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sexta-feira, 13 de março de 2026

O PODER DA RENOVAÇÃO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHIÓT VAYAKEL E PEKUDEI 5786

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PARASHIÓT VAYAKEL E PEKUDEI 5786



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ASSUNTOS DA PARASHAT VAYAKEL
  • O Shabat.
  • Contribuição de Materiais para o Mishkan.
  • Os construtores do Mishkan.
  • Indicação dos "Arquitetos".
  • Construindo o Mishkan.
  • Construindo as cortinas do Ohel Moed.
  • Construindo as Tábuas (estrutura do Ohel Moed).
  • Construindo a Parochet e a Tela de entrada
  • Construindo o Aron (Arca Sagrada) e a Kaporet.
  • Construindo a Shulchan (Mesa).
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  • Construindo a Altar de Incenso.
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  • Construindo o Pátio e a Tela de entrada.
ASSUNTOS DA PARASHAT PEKUDEI
  • A Contabilidade das doações.
  • Os Materiais doados.
  • Fazendo as roupas do Cohen Gadol.
  • Fazendo o Éfod (Avental).
  • Fazendo o Choshen Mishpat (Peitoral).
  • Fazendo o Meil (Manto).
  • Fazendo o Tsits (Placa para a cabeça).
  • O Mishkan é completado.
  • Moshé aprova o Mishkan e seus utensílios.
  • Ordens para erguer o Mishkan.
  • O Mishkan é erguido e os utensílios são posicionados.
  • A Presença de D'us preenche o Mishkan.









 
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O PODER DA RENOVAÇÃO - PARASHIÓT VAYAKEL E PEKUDEI 5786 (13/mar/26)

"Durante os anos do Holocausto, quando os nazistas estavam tentando exterminar o povo judeu, muitas famílias viviam com muito medo. Em várias comunidades da Europa, parecia não haver mais futuro. Mas a mãe do Rav Ezriel Tauber zt"l (Hungria, 1938 - Israel, 2019) tinha uma visão completamente diferente. Mesmo naquele período terrível, ela confiava em D'us e acreditava que o povo judeu iria sobreviver. Por isso, enquanto muitos tinham receio de trazer crianças ao mundo naquela situação, ela continuou tendo filhos. Muitas mulheres a criticavam, mas para ela, cada nascimento era uma declaração de Emuná: o povo judeu não iria desaparecer.
 
Durante a guerra, a família do Rav Tauber foi capturada e deportada. Em determinado momento, a mãe do Rav Tauber foi enviada para o Campo de Concentração de Auschwitz. Ela estava grávida, e mulheres grávidas não eram consideradas aptas para trabalhos forçados e, por isso, eram enviadas imediatamente para a morte. Porém, naquele momento os nazistas estavam conduzindo diferentes tipos de experimentos médicos no campo. Por causa da gravidez, ela foi selecionada para permanecer em uma unidade ligada aos experimentos médicos. As condições eram extremamente perigosas e desumanas, mas isso significou que ela não seria enviada diretamente para a câmara de gás, como aconteceu com muitas outras mulheres.
 
Certo dia, os nazistas fizeram experiências cruéis com ela. Deixaram-na deitada na maca com dores terríveis, mas esqueceram de amarrá-la. De noite, ela conseguiu fugir. Assim, de maneira paradoxal, justamente a gravidez acabou sendo a fonte da sua salvação. No final, infelizmente o bebê faleceu, mas ela conseguiu sobreviver. Depois da libertação, ela se reencontrou com sua família e descobriu que um milagre ainda maior havia acontecido: enquanto a maioria das famílias havia sido rasgada para sempre, todos os seus filhos estavam vivos."
 
O Rav Tauber contava repetidamente a história de sua mãe. Ele não enfatizava apenas o fato de ela ter sobrevivido. O ponto central para ele era a atitude dela durante aqueles anos. Enquanto o mundo em volta estava mergulhado em destruição e escuridão, ela continuava acreditando que o povo judeu teria futuro. Mesmo quando tudo parecia perdido, ela continuou acreditando na vida. Ele resumia a atitude de sua mãe com uma ideia muito forte: "Hitler tentou destruir o povo judeu. Minha mãe respondeu trazendo mais judeus ao mundo".

Nesta semana lemos duas Parashiót juntas, Vayakel (literalmente "E reuniu") e Pekudei (literalmente "Contas"), e com elas encerramos o segundo Livro da Torá, Shemót. As duas Parashiót falam sobre a construção de todas as partes do Mishkan e da confecção das roupas do Cohen Gadol. Tudo ficou exatamente como D'us havia ordenado. Finalmente, todas as partes construídas foram levadas para Moshé e ele montou o Mishkan.
 
Tanto a doação de materiais quanto a participação na mão-de-obra foram voluntários, como está escrito: "E todo homem cujo coração o inspirou veio, e todo aquele cujo espírito era generoso trouxe sua oferta" (Shemot 35:21). Depois que Moshé reuniu o povo e os incentivou a doar para o Mishkan, o povo começou a trazer os materiais. O versículo diz: "E vieram os homens sobre as mulheres" (35:22). Rashi interpreta essa frase, com uma linguagem incomum, como significando que os homens vieram junto com as mulheres.
 
Já um comentário sobre a Torá conhecido como "Daat Zkeinim miBaalei HaTossafot" oferece uma interpretação diferente. Entre os itens doados estavam incluídos vários tipos de joias. Mesmo precisando de desfazer de suas joias, algo muito querido para as mulheres, ainda assim elas participaram com alegria e entusiasmo, e contribuíram fartamente para a construção do Mishkan. O versículo diz "homens sobre as mulheres" pois os homens pensaram que as mulheres hesitariam em doar, por isso as forçaram. No entanto, na realidade, as mulheres doaram voluntariamente e com muita vontade. Por isso, o Daat Zkeinim acrescenta que elas receberam uma recompensa: foram dispensadas de realizar trabalhos em Rosh Chodesh. Esse costume é citado no Shulchan Aruch, que afirma que as mulheres não realizam trabalhos em Rosh Chodesh (Orach Chaim 417:1). Este foi um presente por sua disposição em doar suas joias para o Serviço Divino.
 
O Daat Zkeinim explica ainda o motivo pelo qual os homens suspeitaram que as mulheres não doariam suas joias. No episódio do Bezerro de Ouro, os homens tomaram à força as joias de suas esposas, pois as mulheres haviam se recusado a contribuir. Em contraste, na construção do Mishkan, as mulheres queriam doar suas joias. Segundo o Midrash, a diferença é ainda mais marcante: em relação ao Mishkan, houve muitos homens que relutaram em dar seu dinheiro, enquanto as mulheres estavam muito entusiasmadas. Como explicar esta diferença?
 
Além disso, por que justamente o Rosh Chodesh foi dado para as mulheres como um prêmio por sua doação ao Mishkan? Explica o Daat Zkeinim que, como o Mishkan foi erguido em Rosh Chodesh Nissan, originalmente foi especificamente esse Rosh Chodesh que foi dado às mulheres como um dia festivo sem trabalho. O costume de abster-se de trabalho em todos os Rosh Chodesh deriva desse "feriado" original. Mas qual é o significado especial de Rosh Chodesh, para que fosse considerado uma data apropriada para ser dada às mulheres?
 
Explica o Rav Yssocher Frand que a resposta está na continuação da nossa Parashá, no versículo: "E ele fez o Kiór de cobre, e sua base de cobre, a partir dos espelhos das mulheres" (Shemot 38:8). O Kiór era um utensílio que continha água, e era utilizado para purificar as mãos e os pés dos Cohanim que faziam os Serviços no Mishkan. Rashi traz uma linda explicação sobre este utensílio. As mulheres judias usavam seus espelhos para se embelezar. Por isso, Moshé inicialmente se recusou a aceitar os espelhos para uso no Mishkan, um lugar sagrado, argumentando que eram instrumentos do Yetzer Hará. D'us, porém, contrariou Moshé e ordenou que ele os aceitasse: "Eles são mais preciosos para Mim do que qualquer outra coisa". Mas por que realmente eles eram tão preciosos aos olhos de D'us?
 
Rashi explica que quando os judeus estavam escravizados no Egito, os homens perderam as esperanças. Eles já não queriam mais viver com suas esposas, pois não queriam mais ter filhos. A ideia de gerar crianças que nasceriam, viveriam e morreriam na escravidão era profundamente deprimente. O Midrash descreve que, diante desta situação de desânimo dos homens, as mulheres iam aos campos, se embelezavam diante de seus espelhos e persuadiam seus maridos a voltar a viver com elas e ter filhos. Esses espelhos, portanto, representavam a continuidade do povo judeu. Se não fosse por aqueles espelhos, pelos esforços das mulheres em se embelezar, não haveria mais povo judeu. Por isso, D'us insistiu que aqueles espelhos preciosos fossem incluídos no Mishkan.
 
Vemos, portanto, que aquelas mulheres demonstraram Emuná na redenção. Quando tudo parecia sombrio e cheio de desespero, quando parecia não haver futuro, quando parecia não haver sentido em ter filhos, as mulheres mantiveram a esperança. As mulheres mantiveram vivo o sonho de um renascimento. Quando os homens estavam abatidos e prontos para desistir, foram as mulheres que insistiram: "Precisamos continuar".
 
Quando chegou o momento de construir o Mishkan, que ocorreu, de acordo com muitas opiniões, após o pecado do Bezerro de Ouro, os homens disseram: "Não queremos um Mishkan". O Mishkan representava uma grande queda espiritual. Se não tivesse havido o pecado do Bezerro de Ouro, não haveria a necessidade de um Mishkan. A Presença Divina teria permeado todo o acampamento e não haveria divisões, como "Machané Shechiná" (Acampamento da Presença Divina), "Machané Leviá" (Acampamento dos Leviim) e "Machaná Israel" (Acampamento de Israel). Todo o acampamento teria sido um único "Machané Shechiná". Estaríamos em um nível espiritual tão elevado que D'us não precisaria "limitar-Se" a um único Mishkan. Porém, depois do pecado do Bezerro de Ouro, D'us disse que já não poderia habitar em todo o acampamento. Era necessário um lugar específico, o Mishkan. Por isso, para os homens, o Mishkan não representava um auge espiritual, mas sim uma queda espiritual. Eles perderam o entusiasmo em contribuir para o Mishkan e relutaram em doar suas joias.
 
As mulheres, no entanto, mais uma vez prevaleceram. Elas vieram com entusiasmo e disseram: "Precisamos continuar. Não se desesperem. Não se detenham no negativo. Deve haver um futuro. Deve haver renascimento. Deve haver renovação". As mulheres simbolizam, portanto, o poder da renovação
 
Esse é um atributo único das mulheres. Elas demonstraram essa qualidade no Egito. Demonstraram no episódio do Bezerro de Ouro. E demonstraram novamente na construção do Mishkan. Esse espírito é apropriadamente recompensado através da festividade de Rosh Chodesh, pois Rosh Chodesh também representa o renascimento, a renovação, o recomeço. No versículo que ensina sobre a Mitzvá de santificação do novo mês está escrito: "Este mês será para vocês o início dos meses" (Shemot 12:2). A palavra "HaChodesh", que significa "Este mês", está relacionada à palavra "Chidush", que significa "Renovação".
 
Quando a lua entra em sua fase minguante, ela se afasta cada vez mais do sol, tornando-se menor a cada dia, até que parece ter desaparecido. E, ainda assim, ela retorna, renovada e revigorada. Nossas mulheres Tzadikot simbolizam esse poder de renovação dentro do povo judeu. Por isso era apropriado que as mulheres recebessem Rosh Chodesh como seu próprio feriado especial.
 
O mundo comemorou nesta semana o "Dia da mulher". Dentro do judaísmo elas não precisam de um único dia. Todos os dias do ano são apropriados para valorizarmos e agradecermos às mulheres que fazem parte da nossa vida. Que possamos nos inspirar nelas para melhorar a nossa Emuná.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

 

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R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l 

 
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quinta-feira, 20 de março de 2025

SABEDORIA DO CORAÇÃO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAYAKEL 5785

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SABEDORIA DO CORAÇÃO - PARASHÁ VAYAKEL 5785 (21/mar/25) 

"O Rav Israel Salanter zt"l (Lituânia, 1810 - Prússia, 1883), um dos maiores rabinos de sua geração, estava certa vez em um lugar distante, onde as pessoas não o conheciam. Um judeu muito simples, ao ver o distinto rabino, pensou tratar-se de um Shochet e pediu para que ele fizesse a Shechitá de sua galinha. O Rav Salanter educadamente recusou, explicando que gostaria muito de ajudar, mas que não era Shochet. O Rav Salanter então virou-se ao judeu simples e disse: 

- Será que você poderia me emprestar a quantia de $1.000,00 por uma semana?
 
O judeu simples se espantou com o pedido. Ele respondeu com firmeza:
 
- Escute aqui, eu nem te conheço! Acabamos de nos encontrar agora pela primeira vez! Como você ousa me pedir emprestado uma quantia tão alta? Como posso confiar que você vai realmente me devolver o dinheiro?
 
O Rav Salanter abriu um sorriso e disse:
 
- Se você realmente não me conhece, e não sabe se eu sou alguém confiável para devolver seu dinheiro, então como é que você confiou em mim para realizar a Shechitá da sua galinha, algo que é muito mais complexo? Você tem medo de perder dinheiro, mas não tem medo de perder Mitzvót?"
 
O temor a D'us de uma pessoa é medido nos pequenos atos do cotidiano, nas pequenas demonstrações de que a pessoa realmente se importa com as Mitzvót e com a Vontade de D'us.

 

Nesta semana lemos a Parashá Vayakel (literalmente "E reuniu"), que começa a descrever a construção do Mishkan na prática, já que nas Parashiot anteriores a Torá havia trazido apenas os comandos de D'us. Os materiais foram doados de forma voluntária e aqueles que se ofereceram de coração para os trabalhos foram escolhidos.
 
É interessante perceber que na Parashá, em relação aos construtores do Mishkan, há uma repetição da expressão "sábio de coração". Por exemplo, está escrito "E todo homem sábio de coração dentre vocês virá e fará" (Shemot 35:10). Também em relação ao trabalho das mulheres a mesma expressão é utilizada: "E toda mulher sábia de coração fiava com as mãos" (Shemot 35:25). E em outros lugares da Parashá isso se repete, como em "Encheu-os de sabedoria de coração" (Shemot 35:35), "E todo homem sábio de coração" (Shemot 36:1) e "E fizeram todos os sábios de coração" (Shemot 36:8).
 
Mas o que significa esta expressão? Não é algo equivocado associar a sabedoria com o coração? Afinal, o lugar da sabedoria não é o cérebro? Explica o Rav Yehuda Leib Chasman zt"l (Lituânia,1869 - Israel, 1935) que essa associação da sabedoria com o cérebro, tida como certa por muitas pessoas, é completamente equivocada. Costumamos chamar de "sábio" todo aquele que possui intelecto, mesmo que seu coração não esteja com ele, isto é, mesmo que sua conduta de vida e seu comportamento cotidiano não estejam de acordo com sua sabedoria. Consideramos uma pessoa como sendo sábia apenas por ela falar palavras inteligentes. É comum inclusive ouvir as pessoas dizendo: "O que importa são as ideias dele, não suas ações. O principal é podermos usufruir de sua grande sabedoria e compreensão". Mas esse pensamento é profundamente equivocado, pois não distingue entre alguém que apenas carrega sabedoria e alguém que vive com entendimento e discernimento verdadeiros, que é o verdadeiro sábio.
 
Mas por que a sabedoria precisa estar presente também nos atos? Para entendermos este conceito, vamos trazer um exemplo prático. Como reagiríamos se nos deparássemos com um grande especialista em botânica, que sabe identificar cada planta e discernir quais são comestíveis e saudáveis e quais são venenosas e perigosas? Em um primeiro momento o trataríamos com a máxima reverência, em respeito aos seus muitos conhecimentos. Nos aconselharíamos com ele e respeitaríamos muito suas opiniões. Porém, o que aconteceria se ele publicamente escolhesse comer justamente as plantas que contêm veneno? Há alguma dúvida que tal pessoa seria imediatamente desqualificada para ser médica ou conselheira? Não duvidaríamos da validade de sua sabedoria? Certamente que sim, pois seus atos não estão de acordo com sua sabedoria intelectual. De que adianta toda a sua sabedoria se ele não a aplica na prática, nem mesmo em prol de seu próprio bem estar?
 
O mesmo se aplica a nós. Aquele cujas ações contradizem seu conhecimento se comporta como um jumento carregando livros de sabedoria nas costas. O peso dos livros não lhe acrescenta nenhuma sabedoria. Portanto, podemos definir que sábio não é aquele que "carrega" sabedoria intelectual, e sim aquele que a aplica para o bem, como diz o versículo: "O sábio teme e se afasta do mal" (Mishlei 14:16). E onde está o temor? No coração, que sente e coloca na prática a força do intelecto. Por isso, a Torá vincula a sabedoria ao coração.
 
O Talmud (Shabat 31b) explica que temor e sabedoria são uma coisa só. Assim como a sabedoria só nasce do temor, o temor só pode surgir da sabedoria, pois eles são uma só entidade, como ensinam nossos sábios: "O temor a D'us é sabedoria" (Yov 28:28) e "O início da sabedoria é o temor a D'us" (Mishlei 1:7). E como o lugar do temor é o coração, não faz sentido dizer que o cérebro é sábio. É por isso que a Torá repete tantas vezes na Parashá a expressão "sábio de coração".
 
Mas qual é a conexão na prática entre o temor e a sabedoria? Por exemplo, aquele que tem temor não interrompe seu estudo com assuntos vãos. Também o seu medo de cometer transgressões vai levá-lo a estudar mais, para garantir que não cometerá erros na Halachá. Também, por temer a D'us, esta pessoa nunca desprezará a sabedoria infinita do Criador. E, finalmente, a pessoa com temor a D'us também respeita os sábios de Torá, pois sabe que precisa deles para aprender os ensinamentos de Torá que o conectarão a D'us.
 
Shlomo Hamelech vai mais longe e ensina: "No final, tudo tendo sido ouvido, tema a D'us e guarde Seus mandamentos, pois isso é todo o homem" (Kohelet 12:13). Shlomo Hamelech está nos ensinando que somente aquele que teme a D'us é digno de ser chamado de "homem". É evidente que uma pessoa cujo coração está vazio de sabedoria, mesmo que ela esteja toda concentrada em sua mente, não tem vantagem sobre um animal.
 
Mas será que não é um exagero comparar uma pessoa sem sabedoria no coração a um animal? Infelizmente, não. Tomemos como exemplo o famoso profeta Bilaam. Por um lado, ele possuía tanta sabedoria que, de acordo com o Talmud (Brachot 7a), era comparável com a de Moshé. Por outro, ele era extremamente perverso, dominado pelos desejos e prazeres do mundo material, e por isso se comportava pior do que um animal. Onde estava, portanto, sua sabedoria? Era apenas sabedoria da mente, mas não do coração.
 
O problema é que o ser humano, por natureza, distorce e corrompe a verdade. Ele diz a si mesmo: "É óbvio que sou um grande sábio, portanto, certamente também sou temente a D'us". Esse raciocínio por si só já é prova da falta de sabedoria, pois se a base da sabedoria é o temor a D'us, o verdadeiro temor se expressa em um temor real e uma reverência profunda, e quem de fato teme a D'us não confia em sua própria sabedoria. É justamente esse medo que leva o temente a alcançar a sabedoria, como está escrito: "O princípio da sabedoria é o temor a D'us; bom entendimento para todos os que a praticam" (Tehilim 111:10).
 
O Rav Meir Rubman zt"l (Israel, século 20) explica que, portanto, para cumprir tudo o que D'us ordenou, não basta ter sabedoria intelectual, é necessário ser "sábio de coração". Isso significa que ele deve ser sábio em sua essência interior, em seus sentimentos. Isso se assemelha a alguém que possui um depósito cheio de remédios. Essa posse, por si só, não garante sua cura. Para se curar, ele precisa ingerir os remédios, e só então eles terão efeito. O mesmo ocorre com a Torá, que é o remédio contra o Yetzer Hará, como afirma o Talmud (Kidushin 30b): "Eu Criei o Yetzer Hará, e Eu criei a Torá como antídoto para ele". Mas apesar de a Torá ser uma cura, ela é como um medicamento, isto é, apenas cura a alma quando o homem a "ingere", isto é, a internaliza profundamente, em seus sentimentos e em seu coração.
 
Portanto, quem deseja avaliar seu próprio nível de sabedoria deve primeiro medir seu nível de temor a D'us. Se uma pessoa quiser saber se a sabedoria da Torá penetrou de fato em seu coração ou se ainda permanece apenas na sua mente, ela deve observar o quanto teme cometer transgressões. Por exemplo, um verdadeiro temente a D'us evita alimentos com possível proibição de Kashrut com a mesma força que teria evitado uma comida potencialmente contaminada com veneno. O medo do veneno nos faz tremer. Se esse mesmo temor não estiver presente diante de uma transgressão, então é sinal de que o temor ainda não está enraizado em nosso coração, está apenas em nossa mente. Este teste é ainda mais real quando a pessoa está sozinha, apenas ela e D'us. Neste momento ela demonstrará se realmente tem temor a D'us, ou apenas medo de manchar publicamente sua honra.
 
O estudo de Mussar é o meio mais adequado para incutir o temor no nosso coração. Pedimos diariamente na nossa Tefilá: "Coloca em nosso coração o entendimento, a sabedoria, para ouvir, aprender, ensinar, guardar, cumprir e realizar todas as palavras da Sua Torá". Pedimos a D'us que coloque sabedoria em nosso coração, não apenas em nossa mente, para que um dia possamos ser sábios de verdade.                        
                           

SHABAT SHALOM

 R' Efraim Birbojm

 

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