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quinta-feira, 5 de junho de 2025

COMO UM FILHO ÚNICO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ NASSÓ 5785

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COMO UM FILHO ÚNICO - PARASHÁ NASSÓ 5785 (06/jun/25)

 Israel Meir Lau nasceu em 1937, na cidade de Piotrków Trybunalski, na Polônia. Seu pai, o Rav Moshe Chaim Lau zt"l, era o rabino chefe da cidade e descendente de uma longa linhagem de rabinos. Quando a Alemanha invadiu a Polônia, a comunidade judaica local foi rapidamente forçada a viver no gueto. Infelizmente a família Lau foi separada. O pai foi deportado para Treblinka, onde foi assassinado. A mãe, Chaya, foi enviada para outro campo de concentração, Ravensbrück, de onde nunca mais voltou.
 
Naquela época, Israel Meir, carinhosamente apelidado de "Lulek", tinha apenas cinco anos. Ele sobreviveu graças aos cuidados heroicos de seu irmão mais velho, Naftoli, que, mesmo adolescente, fez de tudo para proteger seu irmão caçula. Eles passaram por vários campos de trabalho e concentração, até serem enviados para Buchenwald, um dos mais brutais campos nazistas em solo alemão.
 
Quando o campo de Buchenwald foi libertado pelos americanos, em abril de 1945, os soldados aliados encontraram mais de 20 mil sobreviventes. Entre eles estava Lulek, o menino de 8 anos que pesava apenas 16 quilos. Ele estava escondido entre corpos de prisioneiros mortos em um dos barracões.
 
Foi o Rav Herschel Schacter, capelão do exército americano, quem o encontrou. Entrando nos alojamentos do campo após a libertação, Schacter viu o menino sair de um canto escuro, coberto de sujeira e assustado. Ele perguntou em ídiche: "Como você se chama, meu filho?". O menino respondeu baixinho: "Lulek". Schacter o abraçou e não o soltou por semanas. Ele o alimentou, vestiu, cuidou de sua saúde e o protegeu. Ele não apenas o salvou fisicamente, mas também começou a reconstruir sua dignidade humana e judaica.
 
Quando alguns generais do exército americano visitaram o campo e perguntaram por que o exército havia se empenhado tanto na libertação daquele lugar, um oficial, profundamente comovido, apontou para Lulek e disse:
 
- Por ele. Se apenas por esse menino nós tivéssemos libertado Buchenwald, teria valido a pena.
 
Poucos meses depois, Lulek e seu irmão chegaram à Eretz Israel, onde foram levados para um orfanato religioso. Mesmo jovem, Lulek já demonstrava uma alma madura e uma ligação profunda com o judaísmo. Ele estudou em Yeshivót, casou-se e tornou-se rabino. Seu caminho continuou ascendendo até que, em 1993, ele foi nomeado Rabino Chefe Ashkenazi de Israel. Ao longo dos anos, ele se tornou uma das vozes mais respeitadas do povo judeu, um símbolo vivo da continuidade após a destruição. Em cerimônias no Yad Vashem, em encontros com líderes mundiais e em discursos para jovens judeus, ele carrega consigo a mensagem de que cada alma conta. Décadas depois, o Rav Israel Meir Lau encontrou o filho de Herschel Schacter, o capelão que o havia salvo. Ele disse, emocionado: "Seu pai salvou minha vida. Ele me fez sentir que, mesmo quando todos me odiavam, alguém ainda me amava".
 
Cada pessoa representa um mundo inteiro. Mesmo diante das dificuldades e tragédias, precisamos saber e lembrar que D'us ama cada judeu como se fosse seu único filho.

Nesta semana lemos a Parashá Nassó (literalmente "Conte, Faça o censo"), que continua falando sobre as famílias da Tribo de Levi e suas importantes funções dentro do povo judeu. A Parashá também traz outros assuntos importantes, tais como a mulher suspeita de adultério (Sotá), a pessoa que faz o voto voluntário para se tornar um Nazir e a doação de presentes dos Nessiim, os líderes de cada Tribo, para a inauguração do Mishkan.
 
A doação dos Nessiim, que foi voluntária, na realidade se tratava do conserto de uma grande falha anterior. Quando Moshé pediu para que o povo doasse os materiais para a construção do Mishkan, os Nessiim disseram: "Deixe que o povo doe, e o que faltar nós completaremos". D'us viu nesta atitude dos Nessiim duas características muito negativas. A primeira característica foi o orgulho, pois D'us não precisa das pessoas para construir Sua casa, Ele queria dar para elas o mérito de participar. A segunda característica negativa foi a preguiça. Os Nessiim deveriam ter feito inicialmente uma doação qualquer e, se realmente algo faltasse, poderiam completar. Não devemos deixar as oportunidades espirituais para depois, pois podemos perdê-las para sempre. Foi o que aconteceu com os Nessiim. O povo doou os materiais com tanta vontade que Moshé precisou até mesmo pedir para que as doações parassem. O resultado foi que os Nessiim não puderam participar das doações e se arrependeram amargamente. Sentindo o arrependimento e o sofrimento do coração deles, D'us permitiu que eles ao menos doassem as pedras preciosas que compunham as roupas do Cohen Gadol.
 
Desta vez, na inauguração do Mishkan, os Nessiim não cometeram o mesmo erro. Imediatamente trouxeram suas doações, uma Tribo por dia, de forma generosa. Porém, além da agilidade e da generosidade dos Nessiim, o que chama a atenção é que a Torá se estende de maneira incomum, trazendo os detalhes da doação dos 12 Nessiim, apesar de elas serem idênticas. Isso faz com que Nassó seja a maior Parashá da Torá, com 176 versículos, sendo que 72 se referem às doações. Por que a Torá, que é sempre tão concisa, resolveu desta vez se alongar tanto?
 
O Rav Yaacov Naiman zt"l (Bielorússia, 1909 - EUA, 2009) esclarece que a Torá quis nos ensinar, através desta repetição, como é a atitude de D'us em relação ao indivíduo quando ele está inserido dentro do coletivo. Quando muitas pessoas realizam uma Mitzvá, poderíamos pensar que o coletivo é considerado como uma única unidade e que, consequentemente, não há distinção individual entre todos aqueles que participaram da Mitzvá. Com isso, não interessaria nossas intenções e dedicação individual, já que tudo seria medido a partir do grupo como um todo. Porém, a repetição da doação dos Nessiim vem nos ensinar que, nos Céus, não se lida com o povo como um grupo único e indistinto. Há um foco sobre cada indivíduo, como se ele fosse o único no mundo. Em nenhum momento o amor de D'us por um judeu diminui, mesmo que muitos tenham feito a mesma Mitzvá.
 
Assim, da mesma forma que D'us se alegrou com a doação de Nachshon ben Aminadav no primeiro dia, Ele também se alegrou com as doações de todos os outros Nessiim. Essa ideia se expressa claramente através da grande quantidade de detalhes com a qual a Torá descreve as doações, o que revela a alegria e o amor de D'us. Já a repetição minuciosa desse mesmo detalhamento para cada um dos demais Nessiim demonstra o amor por cada indivíduo, um amor que não foi diminuído em nada pelo fato de a Mitzvá ter sido realizada por muitos.
 
Com isso aprendemos que o modo como D'us valoriza cada pessoa não é igual ao modo como os seres humanos fazem isso. Quando uma pessoa tem muitos filhos, seu amor precisa ser dividido entre eles. Na prática, cada um acaba recebendo menos atenção do que teria recebido se fosse filho único. Porém, isso ocorre por causa das nossas limitações. Já o amor de D'us é ilimitado. Jamais haverá diferença para Ele no relacionamento com o indivíduo, seja ele único ou parte do coletivo.
 
E, a partir disso, podemos aprender também sobre os sofrimentos que vêm sobre o coletivo. Por exemplo, quando refletimos sobre o Holocausto, não devemos pensar que D'us julgou apenas o coletivo, como se o destino dos indivíduos fosse determinado com base em uma visão geral do grupo. Esse pensamento é fruto da nossa falta de compreensão do poder de D'us. Tentamos entender D'us dentro de nossas limitações e, por isso, chegamos às conclusões erradas. A verdade é que o julgamento é feito para cada indivíduo e, se há aqueles que não precisam sofrer, eles são poupados. O Talmud (Sanhedrin 46a) ensina que a dor que D'us sente com o sofrimento do povo judeu não é uma dor coletiva sem distinção. Quando o povo está em aflição, D'us sofre com a dor de cada um, e diz sobre cada indivíduo: "Me dói a cabeça! Me dói o braço!". D'us expressa dor como se fosse um pai sentindo as dores dos filhos em cada parte do seu corpo. De fato, somos todos filhos únicos perante D'us.
 
Esse ensinamento traz duas importantes lições que devemos trazer para as nossas vidas. Em primeiro lugar, não devemos nunca entrar em desespero quando estamos passando por uma situação difícil. Há pessoas que entram em depressão, pois sentem que D'us as abandonou. Mas aprendemos que D'us está conosco em cada alegria e em cada dificuldade. Ele se alegra com nosso sucesso e sofre com os nossos tropeços. Ele nos segura no colo quando caímos e nos dá a força necessária para nos levantarmos de novo.
 
Além disso, nosso propósito é nos espelharmos nos atos do Criador do mundo. Devemos tratar cada pessoa como se ela fosse única e especial, pois esta é a realidade, e é assim que D'us trata cada um de nós. Como fazemos isso na prática? Certa vez fui a uma festa de Bar Mitzvá em Israel, do filho do Rav Alexander Arie Mendelboim shlita. Quando entrei no salão, o Rav Mendelboim me recebeu como se eu fosse o convidado mais esperado da noite. Me senti lisonjeado, não sabia que eu era tão especial para ele. Fiquei perto da porta por mais alguns instantes e tive uma enorme surpresa: cada convidado que chegava era tratado pelo rabino como se ele fosse o convidado mais importante da noite. Isso causava nas pessoas uma incrível sensação de acolhimento. Alguns dias depois questionei o rabino sobre aquele comportamento e ele me disse algo incrível. Muitas vezes damos uma festa e as pessoas comparecem para nos alegrar, apesar das dificuldades, da distância, de ter que procurar alguém para cuidar dos filhos pequenos. E quando esta pessoa vem nos cumprimentar na festa, agradecemos de uma forma fria e impessoal. Precisamos dar valor para os esforços que cada pessoa fez para estar na nossa festa e, por isso, o mínimo que devemos fazer é nos esforçarmos para que cada convidado se sinta único e especial, como se a festa tivesse valido a pena apenas pela presença dele. Isso é se comportar como D'us. 

SHABAT SHALOM

 R' Efraim Birbojm

 

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sexta-feira, 2 de junho de 2023

VOLTANDO AO EQUILÍBRIO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ NASSÓ 5783

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VOLTANDO AO EQUILÍBRIO - PARASHÁ NASSÓ 5783 (02/jun/23)
 
"Ivan era um homem simples do campo, que vivia em uma pequena aldeia da Rússia, distante das cidades grandes. Sua aldeia era muito simples, sem sinais das novas tecnologias que surgiam no mundo, mas mesmo lá os habitantes haviam escutado a respeito de uma nova invenção chamada "trem". Os viajantes que passavam pela cidade descreviam os vagões interligados, que se moviam sozinhos, sem a necessidade de cavalos. Era quase um milagre! Ivan passava os dias sonhando com a oportunidade de um dia ver um trem de perto e, quem sabe, até mesmo viajar nele. Ele não tinha ideia do custo de uma passagem, mas imaginou que o trem era algo para pessoas ricas. Estimou que a viagem custava cinquenta rublos e, por três anos, economizou tudo o que podia, até que um dia alcançou seu objetivo. Ele montaria em seu cavalo e viajaria cento e vinte quilômetros até a estação de trem. Lá ele compraria uma passagem e viajaria até a capital: Moscou.

Finalmente chegou o grande dia. Antes de amanhecer, Ivan já estava vestido com sua melhor roupa e sua maleta também já estava arrumada. Após algumas horas, finalmente ele chegou à estação. Com o coração disparado de emoção, Ivan aproximou-se do caixa e lhe estendeu seus cinquenta rublos. O funcionário pensou que Ivan era um rico que desejava viajar na primeira classe, e lhe deu uma passagem dourada e personalizada. Informou que o trem partiria da plataforma três, às dez e meia em ponto, e desejou-lhe uma ótima viagem.

Ivan se aproximou da plataforma. Então, ele chegou. Imponente, radiante e exuberante - o trem! Ivan mal conseguia respirar de tanta emoção. As pessoas que estavam na estação prepararam-se para entrar. Ivan não sabia que havia três classes no trem, pois as pessoas que passavam pela sua cidade só tinham condições de viajar na terceira classe. Quando finalmente as portas do trem se abriram e todos se apressaram em entrar, Ivan não sabia para onde ir. Enquanto algumas pessoas se dirigiam lentamente para a frente do trem, outras foram para a parte central. Porém, a grande maioria correu para a parte traseira do trem, levando consigo suas bagagens, galinhas, bodes e até porcos. Ivan achou melhor seguir a maioria e foi para o fundo do trem. Quando finalmente conseguiu entrar, todos os assentos de madeira já estavam ocupados e ele foi obrigado a viajar de pé, junto com os animais. Achando que isso era parte da experiência, ele sorriu e tentou aproveitar. Quando o trem começou a andar, Ivan começou a ser jogado de um lado para o outro. Após algum tempo, ele começou a ficar decepcionado. Onde estava todo o esplendor que todos descreveram? Não era isso que ele esperava!
 
Já quase no final do trajeto, o condutor entrou no vagão, anunciando em voz alta: "Passagens, por favor!". Como vários passageiros haviam entrado ilegalmente, sem pagar pela passagem, alguns se esconderam embaixo dos bancos e outros no banheiro, com a esperança de não serem descobertos. Assumindo ser parte da experiência, Ivan os imitou e tentou esconder-se embaixo de um banco. Porém, o condutor percebeu e pediu para ver a sua passagem. Ivan mostrou sua passagem dourada para o condutor, que não acreditou no que viu:
 
- O que você está fazendo aqui, se escondendo embaixo do banco desse vagão imundo? - perguntou o condutor, abismado - Você deveria estar sentado na primeira classe!

O condutor, ao ver a expressão confusa de Ivan, começou a explicar que a primeira classe era o lugar onde o passageiro podia desfrutar de uma viagem confortável, com direito a cabine particular, cama, deliciosas refeições, champagne e vários outros benefícios. Ivan não podia acreditar no que estava escutando. Ele se considerou um tolo, por ter passado quase toda a viagem na terceira classe, junto com os pobres e seus animais, quando poderia estar sentado entre os nobres na primeira classe! Causando gargalhadas em todos, Ivan pediu ao condutor que o deixasse reiniciar a viagem do início, pois ele queria aproveitar ao máximo a primeira classe..."

Da mesma forma, a alma vem para este mundo com o propósito de viajar na primeira classe, um vagão repleto de Mitzvót, bons atos e Torá, que a alimentam e trazem prazer verdadeiro. Entretanto, tragicamente, a alma acaba passando a maior parte do seu trajeto neste mundo ligada a prazeres materiais, banalidades, intrigas e busca de honra. Ao chegar ao fim da viagem e se encontrar com o Condutor, ela gritará, angustiada: "Como pude desperdiçar minha viagem na terceira classe? Meu lugar era na primeira classe!" Reiniciar a viagem do ponto de partida não é possível, mas sempre há a oportunidade de "trocar de vagão" durante o percurso.

Nesta semana lemos a Parashá Nassó (literalmente "Levantar, Contar"), que continua descrevendo os trabalhos das famílias da Tribo de Levi, cuja principal função era transportar o Mishkan durante as viagens do povo judeu no deserto. A Parashá também fala sobre a mulher "Sotá", que é suspeita de infidelidade e precisa passar por uma cerimônia para que sua inocência fosse provada. Na continuação, a Parashá fala sobre o Nazir, uma pessoa que fazia um voto para se abster de alguns prazeres materiais. Finalmente, a Parashá descreve os presentes que os líderes de cada Tribo trouxeram voluntariamente ao Mishkan em sua inauguração.

Um dos assuntos centrais da nossa Parashá é o voto de Nazir, um voto voluntário através da qual uma pessoa se abstinha de alguns prazeres materiais, como beber vinho, cortar o cabelo e se impurificar com os mortos. Por que este assunto vem logo depois do assunto da Sotá, a mulher suspeita de infidelidade? Rashi explica que todo aquele que via uma mulher Sotá, em seu terrível estado de degradação moral, imediatamente deveria receber sobre si um voto de Nazir. Como o excesso de materialismo havia levado a mulher a níveis muito baixos de moralidade, então era sugerido que todos os que haviam presenciado esta degradação recebessem sobre si o voto de Nazir para, desta forma, voltar ao equilíbrio espiritual. A abstinência temporária era, portanto, uma maneira de reequilibrar um desvio causado pelo excesso de materialismo e busca de prazeres materiais.

Porém, aparentemente encontramos certa contradição em relação ao Nazir. Alguém que decidiu se tornar Nazir era considerado, por um lado, como alguém "Kadosh". Seu cabelo que crescia livremente era considerado como uma coroa em sua cabeça, e sua proibição de se impurificar com os mortos era semelhante à proibição do Cohen Gadol, a pessoa mais sagrada do povo judeu. Porém, por outro lado, ao final do seu voto, o Nazir deveria oferecer, entre outras oferendas, um "Korban Chatat", que literalmente significa "um sacrifício de transgressão". Afinal, o Nazir é uma pessoa Kadosh ou um transgressor?

No Talmud, em Taanit (11a), encontramos uma discussão interessante sobre este assunto, que também ressalta esta dualidade do Nazir. De acordo com a opinião de Shmuel, aquele que frequentemente faz jejuns será cobrado por isso, já que deixou de usufruir das coisas permitidas deste mundo e causou sofrimento a si mesmo. Aprendemos isso do Nazir, pois se o Nazir, que se abstém apenas do vinho, já é cobrado por isso, imagine alguém que se abstém completamente de comer, como aquele que faz muitos jejuns! Porém, de acordo com a opinião de Rabi Elazar, aquele que recebe sobre si jejuar por muitos dias é considerado um homem "Kadosh", que se separou dos prazeres mundanos. Aprendemos isso do Nazir, pois se o Nazir, que se abstém apenas do vinho, já é considerado Kadosh, imagine alguém que se abstém completamente de comer, como aquele que faz muitos jejuns. Em outras palavras, o Talmud utiliza o Nazir como exemplo de Kedushá e, ao mesmo tempo, como um exemplo de transgressor. Afinal, o que um Nazir representava? Por que esta dualidade?

A resposta é que, por trás desta aparente contradição, encontramos duas formas de nos aproximarmos de D'us. O Rambam (Maimônides) (Espanha, 1135 - Egito, 1204), em seu livro "Morê Nevuchim", explica que a melhor maneira de se aproximar de D'us e trazer espiritualidade para o mundo é utilizando os meios materiais que D'us criou neste mundo. Por exemplo, temos o poder de santificar os nossos alimentos, ao fazer uma Berachá antes de comer, ou quando separamos frutos para serem doados ao Beit Hamikdash. Quando usamos o couro de um animal e o transformamos em um pergaminho para escrevermos letras sagradas da Torá sobre ele, o elevamos e o tornamos sagrado também. Assim, toda nossa utilização dos objetos materiais com intenções espirituais eleva o mundo material.

De acordo com judaísmo, a melhor forma de se espiritualizar é viver utilizando o mundo material de acordo com os princípios da Torá. Para nos tornarmos pessoas sagradas não precisamos nos afastar do mundo, fazendo votos de castidade ou de silêncio. O correto é direcionar nossas forças e desejos da forma correta. Podemos nos casar, comer e nos alegrar, diferentemente de religiões que ensinam que a pessoa somente pode adquirir santidade quando se afasta de todos os prazeres materiais. É por isso que o Nazir, quando completava seu voto, deveria oferecer um "Korban Chatat", para nos ensinar que esta não é a melhor maneira de se espiritualizar.

Porém, por outro lado, passamos por momentos de desequilíbrio, nos envolvendo demais no mundo material. Nestes momentos muitas vezes é importante irmos para o outro extremo, a abstinência, mas com a intenção de voltarmos novamente ao equilíbrio. É dessa maneira que entendemos por que o Nazir adquire tanta santidade com seu voto de abstinência temporário, pois é um "extremismo" limitado e voltado para atingir o equilíbrio.
 
Atualmente, por não termos mais o nosso Beit HaMikdash, não se aplicam mais as leis do Nazir. Porém, fica para nós uma importante lição: D'us criou o mundo e nos deu a possibilidade de utilizarmos os prazeres materiais, mas para nos ajudarem em nossa subida espiritual. Quando nos esquecemos do nosso propósito, acabamos nos afundando nos prazeres materiais, destruindo nossa espiritualidade. Nestes momentos precisamos ir ao outro extremo para, em nossa meta, conseguirmos alcançar o equilíbrio e a santidade. 

SHABAT SHALOM 

R' Efraim Birbojm

 
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