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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

DOANDO INDEPENDÊNCIA - SHABATSHALOM M@IL - PARASHAT MISHPATIM 5786

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PARASHAT MISHPATIM 5786



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  • "Venda" da filha e a escrava judia.
  • Assassinato.
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DOANDO INDEPENDÊNCIA - PARASHAT MISHPATIM 5786 (13/fev/26)

O Rav Israel Salanter zt"l (Lituânia, 1810 - Prússia, 1883), fundador do Movimento do Mussar, era conhecido não apenas por sua profundidade intelectual, a ponto de conseguir preparar um Shiur de duas horas em menos de cinco minutos, mas também por sua incrível preocupação com o próximo e sua sensibilidade em relação às dores e sofrimentos dos outros. Para ele, o estudo da Torá que não se traduzisse em refinamento do caráter e em responsabilidade social estava incompleto.
 
Certa vez, aproximou-se dele um homem visivelmente abatido. Suas roupas estavam gastas e o rosto marcado pela preocupação. Com voz baixa, pediu uma ajuda monetária. Explicou que sua situação era desesperadora e que não sabia como compraria comida para sua família nos próximos dias. O Rav Salanter ouviu atentamente. não o interrompeu, não fez perguntas apressadas e não correu para tirar dinheiro do bolso. Em vez disso, convidou o homem a sentar-se e começou a conversar com ele, com tranquilidade. Entre outros assuntos, perguntou sobre seu passado, seu trabalho, suas habilidades e sua rotina diária. Pouco a pouco, tornou-se claro que aquele homem não era incapaz de trabalhar. Ele estava apenas perdido, sem direção, esmagado por uma sequência de fracassos que haviam lhe roubado a confiança.
 
Ao final da conversa, o Rav Salanter fez algo incrível. Ele ajudou o homem necessitado a organizar suas ideias, orientou-o sobre como retomar seu trabalho, colocou-o em contato com uma pessoa da comunidade que precisava exatamente de alguém com as habilidades que ele tinha e garantiu-lhe uma oportunidade concreta de trabalho. Apenas então lhe deu também um empréstimo, para que pudesse se reerguer até receber seu primeiro salário. O homem saiu de lá renovado, com um belo sorriso naquele rosto antes tão caído e abatido.
 
Alguns dias depois, um dos alunos do Rav Salanter, que havia testemunhado a cena, perguntou respeitosamente:
 
- Rav, não teria sido mais simples e rápido dar-lhe uma quantia maior? O homem estava claramente necessitado. Por que gastou tanto tempo conversando com ele?
 
- Se eu lhe desse apenas dinheiro, ele voltaria em pouco tempo precisando de mais – respondeu o Rav Salanter, com serenidade - Eu teria aliviado sua dor por um momento, mas teria mantido ele dependente de mim. Ao ajudá-lo a se sustentar sozinho, devolvi-lhe algo muito maior do que dinheiro: devolvi-lhe a dignidade. Pois a maior bondade não é aquela que faz o outro precisar de você, mas aquela que faz com que ele não precise mais.

Nesta semana lemos a Parashat Mishpatim (literalmente "Leis"), que traz muitas leis práticas do nosso dia-a-dia, em especial no nosso relacionamento com o próximo. Esta Parashá vem logo depois da revelação de D'us no Monte Sinai, que lemos na semana passada, na Parashá Itró. Com esta justaposição, D'us nos ensina que Ele não espera de nós incríveis e admiráveis atos grandiosos, e sim pequenas demonstrações de retidão nos atos cotidianos. Por isso, a Parashá traz dezenas de Mitzvót do nosso dia-a-dia, em especial Mitzvót Bein Adam Lehaveiró, que nos obrigam a agir com o próximo com honestidade, bondade e sensibilidade. À medida que repetimos estes atos diariamente, os bons traços de caráter vão se internalizando e se transformando em parte da nossa natureza.
 
Uma das Mitzvót trazidas na nossa Parashá é a famosa obrigação de ajudar a levantar o burro de alguém que você odeia, que caiu por causa do excesso de carga, como está escrito: "Se você vir o burro do seu inimigo caído sob o peso da sua carga, você deixaria de ajudá-lo? Você deve ajudá-lo repetidamente junto com ele" (Shemot 23:5). A Torá está nos ensinando que somos obrigados a ajudar uma pessoa em dificuldades, mesmo quando nutrimos por ela uma forte antipatia. Em primeiro lugar, isso nos ajuda a trabalhar nossos traços de caráter, aprendendo a vencer o ódio, um sentimento tão negativo, causador de tantas tragédias. Mas, além disso, a Torá está tratando de um caso de ódio permitido. Por exemplo, alguém que odeia o dono do burro por ter testemunhado que ele fez certa transgressão e, por ser uma única testemunha, nada pôde fazer para puni-lo no Beit Din. Estamos falando, portanto, de um transgressor. Então por que ajudá-lo? Pois, através de boas influências e bons exemplos, talvez ele se arrependa de suas transgressões. Ver o comportamento exemplar de outra pessoa pode inspirá-lo e ajuda-lo a corrigir seus erros.
 
A expressão utilizada pela Torá para "Você deve ajudá-lo repetidamente junto com ele" é "Azov Taazov Imo". No entanto, o uso do termo "Azov" para descrever a ajuda que somos obrigados a oferecer é intrigante, pois "Azov" geralmente significa "deixar, abandonar", como encontramos no versículo "Não rebusque a tua vinha, nem recolha os frutos caídos da sua vinha; para o pobre e para o estrangeiro os deixará (Taazov). Eu sou Hashem, seu D'us" (Vayikrá 19:10). À primeira vista, isso poderia sugerir exatamente o oposto da mensagem pretendida pelo versículo da nossa Parashá, pois se traduzíssemos literalmente, estaríamos dizendo: "Se você vir alguém necessitando de ajuda, deixe-o". Por que a Torá escolheu utilizar uma palavra que parece ter uma conotação oposta para descrever o ato de ajudar?
 
Além disso, a pergunta fica ainda mais forte ao percebermos que a Torá utiliza o termo "Azov" também ao descrever o momento em que um homem deixa a casa de seus pais para constituir sua família: "Por isso, o homem deixará (Yaazav) seu pai e sua mãe e se unirá à sua esposa" (Bereshit 2:24). Certamente a Torá não está orientando o filho a abandonar seus pais no momento em que vai se casar. Por mais que o filho esteja prestes a assumir novas responsabilidades na vida, ainda assim ele continua com suas obrigações de honrar e temer seus pais por toda a vida. Então por que a Torá utiliza a linguagem "deixar seus pais" quando descreve a passagem de uma pessoa a uma nova fase de vida?
 
Explica o Rav Yochanan Zweig shlita que a razão pela qual o casamento é descrito como "deixar a casa dos pais" é para nos ensinar que o matrimônio exige que o indivíduo adquira independência. Enquanto ele estiver dependente dos pais, não conseguirá estabelecer um vínculo verdadeiro com sua nova esposa. Somente após adquirir esta independência ele estará apto a estabelecer um novo lar. Assim, o termo "Azov", neste caso, não significa abandonar os pais, e sim tornar-se independente deles.
 
Podemos então aplicar este mesmo conceito ao versículo que fala sobre Chessed na nossa Parashá. A maior ajuda que podemos oferecer a alguém necessitado é levá-lo a uma situação na qual ele já não precisará mais de ajuda. Ao fazer isso, estamos lhe concedendo independência e liberdade. A Torá nos ensina que, quando ajudamos o próximo, isso deve ser feito como um ato de "Azov", proporcionando ao beneficiado a capacidade de "nos deixar", isto é, de não depender mais da nossa ajuda. Obviamente que devemos suprir as necessidades imediatas de alguém que está em uma situação de extrema carência, mas não devemos nos contentar com isso, pois o ideal é dar ao necessitado a capacidade de se levantar e de andar novamente com as suas próprias pernas.
 
O Rambam (Hilchot Matanot Aniyim 10:7-14) explica que há oito níveis de Tzedaká. Quanto menos a pessoa envergonha o pobre que está recebendo a ajuda, maior é o nível da Tzedaká. O nível mais baixo é a pessoa que dá Tzedaká de cara feia, pois isso causa dor e vergonha ao pobre. O próximo nível é dar menos do que o pobre pediu, mas ao menos fazer isso com um sorriso no rosto. O nível acima é dar o que o pobre pediu, mas somente depois que ele pediu. Aqui também causamos dor e vergonha, pois a pessoa tem que se humilhar e expor sua situação difícil. Qual é o nível mais elevado de todos, a forma mais completa e meritória de dar Tzedaká? É alguém que sustenta uma pessoa que caiu na pobreza, dando-lhe um presente, um empréstimo, associando-se a ele em uma parceria ou providenciando-lhe um trabalho, de modo que sua mão seja fortalecida, para que não precise pedir esmola a outras pessoas. O Rambam está nos ensinando que o nível do Tzedaká aumenta conforme tiramos do pobre a vergonha e a humilhação. Este é exatamente o conceito da linguagem "Azov", ajudar de forma que o outro possa "nos deixar", isto é, não depender mais de nós, não ter que passar novamente pela vergonha de ter que pedir esmola. Portanto, a maior ajuda é aquela que torna desnecessárias ajudas futuras.
 
Por que é tão difícil chegar ao maior nível de Tzedaká? Pois praticar atos de bondade nos faz bem, nos dá uma sensação de termos cumprido nosso objetivo. Pelo lado do doador, há um sentimento de preenchimento. Porém, precisamos ter sensibilidade com aquele que recebe. É incompleto doar algo somente depois de a pessoa necessitada já ter se humilhado para pedir, e fazer com que tenha que pedir de novo e de novo. Essa doação vem acompanhada de um sentimento de vergonha e, portanto, diminui o mérito da Mitzvá. 
 
Assim fica mais claro o incrível comportamento do Rav Israel Salanter, que ilumina o sentido profundo do versículo: "Azov Taazov Imo". A Torá escolheu a palavra "Azov" para nos ensinar que a verdadeira ajuda é aquela que permite ao outro "se afastar", seguir seu caminho com forças próprias. O Chessed que a Torá exige não cria dependência, mas restaura a autonomia; não humilha, mas reconstrói; não prende o necessitado ao benfeitor, mas o devolve à sua dignidade. Esse é o Chessed que transforma, não apenas a situação imediata, mas a vida inteira de uma pessoa. Esse é o Chessed que devemos sempre buscar fazer.

SHABAT SHALOM 

R' Efraim Birbojm

 

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
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R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l 

 
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quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

ILUMINE O MUNDO COM SEU ROSTO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAIECHI 5786

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ASSUNTOS DA PARASHAT VAIECHI
  • Doença e os últimos dias de Yaacov.
  • Brachá para Efraim e Menashé.
  • Brachá (e bronca) aos filhos.
  • Último pedido de Yaacov.
  • Falecimento e luto por Yaacov.
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ILUMINE O MUNDO COM SEU ROSTO - PARASHAT VAIECHI 5786 (02/jan/26)

"Um homem rico encontrou Shlomo Hamelech na época em que ele havia sido destituído de seu reinado e perambulava à procura de sustento, como um mendigo, pelas ruas de Jerusalém. O homem rico prostrou-se diante do rei e disse: "Meu senhor, o rei, se assim você desejar, gostaria de cuidar de suas necessidades hoje". Após Shlomo Hamelech concordar, imediatamente o homem rico levou-o para sua casa, abateu um boi gordo e trouxe diante dele muitos pratos saborosos. Então sentou-se à mesa com Shlomo Hamelech e começou a lembrar-lhe de sua antiga realeza, dizendo: "Você se recorda quando fez isto e aquilo, quando você ainda era um grande rei?".
 
Shlomo Hamelech começou a sentir-se incomodado. Ao ficar recordando seus dias de realeza, aquele homem fez o rei gemer de tristeza, e assim permaneceu durante toda a refeição, até que ele se levantou dali chorando.
 
No dia seguinte, Shlomo Hamelech encontrou um homem pobre, que começou a prostrar-se diante do rei e disse:
"Meu senhor, o rei, você gostaria que eu cuidasse de suas necessidades hoje?". Shlomo Hamelech, já um pouco desconfiado, perguntou: "Você pretende fazer comigo o mesmo que seu companheiro fez?". Mas o homem respondeu com humildade: "Meu senhor, sou um homem pobre, tenho apenas alguns legumes em minha casa. É somente isso o que posso humildemente servir ao rei. Se for do seu agrado, venha comigo à minha casa".
 
Shlomo Hamelech acompanhou o homem pobre até a casa dele. Quando chegaram, o homem pobre lavou o rosto, as mãos e os pés do rei, e colocou diante dele só um pouco de legumes. Em seguida, começou a consolá-lo:
 
- Meu senhor, D'us jurou ao seu pai que não faria cessar a realeza de sua descendência. Assim é o caminho de D'us, Ele repreende, mas volta a apaziguar, como está dito: "Pois aquele a quem o Eterno ama, Ele repreende, como um pai faz ao filho a quem ele quer bem" (Mishlei 3:12). Não se preocupe, D'us ainda devolverá a você o seu reinado.
 
Quando ouviu isso, Shlomo Hamelech sentiu-se saciado. Após algum tempo, quando ele finalmente retornou ao seu reinado, refletiu com sua enorme sabedoria e disse:
 
- Melhor foi a refeição simples de legumes que comi na casa do pobre do que o boi engordado na casa do rico, que não me alimentou verdadeiramente, mas apenas reforçou a minha dor."
 
Palavras de incentivo e consolo, e demonstrações de preocupação com a dor do próximo, podem alimentar uma pessoa mais do que as melhores iguarias. Mais do que alimentar o corpo, necessitamos alimentar a alma.

Nesta semana lemos a Parashat Vaiechi (literalmente "E viveu"), que encerra o primeiro livro da Torá, Bereshit. A Parashat descreve os últimos anos da vida de Yaacov no Egito. Antes de falecer, ele falou suas últimas palavras para cada um dos filhos. Nas palavras de Yaacov haviam muitas profecias e palavras de sabedoria profunda.
 
Por exemplo, para Yehudá ele disse: "Seus olhos são avermelhados pelo vinho e seus dentes brancos do leite" (Bereshit 49:12). A explicação mais simples é que as terras de Yehudá seriam muito férteis e, por isso, seus olhos seriam avermelhados pela abundância de vinho e seus dentes seriam brancos pela fartura de leite. Mas o Talmud (Ketubot 111b), em nome do Rabi Yochanan, ensina que das palavras "dentes brancos do leite" podemos também aprender que "maior é aquele que branqueia os dentes ao seu próximo do que aquele que lhe dá de beber leite". A expressão "branquear os dentes" significa dar um sorriso, mostrar os dentes brancos, que ficam escondidos atrás dos lábios e só aparecem quando sorrimos. A grande novidade deste ensinamento é que um rosto amigável, uma expressão iluminada e um sorriso sustentam mais um pobre faminto do que um copo de leite.
 
Este conceito também é reforçado através de outro incrível ensinamento: "Receba toda pessoa com uma expressão facial agradável" (Avot 1:15). Em relação a este ensinamento nossos sábios (Avot DeRabi Natan 13:4) afirmam que, se alguém der ao próximo todos os bons presentes do mundo, mas o fizer com o rosto fechado, de cara feia, é como se não tivesse dado nada. Porém, quem recebe o outro com uma expressão facial agradável, com um sorriso, mesmo que não lhe dê nada, a Torá considera como se tivesse dado todos os presentes do mundo.
 
Esta preocupação com o bem estar do próximo, de querer iluminar um pouco a vida dos outros, é um traço muito forte encontrado em Moshé Rabeinu. Uma das últimas Mitzvót que Moshé fez em sua vida foi construir as três "Arei Miklat" (Cidades de refúgio) que ficavam do lado de fora de Eretz Israel. De acordo com o Talmud (Makot 10a), D'us disse a ele: "Você fez o sol brilhar para os assassinos". Mas o que Moshé fez de tão especial para merecer tal elogio? E o que D'us quis transmitir com este Seu elogio a Moshé?
 
As seis "Arei Miklat" ordenadas pela Torá, sendo três dentro da Terra de Israel e três do lado de fora, foram construídas para servirem de refúgio e exílio para pessoas que haviam cometido assassinatos não intencionais. Explica o Rav Shlomo Wolbe zt"l (Alemanha, 1914 - Israel, 2005) que era necessário preparar para os que eram exilados tudo o que lhes desse vitalidade, ao ponto de que, quando um aluno era exilado, seu mestre era exilado junto com ele. Foi isso o que Moshé fez, se preocupou com o desespero dos assassinos não intencionais, deu a eles alguma luz e esperança. Além disso, Moshé se esforçou para cumprir a Mitzvá das Cidades de Refúgio no final de sua vida. O maior líder da história do povo judeu não tinha nada mais importante para fazer? Para ele não havia Mitzvá mais importante para se ocupar do que fazer o sol brilhar para os aflitos e desamparados. E assim foi toda a "vida pública" de Moshé durante os 40 anos em que ele foi o líder, sempre sentindo a dor do próximo. Ela começou com "E viu o sofrimento deles" (Shemot 2:11), isto é, Moshé sentiu a dor da escravidão dos seus irmãos, apesar de estar confortável no palácio do Faraó, e terminou com "Fez brilhar o sol". Um dos fundamentos nas relações entre o homem e seu semelhante é sentir a dor e as necessidades do próximo.
 
Quando o Rabi Yochanan disse "maior é aquele que mostra os dentes brancos ao seu próximo do que aquele que lhe dá de beber leite", ele havia aprendido isso do comportamento de D'us. Está escrito: "Faz brilhar o Teu rosto e seremos salvos" (Tehilim 80:8). Disse o Rabi Yochanan: Basta-nos dizer: 'Faz brilhar o Teu rosto' e seremos salvos. Assim como, por parte do Céu, não há nada maior do que a "iluminação do semblante", também, de uma pessoa para outra, não há nada maior do que um sorriso e um rosto iluminado. E é isso que ensinam nossos sábios: "Rabi Matia ben Charash diz: Adiante-se em cumprimentar toda pessoa" (Pirkei Avot 4:15). Responder a um cumprimento é apenas cumprir uma norma básica de conduta. Já antecipar-se ao cumprimento é fazer o sol brilhar para o outro. É isso o que D'us espera de nós: que sejamos o sol que brilha para todos à nossa volta.
 
Até um bebê já consegue distinguir entre um olhar ríspido e um olhar iluminado. Quando alguém olha para ele com carinho e sorri, ele sorri de volta, mas quando alguém olha com severidade, mesmo que não diga nada, imediatamente o bebê chora. Talvez o que fortalece e desenvolve a criança, mais do que o alimento que ela recebe, é a iluminação do semblante que lhe é dirigida. Uma criança que cresce sem iluminação de semblante é como uma planta que cresce sem sol, isto é, não crescerá de forma saudável. Em um bebê pequeno já é perceptível essa força da iluminação do semblante. Quando surge o primeiro sorriso em seu rosto, ele se eleva acima de todas as criaturas. Conforme crescemos e nos fortalecemos, mais podemos iluminar o ambiente à nossa volta e trazer aos outros a alegria de viver. Tudo isso com apenas um sorriso.
 
Todo ser humano tem necessidade de receber iluminação do semblante do outro. E, ao mesmo tempo, todos nós temos a força de doar a iluminação do nosso semblante. Se refletirmos um pouco sobre as relações humanas, veremos como, às vezes, pessoas vivem lado a lado sem encontrar um caminho ou uma linguagem comum, vivendo em amargura e conflito por falta de compreensão mútua. A raiz disso é que quase sempre cada um espera que o outro dê o primeiro passo, e por isso ambos acabam esperando indefinidamente. Por exemplo, um rabino espera que sua comunidade o envolva em suas decisões, peça seu conselho e se submeta à sua orientação, enquanto a comunidade espera que o rabino tome a iniciativa e se envolva em sua vida e seus problemas. E, assim, podem passar anos sem que se aproximem, enquanto entre eles se aprofunda um abismo. Cada lado imagina que o outro tem motivos ocultos para manter distância, quando, na verdade, falta apenas a consciência de cada um de pensar: "cabe a mim dar o primeiro passo, iluminar o meu semblante e fazer o meu sol brilhar".
 
Trabalhar neste traço de caráter não é algo simples. O Rav Avraham Grodzinski zt"l (Polônia, 1883 - Lituânia, 1944) durante dois anos trabalhou intensamente para adquirir a qualidade de "expressão facial agradável". Todos que conviveram com ele em diferentes períodos testemunham até que ponto essa virtude se tornou uma aquisição profunda de sua alma. Mesmo nos dias mais sombrios do período das perseguições nazistas, jamais se apagou o brilho alegre de seu rosto, embora sua dor estivesse cuidadosamente guardada em seu coração. Assim era o caminho dos grandes da Torá: dedicar anos de esforço para adquirir a virtude da iluminação do semblante.
 
O princípio de "receber toda pessoa com uma expressão facial agradável" aplica-se mesmo quando não gostamos da pessoa, quando seus atos não são aceitáveis aos nossos olhos ou até mesmo quando já perdemos a paciência com ela. Ainda assim, deves recebê-la com uma expressão facial agradável e palavras afáveis, para que ao menos ela sinta que é estimada, evitando assim ferir a pessoa. Sorria, e receba de volta um mundo com muita mais luz.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

 

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