| | | | | ASSUNTOS DA PARASHAT SHEMOT - O Crescimento do povo judeu.
- O "novo" Faraó e a opressão.
- Bebês jogados no Nilo.
- Nascimento de Moshé.
- Moshé sai para ver seus irmãos.
- Moshé foge para Midian.
- O arbusto ardente.
- Moshé é apontado como salvador do povo judeu.
- Moshé "discute" com D'us.
- Moshé volta ao Egito.
- Brit Milá do filho de Moshé.
- Moshé e Aharon pedem ao Faraó a liberação do povo judeu.
- O Faraó aumenta o trabalho do povo.
- Os judeus reclamam com Moshé.
- Moshé reclama com D'us.
| | | DANDO SIGNIFICADO AO NOSSO TRABALHO - PARASHAT SHEMOT 5786 (09/jan/26) Havia um rei que era conhecido por sua sabedoria e vontade de compreender o coração das pessoas. Certa vez, ele quis fazer um "experimento social" e, para isso, mandou chamar dois pedreiros experientes, homens simples, acostumados ao trabalho duro, e lhes deu ordens muito parecidas. Ao primeiro pedreiro o rei disse: - Quero que você construa um muro ao redor deste campo. Ele deve ser forte e resistente, para que permaneça de pé por muitos anos e proteja contra a entrada de estranhos. O pedreiro arregaçou as mangas e começou a trabalhar. Cada pedra que ele colocava era ajustada com cuidado. O sol ardia e o suor escorria pelo rosto, mas, a cada fileira concluída, ele dava um passo atrás, observava o que havia feito e sentia uma enorme satisfação. Ao final do dia, ele estava cansado, mas havia um brilho em seu olhar. Ele sabia que algo útil havia sido construído por suas mãos. Já ao segundo pedreiro o rei falou: - Quero que você construa um muro ao redor deste campo. Ele deve ser forte e resistente, mas assim que o trabalho estiver concluído, mandarei que ele seja derrubado. O segundo pedreiro hesitou por um instante, mas, sendo um homem fiel às ordens do rei, começou a trabalhar. As horas passavam lentamente. Cada pedra parecia mais pesada que a anterior. Ele as colocava corretamente, mas sem motivação. Para que caprichar, se tudo seria destruído em seguida? Ainda assim, continuou. O sol o queimava e o suor também escorria, mas seu cansaço era diferente. Não era apenas físico, era um peso no coração. Quando o dia terminou, ambos haviam trabalhado a mesma quantidade de horas e estavam igualmente exaustos. Porém, enquanto o primeiro pedreiro voltou para casa com a sensação de ter participado de algo construtivo, o segundo caminhou com os ombros caídos, frustrado, sentindo que todo o seu esforço havia sido em vão. No dia seguinte, o rei ordenou que o segundo muro fosse derrubado, exatamente como havia sido anunciado. Ao ver aquela cena, o segundo pedreiro sentiu como se algo dentro dele também estivesse sendo destruído. Não era apenas o muro que ruía, mas o próprio sentido de seu trabalho. Então o rei chamou os dois trabalhadores e disse: - Vejam que incrível. O trabalho de vocês exigiu o mesmo tempo e esforço. No entanto, apenas um de vocês construiu algo de verdade, enquanto o outro apenas se cansou. Aprendemos daqui que o homem não é quebrado pelo esforço, mas pela ausência de propósito. Quando o trabalho constrói algo, ele constrói também o coração de quem trabalha, mas quando é feito sem sentido, ele corrói a alma. | | | Nesta semana começamos o segundo Livro da Torá, o Sefer Shemot, que trata principalmente da libertação do povo judeu da escravidão egípcia. E a Parashá desta semana, Shemot (literalmente "Nomes"), fala justamente da escravização dos judeus, uma escravidão brutal, na qual os judeus foram forçados a fazer trabalhos muito pesados. D'us escutou os gritos do Seu povo e então se revelou a Moshé, ordenando-lhe que fosse ao Faraó para pedir que libertasse os judeus. Porém, diferente do que Moshé esperava, o Faraó reagiu negativamente. O cruel rei do Egito ordenou aos capatazes que deixassem de fornecer a palha necessária para a fabricação dos tijolos e exigiu que os escravos obtivessem a palha por conta própria e, ainda assim, mantivessem a cota diária de tijolos. Caso não conseguissem, eram ainda mais duramente castigados. Mas o comportamento do Faraó desperta um grande questionamento. Se o objetivo dele era fazer os escravos trabalharem o dobro, seu decreto não parece muito sensato. Ele poderia simplesmente ter dobrado a cota de tijolos que eles eram obrigados a produzir diariamente. Dessa forma, teria alcançado o mesmo objetivo, forçando-os a trabalhar duas vezes mais e, ao mesmo tempo, teria se beneficiado com mais produtividade! O Faraó tinha um projeto em andamento, ele queria que cidades-armazém fossem construídas, como está escrito: "E colocaram sobre ele (o povo judeu) capatazes para afligi-lo com seus trabalhos forçados, e ele construiu cidades-armazém para o Faraó: Pitom e Ramsés" (Shemot 1:11). Mesmo que o Faraó desejasse torturar seus trabalhadores, deveria tê-lo feito de uma maneira que trouxesse o maior retorno possível ao Egito. Ao reter a palha como meio de aumentar a pressão, o Faraó estava, na prática, prejudicando a si mesmo! O Faraó não entendia de produtividade? Explica o Rav Yssocher Frand shlita que, na verdade, a preocupação do Faraó nunca foi a produtividade dos seus escravos. O seu objetivo real era impor aos judeus uma "Avodat Parech". Normalmente traduzimos "Avodat Parech" como um trabalho fisicamente pesado, mas na verdade trata-se de mais do que isso. O Faraó não queria apenas destruir os corpos dos judeus, queria destruir também suas mentes. O Midrash afirma que as cidades-armazém de Pitom e Ramsés eram cidades construídas sobre areia movediça. Assim que as cidades eram concluídas, desmoronavam e precisavam ser reconstruídas do zero. O principal interesse do Faraó não era um projeto de construção, era um projeto de destruição. Seu objetivo verdadeiro era quebrar o espírito do povo judeu, mesmo que perdesse com isso. E a melhor maneira de quebrar o espírito de alguém é garantir que a pessoa não tenha nenhum senso de realização em seus esforços. Nada pode ser mais psicologicamente devastador. O uso deste artifício se repetiu durante a história. Os gregos inventaram o "mito de Sísifo", a história de um homem que enfrentou os deuses do Olimpo e foi duramente castigado. Por toda a eternidade ele teria que passar o dia movendo uma gigantesca pedra até o topo de uma montanha, um trabalho muito pesado, sabendo que, quando conseguisse, a pedra seria derrubada novamente para que o mesmo trabalho recomeçasse. Portanto, isso demonstra que os gregos consideravam que o pior castigo a ser aplicado a um ser humano era obrigá-lo a fazer um trabalho sem nenhum senso de realização. E assim também encontramos em tempos modernos. Nos campos de trabalho forçado soviéticos, construídos na Sibéria, os prisioneiros eram obrigados a girar uma roda pesada, a qual, segundo era dito a eles, movia um moinho de farinha. Dia após dia, ano após ano, os prisioneiros giravam essa roda. Apesar das condições adversas, os prisioneiros se consolavam ao acreditar que ao menos estavam moendo farinha. No dia da libertação de cada prisioneiro, os soviéticos faziam questão de levá-lo para ver o outro lado da parede para mostrar-lhe que, ligado à roda, não havia nada. Os prisioneiros ficavam devastados, pois percebiam que todo o trabalho dos últimos anos tinha sido totalmente em vão. Este é o significado de "Avodat Parech". Muito trabalho, e um trabalho muito pesado, para nada. A Lashon Hakodesh (língua sagrada) é extremamente precisa. Tanto a palavra "Avodá" quanto a palavra "Melachá" significam "trabalho". Porém, apesar de serem sinônimos, há uma diferença fundamental entre elas. Melachá, a expressão que encontramos nos trabalhos proibidos do Shabat, denota um trabalho construtivo. Já Avodá é apenas esforço, sem que necessariamente haja alguma realização. Precisamos nos concentrar nesta distinção e garantir que nosso esforço seja sempre uma Melachá, algo construtivo, e não uma Avodá. O Talmud (Beitzá 16a) traz uma informação interessante: "Esses tolos babilônios comem pão com pão". Obviamente que a expressão tem um sentido literal dentro do contexto que está sendo discutido pelo Talmud, mas nossos sábios explicam que esta expressão também pode ser entendida de forma não literal, e contém uma mensagem muito profunda. Comer "pão com pão" significa que eles trabalhavam por seu pão apenas para poder obter mais pão. O pão era tanto o meio quanto a finalidade de suas vidas. Eles trabalhavam para viver e viviam apenas para trabalhar, e isso é uma grande tolice, além de ser extremamente desmotivador. Não é Melachá, não é construtivo, é apenas Avodat Parech, um terrível e desanimador esforço em vão. Era justamente isto que o Faraó queria causar ao povo judeu. O propósito da nossa vida precisa ser maior do que ter pão para comer. Precisamos mudar este ciclo. Obviamente, todos nós precisamos ganhar o nosso sustento, mas podemos inserir neste ciclo esforços construtivos. Por exemplo, a pessoa que trabalha para ganhar dinheiro e assim poder cumprir as Mitzvót, estudar Torá e ajudar os outros faz o ciclo passar a ter significado, pois eleva o processo de ganhar a vida a algo mais elevado do que uma simples "esteira ergométrica" onde andamos sem nunca sair do lugar. A criação dos filhos também pode parecer um ciclo sem sentido. Arrumamos os brinquedos de manhã apenas para encontrá-los novamente espalhados à tarde, e depois guardamos novamente à noite para encontrá-los espalhados outra vez pela manhã. Isso pode parecer uma Avodat Parech. Mas, se tivermos o foco correto, isso pode se transformar em uma Melachá construtiva. Para que as crianças se desenvolvam e aprendam, e para que a espiritualidade floresça em um lar, a casa precisa, antes de tudo, funcionar. Quando as pessoas reconhecem que seus esforços são vitais para manter um lar funcional, então os esforços que pareciam ser apenas um trabalho repetitivo e sem sentido passam a ter um impacto muito maior. Possibilitar o funcionamento de um lar é, sem dúvida, uma grande realização. Não é um esforço em vão, é um trabalho construtivo. O Faraó representa o nosso Yetser Hará, que quer transformar nossas vidas em uma "Avodat Parech", em repetições sem sentido e sem significado. Para vencer o nosso Yetser Hará, precisamos dar significado para cada ato cotidiano. Em tudo o que fazemos na vida, podemos transformar esforços e trabalho em atividades construtivas, dando-lhes um propósito maior e fazendo o uso adequado do tempo de vida que D'us nos concedeu neste mundo. Não viver para comer e trabalhar, mas comer e trabalhar para viver uma vida com sentido. SHABAT SHALOM R' Efraim Birbojm | | Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima. --------------------------------------------  Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno. Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno. Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno. -------------------------------------------  Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l. -------------------------------------------- Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com (Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai). | | | | | | | |