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quinta-feira, 30 de julho de 2020

DOMINANDO A INVEJA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAETCHANAN 5780






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VÍDEOS DA PARASHAT VAETCHANAN
VÍDEO DE TISHÁ BE AV - CONSERTANDO O OLHO E A BOCA

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ASSUNTOS DA PARASHAT

- Moshé implora para entrar na Terra de Israel.
- Fundamentos da Emuná.
- Obediência a D'us.
Exílio e Retorno.
- Cidades de Refúgio.
- Repetição dos Dez Mandamentos.
- Shemá Israel.
- Mitzvá da Mezuzá.
- Perigos da Prosperidade.
- Recordando o Êxodo e transmitindo para as futuras gerações.
- Advertência contra a assimilação quando entrarem na Terra de Israel.

DOMINANDO A INVEJA - PARASHAT VAETCHANAN 5780 (31 de julho de 2020)
                                                              
Um valente guerreiro, cuja fama estava se espalhando pelo mundo inteiro, havia se tornado uma pessoa orgulhosa. Depois de muitos anos, ele decidiu visitar seu mestre. Apesar de suas enormes conquistas e sua crescente fama, quando o guerreiro viu seu mestre, com todo o seu esplendor, rodeado de discípulos, sentiu-se inferior. Isto o incomodou muito, a ponto de ele imediatamente desabafar ao entrar na sala:

- Mestre, o que aconteceu? Há apenas um momento tudo estava bem, mas quando entrei aqui e vi você, imediatamente me senti mal, me senti inferior, como jamais me senti na vida. Encarei a morte muitas vezes, participei de batalhas sangrentas, mas nunca senti medo. Então por que estou tão assustado agora?

- Espere um pouco aqui - disse calmamente o mestre - Quando todos tiverem partido, responderei sua pergunta.

Durante todo o dia, pessoas chegavam para ver o mestre, e o guerreiro foi ficando cada vez mais impaciente. Ao anoitecer, quando a sala do mestre finalmente ficou vazia, o guerreiro perguntou novamente:

- Mestre, agora você pode me responder porque me sinto inferior?

O mestre levou-o para fora. Era uma noite clara e a lua cheia estava surgindo no horizonte. O mestre apontou para duas árvores e disse:

- Olhe para estas duas árvores, a árvore alta e a árvore pequena ao seu lado. Ambas estiveram juntas ao lado da minha janela durante anos e nunca houve problema algum. A árvore menor jamais disse à maior: "Por que me sinto inferior diante de você?". Esta árvore é pequena e a outra é grande, isto é um fato e, mesmo assim, em todos estes anos, eu nunca ouvi reclamação alguma sobre isso.

- Mestre, isto acontece porque elas não ficam o tempo inteiro se comparando! - argumentou o guerreiro.

- Então você não precisa me perguntar nada, você sabe a resposta - disse o mestre, sorrindo - Quando você não se compara com os outros, todo sentimento de inferioridade e superioridade desaparecem. Você é o que é, simples assim. Se você é um pequeno arbusto ou uma grande e alta árvore, não importa. Uma folhinha de grama é tão importante e necessária quanto a maior das estrelas. Simplesmente olhe à sua volta. Tudo é necessário, tudo se encaixa nos planos Divinos. Ninguém é superior ou inferior, cada um é incomparavelmente único.

- Sabe quando você será verdadeiramente um guerreiro? - concluiu o mestre - Não quando conquistar uma cidade, mas quando conquistar suas emoções. Quando você finalmente dominar seu sentimento de inveja, você terá alcançado sua maior vitória na vida.

Nesta semana lemos a Parashat Vaetchanan (literalmente "E eu implorei"), na qual Moshé continuou seus discursos finais, relembrando os eventos mais importantes ocorridos nos 40 anos em que o povo judeu permaneceu no deserto. Entre outras coisas, Moshé recordou a entrega dos 10 Mandamentos no Monte Sinai, um evento único, no qual D'us se revelou diante de todo o povo. Nossos sábios explicam que os 10 Mandamentos são extremamente importantes, pois neles estão contidas as 613 Mitzvót da Torá. Portanto, precisamos estudar e nos aprofundar em cada um deles, para conseguir extrair todos os conhecimentos ali guardados.

Certamente um dos Mandamentos que mais chamam a nossa atenção é aquele que D'us guardou como clímax. Após nos proibir de cometer transgressões hediondas, como assassinato, adultério e sequestro, a Torá "fechou" os 10 Mandamentos com a proibição de cobiçar tudo o que é do nosso companheiro, como está escrito: "Você não deve cobiçar a esposa do seu companheiro, você não deve desejar a casa do seu companheiro, seu campo, seu escravo, sua serva, seu boi, seu burro, ou qualquer coisa que pertença ao seu companheiro" (Devarim 5:18). Por que D'us deixou este Mandamento por último? Pois aquele que sente inveja pode acabar transgredindo os outros nove Mandamentos anteriores. Pode acabar matando para ter o que é do outro, pode acabar cometendo adultério ao desejar a esposa do outro, e pode até mesmo negar a existência de D'us, quando não aceita a vontade Divina, que deu algo ao seu companheiro e não a ele.

De acordo com o Rav Avraham ben Meir zt"l (Espanha, 1092 - 1167), mais conhecido como Ibn Ezra, este talvez seja um dos Mandamentos mais difíceis de serem compreendidos e cumpridos. Podemos entender quando a Torá nos comanda a fazermos certas ações, como colocar Tefilin, vestir roupas com Tsitsiót ou fixar Mezuzót nos nossos batentes. Porém, como a Torá pode nos comandar em relação aos nossos sentimentos? Controlar nossas emoções já não é algo fácil, mas é especialmente difícil controlá-las quando trata-se de um sentimento que surge naturalmente, como a inveja. Todas as vezes que vemos que alguém tem algo que gostaríamos de ter, surge imediatamente um sentimento de cobiça. Por exemplo, quando nosso vizinho reforma a casa, compra um carro novo ou constrói uma linda piscina, gostaríamos de também ter aqueles prazeres. Então como a Torá pode exigir que alguém consiga não cobiçar o que é dos outros, um sentimento tão natural?

A resposta é que D'us, o Criador do universo, que conhece nossos corações, certamente nunca exigiria de nós algo que não conseguiríamos cumprir. A Torá não foi entregue aos anjos, ela foi entregue aos seres humanos, para nos dar méritos e para recebermos recompensas ao cumprirmos as Mitzvót, não para nos causar um tropeço. D'us conhece todas as nossas limitações, Ele sabe o quanto nossas emoções nos influenciam e fazem parte da nossa vida. D'us não criou robôs, criou seres dotados de sentimentos. Portanto, se Ele nos proibiu de sentirmos inveja do nosso companheiro, mesmo quando vemos que nosso vizinho tem algo que nós gostaríamos de ter, então isto significa que existe alguma forma de conseguirmos controlar nossa inveja. Qual é a fórmula para vencermos este difícil teste?

Podemos responder esta pergunta com uma interessante parábola. Imagine que um homem do campo, uma pessoa muito simples, sem estudos, com suas roupas velhas e antiquadas, resolve viajar para a Inglaterra e conhecer o palácio real. Ao observar o magnífico jardim, ele vê a princesa passeando, magnífica em suas vestimentas reais. Apesar de estar fascinado com a beleza dela, por acaso este homem pensa, ao menos por um instante, em se casar com ela? Obviamente que não. Ele sabe que a filha do rei nunca se casaria com uma pessoa tão simples, sem estudo, sem posses e sem ascendência real. É algo que está completamente fora de seus pensamentos e desejos.

Explica o Ibn Ezra que uma pessoa simples não deseja se casar com uma princesa pois sabe que não é uma realidade. As pessoas desejam apenas as coisas que realmente podem conseguir, e não aquelas que consideram estar fora do seu alcance. Portanto, esta é a solução para evitarmos a inveja. Devemos treinar nosso pensamento, de forma a percebermos que, se D'us deu a piscina nova para o nosso vizinho e não para nós, é algo que Ele quer que nosso vizinho tenha e não nós. Se pensarmos desta maneira, se trabalharmos para olhar a vida desta forma, então conseguiremos sempre enxergar que tudo o que é dos outros está automaticamente fora do nosso alcance, como uma princesa para um homem simples. Desta maneira, não sentiremos desejo de nada que não é nosso.

O Rav Simcha Zissel Ziv Broida zt"l (Lituânia, 1824 - 1898), mais conhecido como Alter MiKelem, traz outra fórmula de como podemos controlar nossa cobiça. Um pai ou uma mãe nunca desejam que seus filhos tenham menos do que eles, ou que tenham tão pouco quanto eles tiveram em sua juventude. Ao contrário, os pais ficam emocionados quando seus filhos têm mais do que eles. Nossos sábios explicam que as pessoas não sentem inveja de seus filhos, pois amam seus filhos tanto quanto amam a si mesmos, e às vezes até mais. Portanto, eles ficam felizes quando seus filhos alcançam o que desejam.

O Alter MiKelem está nos ensinando algo impressionante. O amor e a cobiça são duas coisas que não caminham juntas. Se nós realmente cumpríssemos a Mitzvá de amar ao próximo como a nós mesmos, não sentiríamos inveja por alguém possuir algo que nós não temos. Ficaríamos felizes pelas outras pessoas, assim como ficamos felizes quando nós recebemos algo.

Não é um caminho fácil. É mais fácil chorar com as tristezas dos outros do que se alegrar com a alegria dos outros. Certamente não mudaremos nossos sentimentos do dia para a noite. É necessário muito esforço, reflexões e compromisso para mudar traços de caráter. Mas é isto que ensinam nossos sábios: "Quem é o valente? Aquele que conquista suas inclinações" (Pirkei Avót 4:1). Nosso primeiro impulso é sempre dizer "nem vou tentar, pois é impossível". Mas isto é apenas o conselho do nosso Yetser Hará, que não quer nos deixar crescer na vida. Se pudermos aumentar o nosso amor pelas pessoas e trabalhar nossa Emuná, de forma a entendermos que D'us é perfeito e, portanto, se Ele não nos mandou algo, é porque não necessitamos disto para o nosso trabalho espiritual, certamente aceitaremos o que temos com alegria e não cobiçaremos o que é dos outros. Se D'us nos proibiu de sentirmos inveja, isto significa que é possível. Os vencedores são aqueles que, ao invés de procurar cem motivos de porque não é possível conseguir algo, buscam uma única maneira de como fazer dar certo.
                                                                                                                  
SHABAT SHALOM
 
R' Efraim Birbojm


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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

OS PEQUENOS ATOS E A PERSEVERANÇA - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT MISHPATIM 5779






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OS PEQUENOS ATOS E A PERSEVERANÇA - PARASHAT MISHPATIM 5779 (01 de fevereiro de 2019)
Monty Roberts é um senhor americano que tem um lindo rancho em San Ysidro, nos Estados Unidos. Ele se envolve muito com causas sociais e gosta de ajudar em projetos para angariar fundos para jovens carentes. Certa vez, durante uma palestra em seu rancho para um grande número de pessoas, ele contou o motivo pelo qual se envolvia tanto com as causas sociais:

- Tudo remonta a uma história de um jovem que era filho de um treinador de cavalos itinerante. Este homem ia de estábulo em estábulo, de pista de corrida em pista de corridas e de rancho em rancho treinando cavalos. Como resultado desse estilo de vida, os estudos do garoto no colegial eram constantemente interrompidos. Quando estava no último ano, ele foi convidado a escrever um artigo sobre o que ele queria ser e fazer quando crescesse. Naquela mesma noite ele escreveu um documento de sete páginas sobre seu objetivo, de algum dia possuir um rancho de cavalos. Ele escreveu sobre seu sonho com riqueza de detalhes e fez até mesmo um desenho de um rancho de 200 hectares, mostrando a localização de todos os prédios, das estrebarias e da pista. Desenhou também os detalhes da casa que construiria, uma casa de 4.000 metros quadrados, sede de uma fazenda de 200 acres. Ele colocou grande parte de seu coração no projeto e, no dia seguinte, entregou-o ao professor. Dois dias depois, recebeu sua folha de volta. Na página frontal havia um grande "ZERO" em vermelho e uma anotação do professor que dizia: "Procure-me depois da aula". O garoto foi ver o professor depois da aula e perguntou: "Por que eu recebi um zero? Me esforcei muito em meu artigo!". O professor disse: "Você escreveu um sonho irreal para um rapaz como você. Você não tem dinheiro, vem de uma família itinerante sem recursos. Ter um haras requer muito dinheiro. Você tem que comprar a terra, tem que pagar para ter bons cavalos, fora os impostos. Não há nenhuma maneira de você alcançar isto". Em seguida, o professor acrescentou: "Se você reescrever seu artigo com um objetivo mais realista, vou reconsiderar a sua nota".

- O garoto foi para casa triste, mas pensativo - continuou contando o Sr. Monty Roberts - Ele pediu opinião ao pai do que ele deveria fazer. Seu pai disse: "Filho, você tem que colocar no papel o que você realmente sonha. Penso que é muito importante para você". Finalmente, depois de se sentar com o papel nas mãos por uma semana, o menino voltou para a escola com o mesmo trabalho, sem fazer nenhuma mudança nele. Ele disse ao professor: "Você pode manter a nota zero que me deu, mas vou continuar com o meu sonho".

O Sr. Monty Roberts voltou-se para o grupo que escutava atentamente sua história e disse:

- Estou contando esta história porque vocês estão sentados na minha casa de 4.000 metros quadrados, que fica no meio do meu rancho de 200 acres. Ainda tenho aquele artigo escolar emoldurado em cima da lareira. Aquele professor era uma espécie de ladrão de sonhos. Durante anos ele roubou um monte de sonhos das crianças. Felizmente, tive a força e a perseverança necessárias para não desistir dos meus sonhos. Passo a passo, conquista após conquista, alcancei finalmente meu objetivo maior. Esta é a lição que quero transmitir aos jovens carentes: se eles sonharem e correrem atrás dos seus sonhos, passo a passo, tijolo por tijolo, com perseverança e coragem, certamente alcançarão seus objetivos.

A Parashat da semana passada descreveu uma das experiências mais espirituais da história da humanidade: a entrega da Torá no Monte Sinai, envolvendo muito milagres e a demonstração do poder de D'us diante de todo o povo judeu, cerca de 3 milhões de pessoas. Esperaríamos uma continuação também incrivelmente espiritualizada na Parashat desta semana. Porém, para nossa surpresa, não é isto o que acontece. Na Parashat desta semana, Mishpatim (literalmente "Juízos"), a Torá traz uma imensa lista de Mitzvót que envolvem leis do nosso dia a dia, como a compensação por danos causados aos bens dos outros, tanto se o dano for causado de forma direta quanto se for causado de forma indireta, como um fogo que sai de controle ou um animal que escapa e destrói a propriedade de outra pessoa. Parece uma transição um pouco "anticlímax" depois de uma revelação espiritual tão incrível. Por que ocorreu esta aparente "mudança de marcha" tão grande? Por que a Torá não continuou, depois de descrever a entrega da Torá no Monte Sinai, com ensinamentos mais espirituais?

Explica o Ramban (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270) que a verdadeira espiritualidade é alcançada através de pequenas atitudes. A conquista de elevados níveis espirituais somente é possível através de pequenas conquistas cotidianas. Um incrível exemplo disto pode ser encontrado no último dos Dez Mandamentos, o "Não cobiçarás". Este Mandamento nos proíbe de desejarmos o que pertence aos outros. Mas isto parece ser um nível completamente sobre-humano. Quem é capaz de olhar algo que o outro tem e nós não temos e, mesmo assim, não sentir nenhum desejo? Quem consegue cumprir com perfeição este Mandamento?

A resposta é que foi D'us quem nos criou e, por isso, Ele conhece muito bem Suas criaturas e seus limites. Da mesma forma que um treinador experiente não exige de seu atleta resultados que são inatingíveis, muito mais D'us não exige de nós o que é impossível. Portanto, se D'us nos ordenou a não desejarmos o que é dos outros, significa que isto é algo possível de ser atingido. E, ao nos ordenar a não desejar o que é dos outros, não apenas D'us está nos informando que isto é possível, mas também estava nos transmitindo como atingir este objetivo: passo a passo, através de pequenas conquistas diárias. Não há outra maneira.

Como isto acontece na prática? Uma vez que temos este objetivo, que é não desejar o que pertence aos outros, então precisamos de algumas diretrizes definindo os limites da propriedade pessoal e estabelecendo um sistema de proteção ao que pertence aos outros. Isto explica porque as leis da Parashat Mishpatim vêm logo depois dos Mandamentos. A Parashat Mishpatim não é, portanto, uma diminuição da espiritualidade que vivenciamos com a entrega dos Dez Mandamentos, e sim o caminho para podermos cumprir as Mitzvót com o máximo nível de santidade. A única maneira de chegarmos ao nível de "anjos", de não desejar o que é dos outros, é sabendo dar valor e respeitando o que pertence aos outros.

Outro ensinamento de como podemos alcançar o objetivo de não desejar o que é dos outros também está implícito no próprio enunciado do Décimo Mandamento: "Você não deve cobiçar a casa do seu vizinho. Não cobiçarás a mulher do teu próximo, o seu servo, a sua serva, o seu boi, o seu jumento ou o que quer que seja do teu próximo" (Shemot 20:14). Há uma grande redundância neste versículo. Por que a Torá traz tantos exemplos do que não podemos cobiçar se, no final da lista está escrito "o que quer que seja do teu próximo", que já inclui todos os exemplos trazidos?

A resposta é que a razão pela qual desejamos as posses, profissões e vidas das outras pessoas é porque não vemos "o que quer que seja do teu próximo". Imagine se todos nós entrássemos em uma grande sala e colocássemos na mesa todos os problemas e presentes que compõem nossas vidas. Então todos os pacotes seriam misturados, nos dando a chance de pegarmos qualquer pacote que desejássemos. Certamente cada um de nós pegaria de volta nosso próprio pacote, incluindo os nossos problemas, porque estaríamos vendo a "totalidade" das nossas vidas e das vidas das outras pessoas. E, em um contexto geral, nossas vidas não parecem tão ruins, afinal. D'us desenhou, com sabedoria ilimitada, um pacote personalizado para cada um de nós, com os recursos certos para alcançarmos nosso objetivo. A razão pela qual queremos viver a vida de outra pessoa é que não vemos o quadro completo. Vemos o carro chique e a casa grande, mas não vemos os problemas e dúvidas que o atormentam. A maior parte da vida real dos outros está escondida da nossa visão e, portanto, nossa percepção da verdade é muitas vezes bastante distorcida. Esta é a visão judaica da vida: o "bom" é bom, e mesmo o "não tão bom" também é bom. Ambos são presentes de D'us para serem usados ​​como degraus para a grandeza.

Esta mensagem é sugerida no Primeiro Mandamento: "Eu sou Hashem, teu D'us, que te tirou do Egito" (Shemot 20:2 ). Não teria sido mais grandioso e apropriado para o "currículo" de D'us Ele anunciar-se como o Criador do Céu e da Terra, ao invés de apenas como o D'us que nos tirou do Egito? A resposta é que isto certamente seria verdade se D'us estivesse interessado em se autopromover. No entanto, D'us está mais interessado em nos comunicar que Ele é nosso D'us pessoal e que está conosco nos momentos bons e nos momentos difíceis. Isso é bastante reconfortante. Assim como uma criança pode sentir a proximidade de um pai, tanto através da afeição quanto através da disciplina, também podemos sentir o amor de D'us nas dificuldades e reviravoltas de nossas vidas. Essa atitude pode fazer uma enorme diferença quando navegamos pelas águas desconhecidas da vida. Ao estarmos felizes com o que temos e até mesmo com o que não temos, por confiar que D'us somente quer o melhor para nós, então não sentiremos mais desejo pelo que os outros têm.

É um costume judaico não cortar o cabelo dos filhos homens até que eles atinjam a idade de 3 anos. Quando olhamos para a criança na véspera de seu corte de cabelo, com aqueles enormes cachos ou fios tão compridos, nos perguntamos: quando todo este cabelo cresceu? Até tão pouco tempo atrás ele nem tinha quase cabelo! Por que não vemos o cabelo crescer? Pois cresce tão pouco por dia que nem percebemos, só nos damos conta quando o cabelo já está comprido. Da mesma maneira, para crescermos espiritualmente, a única maneira é sermos perseverantes e constantes. Essa é realmente a chave para alcançarmos o crescimento. É dos pequenos atos cotidianos que depende a nossa verdadeira espiritualidade. Disto se trata a Parashat Mishpatim.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm
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São Paulo: 19h34  Rio de Janeiro: 19h20  Belo Horizonte: 19h17  Jerusalém: 16h37
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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ ITRÓ 5769

BS"D

OLHO GORDO - PARASHÁ ITRÓ 5769 (13 de fevereiro de 2009)

"Rachel era a filha de Kalba Sabua, um dos homens mais ricos de Jerusalém. Desde pequena foi mimada com roupas caras, jóias extravagantes e comidas refinadas. Porém, quando ela decidiu se casar com um homem chamado Akiva, na época um completo ignorante que não sabia nem mesmo ler e escrever, foi deserdada por seu pai e expulsa de casa. Rachel e Akiva começaram seu casamento em total miséria. Alugaram um estábulo velho para morar, quase não tinham comida na mesa e dormiam na palha. Akiva, para consolar sua esposa, prometia que um dia lhe daria uma valiosa jóia chamada "Jerusalém de ouro". A situação deles era cada dia mais difícil, mas apesar de todas as dificuldades, Rachel via em Akiva uma pessoa com um grande potencial espiritual e constantemente o incentivava a se dedicar aos estudos de Torá.

Certo dia o Eliahu Hanavi quis dar um presente para consolar Akiva. Foi até a casa deles, disfarçado de mendigo, vestindo roupas velhas, sujas e esfarrapadas. Bateu na porta e falou:

- Minha esposa acabou de dar a luz e não temos nem mesmo palha para o bebê dormir. Será que você poderia nos dar um pouco de palha?

Imediatamente Akiva deu para aquele pobre homem um pouco de palha. De noite, ele contou a história para sua esposa e comentou:

- Sabe, querida, hoje eu vi como somos ricos. Há pessoas que não têm nem mesmo palha onde dormir.

Quando escutou estas palavras, uma grande alegria encheu o coração de Rachel. Mesmo sendo tão pobre, naquele momento ela se sentia uma milionária...

Muitos anos depois, quando Akiva já era conhecido como Rabi Akiva, o maior sábio da sua geração, com mais de 24 mil discípulos, ele cumpriu sua palavra e deu para sua esposa a jóia prometida".

Se Eliahu Hanavi queria presentear o Rabi Akiva, por que não levou para ele uma jóia, para que pudesse dar de presente para sua esposa? Pois ele quis dar ao Rabi Akiva um presente muito maior: a oportunidade de saber apreciar o que ele tinha. Pois a riqueza é algo que pode ir e vir, mas estar contente com o que temos, ao invés de olhar o que os outros têm a mais do que nós, é um tesouro que adquirimos para sempre.
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Na Parashá desta semana, Itró, o povo judeu chegou ao Monte Sinal, onde D'us entregou os 10 Mandamentos. E o último mandamento nos adverte contra a inveja: "Não cobiçarás a casa do teu próximo. Não cobiçarás a esposa do teu próximo, e seu escravo e a sua escrava, e o seu touro, e o seu jumento, e tudo o que é do seu próximo" (Shemot 20:14). Entendemos por que a Torá proíbe o adultério, o assassinato e o roubo, que são crimes graves. Mas por que D'us se importa com a inveja, algo aparentemente tão natural e inerente ao ser humano? E por que a Torá deixou justamente este mandamento por último, como um fechamento dos outros anteriores?

Existem muitas forças espirituais que nós não sabemos o quanto influenciam em nossa vida cotidiana. Um exemplo é a inveja, em hebraico "Ain Hará" (Olho mau). Explica o Rav Chaim Fridlander em seu livro "Siftei Chaim" que para D'us a vontade já é uma realidade, isto é, basta Ele querer para que a coisa exista. Já para os seres humanos existe uma diferença entre a vontade e a realidade, existe uma distância entre querer algo e isto se realizar na prática. Mas D'us nos criou à Sua imagem e semelhança, e colocou nos seres humanos uma força que, dentro de certas condições, também pode se transformar em realidade apenas através da vontade, e esta força é a inveja. Por isso, quando alguém inveja algo de seu companheiro, pode causar muitos estragos e danos ao outro apenas com a força dos seus desejos. Mas nem sempre esta força consegue funcionar na prática, pois contra o desejo da pessoa que sente inveja está os méritos da outra pessoa, que a protegem. Portanto, todas as vezes que uma pessoa inveja algo de outra, começa uma "batalha espiritual". Caso o invejoso vença, ele consegue realmente prejudicar a outra pessoa. Mas se invejoso perde esta "batalha espiritual", a força com que ele intencionou prejudicar o outro volta, com a mesma intensidade, contra ele mesmo. É como se fosse um jogo de tênis, quanto mais forte jogamos a bolinha, mais longe ela chega. Mas se ao invés de uma quadra de tênis for um paredão, quando mais forte atiramos a bolinha, mais forte ela voltará contra nós mesmos, como nos ensina Shlomo Hamelech (Rei Salomão): "A inveja apodrece os ossos".

Portanto a inveja, apesar de parecer algo sem muita importância, pode se tornar algo terrível aos seres humanos e causar muitos danos e estragos. É por isso que a inveja foi deixada por último, pois ela inclui todos os mandamentos anteriores. A inveja desperta o desejo da pessoa, e o desejo faz com que a pessoa possa transgredir todos os 10 mandamentos. Por exemplo, o invejoso pode terminar roubando para obter o que deseja ou pode chegar a cometer adultério para conseguir a mulher do outro. Até mesmo idolatria a pessoa pode chegar a cometer, pois aquele que tem inveja pensa "eu mereço isso mais do que o outro", e começa a achar que sabe mais do que D'us, que é Quem decide o que cada um precisa na vida.

E justamente pela inveja ser algo tão prejudicial é que D'us castiga aquele que intencionalmente causa inveja ao seu companheiro, ao mostrar seu carro conversível novo ou sua jóia maravilhosa. Ao causar inveja, ele faz o outro transgredir um dos 10 mandamentos e o prejudica. D'us então pune o "exibido" na mesma moeda, pois da mesma forma que ele prejudicou seu companheiro, ele também acaba sendo prejudicado. Quando a pessoa causa intencionalmente inveja no outro não existe uma "batalha espiritual", pois a pessoa que causou a inveja perde seus méritos e é certamente prejudicada pela inveja do outro, sem chance de se defender. É por isso temos que tomar cuidado para evitar exibicionismos e excessos, e temos que saber que coisas feitas com recato e sem chamar a atenção têm muito mais sucesso.

Mas se a inveja é algo tão negativo, por que D'us a colocou dentro de nós? Ensinam nossos sábios: "Se não fosse por causa da inveja, o mundo não se sustentaria, pois sem a inveja ninguém plantaria um vinhedo, ninguém se casaria e ninguém construiria uma casa". Isto significa que a inveja têm um lado positivo, ela nos faz sair da apatia, ela nos motiva a querer crescer. Portanto existem 2 lados para onde podemos canalizar a inveja, um é negativo e nos destrói, outro é positivo e nos ajuda a crescer. A inveja negativa é ficar olhando os bens materiais dos outros e desejar tirar o que os outros têm. A inveja positiva é olhar o nível espiritual dos outros e desejar chegar no mesmo nível, como ensina o Talmud "Invejar os estudantes de Torá faz aumentar a nossa sabedoria".

Por isso, já que é impossível escapar da inveja, devemos canalizá-la para o lado positivo. A dica é espiritualmente focar em quem tem mais do que nós, mas materialmente focar em quem tem menos do que nós. Se nosso sapato está rasgado, não devemos olhar para quem está de sapato novo, e sim para aqueles que não têm pés. Assim cumpriremos as palavras do Pirkei Avót (Ética dos Patriarcas): "Quem é a pessoa rica? Aquele que está satisfeito com o que tem". Esse é o único antídoto contra a inveja.

"Toda pessoa consegue sentir o gosto doce de sua comida, menos o invejoso. Pois ele não consegue sentir o gosto bom da sua comida até que retire o que o seu companheiro tem de bom" (Orchot Tzadikim).

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm