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sexta-feira, 12 de junho de 2026

O PODER DA VERDADE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT SHELACH 5786

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Luna Rachel bat Sara

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Sr. Avraham Favel ben Arieh z"l 

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O PODER DA VERDADE - PARASHAT SHELACH 5786 (12/jun/26) 

“Havia, em uma pequena cidade, um comerciante conhecido por sua honestidade. Durante anos ele construiu uma reputação impecável. As pessoas confiavam nele sem hesitar. Até que, certo dia, um cliente habitual entrou na loja para comprar alguns quilos de farinha. Enquanto observava a pesagem, teve a impressão de que a balança estava marcando um pouco a menos do que deveria. Pensou em comentar, mas como não tinha certeza, desistiu. Afinal, conhecia o comerciante havia muitos anos. Nas semanas seguintes, voltou outras vezes e notou a mesma coisa. As diferenças eram muito pequenas, mas sempre favoreciam o vendedor. Por fim, resolveu falar:
 
- Posso lhe fazer uma pergunta? Você já verificou sua balança recentemente? Tenho a impressão de que ela está pesando um pouco menos do que deveria.
 
- Não creio – disse o comerciante, franzindo a testa - Se houvesse algum problema, eu teria percebido.
 
Mesmo assim, depois que o cliente foi embora, o comerciante decidiu conferir. Descobriu que, de fato, a balança estava desregulada. Mandou consertá-la imediatamente. Alguns dias depois, o mesmo cliente voltou. Ao perceber que a balança tinha sido ajustada, elogiou o comerciante. O cliente então perguntou:
 
- Como você não tinha percebido isso antes? Você trabalha aqui todos os dias!
 
O comerciante ficou em silêncio por alguns instantes. Então ele suspirou e disse:
 
- Para dizer a verdade, eu tinha percebido que ultimamente meus lucros estavam acima do normal. Eu estranhava, mas logo encontrava alguma explicação: talvez o movimento estivesse melhor, talvez estivesse comprando mercadoria por preços melhores, talvez estivesse administrando melhor. Agora entendo que eu não queria investigar muito a questão. Enquanto os resultados me favoreciam, era mais confortável aceitar as explicações do que fazer perguntas. Somente quando você apontou o problema é que fui obrigado a encarar a realidade.”
 
O problema muitas vezes não é desconhecer a verdade. O problema é que, enquanto a mentira nos traz alguma vantagem, encontramos argumentos para evitar enxergar a verdade que, no fundo, já conhecemos.

Nesta semana lemos a Parashat Shelach (literalmente “Envie”), que descreve um dos erros mais graves do povo judeu, com consequências trágicas para todas as futuras gerações: o pecado dos espiões. Pouco tempo depois de terem saído do Monte Sinai, o povo judeu finalmente se aproximou de Erets Israel. Mas eles cometeram um erro enorme: não confiaram em D’us. Apesar de Ele já ter prometido que nos daria a Terra de Israel, uma terra onde flui o leite e o mel, o povo insistiu em enviar espiões para verificar a terra. Dos doze espiões enviados, dez voltaram falando mal da terra, dizendo que seria impossível conquistá-la, enquanto apenas dois, Calev e Yehoshua, falaram bem da terra e insistiram que D’us nos ajudaria na conquista. O povo preferiu escutar aqueles que trouxeram informações negativas e choraram um choro amargo e desesperado. Aquele dia era Tishá Be Av, e ficou marcado como um dia de choro para todas as gerações, com muitas tragédias dentro do povo judeu.
 
Mas é difícil entender como uma geração de pessoas tão elevadas, que haviam recebido pessoalmente a Torá no Monte Sinai e presenciado milagres abertos, pudessem cometer uma falha tão grosseira. Eles eram conhecidos como “Dor HaDeá”, a geração do conhecimento! Então por que não confiaram em D’us?
 
Há um interessante Midrash que traz um pouco de luz e entendimento sobre o que realmente aconteceu. De acordo com o Midrash, o povo disse a Moshé: “Enviemos homens à nossa frente” (Devarim 1:22). Moshé então questionou: “Para que vocês querem enviar espiões?”. Para Moshé, era óbvio que não havia necessidade de nenhum esforço adicional. O povo respondeu: “D’us nos prometeu que entraremos em Eretz Knaan e herdaremos todas as riquezas deles. Porém, quando os habitantes ouvirem que estamos chegando, poderão tentar esconder seus bens. Então parecerá que a promessa de D’us não se cumpriu integralmente e o Nome Dele será manchado. Portanto, vamos enviar espiões para descobrir onde eles esconderam seus tesouros”. Quando Moshé ouviu isso, achou que era um bom argumento, como está escrito: “E a coisa pareceu boa aos meus olhos” (Devarim 1:23).
 
Segundo o Midrash, o povo não estava sendo hipócrita. As pessoas realmente estavam convencidas de que sua intenção ao enviar os espiões era apenas promover um Kidush Hashem, a santificação do Nome Divino. Aquela geração, que havia recebido pessoalmente a Torá no Har Sinai, apesar de toda a sua compreensão espiritual, não conseguiu percebeu seu próprio erro.
 
O mais incrível foi que nem mesmo Moshé conseguiu identificar que, no fundo, as intenções não eram puras. Mas como isso é possível? Moshé, com a grandeza de sua sabedoria, conseguia compreender cada pessoa em sua essência, incluindo as forças mais ocultas de sua alma. Ele discernia o caráter das pessoas através da sabedoria da fisionomia, chamada “Chochmat Hapartsuf”. Os judeus costumavam procurar Moshé para pedir orientação sobre seu Serviço particular a D’us. Moshé ensinava a cada um os conselhos e caminhos apropriados à sua situação específica. Então, como nem mesmo ele conseguiu perceber o erro presente na motivação do povo?
 
Devemos necessariamente concluir que o erro era tão sutil que nem mesmo Moshé conseguiu percebê-lo. Afinal, D’us responsabilizou o povo judeu pelo pecado dos espiões, mas não Moshé. Isso demonstra que, mesmo com a maior sabedoria possível, não se pode discernir todas as sutilezas das forças interiores da alma. Somente através da profecia seria possível esclarecê-las completamente. No caso dos espiões, D’us não quis revelar a Moshé a verdade por trás da iniciativa do povo, conforme o significado das palavras iniciais da nossa Parashá: “Shelach Lechá”, “Envie para você”, isto é, segundo o seu próprio entendimento. Por isso, apesar de toda a sua sabedoria, Moshé errou nessa sutileza, pois humanamente não tinha como percebê-la.
 
Mas desta explicação do Midrash surge então um enorme questionamento: se Moshé não foi responsabilizado por esse erro, já que não era possível entender que as verdadeiras intenções do plano de enviar espiões não eram realmente boas, então por que o povo judeu foi responsabilizado?
 
O Rav Eliyahu Dessler zt”l (Império Russo, 1892 - Israel, 1953) explica que uma das coisas que pode nos desviar dos caminhos corretos é o suborno, como a própria Torá afirma: “Pois o suborno cega os olhos dos sábios e perverte as palavras dos justos” (Devarim 16:19). Suborno não necessariamente significa aceitar uma certa quantia de dinheiro para fazer algo errado. Os nossos interesses também podem funcionar como suborno. Porém, uma vez que o suborno cega os olhos dos sábios e ninguém consegue enxergar suas próprias falhas, então como é possível distinguir a verdade? Afinal, em tudo o que escolhemos na vida, já possuímos algum envolvimento pessoal com um dos lados da questão!
 
A resposta é que o interesse pessoal não encobre completamente a verdade. Mesmo depois que o Yetzer Hará seduz a pessoa e a leva a pensar que o caminho da falsidade também é verdadeiro, ela continua sabendo, no íntimo, que o caminho da verdade é mais verdadeiro do que qualquer outra alternativa. É uma das grandes bondades de D’us o fato de Ele não ter concedido ao Yetzer Hará o poder de ocultar a verdade por completo. Toda pessoa é capaz de perceber em seu coração qual é o caminho da verdade pura. Da mesma forma que D’us disse sobre o povo judeu em relação aos nossos exílios físicos: “Não os rejeitei nem os desprezei para destruí-los” (Vaikrá 26:44), assim também ocorre no exílio da nossa alma: o reconhecimento da verdade jamais desaparece completamente, mesmo quando está exilado sob o domínio do Yetser Hará.
 
Por isso, a pessoa deve refletir constantemente e lembrar-se de que somente a verdade possui existência real. Tudo aquilo que se afasta dela é falsidade e não possui consistência verdadeira. Depois de enraizar em si essa percepção, deverá utilizar a reflexão, o aconselhamento com os nossos sábios e o temor a D’us para salvar-se da falsidade e distingui-la da verdade.
 
Aquele que examina suas ações sob essa perspectiva é chamado de alguém que tem um “olhar da verdade”. E há algo extraordinário nisso, pois nos ensina o quão grande é o poder desse “olhar da verdade” e, portanto, até que ponto a pessoa é responsável mesmo por um erro extremamente sutil, pois ela tem, em última instância, a possibilidade de esclarecê-lo através desse olhar, mesmo que o desvio seja algo extremamente sutil.
 
Com esta explicação do Rav Dessler podemos entender o motivo pelo qual o povo judeu foi castigado pelo pecado dos espiões. Mesmo um erro tão sutil, impossível de ser percebido por Moshé quando observava os outros, poderia ter sido percebido por cada uma das pessoas envolvidas através do seu próprio “olhar da verdade”, se eles realmente desejassem enxergá-lo. E por não terem feito isso, foram punidos de forma tão severa, a ponto de provocar o decreto do “choro para todas as gerações”.
 
Esta é uma lição muito preciosa para nós. Também somos enganados pelo Yetser Hará nas sutilezas das nossas escolhas. Muitas vezes achamos que estamos fazendo uma grande Mitsvá quando, na realidade, estamos nos afastando de D’us. Nossa tarefa é nos fortalecer constantemente na qualidade da verdade e nos apegar a ela, principalmente através da reflexão constante e do aconselhamento com os nossos sábios. Pois, quando a pessoa faz isso, o Yetzer Hará já não consegue mais enganá-la de forma alguma.

SHABAT SHALOM 

R’ Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
 
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quinta-feira, 14 de julho de 2022

ENXERGANDO O QUE SE QUER ENXERGAR - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BALAK 5782

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"Privacidade é uma brachá" - Parashat Balak - R. Efraim Birbojm - Hidabroot Brasil (2022)
ASSUNTOS DA PARASHÁ BALAK
  • Balak, rei de Moav, contrata Bilaam.
  • Bilaam pede permissão a D'us.
  • Mula de Bilaam e o anjo no caminho.
  • 3 tentativas de amaldiçoar o povo judeu convertidas em 3 Brachót.
  • A transgressão do povo judeu com as mulheres de Midian.
  • A transgressão pública de Zimri (Shimon) e Kosbi (Midian)
  • O zelo de Pinchás
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ENXERGANDO O QUE SE QUER ENXERGAR - PARASHÁ BALAK 5782 (15/jul/22)

Um homem estava em Paris. De repente, ele viu um pitbull atacando uma criança. Ele agiu rápido, conseguiu matar o pitbull e salvar a vida da garota. Um repórter, ao ver a cena, correu para entrevistar aquele herói. Seria uma incrível história para escrever em seu jornal.
 
- Diga-me, qual é o seu nome? Toda Paris vai amar você! A manchete de amanhã será: "Herói de Paris salva garota de um cão raivoso!"

- Mas eu não sou de Paris - disse o homem.

- Tudo bem - continuou o repórter - Então toda a França amará você e a manchete de amanhã será: "Herói francês salva menina de ataque de cachorro cruel!"

- Eu também não sou da França - corrigiu o homem.

- Não tem problema - continuou o repórter - Toda a Europa vai amar você. As manchetes de amanhã gritarão: "Herói europeu salva garota de um cão cruel!"

- Eu também não sou da Europa - corrigiu mais uma vez o homem - Eu sou de Israel.

- Ah, Ok, entendi - disse secamente o repórter.
 
Na manhã seguinte, saiu a manchete: "Judeu cruel mata cachorrinho de menina francesa!"

Pode ser uma piada, mas é um reflexo de como infelizmente a mídia distorce os fatos. Na realidade, não é apenas a mídia. Em nosso cotidiano, costumamos enxergar as situações da maneira como queremos. Distorcemos a realidade para que tudo se encaixe na forma como nós queremos ver cada situação.

Nessa semana lemos a Parashá Balak, que se conecta com o assunto final da Parashá da semana passada. O povo judeu se aproximava de sua entrada na Terra de Israel, depois de quase 40 anos vagando pelo deserto. Quando foram passar pela terra de Sichon, rei dos Emorim, os judeus pediram permissão para atravessar em paz, sem nenhum tipo de dano ou ameaça à soberania deles. Porém, os Emorim se levantaram contra o povo judeu e os atacaram, mas foram derrotados. Logo depois foi a vez de Og, o rei de Bashan, que também tentou se levantar contra o povo judeu e foi derrotado.

Nossa Parashá começa justamente com a descrição de como Balak, o rei de Moav, se sentiu ao ver o que havia acontecido com Sichon e Og, dois reis extremamente poderosos. Ele sentiu muito medo do povo judeu, imaginando que seu povo seria a próxima vítima deles. Após ver que os judeus haviam passado como um trator sobre seus inimigos, Balak entendeu que tentar guerrear contra um povo tão poderoso, com tamanha proteção espiritual, seria tolice. Ele então resolveu mudar de tática e, ao invés de uma guerra material, ele quis atacar o povo judeu espiritualmente. Balak contratou um dos maiores profetas da época, Bilaam, cujo potencial espiritual era do nível de Moshé Rabeinu.

Bilaam possuía um incrível poder na fala. Quem ele amaldiçoava era efetivamente amaldiçoado e sofria as consequências de sua energia negativa. De onde Balak conhecia Bilaam? Ele havia sentido na pele a força de suas maldições. Quando Moav estava em guerra contra os Emorim, o rei Sichon não conseguia derrotá-lo. Então ele contratou Bilaam para amaldiçoar Moav, e foi somente depois da maldição que o rei Sichon saiu vitorioso. Portanto, Balak tinha visto que o poder da fala de Bilaam era algo real e extremamente poderoso, e se apoiou na força de sua maldição para tentar vencer o povo judeu.
 
Como Balak sabia que Bilaam gostava de honra e dinheiro, mandou pessoas importantes para contratá-lo, oferecendo uma quantia enorme de moedas de ouro. Apesar de Bilaam saber que D'us não queria que ele fosse, mesmo assim decidiu ir com os emissários de Balak. E, quando estava no caminho, algo incrível aconteceu. O jumento no qual ele montava se recusou a continuar andando e, de repente, abriu a boca e começa a conversar com Bilaam. Desde o início da história da humanidade tal evento nunca havia ocorrido, de um animal conversar com um ser humano.

Mas qual é o grande ensinamento que este acontecimento traz para as nossas vidas? Infelizmente acabamos lendo a Torá sem refletir sobre os detalhes e, por isso, acabamos perdendo incríveis lições. Para entendermos o que ocorreu, precisamos tentar trazer as histórias da Torá para a nossa realidade. Imagine se estivéssemos, em um dia qualquer, dirigindo tranquilamente nosso carro pela estrada e, de repente, nos deparássemos com uma bifurcação. Sem o waze para nos auxiliar, ficaríamos na dúvida de qual dos dois caminhos é o correto, isto é, qual é aquele que nos levaria à cidade onde queremos chegar. Neste momento de dúvida, escolhemos aleatoriamente o caminho da esquerda. O que aconteceria se, neste exato momento, o nosso carro parasse e falasse conosco: "Ei, pare! Você está indo no caminho errado! O caminho correto era o da direita!". O que faríamos? Ao menos não pararíamos para refletir se realmente estamos indo no caminho correto?

Será que alguém poderia ignorar este acontecimento e continuar no caminho da esquerda como se nada tivesse acontecido? Dificilmente isso aconteceria, até mesmo se fosse uma pessoa comum, meio avoada, não muito inteligente e perspicaz. Portanto, esperaríamos que Bilaam, uma pessoa inteligente e perspicaz, dono de incríveis dons espirituais, parasse para questionar suas atitudes. Como uma pessoa como ele deveria ter reagido ao fato de o seu jumento estar falando que ele estava errado? Certamente deveria ter parado para refletir sobre aquele incrível acontecimento, completamente fora das leis da natureza. Ele deveria ter concluído que não estava utilizando seu poder da fala corretamente e que deveria retornar imediatamente para casa, arrependido por ter ido, sem a autorização de D'us, acompanhar pessoas ruins para fazer o mal. Isso não é claro como o dia? Isso não deveria ter deixado uma marca, uma impressão forte em Bilaam?

Mas, por incrível que pareça, este incrível evento não deixou absolutamente nenhuma marca em Bilaam. Ao final desse episódio, a Torá nos conta que "Bilaam levantou-se e retornou ao seu lugar" (Bamidbar 24:25). Isso não significa que ele retornou ao seu lugar apenas em termos físicos, mas também em termos espirituais. Mesmo após aquele milagre aberto, tudo voltou a ser o que era antes, não houve absolutamente nenhuma mudança. Bilaam, mesmo com todo o seu potencial, não conseguiu enxergar a incrível mensagem Divina.

De acordo com o Rav Yssocher Frand, essa é a importante lição a ser aprendida da nossa Parashá: o quão cego uma pessoa pode ser. Quando a pessoa tem algum motivo pessoal, que pode ser dinheiro, poder ou qualquer outro desejo, verdadeiros subornos ao nosso julgamento, ela pode ficar cega. D'us pode enviar uma mensagem claríssima, mas ela não conseguirá enxergar. Isso é assustador. Queremos sempre fazer o que é o correto. Ninguém quer intencionalmente fazer o mal e prejudicar os outros. Porém, uma situação pode estar clara como o dia para um observador atento, porém a própria pessoa que está indo no caminho da transgressão não consegue enxergar o que está diante dos seus próprios olhos. E o mais assustador é o fato de que, se isso pôde acontecer com Bilaam, alguém com um potencial espiritual tão elevado, que podia falar diretamente com D'us, pode acontecer a qualquer um de nós. Se até mesmo Bilaam ficou completamente "cego" por causa de seus subornos, qualquer um de nós também pode ficar.
 
Explica o livro "Messilat Yesharim", de autoria do Rav Moshe Chaim Luzzato zt"l (Itália, 1707 - Israel, 1746), que o mundo material se assemelha a uma noite escura. A escuridão pode trazer dois problemas para o ser humano. O primeiro problema é a pessoa não conseguir enxergar nada, mesmo o que está diante dela. Por isso, quando aparecem obstáculos no caminho, a pessoa simplesmente cai, sem nem mesmo ter percebido o perigo que estava diante dela. Porém, o segundo problema é certamente muito mais grave. A escuridão pode causar na pessoa uma ilusão de ótica, de forma que ela pensa que um pilar é uma pessoa e uma pessoa é um pilar. Isso quer dizer que uma pessoa pode passar uma vida inteira achando que o mal é algo bom e que o bem é algo ruim. Desta maneira, a pessoa vai fortalecer seus maus atos, pois não apenas a pessoa não enxerga a verdade, mas também inverte os valores e procura evidências para apoiar suas teorias e ideias falsas. O grande problema desta "cegueira espiritual" é que a pessoa não engana os outros, ela engana a si mesma.
 
Como fugir desta "cegueira espiritual"? Explica o Rav Moshe Chaim Luzzato que há duas maneiras. A primeira é se aconselhar com os sábios de Torá, pois além de terem o conhecimento das leis espirituais, eles estão livres dos nossos subornos e podem nos orientar sem estarem sob influência dos nossos desejos. Outro conselho dos nossos sábios é fazer "Cheshbon Hanefesh", isto é, refletir sobre nossos atos, principalmente nos momentos em que não estamos com o desejo fervendo dentro de nós.

Este é o principal ensinamento que pode ser extraído do incidente com Bilaam: não há maior cego do que aquele que não quer ver. Sabemos o final medíocre da vida de Bilaam, alguém com potencial de Moshé Rabeinu, mas que escolheu um caminho de prazeres e honra. Que possamos abrir os nossos olhos.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

 
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