quinta-feira, 20 de dezembro de 2018

PEQUENOS ATOS, GRANDES CONSEQUÊNCIAS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAIECHI 5779

BS"D
Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, favor entrar em contato através do e-mail efraimbirbojm@gmail.com.
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PEQUENOS ATOS, GRANDES CONSEQUÊNCIAS - PARASHAT VAIECHI 5779 (21 de dezembro de 2018)

Certa vez o Rav Simcha Barnett e sua esposa estavam saindo de casa juntos para ir ao trabalho. Porém, para o desespero deles, o carro não ligava. O rabino então percebeu que havia esquecido o farol do carro aceso e certamente a bateria tinha descarregado. Ele então ligou para a sua seguradora e solicitou a visita de um técnico. Em pouco tempo o técnico chegou, colocou um cabo conectando a bateria do seu carro com a bateria do carro do Rav Simcha Barnett e, em pouco mais de 5 minutos, tudo estava pronto.

O Rav Simcha Barnett estava muito grato pela ajuda rápida do técnico e, além de agradecer com entusiasmo, também deu a ele uma boa gorjeta. Quando o técnico saiu, a esposa do rabino perguntou:

- Querido, entendo que você está agradecido ao rapaz pelo serviço atencioso e rápido. Porém, o trabalho dele não levou nem 5 minutos! Será que ele realmente merecia uma gorjeta?

- Eu sempre dou gorjetas, querida - respondeu o Rav Simcha Barnett - mesmo para aqueles que eu acho que não merecem, pois eu não quero que eles pensem e digam que os judeus são mesquinhos. Fora o fato de que devemos ter "Akarat HaTov" (reconhecer as bondades recebidas), eu sou ainda mais cuidadoso por andar o tempo inteiro de kipá na rua, pois sei que minha kipá é uma propaganda constante de que eu sou judeu. Eu não quero que meus atos possam ter algum reflexo negativo sobre todo o povo judeu. D'us nos colocou uma sensibilidade interna, e esta é uma das razões pelas quais todos nós estremecemos quando ouvimos que outro judeu estava envolvido em uma atividade ilícita ou repulsiva. Isto mancha a reputação de todos nós. Ao dar uma gorjeta, sei que estou projetando para o mundo inteiro uma imagem positiva e correta dos judeus. Cada pequeno ato é uma oportunidade de fazermos um imenso "Kidush Hashem" (santificar o Nome de D'us).

Nesta semana lemos a Parashat Vaiechi (literalmente "E viveu"). Após viver 17 anos no Egito, depois de ter reencontrado seu filho Yossef, Yaacov sentiu que a morte se aproximava. Ele então reuniu seus filhos e deu a cada um deles uma Brachá, que continha também profecias com o que ocorreria futuramente com as Tribos de Israel. Yaacov então faleceu aos 147 anos e foi enterrado na Mearat Hamachpela, na Terra de Israel, junto com seus antepassados.

O que nos chama a atenção foi que Yaacov viveu muito menos do que seu pai e seu avô. Enquanto Avraham viveu 175 anos, Ytzchak viveu 180 anos. Então por que Yaacov viveu tantos anos a menos que seus antepassados? Explica Rashi que os três patriarcas deveriam ter vivido 180 anos. D'us levou Avraham deste mundo 5 anos mais cedo, para que ele não tivesse que sofrer vendo as terríveis transgressões que seu neto Essav faria. Porém, por que Yaacov perdeu 33 anos de sua vida?

No final da Parashat da semana passada, Vayigash, a Torá descreveu o encontro de Yaacov com o Faraó, o rei do Egito. Fugindo completamente dos protocolos, a primeira pergunta que o Faraó fez ao se encontrar com Yaacov foi "Quantos anos você tem?". Por que o Faraó fez justamente esta pergunta a Yaacov?
Além disso, nos chama a atenção a resposta de Yaacov. Ele disse ao Faraó que seus anos eram poucos e mau vividos em comparação aos anos vividos pelos seus antepassados. Em outras palavras, Yaacov estava desabafando com o Faraó, dizendo que a vida havia sido muito dura com ele.

Nossos sábios explicam que Yaacov perdeu 33 anos de vida por cada uma de suas palavras em sua conversa com o Faraó. É verdade que ele precisou fugir de seu irmão Essav e teve que conviver por muitos anos com seu sogro Lavan, um grande trapaceiro, porém havia voltado para casa com uma enorme família e uma imensa fortuna. Além disso, é verdade que Diná e Yossef haviam sido levados de casa, mas D'us os havia trazido de volta saudáveis. Como resultado de sua resposta ao Faraó, uma resposta crítica e desanimada, que demonstrava certa falta de Emuná, ele perdeu um ano por cada palavra mencionada.

Porém, se contarmos as palavras do versículo, o total de 33 palavras somente é atingido se levarmos em conta também as 8 palavras da pergunta do Faraó. Mas que culpa Yaacov teve pelo Faraó ter perguntado sua idade? Ele havia cometido algum erro? Ele poderia ter feito algo diferente?
 
Quando uma pessoa vive imersa em sofrimentos, sua aparência muda e ela envelhece muito mais rapidamente. Yaacov havia vivido muito tempo imerso em sofrimento, em especial os últimos 22 anos, no qual ele viveu enlutado pela suposta morte de seu filho preferido, Yossef. Aparentemente o Faraó ficou tão chocado com a aparência envelhecida e sem vigor de Yaacov que abandonou o decoro convencional e iniciou a conversa questionando a sua idade, uma pergunta até mesmo grosseira. A própria aparência de Yaacov se transformou, portanto, em uma demonstração de falta de Emuná.

Porém, ainda assim fica difícil entender por que Yaacov recebeu um castigo tão duro. Muitas vezes também reclamamos dos problemas da vida e "murchamos" diante das dificuldades. Reclamamos do tempo quente e do dia frio e chuvoso. Reclamamos das dificuldades no trabalho e quando as coisas não estão exatamente como gostaríamos. Será que isto é algo assim tão grave?

Provavelmente nunca paramos para refletir muito sobre isto, mas toda vez que fazemos atos que não condizem com o nosso papel no mundo, com a nossa missão de sermos uma "Luz para as nações do mundo", em última instância isto também prejudica a reputação de D'us. A Torá e suas leis é o que temos de mais próximo de D'us neste mundo. Se agimos mal, isso prejudica a credibilidade da Torá e de D'us aos olhos dos outros povos.

Infelizmente, muitas vezes em nossa história o povo judeu se transformou em um "mensageiro que esqueceu sua mensagem". A mensagem, que é a Torá, contém o potencial para aproximar o mundo ao seu Criador. Se nossas ações afastam o mundo desta mensagem, ela será enfraquecida e obscurecida, resultando em um grau maior de Ocultamento Divino no mundo - o oposto do plano de D'us e do propósito do povo judeu.

Não é de se admirar que o mundo cobra do povo judeu um padrão superior de comportamento. Muitas vezes recebemos lembretes, de forma constante e consistente, dos outros povos. É um lembrete da nossa responsabilidade de estabelecermos um padrão para a moralidade e a conduta correta neste mundo. E, embora possamos abdicar ou renunciar do nosso papel especial no mundo, somos repetidas vezes lembrados que somos diferentes. Algumas vezes é através de condenações veementes da ONU ou das nações europeias, outras vezes através de incidentes antissemitas que ocorrem em universidades e nas ruas do mundo inteiro. Como ocorreu, na semana passada na França, quando um protesto por menores impostos se transformou, repentinamente, em um evento antissemita, com diversas sinagogas sendo fechadas no Shabat por falta de segurança e lojas judaicas sendo depredadas, despertando amargas lembranças da fatídica "Noite dos cristais".

Explica o Rav Simcha Barnett que, com este entendimento, podemos responder a pergunta sobre o duro castigo recebido por Yaacov. Yaacov era um homem incrível, quase um anjo, beirando a perfeição em seus atos. Porém, ele se descuidou em um pequeno detalhe. Sua aparência não era apenas um reflexo dele ou de sua família, era um reflexo de D'us. Como poderia um homem de D'us parecer tão abatido pela vida? Certamente, aqueles que têm Emuná, que vivem com a certeza de que D'us controla cada pequeno acontecimento e cada detalhe das nossas vidas, devem exalar energia e vitalidade. Este comportamento fala muito sobre o judaísmo e sobre D'us. O povo judeu foi escolhido como a "equipe de vendas e marketing" de D'us, vendendo Seu "plano mestre" de ética para o mundo. Se o "produto" não traz alegria e vitalidade nem mesmo para o vendedor, quem vai querer comprá-lo?

Se encontramos judeus que demonstram constantemente orgulho por seu comportamento e entusiasmo em relação às leis de sua religião, isso não torna o judaísmo mais atraente para outros judeus e para todos os povos do mundo? E, da mesma forma, se os judeus parecem mal-humorados e infelizes, isto não é um desvio para todos os observadores?

É óbvio que devemos fazer o que é o correto, independentemente se outras pessoas estão olhando ou não. Porém, aprendemos da nossa Parashat o quanto devemos ser ainda mais cuidadosos quando nossos atos podem influenciar outras pessoas. Devemos nos tornar modelos de retidão, pois nossas ações e atitudes sobre a vida realmente afetam os outros. Yaacov nos ensinou que, como "promotores" de D'us, nós O representamos neste mundo. Se fizermos o nosso trabalho adequadamente, o mundo virá a conhecer um D'us de amor, prazer e paz. Mas, se D'us nos livre, não cumprirmos nossa missão, estaremos transmitindo aos outros povos um mundo mais oco e frio. Uma coisa é certa: todos aprendem algo sobre D'us com o povo judeu. É uma enorme responsabilidade que, se tivermos o cuidado necessário, podemos transformar em realização.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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São Paulo: 19h32  Rio de Janeiro: 19h17  Belo Horizonte: 19h13  Jerusalém: 16h04
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara, Chana Mirel bat Feigue, Eliezer ben Shoshana, Mache bat Beile Guice.
 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l, Shlomo ben Salha z"l, Yechiel Mendel ben David z"l, Faiga bat Mordechai HaLewy z"l.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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