quinta-feira, 19 de novembro de 2020

USANDO O MAL PARA FAZER O BEM - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT TOLDOT 5781

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ASSUNTOS DA PARASHAT TOLDOT
  • Ytzchak e Rivka fazem Tefilá.
  • Rivka engravida.
  • Bebê se mexe.
  • Profecia.
  • Nascimento de Yaacov e Essav.
  • Venda da primogenitura.
  • Fome na terra.
  • Ytzchak e os Plishtim.
  • Disputa pelos poços.
  • O Casamento de Essav.
  • Ytzchak fica cego.
  • Ytzchak dá a Brachá de primogenitura para Yaacov.
  • Ytzchak dá Brachá para Essav.
  • Yaacov vai para a casa de seu tio Lavan procurar uma esposa.
  • Essav se casa com a filha de Ishmael.
BS"D

USANDO O MAL PARA FAZER O BEM - PARASHAT TOLDOT 5781 (20 de novembro de 2020)


Certa vez, um grupo de meninos saiu da Yeshivá, na cidade de Jerusalém, em um dia de inverno muito frio, para dar uma volta. Os meninos começaram a tremer, apesar de estarem bem agasalhados, pois o frio estava muito intenso. Naquele momento, passou um carrinho com uma pessoa vendendo chá quente. Os meninos correram até o carrinho de chá pra comprar um copo de chá bem quente e assim esquentar o corpo. Um dos meninos, porém, ficou olhando de longe. O vendedor de chá, após servir os outros meninos, perguntou a ele:

- Ei, menino, você não quer um copo de chá?

- Não, obrigado, eu odeio chá - respondeu o menino.

O Rav Arieh Levin zt"l (Polônia, 1885 - Israel, 1969), estava caminhando na rua justamente naquele momento. Ele assistiu aquela cena e rapidamente correu na direção do vendedor de chá. Ele deu ao vendedor uma moeda, comprou um copo de chá quente e ofereceu ao menino. O menino agradeceu, pegou o copo de chá e bebeu de uma só vez o chá quentinho, para se esquentar naquele terrível frio. O vendedor de chá ficou surpreso e falou ao rabino:

- Não estou entendendo. Eu perguntei a este menino se ele não queria um copo de chá, mas ele me respondeu que odeia chá. Porém, do jeito que ele bebeu, parece que ele ama beber chá!
 
O Rav Levin deu um sorriso e explicou:

- Olha, eu não sei exatamente o que foi que você escutou o menino falar. O que eu escutei foi que, em outras palavras, ele disse que não tinha dinheiro para comprar o copo de chá que ele tanto queria..."

O grande segredo de fazer bondades verdadeiras é saber entender e interpretar as palavras dos outros. Muitas mensagens verdadeiras são transmitidas apenas nas entrelinhas.

Atualmente há muitos palestrantes que se especializaram em estratégias de vendas, marketing e comunicação. Eles ensinam que o caminho para o sucesso profissional é dominar a arte da persuasão positiva, para conseguir o que você quer, quando você quer. Trata-se de uma espécie de manipulação profissional, que parece funcionar caso a pessoa domine bem as técnicas de persuasão. É a arte do controle, poderosa e muito sedutora. Mas será que é correto manipular as pessoas?

A resposta está na Parashat desta semana, Toldot (literalmente "gerações"). A Torá continua contando a história dos nossos patriarcas Ytzchak e Rivka, descrevendo um pouco do enorme legado espiritual que eles nos deixaram. Quando Avraham percebeu que estava na hora de Ytzchak se casar, ele não queria que fosse com qualquer mulher. Ele pediu para que seu servo Eliezer viajasse para muito longe, para a terra de sua família, e somente lá procurasse a pessoa ideal, que tivesse as características necessárias para dar continuidade à construção espiritual que ele havia começado com sua esposa Sara. Rivka foi a escolhida como esposa para o filho de Avraham, em especial por causa de seu compromisso excepcional com a bondade e a generosidade. Embora ela tivesse sido criada em uma casa de idólatras e vigaristas, em uma cidade repleta de pessoas trapaceiras e desonestas, ela transcendeu as limitações impostas a ela por sua família e sociedade, e conseguiu se transformar em uma das nossas matriarcas, um dos pilares da humanidade.
 
No início da nossa Parashat, somos informados três vezes em um único versículo que Rivka habitava entre os arameus, conforme está escrito: "E Ytzchak tinha quarenta anos quando tomou para si Rivka, filha de Betuel, o arameu, de Padan Aram, irmã de Lavan, o arameu, como esposa." (Bereshit 25:20). A palavra "Arameu", em hebraico "Arami", tem as mesmas letras da palavra "Ramai", que significa "enganador, trapaceiro". Lavan, o arameu, é conhecido na Torá como a sendo a personificação da enganação. Seu nome em hebraico, "Lavan", significa literalmente "branco". Em outras palavras, ele tem o "dom" de pintar qualquer ação ou intenção maléfica de branco. Por exemplo, após ter combinado com seu sobrinho Yaacov o casamento dele com sua filha Rachel, e fazê-lo trabalhar sete anos para isto, no dia do casamento ele trocou a noiva por sua outra filha, Leá. Quando questionado, Lavan simplesmente disse: "Não é o costume neste lugar casar a filha mais nova antes de casar a filha mais velha". Ele não sentia vergonha por seus maus atos, pelo contrário, ele tinha a habilidade de pintar a situação de uma maneira que parecia que ele estava certo e os outros estavam errados. E não apenas Betuel e Lavan, mas todos os habitantes da região de Padan Aram, os arameus, eram trapaceiros.

Mas Rivka era diferente? A nossa Parashat descreve o que aparenta ser uma das maiores manipulações ocorridas na história da humanidade, que foi feita justamente por Rivka. Ela tramou um plano, nos mínimos detalhes, para enganar seu próprio marido, que já estava cego, de forma que ele desse a Brachá de Primogenitura a Yaacov, o filho preferido de Rivka, ao invés de dá-la a Essav, o verdadeiro primogênito. Foi um plano bolado com tanta astúcia e sabedoria que deixaria até mesmo Betuel e Lavan, os "reis da malandragem", com inveja.
 
Rivka demonstrou, portanto, ao bolar o plano perfeito para enganar seu próprio marido, que também tinha este "dom" da trapaça, e que o utilizava na prática. Parece que Eliezer conseguiu tirar Rivka de dentro de Padan Aram, mas não conseguiu tirar Padam Aram de dentro de Rivka. Será que existe alguma diferença entre os atos de enganação de Lavan e o ato de enganação de Rivka? E por que a Torá está associando Rivka com Lavan, Betuel e os outros moradores de Padam Aram, aparentemente uma grande vergonha para ela?

Explica o Rav Yohanan Zweig que há uma diferença fundamental entre a manipulação de Rivka e a manipulação de Lavan. Mas, antes de tudo, precisamos entender quais são as habilidades necessárias para manipular uma pessoa. Toda manipulação envolve uma compreensão profunda da situação de vida da outra pessoa, como o entendimento do que a faz funcionar, com o que ela se preocupa, do que ela tem medo e o que ela realmente deseja da vida. Todos os manipuladores devem ter esse "dom" extraordinário, de ser capaz de compreender profundamente o outro. E essa característica é realmente uma grande ferramenta para o nosso relacionamento interpessoal, mas tudo depende de como vamos utilizá-lo. A motivação é avaliar os outros para ajudá-los, ou conhecer os outros para ajudar a si mesmo? Rivka é considerado uma grande Tzadeket pois foi capaz de usar esse dom extraordinário para ajudar aos outros, não para tirar nada deles. Já seu irmão Lavan, e os outros habitantes de Padan Aram, eram Reshaim (perversos), pois usavam este dom apenas de forma egoísta, para tomar coisas dos outros, atendendo seus próprios interesses.

É por isso que a Parashat começa mencionando a conexão de Rivka com a trapaça e a enganação dos arameus. Não apenas para elogiá-la por ter sido capaz de anular essa inclinação negativa, mas também para expressar o quão grande ela foi espiritualmente, por ter sido capaz de transformar esse poder, predominantemente negativo, em algo positivo, e aplicá-lo para fins nobres.
 
Esta Parashat está nos ensinando dois fundamentos muito importantes. O primeiro fundamento é que quando D'us nos criou, Ele nos deu muitas "ferramentas de trabalho", que são os nossos traços de caráter. Nós já nascemos com alguns deles e adquirimos outros dos nossos pais e da sociedade onde vivemos. Portanto, não foi por acaso que Rivka nasceu justamente em Padan Aram, a "terra da malandragem". Ela precisava destas ferramentas de trapaça para fazer o bem. Por exemplo, esta "astúcia" permitiu que ela soubesse exatamente quem era seu filho Essav, apesar de todo o "teatro" que ele fazia para enganar as pessoas. Já Ytzchak, que não tinha esta "astúcia", não conseguiu perceber a enganação do seu filho. Esta ferramenta também permitiu que Rivka evitasse que uma tragédia acontecesse, caso Essav utilizasse a Brachá da primogenitura de uma maneira imprópria, profanando todo o potencial espiritual dela. Além disso, a Brachá pertencia verdadeiramente a Yaacov, pois Essav a havia vendido. Rivka utilizou a "astúcia" para que a verdade prevalecesse.
 
O segundo fundamento é que podemos utilizar todos os traços de caráter para o bem, até mesmo aqueles que parecem mais indignos. O "dom" da trapaça pode ser utilizado para entender melhor os outros, saber exatamente o que eles precisam, quais são suas dificuldades e medos, ajudando-os a atingir seus objetivos. Por exemplo, as mulheres receberam esse poder de manipular para o bem. É só perceber como as mães lidam com seus filhos, dedicando muito tempo para conhece-los de verdade e entender o que cada filho precisa. Desta maneira, muitas vezes as mães conseguem "enganar" os filhos, para que eles façam o que precisam fazer. Com esta astúcia, as crianças pensam que estão no controle, fazendo o que querem, quando na realidade estão fazendo o que as mães sabem que precisa ser feito. Este é o dom que Rivka deixou de herança para nós.
 
Precisamos utilizar nossas ferramentas para fazer o bem da melhor maneira possível. Gastar mais tempo para entender melhor as pessoas, refletir sobre as melhores maneiras de ajudar, dar mais atenção aos outros, de forma quantitativa e qualitativa. Que possamos compreender melhor os outros, para que possamos manipular o mundo de maneira positiva, isto é, transformar este mundo em um lugar melhor, mais justo e com mais valores.
 

SHABAT SHALOM
 

R' Efraim Birbojm

 

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quinta-feira, 12 de novembro de 2020

DEIXE A SUA CONTRIBUIÇÃO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT CHAIEI SARA 5780

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ASSUNTOS DA PARASHAT CHAIE SARA
  • Falecimento de Sara.
  • Compra de um local para o enterro.
  • A busca de uma esposa para Itzchak.
  • Critérios de Eliezer.
  • Rivka atende os requisitos.
  • Eliezer reconta toda a história para a família de Rivka.
  • Ytzchak se casa com Rivka.
  • Avraham se casa com Keturá e tem filhos.
  • Falecimento de Avraham.
  • Descendentes de Ishmael.
BS"D

DEIXE A SUA CONTRIBUIÇÃO - PARASHAT CHAIEI SARA 5781 (13 de novembro de 2020)


"O pai de Miriam costumava dizer, desde que ela era muito pequena:

- Quando você completar 12 anos, contarei a você o segredo da vida.

Conforme os anos passavam, Miriam ia ficando cada vez mais ansiosa. Em cada aniversário, o pai lhe lembrava do segredo. No dia em que Miriam finalmente completou 12 anos, ela mal conseguiu dormir. Logo de manhã cedinho ela acordou o pai, ansiosa para saber o segredo da vida. O pai então abriu um enorme sorriso e disse:

- Querida, agora eu te contarei o segredo da vida, mas você não poderá revelá-lo aos seus irmãos menores. Este é o segredo: vaca não dá leite.

- Não entendi, pai - disse Miriam, um pouco desapontada e confusa - Este é o segredo da vida, que eu espero há tantos anos? Tomamos leite de vaca todos os dias aqui em casa, como você diz que vaca não dá leite?

O pai deu um abraço na filha, abriu um enorme sorriso e explicou:

- Querida, vaca não dá leite, você tem que tirar. Você precisa acordar às 4 da manhã, entrar no curral cheio de fezes, amarrar o rabo e as pernas da vaca, sentar no banquinho e fazer o movimento certo. Somente então o leite sai. Esse é o segredo da vida: vaca não dá leite. Ou você se esforça para tirar, ou não terá leite."

Vivemos em uma geração que espera sentada as coisas acontecerem. Eu quero, eu peço, eu recebo. Mas a felicidade verdadeira resulta do esforço e da conquista. E, ao contrário, a ausência de esforço gera frustrações.

Nesta semana lemos a Parashat Chaie Sara (literalmente "A vida de Sara"), que começa descrevendo o falecimento de Sara, a nossa primeira matriarca. A perda foi muito dura para Ytzchak, seu filho. Ele somente conseguiu se consolar quando casou-se com Rivka, uma mulher virtuosa como Sara.

A Parashat descreve como foi o primeiro encontro entre Ytzchak e Rivka. Ela vivia com sua família em uma cidade chamada Aram Naharaim, e foi trazida a Israel por Eliezer, o servo de Avraham. Ytzchak e Rivka se encontraram no campo, quando Rivka chegava de viagem, conforme está escrito: "Yitzchak saiu para rezar no campo ao anoitecer... E Rivka levantou seus olhos e viu Ytzchak" (Bereshit 24:63,64). Mas por que é importante a Torá nos ensinar que Ytzchak estava rezando no campo, e que isto aconteceu no fim do dia?

De acordo com um ensinamento do Talmud (Brachót 26b), justamente das palavras "Yitzchak saiu para rezar no campo ao anoitecer" nós aprendemos que foi nosso patriarca Ytzchak que estabeleceu a Tefilá de Minchá, a reza da tarde. O Talmud também ensina que foi o nosso patriarca Avraham que estabeleceu a Tefilá de Shacharit, a reza da manhã. Mas há uma aparente contradição, pois em outro ensinamento o Talmud (Ioma 28b) se refere à Tefilá de Minchá como sendo "Tsiluta d'Avraham", literalmente "a reza de Avraham", e define que a Tefilá começa quando as paredes lançam sombras sobre o chão, isto é, pouco depois do meio dia. Portanto, se foi Yitzchak que estabeleceu a reza de Minchá, por que ela é chamada de "reza de Avraham"?

O Rav Moshé ben Maimon zt"l (Espanha, 1135 - Egito, 1204), mais conhecido como Rambam, em um dos seus ensinamentos Haláchicos, afirma que Yitzchak foi o patriarca que estabeleceu o conceito de rezar "Lifnot Haiom", que significa "no final do dia". Porém, o Rambam aparentemente fugiu da expressão utilizada pela Torá, de que Yitzchak rezou "Lifnot Erev", literalmente "ao anoitecer". Por que o Rambam escolheu mudar a linguagem do versículo?

Em outro ensinamento Haláchico, o Rambam afirma que nossos sábios estabeleceram a Tefilá de Minchá em um período conhecido como "Bein Haarbaim", que significa "à tarde", correspondendo ao horário de oferenda do Korban Tamid (oferenda diária no Templo) da tarde. Este Korban Tamid da tarde era oferecido às nove horas e meia do dia (horas contadas a partir do amanhecer, que varia durante o ano, mas que gira em torna das 15h30). Já na véspera da Festa de Pessach, esta oferenda era trazida às seis horas e meia do dia (horas contadas a partir do amanhecer, que varia durante o ano, mas gira em torna das 12h30), para também possibilitar a oferenda do Korban Pessach no mesmo dia. Esses dois horários do Korban Tamid da tarde definem dois períodos distintos, conhecidos respectivamente como "Minchá Guedolá" (literalmente "Minchá maior", pois ainda restava a maior parte do dia), que começa às seis horas e meia do dia e vai até às nove horas e meia do dia, e "Minchá Ketaná" ("Minchá menor", pois restava a menor parte do dia), que começa às nove horas e meia do dia e vai até o fim do dia. O Rambam ensina que, embora o momento ideal para rezar Minchá seja a partir do início de Minchá Ketaná, pode-se começar a rezar Minchá a partir do início de Minchá Guedolá.
 
O Rambam cita até mesmo um costume, que não praticamos atualmente, que remonta ao período dos Gueonim (sábios que viveram entre os séculos 7 e 9 e.c.), de fazer duas rezas de Minchá, uma em Minchá Guedolá e outra em Minchá Ketaná. Mas qual era a base desse costume? Se Minchá Guedolá e Minchá Ketaná definem apenas o horário a partir do qual podemos fazer a reza de Minchá, por que rezar duas vezes?
 
Finalmente, mesmo se o Korban era oferecido às nove horas e meia do dia, e às vezes às seis horas e meia do dia, por que os sábios se basearam nisso para dividir o tempo de Minchá em dois períodos? Por que não foi definido um único período, que começa das seis horas e meia e vai até o final do dia, período que incluiria os dois horários de oferenda do Korban Tamid da tarde?

Explica o Rav Yohanan Zweig que não há nenhuma contradição entre os dois ensinamentos do Talmud. Quando o Talmud identifica a hora de início da Tefilá de Avraham como "quando as paredes lançam sombras sobre o solo", significa que a reza de Minchá de Avraham se iniciava logo após o meio-dia, isto é, o horário de "Minchá Guedolá". E, de acordo com a Torá, Yitzchak rezou Minchá apenas próximo do anoitecer, o que significa que Yitzchak estava estabelecendo o momento oportuno para Minchá como sendo a "Minchá Ketaná".
 
Embora os parâmetros dos horários das rezas diárias foram definidos com base nos horários de oferenda do Korban Tamid no Templo, os canais de cada reza foram abertos pelos nossos patriarcas. Avraham foi responsável por estabelecer a Tefilá de Shacharit para os seus descendentes. Porém, apesar dele também já ter iniciado o conceito da Tefilá de Minchá, ele não fez isto de forma a deixar gravado para as futuras gerações. Esta tarefa, de abrir este novo canal espiritual, ele deixou para seu filho Yitzchak.
 
É por isso que Yitzchak estabeleceu a Tefilá de Minchá em um período diferente do anteriormente realizado pelo seu pai, pois Ytzchak é o patriarca responsável por instituir a Tefilá de Minchá. A reza pessoal de Avraham, em um horário diferente do que foi estabelecido por Ytzchak, somente ajudou a ampliar o período de tempo durante o qual o canal da Tefilá da tarde estaria aberto.

Deste ensinamento aprendemos algo incrível para a nossa vida. Ytzchak poderia ter se acomodado na vida. Ele poderia simplesmente pegar o "canal espiritual" da reza da tarde que seu pai já havia começado a preparar. Porém, ele se esforçou para abrir seu próprio canal, deixando um enorme legado para seus descendentes. Ele aprendeu muito com seu pai, absorveu dele toda a espiritualidade e os incríveis ensinamentos. Em muitos pontos, Ytzchak fez questão de trilhar exatamente os mesmos caminhos do seu pai. Porém, Ytzchak também se esforçou para criar seu próprio espaço, abrir seus próprios caminhos, deixar ao mundo suas próprias contribuições. Ele escolheu não se acomodar com o que já tinha pronto, ele queria fazer mais pelo mundo. Após as enormes contribuições que Avraham já havia deixado, Ytzchak também quis deixar a sua marca.
 
Poderíamos pensar que o título de "Av", patriarca, é algo vitalício, isto é, uma vez conferido, permanece com o indivíduo por toda a sua vida. No entanto, isso não está correto. Ter o título de "Av" significa que as ações deste indivíduo têm, naquele momento, um enorme impacto sobre a formação espiritual do povo judeu. Porém, este título não durava por toda a vida do indivíduo. Quando Yitzchak se tornou o "Av" da sua geração, Avraham deixou de funcionar como um "Av". O impacto para o futuro do povo judeu, a partir daquele momento, passou a ser definido por Yitzchak. Quase nenhuma informação sobre os últimos quarenta anos da vida de Avraham está registrada na Torá, pois naquele ponto Yitzchak já havia se tornado o "Av". Yitzchak, portanto, estabeleceu a Tefilá de Minchá com a força de um "Av".

Este é um ensinamento muito importante para os nossos dias. Vivemos em uma geração muito acomodada e, em termos espirituais, acabamos nos satisfazemos com muito pouco. Precisamos ter a vontade de crescer, de contribuir, de deixar a nossa marca no mundo. Ytzchak nos ensinou que, mesmo recebendo tudo pronto, valeu a pena o esforço, pois nossos atos podem fazer toda a diferença.
 

SHABAT SHALOM

 

R' Efraim Birbojm

 

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