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sexta-feira, 15 de maio de 2026

VIVENDO PELA TORÁ - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT BAMIDBAR 5786

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ASSUNTOS DA PARASHAT BAMIDBAR
  • O comando do censo do povo judeu (20 a 60 anos)
  • Escolha dos líderes de cada Tribo.
  • Início do censo por Tribos.
  • Os Leviim.
  • O acampamento: Yehudá (Yehudá, Issach, Zevulun) no Leste, Reuven (Reuven, Shimon, Gad) no Sul.
  • O Mishkan durante as viagens.
  • Efraim (Efraim, Menashe e Biniamin) no Oeste, Dan (Dan, Asher, Naftali) no Norte.
  • Total.
  • Genealogia de Moshé e Aharon.
  • Status dos Leviim.
  • Censo dos Leviim: Guershon, Kehat e Merari.
  • Censo dos Primogênitos.
  • Substituindo os Primogênitos pelos Leviim (Redenção dos Primogênitos).
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  • Precauções para os Kehatim.
 
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VIVENDO PELA TORÁ - PARASHAT BAMIDBAR 5786 (15/mai/26)

Uma das mais fortes e documentadas histórias sobre Messirut Nefesh no estudo da Torá, isto é, um grau de dedicação plena, aconteceu com os alunos do Rav Meir Shapira zt”l (Império Austro-húngaro,1887 - Polônia, 1933), estudantes da Yeshivat Chachmei Lublin, durante os anos terríveis do Holocausto.
 
Quando os nazistas começaram a destruir o mundo judaico da Polônia, muitos jovens ficaram sem comida, sem família e sem qualquer estabilidade emocional. Em várias cidades, as Yeshivót foram fechadas à força. Havia uma fome devastadora. Pessoas vendiam os últimos objetos de casa por um pedaço de pão.
 
Entre os sobreviventes, há relatos impressionantes de rapazes que continuavam a estudar Guemará escondidos em porões, sótãos e campos de trabalho. Um deles contou que certa vez conseguiu um pedaço pequeno de pão depois de dias praticamente sem comer nada. Enquanto se preparava para comer, percebeu outro rapaz sentado em um canto, repetindo baixinho um Tossafot de memória. Ele não conseguiu se conter e perguntou:
 
- Você não come há dias. Como consegue estudar agora?
 
- Se o corpo está faminto - o outro rapaz respondeu, com palavras que mais tarde se tornariam famosas entre os sobreviventes - então é justamente a alma que precisa comer.
 
Em outra ocasião, alguns alunos da Yeshivá conseguiram esconder um volume de Guemará rasgado e sem capa. Cada grupo ficava com o livro por algumas horas e depois o passava secretamente para outro grupo. As páginas estavam tão gastas de tanto serem manuseadas que começaram literalmente a se desfazer nas mãos dos rapazes. Anos depois, um dos sobreviventes disse:
 
- As pessoas pensavam que nós estudávamos Torá porque éramos fortes. A verdade era o contrário: sobrevivíamos porque estudávamos Torá.”
 
Essa talvez seja uma das definições mais profundas de “Messirut Nefesh pela Torá”: não apenas estar disposto a morrer pela Torá, mas viver por ela, mesmo quando tudo ao redor conspira para arrancá-la de nós. Mesmo quando o mundo inteiro afundava, o vínculo com a Torá permaneceu mais forte que o caos ao redor.

Nesta semana começamos o quarto livro da Torá, Bamidbar, que descreve os principais acontecimentos do povo judeu a partir do segundo ano no deserto. O Sefer Bamidbar traz muitos acontecimentos importantes, como a transgressão dos espiões, que causou o decreto de permanência por 40 anos no deserto.
 
A Parashat Bamidbar (literalmente “No deserto”) traz a contagem do povo judeu e a ordem das Tribos durante as viagens. A Parashá começa com as seguintes palavras: “E disse D’us a Moshé no deserto do Sinai” (Bamidbar 1:1). Baseado neste versículo, nossos sábios fazem uma pergunta interessante: por que D’us escolheu justamente o deserto, um lugar inóspito, distante da civilização, completamente vazio, como local para nos entregar a Torá? Por que Ele não nos entregou a Torá na Terra de Israel, onde está o principal cumprimento das Mitsvót?
 
O Rav Yehuda Assad zt”l (Império Austro-húngaro, 1794 - 1866) explica que com três coisas a Torá foi adquirida: com fogo, com água e com deserto. Nestas três coisas há uma alusão de como deve ser o Serviço espiritual do ser humano. O fogo simboliza o calor, e nos ensina que o ser humano deve cumprir as Mitsvót com fervor e entusiasmo. Já a água alude à frieza, e nos ensina que quando desperta no homem o fogo dos desejos, ele deve ser frio para manter o autocontrole. E o deserto vem nos ensinar que, quando nos encontramos em companhia de pessoas que falam coisas fúteis e vazias, mesmo que não sejam coisas proibidas, devemos permanecer silenciosos, como um deserto, e não participar destes tipos de conversas.
 
Porém, saber utilizar estes traços de caráter não é algo fácil. A palavra em hebraico para “traços de caráter” é “Midót”, que também significa “medidas”. Para um traço de caráter estar de acordo com a vontade de D’us, ele deve estar na medida certa. Mesmo bons traços de caráter podem afastar a pessoa dos caminhos corretos quando utilizados da forma ou em momentos incorretos, e mesmo traços de caráter ruins podem nos aproximar de D’us se forem utilizados da maneira e nos momentos corretos.
 
O mesmo se aplica em relação ao “calor” e ao “frio”. Muitas vezes o Yetser Hará nos engana e nos faz errar na dose. Em vez de usar a frieza em relação às transgressões e desejos, acabamos utilizando-a no cumprimento das Mitsvót. É o que ocorre, por exemplo, quando deixamos a nossa Tefilá em “piloto automático” e rezamos com frieza, sem nenhuma empolgação, esquecendo que estamos diante do Criador do universo. Também acontece quando cumprimos as Mitsvót sem vontade, apenas para “sair da obrigação”. Outras vezes, ao invés de usar o calor para cumprir as Mitsvót com mais fervor, acabamos utilizando-o para fazer transgressões com grande entusiasmo e para nos entregar aos nossos desejos. Isso ocorre, por exemplo, quando comemos de forma exagerada, mesmo quando a comida é Kasher, apenas pela falta de controle.
 
Desta maneira podemos explicar as palavras do mais sábio de todos os homens, Shlomo Hamelech: “Espinhos e armadilhas estão no caminho tortuoso; quem guarda sua alma se afasta deles” (Mishlei 22:5). “Espinhos” (Tsinim) se refere ao frio. “Armadilhas” (Pachim) se refere ao calor. “No caminho tortuoso” se refere àquele que não sabe quando e qual medida usar. “Quem guarda sua alma se afasta deles”, pois a pessoa que não utiliza seus traços de caráter da maneira correta pode acabar comprometendo sua alma e seu Mundo Vindouro.
 
Assim também podemos explicar as palavras do profeta: “A justiça nela repousava, e agora há assassinos” (Yeshayahu 1:21). “A justiça nela repousava” significa que, em relação aos atos de bondade e justiça, a pessoa segue o caminho do “repouso”; isto é, adia a realização das suas boas ações, empurrando-as com desculpas diversas, como “vamos ver” e “quem sabe”. Porém, quando se trata de atos negativos, como por exemplo o assassinato, ela corre imediatamente para praticá-los, como está escrito “e agora há assassinos”, isto é, agora, imediatamente, não depois. Exatamente o contrário do que deveríamos fazer. Embora a maioria das pessoas não comete assassinatos, sentimos esta “empolgação”, por exemplo, quando queremos falar Lashon Hará.
 
Assim também ocorre na questão da humildade e do orgulho. Em todos os assuntos na vida o homem deve conduzir-se com humildade, exceto no Serviço a D’us, onde ele deve ser forte e seguro de si. Entretanto, as pessoas agem exatamente ao contrário: quando se trata do Serviço Divino, de repente as pessoas se tornam humildes e submissas. Quando a pessoa não quer estudar Torá ou cumprir Mitsvót, ela diz “com humildade”: “Eu não estou no nível necessário para estudar e conhecer todos os Tratados do Talmud, então talvez seja melhor nem começar”, ou “não sou digno de ser um grande estudante, então por que me esforçar?”. Na verdade, a pessoa se transforma em “humilde” por causa dos seus desejos. Foi isso, portanto, que disseram nossos Sábios: “Através de três coisas a Torá é adquirida: fogo, água e deserto”. O homem precisa saber quando e onde usar o fogo e a água. Do mesmo modo, deve saber como e quando usar o “deserto”, que simboliza o temor aos Céus. A falsa humildade, fantasiada de “temor aos Céus”, pode nos afastar de D’us.
 
Há outro aspecto interessante relacionado ao fato de a Torá ter sido entregue no deserto e não na Terra de Israel. Ensina o Rav Yossef Shalom Elyashiv zt”l (Lituânia, 1910 - Israel, 2012) que no deserto não há presença humana e, sem os milagres que D’us realizou para o povo judeu, eles não teriam conseguido sobreviver, como está escrito: “Aquele que te conduziu pelo grande e temível deserto, de serpente venenosa e escorpião, e sede onde não havia água” (Devarim 8:15).
 
Além disso, no próprio momento da entrega da Torá, todas as forças da criação se uniram diante do povo judeu, por meio da água e do fogo, dos trovões, relâmpagos e da fumaça que havia sobre o Monte Sinai. E isso vem nos ensinar que, assim como a Torá foi dada em um lugar de perigo e em condições extremamente difíceis para a sobrevivência humana, assim também o povo judeu está obrigado a cumprir a Torá e guardar suas Mitsvót em qualquer situação, e nenhuma dificuldade do mundo pode servir como desculpa para isentar a pessoa da Torá.
 
Nossos sábios explicam que o contrário também é verdade. Se apesar de todas as dificuldades a pessoa não se enfraquecer no estudo da Torá e no cumprimento das Mitsvót, está garantido que D’us a ajudará e a salvará de toda aflição e angústia, sustentando-a em todas as dificuldades e provações que surgirem em seu caminho, assim como o povo judeu pôde viver no deserto inóspito através de milagres. Mesmo nas piores épocas da nossa história, sempre houve aqueles que continuaram a se dedicar ao estudo da Torá dia e noite. E a Torá trouxe vida para elas.
 
Assim ensina o Rambam (Espanha, 1135 – Egito, 1204): “Todo homem do povo judeu está obrigado ao estudo da Torá, seja pobre ou rico, seja saudável ou sofredor, seja jovem ou muito idoso. Mesmo um pobre que vive de esmolas, mesmo alguém casado e com filhos, é obrigado a estabelecer tempos fixos para o estudo da Torá de dia e de noite”. Se isso vale nas dificuldades, muito mais em nossa geração, na qual temos total liberdade de cumprir as Mitsvót e de nos dedicar ao estudo da Torá. As gerações passadas estudavam Torá mesmo em condições de Messirut Nefesh, estavam dispostos a morrer pela Torá. Que possamos, ao menos, estar dispostos a viver por ela.

SHABAT SHALOM
 

R’ Efraim Birbojm

 

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R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l 

 
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quinta-feira, 11 de setembro de 2025

RAÍZES ESPIRITUAIS QUE NOS MANTÊM DE PÉ - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT KI TAVÔ 5785

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PARASHÁ KI TAVÔ 5785



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  • Primeiros Frutos (Bikurim).
  • Declaração pela separação dos Dízimos.
  • Relacionamento de D'us e o povo judeu.
  • O novo pacto: as pedras escritas.
  • Tornando-se uma Nação.
  • A Brachá e a Klalá.
  • A Brachá pela obediência.
  • A Klalá pela desobediência.
  • O Pacto.
  • O discurso final de Moshé.
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RAÍZES ESPIRITUAIS QUE NOS MANTÉM DE PÉ - PARASHÁ KI TAVÔ 5785 (12/ago/25)

"Após a liberação dos Campos de Concentração, em 1945, milhares de judeus vagavam sem saber para onde ir e o que fazer. Seus corpos estavam quebrados pelos anos de fome, frio e trabalhos forçados, além de todos os tipos de torturas. Muitos haviam perdido suas famílias, seus amigos e tudo o que tinham na vida.
 
De repente, soldados aliados que haviam libertado os Campos de Concentração viram que os judeus começaram a se reunir nos barracos abandonados. Ficaram curiosos e foram ver o que eles estavam fazendo. Os soldados não acreditaram no que seus olhos viram. Formaram-se pequenos círculos de sobreviventes. Não havia livros, não havia bancos, mal havia pão. Mas alguns judeus começaram a repetir de memória trechos do Talmud que ainda recordavam. Outros se juntavam para ouvir, discutir e comentar.
 
Os soldados aliados não conseguiam entender. Como pessoas tão quebradas, fisicamente e psicologicamente, conseguiam se manter de pé, com tanta Emuná? Um senhor judeu então explicou a eles:
 
- Isso se compara a duas árvores. Uma é grande e possui muitas folhas, mas suas raízes são superficiais. Outra é pequena, com poucas folhas, mas tem raízes profundas. Quando vem um vento forte, a primeira cai, enquanto a segunda permanece de pé. Assim são os judeus: mesmo quando exteriormente não nos resta quase nada, nem folhas, nem força, nem aparência, mas nossas raízes estão profundas na Torá, permanecemos de pé, mesmo após uma tempestade tão violenta. Essas raízes podem nos sustentar em qualquer tempo de crise e dificuldade.
 
- Nossos corpos podem estar destruídos - finalizou o senhor, esboçando um sorriso - mas o estudo da Torá nos lembra que ainda somos um povo vivo."
 
Aqueles "Shiurim" improvisados eram um verdadeiro milagre. Do lado de fora, os ventos da destruição ainda sopravam, tentando arrancar os últimos vestígios de identidade judaica na Europa. Mas, dentro daqueles barracos, a chama da Torá reacendia os corações com uma força inesperada.

Nesta semana lemos a Parashá Ki Tavô (literalmente "Quando vocês vierem"), na qual Moshé trata, em seus discursos finais, principalmente de Mitzvót que seriam cumpridas apenas quando o povo entrasse na Terra de Israel, tais como levar os Bikurim (primícias) ao Beit Hamikdash, junto com um belo agradecimento a D'us, e a cerimônia das Brachót e Klalót nos Montes Eival e Guerizin.
 
No final da nossa Parashá, Moshé começou seu discurso final. E com estas palavras a Parashá termina: "Cumpram as palavras deste pacto e coloquem-nas em prática, para que tenham sucesso em tudo o que fizerem" (Devarim 29:8). A linguagem "Taskilu", traduzida como "tenham sucesso", vem da raiz "Lehaskil", que significa "ter sabedoria". A que tipo de sabedoria o versículo se refere, que está associado ao nosso sucesso?
 
Explica o Rav Yehuda Leib Chassman zt"l (Lituânia,1869 - Israel, 1935) que podemos perceber um fenômeno muito interessante, que demonstra nossa total falta de entendimento sobre o propósito da vida e onde devemos investir nossas energias. De acordo com o que estamos acostumados, quando uma pessoa investe seu dinheiro e esforços nos negócios e tem sucesso, ela recebe um grande reconhecimento do público. Todos dizem sobre ela: "Vejam como esta pessoa é hábil em prosperar em seus negócios". E esse reconhecimento acontece mesmo que qualquer pessoa sensata sabe claramente que o sucesso nos negócios não depende das mãos do ser humano, e sim das mãos de D'us, pois nós fazemos apenas a Shtadlut (esforço), mas os resultados são apenas de acordo com a vontade de D'us. A prova disso é que muitas pessoas sem grandes sabedorias, que muitas vezes nem mesmo cursaram uma faculdade, têm um enorme sucesso em seus negócios, enquanto outros, cheios de conhecimentos e títulos, mal conseguem sustentar suas famílias. E assim o mais sábio de todos os homens, Shlomo HaMelech, escreveu: "A corrida não é vencida pelos mais rápidos, nem a guerra pelos mais fortes. Nem sempre os sábios têm pão, nem os inteligentes riqueza, nem os instruídos reconhecimento" (Kohelet 9:11).
 
Porém, as coisas são diferentes quando se trata de Torá, Mitzvót e Temor a D'us. Mesmo que o sucesso nessas áreas está completamente nas mãos da pessoa, como ensina o Talmud (Meguilá 6b): "Se alguém disser para você: 'Não me esforcei e consegui', não acredite nele", justamente nesses assuntos não damos valor para aqueles que se esforçaram e não reconhecemos o sucesso que alcançaram. E quando alguém deseja se esforçar mais do que os outros nestas áreas, olhamos com desdém e questionamos: "Por que ele se esforça tanto assim? Parece um tolo desperdiçando seu tempo". Mas a Torá afirmou justamente o contrário: "para que tenham sucesso em tudo o que fizerem", isto é, nestas áreas devemos dar valor para as pessoas que se esforçam, pois o resultado é diretamente proporcional aos esforços feitos.
 
Por que esta inversão de valores acontece? Principalmente pois vemos imediatamente os frutos do sucesso nos negócios, quando a pessoa passa a ter muito mais prazeres materiais. Seu carro é importado, sua casa fica em um condomínio de luxo, suas viagens são extravagantes. Já o sucesso espiritual não tem ganhos aparentes, já que o Talmud (Kidushin 39b) afirma: "Não há pagamento de Mitzvót neste mundo". Portanto, devemos ser sábios para refletir e internalizar quão grande é o fruto que virá dos nossos esforços nas áreas espirituais. Antes de tudo, devemos saber que é uma recompensa infinita, como ensinam nossos sábios: "Uma hora de satisfação no Mundo Vindouro é melhor do que toda a vida deste mundo" (Pirkei Avót 4:17). Para termos noção do que significa "toda a vida deste mundo", imaginemos uma pessoa que viva os seis mil anos de existência do mundo e desfrute de todos os prazeres que os homens de todas as gerações experimentaram, desde a criação até o fim dos tempos, sem qualquer tipo de sofrimento. Mesmo um pequeno prazer no Mundo Vindouro é melhor do que toda vida de prazeres deste mundo, pois os prazeres mundanos, mesmo que sejam muito grandes, no fim terminam, mas mesmo um instante no Mundo Vindouro carrega uma satisfação eterna e é, portanto, incomparavelmente superior.
 
Se isso vale para apenas um instante de prazer, quanto mais para uma eternidade de prazeres no Mundo Vindouro, que uma pessoa merecerá ao cumprir uma Mitzvá. E se isso é o que mereceremos por uma única Mitzvá, quanto maior será nossa recompensa pela Mitzvá do estudo da Torá, que é equivalente a todas as Mitzvót da Torá juntas. E se tudo isso é a recompensa por uma única palavra de Torá, quanto mais por muitas palavras do seu estudo.
 
E tudo isso se refere aos méritos em tempos favoráveis, quando muitos se dedicam ao estudo da Torá. Mas o que podemos dizer sobre a recompensa que receberá aquele que estuda em tempos de enfraquecimento no estudo da Torá? Não há como mensurar a grandeza dessa recompensa, como ensina o Talmud (Yerushalmi Brachót 9:5): "Se você vê pessoas que desistiram da Torá, permaneça firme e se fortaleça nela, e você receberá toda a recompensa". Será enorme a recompensa concedida àquele que se esforça enquanto muitos se afastam da Torá. As pessoas que estão estudando recebem a recompensa de todos os que não estão estudando naquele momento.
 
Isso tudo se aplica ao indivíduo que estuda para si mesmo, mas pode ser aumentado caso o estudo traga também méritos aos outros. Ensinam os nossos sábios: "Todo aquele que bate no rosto de um judeu é como se tivesse batido no rosto da Presença Divina" (Sanhedrin 58b). Como a bondade de D'us é quinhentas vezes superior à Sua punição, então muito mais aquele que honra um judeu está honrando D'us. E se isso vale para honrar o próximo, muito mais para quem faz o bem ao próximo na prática. E se esta é a conta para bondades materiais, quanto maior será a recompensa daquele que dá ao próximo méritos espirituais e lhe proporciona vida eterna!
 
Há mais um fator multiplicador de méritos: o estudo da Torá dentro de um grupo de estudos. A Torá ensina que, se andarmos no caminho correto, receberemos a seguinte Brachá de D'us: "Cinco perseguirão cem (inimigos), e cem perseguirão dez mil (inimigos)" (Vayikrá 26:8). Porém, a proporção não está correta! Se cinco perseguem cem, isto é, vinte vezes mais, então cem deveriam perseguir dois mil, e não dez mil! Explica Rashi que daqui aprendemos a força do grupo. Portanto, muitos que estudam Torá não se compara a poucos que estudam.
 
Portanto, quanta vida eterna perde aquele que se torna negligente e não se ocupa do estudo da Torá. Ele acaba caindo espiritualmente, enfraquecendo a si mesmo e aos demais em volta. Mas, ao contrário, cada um que se esforça para manter seu estudo diário de Torá traz mérito para si mesmo e para todos ao seu redor. Em uma geração como a nossa, tão carente em relação ao estudo da Torá, a pessoa pode multiplicar sua recompensa milhares de vezes, sem limites. E, ao merecer uma luz tão maravilhosa da Torá, ele se eleva e eleva os demais junto com ele. Essa luz que ele cria no final retorna a ele, uma luz que jamais vai cessar.
 
Estamos chegando em Rosh Hashaná, e precisamos aumentar os nossos méritos. Como vimos, não há nada tão poderoso quanto investir no nosso estudo de Torá. Em primeiro lugar, pelo mérito do próprio estudo, que tem força para iluminar o mundo. Em segundo lugar, pela purificação espiritual que a Torá traz para cada um que a estuda. Em terceiro lugar, pois quanto mais estudamos, melhor podemos cumprir a vontade de D'us. E, finalmente, pois as leis da Torá nos tornam pessoas melhores, mais calmas e compreensivas. Em todas as áreas materiais, o sucesso está nas mãos de D'us. Porém, o sucesso no nosso estudo está nas nossas mãos, no nosso esforço, na nossa decisão de crescimento espiritual. É uma área na qual podemos iluminar todo o povo judeu, e esta luz voltará, nos ajudando no nosso julgamento de Rosh Hashaná e em todas as outras áreas da vida. 

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R' Efraim Birbojm

 

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