quinta-feira, 15 de junho de 2017

FOCO CORRETO NA VIDA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ SHELACH LECHÁ 5777 

BS"D
Este e-mail foi carinhosamente dedicado pela Família Lerner, em elevação da alma de Miriam Iocheved bat Mordechai Tzvi z"l
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
VÍDEO PARASHÁ 1
VÍDEO PARASHÁ 1
VÍDEO PARASHÁ 2
VÍDEO PARASHÁ 2

FOCO CORRETO NA VIDA - PARASHÁ SHELACH LECHÁ 5777 (16 de junho de 2017)

"Uma empresa brasileira e outra japonesa decidiram enfrentar-se em uma corrida de canoas de oito homens. As duas equipes treinaram durante meses e no dia da corrida estavam em sua melhor forma. No entanto, os japoneses venceram com mais de um quilômetro de vantagem.
 
Depois da derrota esmagadora, a equipe brasileira ficou desanimada. O diretor geral propôs uma nova corrida para o ano seguinte e criou um grupo de trabalho para investigar os motivos da derrota. Após vários estudos, o grupo descobriu que os japoneses tinham sete remadores e um capitão, enquanto a equipe brasileira tinha um remador e sete capitães. Diante disso, o diretor geral teve a brilhante idéia de contratar uma empresa de consultoria para analisar a estrutura da equipe. Depois de longos meses de trabalho, os consultores chegaram à conclusão de que a equipe tinha capitães demais e remadores de menos. Com base no relatório dos consultores, a empresa decidiu mudar a estrutura da equipe. A equipe seria agora composta por quatro comandantes, dois supervisores, um chefe de supervisores e um remador. Uma atenção especial seria dada ao remador, que deveria ser muito bem qualificado, motivado e consciente de suas responsabilidades. 

No ano seguinte os japoneses venceram com dois quilômetros de vantagem. Os dirigentes da empresa despediram o remador por causa do seu mau desempenho. O diretor geral preparou um relatório da situação, no qual ficou demonstrado que foi escolhida a melhor tática e a motivação era boa, mas o material precisaria ser melhorado. No momento estão pensando em substituir a canoa..."
 
Nas suas decisões, caminhe sempre para um "norte". Porém, antes se certifique de que é o "norte" certo.

Nesta semana lemos a Parashá Shelach Lechá (literalmente "Envie para você"), que nos descreve o trágico episódio dos "Meraglim" (espiões). O povo judeu, ao se aproximar da Terra de Israel, exigiu que fossem mandados espiões para observar a terra. O que deveria ter sido apenas um levantamento de informações para organizar a iminente conquista militar se transformou em uma das maiores tragédias da nossa história. Os espiões, apesar de serem pessoas espiritualmente muito elevadas, voltaram trazendo um péssimo relato da terra, desanimando o povo e fazendo com que todos chorassem de desespero. Esta demonstração de falta de Emuná (fé) irritou profundamente a D'us, que já havia garantido que a terra era boa e que os judeus a conquistariam sem grandes dificuldades, pois Ele estaria junto com o povo nas guerras. D'us então decretou que toda aquela geração, cerca de 600 mil homens, deveria vagar pelo deserto por 40 anos e não entraria mais na Terra de Israel. Este episódio foi uma terrível perda de oportunidade de crescimento espiritual do povo judeu. Mas como isto pôde ocorrer com pessoas tão elevadas? Como os espiões cometeram este erro tão grave?
 
Explica o Rav Simcha Barnett que a resposta está em um dos assuntos finais da Parashá, quando a Torá nos ensina a Mitzvá de Tzitzit, segundo a qual todo homem judeu deve colocar fios nos cantos de suas roupas. O motivo explícito pelo qual nós colocamos estes fios nos cantos das roupas é para que não nos desviemos atrás do nosso coração e atrás dos nossos olhos, nos esquecendo de D'us. Este é inclusive um dos trechos que compõe o "Shemá Israel", que recitamos duas vezes ao dia.
 
Assim diz o versículo que descreve a Mitzvá de Tzitzit: "Não sigam seus corações e seus olhos, atrás dos quais vocês se desviam" (Bamidbar 15:39). É interessante perceber que a expressão "Não sigam" é "Ló Taturu", exatamente a mesma linguagem utilizada na missão dos espiões, como está escrito: "Estes são os nomes das pessoas que enviou Moshé para espionar a Terra" (Bamidbar 13:16). "Espionar a Terra" é, em hebraico, "Latur et Haaretz". Rashi, comentarista da Torá, conecta os dois eventos ao explicar que, da mesma forma que os espiões desviaram seus corações e seus olhos quando foram espionar a Terra de Israel, nós também devemos ter muito cuidado para não nos desviarmos atrás dos nossos "espiões", o nosso coração e os nossos olhos, atrás dos quais nós estamos propensos a nos desviar e esquecer D'us. Mas qual foi o desvio dos espiões, que se conecta com o desvio dos nossos olhos e do nosso coração e que pode nos fazer esquecer D'us? E como o Tzitzit pode evitar este desvio?
 
No mundo antigo, dominado pelo politeísmo, os deuses representavam as diferentes forças existentes no mundo. Quando as pessoas precisavam de uma força em particular, clamavam pelo deus correspondente e traziam a ele oferendas. O povo judeu ensinou ao mundo, através do conceito do Monoteísmo, que todas estas forças existentes refletem a personalidade de um único Criador. Da mesma maneira que a mobília em uma residência reflete os valores e a personalidade do dono da casa, o mundo também reflete a personalidade de D'us, seu Dono. Nosso trabalho na vida é estudar a "mobília" do mundo para que possamos descobrir e desenvolver um relacionamento com o "Dono da casa". A chave para encontrar harmonia e equilíbrio em nossa caminhada neste mundo, que parece estar cheio de forças, ideias e objetivos contraditórios, é fazer da busca por D'us o centro de todos os nossos esforços.
 
Infelizmente, por nossa falta de claridade, acabamos nos afundando nas "idolatrias modernas". Temos a tendência de transformar os meios em objetivos e acabamos idolatrando-os da mesma maneira que as pessoas antigamente idolatravam suas estátuas de barro. É o que ocorre, por exemplo, com as pessoas que dedicam suas vidas a acumular dinheiro e riquezas. O dinheiro, que deveria ser apenas um meio, tornou-se o objetivo de vida das pessoas. Nas moedas de dólar encontramos a inscrição "In G-d we trust" (Nós confiamos em D'us), mas a inscrição correta deveria ser "In gold we trust" (Nós confiamos no ouro).
 
Quando entramos em um relacionamento verdadeiro, buscamos uma conexão total e completa com a outra pessoa. Não nos conectamos apenas com o seu dinheiro, sua aparência física ou o seu senso de humor. O mesmo devemos aplicar nas outras áreas da vida. Se o nosso objetivo é criar um relacionamento com D'us, nos assemelhando aos atos Dele e nos tornando pessoas melhores a cada dia, devemos fazer isso de maneira completa e focada. Desta forma, todos os outros aspectos da vida acabam se encaixando em seus devidos lugares. Quando nos conectamos a D'us de forma verdadeira, adquirimos a claridade de saber o que é o principal e o que é secundário, o que é um objetivo e o que é apenas um meio. Portanto, quanto mais completo o nosso relacionamento com D'us, o resultado será um relacionamento com a vida também mais completo. Quando o foco espiritual está correto, mesmo os pequenos detalhes do cotidiano recebem uma nova dimensão.
 
Esta falta de claridade foi a fonte do erro dos espiões. Quando eles entraram na Terra de Israel, foram afetados pela visão limitada do "novo empreendimento" que estava diante deles. Após tanto tempo sob as "asas de D'us", como um bebê que está na incubadora, com todas as suas necessidades saciadas, eles não conseguiram enxergar uma maneira não milagrosa de ter sucesso na vida. Isto não se aplicava apenas em como eles conseguiriam conquistar a Terra de Israel, diante de tantos gigantes e muralhas intransponíveis, mas também em como eles conseguiriam satisfazer as suas necessidades e objetivos do cotidiano. Eles não conseguiram ver seus objetivos espirituais engrenados com a dura realidade da vida normal e cotidiana. Isto ocorreu porque eles ampliaram de maneira desproporcional os vários detalhes do quebra-cabeça da vida, sem perceber que a Torá entregue por D'us era o meio necessário para navegar com sucesso em mundo cheio de desafios.
 
É isso que a Torá está nos ensinando ao conectar o erro dos espiões com a Mitzvá de Tzitzit. O valor numérico da palavra "Tzitzit" é 600. Cada canto da roupa contém 8 fios e 5 nós, que somados ao valor numérico de "Tzitzit" resulta em 613, o número equivalente às Mitzvót da Torá. O fio do Tzitzit é comparado com a corda que o capitão do navio atira para um passageiro que escorregou e caiu na água. Enquanto a pessoa está segurando a corda, mesmo que está no meio do mar revolto, ainda assim pode vencer as dificuldades e se salvar. Porém, no momento em que a pessoa solta a corda, ela deixa para trás qualquer chance de sobreviver. Assim também ocorre com o povo judeu. Se nos conectamos com a Torá e suas Mitzvót, podemos ter uma vida mais harmônica e com sucesso, mesmo navegando em águas turbulentas. Mas se nos desconectamos da nossa Torá, acabamos sendo "sugados" pelas preocupações secundárias e somos consumidos por elas. A falta de foco correto nos faz investir nosso tempo e esforços em coisas que não agregam nada em nossas vidas, enquanto o principal, que é a nossa espiritualidade, acaba ficando de lado. Sem a Torá acabamos perdendo o nosso "norte", isto é, o nosso referencial de qual é a direção correta na qual devemos caminhar. Isto resulta em decisões de vida completamente equivocadas, como no caso da competição de canoas. E o pior de tudo é achar que estamos indo na direção correta quando, na verdade, estamos cada vez mais nos afastando do nosso objetivo verdadeiro.
 
Esta conexão espiritual verdadeira não precisa ser alcançada abandonando a nossa vida material e se isolando em uma montanha, ao contrário, ela deve ser feita através dos pequenos atos do cotidiano. Quando falamos o "Shemá Israel" duas vezes ao dia, não estamos apenas demonstrando nossa fidelidade a D'us. O "Shemá Israel" é um lembrete constante de que o caminho do sucesso é descobrir a realidade de D'us em tudo o que nós fazemos, mesmo os atos mais simples. "D'us é um" significa que pode haver um fluxo de espiritualidade em tudo o que fazemos vida. Este reconhecimento, e a alegria que ele desperta em nossos corações, é o único caminho duradouro de autoaperfeiçoamento e de paz interna. Se quisermos encontrar o "norte" certo, vale a pena investir nisto.  

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHÁ SHELACH LECHÁ 5777:

                   São Paulo: 17h08  Rio de Janeiro: 16h57                    Belo Horizonte: 17h05  Jerusalém: 19h11
***********************************************************************
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp

sexta-feira, 9 de junho de 2017

RECLAMANDO DE BARRIGA CHEIA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BEHAALOTECHÁ 5777

BS"D
Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
ARQUIVO EM PDF
ARQUIVO EM PDF
BLOG
BLOG
INSCREVA-SE
INSCREVA-SE
VÍDEO PARASHÁ 1
VÍDEO PARASHÁ 1
VÍDEO PARASHÁ 2
VÍDEO PARASHÁ 2

RECLAMANDO DE BARRIGA CHEIA - PARASHÁ BEHAALOTECHÁ 5777 (09 de junho de 2017)

"Havia uma pequena cidade no Oriente Médio que era muito famosa por sua deliciosa carne de cervo. De várias partes do mundo as pessoas viajavam para lá somente para poder provar aquele sabor tão delicioso e especial. O povo judeu, ao sair do Egito, estava acampando no deserto não muito longe daquele lugar. Os judeus também escutaram sobre aquela carne gostosa e tiveram desejo de saboreá-la. Alguns judeus pensaram que seria uma boa ideia desviar-se um pouco da rota para poder ir àquele lugar e desfrutar da famosa carne de cervo. Porém, necessitavam da aprovação de Moshé Rabeinu, já que o povo judeu não fazia nada sem seu consentimento. Quando alguém por fim tomou coragem de pedir a Moshé permissão para ir àquele lugar, ele negou. Por mais que tentassem convencê-lo de que valeria a pena, não conseguiram. Até que um deles pediu a Moshé:
 
- Por favor, Moshé, nos explique por que não! O que há de errado?
 
Moshé, com enorme paciência, respondeu:
 
- Vou explicar o que acontece. Todos os dias de manhã cai no nosso acampamento o Mán, um "pão do céu". Mesmo que já estamos acostumados, é um alimento milagroso em várias aspectos. Por exemplo, conforme os raios do sol começam a brilhar, o Mán que não foi recolhido pelo povo se derrete e forma um pequeno riacho, que flui para um rio. Então os cervos daquele lugar bebem a água desse rio e, consequentemente, parte do Mán derretido, diluído na água, entra em seus corpos. Por isso as pessoas desfrutam tanto do sabor desta carne. Por que vocês, que têm aqui todos os dias o Mán fresco, querem ir até lá comer resíduos?"

Esta história, adaptada de um Midrash, nos ensina que muitas vezes buscamos a felicidade e o propósito de nossas vidas em lugares distantes do judaísmo. Sacrificamos muitas coisas para isso, sem nos dar conta que dentro da Torá podemos encontrar a verdadeira felicidade. Então por que se contentar com os resíduos dela?

Nesta semana lemos a Parashá Behaalotechá (literalmente "quando você acender"), que começa com o comando de D'us para que Aharon HaCohen fizesse o acendimento diário da Menorá. Depois disso a Parashá traz um versículo de louvor para Aharon, afirmando que "E assim fez Aharon... conforme D'us ordenou a Moshé" (Bamidbar 8:3). Mas o que este louvor tem de especial? Não era o esperado de Aharon, uma pessoa tão elevada espiritualmente, que ele cumprisse exatamente o que D'us ordenou? A resposta está na continuação da Parashá, que começa a descrever muitos atos de rebeldia do povo judeu. Por exemplo, a Parashá traz uma das reclamações que o povo judeu fez no deserto, por causa de comida, como está escrito: "E a multidão que estava entre eles sentiu um enorme desejo e mais uma vez também choraram os Filhos de Israel. E eles disseram: 'Quem nos alimentará com carne?'" (Bamidbar 11:4).

Quem era esta "multidão"? De acordo com Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, tratava-se dos "Erev Rav", egípcios que se misturaram com o povo judeu durante a saída do Egito. Eles estavam em um nível espiritual muito baixo, por isso começaram a reclamar e a chorar por causa do desejo de comer carne. Infelizmente o povo judeu acabou se unindo a eles no choro e foram duramente castigados.
 
Mas como entender este comportamento do povo judeu? Imagine um grupo de banqueiros, vestidos com os ternos mais finos, saindo de uma importante reunião de negócios na qual fizeram transações de bilhões de dólares. Os banqueiros então olham para um grupo de crianças brincando na areia e subitamente desejam brincar junto com elas. Os banqueiros tiram seus ternos caros, arregaçam as mangas de suas camisas importadas e se sentam para brincar na areia. Porém, quando uma das crianças percebe que havia pouca areia para brincar, começa a chorar. Ao escutar o choro da criança, os banqueiros também ficaram tristes pela falta de areia e também começam a chorar. É difícil imaginar que um quadro destes possa realmente acontecer, a não ser que o grupo de banqueiros enlouqueça completamente.
 
Da mesma forma, como podemos entender o comportamento do povo judeu, que se uniu aos "Erev Rav" para chorar por carne? Os judeus estavam em um nível muito elevado, haviam presenciado no Egito enormes milagres e tinham recebido a Torá diretamente de D'us no Monte Sinai. Além disso, não faltava nada de alimento para eles. Recebiam diariamente o Mán, um alimento que literalmente caía do céu para alimentá-los. Nem mesmo o prazer da gastronomia faltava ao povo judeu, pois além de o Mán conter todos os nutrientes necessários para manter o povo judeu saudável, ele também podia ter o gosto que as pessoas desejassem. Então qual era o problema do povo judeu? O que faltava para eles?
 
A pergunta fica ainda mais forte quando lemos a continuação da reclamação do povo judeu: "Nos lembramos do peixe que nós comíamos de graça no Egito" (Bamidbar 11:5). Como pode ser que o povo judeu preferia a comida do Egito, que vinha misturada com lágrimas e com o sangue de suas feridas, ao invés do Mán, que era comido com gosto e com tranquilidade? Além disso, o que quer dizer que o peixe era "de graça"? A Torá nos ensina que nem mesmo a palha era dada de graça para que eles fabricassem os tijolos!
 
Explica Rashi algo impressionante: a expressão "de graça" significa "sem Mitzvót". A comida que eles comiam no Egito não era gratuita, mas era sem Mitzvót, isto é, eles comiam sem obrigações. Podiam comer o que quisessem e da maneira que quisessem, não havia regras. Isto demonstra a força que o materialismo exerce sobre o ser humano. Mesmo que eles estavam em um nível espiritual elevado, mesmo que eles tinham tudo de bom, o materialismo os puxava para baixo, a ponto de reclamarem sobre a falta de carne mesmo tendo tudo de bom na vida. Pelo prazer de viver uma vida sem regras e sem leis, sentiram saudades dos dias de escravidão.
 
Qual foi a resposta de D'us para a reclamação do povo judeu? O próximo versículo da Torá diz: "E o Mán era como a semente do coentro e sua cor era como a cor do cristal" (Bamidbar 11:6). Segundo Rashi, é como se D'us estivesse dizendo: "Vejam, seres humanos, sobre o que os Meus filhos estão reclamando!". D'us quis ressaltar como era uma reclamação sem cabimento, o famoso "reclamar de barriga cheia".
 
O terrível efeito do materialismo e da busca por prazeres foi ressaltado na Parashá da semana passada, Nassó, com a justaposição de dois assuntos: a mulher "Sotá" e a pessoa que recebia sobre si o voto de "Nazir". A Sotá era uma mulher que, por causa de seus desejos materiais desenfreados, se colocou em uma situação de suspeita de infidelidade. Ela então precisava passar por uma degradante cerimônia pública para demonstrar sua inocência. Logo depois a Torá fala sobre o voto de Nazir, quando alguém voluntariamente recebia sobre si algumas proibições, como se abster do prazer de beber vinho. Por que a Torá juntou estes dois assuntos? De acordo com o Talmud (Sotá 2a), isto nos ensina que todo aquele que assistia uma mulher Sotá passando por aquela cerimônia degradante deveria imediatamente receber sobre si um voto de Nazir e se afastar do prazer do vinho, para diminuir sobre si o impacto do materialismo.
 
É interessante perceber que, de acordo com a linguagem do Talmud, todas as pessoas que tivessem assistido a cerimônia de Sotá deveriam receber sobre si o voto de Nazir, inclusive se fossem pessoas muito elevadas espiritualmente, pessoas de comportamento impecável. Apesar de estarmos falando de uma mulher baixa e corrompida, que naturalmente não era um modelo de vida para ninguém, mesmo assim o Talmud ressalta que todos precisavam fazer o voto de Nazir. Isto nos ensina que a força do materialismo é tão intensa sobre o ser humano que mesmo uma pessoa elevada espiritualmente não está a salvo de se desviar e de sofrer um enorme tropeço. A Torá traz exemplos de gigantes espirituais, como Korach e os líderes das tribos que foram espionar a Terra de Israel, que após viverem uma vida inteira de santidade e retidão, acabaram em um instante se desviando e caindo em um abismo espiritual. Por isso nossos sábios ensinaram: "Não confie em você mesmo até o dia da sua morte" (Pirkei Avót 2:4).
 
Se isto se aplica até mesmo a gigantes espirituais, certamente nós, pessoas comuns, devemos ser ainda mais cuidadosos com os tropeços do mundo material. Se o povo judeu caiu por influência dos Erev Rav, e se mesmo essoas grandes precisavam tomar uma atitude drástica após assistir uma cerimônia de Sotá, também devemos estar muito atentos com as influencias que recebemos. Acabamos nos expondo a notícias que banalizam a desonestidade, a traição e a promiscuidade. E o maior perigo vem do fato de vivermos em uma sociedade que justifica comportamentos distorcidos e os transformam em "corretos". Grandes transgressões se transformam em "parte da vida cultural e seus progressos".
 
Aharon foi elogiado pela Torá pois, apesar de toda a pressão social, ele conseguiu se manter íntegro e cumpriu a vontade de D'us. É nossa obrigação se afastar das influências negativas. Devemos blindar nossas casas, não apenas pelas nossas crianças, mas também por nós mesmos, pois todos estamos expostos às forças do materialismo. Temos a nossa Torá, a fonte de toda a sabedoria. Não precisamos nos expor em busca de felicidade e prazer, procurando fontes duvidosas, sendo que temos a principal fonte de felicidade nas nossas mãos. Muitas vezes abandonamos a Torá em busca de novos prazeres, mas acabamos ficando apenas com os resíduos.

Shabat Shalom

R' Efraim Birbojm

************************************************************************
HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHÁ BEHAALOTECHÁ 5777:

                   São Paulo: 17h07  Rio de Janeiro: 16h56                    Belo Horizonte: 17h04  Jerusalém: 19h08
***********************************************************************
Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue.
--------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
-------------------------------------------
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l.
--------------------------------------------
Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
Copyright © 2016 All rights reserved.


E-mail para contato:

efraimbirbojm@gmail.com







This email was sent to efraimbirbojm.birbojm@blogger.com
why did I get this?    unsubscribe from this list    update subscription preferences
Shabat Shalom M@il · Rua Dr. Veiga Filho, 404 · Sao Paulo, MA 01229090 · Brazil

Email Marketing Powered by MailChimp