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sexta-feira, 12 de junho de 2015

APRENDENDO COM OS ERROS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHELACH 5775 




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APRENDENDO COM OS ERROS - PARASHÁ SHELACH 5775 (12 de junho de 2015)
"Os japoneses sempre foram grandes consumidores de peixe. Porém, chegou um momento em que a pesca era feita de maneira tão indiscriminada que as águas perto da costa do Japão já não produziam mais o suficiente para suprir a demanda. Por isso, para continuar mantendo o mercado abastecido, uma empresa de pesca do Japão aumentou o tamanho dos seus navios pesqueiros e começou a pescar em alto-mar. Mas quanto mais longe os pescadores iam, mais tempo levava para o peixe chegar, e já não estavam mais tão frescos, não agradando ao paladar dos japoneses.
                       
Uma segunda empresa aprendeu com o erro da primeira empresa e teve uma ideia inovadora: instalou congeladores em seus barcos. Eles pescavam em alto-mar e, para evitar que os peixes perdessem o frescor, os congelavam durante a volta. Os congeladores permitiram que os pesqueiros fossem cada vez mais longe e ficassem em alto-mar por muito mais tempo. Entretanto, os japoneses conseguiam sentir no gosto a diferença entre um peixe fresco e um peixe congelado, e o preço do peixe começou a despencar no mercado.

Uma terceira empresa aprendeu com os erros da segunda empresa e tentou mudar a técnica. Esta empresa instalou tanques de água nos navios pesqueiros. Eles podiam pescar em alto-mar e manter os peixes vivos nos tanques até voltarem, mantendo os peixes frescos. Porém, pelo pouco espaço dos tanques, os peixes pescados não se moviam muito. Nestas condições, eles acabavam liberavam toxinas, que causavam diferença no gosto do peixe, além de colocar a saúde dos japoneses em risco. Novamente a solução não agradou aos consumidores.

Finalmente uma quarta empresa, após refletir muito e aprender com os erros das empresas anteriores, desenvolveu uma técnica genial. Para conservar o gosto de peixe fresco, esta empresa de pesca ainda colocava os peixes dentro de tanques. Mas eles adicionavam um pequeno tubarão em cada tanque. O tubarão comia alguns peixes, mas a maioria deles chegava vivo. E não apenas vivos, mas também frescos, pois como havia um tubarão no tanque, os peixes não paravam de se movimentar o tempo inteiro, e por isso as toxinas não eram produzidas. Somente então o consumo de peixe fresco finalmente voltou ao normal".

Podemos viver através de tentativas e erros. Mas podemos fazer algo muito mais genial: aprender com os erros dos outros, para acertar onde os outros erraram. Esta é uma das principais chaves do sucesso na vida.
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A Parashá desta semana, Shelach, começa descrevendo o episódio dos 12 homens que foram enviados para espionar a Terra de Israel, mas 10 deles acabaram cometeram o gravíssimo erro de falar mal da terra, o que causou trágicas consequências, tanto para aquela geração, que foi proibida de entrar em Israel, quanto para as futuras gerações. Ao escutar o relato negativo e a afirmação dos espiões de que não era possível conquistar a Terra de Israel, o povo judeu perdeu a Emuná (fé) em D'us e chorou. D'us decretou que aquele dia, 9 de Av, seria um dia de choro para todas as gerações. Neste mesmo dia os dois Templos Sagrados foram destruídos, os judeus da Espanha e Portugal foram expulsos, e outras tragédias aconteceram ao povo judeu durante a história. Já a Parashá da semana passada, Behaalotechá, terminou com o episódio do castigo que Miriam recebeu por ter falado sobre seu irmão, Moshé, de uma maneira negativa, apesar de seu comentário não ter sido feito com más intenções. Por que a Torá juntou os dois eventos? Qual a conexão entre o erro de Miriam e o erro dos espiões?

Rashi (França, 1040 - 1105) explica a conexão dos dois eventos citando as palavras de um Midrash (parte da Torá Oral): "Pois ela (Miriam) foi punida por causa de sua fala negativa em relação ao seu irmão, e estes Reshaim (malvados) viram e não aprenderam disso". Porém, é difícil entender as palavras do Midrash, pois parece que o foco está no fato dos espiões não terem aprendido com o erro de Miriam. Por que o Midrash focou em algo aparentemente secundário, ao invés de ter ressaltado o erro de terem falado negativamente de Israel, a Terra Prometida ao povo judeu desde a época dos nossos patriarcas?

Responde o Rav Yerucham Leibovitz zt"l (Bielorússia, 1873 - 1936) que certamente o pior erro dos espiões foi ter falado mal da Terra de Israel, mas como este erro é mais facilmente percebido, não precisava de tanto destaque. O que Midrash quer ressaltar é que os espiões também eram culpados por uma outra grave falha, que talvez passaria desapercebida por nós: o fato deles não terem internalizado e, consequentemente não terem aprendido nada para a vida deles, com o incidente de Miriam, que havia ocorrido diante dos olhos deles. O Midrash quis enfatizar que aprender com os erros dos outros é um importante fundamento para o nosso crescimento espiritual, e a perda desta oportunidade é considerada uma grande falha. Os espiões perderam a excelente oportunidade de, ao aprender com o erro dos outros, conseguir evitar o grave erro que eles mesmos cometeram. Se eles tivessem prestado atenção às terríveis consequências da fala negativa, certamente teriam tomado mais cuidado.

Nossos sábios ensinam que é muito importante aprendermos com os nossos erros, para não voltarmos a cair novamente se passarmos pelos mesmos testes. Mas é ainda mais importante aprender com os erros dos outros, pois assim podemos nos cuidar e evitar cometer estes erros. Além disso, há outro grande beneficio em aprender com os erros dos outros. Em relação aos nossos próprios erros, normalmente somos tendenciosos, dificilmente assumimos nossa culpa. Isto dificulta a percepção de qual foi exatamente a nossa falha, nos fazendo perder a objetividade. Mas quando olhamos os erros dos outros não somos tendenciosos, e por isso é muito mais fácil sermos objetivos e aprendermos algo concreto para nossas vidas.

Este conceito ensinado na Parashá nos ajuda a entender um importante ensinamento dos nossos sábios: "Quem é sábio? Aquele que aprende com todas as pessoas" (Pirkei Avót 4:1). É fácil entender o quanto temos para aprender com as pessoas sábias e corretas, mas o que podemos aprender com pessoas que vivem de maneira equivocada? A resposta é que de pessoas corretas e sábias podemos aprender principalmente de sua sabedoria e seus bons exemplos, enquanto de pessoas que não vivem da maneira correta podemos aprender principalmente de seus erros, nos esforçando para evitar estas mesmas falhas e suas consequências.

Este é um dos principais propósitos de estudarmos o Tanach (Torá, Profetas e Escrituras). O Tanach está repleto de histórias, que aconteceram com indivíduos ou até mesmo com povos inteiros, e em nenhum momento D'us tenta encobrir os erros cometidos. Por que o Tanach não foi "embelezado", ressaltando os bons atos e ignorando os erros dos nossos antepassados? Em primeiro lugar, pois a Torá é um livro de Emet (verdade), um livro que descreve seres humanos normais, que fazem coisas boas, mas que algumas vezes também cometem erros. Mesmo os maiores líderes do povo judeu não foram anjos, foram pessoas de carne e osso, como nós, e apesar dos atos grandiosos que fizeram, algumas vezes também cometeram erros. Além disso, D'us não quis ocultar nenhum erro, mesmo aqueles cometidos pelos maiores Tzadikim (justos), justamente para nos dar a possibilidade de aprendermos algo para nossa vida. Podemos extrair, de cada história do Tanach, ensinamentos que nos ajudem a evitar erros em nossas decisões cotidianas.

O Rav Eliahu ben Shlomo Zalman zt"l (Lituânia, 1720 - 1797), mais conhecido como Gaon Mi Vilna, também utiliza este conceito para explicar um interessante ensinamento dos nossos sábios: "Rabi Chanania ben Akashia diz: D'us queria dar méritos para Israel (povo judeu), portanto Ele multiplicou para eles a Torá e as Mitzvót". O que significa "multiplicou a Torá e as Mitzvót"? Segundo o Gaon Mi Vilna, não se refere apenas às 613 Mitzvót da Torá, mas às milhares de Mitzvót que se encontram nas histórias descritas pelo Tanach e pelo Talmud (Torá Oral), pois estas histórias não foram escritas para nos entreter, e sim mas para nos ensinar importantes lições que elas carregam e nos possibilitar aplicar este aprendizado em nossas próprias vidas.

Quando a Torá registrou o Lashon Hará (maledicência) de Miriam e suas graves consequências, não era apenas para que os espiões aprendessem e evitassem o mesmo erro, mas também para cada um de nós. Temos a grande obrigação, que na verdade é uma enorme oportunidade, de aprendermos com os erros dos outros e assim evitarmos cair nestes mesmos erros. Infelizmente muitos enxergam a Torá como se fosse simplesmente um "livro de histórias". Mas a Torá é muito mais do que isso, são instruções, muitas vezes ensinadas através de exemplos, de como viver a vida da maneira correta, de como lidar com cada tipo de situação, um verdadeiro "Manual de Instruções" da vida.

É muito fácil questionarmos como pessoas tão grandes como os espiões acabaram caindo em um erro tão grave. O difícil é enxergar o quanto nós também perdemos oportunidades de aprender como os erros dos outros, através dos quais poderíamos evitar cair exatamente nos mesmos erros.

"Sábios aprendem com os erros dos outros. Espertos aprendem com seus próprios erros. Tolos não aprendem com nada"
SHABAT SHALOM                                           
Rav Efraim Birbojm
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Ester bat Rivka, Rena bat Salk, Duvid ben Rachel, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Pece bat Geni, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Yolanda bat Sophie, Chai Shlomo ben Sara, Eliezer ben Esther, Lea bat Sara, Debora Chaia bat Gueula, Felix ben Shoshana, Moises Ferez ben Sara, Zelda bat Sheva, Yaacov Zalman bat Tzivia, Yitzchak ben Dinah, Celde bat Lea, Geni bat Ester, Lea bat Simi, Ruth bat Messoda, Yaacov ben Ália, Chava bat Sara, Moshe David ben Chaia Rivka, Levi Itzchak ben Reizel, Lulu Chana bat Rachel, Haia Yona bat Sara.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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sexta-feira, 20 de junho de 2008

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ SHELACH 5768


BS"D

APRENDENDO COM OS ERROS - PARASHÁ SHELACH 5768 (20 de junho 2008)

Certa vez duas moscas caíram num copo de leite. A primeira era forte e valente, e logo ao cair nadou até a borda do copo para tentar sair, mas como a superfície era muito lisa e suas asas estavam molhadas, seu esforço foi vão. Tentou por várias vezes subir com todas as suas forças, mas não conseguiu. Acreditando que não havia saída, a mosca desistiu e afundou.

Sua companheira, apesar de não ser tão forte, era persistente e observadora. Aprendeu que não adiantava tentar escalar as paredes do copo, e decidiu tentar algo diferente. Juntando todas as suas forças, começou a se debater, e assim ficou por tanto tempo que, aos poucos, o leite ao seu redor foi se transformando em manteiga. A mosca subiu em um pequeno nódulo e conseguiu levantar vôo para um lugar seguro.

Tempos depois, a mesma mosca se descuidou e novamente caiu em um copo. Imediatamente começou a se debater, na esperança de que, no devido tempo, se salvaria, mas o tempo passava e nada acontecia. Outra mosca, passando por ali e vendo a aflição da companheira, pousou na beira do copo e gritou:

"Tem um canudo ali, nade até lá e suba pelo canudo".

A mosca não lhe deu ouvidos, e baseando-se na sua experiência anterior de sucesso, continuou a se debater e a se debater até que, exausta, afundou no copo. Desta vez o copo estava cheio de água.

"Podemos e devemos aprender com os nossos erros. Porém, o aprendizado não precisa ser apenas através dos nossos próprios erros. Podemos aprender muito observando os erros que os outros à nossa volta cometem"
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A Parashá da semana passada, Behalotechá, terminou com o Lashon Hará (malediscência) que Miriam fez de seu irmão Moshé, e o duro castigo que ela recebeu por isso. E a Parashá desta semana, Shelach, começa a contar sobre os 12 homens enviados para espionar a terra de Israel. O que deveria ser apenas uma missão de reconhecimento se transformou em uma tragédia: os espiões falaram mal sobre a terra, e o povo judeu, desesperançoso, chorou. D'us decretou que aquela geração não tinha méritos para entrar na terra de Israel, e por isso o povo passou mais 40 anos no deserto, até que toda aquela geração morresse e a nova geração pudesse entrar em Israel.

Ensinam os nossos sábios que não apenas as palavras da Torá foram meticulosamente escolhidas, mas também a ordem com a qual os eventos foram descritos foi meticulosamente definido por D'us. Portanto, sempre que dois assunto são escritos próximos um do outro é porque há alguma conexão entre eles e podemos aprender algum ensinamento importante. Qual é a conexão entre o castigo de Miriam e o erro dos espiões, e o que aprendemos desses dois assuntos para nossa vida?

Uma das características de D'us é nos castigar "Midá Keneged Midá" (medida por medida) por um erro cometido, isto é, D'us se comporta conosco da mesma forma que nós nos comportamos com os outros. Se gritamos com alguém, outra pessoa gritará conosco. Se roubamos algo, terminaremos sendo roubados. Isso é uma grande bondade de D'us, pois muitas vezes cometemos erros sem nem mesmo perceber, e se não fosse o castigo, não teríamos chance de nos arrepender. Quantas vezes ofendemos uma pessoa com uma brincadeira de mau gosto sem nem mesmo perceber que a estavamos magoando? Quantas vezes deixamos de dar atenção a pessoas que precisavam, e nem nos demos conta? A maneira que D'us tem para nos despertar é se comportar exatamente da mesma maneira conosco, para refletirmos e entendermos que fizemos com alguém o mesmo erro que outros estão fazendo conosco.

Porém, o ser humano tem uma incrível capacidade de ser subjetivo quando o que está em jogo é o seu ego. É muito difícil para o ser humano reconhecer que cometeu um erro, e o mais comum é que as pessoas tentem, a todo custo, justificar suas atitudes. Se pegamos troco a mais no banco não é roubo, é acerto de contas pelos juros cobrados indevidamente. Se pegamos os talheres do avião é porque já estava incluído no preço da passagem. Então, como os castigos podem funcionar para ensinar algo ao ser humano?

Ensina o Rav Chaim Shmulevitz que aquele que pára e presta atenção ao que lhe acontece no dia-a-dia certamente chegará a entender qual é a mensagem que D'us está transmitindo, pois os sofrimentos têm como uma de suas principais funções nos ensinar algo para a vida. Mas como somos subjetivos quando se trata de nossos erros, há uma outra maneira de aprendermos: observando o castigo recebido pelos outros.

Explica Rashi, comentarista da Torá, que este é o motivo da junção dos dois assuntos aparentemente tão desconectados. Quando Miriam fez Lashon Hará e foi punida, os espiões deveriam ter visto o castigo de Miriam e aprendido a lição de quanto pode ser dolorosa a consequência de denegrir e de ver as coisas de forma negativa. Mas a Torá mostra que os espiões não aprenderam a lição de Miriam, pois logo em seguida eles falaram mal da terra de Israel, causando não apenas para eles mesmos uma terrível punição, mas para o povo inteiro.

Portanto, a Parashá nos ensina duas lições práticas para melhorarmos um pouco mais a cada dia. A primeira é prestar atenção aos nossos próprios sofrimentos, tentando associar o que nos aconteceu de ruim a atos que tenhamos feito de mal a outras pessoas. E a segunda lição é aprendermos com o erro e o castigo que os outros recebem. Aprendendo com o que acontece aos outros, evitamos que futuramente aconteça conosco.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm