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quinta-feira, 8 de fevereiro de 2024

EDUCANDO COM RESPONSABILIDADE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT MISHPATIM 5784

BS"D
O e-mail desta semana é dedicado à Refua Shleima (pronta recuperação) de 

Avraham Yaacov ben Miriam Chava

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O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de 
Sr. Gabriel David ben Rachel zt"l 

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Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
efraimbirbojm@gmail.com.
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PARASHÁ MISHPATIM 5784



         São Paulo: 18h29                  Rio de Janeiro: 18h15 

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MENSAGEM DA PARASHÁ MISHPATIM

ASSUNTOS DA PARASHÁ MISHPATIM
  • O Escravo judeu.
  • "Venda" da filha e a escrava judia.
  • Assassinato.
  • Agressão e injúria aos pais.
  • Morte de Escravos.
  • Penas por agressão física.
  • Morte causada por um animal.
  • Autodefesa.
  • Danos com animais.
  • Danos com fogo.
  • Os 4 tipos de Shomrim.
  • Sedução.
  • Práticas Ocultas.
  • Idolatria e Opressão.
  • Empréstimo de Dinheiro.
  • Aceitação da Autoridade.
  • Justiça.
  • Animais Perdidos.
  • Animal Caído.
  • Shalosh Regalim.
  • Promessas e Instruções.
  • A Terra.
  • Selando a Aliança.
  • Aceitação da Autoridade (Naasê Ve Nishmá).
  • Visão de D'us.
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EDUCANDO COM RESPONSABILIDADE - PARASHAT MISHPATIM 5784 (09/fev/24)
 
O Dr. Arun Gandhi, neto de Mahatma Gandhi, em uma palestra na Universidade de Porto Rico, compartilhou a seguinte história como exemplo de educação correta dos jovens:
 
"Eu tinha 16 anos e vivia com meus pais a 18 milhas da cidade de Durban, na África do Sul, em meio a plantações de cana de açúcar. Estávamos bem no interior do país e não tínhamos vizinhos. Assim, eu sempre me entusiasmava quando havia uma possibilidade de ir à cidade visitar amigos ou simplesmente ir ao cinema.
 
Certo dia, meu pai me pediu que o levasse à cidade para assistir a uma conferência que duraria o dia inteiro, e eu me apressei de imediato diante da oportunidade. Como eu iria à cidade, minha mãe me deu uma lista de compras para fazer no supermercado e, como eu iria passar o dia todo na cidade, meu pai me pediu que eu me encarregasse de algumas tarefas pendentes, como levar o carro à oficina mecânica.
 
Quando me despedi do meu pai, ele me disse: "Nos reencontraremos neste local às 17h00 e retornaremos para casa juntos". Após completar com extrema agilidade todas as minhas tarefas, fui ao cinema mais próximo. Estava tão concentrado no filme com o John Wayne que me esqueci do tempo. Eram 17h30 quando me lembrei. Corri à oficina, peguei o carro e voei até o local onde meu pai estava me esperando. Já eram quase 18h00. Ele me perguntou com preocupação:
 
- Por que você chegou tão tarde?
 
Eu me senti mal com meu atraso, mas não podia dizer a ele que estava assistindo um filme de John Wayne. Então, eu lhe disse que o carro não estava pronto e que tive que esperar. Porém, disse isso sem saber que meu pai já havia ligado para a oficina e sabia toda a verdade. Quando ele se deu conta que eu havia mentido, me disse:
 
- Algo não está certo na maneira como te eduquei, que não te proporciona confiança em me dizer a verdade. Vou refletir sobre o que fiz de errado. Vou voltar caminhando até nossa casa enquanto penso sobre isso.
 
Assim, vestido com seu terno e seus sapatos elegantes, começou a caminhar até a nossa casa, por caminhos que não eram asfaltados nem iluminados, em um longo percurso de 18 milhas. Eu não podia deixá-lo sozinho. Assim, dirigi por cinco horas e meia atrás dele, vendo meu pai sofrer por uma mentira estúpida que eu havia dito. Decidi, naquele momento, que nunca mais iria mentir."
 
Este é um exemplo de como deve ser a educação dos nossos filhos. Não devemos ficar passando a mão na cabeça deles a cada erro que cometem. Eles precisam assumir a responsabilidade por suas ações e por seus erros. Somente assim se tornarão adultos saudáveis.

Nesta semana lemos a Parashá Mishpatim (literalmente "Juízos"), que traz uma imensa lista de Mitzvót, em sua maioria Mitzvót "Bein Adam Lehaveiro", logo após a Parashá Itró, que falou sobre a revelação de D'us diante de todo o povo judeu no Monte Sinai. Isso nos ensina que uma das grandes bases do nosso relacionamento com D'us é o relacionamento com o próximo. Tão importante quanto rezar com Kavaná é tratar as outras pessoas com educação. Tão sagrado quanto jejuar em Yom Kipur é ser honesto nos negócios. Tão admirável quanto cuidar para não estragar objetos sagrados é cuidar para não causar dano ao que pertence aos outros.
 
Há uma diferença muito grande entre as leis civis e as leis da Torá. Apesar de as leis da Torá regularem a nossa vida em sociedade, elas não focam apenas na manutenção da ordem e da harmonia, mas também no crescimento pessoal de cada indivíduo e no refinamento do seu caráter. Por exemplo, há nesta Parashá uma Mitzvá muito interessante. Temos uma tendência natural de não nos importarmos muito com as dificuldades que os outros estão passando, seja pelo nosso egoísmo ou simplesmente pela nossa preguiça. Porém, a Torá nos obriga a fazermos algo que vai totalmente contra a nossa natureza. Temos a obrigação de ajudar uma pessoa que está passando por dificuldades, mesmo quando não gostamos dela, como está escrito: "Se você vir o jumento do seu inimigo caído sob sua carga, você se absterá de ajudá-lo? Você certamente ajudará junto com ele" (Shemot 23:5). O Talmud explica que a intenção desta Mitzvá é "forçar a nossa má inclinação", nos tornando pessoas melhores.
 
Há um detalhe que chama a atenção neste versículo. O termo usado pela Torá é "Azov Taazov Imo", traduzido literalmente como "Você certamente ajudará junto com ele". Porém, o uso do termo "Azov" para descrever a ajuda que somos obrigados a oferecer ao próximo é um pouco intrigante, pois "Azov" normalmente é traduzido como "deixar, abandonar", como no versículo "Ló Telaket, LaAni UlaGuer Taazov" (Não colha, deixe para o pobre e para o estrangeiro) (Vayikra 19:9). Então por que a Torá utilizou a linguagem "Azov" para se referir a ajudar alguém, se o entendimento mais simples da palavra é "deixar, abandonar"? É como se a Torá estivesse dizendo: "Se você encontrar uma pessoa precisando de ajuda, você deve deixá-la"! Por que a Torá não utilizou outro termo?
 
Sabemos que D'us faz tudo com perfeição e precisão. Se Ele utilizou essa linguagem, mesmo contendo sentidos antagônicos, então certamente está nos transmitindo algo. Qual é a mensagem que a Torá quer nos ensinar? A resposta está em um versículo da Torá que explica um importante detalhe em relação ao matrimônio. A Torá utiliza o termo "Azov" ao descrever um homem "deixando" a casa dos seus pais para encontrar uma esposa: "Al Ken Yaazov Ish Et Aviv Veet Imo Vedavak BeIshto" (Portanto, um homem deve "deixar" seu pai e sua mãe e se unir à sua esposa) (Bereshit 2:24). Certamente a Torá não está incentivando um filho a abandonar seus pais ou isentando-o de cumprir a Mitzvá de "Kibud Av Ve Em" (honrar os pais), já que o filho tem obrigação de honrar seus pais a vida toda, até mesmo depois do falecimento deles. Então o que a Torá veio nos ensinar?
 
Explica o Rav Yochanan Zweig que a razão pela qual o casamento é descrito em termos de "deixar a casa dos pais" é para nos ensinar que o casamento exige que o indivíduo adquira independência, pois somente então ele estará pronto para estabelecer um novo lar com sua esposa e assumir suas responsabilidades. O termo "Azov", portanto, não significa apenas "deixar, abandonar", mas também "tornar-se independente". A principal ideia que a Torá quer transmitir é que a pessoa deve assumir as rédeas de sua vida, pois o casamento envolve uma série de desafios que exigem que a pessoa tenha maturidade e iniciativa. Enquanto a pessoa estiver "presa" aos pais, acostumada a receber tudo de mão beijada, não conseguirá construir sua própria casa.
 
Este importante ensinamento pode se aplicar a duas áreas da nossa vida. A primeira delas é na forma como fazemos bondades aos outros. A maior ajuda que podemos oferecer a alguém que está passando por dificuldades ou necessidades é levá-lo a um ponto no qual ele não precise mais da nossa ajuda. Ao fazer isso, estamos proporcionando a ele independência. A Torá nos ensina que, quando ajudamos ao próximo, isso deve ser feito como um ato de "Azov", dando ao beneficiário a capacidade de não depender mais da nossa ajuda.
 
Talvez isso também explique a última palavra do versículo, "Imó", que literalmente significa "com ele". Rashi (França, 1040 - 1105) explica que a obrigação de ajudar a pessoa que está em apuros somente se aplica caso a própria pessoa também esteja se esforçando junto. Porém, se a pessoa em apuros se acomodar e disser: "Vá cumprir a Mitzvá enquanto eu descanso um pouco", não estamos obrigados a ajudá-la. Isso reforça o conceito de não fazer as coisas pelo outro, e sim ajudá-lo a fazer, ensiná-lo, dar uma mão a ele, para que ele aprenda e não precise mais depender dos outros.
 
A segunda área na qual este ensinamento também é muito valioso é em relação à educação dos filhos. Uma das maiores bondades que podemos fazer com nossos filhos é ensiná-los a como se preparar para a vida. Com o intuito de ajudar nossos filhos, acabamos sendo superprotetores e, como consequência, não os preparamos adequadamente para os desafios que enfrentarão. Atualmente há pais que vão junto com seus filhos nas entrevistas de emprego, achando que estão fazendo um bem a eles. Mas, na realidade, estão fazendo com que acabem sofrendo mais no futuro, quando chegarem a situações nas quais terão que resolver sozinhos e não estarão prontos para isso.
 
Podemos observar na natureza como os animais preparam seus filhotes para os desafios da vida. Os passarinhos só aprendem a voar quando seus pais os empurram do ninho. Sem alternativa, os filhotes se veem obrigados a bater as asas se não quiserem se espatifar no chão. Mas os seres humanos parecem desaprender o óbvio. Mesmo com a melhor das intenções, muitos pais têm contribuído para a falta de responsabilidade dos filhos, criando uma dependência muito negativa. Cada vez mais os jovens se consideram muito novos para trabalhar e se esforçar. A nossa juventude acredita merecer tudo só pelo fato de ter vindo ao mundo. Uma geração que tem a palavra "resiliência" na ponta da língua, mas que acha que arrumar a própria cama dá muito trabalho. Uma geração que diz ter mais conhecimento que os pais, mas que não consegue nem sequer pagar suas próprias diversões.
 
Talvez o que está fazendo falta é uma boa dose de "quebrar a cara", que antes servia para educar, mas que agora tornou-se reprovável, e que não é mais utilizado para não "traumatizar" ninguém. Quem educa os filhos desta maneira superprotetora se esquece que a vida continua sendo implacável, e um dia a conta chega. Empurrar nossos filhos do "comodismo do ninho" para ensiná-los a voar pode ser a maior demonstração de amor. 

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ MISHPATIM 5769

BS"D

UTILIZANDO A CONSTRUÇÃO DA MANEIRA CORRETA - PARASHÁ MISHPATIM 5769 (20 de fevereiro de 2009)

"Um grupo de investidores encomendou a um famoso arquiteto o projeto de um grande edifício. O prédio foi construído visando o bem estar de cada família, e cada apartamento tinha ambientes grandes e largos, com quartos de dormir, sala, cozinha, banheiros com armários embutidos e todos os outros detalhes necessários para satisfazer os futuros moradores. O arquiteto investiu muito tempo no projeto para que nada faltasse e todas as necessidades dos futuros moradores fossem preenchidas. Mas quando o edifício já estava quase pronto e já era visto como um modelo de edifício residencial, os investidores mudaram de idéia e decidiram dar ao edifício uma nova utilização. Ao invés de utilizá-lo como um edifício residencial, eles decidiram que a construção deveria ser transformada em um hospital.

Obviamente que foram necessárias muitas modificações no edifício para adequá-lo à sua nova utilização. As paredes foram derrubadas, formando grandes ambientes. As cozinhas foram transformadas em leitos para os doentes. Os quartos de dormir foram transformados em salas de atendimento e cirurgia, e as salas se transformaram em enfermarias. Finalmente, após um grande esforço de adaptação, o hospital foi inaugurado. Porém, apesar de todo o investimento feito para adequar o edifício residencial às novas necessidades, aquele prédio estava longe de atingir as verdadeiras necessidades de um hospital. Faltavam detalhes básicos que obviamente teriam sido levados em consideração em um projeto inicial. O fato do edifício ter sido totalmente projetado para um uso residencial foi uma terrível barreira para que qualquer outro tipo de utilização fosse realmente satisfatória"

Nos ensina o livro "Lekach Tov" que o mundo e o ser humano foram criados especialmente para que as pessoas pudessem utilizar todas as ferramentas do mundo material para se conectarem com os mundos espirituais e se elevarem. E por mais que tentemos modificar a utilização original deste mundo, investindo todas as nossas forças na busca de prazeres materiais, nunca ficaremos satisfeitos com esta forma de utilização.
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A Parashá da semana passada, Itró, terminou com a entrega da Torá no Monte Sinai. E a Parashá desta semana, Mishpatim, começa trazendo diversas leis "Bein Adam Lehaveiro" (entre o homem e o seu semelhante), nos ensinando como devemos viver em sociedade de forma a construir um ambiente saudável. Mas algo nos chama a atenção nas primeiras palavras da Parashá. Por que está escrito "E estas são as leis", e não está escrito apenas "Estas são as leis"?

Explica Rashi, comentarista da Torá, que este "e" adicional foi colocado de forma a conectar a Parashá desta semana com a Parashá da semana passada. Da mesma forma que a Parashá passada falava sobre a entrega da Torá no Monte Sinai, também todas as leis sociais que estão contidas na Parashá desta semana também foram entregues por D'us no Monte Sinai. Rashi explica que a Torá está ressaltando a diferença entre as leis Divinas e as leis criadas pelos seres humanos. As leis humanistas são fundamentadas no senso comum das pessoas, e portanto são influenciadas pelo local, pela época e pelas condições de vida da sociedade onde as leis são elaboradas. Por não serem embasadas em nada fixo, muitas vezes vigoram por algum tempo e depois são descartadas. Portanto, muitas vezes falta base para estas leis e ocorrem muitas contradições. Um dos exemplos que atualmente mais nos salta aos olhos é o aborto. Há 100 anos o aborto era, em muitos países, punido com pena de morte. Atualmente a legalização do aborto ganha cada vez mais força em todo o mundo, apesar de cada vez mais a ciência provar que o feto já é uma vida e que aos 40 dias já tem até mesmo ondas cerebrais. O valor da vida humana mudou nestes últimos 100 anos? Será que é válido acabar com uma vida apenas porque a mulher grávida acha que ainda precisa investir mais na sua carreira antes de ter filhos? Com valores humanistas, a sociedade pode decidir o que é vida e o que não é.

Já a Torá não é assim, suas leis foram escritas por D'us, quem verdadeiramente sabe o que é uma vida e o que não é. O aborto há 100 anos era condenado pela Torá como uma atitude tão grave quanto o assassinato, pois aos 40 dias de vida a alma já entra no feto, e mesmo antes disso o feto já é um potencial de vida que não pode ser descartado, muito menos por motivos banais. Atualmente o valor de uma vida não mudou, e o aborto continua sendo considerado um assassinato. E mesmo que passem mais 1000 anos e que todas as condições mudem, o valor de uma vida nunca vai mudar aos olhos de D'us.

Outra grande diferença entre as leis humanistas e as leis da Torá é que os seres humanos tendem a defender sempre os seus direitos ao invés de se preocupar com os seus deveres. É muito comum ver grupos fazendo passeatas defendendo seus direitos. O grande problema é que quando todos têm apenas direitos, muitas vezes o direito de um grupo invade o direito do outro grupo. Quando um jornalista demanda seus direitos de liberdade de expressão, ele invade o direito das outras pessoas de manterem a sua vida particular. Quando um homossexual luta pelo direito de poder expressar seu homossexualismo em público, ele invade o direito de um pai que não quer expor seu filho pequeno à cena de dois homens se beijando em um parque público. Quando todos se preocupam apenas com os seus direitos, um tende a querer engolir os direitos dos outros. Quem está certo? Quem merece mais?

Já a visão da Torá é que o ser humano tem deveres, não direitos. Assim, quando cada um cumpre seu propósito e segue as regras impostas por D'us, ele garante os direitos dos outros e consequentemente os seus próprios direitos. O melhor exemplo disso é o que ocorre no trânsito, onde cada um cumpre seus deveres como motoristas, observando leis de trânsito tais como semáforos e mãos de direção, e com isso adquirem o direito de se locomoverem pela cidade com segurança e rapidez. Mas se cada carro tivesse o direito de fazer o que bem entendesse, certamente o trânsito seria um grande caos.

E não apenas que as leis da Torá não dependem da decisão de seres humanos, mas justamento o contrário ocorre, o ser humano foi embasado pelas leis da Torá, como está escrito "D'us olhou a Torá e criou o mundo". O Zohar (Cabalá) nos ensina que o ser humano tem 613 partes no seu corpo material (entre órgãos, ossos e juntas) e 613 partes na sua alma, justamente o mesmo número de Mitzvót da Torá. Fomos criados, tanto o nosso corpo quanto a nossa alma, de acordo com as Mitzvót. Nossa satisfação e nosso preenchimento está relacionado com o nosso cumprimento das Mitzvót.

É por isso que, apesar de muitas vezes pensarmos que viver de acordo com as Mitzvót da Torá é muito pesado e difícil, a verdade é justamente o contrário. Nunca o mundo viveu em uma abundância e uma tranquilidade sócio-econômica como neste século. E ao mesmo tempo nunca o ser humano foi tão infeliz e depressivo como agora. Moramos em apartamentos luxuosos, andamos em carros modernos e equipados, vivemos com conforto e comodidade, e mesmo assim a grande maioria das pessoas não se sente feliz. Por que? Pois não foi para isso que o mundo e o ser humano foram construídos, e por mais que possamos tentar buscar felicidade no preenchimento material, estaremos utilizando nossa construção original para outro propósito. Já em sociedades mais observantes de Mitzvót vemos que as pessoas que utilizam o mundo material apenas como um meio para se conectar ao espiritual estão muito mais satisfeitas e necessitam de muito menos para se sentirem bem e preenchidas.

Da mesma forma que um edifício residencial é construído para atender as necessidades de pessoas que utilizarão o edifício como moradia, e qualquer outro uso para o edifício será certamente longe do ideal, assim também ocorre com o nosso corpo e alma. Enquanto estivermos vivendo nosso vida voltada à conexão espiritual, estaremos nos preenchermos espiritualmente. Mas se tentarmos ser "espertinhos" e buscar viver uma vida apenas pelo preenchimento material, estaremos sujeitos a terminar como Curt Cobain, Heath Ledger e outros artistas famosos que, apesar de terem tudo, ao mesmo tempo nunca tiveram nada.

"Eu tento, eu tento e eu tento, mas eu não tenho satisfação..." (Mick Jager - Rolling Stones)

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm