesmos, mas talvez a Tefilá tenha efeito apenas sobre nossos tataranetos. Vivemos na era da inteligência artificial, quando podemos digitar nossa pergunta e obter uma resposta instantânea. Não conseguimos nos relacionar com o conceito de uma Tefilá que levará muito tempo para ser respondida. E como não estamos acostumados com isso, acabamos a tratando levianamente. Isso é um erro. Nenhuma Tefilá jamais é "em vão". Pode ser que não ajude em determinado tempo ou lugar, mas todas as Tefilót sobem ao céu e, em algum momento e lugar, terão efeito.
 
Além das necessidades particulares, não podemos esquecer de pedir nestes dias também pelo povo judeu. Quando vemos o mundo contra o povo judeu, enquanto países árabes falam abertamente em aniquilar Israel, precisamos implorar pela Misericórdia de D'us para que nossos inimigos não atinjam seus objetivos. Não é preciso muita imaginação para se perguntar "o que pode dar errado?", basta ver os jornais e escutar as notícias.
 
Mas o principal pedido deve ser para que possamos "voltar para casa", o que somente ocorrerá após a vinda do Mashiach. Mas por que ele está demorando tanto? A resposta está em um versículo interessante. Certa vez, David não compareceu a uma refeição de Rosh Chodesh na casa de Shaul HaMelech. O rei então perguntou a Yonatan, seu filho: "Por que o filho de Yishai (David) não veio, nem ontem e nem hoje, ao pão (El HaLachem)?" (Shmuel I 20:27). Este versículo pode ser entendido de uma forma mais profunda: "Por que o filho de Yishai, isto é, o Mashiach, ainda não veio, nem ontem e nem hoje?". Se continuamos pedindo pela vinda do Mashiach, ano após ano, então por que ele não vem? A resposta é "El HaLechem", isto é, pois continuamos pedindo principalmente pão em nossos pedidos, isto é, nossas necessidades pessoais, ao invés de pedir pelo Mashiach. Não rezamos suficientemente pela vinda do Mashiach. Se o fizéssemos, nossas Tefilót já teriam sido atendidas também.
 
Devemos pedir tudo o que precisamos, mas sem nunca esquecer de pedir o principal: que possamos voltar para casa, para perto de D'us, para os Seus caminhos. Queremos voltar, e podemos ter a certeza de que Ele quer muito mais que voltemos. Ele está há quase dois mil anos esperando por isso. Só precisamos pedir de verdade. 

SHABAT SHALOM E GMAR CHATIMÁ TOVÁ 

R' Efraim Birbojm

 

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