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sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

REALIDADE OU ILUSÃO? - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAERÁ 5786

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ASSUNTOS DA PARASHAT VAERÁ
  • D'us garante novamente a Moshé que o povo será salvo.
  • As 4 expressões de libertação.
  • Genealogia de Moshé e Aharon.
  • O cajado vira uma serpente.
  • Sangue: A 1ª Praga.
  • Rãs: A 2ª Praga.
  • Piolho: A 3ª Praga.
  • Hordas de animais selvagens: A 4ª Praga.
  • Epidemia: A 5ª Praga.
  • Sarna: A 6ª Praga.
  • Granizo: A 7ª Praga.
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REALIDADE OU ILUSÃO? - PARASHAT VAERÁ 5786 (16/jan/26)

"Na época do Talmud, algumas pessoas dominavam técnicas de feitiçaria, capazes de produzir efeitos impressionantes. Diante dos olhos assombrados do público, faziam com que pepinos aparecessem e, logo depois, desaparecessem. Para aqueles que assistiam, a sensação era de que algo estava sendo criado do nada e, imediatamente, anulado. Contudo, aquilo não era real e o próprio Talmud esclarece que tais demonstrações não passavam de "Achizat Einaim" (ilusão de ótica), uma manipulação da percepção dos olhos. Nada havia sido verdadeiramente criado e, por isso, imediatamente os feiticeiros tinham que fazer os pepinos desaparecerem, para que as pessoas não percebessem que nada daquilo era real, e sim um fenômeno que existia apenas no olhar de quem observava. Infelizmente isso era um prato cheio para charlatões e pessoas sem escrúpulos, que utilizavam esta forma de ilusão para enganar e desviar as pessoas. 
 
Alguns rabinos daquela geração, e entre eles o Rabi Eliezer, ficaram extremamente preocupados com o impacto daquelas demonstrações públicas de feitiçaria. O Rabi Eliezer então decidiu que também deveria realizar uma demonstração pública diferente. Ele utilizou conhecimentos do "Sefer HaYetzirá" (Livro da Criação), algo permitido somente em situações muito específicas e através de pessoas envoltas em muita santidade, e imediatamente pepinos surgiram. Inicialmente parecia que ele estava fazendo o mesmo truque dos feiticeiros. Porém, havia uma diferença fundamental: não era uma ilusão de ótica passageira, era algo real. Para provar, o Rabi Eliezer mostrou que os pepinos que apareciam não desapareciam logo depois, ao contrário, eles podiam ser colhidos e consumidos. O ponto principal que o Rabi Eliezer queria demonstrar era que a diferença não estava na aparência externa do fenômeno, mas em sua substância, pois de um lado havia apenas uma ilusão sofisticada, enquanto de outro havia uma transformação autêntica da realidade." (História retirada do Talmud Sanhedrin 65b)
 
O Talmud está nos transmitindo que existe uma distância infinita entre aquilo que apenas parece existir e aquilo que realmente existe. A feitiçaria pode enganar os sentidos, mas não tem o poder de criar. Somente aquilo que provém do Criador possui existência verdadeira. Essa distinção entre aparência e realidade não é apenas um conceito abstrato. Nem tudo o que impressiona os olhos transforma o mundo; apenas o que vem de D'us, a Fonte de toda a existência, possui permanência e sentido.

Nesta semana lemos a Parashat Vaerá (literalmente "E Eu apareci"), que começa a falar sobre o processo de libertação do povo judeu da terrível e brutal escravidão egípcia. Após uma primeira tentativa frustrada de falar com o Faraó, D'us ordenou a Moshé e Aharon que o procurassem novamente, mas desta vez apresentando um sinal milagroso, para demonstrar que estavam vindo em nome de uma Autoridade superior. O sinal milagroso era a transformação de um cajado de madeira em uma serpente, como está escrito: "Aharon lançou o seu bastão diante do Faraó e diante de seus servos, e ele tornou-se uma serpente" (Shemot 7:10).
 
Porém, este milagre não convenceu o Faraó e seus conselheiros. Ao contrário, foi motivo de zombaria, já que os magos egípcios facilmente replicaram o milagre e também transformaram seus cajados em serpentes. Porém, a Torá nos conta que o milagre de Moshé e Aharon não terminou por aí, já que imediatamente depois está escrito "o cajado de Aharon engoliu os cajados deles" (Shemot 7:12).
 
Este encontro de Moshé e Aharon com o Faraó desperta um questionamento interessante. D'us sabia que os magos do Faraó poderiam facilmente replicar aquele milagre. Então, na prática, qual foi a diferença entre o que Aharon e os magos fizeram? E qual era a mensagem que D'us queria transmitir ao Faraó e aos seus magos?
 
Além disso, o Talmud (Shabat 97a) refere-se a esse episódio como um "milagre dentro de um milagre". Rashi (França, 1040 - 1105)
 explica que foi o cajado de Aharon que engoliu os cajados dos magos, isto é, não enquanto eram serpentes. O milagre foi algo muito mais assombroso e milagroso, pois foi depois de terem retornado à forma de cajado. Mas qual foi exatamente o "milagre dentro de um milagre"? Se a serpente voltar a ser cajado foi considerado o primeiro milagre, e o cajado posteriormente engolir os outros cajados foi considerado o segundo milagre, então não deveria ter sido descrito como um "milagre após um milagre"? Por que foi um "milagre dentro de um milagre"?
 
O Rav Shmuel Eliezer Halevi Eidels zt"l (Polônia, 1555 - 1632), mais conhecido como Maharsho, sugere que o "milagre dentro de um milagre" consistiu no fato de que o cajado de Aharon não aumentou de tamanho depois de engolir todos os outros cajados. Contudo, essa explicação é um pouco difícil, já que Rashi não faz qualquer alusão a esse aspecto, como também não parece estar explicitamente indicado no ensinamento do Talmud.
 
Além disso, se D'us estava realizando um milagre poderoso para impressionar o Faraó, e o objetivo era causar impacto, por que D'us fez o cajado de Aharon engolir os cajados dos feiticeiros? Um cajado engolir um ser vivo causaria uma impressão ainda maior! Não teria sido um milagre muito mais impressionante se o cajado de Aharon tivesse engolido as serpentes dos magos?
 
Explica o Rav Yochanan Zweig que "milagre dentro do milagre" foi realmente o cajado de Aharon, um objeto inanimado, ter engolido as serpentes dos magos. Mas então por que a Torá se referiu às serpentes como sendo cajados? Se fosse porque originalmente as serpentes eram cajados, e a Torá está se referindo às serpentes como cajados por sua forma original, então como sabemos que a serpente de Aharon, que também foi chamada de cajado, realmente se transformou? Como o Talmud pode afirmar que o milagre foi o cajado de Aharon ter engolido as serpentes dos feiticeiros?
 
A resposta está em um interessante Midrash, que nos ensina que as dez pragas que D'us trouxe milagrosamente sobre os egípcios correspondem às dez declarações "E disse D'us", que aparecem no início da Criação, por meio das quais D'us criou o mundo. Do Midrash emerge a compreensão de que um milagre não é uma ilusão nem uma mera alteração na percepção humana, pelo contrário, um milagre envolve uma transformação na natureza de um objeto e efetivamente cria uma mudança, isto é, trata-se de um novo ato de criação. Se for realizado através de um milagre de D'us, um cajado que se transforma em serpente realmente se torna uma serpente. Por outro lado, atos de feitiçaria podem fazer um cajado exibir características semelhantes às de uma serpente, mas a serpente que surge continua sendo, na realidade, um cajado. O cajado de Aharon realmente havia se transformado em uma serpente e voltou à forma de cajado, o que constitui um milagre. Por outro lado, a Torá identifica as serpentes dos egípcios como cajados, pois isso é tudo o que elas sempre foram. Sua aparência de serpente era apenas uma ilusão.
 
Ao Faraó e seus feiticeiros estava sendo ensinado, através de Moshé e Aharon, que suas habilidades eram meramente ilusórias, sem fundamento na realidade. Somente o Criador do mundo, que é a Fonte contínua de toda a existência, possui a capacidade de recriar aquilo que já existe e conferir-lhe uma nova realidade. Assim como os feiticeiros da época do Rabi Eliezer podiam enganar os olhos, mas não podiam criar pepinos reais, que podiam ser consumidos, também os magos do Egito podiam simular serpentes, mas não gerar uma transformação verdadeira. Somente D'us possui o poder de criar e recriar a realidade. Tudo o que não vem Dele é apenas aparência e ilusão, destinada a desaparecer.
 
O Faraó representa a nossa civilização, que atribui forças ao poder humano, aos avanços tecnológicos, ao controle da natureza e à ilusão de autonomia. Mas a mensagem enviada por Moshé e Aharon ao Faraó e seus magos foi: "Vocês podem produzir efeitos impressionantes, mas não conseguem criar realidade". O cajado de Aharon não apenas venceu o cajado dos magos, ele os absorveu, demonstrando que aquilo que não possui uma existência verdadeira não subsiste diante do que é real. O falso, o artificial, a manipulação da realidade, pode impressionar temporariamente e enganar, mas apenas aquilo que está enraizado na verdade Divina possui permanência real.
 
O mesmo se aplica também à nossa Avodat Hashem. As aparências externas de espiritualidade não substituem uma transformação real de caráter, consciência e vínculo com D'us. O que não é verdadeiro não se sustenta. É interessante perceber isso nas letras que formam a palavra "Emet", que significa "verdade" e "Sheker", que significa "mentira". A palavra Emet (אמת) tem todas as suas letras com pelo menos dois apoios, enquanto a palavra Sheker (שקר) tem todas as suas letras com um único apoio, isto é, não se sustentam.
 
O verdadeiro judaísmo não é o deslumbramento com as coisas místicas; é o cotidiano, a conexão com D'us através das Mitzvót e do estudo da Torá. Muitas pessoas se iludem, frequentando cursos de "Kabalá", buscando sabedorias profundas, mas não sabem fazer Tefilá e nem cumprir as Mitzvót. Quando o judaísmo é baseado em "shows pirotécnicos", em promessas de "segredos incríveis nunca antes revelados", isto é um sinal de que não se trata de uma conexão verdadeira. A verdadeira Torá começa no entendimento mais simples e direto dos versículos, no aprendizado continuo. Somente assim podemos construir a verdadeira espiritualidade. Não a que aparece e some, mas a que fica para toda a eternidade.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

 

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quinta-feira, 4 de dezembro de 2025

O QUE TE FALTA NA VIDA? - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAISHLACH 5786

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ASSUNTOS DA PARASHAT VAISHLACH
  • Yaacov envia mensageiros.
  • Yaacov teve medo e se prepara para o reencontro com Essav.
  • Yaacov fica sozinho.
  • A luta com o anjo.
  • Yaacov encontra Essav.
  • Chegada a Shechem, Diná é sequestrada e desonrada.
  • Shimon e Levi vingam a honra da irmã, Yaacov fica furioso.
  • Yaacov viaja para Beth El.
  • A morte de Rivka e Dvora.
  • D'us muda o nome de Yaacov para Israel.
  • Rachel tem mais um filho: Biniamin.
  • A morte de Rachel e o enterro no caminho, em Beth Lechem.
  • Reuven mexe na cama de seu pai.
  • A morte de Itzchak.
  • A Linhagem de Essav, de Seir e reis de Edom.
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O QUE TE FALTA NA VIDA? - PARASHAT VAISHLACH 5786 (05/dez/25)

"Certa vez, o Rav Levi Ytzchak MiBerditchev zt"l (Ucrânia, 1740 - 1809) visitou uma pequena aldeia judaica. As casas eram simples e a maioria das famílias vivia com muito pouco. Ele entrou na casa de um judeu pobre, que trabalhava duro o dia inteiro e mal tinha o que comer. Quando o Rav Levi Ytzchak perguntou como ele estava, o homem respondeu com um grande sorriso:
 
- Rav, só tenho a agradecer a D'us, pois tenho tudo o que preciso.
 
- Conte-me, meu filho, como você consegue estar feliz com tão pouco? - perguntou o rabino, impressionado com a serenidade daquele judeu.
 
- Rav, quando servimos a D'us com alegria, até a água fica doce - respondeu o homem com um sorriso - Mas quando a pessoa é amarga por dentro, nem todo o mel do mundo a satisfaz.
 
O Rav Levi Ytzchak ficou emocionado. Ao deixar a casa, encontrou um judeu rico que vivia na mesma aldeia, um homem que estava sempre insatisfeito, reclamando dos negócios e cheio de preocupações. O rico perguntou:
 
- Rav, você esteve na casa daquele pobre? Me diga, como ele consegue viver com tão pouco?
 
- Ele vive bem porque tem o que você não tem - respondeu o Rav Levi Yitzchak.
 
- Mas Rav, há algo errado aqui! - reagiu o rico, surpreso - Como pode ser? Eu tenho dinheiro, propriedades e empregados. Posso comprar o que eu quiser. O que ele tem que eu não tenho?
 
- Sabe qual é a diferença entre vocês dois? - respondeu o Rav Levi Ytzchak - Você tem dinheiro, enquanto ele tem riqueza. Pois a verdadeira riqueza é quando o coração sente que não falta nada."
 
Se a pessoa não sabe apreciar o que tem, mesmo que coma mel todos os dias, ainda assim seu coração continuará amargo. Mas aquele que confia em D'us, mesmo bebendo apenas água, sentirá um sabor doce.

Nesta semana lemos a Parashat Vaishlach (literalmente "E enviou"), que descreve o tão esperado reencontro entre os irmãos Essav e Yaacov, depois de mais de 34 anos de separação. E este reencontro, que caminhava para se transformar em uma luta sangrenta, no final terminou em um abraço e uma conversa cordial, e cada um seguiu seu caminho.
 
Antes do reencontro, Yaacov fez algumas preparações, entre elas mandar de presente para Essav uma enorme quantidade de animais como uma forma de apaziguá-lo. Essav, em um primeiro momento, não quis aceitar, como está escrito: "E Essav disse: 'Tenho muito, meu irmão. Fique com o que é seu'" (Bereshit 33:9). Yaacov então insistiu, dizendo que não precisava daqueles animais todos, como está escrito: "Agora aceite o meu presente, que foi trazido para você, pois D'us me favoreceu, e eu tenho tudo" (Bereshit 33:11). Porém, esta parece ser uma conversa trivial. Por que D'us quis que ela ficasse registrada para toda a eternidade na Torá?
 
O Chafetz Chaim zt"l (Bielorússia, 1838 - Polônia, 1933) explica que tanto nas palavras que Essav dirigiu a Yaacov, "Tenho muito", quanto na resposta de Yaacov, "Tenho tudo", expressam-se as visões opostas que cada um deles tinha sobre o mundo material. Essav falou: "Tenho muito", querendo dizer que realmente tinha bastante, mas que nada para ele era suficiente, pois "quem tem cem deseja duzentos".  Já Yaacov disse: "Tenho tudo", ou seja, não me falta nada na vida. Enquanto Essav colocava seus olhos na busca constante de acumular riquezas e aproveitar os prazeres materiais e, por isso, nunca estava satisfeito, Yaacov estava contente com o que tinha.
 
Mas por que Yaacov disse "Tenho tudo"? Alguém pode ter tudo na vida? A mesma pergunta se aplica às incríveis palavras de David Hamelech: "Os que buscam D'us não carecem de bem algum" (Tehilim 34:10). O que David HaMelech estava nos transmitindo? Os Tzadikim não têm necessidades?
 
O Rav Elyahu Lopian zt"l (Polônia, 1876 - Israel, 1970), costumava explicar o versículo de Tehilim com a seguinte parábola: Um homem visitou seu amigo. O anfitrião então disse: "Venha, vou lhe mostrar algo de grande valor que adquiri, um verdadeiro tesouro". Ele abriu um armário cheio de remédios, e explicou que seu médico havia ordenado que ele tomasse todos aqueles medicamentos. Eram remédios muito caros, muitos deles importados, e na cidade inteira não havia ninguém que possuísse um "tesouro" tão valioso, por isso ele se orgulhava daquele armário. Mas enquanto o dono dos remédios se gabava de sua "riqueza", o amigo pensava consigo mesmo: "Feliz sou eu, que tenho saúde e não preciso de nenhum destes medicamentos".
 
Embora seja natural que uma pessoa sinta inveja da riqueza do seu companheiro, neste caso isso certamente não se aplica. Pelo contrário, a pessoa sentiria alegria e satisfação por não precisar daquele "tesouro". O Rav Elyahu Lopian explicava que assim também ocorre com aqueles que buscam D'us, isto é, que procuram uma vida de espiritualidade. A Torá não diz que eles possuem todo o bem, pois sabemos, pela própria realidade, que a maioria dos grandes Tzadikim vive de maneira bem modesta e certamente não possuem "todo o bem" material. Mas, por outro lado, esse "todo o bem" que o mundo deseja não lhes faz falta alguma, pois eles se alegram com sua porção.
 
E assim está escrito: "O Tzadik come para saciar sua alma, e a barriga dos perversos sente falta" (Mishlei 13:25).  "Come para saciar sua alma" nos ensina que o Tzadik está satisfeito com o que tem. Em contraste, "A barriga dos perversos sente falta" é como se lhes faltasse um segundo estômago para preencher seus desejos infinitos. E infelizmente vemos isso na prática. Há pessoas tão desequilibradas, sem controle sobre os seus desejos, que comem tudo o que têm vontade. Então, quando já estão com o estômago cheio e não conseguem comer mais, enfiam o dedo na garganta para esvaziar o estômago e poder comer novamente. Este é o sentido de "A barriga dos perversos sente falta", isto é, sempre falta espaço para suas vontades.
 
Em diversos lugares vemos que Yaacov Avinu estava completamente desconectado do desejo por riquezas materiais. O Rav Shlomo ben Aderet zt"l (Espanha, 1235 - 1310), mais conhecido como Rashbá, explica o versículo "E amarás Hashem, teu D'us, com todo o teu coração, com toda a sua alma e com todas as suas posses" de uma maneira surpreendente. Ele ensina que estas palavras se aplicam aos nossos três patriarcas: "Com todo o teu coração" se refere a Avraham, que foi testado na velhice e suportou a dificuldade dos testes por amor ao Criador. "Com toda a tua alma" se refere a Ytzchak, pois abrange suportar todo tipo de sofrimento, até mesmo estar disposto a entregar a própria vida, para cumprir as Mitzvót. "Com todas as suas posses" se refere a Yaacov, que estava pronto a abrir mão de todo o seu dinheiro, se isso fosse necessário, para servir a D'us. E foi justamente isso que Yaacov fez. Ele desprezou as riquezas da casa de seu pai e preferiu ser um "habitante das tendas", isto é, se sentar nas casas de estudo de Torá. Ele também disse a D'us: "Tudo o que Você me der, darei o Maasser (10%) a Você" (Bereshit 28:22). E Yaacov disse: "O túmulo que cavei para mim em Eretz Knaan, lá serei enterrado" (Bereshit 50:5). O Midrash nos ensina que a linguagem "o túmulo que cavei" se refere a Yaacov ter dado a Essav todos os bens que trouxe da casa de Lavan em troca do direito de ser enterrado na Mearat HaMachpelá.
 
E, justamente por Yaacov ter rejeitado as riquezas e não atribuir importância alguma ao dinheiro, ele pôde dizer a Essav de boca cheia: "Tenho tudo", personificando as palavras "Os que buscam D'us não carecem de bem algum". Este é o verdadeiro conceito de riqueza, como ensinam nossos sábios: "Quem é rico? Aquele que se alegra com sua porção" (Pirkei Avot 4:1).
 
Este conceito não é algo teórico, e sim uma forma de vivermos nossa vida, com mais significado, que traz leveza e nos ajuda a não afundarmos nas dificuldades e testes da vida. Certa vez o Rabi Shmelke de Nikolsburg zt"l perguntou ao seu mestre, o Maguid MiMezeritch zt"l, como entender o ensinamento do Talmud (Brachot 60b) "A pessoa deve abençoar pelo mal da mesma forma que abençoa pelo bem". O Maguid indicou que ele fosse ao Beit Midrash e perguntasse ao seu discípulo, o Rebe Zushia de Anipoli, pois ele ensinaria como cumprir essa Mishná, já que viveu toda a vida na pobreza extrema, com sofrimentos e dificuldades enormes. Mas o Rebe Zushia, após ser questionado, apenas respondeu: "É uma grande surpresa que o Maguid o tenha mandado perguntar justamente a mim. Esta pergunta deveria ser feita a alguém que passou por dificuldades, mesmo que por apenas um instante. Eu, porém, sempre tive apenas coisas boas, desde o dia em que nasci até hoje. Então como posso saber o que significa aceitar o mal com alegria?". Naquele momento o Rabi Shmelke entendeu o verdadeiro significado da obrigação de abençoar pelo mal da mesma forma que abençoamos pelo bem: a pessoa deve estar tão plena de alegria e aceitação que sequer percebe o mal em sua vida.
 
A Torá não exige que vivamos na miséria, com a mesa vazia, vivendo em uma casa mofada e dirigindo um carro caindo aos pedaços. O que a Parashá está nos ensinando é que não devemos ser dependentes do mundo material, pois o materialismo vira uma doença e, como medicamentos, pode causas dependência. A felicidade verdadeira está em justamente usar de maneira equilibrada o mundo material, lembrando sempre do nosso foco espiritual e nos alegrando com o que temos. A meta na vida é controlar as nossas riquezas, e não ser controlado por elas.

SHABAT SHALOM 

R' Efraim Birbojm

 

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