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quinta-feira, 14 de julho de 2022

ENXERGANDO O QUE SE QUER ENXERGAR - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BALAK 5782

BS"D
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PARASHÁ BALAK



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MENSAGENS DA PARASHÁ BALAK

"Privacidade é uma brachá" - Parashat Balak - R. Efraim Birbojm - Hidabroot Brasil (2022)
ASSUNTOS DA PARASHÁ BALAK
  • Balak, rei de Moav, contrata Bilaam.
  • Bilaam pede permissão a D'us.
  • Mula de Bilaam e o anjo no caminho.
  • 3 tentativas de amaldiçoar o povo judeu convertidas em 3 Brachót.
  • A transgressão do povo judeu com as mulheres de Midian.
  • A transgressão pública de Zimri (Shimon) e Kosbi (Midian)
  • O zelo de Pinchás
BS"D

ENXERGANDO O QUE SE QUER ENXERGAR - PARASHÁ BALAK 5782 (15/jul/22)

Um homem estava em Paris. De repente, ele viu um pitbull atacando uma criança. Ele agiu rápido, conseguiu matar o pitbull e salvar a vida da garota. Um repórter, ao ver a cena, correu para entrevistar aquele herói. Seria uma incrível história para escrever em seu jornal.
 
- Diga-me, qual é o seu nome? Toda Paris vai amar você! A manchete de amanhã será: "Herói de Paris salva garota de um cão raivoso!"

- Mas eu não sou de Paris - disse o homem.

- Tudo bem - continuou o repórter - Então toda a França amará você e a manchete de amanhã será: "Herói francês salva menina de ataque de cachorro cruel!"

- Eu também não sou da França - corrigiu o homem.

- Não tem problema - continuou o repórter - Toda a Europa vai amar você. As manchetes de amanhã gritarão: "Herói europeu salva garota de um cão cruel!"

- Eu também não sou da Europa - corrigiu mais uma vez o homem - Eu sou de Israel.

- Ah, Ok, entendi - disse secamente o repórter.
 
Na manhã seguinte, saiu a manchete: "Judeu cruel mata cachorrinho de menina francesa!"

Pode ser uma piada, mas é um reflexo de como infelizmente a mídia distorce os fatos. Na realidade, não é apenas a mídia. Em nosso cotidiano, costumamos enxergar as situações da maneira como queremos. Distorcemos a realidade para que tudo se encaixe na forma como nós queremos ver cada situação.

Nessa semana lemos a Parashá Balak, que se conecta com o assunto final da Parashá da semana passada. O povo judeu se aproximava de sua entrada na Terra de Israel, depois de quase 40 anos vagando pelo deserto. Quando foram passar pela terra de Sichon, rei dos Emorim, os judeus pediram permissão para atravessar em paz, sem nenhum tipo de dano ou ameaça à soberania deles. Porém, os Emorim se levantaram contra o povo judeu e os atacaram, mas foram derrotados. Logo depois foi a vez de Og, o rei de Bashan, que também tentou se levantar contra o povo judeu e foi derrotado.

Nossa Parashá começa justamente com a descrição de como Balak, o rei de Moav, se sentiu ao ver o que havia acontecido com Sichon e Og, dois reis extremamente poderosos. Ele sentiu muito medo do povo judeu, imaginando que seu povo seria a próxima vítima deles. Após ver que os judeus haviam passado como um trator sobre seus inimigos, Balak entendeu que tentar guerrear contra um povo tão poderoso, com tamanha proteção espiritual, seria tolice. Ele então resolveu mudar de tática e, ao invés de uma guerra material, ele quis atacar o povo judeu espiritualmente. Balak contratou um dos maiores profetas da época, Bilaam, cujo potencial espiritual era do nível de Moshé Rabeinu.

Bilaam possuía um incrível poder na fala. Quem ele amaldiçoava era efetivamente amaldiçoado e sofria as consequências de sua energia negativa. De onde Balak conhecia Bilaam? Ele havia sentido na pele a força de suas maldições. Quando Moav estava em guerra contra os Emorim, o rei Sichon não conseguia derrotá-lo. Então ele contratou Bilaam para amaldiçoar Moav, e foi somente depois da maldição que o rei Sichon saiu vitorioso. Portanto, Balak tinha visto que o poder da fala de Bilaam era algo real e extremamente poderoso, e se apoiou na força de sua maldição para tentar vencer o povo judeu.
 
Como Balak sabia que Bilaam gostava de honra e dinheiro, mandou pessoas importantes para contratá-lo, oferecendo uma quantia enorme de moedas de ouro. Apesar de Bilaam saber que D'us não queria que ele fosse, mesmo assim decidiu ir com os emissários de Balak. E, quando estava no caminho, algo incrível aconteceu. O jumento no qual ele montava se recusou a continuar andando e, de repente, abriu a boca e começa a conversar com Bilaam. Desde o início da história da humanidade tal evento nunca havia ocorrido, de um animal conversar com um ser humano.

Mas qual é o grande ensinamento que este acontecimento traz para as nossas vidas? Infelizmente acabamos lendo a Torá sem refletir sobre os detalhes e, por isso, acabamos perdendo incríveis lições. Para entendermos o que ocorreu, precisamos tentar trazer as histórias da Torá para a nossa realidade. Imagine se estivéssemos, em um dia qualquer, dirigindo tranquilamente nosso carro pela estrada e, de repente, nos deparássemos com uma bifurcação. Sem o waze para nos auxiliar, ficaríamos na dúvida de qual dos dois caminhos é o correto, isto é, qual é aquele que nos levaria à cidade onde queremos chegar. Neste momento de dúvida, escolhemos aleatoriamente o caminho da esquerda. O que aconteceria se, neste exato momento, o nosso carro parasse e falasse conosco: "Ei, pare! Você está indo no caminho errado! O caminho correto era o da direita!". O que faríamos? Ao menos não pararíamos para refletir se realmente estamos indo no caminho correto?

Será que alguém poderia ignorar este acontecimento e continuar no caminho da esquerda como se nada tivesse acontecido? Dificilmente isso aconteceria, até mesmo se fosse uma pessoa comum, meio avoada, não muito inteligente e perspicaz. Portanto, esperaríamos que Bilaam, uma pessoa inteligente e perspicaz, dono de incríveis dons espirituais, parasse para questionar suas atitudes. Como uma pessoa como ele deveria ter reagido ao fato de o seu jumento estar falando que ele estava errado? Certamente deveria ter parado para refletir sobre aquele incrível acontecimento, completamente fora das leis da natureza. Ele deveria ter concluído que não estava utilizando seu poder da fala corretamente e que deveria retornar imediatamente para casa, arrependido por ter ido, sem a autorização de D'us, acompanhar pessoas ruins para fazer o mal. Isso não é claro como o dia? Isso não deveria ter deixado uma marca, uma impressão forte em Bilaam?

Mas, por incrível que pareça, este incrível evento não deixou absolutamente nenhuma marca em Bilaam. Ao final desse episódio, a Torá nos conta que "Bilaam levantou-se e retornou ao seu lugar" (Bamidbar 24:25). Isso não significa que ele retornou ao seu lugar apenas em termos físicos, mas também em termos espirituais. Mesmo após aquele milagre aberto, tudo voltou a ser o que era antes, não houve absolutamente nenhuma mudança. Bilaam, mesmo com todo o seu potencial, não conseguiu enxergar a incrível mensagem Divina.

De acordo com o Rav Yssocher Frand, essa é a importante lição a ser aprendida da nossa Parashá: o quão cego uma pessoa pode ser. Quando a pessoa tem algum motivo pessoal, que pode ser dinheiro, poder ou qualquer outro desejo, verdadeiros subornos ao nosso julgamento, ela pode ficar cega. D'us pode enviar uma mensagem claríssima, mas ela não conseguirá enxergar. Isso é assustador. Queremos sempre fazer o que é o correto. Ninguém quer intencionalmente fazer o mal e prejudicar os outros. Porém, uma situação pode estar clara como o dia para um observador atento, porém a própria pessoa que está indo no caminho da transgressão não consegue enxergar o que está diante dos seus próprios olhos. E o mais assustador é o fato de que, se isso pôde acontecer com Bilaam, alguém com um potencial espiritual tão elevado, que podia falar diretamente com D'us, pode acontecer a qualquer um de nós. Se até mesmo Bilaam ficou completamente "cego" por causa de seus subornos, qualquer um de nós também pode ficar.
 
Explica o livro "Messilat Yesharim", de autoria do Rav Moshe Chaim Luzzato zt"l (Itália, 1707 - Israel, 1746), que o mundo material se assemelha a uma noite escura. A escuridão pode trazer dois problemas para o ser humano. O primeiro problema é a pessoa não conseguir enxergar nada, mesmo o que está diante dela. Por isso, quando aparecem obstáculos no caminho, a pessoa simplesmente cai, sem nem mesmo ter percebido o perigo que estava diante dela. Porém, o segundo problema é certamente muito mais grave. A escuridão pode causar na pessoa uma ilusão de ótica, de forma que ela pensa que um pilar é uma pessoa e uma pessoa é um pilar. Isso quer dizer que uma pessoa pode passar uma vida inteira achando que o mal é algo bom e que o bem é algo ruim. Desta maneira, a pessoa vai fortalecer seus maus atos, pois não apenas a pessoa não enxerga a verdade, mas também inverte os valores e procura evidências para apoiar suas teorias e ideias falsas. O grande problema desta "cegueira espiritual" é que a pessoa não engana os outros, ela engana a si mesma.
 
Como fugir desta "cegueira espiritual"? Explica o Rav Moshe Chaim Luzzato que há duas maneiras. A primeira é se aconselhar com os sábios de Torá, pois além de terem o conhecimento das leis espirituais, eles estão livres dos nossos subornos e podem nos orientar sem estarem sob influência dos nossos desejos. Outro conselho dos nossos sábios é fazer "Cheshbon Hanefesh", isto é, refletir sobre nossos atos, principalmente nos momentos em que não estamos com o desejo fervendo dentro de nós.

Este é o principal ensinamento que pode ser extraído do incidente com Bilaam: não há maior cego do que aquele que não quer ver. Sabemos o final medíocre da vida de Bilaam, alguém com potencial de Moshé Rabeinu, mas que escolheu um caminho de prazeres e honra. Que possamos abrir os nossos olhos.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

 
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
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quinta-feira, 30 de setembro de 2021

SUBORNOS DIÁRIOS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BERESHIT 5782

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VÍDEOS DA PARASHÁ BERESHIT
ASSUNTOS DA PARASHÁ BERESHIT
  • Dia um: Luz e Escuridão.
  • Segundo dia: Separação das águas de baixo e de cima. 
  • Terceiro dia: Terra firme e Vegetais.
  • Quarto dia: Sol, Lua e Estrelas.
  • Quinto dia: Animais aquáticos.
  • Sexto dia: Animais da terra e Adam Harishon.
  • Shabat.
  • Adam e Chavá no Gan Éden.
  • A cobra engana Chavá.
  • A transgressão de Adam e Chavá.
  • D'us aparece no Gan Éden.
  • A maldição da cobra.
  • A maldição de Chavá.
  • A maldição de Adam.
  • A expulsão do Gan Éden.
  • Cain e Hevel: Oferendas e assassinato.
  • Julgamento e castigo de Cain.
  • 10 gerações de Adam a Noach.
  • Os filhos de Noach: Shem, Ham e Yefet.
  • Os gigantes e as transgressões.
  • Decreto de destruição do mundo.
BS"D

SUBORNOS DIÁRIOS - PARASHÁ BERESHIT 5782 (01 de outubro de 2021)

 
"O Rav Israel Salanter zt"l (Lituânia, 1810 - Prússia, 1883) estava certa vez em uma cidade distante, onde as pessoas não o conheciam. Um judeu muito simples, ao ver o distinto rabino, pensou tratar-se de um shochet que estava de passagem. Ele quis aproveitar a oportunidade e pediu para que o rabino fizesse shechitá em sua galinha, para que pudesse preparar o almoço. O Rav Salanter imediatamente recusou, explicando que não era um shochet. O Rav Salanter então continuou conversando com aquele homem. Após alguns momentos, ele perguntou ao homem se ele poderia lhe emprestar por uma semana a quantia de mil moedas. Ao escutar aquele pedido, o homem se assustou e respondeu:

- Mas eu nem te conheço! Como posso confiar em você? Como posso saber se você realmente vai me devolver o dinheiro daqui a uma semana?
 
O Rav Salanter abriu um sorriso e ensinou ao homem uma importante lição:
 
- Se você não me conhece e não confia em mim para me emprestar mil moedas, então como é que você confiou em mim para realizar a shechitá na sua galinha? Seu Mundo Vindouro vale menos do que mil moedas?"
 
É interessante perceber como muitas vezes temos dois pesos e duas medidas nas decisões que tomamos na vida. Isso acontece principalmente quando temos interesses envolvidos. O homem queria tanto comer o frango que estava disposto a confiar na shechitá de um completo desconhecido, mas não confiava na mesma pessoa para emprestar dinheiro, já que nesta área ele não tinha nenhum interesse envolvido.

Acabamos de passar pela Festa de Simchá Torá, na qual completamos o ciclo anual de leitura da Torá, e demonstramos o amor pelos ensinamos de D'us ao reiniciarmos imediatamente sua leitura. Portanto, nesta semana lemos a primeira Parashá da Torá, Bereshit (literalmente "No princípio"), que descreve a criação do mundo e dos primeiros seres humanos, Adam e Chavá. Eles foram criados e colocados no Gan Éden, um lugar paradisíaco, e D'us deu a eles um único mandamento: eles poderiam usufruir de todos os frutos que havia no Gan Éden, menos do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal.
 
Infelizmente, poucas horas depois de terem sido criados, Adam e Chavá transgrediram o comando de D'us ao comerem do fruto proibido e foram duramente castigados, sendo expulsos do Gan Éden para sempre e perdendo o seu caráter imortal. Além destes castigos gerais, todos os envolvidos na transgressão, isto é, Adam, Chavá e a cobra, receberam castigos particulares, de acordo com a participação de cada um na transgressão. Mas como aconteceu este erro tão grosseiro, poucas horas depois de Adam e Chavá terem sido criados? Eles eram seres muito elevados, estavam muito próximos de D'us! O que os levou a tropeçarem tão rapidamente?
 
Explicam os nossos sábios que Adam, ao receber o comando de D'us que o proibia de comer certo fruto do Gan Éden, quis acrescentar uma proteção extra ao comando de D'us. Ao transmitir a proibição para sua esposa, ele acrescentou também a proibição de tocar no fruto. Com isso, Adam estava fazendo uma proteção para a Mitzvá, pois se eles evitassem encostar no fruto, certamente nunca chegariam a comê-lo. Porém, a falha de Adam foi não ter explicado para Chavá que a proibição de encostar no fruto era apenas um cerco de proteção da Mitzvá. Ele transmitiu para Chavá como se fosse parte do comando de D'us, de forma que Chavá entendeu que morreria se comesse do fruto proibido ou se apenas encostasse nele. A cobra aproveitou-se desta pequena falha para enganar Chavá, empurrando-a para que ela encostasse no fruto. Como nada aconteceu, a cobra disse para Chavá: "Da mesma forma que nada aconteceu por você ter encostado no fruto, então certamente nada acontecerá caso você coma dele". Desta maneira a cobra conseguiu convencer Chavá a transgredir a vontade de D'us. Logo depois de ter comido o fruto proibido, Chavá levou para que Adam também comesse dele.
 
Entendemos que Chavá quis comer do fruto proibido por ter sido enganada pela cobra e por achar que não havia nenhum problema. Mas por que ela também levou do fruto para que seu marido Adam comesse? Explica Rashi (França, 1040 - 1105) que foi por uma motivação completamente egoísta. Chavá não queria morrer e deixar seu marido vivo, pois sabia que ele se casaria com outra mulher. Então ela levou o fruto para que ele também comesse e, caso ela morresse, ele também morreria.
 
Porém, esta explicação de Rashi desperta um enorme questionamento. Chavá somente comeu do fruto proibido pois estava completamente convencida de que não morreria caso comesse. Então por que imediatamente após ter comido ela teve medo de morrer? O que mudou?

A resposta está em uma interessante parábola. Havia um país no qual os governantes de cada província se reuniam periodicamente para discutir assuntos de interesse comum. Certa vez, em um destes encontros, um dos governantes de uma das menores províncias começou a contar que perto do seu palácio vivia um judeu, muito justo e temente a D'us, que podia prever o futuro. Muitas de suas profecias haviam se concretizado de forma completa e precisa. Quando o governante da maior província escutou aquilo, não conseguiu suportar a ideia de que um governante de uma província tão pequena se gabasse daquela maneira. Por isso, ele sugeriu que o judeu fosse trazido na próxima reunião, para que pudessem testar se a informação era verdadeira. Quando chegou a época da próxima reunião, o judeu foi convidado. Ele começou a tremer muito, imaginando que algo ruim pudesse estar sendo tramado. E ele estava certo. O governante da maior província, que era um homem extremamente orgulhoso, tinha preparado um plano secreto. Ele convidou o judeu, diante de todos, a subir no palco, e fez a ele uma simples pergunta: "Se você pode prever o futuro, então nos diga: quando será o dia da sua morte?". Se o judeu dissesse uma data qualquer, o governante orgulhoso sacaria do bolso uma arma e mataria o judeu, provando que ele estava errado. E mesmo se ele dissesse "Hoje", o governante esperaria anoitecer e o mataria, provando que ele havia errado a previsão. O judeu, apavorado, rezou para que D'us o iluminasse. De repente, ele respondeu: "Não sei a data exata, mas sei que vou morrer exatamente no mesmo dia que você". O governante colocou a mão no bolso para pegar a arma, mas sua mão paralisou. Os outros governantes, que sabiam do plano, o incentivavam, mas ele não conseguia se mexer. Após alguns longos minutos, o governante arrogante mandou o judeu descer do palco e ir embora. Quando os outros governantes vieram questionar o motivo pelo qual ele não havia aproveitado a oportunidade, ele disse: "Vocês são tolos? Não escutaram o que ele disse, que eu vou morrer no mesmo dia que ele? E se ele estiver certo?".
 
Explica o livro "Lekach Tov" que esta é a força dos interesses que movem uma pessoa. Todo momento em que os interesses que moviam o governante era a inveja e o orgulho, ele se recusava a acreditar que o judeu realmente podia prever o futuro. Ele acreditava que era uma farsa, não podia aceitar que havia na província pequena algo melhor do que em sua enorme província. Porém, quando os interesses mudaram e passaram a ser a vontade que o ser humano tem de ficar vivo, então seu entendimento mudou de um extremo para o outro, e ele começou a acreditar que talvez realmente aquele judeu soubesse prever o futuro.
 
Isto também explica a mudança de comportamento de Chavá. Em um primeiro momento, ela estava sendo movida pelo seu desejo de comer a fruta, conforme está escrito: "E a mulher viu que a árvore era boa para comer e era um deleite para os olhos" (Bereshit 3:6). Como seu interesse era o desejo de comer, ela se deixou enganar pelas palavras da cobra e realmente acreditou que nada aconteceria caso ela comesse do fruto proibido. Porém, imediatamente após ter comido o fruto, o interesse baseado no desejo desapareceu, e entrou na cabeça de Chavá a dúvida: "E se as palavras da cobra não forem verdadeiras? Neste caso, eu vou morrer! E se eu morrer, então meu marido se casará com outra mulher!". Portanto, naquele momento entrou em Chavá um novo interesse, o de não permitir que seu marido se casasse com outra mulher. Foi por isso que ela deu a ele o fruto proibido, para que ele também comesse e morresse.
 
Esta mesma luta de interesses acontece o tempo todo dentro de nós. Quando a Torá nos ensina: "Não aceite suborno, pois o suborno cega os olhos dos sábios e perverte as palavras justas" (Devarim 16:19), normalmente pensamos que não é algo que se aplica a nós. Porém, quando a Torá nos proíbe de recebermos suborno, não se refere apenas a recebermos propinas em uma transação comercial ou um juiz receber um presente para julgar um caso de forma parcial. Suborno é tudo aquilo que nos desvia de fazer o que é correto. Suborno são os nossos interesses e desejos, que nos levam a procurar justificativas para nossas condutas incorretas. A verdade é que nossos atos e pensamentos são influenciados o tempo todos pelos nossos interesses. Se prestarmos atenção, perceberemos que estamos o tempo inteiro sendo subornados. Então como não cair no mesmo erro de Chavá?
 
A resposta está em um importante ensinamento dos nossos sábios: "Faça para você um rabino e adquira para você um amigo" (Pirkei Avót 1:6). Amigo verdadeiro é aquele que quer o nosso bem e, ao nos ver tomando as decisões erradas, chama a nossa atenção. O amigo não compartilha dos mesmos interesses e subornos e, portanto, pode nos ajudar a enxergar a verdade. Da mesma forma, o rabino é alguém que nos olha "de fora" e, portanto, pode nos ajudar a tomar as decisões corretas. Além disso, o rabino tem o conhecimento das leis da Torá, e pode nos orientar e nos ajudar a tomarmos sempre as decisões corretas. Somente desta maneira, com muito aconselhamento e a constante busca pela verdade, poderemos garantir que não teremos apenas boas intenções, e sim que estaremos fazendo o que realmente é o correto.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

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