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sexta-feira, 3 de julho de 2026

NUNCA É TARDE PARA MELHORAR - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT PINCHÁS 5786

BS"D
O e-mail desta semana é dedicado à Refua Shleima (pronta recuperação) de 

Esther Chava bat Sarah

Avraham Yaacov ben Miriam Chava


Luna Rachel bat Sara

Esther Luna bat Rachel


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O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de:


Sr. Nelson ben Luiza zt"l (Nissim ben Luna) 

Sr. Avraham Favel ben Arieh z"l 

Sra. Rachel bat Luna 


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Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
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PARASHAT PINCHÁS 5786


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NUNCA É TARDE PARA MELHORAR - PARASHAT PINCHÁS 5786 (03/jul/26)

Yossef era um velho joalheiro, famoso por lapidar pedras preciosas com incrível precisão. Sua maior alegria foi quando Yaacov, seu filho, decidiu seguir o ofício do pai. Durante muitos anos, sempre que o filho cometia um erro, Yossef gritava: “Não é assim que se faz! Você está estragando tudo!”. Ele batia a mão na bancada com força, de forma ameaçadora. Yaacov, ano após ano, foi se tornando um joalheiro habilidoso, e Yossef atribuía esse sucesso à sua disciplina rígida.
 
Certo dia, um cliente chegou à joalheria trazendo uma pedra muito valiosa e rara. No instante em que a mão de Yaacov desviou um milímetro do ângulo ideal, Yossef gritou, como sempre fazia: “Não é assim!”. Yaacov, assustado com o grito do pai, deixou a mão tremer justamente no momento do corte, fazendo com que a pedra ficasse marcada com um risco tão profundo que não havia mais conserto. Yossef ficou paralisado, olhando a joia destruída. Pela primeira vez, ele entendeu que a culpa não foi do filho, pois o corte já estava quase certo. Foi o próprio grito, no momento errado, que fez a mão de seu filho tremer.
 
Alguns dias depois, outro cliente trouxe uma pedra delicada para lapidar e entregou a Yaacov. Por hábito, Yossef logo abriu a boca para gritar ao perceber um pequeno desvio no corte, mas se conteve. Aproximou-se devagar, pegou a pedra com cuidado, olhou-a contra a luz e disse baixinho: “Veja como a luz entra aqui. Se você tivesse cortado um pouquinho mais para a esquerda, ela brilharia ainda mais”. E, suavemente, devolveu a pedra ao filho.
 
- Se eu errei, por que o senhor não gritou comigo, como sempre faz? - perguntou Yaacov, surpreso.
 
E o velho joalheiro respondeu, com a voz embargada:
 
- Pois a pedra que estragamos nesta semana não foi riscada por sua causa, foi por minha causa, pelo meu grito. Passei anos pensando que meus gritos ensinavam. Talvez até tenham ensinado, já que você se tornou um habilidoso joalheiro. Mas eu vi, com meus próprios olhos, que eles também destroem. Finalmente entendi que a mesma boca que corrige pode, se usada da forma errada, destruir.”
 
A dureza de Yossef destruiu a pedra que ele tanto queria proteger. E foi essa consequência, tangível e irreversível, que o levou à introspecção genuína e ao doloroso reconhecimento de que uma educação rígida demais, com gritos e ameaças, sempre tem um custo alto.

Nesta semana lemos a Parashat Pinchás, na qual Moshé foi ordenado a se vingar dos Midianim por sua atitude abominável, por terem feito suas filhas seduzirem os homens do povo judeu e os convencerem a cometer idolatria e imoralidade, o que causou a morte de vinte e quatro mil homens. Esta “batalha de vingança” contra Midian somente ocorre na Parashat da semana que vem, Matot. Lá, novamente D’us ordena a Moshé para se vingar dos Midianim. Moshé reúne um exército de doze mil homens, que atacam Midian e matam os homens e os reis, mas poupam as mulheres e as crianças, que são trazidas como cativas. Quando Moshé viu isso, ficou furioso com os oficiais. Ele questionou: “Vocês mantiveram as mulheres vivas?” (Bamidbar 31:15). As mulheres de Midian, a causa de toda a tragédia, obviamente deveriam ter sido mortas!
 
Além das mulheres, os soldados voltaram com muitos espólios de guerra, inclusive utensílios utilizados para cozinhar. Este é o único lugar onde a Torá estabelece as leis de Kasherização de utensílios, nos ensinando os processos necessários para extração do gosto dos alimentos não-Kasher que ficaram absorvidos nos utensílios. Curiosamente, este ensinamento não foi transmitido ao povo judeu por Moshé, mas sim por seu sobrinho, Elazar, que era o novo Cohen Gadol, como está escrito: “Elazar, o Cohen, disse aos homens do exército que voltaram da batalha: ‘Este é o decreto da Torá que D’us ordenou a Moshé...’” (Bamidbar 31:21). Mas por que estas leis tão importantes da Torá não foram transmitidas por Moshé?
 
Rashi (França, 1040 - 1105) explica que, como Moshé ficou irritado, ele cometeu um erro. Embora a irritação fosse por razões legítimas, pois tratava-se de uma repreensão adequada por terem mantido vivas as mulheres de Midian, ainda assim, pelo fato de ter perdido a paciência, ele errou. Por esse motivo, os ensinamentos sobre a Kasherização dos utensílios de Midian foram transmitidos através de Elazar, e não através de Moshé.
 
Rashi cita vários incidentes ao longo da Torá nos quais Moshé também ficou irritado e, como resultado, esqueceu a Halachá. Um dos exemplos que Rashi cita é o incidente descrito na Parashat Chukat, quando o povo reclamou da falta de água e Moshé disse para eles: “Ouçam, seus rebeldes!” (Bamidbar 20:10). Esse incidente fez com que Moshé perdesse a oportunidade de entrar em Erets Israel. Novamente, por ter ficado irritado com o povo, Moshé cometeu um erro, batendo na rocha em vez de falar com ela. Percebemos, portanto, que diversas vezes Moshé repreendeu o povo de maneira dura e, apesar de ter as motivações adequadas, ele acabou esquecendo a Halachá.
 
Porém, esta maneira dura de Moshé repreender o povo não se encaixa com o início da Parashat Devarim: “Estas são as palavras que Moshé falou a todo Israel do outro lado do Yarden, no deserto, na Aravá, defronte ao Yam Suf, entre Paran e Tofel, e Lavan e Chatzerot, e Di-Zahav” (Devarim 1:1). Rashi explica que cada um dos lugares mencionados neste discurso alude a algum tipo de repreensão sutil que Moshé estava dando ao povo. Vemos aqui uma forma completamente diferente de repreender o povo! Onde estavam as duras broncas de Moshé?
 
Explica o Rav Yssocher Frand shlita que a resposta está na primeira palavra do Sefer Devarim, “Eleh” (אלה), que significa “Estas são”. Nossos sábios ensinam que a linguagem “Eleh” sempre exclui o que foi mencionado anteriormente. A Torá está nos ensinando algo incrível: Moshé entendeu seu erro e mudou. Eram suas últimas cinco semanas de vida. Moshé pensou: “Cometi alguns erros no passado. Um deles foi ter sido duro demais com o povo. Fui explícito demais nas minhas críticas a eles. Chamei-os de ‘Rebeldes’. Preciso mudar minha forma de criticá-los”. Por isso, em seus discursos de despedida, Moshé decidiu dar sua repreensão de forma sutil.
 
Existem duas maneiras de repreender uma pessoa. Quando alguém faz algo errado, você pode dizer a ele “Como você fez isso?” ou pode dizer “Como você fez isso?”. Quando a ênfase está na palavra “isso”, a implicação é que a pessoa fez algo terrível. Mas quando a ênfase está na palavra “você”, a implicação é que o ato talvez não seja tão terrível, mas que uma pessoa de tão grande estatura não deveria estar fazendo algo assim.
 
Este conceito também foi transmitido pelo mais sábio de todos os homens, Shlomo Hamelech: “Não repreenda um zombador, para que ele não te odeie; repreenda um sábio e ele o amará" (Mishlei 9:8). O entendimento mais simples deste versículo é que não devemos repreender uma pessoa que é zombadora, pois ela não quer melhorar e não está interessada em receber críticas, nem mesmo quando são construtivas, e odiará aquele que tentar repreendê-la. Mas o sábio, que quer sempre crescer e melhorar, amará aquele que apontar algo que ele pode consertar e melhorar. O Rav Yeshayahu HaLevi Horowitz zt”l (Boêmia, 1555 - Israel, 1630), mais conhecido como Shla Hakadosh, ensina uma lição ainda mais profunda. Ele ensina que o versículo não se refere a duas pessoas diferentes. Ao dar uma bronca em alguém, se eu tratar a pessoa como um zombador, ela vai me odiar. Porém, se eu tratá-la como um sábio, ela vai me amar. Portanto, Shlomo Hamelech está nos ensinando que, ao repreender uma pessoa, devemos tratá-la como um sábio, não como um zombador.
 
É isso que Moshé está nos transmitindo. No passado, ele havia adotado a abordagem de repreender o povo como se fossem zombadores, o que fica claro na linguagem “Ouçam, seus rebeldes!”. No entanto, agora, no fim da vida, ele pensou: “Vou mudar minha abordagem. Vou repreendê-los como sábios, apenas com termos discretos”.
 
A verdade é que repreender os outros não é algo que devemos fazer constantemente. O Rav Avraham Yeshayahu Karelitz zt”l (Bielorússia, 1878 - Israel, 1953), mais conhecido como Chazon Ish, escreve que hoje em dia não sabemos mais como repreender da maneira correta. A menos que a pessoa seja um rabino ou esteja em uma posição de autoridade, como um professor, não cabe a nós repreender o próximo, porque não sabemos como fazê-lo. No entanto, há uma área em que todos podemos, e devemos, repreender: na educação dos nossos filhos. A lição do Shla haKadosh é que existe uma forma certa de repreender nossos filhos e uma forma errada. A forma errada é repreendê-los como “zombadores”. Em vez disso, devemos apelar ao “sábio” dentro deles. Como Mishlei ensina: “Repreenda o sábio e ele o amará”.
 
Além disso, há outro ensinamento incrível. Moshé estava completando 120 anos. Ele estava na liderança do povo há quarenta anos, com muito sucesso. A maioria das pessoas que está em uma mesma função há quarenta anos, e com sucesso, pensaria consigo mesma: “Não há mais nada para aprender sobre como fazer isso melhor”. No entanto, Moshé, nas últimas semanas de vida, olhou para si mesmo e disse: “Cometi erros ao longo do caminho. Minhas repreensões às vezes foram fortes demais, pois fiquei irritado. Vou tentar uma abordagem diferente”.
 
Esta é uma lição para todos nós. Independentemente da nossa idade e da nossa experiência de vida, devemos estar sempre abertos a melhorar nossas habilidades interpessoais. Se Moshé, no fim de seus dias, pôde refletir e dizer “Tenho que mudar minha abordagem”, também precisamos sempre olhar para nós mesmos e dizer: “Preciso mudar minha abordagem”. Devemos tratar a todos como se fossem sábios, sem querer diminuir ninguém. Afinal, repreender alguém é uma Mitzvá apenas se estamos ajudando a construí-lo, não a destruí-lo.

SHABAT SHALOM 

R’ Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z”L e Frade (Fany) bat Efraim Z”L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l 

 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
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sexta-feira, 12 de junho de 2015

APRENDENDO COM OS ERROS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHELACH 5775 




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APRENDENDO COM OS ERROS - PARASHÁ SHELACH 5775 (12 de junho de 2015)
"Os japoneses sempre foram grandes consumidores de peixe. Porém, chegou um momento em que a pesca era feita de maneira tão indiscriminada que as águas perto da costa do Japão já não produziam mais o suficiente para suprir a demanda. Por isso, para continuar mantendo o mercado abastecido, uma empresa de pesca do Japão aumentou o tamanho dos seus navios pesqueiros e começou a pescar em alto-mar. Mas quanto mais longe os pescadores iam, mais tempo levava para o peixe chegar, e já não estavam mais tão frescos, não agradando ao paladar dos japoneses.
                       
Uma segunda empresa aprendeu com o erro da primeira empresa e teve uma ideia inovadora: instalou congeladores em seus barcos. Eles pescavam em alto-mar e, para evitar que os peixes perdessem o frescor, os congelavam durante a volta. Os congeladores permitiram que os pesqueiros fossem cada vez mais longe e ficassem em alto-mar por muito mais tempo. Entretanto, os japoneses conseguiam sentir no gosto a diferença entre um peixe fresco e um peixe congelado, e o preço do peixe começou a despencar no mercado.

Uma terceira empresa aprendeu com os erros da segunda empresa e tentou mudar a técnica. Esta empresa instalou tanques de água nos navios pesqueiros. Eles podiam pescar em alto-mar e manter os peixes vivos nos tanques até voltarem, mantendo os peixes frescos. Porém, pelo pouco espaço dos tanques, os peixes pescados não se moviam muito. Nestas condições, eles acabavam liberavam toxinas, que causavam diferença no gosto do peixe, além de colocar a saúde dos japoneses em risco. Novamente a solução não agradou aos consumidores.

Finalmente uma quarta empresa, após refletir muito e aprender com os erros das empresas anteriores, desenvolveu uma técnica genial. Para conservar o gosto de peixe fresco, esta empresa de pesca ainda colocava os peixes dentro de tanques. Mas eles adicionavam um pequeno tubarão em cada tanque. O tubarão comia alguns peixes, mas a maioria deles chegava vivo. E não apenas vivos, mas também frescos, pois como havia um tubarão no tanque, os peixes não paravam de se movimentar o tempo inteiro, e por isso as toxinas não eram produzidas. Somente então o consumo de peixe fresco finalmente voltou ao normal".

Podemos viver através de tentativas e erros. Mas podemos fazer algo muito mais genial: aprender com os erros dos outros, para acertar onde os outros erraram. Esta é uma das principais chaves do sucesso na vida.
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A Parashá desta semana, Shelach, começa descrevendo o episódio dos 12 homens que foram enviados para espionar a Terra de Israel, mas 10 deles acabaram cometeram o gravíssimo erro de falar mal da terra, o que causou trágicas consequências, tanto para aquela geração, que foi proibida de entrar em Israel, quanto para as futuras gerações. Ao escutar o relato negativo e a afirmação dos espiões de que não era possível conquistar a Terra de Israel, o povo judeu perdeu a Emuná (fé) em D'us e chorou. D'us decretou que aquele dia, 9 de Av, seria um dia de choro para todas as gerações. Neste mesmo dia os dois Templos Sagrados foram destruídos, os judeus da Espanha e Portugal foram expulsos, e outras tragédias aconteceram ao povo judeu durante a história. Já a Parashá da semana passada, Behaalotechá, terminou com o episódio do castigo que Miriam recebeu por ter falado sobre seu irmão, Moshé, de uma maneira negativa, apesar de seu comentário não ter sido feito com más intenções. Por que a Torá juntou os dois eventos? Qual a conexão entre o erro de Miriam e o erro dos espiões?

Rashi (França, 1040 - 1105) explica a conexão dos dois eventos citando as palavras de um Midrash (parte da Torá Oral): "Pois ela (Miriam) foi punida por causa de sua fala negativa em relação ao seu irmão, e estes Reshaim (malvados) viram e não aprenderam disso". Porém, é difícil entender as palavras do Midrash, pois parece que o foco está no fato dos espiões não terem aprendido com o erro de Miriam. Por que o Midrash focou em algo aparentemente secundário, ao invés de ter ressaltado o erro de terem falado negativamente de Israel, a Terra Prometida ao povo judeu desde a época dos nossos patriarcas?

Responde o Rav Yerucham Leibovitz zt"l (Bielorússia, 1873 - 1936) que certamente o pior erro dos espiões foi ter falado mal da Terra de Israel, mas como este erro é mais facilmente percebido, não precisava de tanto destaque. O que Midrash quer ressaltar é que os espiões também eram culpados por uma outra grave falha, que talvez passaria desapercebida por nós: o fato deles não terem internalizado e, consequentemente não terem aprendido nada para a vida deles, com o incidente de Miriam, que havia ocorrido diante dos olhos deles. O Midrash quis enfatizar que aprender com os erros dos outros é um importante fundamento para o nosso crescimento espiritual, e a perda desta oportunidade é considerada uma grande falha. Os espiões perderam a excelente oportunidade de, ao aprender com o erro dos outros, conseguir evitar o grave erro que eles mesmos cometeram. Se eles tivessem prestado atenção às terríveis consequências da fala negativa, certamente teriam tomado mais cuidado.

Nossos sábios ensinam que é muito importante aprendermos com os nossos erros, para não voltarmos a cair novamente se passarmos pelos mesmos testes. Mas é ainda mais importante aprender com os erros dos outros, pois assim podemos nos cuidar e evitar cometer estes erros. Além disso, há outro grande beneficio em aprender com os erros dos outros. Em relação aos nossos próprios erros, normalmente somos tendenciosos, dificilmente assumimos nossa culpa. Isto dificulta a percepção de qual foi exatamente a nossa falha, nos fazendo perder a objetividade. Mas quando olhamos os erros dos outros não somos tendenciosos, e por isso é muito mais fácil sermos objetivos e aprendermos algo concreto para nossas vidas.

Este conceito ensinado na Parashá nos ajuda a entender um importante ensinamento dos nossos sábios: "Quem é sábio? Aquele que aprende com todas as pessoas" (Pirkei Avót 4:1). É fácil entender o quanto temos para aprender com as pessoas sábias e corretas, mas o que podemos aprender com pessoas que vivem de maneira equivocada? A resposta é que de pessoas corretas e sábias podemos aprender principalmente de sua sabedoria e seus bons exemplos, enquanto de pessoas que não vivem da maneira correta podemos aprender principalmente de seus erros, nos esforçando para evitar estas mesmas falhas e suas consequências.

Este é um dos principais propósitos de estudarmos o Tanach (Torá, Profetas e Escrituras). O Tanach está repleto de histórias, que aconteceram com indivíduos ou até mesmo com povos inteiros, e em nenhum momento D'us tenta encobrir os erros cometidos. Por que o Tanach não foi "embelezado", ressaltando os bons atos e ignorando os erros dos nossos antepassados? Em primeiro lugar, pois a Torá é um livro de Emet (verdade), um livro que descreve seres humanos normais, que fazem coisas boas, mas que algumas vezes também cometem erros. Mesmo os maiores líderes do povo judeu não foram anjos, foram pessoas de carne e osso, como nós, e apesar dos atos grandiosos que fizeram, algumas vezes também cometeram erros. Além disso, D'us não quis ocultar nenhum erro, mesmo aqueles cometidos pelos maiores Tzadikim (justos), justamente para nos dar a possibilidade de aprendermos algo para nossa vida. Podemos extrair, de cada história do Tanach, ensinamentos que nos ajudem a evitar erros em nossas decisões cotidianas.

O Rav Eliahu ben Shlomo Zalman zt"l (Lituânia, 1720 - 1797), mais conhecido como Gaon Mi Vilna, também utiliza este conceito para explicar um interessante ensinamento dos nossos sábios: "Rabi Chanania ben Akashia diz: D'us queria dar méritos para Israel (povo judeu), portanto Ele multiplicou para eles a Torá e as Mitzvót". O que significa "multiplicou a Torá e as Mitzvót"? Segundo o Gaon Mi Vilna, não se refere apenas às 613 Mitzvót da Torá, mas às milhares de Mitzvót que se encontram nas histórias descritas pelo Tanach e pelo Talmud (Torá Oral), pois estas histórias não foram escritas para nos entreter, e sim mas para nos ensinar importantes lições que elas carregam e nos possibilitar aplicar este aprendizado em nossas próprias vidas.

Quando a Torá registrou o Lashon Hará (maledicência) de Miriam e suas graves consequências, não era apenas para que os espiões aprendessem e evitassem o mesmo erro, mas também para cada um de nós. Temos a grande obrigação, que na verdade é uma enorme oportunidade, de aprendermos com os erros dos outros e assim evitarmos cair nestes mesmos erros. Infelizmente muitos enxergam a Torá como se fosse simplesmente um "livro de histórias". Mas a Torá é muito mais do que isso, são instruções, muitas vezes ensinadas através de exemplos, de como viver a vida da maneira correta, de como lidar com cada tipo de situação, um verdadeiro "Manual de Instruções" da vida.

É muito fácil questionarmos como pessoas tão grandes como os espiões acabaram caindo em um erro tão grave. O difícil é enxergar o quanto nós também perdemos oportunidades de aprender como os erros dos outros, através dos quais poderíamos evitar cair exatamente nos mesmos erros.

"Sábios aprendem com os erros dos outros. Espertos aprendem com seus próprios erros. Tolos não aprendem com nada"
SHABAT SHALOM                                           
Rav Efraim Birbojm
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                   São Paulo: 17h07  Rio de Janeiro: 16h55                     Belo Horizonte: 17h03  Jerusalém: 19h09
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