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quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

DANDO SIGNIFICADO AO NOSSO TRABALHO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT SHEMOT 5786

BS"D
O e-mail desta semana é dedicado à Refua Shleima (pronta recuperação) de 

Avraham Yaacov ben Miriam Chava

Luna Rachel bat Sara


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O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de:


Sr. Nelson ben Luiza zt"l (Nissim ben Luna) 

R' Moishe Eliezer ben David Mordechai zt"l 
Sr. Avraham Favel ben Arieh z"l 

Sra. Rachel bat Luna


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PARASHAT SHEMOT 5786



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ASSUNTOS DA PARASHAT SHEMOT
  • O Crescimento do povo judeu.
  • O "novo" Faraó e a opressão.
  • Bebês jogados no Nilo.
  • Nascimento de Moshé.
  • Moshé sai para ver seus irmãos.
  • Moshé foge para Midian.
  • O arbusto ardente.
  • Moshé é apontado como salvador do povo judeu.
  • Moshé "discute" com D'us.
  • Moshé volta ao Egito.
  • Brit Milá do filho de Moshé.
  • Moshé e Aharon pedem ao Faraó a liberação do povo judeu.
  • O Faraó aumenta o trabalho do povo.
  • Os judeus reclamam com Moshé.
  • Moshé reclama com D'us.
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DANDO SIGNIFICADO AO NOSSO TRABALHO - PARASHAT SHEMOT 5786 (09/jan/26)

Havia um rei que era conhecido por sua sabedoria e vontade de compreender o coração das pessoas. Certa vez, ele quis fazer um "experimento social" e, para isso, mandou chamar dois pedreiros experientes, homens simples, acostumados ao trabalho duro, e lhes deu ordens muito parecidas. Ao primeiro pedreiro o rei disse:
 
- Quero que você construa um muro ao redor deste campo. Ele deve ser forte e resistente, para que permaneça de pé por muitos anos e proteja contra a entrada de estranhos.
 
O pedreiro arregaçou as mangas e começou a trabalhar. Cada pedra que ele colocava era ajustada com cuidado. O sol ardia e o suor escorria pelo rosto, mas, a cada fileira concluída, ele dava um passo atrás, observava o que havia feito e sentia uma enorme satisfação. Ao final do dia, ele estava cansado, mas havia um brilho em seu olhar. Ele sabia que algo útil havia sido construído por suas mãos. Já ao segundo pedreiro o rei falou:
 
- Quero que você construa um muro ao redor deste campo. Ele deve ser forte e resistente, mas assim que o trabalho estiver concluído, mandarei que ele seja derrubado.
 
O segundo pedreiro hesitou por um instante, mas, sendo um homem fiel às ordens do rei, começou a trabalhar. As horas passavam lentamente. Cada pedra parecia mais pesada que a anterior. Ele as colocava corretamente, mas sem motivação. Para que caprichar, se tudo seria destruído em seguida? Ainda assim, continuou. O sol o queimava e o suor também escorria, mas seu cansaço era diferente. Não era apenas físico, era um peso no coração.
 
Quando o dia terminou, ambos haviam trabalhado a mesma quantidade de horas e estavam igualmente exaustos. Porém, enquanto o primeiro pedreiro voltou para casa com a sensação de ter participado de algo construtivo, o segundo caminhou com os ombros caídos, frustrado, sentindo que todo o seu esforço havia sido em vão.
 
No dia seguinte, o rei ordenou que o segundo muro fosse derrubado, exatamente como havia sido anunciado. Ao ver aquela cena, o segundo pedreiro sentiu como se algo dentro dele também estivesse sendo destruído. Não era apenas o muro que ruía, mas o próprio sentido de seu trabalho. Então o rei chamou os dois trabalhadores e disse:
 
- Vejam que incrível. O trabalho de vocês exigiu o mesmo tempo e esforço. No entanto, apenas um de vocês construiu algo de verdade, enquanto o outro apenas se cansou. Aprendemos daqui que o homem não é quebrado pelo esforço, mas pela ausência de propósito. Quando o trabalho constrói algo, ele constrói também o coração de quem trabalha, mas quando é feito sem sentido, ele corrói a alma.

Nesta semana começamos o segundo Livro da Torá, o Sefer Shemot, que trata principalmente da libertação do povo judeu da escravidão egípcia. E a Parashá desta semana, Shemot (literalmente "Nomes"), fala justamente da escravização dos judeus, uma escravidão brutal, na qual os judeus foram forçados a fazer trabalhos muito pesados. D'us escutou os gritos do Seu povo e então se revelou a Moshé, ordenando-lhe que fosse ao Faraó para pedir que libertasse os judeus. Porém, diferente do que Moshé esperava, o Faraó reagiu negativamente. O cruel rei do Egito ordenou aos capatazes que deixassem de fornecer a palha necessária para a fabricação dos tijolos e exigiu que os escravos obtivessem a palha por conta própria e, ainda assim, mantivessem a cota diária de tijolos. Caso não conseguissem, eram ainda mais duramente castigados.
 
Mas o comportamento do Faraó desperta um grande questionamento. Se o objetivo dele era fazer os escravos trabalharem o dobro, seu decreto não parece muito sensato. Ele poderia simplesmente ter dobrado a cota de tijolos que eles eram obrigados a produzir diariamente. Dessa forma, teria alcançado o mesmo objetivo, forçando-os a trabalhar duas vezes mais e, ao mesmo tempo, teria se beneficiado com mais produtividade! O Faraó tinha um projeto em andamento, ele queria que cidades-armazém fossem construídas, como está escrito: "E colocaram sobre ele (o povo judeu) capatazes para afligi-lo com seus trabalhos forçados, e ele construiu cidades-armazém para o Faraó: Pitom e Ramsés" (Shemot 1:11). Mesmo que o Faraó desejasse torturar seus trabalhadores, deveria tê-lo feito de uma maneira que trouxesse o maior retorno possível ao Egito. Ao reter a palha como meio de aumentar a pressão, o Faraó estava, na prática, prejudicando a si mesmo! O Faraó não entendia de produtividade?
 
Explica o Rav Yssocher Frand shlita que, na verdade, a preocupação do Faraó nunca foi a produtividade dos seus escravos. O seu objetivo real era impor aos judeus uma "Avodat Parech". Normalmente traduzimos "Avodat Parech" como um trabalho fisicamente pesado, mas na verdade trata-se de mais do que isso. O Faraó não queria apenas destruir os corpos dos judeus, queria destruir também suas mentes. O Midrash afirma que as cidades-armazém de Pitom e Ramsés eram cidades construídas sobre areia movediça. Assim que as cidades eram concluídas, desmoronavam e precisavam ser reconstruídas do zero. O principal interesse do Faraó não era um projeto de construção, era um projeto de destruição. Seu objetivo verdadeiro era quebrar o espírito do povo judeu, mesmo que perdesse com isso. E a melhor maneira de quebrar o espírito de alguém é garantir que a pessoa não tenha nenhum senso de realização em seus esforços. Nada pode ser mais psicologicamente devastador.
 
O uso deste artifício se repetiu durante a história. Os gregos inventaram o "mito de Sísifo", a história de um homem que enfrentou os deuses do Olimpo e foi duramente castigado. Por toda a eternidade ele teria que passar o dia movendo uma gigantesca pedra até o topo de uma montanha, um trabalho muito pesado, sabendo que, quando conseguisse, a pedra seria derrubada novamente para que o mesmo trabalho recomeçasse. Portanto, isso demonstra que os gregos consideravam que o pior castigo a ser aplicado a um ser humano era obrigá-lo a fazer um trabalho sem nenhum senso de realização. E assim também encontramos em tempos modernos. Nos campos de trabalho forçado soviéticos, construídos na Sibéria, os prisioneiros eram obrigados a girar uma roda pesada, a qual, segundo era dito a eles, movia um moinho de farinha. Dia após dia, ano após ano, os prisioneiros giravam essa roda. Apesar das condições adversas, os prisioneiros se consolavam ao acreditar que ao menos estavam moendo farinha. No dia da libertação de cada prisioneiro, os soviéticos faziam questão de levá-lo para ver o outro lado da parede para mostrar-lhe que, ligado à roda, não havia nada. Os prisioneiros ficavam devastados, pois percebiam que todo o trabalho dos últimos anos tinha sido totalmente em vão. Este é o significado de "Avodat Parech". Muito trabalho, e um trabalho muito pesado, para nada.
 
A Lashon Hakodesh (língua sagrada) é extremamente precisa. Tanto a palavra "Avodá" quanto a palavra "Melachá" significam "trabalho". Porém, apesar de serem sinônimos, há uma diferença fundamental entre elas. Melachá, a expressão que encontramos nos trabalhos proibidos do Shabat, denota um trabalho construtivo. Já Avodá é apenas esforço, sem que necessariamente haja alguma realização.
 
Precisamos nos concentrar nesta distinção e garantir que nosso esforço seja sempre uma Melachá, algo construtivo, e não uma Avodá. O Talmud (Beitzá 16a) traz uma informação interessante: "Esses tolos babilônios comem pão com pão". Obviamente que a expressão tem um sentido literal dentro do contexto que está sendo discutido pelo Talmud, mas nossos sábios explicam que esta expressão também pode ser entendida de forma não literal, e contém uma mensagem muito profunda. Comer "pão com pão" significa que eles trabalhavam por seu pão apenas para poder obter mais pão. O pão era tanto o meio quanto a finalidade de suas vidas. Eles trabalhavam para viver e viviam apenas para trabalhar, e isso é uma grande tolice, além de ser extremamente desmotivador. Não é Melachá, não é construtivo, é apenas Avodat Parech, um terrível e desanimador esforço em vão. Era justamente isto que o Faraó queria causar ao povo judeu.
 
O propósito da nossa vida precisa ser maior do que ter pão para comer. Precisamos mudar este ciclo. Obviamente, todos nós precisamos ganhar o nosso sustento, mas podemos inserir neste ciclo esforços construtivos. Por exemplo, a pessoa que trabalha para ganhar dinheiro e assim poder cumprir as Mitzvót, estudar Torá e ajudar os outros faz o ciclo passar a ter significado, pois eleva o processo de ganhar a vida a algo mais elevado do que uma simples "esteira ergométrica" onde andamos sem nunca sair do lugar. A criação dos filhos também pode parecer um ciclo sem sentido. Arrumamos os brinquedos de manhã apenas para encontrá-los novamente espalhados à tarde, e depois guardamos novamente à noite para encontrá-los espalhados outra vez pela manhã. Isso pode parecer uma Avodat Parech. Mas, se tivermos o foco correto, isso pode se transformar em uma Melachá construtiva. Para que as crianças se desenvolvam e aprendam, e para que a espiritualidade floresça em um lar, a casa precisa, antes de tudo, funcionar. Quando as pessoas reconhecem que seus esforços são vitais para manter um lar funcional, então os esforços que pareciam ser apenas um trabalho repetitivo e sem sentido passam a ter um impacto muito maior. Possibilitar o funcionamento de um lar é, sem dúvida, uma grande realização. Não é um esforço em vão, é um trabalho construtivo.
 
O Faraó representa o nosso Yetser Hará, que quer transformar nossas vidas em uma "Avodat Parech", em repetições sem sentido e sem significado. Para vencer o nosso Yetser Hará, precisamos dar significado para cada ato cotidiano. Em tudo o que fazemos na vida, podemos transformar esforços e trabalho em atividades construtivas, dando-lhes um propósito maior e fazendo o uso adequado do tempo de vida que D'us nos concedeu neste mundo. Não viver para comer e trabalhar, mas comer e trabalhar para viver uma vida com sentido.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019

RECLAMAÇÕES E FOCO CORRETO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT TERUMÁ 5779






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VÍDEO DA PARASHAT TERUMÁ

RECLAMAÇÕES E FOCO CORRETO - PARASHAT TERUMÁ 5779 (08 de fevereiro de 2019)
"Era uma vez um rei que viveu há muito tempo, em uma época na qual as pessoas ainda não usavam sapatos. Certo dia, o rei saiu em viagem para algumas áreas bem distantes no seu reinado. Quando retornou ao palácio, reclamou que seus pés estavam terrivelmente doloridos, porque era a primeira vez que fazia uma viagem tão longa e havia muitos pedregulhos na áspera estrada. Ele não parava de reclamar, inconformado com as condições das estradas. Ele também estava inconformado que nunca ninguém tinha pensado nisso e tomado nenhuma atitude. Em um momento de impaciência, exigiu que algo fosse feito. Ordenou aos seus servos que cobrissem todas as estradas do reino com couro. Assim, quando caminhasse, não machucaria os pés.

Porém, os servos do rei fizeram as contas e perceberam que, para colocar esta ideia em prática, seria necessário matar milhares de vacas. Além disso, custaria uma quantia enorme de dinheiro e seria necessária uma manutenção constante, pois com as chuvas e o calor extremo, o couro começaria a se deteriorar rapidamente. Então, um dos mais sábios entre os servos do rei levantou-se e ousou falar:

- Rei, me perdoe pela intromissão, mas por que temos que gastar essa quantia enorme de dinheiro? Tenho uma ideia melhor. Por que não mandamos cortar um pequeno pedaço de couro, suficiente para cobrir seus pés?"

Esta ideia "genial" se aplica a cada um de nós. Ao invés de tentarmos resolver todos os defeitos de todas as pessoas do mundo, ao invés de passarmos o tempo inteiro reclamando de tudo e de todos, por que não começamos resolvendo os nossos próprios problemas e defeitos?

Nesta semana lemos a Parashat Terumá (literalmente "Porção"), que descreve as ordens de D'us para Moshé em relação à construção do Mishkan, o Templo Móvel. Além de uma estrutura desmontável, o Mishkan também continha muitos utensílios utilizados no Serviço a D'us, como o Aron HaKodesh (Arca Sagrada), o Mizbeach (Altar) e a Menorá. A Parashat se alonga em todos os detalhes de cada uma das partes que compunham o Mishkan.

Explica o Rav Simcha Zissel Ziv Broida zt"l (Lituânia, 1824 - 1898), mais conhecido como Alter MiKelm, que há muitos paralelos entre o Mishkan e o povo judeu. Por exemplo, a parte mais importante do Mishkan era o Aron HaKodesh. Isto é comprovado pelo fato de D'us ter começado a descrição da construção do Mishkan justamente pelo Aron HaKodesh. Além disso, havia também vários outros elementos do Serviço a D'us, como a Shulchan (uma mesa de madeira revestida de ouro), o Mizbeach (altar de cobre, onde eram queimados os Korbanót), o Ketoret (incenso, que deixava um cheiro agradável) e o sal (usado nos Korbanót). Porém, todos estes elementos, inclusive a própria estrutura do Mishkan, eram secundários diante do Aron HaKodesh, que ficava no local mais sagrado, o Kodesh HaKodashim, e dentro dele ficava a Torá.

De maneira semelhante, a parte mais importante do povo judeu deve ser sempre a nossa Torá. Ela deve ser o centro de nossas vidas. Mesmo que existem muitos elementos que compõem nossa vida, como o trabalho, a alimentação e os momentos de lazer, tudo deve ser considerado secundário perante a Torá. E, da mesma forma que o Aron HaKodesh se revestia de Kedushá (santidade) e cumpria seu propósito quando a Torá era colocada dentro dele, assim também o judeu se santifica e cumpre seu objetivo quando se preenche com Torá.

Há outro detalhe interessante do Aron HaKodesh no qual há um paralelo com o ser humano. O Aron HaKodesh era feito de madeira, porém ele era revestido de ouro por dentro e por fora, conforme está escrito: "Por dentro e por fora o revestirá" (Shemot 25:11). Entendemos que o Aron HaKodesh deveria ser revestido de ouro por fora, para que fosse um utensílio bonito, que trazia honra para D'us. Porém, por que era necessário revestir de ouro por dentro também?

Explica o Talmud (Yomá 72b) que este versículo está nos ensinando algo importante para as nossas vidas. Muitas vezes nos comportamos de certa maneira "por fora", mas por dentro não mantemos a mesma convicção. Cumprimos as Mitzvót com todas as rigorosidades quando as pessoas estão olhando, mas quando estamos sozinhos somos mais lenientes. O Talmud vai ainda mais longe e afirma que "todo Talmid Chacham (estudante de Torá) cujo interior não é como seu exterior não é considerado Talmid Chacham". O Talmud chega a afirmar que a pessoa que por dentro não é como o que aparenta por fora é uma abominação aos olhos de D'us. Porém, o que significa alguém cujo interior não é igual ao exterior? É alguém que se ocupa do estudo da Torá e do cumprimento das Mitzvót, porém não tem temor a D'us em seu coração. Isto significa que toda a sua ocupação com a Torá e as Mitzvót são apenas atitudes externas, quase um "teatro", pois as motivações da pessoa são equivocadas.

Em relação a este assunto, o Talmud (Brachót 28a) conta uma interessante história da época em que Raban Gamliel era o líder do povo judeu. Ele então fez um anúncio público: "Todo estudante de Torá que não tem seu interior como seu exterior não deve entrar no Beit Midrash (Centro de estudos de Torá)". Inclusive, um guardião foi colocado na porta, para que as pessoas inaptas não pudessem entrar. Somente após algum tempo, quando o Rabi Elazar ben Azaria se tornou o líder do povo judeu, então o guardião das portas do Beit Midrash foi retirado e foi dada a permissão para que todos aqueles que desejassem pudessem entrar no Beit Midrash e estudar Torá. O Talmud ainda acrescenta que naquele dia foram colocados muitos bancos no Beit Midrash, para que os novos estudantes pudessem se sentar. De acordo com uma opinião foram acrescentados mais 400 bancos, enquanto de acordo com outra opinião foram 700 bancos.

Porém, quando lemos este acontecimento no Talmud, inevitavelmente surge um questionamento: quem era este incrível guardião, que ficava na porta do Beit Midrash e era capaz de discernir, em cada estudante de Torá que pretendia entrar, se seu interior era igual ao seu exterior, isto é, se ele realmente tinha temor a D'us e estava estudando Torá com as motivações corretas? Quem tinha o incrível dom de ler os pensamentos de cada um?

Responde o Rav Alexander Zusia Friedman zt"l (Polônia, 1897 - 1943) que, na verdade, este "guardião" não era uma pessoa de carne e osso, e sim a própria porta do Beit Midrash. Ela ficava trancada, com diversos tipos de trancas, e sua abertura era extremamente difícil. A única forma de entrar era através de muitos esforços e tentativas. Portanto, somente aqueles que vinham estudar com a máxima vontade e seriedade conseguiam ter a perseverança e a paciência para entrar, como ensinam os nossos sábios: "Nada pode impedir alguém que tem força de vontade". Um dos exemplos disto é o caso do grande sábio Hilel, que no dia em que não conseguiu entrar no Beit Midrash, subiu no telhado e assistiu a aula de Torá através de uma claraboia no teto da sinagoga, apesar do frio congelante que fazia lá fora.

Porém, há ainda um ponto difícil de ser entendido. Quando o Talmud quis mostrar a diferença que ocorreu após o Rabi Elazar ben Azaria ter assumido a liderança do povo judeu, por que foi ressaltado o número de bancos acrescentados ao Beit Midrash, ao invés de ter sido ressaltado o número de novos alunos que começaram a frequentar o Beit Midrash a partir daquele dia?

Responde o Rav Guedalia Aizman shlita que possivelmente o Talmud está nos ensinando uma lição muito profunda sobre a psicologia do ser humano. Talvez o aumento do número de bancos no Beit Midrash não está relacionado com o aumento do número de alunos, e sim com a mudança do tipo de alunos que passaram a frequentar o Beit Midrash. Até aquele momento, como havia um "guardião" na porta do Beit Midrash, somente entravam as pessoas que estavam realmente motivadas "Leshem Shamaim" (em nome de D'us, isto é, com intenções puras), cujo interior era igual ao exterior. Eles estavam tão motivados que poderiam, com alegria, sentar no chão do Beit Midrash e passar horas estudando. A vontade deles de estudar Torá era tão pura que isso dava a eles a força para estudar em qualquer situação, mesmo se faltassem bancos. Portanto, até aquele momento não havia nenhuma reclamação em relação às condições físicas do local de estudo. Porém, a partir do momento em que começaram a entrar no Beit Midrash pessoas cujo interior não era como o exterior, apesar de também estarem vindo com a vontade de estudar, de qualquer maneira não fariam isto "a qualquer custo". Quando entraram no Beit Midrash e perceberam que não havia bancos para todos se sentarem, começaram a reclamar. Foi neste momento que surgiu, portanto, a necessidade de serem trazidos mais bancos.

Ao ressaltar os bancos e não os novos alunos, o Talmud está nos transmitindo uma mensagem incrível. A pessoa que está no mundo pelos motivos corretos, isto é, a pessoa que sabe com claridade que tem um objetivo espiritual a cumprir e entende que a Torá deve ser o centro de sua vida, ela não se incomoda muito com o que acontece à sua volta e, por isso, não reclama. Ela sabe identificar bem o que é o principal e o que é o secundário e, por isso, ajusta sempre o seu foco e seus esforços na direção correta. Portanto, quando vemos uma pessoa que está sempre reclamando muito, de tudo e de todos, é um sinal de que ela não está conseguindo viver "Leshem Shamaim", isto é, ela não tem claridade do que veio fazer no mundo. Estas pessoas, ao invés de quererem consertar todos os erros e problemas que enxergam nos outros, deveriam começar consertando a si mesmas. Pois, com o foco correto, elas perceberiam que a vida é bem melhor do que parece.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm
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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT - PARASHAT TERUMÁ 5779:

São Paulo: 19h30  Rio de Janeiro: 19h16  Belo Horizonte: 19h14  Jerusalém: 16h44
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Eliahu ben Esther, Moshe ben Feigue, Laila bat Sara, Chana Mirel bat Feigue, Eliezer ben Shoshana, Mache bat Beile Guice, Feiga Bassi Bat Ania.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l, Eliezer ben Arieh z"l; Arieh ben Abraham Itzac z"l, Shmuel ben Moshe z"l, Chaia Mushka bat HaRav Avraham Meir z"l, Dvora Bacha bat Schmil Joseph Rycer z"l, Alberto ben Esther z"l, Malka Betito bat Allegra z"l, Shlomo ben Salha z"l, Yechiel Mendel ben David z"l, Faiga bat Mordechai HaLewy z"l.
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).


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