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quinta-feira, 13 de agosto de 2026

RESPONSABILIDADE SOCIAL - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT SHOFTIM 5786

BS"D
O e-mail desta semana é dedicado à Refua Shleima (pronta recuperação) de 

Esther Chava bat Sarah

Avraham Yaacov ben Miriam Chava


Luna Rachel bat Sara

Esther Luna bat Rachel


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O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de:


Sr. Nelson ben Luiza zt"l (Nissim ben Luna) 

Sr. Avraham Favel ben Arieh z"l 

Sra. Rachel bat Luna 


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Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
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PARASHAT SHOFTIM 5786


         São Paulo: 17h30                 Rio de Janeiro: 17h17 

Belo Horizonte: 17h23                  Jerusalém: 18h44
ASSUNTOS DA PARASHAT SHOFTIM
  • Estabelecimento de Tribunais de Justiça.
  • Proibição de colocar árvores e pilares perto do Mizbeach.
  • Sacrifícios com defeito.
  • Castigos por idolatria.
  • Juiz rebelde.
  • Escutando os sábios de cada geração.
  • O rei de Israel.
  • A porção dos Cohanim.
  • Adivinhação e Astrologia.
  • Profecia.
  • Cidades de Refúgio.
  • Assassino intencional.
  • Preservando os limites das terras.
  • Testemunhas.
  • Preparando para a guerra.
  • Cohen de guerra.
  • Pessoas dispensadas da guerra: Construiu uma casa e não inaugurou; Plantou um vinhedo e não redimiu; Noivou e não casou; Está com medo.
  • Abertura para a paz.
  • Bal Tashchit (Destruição de árvores frutíferas).
  • O Assassinato não-solucionado.
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RESPONSABILIDADE SOCIAL - PARASHAT SHOFTIM 5786 (14/ago/26)

Radin, uma pequena cidade na Lituânia, não era um lugar de grandes acontecimentos. Era conhecida, sobretudo, por abrigar a Yeshivá fundada pelo ilustre Rav Israel Meir HaCohen zt”l (Bielorússia, 1838 - Polônia, 1933), o Chafetz Chaim.
 
Em 1914, quando o Chafetz Chaim já era um homem idoso e sua obra sobre a importância de guardar a fala já havia se espalhado por comunidades judaicas ao redor do mundo, as notícias que chegavam a Radin não eram mais sobre disputas locais ou questões comunitárias. Eram sobre exércitos se mobilizando, fronteiras se fechando, um continente inteiro mergulhando em uma terrível guerra. Para as comunidades judaicas da Europa Oriental, a Primeira Guerra Mundial não foi um evento distante: trouxe deslocamentos em massa, fome e destruição de comunidades judaicas inteiras.
 
Diante desse cenário, o Chafetz Chaim não se limitou a lamentar os acontecimentos como uma tragédia externa, decidida nos gabinetes de generais e reis. Ele voltou seu olhar para dentro, para a própria conduta do povo judeu, para a maneira como as pessoas tratavam umas às outras nas ruas, nas sinagogas e nas mesas de Shabat. E ali, segundo ele, encontrava-se parte da resposta: o aumento de Lashon Hará, de brigas e de ódio gratuito entre irmãos, certamente havia contribuído para aquele terrível derramamento de sangue na guerra.
 
Não era a primeira vez que ele fazia essa conexão entre tragédias mundiais e erros do povo judeu. Sua vida inteira, e em especial após a publicação do “Sefer Chafetz Chaim”, em 1873, foi dedicada a mostrar que a fala não é um ato “pequeno” nem “particular”. Porém, naquele momento, diante da escala da destruição que ele observava, ele intensificou ainda mais esse chamado, insistindo, através de seus escritos, que o cuidado com a própria boca não era uma questão de etiqueta pessoal, e sim algo que reverberava em uma escala que ultrapassava qualquer compreensão humana.

 

 

Nesta semana lemos a Parashat Shoftim (literalmente “Juízes”), que traz muitas Mitzvót, especialmente na área de “Bein Adam Lehaveiro”, nos ensinando a importância de aprimorarmos nosso relacionamento com o próximo e aprendermos a respeitar e preservar os bens e a honra dos outros.
 
Um dos assuntos mais difíceis de entender na Torá são os Korbanót. Talvez, por envolverem a morte de animais e estarem tão distantes da nossa realidade, este assunto nos incomode tanto. Porém, precisamos saber que uma das principais funções dos Korbanót é trazer expiação pelas nossas transgressões, tais como o Korban Chatat e o Korban Asham, oferecidos quando cometemos certas transgressões específicas, ou o Korban Olá, cuja oferenda também proporciona expiação por Mitsvót que deixamos de cumprir. Se não fossem os Korbanót, as consequências dos tropeços que cometemos seriam muito piores.
 
O Talmud (Arachin 16a) traz duas transgressões como exceção, cuja expiação não pode ser alcançada através dos Korbanót comuns. Essas duas transgressões são o assassinato, cuja expiação vem através da “Eglá Arufá”, e o Lashon Hará, cuja expiação vem através do “Ktoret” (incenso oferecido no Beit Hamikdash).
 
A Parashá desta semana fala sobre a cerimônia da “Eglá Arufá”, um procedimento estabelecido pela Torá para o caso de um homem ser encontrado morto no campo, entre várias cidades, sem que se saiba quem o matou. Quando o corpo era encontrado, os anciãos e juízes das cidades próximas saíam para determinar, por meio de uma medição, qual era a cidade mais próxima do local do onde estava o corpo. A cidade considerada responsável devia trazer uma novilha, uma vaca jovem, que nunca tivesse trabalhado nem carregado jugo. Os anciãos levavam a novilha a um local de terra não cultivado, e ali seu pescoço era quebrado. Em seguida, os anciãos lavavam as mãos sobre o corpo da novilha e declaravam que suas mãos não haviam derramado o sangue do homem assassinado e que seus olhos não o haviam visto. Nossos sábios explicam que era uma declaração de que eles não haviam sido negligentes com a vítima. Significa que, caso tivessem deixado a vítima partir sem alimento ou acompanhamento, carregariam parte da culpa pelo assassinato.
 
Há um detalhe interessante no versículo final sobre o assunto da Eglá Arufá: “E você eliminará o sangue inocente dentre vocês fazendo aquilo que é correto aos olhos de D’us” (Devarim 21:9). Mas o que significa que o sangue inocente será eliminado com esta cerimônia? Isso por acaso trará o morto de volta à vida?
 
O significado mais simples desse versículo é que, ao cumprir a Mitsvá da Eglá Arufá, a pessoa está “fazendo aquilo que é correto aos olhos de D’us” e, dessa maneira, expiando o pecado do derramamento de sangue inocente. A cerimônia da Eglá Arufá expressa uma ideia profunda: mesmo quando o assassino não é encontrado, a sociedade não pode simplesmente considerar o assassinato um “problema sem solução”. Uma mancha espiritual foi criada. Os líderes da cidade mais próxima precisavam assumir a responsabilidade, demonstrar que não foram negligentes e pedir a D’us expiação pelo sangue inocente derramado.
 
Já o Rav Avraham ben Meir zt”l (Espanha, 1092 - 1167), mais conhecido como Ibn Ezra, oferece uma interpretação alternativa e inovadora desse versículo. Ele estuda o versículo como sendo uma advertência: você deve fazer aquilo que é correto aos olhos de D’us, isto é, cumprir as Mitsvót em geral, pois, dessa maneira, D’us fará com que nenhum sangue inocente seja derramado no meio de vocês.
 
Na verdade, o que o Ibn Ezra está explicando aqui é a aplicação do princípio “a recompensa por uma Mitsvá é outra Mitsvá” (Avót 4:2). O versículo, portanto, significa: “Vocês, participantes do Tribunal Judaico, devem cumprir as Mitsvót, pois desta forma será evitado que sangue inocente seja derramado. Por exemplo, cumpram a Mitsvá de acompanhar os viajantes e de garantir que as necessidades daqueles que estão viajando sejam atendidas. Se as pessoas justas, os estudiosos de Torá e os anciãos fizerem aquilo que deve ser feito, então todos os níveis da sociedade se comportarão adequadamente e sangue inocente não será derramado”.
 
Assim também ensinava o Rav Israel Salanter zt”l (Lituânia, 1810 - Prússia, 1883): “Quando fazem Lashon Hará em Vilna, a consequência é a profanação do Shabat em Paris”. O que ele estava nos ensinando? Vilna era a “Jerusalém da Lituânia”, e a Lituânia era a “Terra de Israel da Europa”. Vilna tinha a reputação de ser o lar de grandes estudiosos e líderes da Torá. Naturalmente, as pessoas dali mantinham um alto nível de observância das Mitsvót. Quais eram, então, suas transgressões? Elas acabavam cometendo a transgressão, difícil de ser evitada: falar de maneira inadequada sobre seus semelhantes. Mas a consequência desse erro não ficava restrita apenas às pessoas de Vilna. Qualquer enfraquecimento espiritual em Vilna produzia um “efeito bola de neve” em todo o mundo judaico. Portanto, em uma cidade como Paris, onde a comunidade judaica já naquela época tinha um comportamento muito mais permissivo, a consequência poderia ser a ocorrência de transgressões muito mais graves, como a profanação do Shabat.
 
É exatamente assim que o Ibn Ezra interpreta o versículo que fecha o assunto da Eglá Arufá: “Se você deseja garantir que não haverá sangue inocente derramado em sua terra, então você deve elevar o nível espiritual da sociedade como um todo, cumprindo até mesmo os mandamentos mais “comuns”, como acompanhar seus hóspedes, praticar atos de bondade e cumprir aquilo que é correto aos olhos de D’us”.
 
As pessoas costumam reclamar e dizer: “O país está decaindo moralmente”; “a moralidade está terrível”; “a sociedade é imoral”, etc. E, muitas vezes, ainda caímos no erro de pensar: “Isso não diz respeito a mim. O que eu posso fazer? Estou fazendo aquilo que devo fazer. Faço minhas rezas diárias, estudo Torá, cumpro as Mitsvót. Eu estou bem!”. Porém, a lição é que, se realmente fizermos aquilo que devemos fazer, então, em um nível metafísico, isso terá um efeito sobre o mundo inteiro. Mas, ao contrário, se falarmos Lashon Hará em Vilna, em Monsey, em São Paulo, em Jerusalém ou onde quer que vivamos, isso terá um efeito prejudicial e poderá permitir que os piores tipos de transgressão sejam cometidos em outros lugares.
 
Conclui o Rav Yssocher Frand shlita que a cerimônia da Eglá Arufá, portanto, carrega um ensinamento extremamente importante e atual. A Torá não permite que nos escondamos atrás da frase “Não fui eu”. Mesmo os anciãos da cidade mais próxima, que certamente não haviam cometido o assassinato, precisavam sair, se posicionar e declarar diante de D’us que haviam feito sua parte.  Isso significa que não basta sermos “bons” isoladamente. A responsabilidade de elevar a sociedade como um todo é algo que pode garantir que “sangue inocente não seja derramado”, e recai sobre cada um de nós. Não como espectadores distantes de um mundo em decadência, mas como participantes ativos, cujo Serviço espiritual pessoal, feito com sinceridade, tem o poder de proteger não apenas a nós mesmos, mas o povo judeu inteiro.
 
Devemos nos importar mesmo com os pequenos detalhes, pois nenhuma Mitsvá é pequena demais. Ao cuidarmos da nossa fala e das nossas ações, estamos, de fato, cuidando do mundo inteiro. É a nossa responsabilidade social: garantir que não apenas nós estejamos bem, mas também todos à nossa volta. 

SHABAT SHALOM – QUE SEJAMOS INSCRITOS E SELADOS NO LIVRO DA VIDA 

R’ Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z”L e Frade (Fany) bat Efraim Z”L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso consogro, R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l 

 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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sexta-feira, 22 de setembro de 2023

ASSUMINDO NOSSOS ERROS - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ HAAZINU E YOM KIPUR 5784

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O e-mail desta semana é dedicado à Refua Shleima (pronta recuperação) de 

Sr. Gabriel David ben Rachel

Avraham Yaacov ben Miriam Chava


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Haviva Bina bat Moshe z"l  
Aharon Yitzhack ben David Calman z"l 


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MENSAGEM DA PARASHÁ HAAZINU E YOM KIPUR

ASSUNTOS DA PARASHÁ HAAZINU
  • O Cântico de Moshé.
  • Chessed de D'us com o povo judeu.
  • Prosperidade causa afastamento de D'us.
  • A queda espiritual das futuras gerações.
  • A Fúria de D'us.
  • Falsa noção dos conquistadores.
  • Fonte do sofrimento do povo judeu.
  • Consolo do povo judeu.
  • Aviso de D'us que Moshé vai morrer.
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ASSUMINDO NOSSOS ERROS - PARASHÁ HAAZINU E YOM KIPUR 5784 (22/set/23)

Alguns meninos estavam brincando de jogar bola na rua, ao lado de onde morava o Rav Yaacov Kanievsky zt"l (Ucrânia, 1899 - Israel, 1985), mais conhecido como Steipler. Um dos meninos, de forma não intencional, acabou jogando a bola em uma das janelas da casa do Steipler, quebrando o vidro. Imediatamente o Steipler correu para fora e perguntou, muito bravo, quem havia feito aquilo. Um dos meninos, mesmo estando com muito medo, acabou confessando. O Steipler gritou com a criança, mas imediatamente ele se conteve e parou de gritar. Ele então virou-se para o garoto e perguntou quantos anos ele tinha. O menino, ainda assustado, respondeu que tinha 11 anos. O Steipler então perguntou ao menino qual seria a Parashá do seu Bar Mitzva e em qual sinagoga ele rezava. O menino, mesmo sem entender, respondeu. O Steipler então agradeceu e voltou pra casa.

Passados quase 2 anos, o Steipler já estava bem velhinho e tinha dificuldades até mesmo para caminhar. Porém, certo Shabat ele avisou aos seus familiares que queria rezar em um Beit Haknesset que ficava bem longe da sua casa, do outro lado da cidade. Os familiares tentarem fazê-lo mudar de ideia, pois sabiam como aquela caminhada seria dolorosa para ele, mas o Steipler estava decidido. Andando bem devagar e com muita dificuldade, o Steipler foi até o outro lado da cidade. Uma multidão o seguiu pelas ruas. Quando ele entrou no Beit Haknesset, as pessoas viram que um Bar Mitzva estava acontecendo. Era justamente o Bar Mitzva daquele menino com quem o Steipler tinha gritado quase dois anos antes. O Steipler então recebeu uma Aliá. Logo após fazer a Berachá final, ele sussurrou algo no ouvido do garoto, que acenou afirmativamente com a cabeça. Logo depois ele foi embora. As pessoas ficaram muito curiosas, querendo muito saber o que o Steipler havia falado. O rapaz então explicou:

- O Steipler me disse: 'Agora que você é adulto, você me perdoa por tê-lo insultado em público?'"

São através destas pequenas histórias que percebemos a grandeza dos nossos Rabanim. O Steipler poderia achar que estava no direito de gritar com o menino que havia quebrado sua janela com uma bolada. Ele poderia achar que não havia nenhum problema em gritar com uma criança. Ele poderia achar que era sua obrigação educar aquele menino. Porém, o Steipler teve a grandeza de perceber que havia cometido um erro. E ele fez um esforço tremendo para consertá-lo. Isso é o que D'us espera de nós quando cometemos erros, que possamos assumi-los para, desta maneira, conseguirmos consertá-los.

Nesta semana lemos a Parashá Haazinu (literalmente "Escute"), um Cântico de louvor a D'us feito por Moshé antes do seu falecimento. Moshé adverte ao povo judeu para que as futuras gerações não se desviassem, com as possíveis consequências negativas caso eles transgredissem. Ele também louva D'us por Sua retidão e perfeição no julgamento, como está escrito: "As obras da Rocha (D'us) são perfeitas, pois todos os Seus caminhos são justos; D'us é confiável, sem injustiça, Ele é justo e reto" (Devarim 32:4).
 
O conceito de D'us ser um Juiz nos conecta com a nossa próxima parada do Calendário Judaico: a Festa de Yom Kipur, também conhecido como "O Dia do Perdão", um dos dias mais sagrados do ano, no qual temos a oportunidade de expiar todas as transgressões que cometemos durante o ano. É um dia de súplicas e de nos abstermos dos prazeres materiais, que utilizamos durante o ano de maneira desequilibrada, muitas vezes indo contra a vontade de D'us por causa de nossos desejos desenfreados.

Segundo a Mishná (Taanit 4:8), Yom Kipur é o dia mais feliz do ano. Parte desta alegria é a proximidade que podemos ter com D'us. Se compara com a alegria de uma pessoa se afogando que vê uma lancha chegando para salvá-la. Mas o que aconteceria se o salva-vidas estendesse a mão e a pessoa se afogando não quisesse estender sua mão de volta? Certamente morreria afogada! Da mesma maneira, nesta época D'us vem até nós e estende Sua Mão. Agora temos que fazer a nossa parte para sermos salvos. Por isso é tão grave não mudarmos e não melhorarmos nada nestes dias. Mas o que significa "fazer a nossa parte"?

De acordo com o Rav Moshe Cordovero (Israel, 1522-1570), em seu livro "Tomer Dvora", cada vez que uma pessoa faz uma transgressão, ela cria um anjo de destruição. Este anjo também precisa ser "sustentado", isto é, precisa receber energia. Quem deveria fornecer esta energia? A própria pessoa que o criou. Porém, isso poderia custar a vida da pessoa ou sofrimentos terríveis. Em um ato de incrível misericórdia, D'us "sustenta" este anjo, até a pessoa fazer Teshuvá. Mas então o que é feito com este anjo de destruição? Ele é atirado contra aqueles que fizeram mal ao povo judeu, após o povo judeu se arrepender e fazer o Vidui (confissão). Porém, sabemos que a Teshuvá verdadeira é composta de quatro passos: abandonar a transgressão, arrependimento, compromisso com o futuro e Vidui. Então por que o Rav Moshe Cordovero fala apenas do Vidui?

Talvez nós não entendamos a importância do Vidui. Muitas vezes achamos que é desnecessário ficarmos confessando nossas transgressões para D'us, pois Ele sabe tudo, não apenas o que fizemos, mas também qual era as intenções do nosso coração. Porém, de acordo com o Rambam (Espanha, 1135 - Egito, 1204), o Vidui é uma Mitzvá da Torá, como está escrito "E será que, quando alguém incorrer em culpa em qualquer um destes casos, confessará o pecado que cometeu" (Vayikrá 5:5).

Este Shabat também é chamado de "Shabat Shuva", por ser o último Shabat antes de Yom Kipur, quando estamos imersos em pensamentos e atos de arrependimento (Teshuvá), e também por causa das primeiras palavras da Haftará lida neste Shabat: "Shuva Israel" (Retornem, Israel). E assim está escrito: "Retornem, Israel, para Hashem, teu D'us, pois vocês tropeçaram nas suas transgressões. Levem as palavras com vocês e voltem para D'us" (Hoshea 14:2,3). O que significa "levem as palavras com vocês"? De acordo com o Rabeinu Bachaie zt"l (Espanha, 1255 - 1340), refere-se ao Vidui, pois este é o caminho verdadeiro para voltar a D'us.

Nossos sábios explicam que, apesar de a Teshuvá ser composta por quatro passos, e todos eles serem fundamentais, o Vidui é o único que garante que a pessoa realmente não voltará às transgressões. Mas que garantia é esta? Qual é a diferença entre o Vidui e os outros passos da Teshuvá?

Um dos tropeços que mais marcaram a humanidade foi o de Adam Harishon, que trouxe ao mundo morte e sofrimento. Mas como alguém em um nível tão elevado pôde ir contra a vontade de D'us? De acordo com o Rav Moshe Chaim Luzatto zt"l, Adam entendeu que o propósito da vida era santificar o Nome de D'us. E como isto poderia ser feito? Passando por testes, como fizeram nossos patriarcas, que se elevavam após vencer cada um deles, como está escrito sobre Avraham Avinu após seu último teste: "Agora eu sei que você tem temor a D'us" (Bereshit 22:12). Adam sabia que não teria grandes testes no Gan Éden. Então o que ele fez? Se colocou em teste. Ele quis errar de maneira proposital, "Leshem Shamaim" (em Nome dos Céus), para aumentar seu nível de teste. Sua ideia era errar, cair espiritualmente, para depois se arrepender e voltar para um nível ainda mais alto.

Em outras palavras, Adam Harishon começou a fazer "cálculos" com a vontade Divina. Ele errou, pois apesar de achar que estava fazendo as coisas "Leshem Shamaim", no fundo ele permitiu que seus desejos se misturassem, como está escrito: "A árvore era boa para comer e era uma delícia aos olhos, e a árvore era desejável" (Bereshit 3:6). O erro foi tão grave que D'us quis condená-lo à morte. No final das contas, Adam se arrependeu e D'us revogou sua pena de morte. Porém, ele não foi completamente perdoado. Ele foi expulso do Gan Éden, perdeu sua imortalidade e passou a ter dificuldades com o seu sustento.

Nossos sábios dizem que Adam passou 130 anos de sua vida jejuando e separado de sua esposa, como formas de expiação espiritual, algo exemplar. Então por que ele não foi completamente perdoado? O que faltou na Teshuvá de Adam? Responde o Rav Yaacov Galinsky zt"l (Polônia, 1920 - Israel, 2014) que apesar de Adam ter feito Teshuvá, foi algo incompleto, pois ele não havia feito Vidui. Por que? Pois ele não achava que havia errado. Ele se arrependeu pelo ato, mas não se arrependeu pela motivação, pois acreditava que havia sido "Leshem Shamaim". O orgulho derrubou Adam, e mesmo quando D'us estendeu a Mão para ele e pediu "Faça Teshuvá", ele não estendeu a mão de volta para D'us, pois achava que não havia transgredido.
 
Esta é, portanto, a importância do Vidui. Quando alguém percebe que errou e entende os motivos que o levaram a esta queda espiritual, ele não vai mais voltar a transgredir. O Vidui nos salva da auto enganação. Ao fazermos o Vidui com as intenções corretas, assumimos a responsabilidade por nossos erros. Esse é o primeiro, e um dos mais importantes, passos para nos levantarmos e não voltarmos a cair.

A próprio texto do Vidui já nos ensina um pouco mais sobre como devemos fazer Teshuvá pelos nossos erros. Antes de cada uma das transgressões mencionadas nós dizemos "Al Chet SheChatanu Lefanecha", que literalmente significa "Pelas transgressões que nós transgredimos diante de Você". "Pelas transgressões" nos ajuda a entender que nossos atos têm consequências. "Que nós transgredimos" nos ajuda a entender que nós erramos, que é nossa responsabilidade, e que não devemos procurar desculpas e nem em quem colocar a culpa. "Diante de Você" nos ajuda a entender que nossas transgressões são graves, pois são rebeldias contra o Criador do mundo. Quando erramos, D'us estende Sua Mão para nos receber de volta. Que possamos, com humildade, estender nossa mão e voltarmos aos caminhos corretos. 

SHABAT SHALOM E GMAR CHATIMÁ TOVÁ - QUE SEJAMOS SELADOS NO LIVRO DA VIDA

 R' Efraim Birbojm

 

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