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quinta-feira, 12 de junho de 2025

A FALTA QUE FAZ UMA MITZVÁ - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BEHAALOTECHÁ 5785

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PARASHÁ BEHAALOTECHÁ 5785



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VÍDEO DA PARASHÁ BEHAALOTECHÁ 5785
ASSUNTOS DA PARASHÁ BEHAALOTECHÁ
  • Acendendo a Menorá.
  • Inauguração dos Leviim.
  • Responsabilidade dos Leviim.
  • O primeiro Pessach no deserto (2º ano).
  • Pessach Sheni.
  • Sinais Divinos para iniciar as viagens.
  • As Trombetas.
  • Moshé convida Itró (Chovev) a se juntar ao povo judeu.
  • A Viagem do Sinai.
  • A Arca Parte (Nun invertido).
  • Queixas e o fogo Celestial.
  • Reclamação do Man e desejo por carne.
  • Moshé reclama com D'us do peso do povo e D'us escolhe 70 anciãos.
  • A Codorniz e a praga.
  • Lashon Hará de Miriam e Aharon sobre Moshé.
  • D'us ressalta o valor único de Moshé.
  • A Punição de Miriam (Tzaraat).
  • Miriam de Quarentena fora do acampamento e o povo espera.
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A FALTA QUE FAZ UMA MITZVÁ - PARASHÁ BEHAALOTECHÁ 5785 (13/jun/25)

O Rav Kalonymus Kalman Shapira zt"l (Polônia, 1889 - 1943), mais conhecido como o Piaseczno Rebe, foi um grande sábio da Torá, muito respeitado na Polônia. Durante a Segunda Guerra Mundial, ele foi confinado no Gueto de Varsóvia, onde a vida judaica foi severamente restringida e ameaçada pela ocupação nazista.
 
No gueto, as condições eram extremas: fome, doenças, medo constante, brutalidade e morte rondavam a comunidade judaica. Praticar o judaísmo de forma plena, tais como a observância do Shabat, as leis de pureza familiar, o estudo de Torá e o cumprimento das Mitzvót, tornou-se quase impossível.
 
Mesmo diante desse cenário desolador, o Piaseczno Rebe dedicou-se incansavelmente a fortalecer a espiritualidade dos judeus presos no gueto. Ele dava Shiurim clandestinos e incentivava as pessoas a continuarem cumprindo as Mitzvót que fossem possíveis, mantendo viva a chama judaica.
 
Seus escritos dessa época foram reunidos em um livro chamado "Esh Kodesh" (Fogo Sagrado), que contém seus Shiurim e suas reflexões profundas. O Rebe fala abertamente sobre o sofrimento pela impossibilidade de cumprir as Mitzvót, e a importância de não perder a sensibilidade espiritual, de sentir a dor e o anseio por se conectar com D'us, mesmo que o cumprimento fosse dificultado ou negado pelas circunstâncias. Essa dor espiritual, segundo ele, não deveria ser vista como fraqueza, mas como parte essencial do compromisso e da Emuná, uma expressão verdadeira de amor e conexão com a Torá.
 
Em 1943, o Piaseczno Rebe foi deportado para o campo de concentração de Trawniki, onde foi assassinado pelos nazistas. Seus escritos, entretanto, foram salvos e servem como um testemunho poderoso da resistência espiritual e da profundidade da Emuná judaica mesmo nos momentos mais sombrios da nossa história.
 
Mesmo quando o Rebe não conseguia cumprir as Mitzvót, ao menos ele sentia dor e tristeza. Ele nunca se acomodou. Ele sempre manteve a esperança de que tempos melhores, de liberdade espiritual, viriam ao povo judeu.

Nesta semana lemos a Parashá Behaalotechá (literalmente "Quando você acender"), que dá início a uma série de Parashiót nas quais são recordadas muitas graves transgressões cometidas pelo povo judeu no deserto, que culminaram no decreto de que aquela geração não poderia entrar na Terra de Israel e deveria ficar por 40 anos no deserto.
 
Um dos assuntos mais interessantes trazidos na nossa Parashá é o "Pessach Sheni", um ensinamento extremamente importante, não apenas pelas implicações na Halachá, mas principalmente pela mensagem que nos transmite em relação à forma correta como devemos nos comportar em relação às Mitzvót. Quando o povo judeu estava prestes a completar um ano da saída do Egito, eles foram ordenados a novamente oferecer o Korban Pessach, como está escrito: "D'us falou a Moshé no deserto do Sinai, no segundo ano após a saída deles da terra do Egito, no primeiro mês (Nissan), dizendo: 'Bnei Israel farão o Korban Pessach no tempo determinado. No entardecer do décimo quarto dia deste mês, vocês o farão em seu tempo determinado... conforme todas as suas leis" (Bamidbar 9:1-3). Porém, alguns judeus foram se queixar com Moshé, pois uma das regras em relação aos Korbanót é que a pessoa que o oferece esteja em estado de pureza espiritual. Alguém que, por exemplo, esteve em contato com mortos, não pode oferecer um Korban. Estas pessoas estavam impuras e, por isso, não poderiam cumprir a Mitzvá do Korban Pessach. Moshé então foi se aconselhar com D'us.
 
A resposta de D'us foi a criação de uma nova Mitzvá, o "Pessach Sheni", uma segunda chance. Pelo mérito daquelas pessoas que foram se aconselhar com Moshé, qualquer pessoa que em Pessach estivesse impuro ou no meio de uma viagem, impossibilitado de voltar e oferecer o Korban na data certa, teriam uma nova oportunidade de oferecer o Korban Pessach um mês depois, no dia 14 de Yiar.
 
Porém, no Talmud (Kidushin 37b), há uma explicação surpreendente do Tossafot. Ele afirma que quando a Torá descreve o conceito do "Pessach Sheni", na verdade está fazendo uma crítica ao povo judeu, por não ter oferecido o Korban Pessach durante os 39 anos seguintes. Tossafot se refere ao fato de que, após este evento do Pessach Sheni registrado na Torá, que ocorreu no final do primeiro ano no deserto, nos próximos 39 anos nunca mais o Korban Pessach foi oferecido pelo povo judeu. Isso significa que esta vez em que o Korban Pessach foi mencionado na Torá foi a primeira e única vez que eles trouxeram o Korban Pessach durante os 40 anos no deserto. A próxima vez em que ofereceram o Korban Pessach é descrito apenas no Sefer Yehoshua, isto é, depois que o povo já havia entrado na Terra de Israel, pouco após cruzarem o rio Yarden no dia 10 de Nissan.
 
O Rav Yitzchak Meir Rotenberg zt"l (Polônia, 1799 - 1866), mais conhecido como Chidushei HaRim, questiona a afirmação do Tossafot de que isso é uma crítica ao povo judeu. A razão pela qual eles não ofereceram o Korban Pessach durante os anos no deserto não foi porque não se importavam com a Mitzvá. Na verdade, havia um motivo técnico. A Halachá exige que todos os que trazem o Korban Pessach tenham feito Brit Milá, e que todos os homens de sua família também o tenham feito. Porém, durante os 40 anos no deserto, devido às condições adversas e as constantes viagens, que ocorriam sem aviso prévio, o Brit Milá representaria um perigo de vida para os bebês. Durante 40 anos eles estavam de mãos atadas, vítimas de circunstâncias que estavam além do seu controle. Isso era uma questão técnica, e não uma indiferença ou um comodismo por parte deles. Então por que o Tossafot chama isso de uma crítica ao povo judeu?
 
O Chidushei HaRim responde que a crítica está no contraste entre a atitude daquelas pessoas que não conseguiam trazer o Korban Pessach naquele ano e todo o povo judeu nos 39 anos seguintes. O que aconteceu na história do "Pessach Sheni"? As pessoas que estavam carregando o caixão de Yossef vieram a Moshé e reclamaram: "Estamos impuros por causa do contato com os mortos. Por que deveríamos perder a oportunidade de trazer o Korban Pessach?" (Bamidbar 9:7). Mas qual foi o sentido da pergunta "Por que deveríamos perder a opotunidade"? Eles mesmos haviam acabado de explicar que estavam impuros, isto é, havia claramente uma questão técnica que os impedia de cumprir a Mitzvá! Então, qual era exatamente a pergunta deles?
 
O Chidushei HaRim explica que eles não estavam perguntando, eles estavam sofrendo pelo fato de estar perdendo a oportunidade de cumprir uma Mitzvá. Entendiam as exigências da Halachá, mas estavam implorando desesperadamente: "Mas e o nosso bem espiritual? O que vai acontecer conosco? Como vamos ficar sem poder trazer o Korban Pessach?" Eles não estavam questionando a Halachá, eles estavam expressando sua dor.
 
As pessoas que não puderam oferecer o Korban Pessach naquele segundo ano expressaram sua angústia ao entender que não poderiam cumprir a Mitzvá por questões técnicas. E isso foi uma atitude incrível. Mesmo que alguém não consiga cumprir uma Mitzvá por uma força maior, mesmo que sejam razões realmente válidas, ao menos a pessoa deveria se sentir mal por isso.
 
Essa foi, portanto, a crítica ao povo judeu. É verdade que durante os 39 anos restantes eles não puderam trazer o Korban Pessach por questões técnicas da Halachá. Porém, isso deveria tê-los incomodado, deveria ter doído neles. A situação deveria ter sido para eles algo insuportável! Eles deveriam ter procurado Moshé e questionado: "Como poderemos viver sem esta importante Mitzvá?". Mas eles não questionaram. Parecia que tinham se livrado de uma responsabilidade. Essa foi a grande crítica da Torá.
 
Há muitas situações na vida nas quais passamos pela mesma experiência. Situações de força maior, nas quais realmente nada pode ser feito, impedimentos que nos impossibilitam de tecnicamente cumprir as Mitzvót. Por exemplo, tivemos tempos difíceis em nossa história, quando as Mitzvót foram proibidas ou quando as condições não nos permitiam cumprir as Mitzvót de maneira plena. Nestes casos, ao menos devemos sentir a dor e a angústia da perda da oportunidade de nos conectarmos um pouco mais com D'us.
 
Temos um paralelo interessante no mundo material, no qual podemos nos espelhar e até mesmo nos inspirar. Quando alguém acorda no meio da noite e, ao se levantar para ir ao banheiro, bate o dedo do pé na quina da cama, o que ele faz? Ele grita de dor. Mas o que gritar ajuda? Claramente o grito não ajuda nada, não contribui em nada para resolver o problema e aliviar a dor. Mas, quando algo dói, nós gritamos de dor. E se isso vale para um machucado material, mais ainda deveria valer para a perda de uma oportunidade espiritual.
 
Esta foi a crítica ao povo judeu, e este é o questionamento que devemos fazer a nós mesmos. Atualmente também estamos impossibilitados de oferecer o Korban Pessach e de fazer muitas outras Mitzvót. Não temos o nosso Beit Hamikdash e estamos todos com impureza de morte. Porém, mesmo quando não podemos fazer nada sobre nossa impossibilidade técnica de trazer o Korban Pessach e de cumprir algumas Mitzvót, deveríamos ao menos chorar por isso. Deveríamos ao menos ter sensibilidade para sentir a dor da perda. Deveríamos ao menos gritar. Pois, como em Pessach Sheni, quando D'us escutar o nosso grito, quem sabe Ele nos dê uma segunda chance.
 

SHABAT SHALOM

 R' Efraim Birbojm

 

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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sexta-feira, 12 de maio de 2023

VENCENDO A GANÂNCIA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI 5783

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PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI



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MENSAGEM DAS PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI

ASSUNTOS DA PARASHÁ
PARASHÁ BEHAR
  • Shmitá (O Ano Sabático).
  • Yovel (Jubileu) e o toque do Shofar em Yom Kipur.
  • Proibição de causar sofrimento (Onaát Mamon e Onaat Devarim).
  • Venda e Resgate da terra em Israel.
  • Casas em cidades muradas.
  • Casas nas Cidades dos Leviim.
  • Ajuda aos necessitados.
  • Leis dos escravos.
  • Resgate dos escravos que estão nas mãos de Goim.

 

 
PARASHÁ BECHUKOTAI
  • Recompensas pela obediência.
  • Advertência e Passos de afastamento espiritual: Não estudar, Não cumprir, Desrespeitar quem cumpre, Odiar os sábios, Impedir outros de cumprir, Negar Divindade das Mitzvót, Negar D'us.
  • Punições por desobediência (5 séries de advertências).
  • Destruição e arrependimento.
  • Conclusão das advertências e consolo.
  • Avaliações de doações ao Kodesh.
  • Doações de animais e imóveis para o Mishkan e possível resgate.
  • Maasser de animais.
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VENCENDO A GANÂNCIA - PARASHIÓT BEHAR E BECHUKOTAI 5783 (12/Mai/23)
 
"Há um famoso mito dentro da mitologia grega sobre um rei chamado Midas. Ele era extremamente materialista e ganancioso, somente pensava em como ganhar cada vez mais dinheiro e poder. Certa vez, ele encontrou um homem embriagado perdido em seu jardim. O rei Midas foi informado de quem era aquele homem e prontamente ofereceu ajuda a ele, dando-lhe refeição e abrigo até que ele se recuperasse. O rei Midas tratou muito bem seu hóspede e terminou sua boa ação levando-o de volta para casa.
 
Um ser mágico muito poderoso, profundamente agradecido, concedeu ao rei Midas o direito de fazer o pedido que quisesse, garantindo que ele seria prontamente atendido. O rei Midas poderia ter pensado no bem do seu povo ou até mesmo ter pedido algo que beneficiasse toda a humanidade. Porém, em sua enorme ganância, tudo o que ele conseguiu pensar no momento foram maneiras de como ficar ainda mais rico e multiplicar seus tesouros. Então ele teve uma brilhante ideia: pediu o poder para transformar tudo o que ele tocasse em ouro. O pedido foi imediatamente realizado.
 
Logo o rei Midas quis testar suas novas habilidades e se deliciou ao descobrir que tudo o que ele tocava se transformava em ouro. Testou primeiro com uma pequena folha, depois com um galho quebrado e, finalmente, com uma árvore inteira. Ele seria a pessoa mais rica e poderosa da face da Terra! O rei Midas não cabia em si de contentamento, e passou todo o dia transformando tudo o que encontrava no caminho em ouro.
 
Já no final do dia, o rei Midas sentiu fome. Então ele se lembrou que não havia comido nada o dia inteiro, de tão ocupado que estava. Foi quando sua alegria se transformou em desespero e, o que parecia ser uma benção, se revelou ser uma terrível maldição. Faminto, o rei Midas pegou um pedaço de pão, mas ao levá-lo à boca, percebeu que ele havia endurecido e se transformado em ouro. A água que ele foi beber para saciar sua sede também se transformou em ouro líquido, impossível de beber. Até o simples ato de dormir se tornou uma tortura, pois sua cama macia tornou-se uma estrutura fria e dura. A vida dele estava começando a se tornar um inferno. Porém, a maior tragédia ocorreu quando a filha do rei Midas o abraçou, sendo imediatamente transformada em uma estátua de ouro.
 
O rei Midas então se arrependeu de sua ganância e ambição, percebendo que caso não se livrasse aquele dom, morreria de fome e perderia seus entes queridos. Ele foi atrás daquela criatura mágica que o havia agraciado com o dom especial e pediu para que o efeito fosse anulado. O rei Midas foi orientado a mergulhar em certo rio para que o efeito passasse. Ele correu e logo se banhou no rio, livrando-se finalmente daquele dom que, na verdade, não era uma benção, e sim uma terrível maldição."
 
A ganância e a ambição nos cegam, nos transformam em pessoas egoístas. O que o ganancioso não percebe é que, com o passar do tempo, sua busca por riquezas se transforma em uma maldição. Ao invés da tão sonhada alegria, o que ele alcança é tristeza e solidão.

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Behar (literalmente "No monte") e Bechukotai (literalmente "Nos Meus estatutos"). A Parashá Behar fala principalmente da Mitzvá de Shemitá, o Ano Sabático, no qual devemos descansar nossas terras após um ciclo de seis anos de trabalho. Já a Parashá Bechukotai fala sobre as Berachót e as maldições que recairiam sobre o povo judeu, de forma condicional, de acordo com o comportamento do povo. Já vivenciamos muitas épocas de Berachá, quando o povo judeu cumpria a vontade de D'us, mas infelizmente também já passamos muitas vezes pelas épocas de dificuldades e sofrimentos previstas na Torá, justamente nos momentos de maior assimilação e afastamento espiritual do povo judeu.
 
Em relação às pessoas que andam nos caminhos de D'us e cumprem a Sua vontade, David Hamelech trouxe um ensinamento muito interessante: "Abençoe, Hashem, Seus anjos; os homens poderosos que cumprem Suas ordens, para obedecer à voz da Sua palavra" (Tehilim 103:20). Em outras palavras, David Hamelech estava fazendo uma linda Tefilá para que as pessoas que cumprem a vontade de D'us fossem abençoadas por D'us.
 
A princípio, parece que a Tefilá de David HaMelech se aplicaria a qualquer pessoa que cumpre as Mitzvót da Torá. Porém, há um Midrash que questiona: "Quem são os chamados "homens poderosos, que cumprem as ordens de D'us"? O Midrash responde que o versículo não é genérico, ele se refere especificamente àqueles indivíduos que cumprem as leis de Shemitá. Mas o que esta Mitzvá tem de tão especial, para que aqueles que a cumprem recebam um louvor tão grande?
 
Normalmente uma pessoa pode cumprir uma Mitzvá muito difícil durante um dia, uma semana ou até mesmo um mês. Porém, a Shemitá, que é uma Mitzvá que exige muita Emuná das pessoas, continua por todo o ciclo agrícola, isto é, doze meses, durante o qual o dono do campo não pode nem mesmo podar suas árvores. Para quem trabalha e vive exclusivamente da produção agrícola, este é um tremendo teste, que dura muito tempo. Não por um dia ou uma semana, mas um ano inteiro! O agricultor vê seu campo, que é toda a sua fonte de renda, ficar sem cultivo por um ano interminável. Ele presencia pessoas estranhas entrando em seu campo, que foi declarado "Hefker" (sem dono) no início do ano de Shemitá, e comendo suas preciosas frutas. E o que faz esta pessoa? Fica em silêncio, aceitando a vontade de D'us. Existe uma pessoa mais "poderosa" do que esta?
 
No entanto, ao refletirmos sobre os detalhes da Mitzvá de Shemitá, surge um importante questionamento. Quando cumprimos as Mitzvót, muitas vezes isso implica em gastarmos dinheiro. Por exemplo, quando compramos os Arbaat HaMinim em Sucót ou as Matzót em Pessach, precisamos pagar por eles. Porém, quando se trata da Mitzvá de Shemitá, o impacto monetário é muito maior. Quando alguém cumpre a Mitzvá de Shemitá, não significa que terá que gastar um pouco de dinheiro para cumpri-la. O impacto é muito maior, pois seu sustento do ano inteiro será diretamente afetado de forma muito dura.
 
Por isso, quando D'us ordenou ao povo judeu que cumprisse a Mitzvá de Shemitá, Ele fez questão de garantir que não precisaríamos nos preocupar com a falta de sustento. D'us prometeu que no ano anterior à Shemita o povo judeu seria abençoado com uma colheita tão farta que seria suficiente para três anos, incluindo o ano de Shemitá e o ano seguinte, no qual também não haveria sustento, já que seria necessário recomeçar a plantar no campo que havia sido abandonado no ano anterior. Isso quer dizer que, se o lucro líquido de um agricultor era normalmente de cem mil reais por ano, por exemplo, a Torá está nos garantindo que no sexto ano ele milagrosamente seria de trezentos mil reais. Os agricultores estariam, portanto, com o sustento garantido nos próximos anos. Isso faz com que o teste não seja assim tão difícil, pois não foi uma garantia feita por um ser humano, limitado, mas pelo Criador do mundo, que tem controle sobre tudo o que ocorre no universo. Então qual é o grande "poder" aludido pelo versículo de Tehilim? Se o agricultor receberia inclusive seu pagamento "adiantado", garantindo que seu saldo bancário não ficaria negativo no ano de Shemitá, então onde está o teste?
 
Explica o Rav Aharon Kotler zt"l (Bielorússia, 1891 - EUA 1962) que este tipo de pergunta só é feita por quem não entende a natureza humana. O ser humano é naturalmente muito ganancioso. Não importa o quanto uma pessoa tenha, ela sempre vai desejar mais, como ensinam os nossos sábios: "A pessoa não sai deste mundo nem com metade dos seus desejos preenchidos. Quem tem cem quer duzentos, quem tem duzentos quer quatrocentos". Se uma pessoa lucra no sexto ano trezentos mil reais, então ela pensa consigo mesma: "Se eu pudesse plantar no sétimo ano, imagine quanta renda eu teria! Que desperdício não aproveitar! Não estou abrindo mão de apenas cem mil reais, mas de trezentos mil reais ou mais!".
 
Explica o Rav Yssocher Frand que assim funciona a ambição do ser humano. Imagine uma pessoa que comprou ações por cem dólares. Quando as ações sobem para trezentos dólares, a pessoa fica muito feliz, mas não as vende. As ações então sobem para seiscentos dólares, e ainda assim a pessoa não quer vender, pois espera subir mais. E, realmente, as ações sobem para setecentos dólares. A pessoa pensa: "Como eu sou esperto! Sabia que não deveria vender". Porém, no dia seguinte, um escândalo causa com que as ações caiam para quatrocentos dólares. Sentindo-se um estúpido, a pessoa pensa: "Por que não vendi quando o valor estava alto?", e fica completamente arrasada. Mas por que ela está triste se, no final das contas, ela ganhou dinheiro, já que pagou cem dólares nas ações e agora elas valem quatrocentos dólares? Pois, na cabeça dela, ela não ganhou 300 dólares, ela perdeu 300 dólares. Esta é a força da ganância, a pessoa sempre espera ganhar mais dinheiro e nunca se sacia.
 
É isso o que o fazendeiro pensa: "Sim, tive uma safra excepcional no sexto ano. Ganhei dinheiro suficiente para sustentar minha família nos próximos três anos. Porém, de que adianta este ano ter sido bom se no sétimo ano terei que parar? Certamente posso fazer ainda melhor no sétimo ano!". Afastar-se dessa aspiração e expectativa naturais não é algo simples, faz parte de quebrar a nossa natureza. É por isso que este ato qualifica alguém como um "poderoso", como ensina o Pirkei Avot: "Quem é valente? Aquele que domina suas inclinações".
 
A Mitzvá de Shemitá, portanto, deve ser uma inspiração, para encontrarmos as forças necessárias para quebrar a nossa natureza. E, como D'us garantiu, essa é a verdadeira fonte de Berachá em nossas vidas.
 

SHABAT SHALOM 

R' Efraim Birbojm

 
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ASSUNTOS DA PARASHÁ TSAV
  • Cinzas do Altar.
  • 3 fogos do Altar.
  • Leis da Oferenda de Minchá (Farinha).
  • Oferenda do Cohen Gadol e seus filhos.
  • Leis das Oferendas de Pecado (Chatat).
  • Leis das Oferendas de Culpa (Asham).
  • Presentes dos Cohanim.
  • Leis das Oferendas de Agradecimento (Todá)
  • Pigul e Notar - Oferendas que não são mais aceitas.
  • Proibição de consumir as Oferendas em um estado de impureza.
  • Proibição de comer gordura (Chelev) e sangue.
  • A Porção das oferendas dada ao Cohen.
  • Consagração dos Cohanim.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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