sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAIECHI 5773


BS"D

MUITA CALMA NESTE MOMENTO - PARASHÁ VAIECHI 5773 (28 de dezembro de 2012)

Josef era um homem trabalhador. Ele era lenhador e trabalhava duro para conseguir seu sustento. Acordava todos os dias às 5 da manhã, trabalhava o dia inteiro cortando lenha e só parava tarde da noite. Ele tinha perdido a esposa durante o parto do único filho do casal, uma linda criança. Uma empregada cuidava do filho durante o dia e uma raposa, o bicho de estimação de Josef, que havia sido criada em sua casa desde filhote, cuidava da criança durante a noite, até que Josef voltasse do trabalho.

Todas as noites, ao chegar em casa, Josef encontrava a raposa o esperando na porta, feliz com sua chegada. Porém, os vizinhos do lenhador não viam aquilo com bons olhos e alertavam que a raposa era um animal selvagem e, portanto, não era confiável. Quando ela sentisse fome, seus instintos venceriam seu adestramento e ela atacaria a criança. Mas Josef achava que aquilo era uma grande bobagem, pois a raposa era parte da família, nunca faria mal ao seu filho.

Certo dia, Josef chegou exausto do trabalho. Ao entrar em casa, viu a raposa com a boca totalmente ensangüentada. Josef suou frio. Os vizinhos estavam certos, aquela raposa era apenas um animal selvagem e havia atacado seu filho. Desesperado, cego pelo ódio, ele não pensou duas vezes e acertou o machado na cabeça da raposa, matando-a com um único golpe certeiro.

Ao entrar no quarto, apavorado, encontrou seu filho na cama, dormindo tranquilamente. Ao lado da cama, uma cobra venenosa estava morta, ensanguentada. A raposa havia arriscado sua vida para salvar a criança...

Aquele machado ficou guardado para sempre, como uma lembrança de que atos feitos por impulso certamente trazem apenas arrependimento e consequências negativas, que muitas vezes não têm mais volta.

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Nesta semana lemos a Parashá Vaiechi, que fecha o primeiro livro da Torá, Bereshit. A Parashá conta sobre a morte do nosso último patriarca, Yaacov, aos 147 anos. Quando ele adoeceu e sentiu que sua morte se aproximava, chamou seus filhos para dizer a cada um deles algumas últimas palavras. Alguns filhos receberam de Yaacov Brachót (bênçãos), enquanto outros receberam Tochachót (broncas), como ocorreu com Reuven, o filho mais velho de Yaacov, que foi repreendido com duras palavras, como está escrito: "Reuven, meu primogênito, minha força e meu vigor inicial, primeiro em linhagem e primeiro em poder. Impetuoso como a água, você não pode ser o primeiro, pois você moveu a cama do seu pai..." (Bereshit 49:3,4). O que significam estas palavras de Yaacov?

Explicam nossos sábios que Yaacov estava se referindo a algo que havia ocorrido há quase 40 anos. Yaacov amava Rachel acima de todas as suas esposas e, por isso, deixava sua cama sempre na tenda dela. Após o falecimento prematuro de Rachel, Reuven achou que seu pai mudaria a cama para a tenda de sua mãe, Lea. Mas, ao contrário do que Reuven pensou, Yaacov colocou sua cama na tenda de Bilá, a escrava de Rachel. Reuven ficou muito chateado com a humilhação de sua mãe e fez um ato impulsivo: mudou por conta própria a cama de seu pai, tirando-a da tenda de Bilá e colocando-a na tenda de sua mãe. Isso foi considerado um erro grave, como um adultério, pois Reuven estava interferindo na vida íntima de seu pai. Yaacov terminou a bronca ressaltando que, por causa daquele erro, Reuven perderia seus direitos à monarquia e ao sacerdócio, aos quais estava originalmente destinado por ser o filho primogênito.

Mas desta bronca de Yaacov em Reuven ficam algumas perguntas. Em primeiro lugar, a impetuosidade é algo assim tão negativo, para que tenha consequências tão graves como a perda da monarquia e do sacerdócio? Além disso, o fato do erro ter sido feito por impulso deveria ter sido um fator atenuante, que transformaria o erro em algo menos grave do que se tivesse sido cometido com premeditação.  Então por que Yaacov ressaltou justamente a impetuosidade para ressaltar a gravidade do erro de Reuven? E finalmente, a Torá nos ensina que Reuven é o modelo de arrependimento sincero. Por exemplo, Reuven não estava presente na venda de Yossef, pois segundo Rashi, comentarista da Torá, ele estava sentado em um local isolado, vestindo roupas de luto e jejuando para expiar o erro que havia cometido. Então por que Yaacov precisava dar uma bronca em Reuven por um erro que havia acontecido há tanto tempo e pelo qual ele já havia se arrependido completamente?

Explica o Rav Yochanan Zweig que, em geral, quando nós damos uma bronca em alguém, focamos apenas na própria transgressão, nos esquecendo de que ela é, na verdade, apenas a consequência de uma falha nas Midót (traços de caráter) da pessoa. Por isso, a bronca normalmente não adianta, pois o erro específico é consertado, mas a falha nas Midót, que é a raiz do problema, não é corrigida. Enquanto ainda houver esta falha nas Midót, os erros continuarão a ser cometidos, pois eles são apenas uma consequência, não a causa.

Isto pode ser observado em Reuven. Esta não foi a primeira vez que Yaacov chamou a atenção de Reuven por causa da impetuosidade. Quando Yossef, antes de se revelar aos seus irmãos, prendeu Shimon e exigiu que Biniamin fosse trazido como prova de que eles não eram espiões, Yaacov se recusou a mandar Biniamin, com medo de perder seu outro filho querido. Então Reuven tentou convencer seu pai, oferecendo a vida de seus próprios filhos como garantia de que traria Biniamin de volta para casa são e salvo. Naquele momento Yaacov imediatamente censurou Reuven pela sua sugestão impulsiva e impensada.

Portanto, esta foi a intenção de Yaacov ao dar a bronca em Reuven. Certamente Yaacov não queria condená-lo por um erro tão antigo, do qual ele já havia se arrependido de maneira exemplar. Yaacov queria ressaltar qual era a falha nas Midót que havia causado com que Reuven pecasse, para que ele pudesse consertá-la. Seu erro era a impetuosidade, o comportamento impulsivo, fazer as coisas no calor do momento sem pensar nas consequências futuras, cuja raiz é a falta de autocontrole. Em momentos de pressão, a pessoa impulsiva toma decisões precipitadas, das quais se arrependerá quando pensar com mais claridade ou quando for atingida pelas consequências negativas que certamente virão.

Após entender a gravidade da impetuosidade, agora podemos entender também porque suas consequências são tão devastadoras. Mais do que um rei precisa controlar seus súditos, uma das principais funções de um verdadeiro líder é ensinar autocontrole ao seu povo. E a principal maneira de ensinar não é com palavras, é com atitudes. O rei precisa refletir a imagem de alguém que atingiu os maiores níveis de autocontrole. Por isso, quando Reuven demonstrou se comportar de uma maneira impulsiva, perdeu a chance de ser o precursor dos futuros reis de Israel. Da mesma maneira, a responsabilidade pela santidade do sacerdócio só pode ser tomada por alguém que chegou ao auge do autocontrole, pois a santidade se manifesta apenas onde se encontra o autocontrole.

Para entender o quanto a Torá se importa com esta má característica de ser impulsivo, o Pirkei Avót, que traz centenas de ensinamentos sobre autoaprimoramento, começa com o seguinte ensinamento: "Sejam ponderados no julgamento". O ensinamento não é apenas para os juízes em um tribunal, mas para cada um de nós, juízes dos acontecimentos cotidianos. O Pirkei Avót está nos dizendo, como primeiro ensinamento, a não ser impulsivo, a pensar com tranquilidade, levar em consideração as consequências futuras de todos os nossos atos. Se isto não nos levar a sermos reis do povo judeu, que nos leve pelo menos a sermos reis de nossas próprias vidas.

"O FRUTO DO IMPULSO É O ARREPENDIMENTO"

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAYIGASH 5773


BS"D

ESTE E-MAIL É DEDICADO À ELEVAÇÃO DA ALMA DE ELIEZER BEN ARIEH

NÃO É VERGONHA SENTIR VERGONHA - PARASHÁ VAYIGASH 5773 (21 de dezembro de 2012)

"O casamento das famílias Goldman e Fishberg (nomes fictícios), duas famílias não religiosas que viviam em Israel, era esperado com ansiedade por todos os parentes e amigos do casal. A cerimônia foi linda e emocionante, com os noivos chorando muito sob a Chupá no momento em que suas almas se uniam. A festa também foi muito animada, os noivos e seus convidados não paravam de dançar um minuto.

Após as primeiras danças, todos se sentaram para jantar. Como o pai do noivo estava muito suado de te tanto dançar, resolveu tirar seu terno e deixar na cadeira. Alguns minutos depois o maestro convidou o pai do noivo para dançar uma valsa com a noiva. Foi um momento emocionante, todos aplaudiram de pé. Após a valsa, o pai do noivo voltou ao seu lugar e novamente vestiu o terno. Mas logo sentiu falta de algo importante. Tinha trazido no bolso um envelope contendo 10 mil dólares, dinheiro que seria utilizado para pagar parte das despesas da festa, mas o envelope não estava mais lá. Desesperado, imaginou que o envelope tinha caído no meio da pista durante as danças. Pediu para que o maestro anunciasse a perda do envelope, na esperança de que alguém o encontrasse. Mas as horas passaram, a festa foi terminando e o dinheiro não apareceu. As mesas foram retiradas, o palco foi desmontado, mas nem sinal do envelope. Muito triste, o pai do noivo negociou para que as dívidas fossem pagas na semana seguinte. Após um tempo o assunto foi esquecido.

Um mês depois, o vídeo do casamento ficou pronto e toda a família se reuniu para assistir. O novo casal conseguiu juntar seus pais, tios e primos. Todos se emocionaram novamente com a Chupá e com a alegria da festa. O filme chegou ao momento em que o pai do noivo foi dançar a valsa com a noiva. Mas no meio da valsa, a câmera deixou de filmar a dança e passou a filmar os convidados. E a câmera pegou o exato momento em que uma pessoa colocava a mão dentro do bolso do terno do pai do noivo, retirava de lá o envelope com o dinheiro e colocava dentro do seu próprio bolso. O ladrão era, ninguém mais ninguém menos do que... o pai da noiva!!!

Na sala, diante da televisão, todos os olhares de surpresa e indignação se voltaram para o pai da noiva, que estava pálido e transpirando muito. Ele colocou a mão no peito, deu um grito e caiu no chão já morto, após um ataque cardíaco fulminante..." (História Real).

Imagine a vergonha de ser filmado fazendo algo abominável e ter que assistir, diante de todos, o filme. É isso o que nos ensina o Pirkei Avót (Ética dos Patriarcas): "Reflita sobre 3 coisas e você nunca pecará. Saiba o que há acima de você: um Olho que vê, um Ouvido que escuta, e todos os seus atos são anotados em um livro" (Pirkei Avót 2:1).

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Nesta semana lemos a Parashá Vayigash, que traz o desfecho da história de Yossef e seus irmãos. Yossef, que havia se tornado o vice-rei do Egito, testou seus irmãos, comportando-se com eles de maneira muito dura. Mas após Yehudá se oferecer para ficar como escravo no lugar de Binyamin, mostrando que eles haviam superado o sentimento de inveja, Yossef não aguentou e se revelou para seus irmãos, como está escrito: "Eu sou Yossef. O meu pai ainda está vivo? E eles não puderam responder para ele, pois estavam desconcertados diante dele" (Bereshit 45:3). Explica Rashi, comentarista da Torá, que a expressão "e eles não puderam responder" significa que eles sentiram muita vergonha naquele momento em que Yossef se revelou para eles.

Mas deste comentário do Rashi fica um questionamento: do que eles sentiram vergonha, de terem vendido Yossef? Nossos sábios ensinam que todos os filhos de Yaacov eram pessoas extremamente íntegras e tementes a D'us. Por que eles haviam vendido Yossef como escravo? Não havia sido um ato impensado nem impulsivo. Eles haviam sentado para fazer um julgamento, pois achavam que Yossef merecia, de acordo com a lei, receber a pena de morte. Quando Yossef revelou seus sonhos, nos quais seus irmãos se curvavam diante dele, despertou nos irmãos a suspeita de que ele queria roubar a primogenitura. Eles acharam que o sonho era apenas seu subconsciente mostrando seu desejo de poder. Por isso, durante 22 anos, eles tiveram a certeza de que não haviam errado no julgamento de Yossef e que a venda havia sido legítima. Então o que mudou neste momento? Se eles achavam que estavam certos, por que Yossef ter se revelado causou tanta vergonha neles?

Para encontrar a resposta, antes precisamos entender o que significa sentir vergonha. Será que é algo positivo? Ensina o Talmud (Brachót 12b): "Todo aquele que comete uma transgressão e se envergonha dela é perdoado por todos os seus pecados". O Talmud está ressaltando a importância de se envergonhar por um mau ato, e isto é tão valorizado por D'us que Ele perdoa completamente uma pessoa que erra e depois sente vergonha de seu ato. Mas afinal, o que há de tão especial em se envergonhar de um erro? E por que atualmente ninguém mais sente vergonha de nada?

Explica o Rav Yerucham Leibovitz que o que nós chamamos de vergonha não é o mesmo sentimento que Rashi está se referindo quando explica a reação dos irmãos de Yossef. Quando alguém nos flagra fazendo algo errado e nos chama a atenção, nos sentimos desprezados, pois sabemos que a partir daquele momento a outra pessoa não nos olhará mais da mesma maneira como nos olhava antes. Este sentimento não vem de um despertar interno, não é consequência de a pessoa entender seu erro. Está relacionado com a maneira como os outros nos veem e como nos sentimos em relação a isso. Mas não é sobre este sentimento que o Talmud está dizendo que é capaz de fazer com que D'us nos perdoe pelos nossos erros.

O que a Torá chama de vergonha é um despertar interno, é quando a pessoa entende que seus atos não foram de acordo com a vontade de D'us. Vergonha é quando a pessoa percebe, ao enxergar as coisas a partir da ótica correta, que desperdiçou seu potencial por ter tomado decisões erradas na vida. E foi justamente isto o que aconteceu com os irmãos de Yossef. Por 22 anos eles acreditaram que estavam certos, que haviam se comportado de acordo com a vontade de D'us. Mas quando Yossef se revelou, foi um imenso choque. Eles entenderam naquele momento que o sonho de Yossef não era a vontade de roubar a primogenitura, era uma profecia que havia acabado de se concretizar, pois todos os irmãos haviam se curvado diante dele, exatamente como ele tinha sonhado. Além disso, se D'us havia dado tanta grandeza para Yossef e o mérito de salvar e sustentar toda sua família, certamente é porque não era o rebelde que eles haviam pensado. Por isso os irmãos chegaram à terrível conclusão de que haviam cometido um enorme erro e, por causa disso, nos últimos 22 anos não tinham se comportado da maneira que D'us gostaria. Neste momento um enorme sentimento de vergonha caiu sobre eles, a ponto de não conseguirem dizer nada para Yossef.

Com este conceito conseguimos entender porque hoje em dia tão pouca gente se envergonha. Pois a vergonha vem da reflexão, vem do questionamento, vem da busca sincera de descobrir se nossos atos são corretos ou não. Atualmente procuramos só os erros dos outros, não os nossos próprios erros. A mesma pessoa que aponta o dedo acusador para seu companheiro não percebe que faz atos até piores do que ele. Mas será que não sentir vergonha pelos nossos erros é algo negativo?

Nos ensina o Midrash (Bereshit Rabá 93): "Dizia Aba Cohen Bardla: Pobres de nós no Dia do Julgamento, pobres de nós no dia da bronca". O que significam estas palavras do Midrash? Se quando Yossef, o mais jovem dos irmãos (entre os que haviam transgredido, pois Binyamin não havia participado da venda de seu irmão) deu uma bronca em seus irmãos, eles não puderam suportar a vergonha, muito maior ainda será a nossa vergonha no dia em que D'us, no dia do nosso julgamento, nos der uma bronca. Que bronca será esta? D'us nos permitirá enxergar, como nossos próprios olhos, os erros que cometemos na vida. Neste momento não teremos desculpas, não teremos onde nos esconder, seremos obrigados a encarar a verdade de que perdemos muitas oportunidades com vanidades e escolhas equivocadas. Ele nos mostrará que gastamos muito tempo em valores que não acrescentam nada em nossas vidas, enquanto desprezamos os valores espirituais, que nos acompanharão por toda a eternidade.

Aquele que reflete sobre seus atos aqui neste mundo, antes de chegar o momento do Julgamento de D'us, e se envergonha ao enxergar suas más escolhas, certamente conseguirá consertar seus caminhos. Nossa vida é como um filme, onde tudo fica gravado. Os acertos e os erros ficam registrados e serão mostrados a cada um de nós, sob a ótica da verdade, no momento em que sairmos deste mundo. Imagine a vergonha de, no mundo da verdade, ver todos os erros que cometemos.

Mas este filme pode ser alterado, pois nossos erros podem ser consertados através do nosso arrependimento verdadeiro. Portanto, se conseguirmos ser sinceros, buscando nossos erros e nos envergonhando deles, podemos ter a certeza de que estaremos escrevendo um roteiro completamente diferente para o filme da nossa vida, tanto o que já passou quanto o que ainda está por ser vivido.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ MIKETZ E CHÁNUKA II 5773


BS"D

FAZENDO O IMPOSSÍVEL - PARASHÁ MIKETZ E CHÁNUKA II 5773 (14 de dezembro de 2012)

"Um senhor idoso chamado Yossi, muito devoto e doce, estava no Campo de Concentração de Aushwitz. Yossi estava determinado a não deixar que os nazistas vencessem seu orgulho judaico. Ele insistia em jejuar no dia de Yom Kipur, mesmo que isso significava não comer a pequena porção de comida que os prisioneiros recebiam diariamente. Todos os dias, enquanto caminhava pelo Campo de Concentração executando pesados trabalhos braçais, seus lábios proferiam silenciosamente as palavras do Livro de Tehilim (Salmos). Yossi media seus dias pelo número de vezes que completava o Livro de Tehilim.

Quando chegou Chánuka, Yossi estava determinado a acender um Chanukiá. Mas parecia ser algo impossível. Como conseguir óleo, pavios e fósforos no meio do Campo de Concentração, onde nem mesmo comida eles recebiam? Mas Yossi sabia que não tinha escolha. Ele não deixaria o judaísmo morrer, ele nunca aceitaria a vitória dos nazistas. Com muito esforço ele conseguiu um pouco de óleo vegetal, subornando um dos guardas do Campo de Concentração com suas botas de inverno. Subornou outro guarda para conseguir os fósforos e, com alguns fios da sua roupa, fez um pavio. Na primeira noite de Chánuka, Yossi acendeu sua vela caseira, e seu rosto brilhava refletindo o brilho da vela.

Poucos minutos depois a porta se abriu abruptamente e alguns soldados nazistas entraram no dormitório onde Yossi havia acendido a vela. Eles exigiram saber quem tinha acendido a vela e ameaçaram matar todos os prisioneiros do dormitório se não fosse revelada a identidade do "culpado". Naquele momento, embora curvado pela idade e pela dor do trabalho escravo pesado, Yossi encheu o peito, deu um passo à frente e disse, com orgulho e coragem: "Fui eu que acendi a vela".

As pessoas que testemunharam a cena dizem que jamais viram alguém demonstrar tanta força e coragem quanto Yossi demonstrou naquele momento. Imediatamente os assassinos arrastaram-no para fora e, sem nenhuma misericórdia, o mataram. Mas os nazistas esqueceram de apagar a vela que Yossi havia acendido. E todos os judeus que estavam presentes afirmam que o milagre de Chánuka voltou a se repetir naqueles dias, pois aquela pequena vela, feita de um pouco de óleo vegetal e fios de uma roupa, ardeu durante os oito dias de Chánuka"

Esta não é apenas a história real de um judeu corajoso chamado Yossi. Esta é a história do povo judeu.

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Nesta semana lemos a Parashá Miketz, que continua descrevendo a história de Yossef no Egito. Após ter ficado 12 anos preso, acusado injustamente de ter atacado a esposa de Potifar, um dos ministros egípcios, Yossef foi libertado da prisão para decifrar o enigmático sonho do Faraó. Ele tornou-se vice-rei do Egito ao entender que o sonho do Faraó era uma mensagem profética, sobre os anos de fome que sucederiam os sete anos de abundância. Yossef aconselhou o Faraó a como se preparar para os anos de fome e acabou salvando sua família, pois a terra de Israel também foi castigada pela fome. Como não havia comida, os irmãos de Yossef foram obrigados a ir ao Egito buscar mantimentos. Yossef, que havia sido vendido muito jovem, reconheceu seus irmãos, mas não foi reconhecido por eles. Ele aproveitou a oportunidade para testar se eles estavam arrependidos por sua venda e pressionou seus irmãos, causando uma série de situações desconfortáveis, para ver como eles reagiriam.

O plano final de Yossef foi esconder na sacola de Biniamin, o outro filho favorito de Yaacov, um cálice de prata. Após a partida deles, Yossef os perseguiu e os acusou de roubo, informando que aquele que tivesse roubado o cálice viraria escravo. O cálice foi encontrado na sacola de Biniamin, para o desespero de seus irmãos. Liderados por Yehuda, todos os irmãos se ofereceram para virar escravos, mas Yossef recusou, dizendo que seria uma abominação castigar inocentes. Apenas Biniamin deveria permanecer como escravo.

O desfecho desta história ocorre apenas na Parashá da semana seguinte, Vayigash. Yehuda, que até aquele momento havia falado com Yossef de maneira delicada e através de um tradutor, se dirigiu a ele de maneira mais dura e direta. Yehuda enfrentou Yossef com duras palavras e ameaças, e se dispôs a ficar como escravo no lugar de Biniamin. Então Yossef, não aguentando mais, se revelou para seus irmãos.

Deste episódio ficam duas perguntas interessantes. Yehudá sabia que Biniamin nunca roubaria nada, que aquela era uma falsa acusação, um pretexto para condená-lo injustamente. Então por que ele não se levantou imediatamente contra esta injustiça? Explicam nossos sábios que ele sabia que era impossível lutar, com um exército de 10 pessoas, contra o Egito inteiro, a maior potência militar da época. Por isso, a única solução lógica era se submeter ao Faraó e se tornar seu escravo. Porém, se este era o motivo, por que depois Yehuda enfrentou Yossef, ato que significava enfrentar o Egito inteiro? O que mudou depois da recusa de Yossef? Além disso, por que a Parashá Miketz sempre coincide com a festa de Chánuka?

A resposta é que, após a recusa de Yossef em libertar Biniamin, os irmãos teriam que voltar para casa e contar ao seu pai que seu outro filho querido também estava perdido para sempre. Isto era ainda mais pesado para Yehuda, que havia ficado responsável por Biniamin e havia garantido ao seu velho pai que o traria de volta são e salvo. Yehuda havia visto Yaacov passar 22 anos em luto por Yossef, ele havia escutado de Yaacov que se Biniamin não voltasse ele morreria de desgosto. Portanto, Yehuda não estava pronto para encarar seu pai com aquela terrível notícia sobre a prisão de Biniamin.

Explica o Rav Noach Weinberg zt"l que deste episódio aprendemos algo impressionante para nossas vidas: quando uma pessoa sabe que não tem outra opção, ela encontra forças para fazer o impossível. Lutar contra o Egito era impossível, mas como era a única alternativa, Yehuda juntou as forças para  conseguir. Eram apenas 10 homens contra um exército inteiro, mas como não havia outra possibilidade, Yehuda aceitou o desafio.

É por isso que a Parashá desta semana está sempre conectada com Chánuka. Os gregos, a maior potência militar de sua época, governavam sobre o povo judeu em Israel. Encorajados por judeus que aderiram à cultura helenista, os gregos fizeram vários decretos proibindo a prática do judaísmo. Eles decretaram que os judeus idolatrassem os deuses gregos e ameaçaram de morte aqueles que não obedecessem. Muitos judeus preferiram dar suas vidas a se render aos gregos.

Quando os gregos chegaram a uma cidade chamada Modiim, onde viviam Matitiahu e seus filhos, Cohanim (sacerdotes) da família dos Chashmonaim, as pessoas estavam preparadas para morrer e não fazer idolatria. Mas um judeu, diante de todos, pegou um porco e sacrificou-o diante de um altar de idolatria. Naquele momento, Matitiahu e seus filhos se rebelaram contra os gregos e mataram toda a legião que havia entrado na cidade. Então eles fugiram para as montanhas e, utilizando o sistema de guerrilhas, finalmente conseguiram expulsar os gregos de Israel.

Mas se eles tinham a força para se revoltar contra o exército grego, por que não fizeram isto antes? Por que eles estavam preparados para entregar passivamente suas vidas quando poderiam ter lutado desde o princípio? Pois para um pequeno grupo de camponeses, destreinados e mal equipados, lutar contra um exército bem treinado e armado era impossível. Seria melhor morrer uma morte digna, santificando o nome de D'us, do que lutar contra uma força esmagadora. Então o que mudou? Quando Matitiahu e seus filhos viram um judeu se rendendo diante dos gregos, disposto a fazer idolatria em público, eles perceberam que os gregos poderiam ter êxito em destruir o judaísmo e quebrar o espírito dos judeus. Ver a Torá e os judeus sendo destruídos pelos gregos era algo que Matitiahu e seus filhos não podiam suportar. Diante de uma alternativa inaceitável, eles não tiveram outra opção a não ser fazer o impossível. E, ajudados por D'us, eles conseguiram expulsar os gregos e retomar os serviços do Beit Hamikdash (Templo Sagrado).
A mesma lição precisamos aplicar para os nossos dias. Choramos pelos judeus que morreram no Holocausto, mas esquecemos de chorar pelos judeus que estão sendo destruídos diariamente pela assimilação. Não podemos aceitar que mais de 6 milhões de judeus já se assimilaram e se desconectaram do judaísmo só nos Estados Unidos, desde 1945 até agora. Precisamos encontrar a força para lutar contra o "impossível" e trazer o nosso povo de volta aos caminhos da Torá. Se decidirmos com toda a nossa vontade, certamente D'us nos ajudará, da mesma maneira que ajudou os judeus na época dos Chashmonaim, na época onde o impossível tornou-se possível.
SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
São Paulo: 19h31  Rio de Janeiro: 19h12  Belo Horizonte: 19h12  Jerusalém: 15h57
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(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).


sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - CHÁNUKA 5773


BS"D

ESPIRITUALIDADE NO MUNDO MATERIAL - CHÁNUKA 5773 (07 de dezembro de 2012)

Certa vez um rabino estava ensinando a um de seus alunos que não existe apenas uma realidade material, não estamos limitados somente àquilo que conseguimos ver ou tocar. Tudo que existe no mundo está embasado em uma realidade espiritual, tão palpável quanto o mundo material. É apenas necessário refletir para encontrar a espiritualidade em cada pequeno objeto que existe neste mundo, pois tudo o que existe no mundo reflete, de alguma maneira, a vontade de D'us. O aluno então perguntou:

- Rabino, se é verdade o que você está falando, o que podemos aprender espiritualmente sobre os trens?

- Que em um segundo nós podemos perder tudo – respondeu o rabino.

- E o que podemos aprender do telégrafo, rabino?

- Que cada palavra que falamos é contada, e no final vamos prestar contas sobre cada uma delas – respondeu o rabino.

- E o que o telefone pode nós ensinar? – insistiu ainda o aluno.

- Aprendemos que tudo o que é dito aqui é claramente escutado do outro lado – respondeu o rabino.

O aluno se deu por vencido. Ele entendeu que tudo neste mundo material tem um significado, tudo tem um propósito para existir. Não existe algo material sem conexão com o lado espiritual. Esta é uma das lições mais importantes desta época tão especial para o povo judeu, na qual comemoramos a festa de Chánuka, a Festa das Luzes.

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Neste Motsei Shabat (sábado de noite, 08 de dezembro) começamos a comemorar a festa de Chánuka, um momento extremamente significativo na história do povo judeu. Em Chánuka revivemos dois grandes milagres que mudaram o curso da história do povo judeu. Na época do 2º Beit Hamikdash (Templo Sagrado), os gregos haviam dominado Jerusalém e impurificado o nosso Templo. Um grande milagre aconteceu e, após uma longa batalha, conseguimos valentemente expulsamos os gregos. E ao retomar os serviços do Beit Hamikdash, um novo milagre aconteceu, quando o óleo, suficiente para apenas um dia, durou 8 dias. Mas para comemorar Chánuka com a devida intenção, precisamos entender de uma maneira mais profunda o que a dominação grega significou e o quanto a vitória do povo judeu foi importante.

No calendário judaico, existem duas festas que foram fixadas pelos nossos sábios: Purim e Chánuka. Apesar de elas terem algumas semelhanças, apresentam também muitas diferenças entre si. Por exemplo, Purim é comemorada com "Seudá Umishtê" (Refeição festiva), enquanto Chánuka é comemorada com "Halel e Hodaá" (Louvores e Agradecimentos), sem a necessidade de fazer uma refeição festiva. Por que esta diferença na comemoração das duas festas?

Além disso, há uma Mishná (Midót 2:3) que nos ensina uma ideia interessante sobre a época da dominação grega. Um dos símbolos do abismo espiritual criado pelos gregos, na sua tentativa acabar com o judaísmo e extinguir o cumprimento das Mitzvót, foi que eles criaram 13 aberturas nas muralhas que circundavam o Beit Hamikdash. Mas o Talmud (Sanhedrin 101b) traz uma informação aparentemente contraditória. Na época de Shlomo Hamelech (Rei Salomão) também havia algumas aberturas nas muralhas do Beit-Hamikdash. Shlomo Hamelech, por um motivo equivocado, fechou as aberturas e foi duramente repreendido, pois isto inibiu o acesso do povo judeu durante as peregrinações ao Beit Hamikdash. Se o correto era ter mantido as aberturas, como maneira de facilitar a entrada do povo judeu no Templo, então por que o ato dos gregos de criar aberturas na muralha foi visto de uma maneira tão negativa e representa a decadência espiritual que eles tentaram nos impor?

Há ainda outra pergunta importante a ser respondida. O Rambam (Maimônides), em seu livro de leis chamado "Mishnê Torá", nos ensina qual é a fonte na Torá da obrigação do povo judeu de construir um Beit Hamikdash. Mas ao invés de trazer uma única fonte, o Rambam traz duas fontes, completamente diferentes. Nas leis sobre o Beit Hamikdash, o Rambam fala que a obrigação está no versículo "E Farão para Mim um Santuário, e Eu morarei entre eles" (Shemot 25:8). Porém, nas leis sobre os reis, o Rambam diz que a obrigação está no versículo "Lá vocês devem ir buscar Sua presença" (Devarim 12:5). Como entender esta aparente contradição?

Explica o Rav Yochanan Zweig que todas as perguntas podem ser respondidas com apenas um fundamento. E este fundamento é o entendimento de qual era a função do Beit Hamikdash para o povo judeu. Explicam nossos sábios que o Beit Hamikdash tinha duas funções principais. Em primeiro lugar, era o local onde o povo judeu podia servir a D'us, através de suas rezas e sacrifícios. Mas o Beit Hamikdash também tinha a função de ser um local para reunir o povo judeu, principalmente durante as 3 Festas com peregrinação a Jerusalém (Pessach, Shavuót e Sucót). Durante estas festas o Templo, completamente lotado, expressava a união e a solidariedade do povo judeu. É por isso que o Rambam traz duas fontes na Torá para a obrigação de termos um Beit Hamikdash, pois uma delas é para ensinar a função de local de serviço a D'us ("E Farão para Mim um Santuário"), e a outra é para ensinar a função de local de reunião do povo judeu ("Lá vocês devem ir buscar Sua presença"). Estas duas funções são, na realidade, complementares, pois a única e verdadeira fonte de união de todo o povo judeu é o nosso comprometimento em manter nossa herança espiritual. Justamente pelo fato do Beit Hamikdash ser o local de serviço a D'us é que ele também pode servir como ponto de encontro para todo o povo judeu.

Há uma grande diferença entre o exílio grego e os outros exílios. Em um primeiro momento, os gregos não quiseram destruir o nosso Beit Hamikdash nem matar os judeus. Eles queriam inclusive manter o judaísmo, mas apenas como uma cultura, completamente desprovida de espiritualidade. As aberturas criadas na muralha do Beit Hamikdash eram para aumentar a acessibilidade ao Templo, para que ele servisse como um centro cultural. Segundo as leis espirituais, uma pessoa em estado de impureza, como alguém que entrou em contato com mortos, não podia entrar no Beit Hamikdash até passar por um processo de purificação. Mas os gregos consideravam as leis de pureza e impureza espiritual muito antiquadas e queriam que fossem abolidas. Por isso eles abriram várias aberturas nas muralhas, permitindo que qualquer um entrasse no Beit Hamikdash quando bem entendesse.

Este ensinamento é reforçado pelo Talmud (Shabat 32a), que nos ensina que dois fatores contribuem para a morte de pessoas ignorantes: eles chamam as sinagogas de "Beit Am" (Casa do Povo) e chamam o "Aron Hakodesh" (Arca Sagrada) de "Arná" (armário). O que significa este ensinamento do Talmud? Por que coisas aparentemente tão simples e inofensivas são castigadas de uma maneira tão severa? Pois aquele que chama uma sinagoga de "A casa do povo" comete um grave erro ao não perceber que é o serviço a D'us, através de Suas Mitzvót, que une os judeus, não a nossa cultura. O mesmo ocorre quando o Aron Hakodesh é chamado de "armário", pois isto reflete a visão equivocada de que a Torá é um mero objeto cultural, um livro de histórias. Esta visão equivocada não é a visão judaica, é a visão dos gregos, que queriam acabar com a nossa espiritualidade e transformar o judaísmo em um movimento cultural. Há judeus em todas as partes do mundo, e eles não compartilham da mesma língua nem da mesma cultura. O que há em comum entre um judeu brasileiro, um judeu etíope e um judeu russo? O seu legado espiritual e o comprometimento com a sua espiritualidade. É isto o que une os judeus do mundo inteiro.

Apesar da principal ameaça grega não ter sido a destruição física, as consequências poderiam ter sido até mais devastadoras do que em outras guerras e exílios. Os gregos não queriam nos destruir fisicamente, mas queriam destruir o nosso compromisso com a espiritualidade, pois eles sabiam que sem isto o judaísmo não poderia sobreviver. Em Purim, nossos antepassados foram ameaçados de extermínio físico, quando Haman decretou a "Solução Final" contra o povo judeu, fixando um dia para que todos fossem exterminados. Portanto, a salvação física é comemorada de uma maneira física, com um grande banquete. Já em Chánuka, a ameaça era de extermínio espiritual, pois os gregos tentaram erradicar qualquer vestígio de espiritualidade de nossas vidas. Por isso celebramos de uma maneira espiritual, com louvores e agradecimento a D'us.

Não podemos esquecer que em Chánuka vencemos apenas uma batalha. Na época da vitória sobre os gregos, muitos judeus haviam se rendido à cultura grega, transformando-se em "judeus helenistas". A guerra contra a cultura grega continua, pois infelizmente muitos judeus continuam vivendo um "judaísmo cultural", no qual a Torá é apenas uma "obra de arte" que deve ser exposta em prateleiras de vidro, como uma bela lembrança do passado. A assimilação faz com que pessoas considerem mais importante assistir uma apresentação de dança judaica do que ir à reza de Yom Kipur. Muitos esqueceram que a missão do povo judeu no mundo é justamente ensinar espiritualidade a todos os povos da Terra. Se nós estivermos conectados apenas com um judaísmo superficial, que ensinamento poderemos transmitir ao mundo?

A Torá é a nossa vida, é o nosso "manual" espiritual de como viver da maneira correta. A vitória contra a assimilação foi a verdadeira vitória de Chánuka. Ao acender as velas de Chánuka estamos dando nossa contribuição para que a Torá tenha seu lugar nos centros de estudo, e não nas prateleiras de vidro. Que neste Chánuka possamos participar e ajudar o povo judeu a vencer mais uma batalha, a batalha contra a apatia e a assimilação.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
São Paulo: 19h26  Rio de Janeiro: 19h08  Belo Horizonte: 19h08  Jerusalém: 15h55
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sexta-feira, 30 de novembro de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAISHLACH 5773


BS"D

BONDADE ATÉ NOS PENSAMENTOS - PARASHÁ VAISHLACH 5773 (30 de novembro de 2012)

Daniel era um homem de negócios muito rico e bem sucedido. Certa vez ele estava atrasado para uma importante reunião do outro lado da cidade e percebeu que, com o terrível trânsito de Nova York no fim da tarde, não chegaria a tempo se fosse de carro. Daniel decidiu então ir de trem e correu para a estação central. Logo na entrada da estação um rapaz parou para conversar com ele. Como o rapaz não estava bem vestido, Daniel pensou que se tratava de um mendigo pedindo esmola. Apressadamente tirou do bolso algumas moedas e estendeu ao rapaz, mas ele não aceitou e explicou:

- Senhor, eu não estou pedindo esmola. Eu vendo lapiseiras aqui na estação de trem. O senhor não quer comprar uma?

Daniel estava com muita pressa, mas sentiu vergonha por ter achado que o rapaz era um mendigo. Perguntou o preço, tirou o dinheiro da carteira e deu ao rapaz, que imediatamente entregou-lhe uma lapiseira. Daniel guardou a lapiseira no bolso e, antes de correr para pegar o trem que se aproximava, disse ao rapaz:

- Obrigado. Sabe, eu tenho um bom olho clínico. Você parece ser um excelente homem de negócios.

Alguns anos mais tarde, Daniel passou novamente pela estação central e viu uma enorme loja que vendia produtos de papelaria. Atrás do balcão estava um homem jovem que, ao ver Daniel, correu ao seu encontro. O rapaz perguntou se Daniel lembrava-se dele. Sentindo um pouco de vergonha, Daniel confessou que não. Então o homem se apresentou:

- Senhor, eu sou aquele rapaz que há alguns anos vendeu a você uma lapiseira aqui na estação central. Apesar de ter passado tantos anos e eu ter vendido lapiseiras para muita gente, eu nunca mais vou me esquecer do seu rosto, pois você mudou a minha vida. Naquela época, eu achava que não tinha valor algum. Minha vida era apenas ficar vendendo lapiseiras para as pessoas na estação de trem. A grande maioria me ignorava, as pessoas passavam como se eu não existisse, como se eu fosse invisível. Mas você falou comigo. E mais do que isso, você me chamou de "homem de negócios". Isso me deu autoconfiança, me fez mudar a forma como eu me enxergava. Eu comecei a me esforçar mais, fiz um empréstimo no banco e investi no negócio de venda de lapiseiras. Hoje eu tenho 15 lojas enormes, espalhadas por todas as estações de trem da cidade. Tudo graças ao seu apoio.

Naquele dia Daniel aprendeu uma das lições mais importantes de sua vida: nós não temos a mínima ideia de quanto um ato de bondade pode ajudar a vida de outra pessoa. Mesmo uma pequena atitude ou uma simples palavra de incentivo podem fazer uma grande diferença.
 
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Nesta semana lemos a Parashá Vaishlach, que descreve o reencontro dos irmãos Yaacov e Essav. Mesmo após tantos anos, o sangue de Essav ainda fervia por Yaacov ter "roubado" a sua primogenitura. Mas o encontro, que poderia ter acabado em tragédia, felizmente terminou em paz, com os dois irmãos se abraçando e chorando. Depois disso, cada um seguiu seu caminho.

E assim diz o versículo que descreve o momento em que Yaacov, apreensivo, estava reunindo sua família para o reencontro com Essav: "E ele se levantou naquela noite, pegou suas duas esposas, suas duas escravas e seus onze filhos e atravessou o rio Yabok" (Bereshit 32:23). Porém, onde estava Diná, a filha de Yaacov com Lea? Por que o versículo não diz nada sobre ela?  Explica Rashi, comentarista da Torá, que Yaacov tinha medo que seu irmão Essav, o Rashá (malvado), visse Diná, gostasse dela e quisesse casar-se com ela. Por isso, Yaacov trancou-a em uma caixa para mantê-la longe dos olhos de seu irmão durante o reencontro. Sua ideia funcionou e Essav nem mesmo chegou a conhecer Diná.

A Torá conta que, algum tempo depois, Diná foi sequestrada e desonrada por Shechem, o príncipe dos Hivitas, um dos povos que vivia na terra de Israel. Nossas limitações não nos permitem entender exatamente todos os motivos pelos quais D'us nos manda um sofrimento, mas nossos sábios revelam que um dos motivos desta terrível tragédia ter acontecimento foi para castigar Yaacov por ter escondido sua filha de Essav. Ele foi castigado "Midá Kenegued Midá" (medida por medida), isto é, como Yaacov não quis entregar Diná a um conhecido, seu próprio irmão, ela foi entregue a um completo estranho. Explica Rashi que talvez Diná, uma mulher Tzadiká (Justa), poderia ter ajudado Essav a se arrepender de seus erros e a se tornar uma pessoa boa e honesta. Ao esconder sua filha, ele tirou de Essav esta possibilidade.

Porém, deste comentário do Rashi fica um enorme questionamento. Por que este ato de Yaacov foi considerado um erro? Ele deveria ter casado sua única filha com aquele grande Rashá, que vivia uma vida de crimes e da busca desesperada por mais e mais prazeres? Ele deveria ter arriscado o futuro de sua própria filha apenas para apostar na improvável chance de que Diná ajudaria Essav a se arrepender? Além disso, aquele reencontro com Essav poderia ter se transformado em uma sangrenta batalha, e era obrigação de Yaacov proteger sua filha. Então por que mereceu um castigo tão rigoroso?

Explica o Saba Mi Slobodka que, na maioria dos casos, as pessoas são cobradas apenas pelos erros cometidos na prática, não por seus pensamentos. Mas existem algumas situações em que a pessoa pode ser cobrada por erros cometidos em seu pensamento, mesmo que o ato por si não tenha nada de errado. É o caso de pessoas em elevados níveis espirituais, como os patriarcas. D'us cobra destas pessoas um comportamento exemplar, e mesmo seus erros mais sutis não passavam despercebidos.

Talvez este conceito explique a cobrança tão rigorosa sobre Yaacov e nos ajude a enxergar seu erro. Provavelmente o ato de Yaacov foi acertado, isto é, havia motivos corretos para que Yaacov escondesse sua filha e não quisesse entregá-la para Essav. Porém, ele deveria ter sofrido por não poder fazer um ato de Chessed (bondade) com seu irmão. Yaacov deveria ter sentido uma grande dor por não conseguir ajudar Essav a consertar seu caminho na vida. E mesmo se Yaacov sentiu algum nível de dor e sofrimento, não sentiu o suficiente dentro do que era esperado no seu elevado nível espiritual. Por isso, um ato que seria correto se transformou em um grave erro, que teve consequências trágicas para Yaacov e toda sua família.

Daqui aprendemos uma lição muito importante: o quanto D'us é rigoroso conosco em relação ao Chessed que deixamos de fazer aos outros. Por que? Pois D'us criou o mundo baseado em Chessed. O Chessed é um dos pilares que sustenta o mundo, e deixar de fazer Chessed é considerado, portanto, como se estivéssemos contribuindo para destruir o mundo. A Torá traz inúmeros exemplos da gravidade de não se ocupar em ajudar o próximo com toda a força que podemos. A cidade de Sdom e todos seus habitantes foram destruídos por terem criado leis que proibiam fazer Chessed com os necessitados, o contrário do propósito da criação do mundo. Sdom tentou derrubar um dos pilares do mundo, então D'us, Midá Kenegued Midá, derrubou o pilar de Sdom.

Uma das maiores demonstrações da gravidade de deixar de fazer um único ato de Chessed está no final da nossa Parashá. Quando a Torá descreve os descendentes de Essav, menciona uma mulher chamada Timná, que foi concubina de Elifaz, o filho de Essav. Por que a Torá menciona a concubina de Elifaz se nem as suas esposas foram mencionadas? Explica Rashi que Timná era uma mulher de descendência nobre que, influenciada pelos bons atos de Avraham, desejou se unir ao povo judeu. Ela estava disposta a até mesmo abandonar a nobreza para fazer parte da herança espiritual de Avraham. Porém, ela não foi aceita por Avraham. Por que ele não a aceitou, se nossos sábios descrevem seu imenso e incansável esforço para difundir o monoteísmo e trazer as pessoas ao caminho correto? Respondem nossos sábios que Avraham tinha motivos fortes para isso. Talvez ele tenha visto, com seu nível profético, algo muito ruim na alma de Timná, que a impedia de fazer parte do povo judeu, e por isto não a aceitou.

Mas Avraham tinha feito um erro em suas contas. Na verdade, apesar de Timná não ser apta, ele deveria tê-la aceitado, pois talvez assim ela conseguisse vencer o seu lado ruim. Qual foi a consequência deste erro de Avraham? Desesperada para fazer parte da família dos patriarcas, Timná se sujeitou a até mesmo ser a concubina de Elifaz. E deste relacionamento nasceu Amalek, que deu origem ao povo que, durante toda a história, lutou contra o povo judeu e nos causou muita dor e sofrimento. Amalek é a encarnação do mau, é a sombra que tenta constantemente escurecer a presença de D'us no mundo. E é para Amalek que damos força toda vez que deixamos de fazer Chessed com os outros.

É necessário ressaltar que obviamente estes erros de Avraham e Yaacov foram erros pequenos. Eles eram gigantes espirituais, eram pessoas que dedicaram suas vidas a cumprir a vontade de D'us. Suas falhas foram tão pequenas que não estão nem mesmo mencionadas explicitamente na Torá, somente sabemos delas através de Midrashim (parte da Torá Oral) e da transmissão dos nossos sábios. Para que possamos enxergar os erros deles com os nossos olhos, foi necessário aos nossos sábios colocar uma "lente de aumento", por isso os erros parecem tão grandes. Mas ao mesmo tempo vemos que, apesar de terem sido erros pequenos, as consequências foram desastrosas, para eles e para o povo judeu, nos ensinando o quanto D'us aprecia nossos atos de bondade e quanto a falta deles, mesmo em relação a uma única pessoa, pode trazer consequências terríveis para o mundo todo muitas gerações depois.

Baseado em versículos da Torá, nossos sábios dizem que a característica de bondade de D'us é 500 vezes mais forte do que a Sua justiça estrita. Se deixar de fazer um Chessed apenas em nível de pensamento trouxe consequências tão graves, imagine quanto mérito e quantas consequências boas podemos trazer ao mundo ao nos ocuparmos ativamente em fazer Chessed com as pessoas. Com um simples ato de bondade, como um incentivo ou uma demonstração de apoio, podemos dar vida para uma pessoa. Chessed não se faz apenas com dinheiro, se faz com um sorriso, com um abraço, com um simples telefonema. Chessed pode ser feito com os ricos e com os pobres, com os doentes e com aqueles que estão saudáveis, com todos aqueles que precisam de uma mão estendida ou de uma palavra amiga. Se Chessed é um dos pilares do mundo, ao fazer Chessed estamos nos comportando como D'us e, como sócios da Criação, estamos sustentando o mundo inteiro.

"Pois isto é o ser humano: não para si mesmo foi criado, e sim para ajudar ao próximo, com todas as forças que tiver" (Rav Chaim Vologhin).

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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sexta-feira, 23 de novembro de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAIETSE 5773


BS"D

EU TINHA TUDO E NUNCA TIVE NADA - PARASHÁ VAIETSE 5773 (23 de novembro de 2012)

"Brian Epstein era um jovem inglês de Liverpool que trabalhava em uma loja de discos. Certa vez, após ter escutado sobre um jovem grupo de rapazes que tocava em um pub chamado "Cavern Club", resolveu ir conhecê-los. Eles realmente tocavam muito bem e Brian Epstein ficou impressionado com a música, o ritmo e o sentido de humor deles sobre o palco. Além disso, eles tinham um incrível carisma, perceptível mesmo em um primeiro encontro. No final da noite, Brian Epstein foi procurá-los. Propôs ser o empresário deles e se prontificou a encontrar uma gravadora. Os 4 rapazes concordaram e assinaram um contrato.

Mas o que parecia algo fácil se transformou em um grande desafio. Brian Epstein tentou algumas gravadoras, mas foi recusado em todas. Grandes empresas como a Columbia, Pye, Philips e Oriole nem se interessaram em gravar uma versão de demonstração. A gravadora Decca ainda gravou algo, mas logo dispensou os 4 rapazes. Foi somente na gravadora Parlophone que eles foram aceitos e gravaram seu primeiro disco.
 
Pouco tempo depois, aqueles 4 rapazes de Liverpool eram as pessoas mais famosas do planeta: os Beatles. Brian Epstein, também conhecido como o 5º Beatle, foi o empresário que os lançou para a fama. Ele influenciou fortemente os Beatles na forma de cantar, de se vestir e de se comportar no palco. Ele ficou milionário e seu nome ficou guardado para a história. Sua fortuna era tão grande que, segundo informações da época, ele tinha em sua garagem 7 Rolls-Royce.

Mas aos 32 anos, com uma fortuna estimada em 7 milhões de libras, famoso e considerado o grande xodó da imprensa, Brian Epstein se matou. Alguns dizem que foi com um tiro, outros dizem que foi uma overdose de drogas. Segundo algumas fontes, Brian Epstein deixou um bilhete que dizia: "I had everything, yet I had nothing" (Eu tinha tudo, mas ao mesmo tempo eu não tinha nada)."

E a história se repete. Não são poucos os casos de pessoas bem sucedidas que terminam suas breves vidas de maneira trágica. Jimi Hendrix, Kurt Cobain e Marilyn Monroe, entre outros, são alguns exemplos. O que faltava para eles? O que o dinheiro deles nunca conseguiu comprar?
 
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A Parashá desta semana, Vaietse, nos conta sobre a vida de Yaacov, nosso terceiro patriarca, desde quando ele foi para a casa de seu tio Lavan, fugindo da fúria de seu irmão Essav, que queria matá-lo. Yaacov se casou com suas primas Rachel e Lea, pelas quais teve que trabalhar para Lavan por 14 anos. Além disso, Yaacov trabalhou para Lavan por mais 6 anos para juntar dinheiro para sustentar sua família.

Mesmo com Lavan tentando enganar Yaacov centenas de vezes, D'us protegeu-o e ele enriqueceu muito, despertando a inveja de Lavan e seus filhos. Yaacov começou a perceber que Lavan já não o tratava bem e decidiu que era o momento de voltar para casa. D'us então apareceu para ele e confirmou que realmente era o momento de voltar para Israel. Yaacov foi falar com suas esposas, para convencê-las a abandonar a casa de seu pai e ir para a terra de Israel. Mas a conversa deles, descrita pela Torá, precisa de explicações.

Em primeiro lugar, quando Yaacov falou com suas esposas e apresentou a ideia de voltar para Israel, fez uma enorme introdução, relembrando o quanto Lavan havia tentado enganá-lo durante todos aqueles anos. Ele também ressaltou o fato de que já não era visto com bons olhos por Lavan e seus filhos. Somente depois disso Yaacov mencionou que D'us os havia mandado voltar. Não era suficiente ele ter mencionado desde o princípio que D'us os havia mandado voltar?

E o que necessita ainda mais explicação é a resposta de Rachel e Lea, que disseram: "E responderam Rachel e Lea: Por acaso ainda temos alguma parte e herança na casa de nosso pai?... Então agora, faça tudo o que D'us disse para você" (Bereshit 31:14). O que significam estas palavras? Por que elas não disseram diretamente que estavam dispostas a cumprir a vontade de D'us de forma incondicional? Se estivesse tudo bem, se elas tivessem parte na herança do pai, elas não iriam para Israel? Elas somente concordaram em voltar para Israel, conforme D'us havia comandado a Yaacov, pois sabiam que não tinham nada a perder?

Para encontrar a resposta, antes precisamos desmitificar a forma como enxergamos a religião. Para muitos, o cumprimento das Mitzvót é visto de uma maneira negativa. Por que tantos insistem em continuar afastados dos ensinamentos da Torá? Pois, influenciados por conceitos de outras religiões, acabamos acreditando na ideia equivocada de que viver uma vida espiritual significa abrir mão de todos os prazeres do mundo material e viver imerso em sofrimentos e abstinência. Os religiosos são aqueles coitados que vivem no passado, sem prazeres materiais. Muitos acreditam que, de acordo com a religião, viemos para este mundo apenas para sofrer, e que este sofrimento é a única forma de alcançar nossa porção no Mundo Vindouro. Porém, de acordo com a filosofia judaica, isto é um completo equívoco.

Explica o Rav Eliahu Lopian que não estamos neste mundo para sofrer. Se tivéssemos vindo neste mundo apenas para sofrer, por que D'us teria criado um mundo tão maravilhoso? Por que teria feito tanta abundância de frutas e flores? Por que teria feito com que todos os dias tivessem um nascer e um por do sol espetaculares? D'us nos criou para nos dar prazer, e quando cumprimos a vontade Dele, já começamos a desfrutar deste prazer ainda neste mundo. É uma obrigação de cada ser humano refletir e entender que cumprir a vontade de D'us faz com que recebamos muitas Brachót (bênçãos) e coisas boas aqui, como ensinam nossos sábios: "Os frutos são comidos neste mundo e o fundo fica guardado para o Mundo Vindouro". A principal recompensa das nossas Mitzvót fica guardada para o Mundo Vindouro, mas é possível aproveitar as Brachót já neste mundo.

Por outro lado, também sabemos que não viemos para ficar o tempo inteiro imersos nos prazeres do mundo material. É importante perceber que os prazeres materiais sem nenhuma conexão com o espiritual são completamente vazios e não nos preenchem. É fácil ver isto na prática, através de muitas pessoas que tinham tudo o que o dinheiro podia comprar e, mesmo assim, se mataram ou morreram de overdose de drogas. Mesmo que nem todos chegam a este extremo, a maioria ao menos demonstra, de alguma maneira, que não se  preenchem, apesar de tudo o que têm na vida.

Mick Jagger, vocalista da banda Rolling Stones, é um exemplo de alguém que alcançou o sucesso e é invejado por muitos. Ele é famoso, tem dinheiro, honra, mulheres e prazeres acessíveis apenas para poucos. Mas que tipo de sentimento ele expressa em suas músicas? "I try, and I try, and I try, I can get no satisfaction!" (Eu tento, eu tento, eu tento, mas eu não consigo ter satisfação). O que falta para ele e para tantos outros que, por um lado têm tudo, mas ao mesmo tempo não têm nada? Falta canalizar o material para o lado espiritual, utilizar os prazeres para um propósito maior.

Em Lashon Hakodesh (língua sagrada na qual foi escrita a Torá), a palavra "Osher" significa "riqueza" e também significa "felicidade". Poderíamos pensar que daqui aprendemos que riqueza e felicidade são sinônimos. Mas diferente do que aparenta, ao observar de perto percebemos que as palavras não são escritas da mesma maneira. Felicidade começa com a letra "Alef", enquanto riqueza começa com a letra "Ain". Isto quer dizer que, olhando de fora, a riqueza e a felicidade parecem iguais, mas após investigar um pouco, chegamos à inevitável conclusão de que o dinheiro não necessariamente traz felicidade. Se for bem utilizado, se estiver conectado com a espiritualidade, pode ser uma grande fonte de prazer e Brachá. Mas se estiver sem espiritualidade, a riqueza acaba sendo a ruína da pessoa, como foi para Brian Epstein e muitos outros.

Portanto, para chegar ao nível de sentir prazer com espiritualidade, são necessárias duas importantes reflexões. Em primeiro lugar, precisamos saber que espiritualidade e sofrimento não são sinônimos. É possível, e até mesmo desejável, crescer espiritualmente com os prazeres da vida. Originalmente D'us criou o mundo sem sofrimentos e dificuldades, eles vieram apenas quando nos desviamos do caminho. Se voltarmos ao caminho correto, a tendência é já sentirmos as Brachót aqui neste mundo. Podemos aprender muito com os sofrimentos, mas devemos desejar chegar ao nível no qual D'us não precisará mais mandar sofrimentos ao mundo.

Em segundo lugar, mesmo quando precisamos deixar de "aproveitar" alguns tipos de prazer do mundo para fazer a vontade de D'us, como quando deixamos de comer certos tipos de comida não-Kasher, precisamos internalizar que não estamos perdendo nada, pois o uso dos prazeres do mundo material que estão desconectados de espiritualidade são apenas vanidades, são prazeres vazios que não nos preenchem. Um adúltero pode encontrar prazer momentâneo junto de sua amante, mas ele não se satisfaz. O ladrão pode aproveitar o objeto do seu roubo, mas ele não se sacia. Os jovens saem da balada, depois de uma noite cheia de bebida e prazeres, e afirmam que não se sentem preenchidos. Por que? Pois todos os prazeres voltados apenas ao prazer do corpo nos satisfazem por alguns instantes, mas depois deixam um grande vazio, porque não têm nenhum tipo de espiritualidade. Podem saciar momentaneamente o corpo, mas não saciam a alma.

Foi esta a ideia que tanto Yaacov quanto suas esposas quiseram transmitir para nós. Obviamente seria suficiente para Yaacov mencionar diretamente que D'us havia pedido para eles voltarem a Israel, mas ele queria ressaltar para suas esposas que eles não perderiam nada cumprindo a vontade de D'us, nem mesmo no mundo material. Também não há dúvidas de que Rachel e Lea cumpririam a vontade de D'us mesmo se precisassem abrir mão de sua herança ou passar por algum tipo de sofrimento, mas elas também queriam ressaltar que estava claro que não se perde absolutamente nada quando se cumpre a vontade de D'us, e mesmo o que aparentemente estamos deixando para trás, é apenas vazio e vanidade que não nos preenchem.

Portanto, aqueles que cumprem as Mitzvót estão guardando uma grande recompensa para o Mundo Vindouro, mas já começam a comer seus frutos aqui neste mundo. Pois não há prazer maior do que deitar a cabeça de noite e saber que vivemos nosso dia da maneira correta. Nada preenche mais o ser humano do que viver uma vida honesta. Construir uma família harmoniosa, ser um bom trabalhador e, antes de tudo, um ser humano consciente. Não viemos aqui para sofrer, viemos aqui para aproveitar. Mas para aproveitar de verdade, precisa ser com prazeres que também preenchem nossa alma, não apenas nosso corpo.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Frade (Fanny) bat Chava, Chana bat Rachel, Léa bat Chana; Pessach ben Sima, Eliashiv ben Tzivia; Israel Itzchak ben Sima; Eliahu ben Sara Chava; Avraham David ben Reizel; Yechezkel ben Sarit Sara Chaya; Sara Beila bat Tzvia; Estela bat Arlete; Ester bat Feige; Moshe Yehuda ben Sheva Ruchel; Esther Damaris bat Sara Maria; Yair Chaim ben Chana; Dalia bat Ester; Ghita Leia Bat Miriam; Chaim David ben Messodi; David ben Beila; Avraham ben Linda; Tzvi ben Liba; Chaim Verahamin ben Margarete; Rivka bat Brucha; Sara Adel bat Miriam, Mordechai Ghershon Ben Malia Rachel, Pinchas Ben Chaia, Yitzchak Yoel Hacohen Ben Rivka, Yitzchak Yaacov Ben Chaia Devora, Avraham Ben Dinah, Avraham David Hacohen Ben Rivka, Bracha Chaya Ides Bat Sarah Rivka, Tzipora Bat Shoshana, Levona Bat Yona e Havivah Bat Basia, Daniel Chaim ben Tzofia Bracha, Chana Miriam bat Chana, Yael Melilla bat Ginete, Bela bat Sima; Israel ben Zahava; Nissim ben Elis Shoshana; Avraham ben Margarita; Sharon Bat Chana; Rachel bat Nechama, Yehuda ben Ita, Latife bat Renee, Avraham bem Sime, Clarisse Chaia bat Nasha Blima, Tzvi Mendel ben Ester, Marcos Mordechai Itschak ben Habibe, Yacov Eliezer ben Sara Masha, Yossef Gershon ben Taube, Manha Milma bat Ita Prinzac, Rachel bat Luna, Chaim Shmuel ben Sara, Moshe Avraham Tzvi ben Ahuva, Avraham ben Ahuva, Miriam bat Yehudit, Alexander Baruch ben Guita, Shmuel ben Nechama Diná, Avracham Moshe ben Miriam Tobá, Guershon Arie ben Dvora, Mazal bat Miriam, Yadah ben Zarife, Shmuel Ben Chava, Mordechai ben Malka, Chaim Dov Rafael ben Esther, Menachem ben Feigue, Shmuel ben Liva, Hechiel Hershl ben Esther, Shlomo ben Chana Rivka, Natan ben Sheina Dina, Mordechai Ghershon ben Malia Rochel, Benyomin ben Perl, Ytzchok Yoel haCohen ben Rivka, Sarah Malka ben Rivka, Malka bat Toibe, Chana Miriam bat Sarah, Feigue bat Guitel, Gutel bat Slodk, Esther bat Chaia Sara, Michael ben Tzivia, Ester bat Lhuba, Brane bat Reize, Chaya Rivka Bat Miriam Reizl, Michele Chaia  bat Eny, Avraham ben Chana, Chaia Sluva bat Chaika, Esther bat Arlette, Bentzion ben Chana, Chaia Feigue bat Ides, Rachel bat Adele, Itzhak ben Faride, Pessach ben Chani, Menusha bat Hana, Sarah bat Reizel, Yossef ben Dinah, Bentzion ben Chana, Yossef ben Mazal, Dvora bat Stera, Miriam bat Dvora Simcha, Isaac Ben Chava, Miriam Bat Lea, Yossef ben Simcha, Moshe ben Rachel, Ida bat Mazal Fortunée, Israel Rafael ben Sara Nesha, Amalia Mili bat Luciana, Guitel (Gretta) bat Miriam, Fiszel Czeresnia, Aviva (Jackelin) bat Mirta, Daniel ben Monique, Shimshon ben Nechuma, Mordechai ben Mazal.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) do meu querido e saudoso avô, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L, que lutou toda sua vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possa ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.

Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com

(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).

quinta-feira, 15 de novembro de 2012

SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ TOLDOT 5773


BS"D

MÉRITOS DO PASSADO - PARASHÁ TOLDOT 5773 (16 de novembro de 2012)

"Era véspera de Yom Kipur em Jerusalém. A Mikve estava completamente lotada, pois todos queriam cumprir o costume de imergir na Mikve para se purificar antes do Dia do Julgamento. E entre a multidão havia um jovem que parecia um pouco desconfortável. Era Jamie, um jovem estudante de uma Yeshivá para Baalei Teshuvá (pessoas que vieram de famílias judias não praticantes e se tornaram judeus praticantes).

Quando Jamie tirou a camiseta, rapidamente colocou a mão sobre o braço, escondendo algo. Era uma enorme tatuagem que ele tinha feito em sua juventude. Após fazer Teshuvá ele aprendeu sobre a gravidade de tatuar o corpo, e por isso raramente mostrava para alguém aquela enorme tatuagem, que um dia tinha exibido com orgulho, mas que agora era uma fonte de vergonha. Com a Mikve lotada, parecia que todos olhavam para ele, mas o que fazer? Ele gostaria de mudar o passado, de nunca ter feito aquela tatuagem, mas naquele momento a única saída era cobrir a tatuagem com a mão e torcer para ninguém perceber.

Quando Jamie se aproximava do local de imersão, ainda cobrindo o braço, algo terrível aconteceu: o chão estava molhado e Jamie escorregou. Para não cair, segurou-se fortemente no corrimão. Todos escutaram o barulho, se viraram na direção de Jamie e se depararam com aquela enorme tatuagem. Passaram alguns poucos segundo, mas o silêncio era tão intenso que para Jamie pareceu uma eternidade. Então Jamie sentiu uma mão em seu ombro. Era um velhinho, que estendeu o braço e mostrou alguns números tatuados. Então o velhinho virou-se para ele e disse:

- Veja, meu querido. Como você, eu também tenho uma tatuagem. É para nunca esquecer quem fomos e o longo caminho que tivemos que percorrer para estarmos aqui hoje.

Com um sorriso, o velhinho ajudou Jamie a se levantar. Jamie já não sentia mais vergonha do seu passado. A partir daquele momento, ele passou a sentir um grande orgulho, ao lembrar-se de onde tinha saído e onde tinha conseguido chegar" (História Real).

Devemos nos arrepender dos nossos erros do passado, mas não nos sentir inferiores por causa disso. Cada dia é uma nova possibilidade de consertar nossos erros e recomeçar. Não podemos reescrever o passado, mas podemos começar, a partir de agora, a escrever um novo futuro.
 
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Na Parashá desta semana, Toldot, a Torá descreve um pouco da vida do nosso segundo patriarca, Yitzchak. É interessante perceber que Yitzchak passou por alguns testes na vida muito parecidos com os testes de seu pai, Avraham. Por exemplo, em seus dias também houve uma grande fome na terra de Israel, que o obrigou a sair de sua casa e a buscar um lugar com melhores condições. Em um primeiro momento Yitzchak pensou em ir ao Egito, como havia feito seu pai, mas D'us apareceu para ele e comandou-o a ir para Guerar, a terra onde viviam os Plishtim. D'us também prometeu para Yitzchak que ele teria muitas Brachót (Bênçãos) e que seus descendentes seriam muito numerosos. E no final das promessas, D'us acrescentou algo interessante: "Pois Avraham escutou a Minha voz" (Bereshit 26:5). O que significam estas palavras?

O entendimento mais simples deste versículo é que D'us estava explicando a Yitzchak que o mérito de todas aquelas Brachót era de Avraham, por ele ter servido a D'us de uma forma tão leal e completa, passando com louvor por todos os testes que surgiram durante sua vida.

Mas além desta explicação, há um entendimento mais profundo das palavras deste versículo. Explica o Rav Avraham ben David, o Raavad, que a linguagem utilizada no versículo, "Ekev", que significa "Pois", tem a guemátria (valor numérico das letras) de 172. O que isto nos ensina? Que dos 175 anos da vida de Avraham, 172 deles foram vividos de acordo com a vontade de D'us. Isto significa que desde o dia em que Avraham foi desmamado, aos 3 anos de idade, ele seguiu o caminho de D'us.

Porém, há uma dificuldade nesta explicação do Raavad. Diz o Rambam (Maimônides) que Avraham só chegou à consciência de que existe um único Criador, que controla todas as forças do universo, com a idade de 40 anos. Segundo o Rambam, até esta idade Avraham ainda servia deuses idólatras. Somente depois de 40 anos é que ele começou a pregar ao mundo o monoteísmo, reunindo milhares de seguidores. Portanto, como entendemos a explicação do Rambam, se o valor numérico da palavra "Ekev" aparentemente ensina que Avraham serviu a D'us desde os 3 anos de idade?

Além disso, o Raavad faz outro questionamento interessante. Na época de Avraham, ainda estavam vivos alguns dos descendentes de Noach (Noé), como seu filho Shem e seu tataraneto Ever. Eles eram Tzadikim (Justos), acreditavam em um único Criador e mantinham uma academia de estudos das leis de D'us. Por que em nenhum momento a Torá menciona que Shem e Ever também protestavam contra a idolatria e pregavam o monoteísmo, como fazia Avraham?

Explica o Rav Yohanan Zweig que a resposta começa com uma afirmação muito interessante dos nossos sábios. Ensina o Talmud (Sanhedrin 99a) que um Baal Teshuvá, uma pessoa que se arrependeu de seus erros e passou a viver da maneira como D'us ensinou, tem um nível maior do que alguém que sempre foi Tzadik. Para fazer esta afirmação, o Talmud se baseia no seguinte versículo: "Shalom, Shalom, para o distante e para o próximo" (Yeshaia 57:19). Isto significa que D'us se refere primeiro àqueles que estavam distantes Dele, os Baalei Teshuvá, antes mesmo de se referir àqueles que sempre estiveram próximos Dele, os Tzadikim.

Mas deste ensinamento surge uma grande pergunta: por que a Torá chama um Baal Teshuvá de "distante"? Se o Baal Teshuvá tem um nível maior do que o Tzadik, por que ele é tratado de uma maneira aparentemente depreciativa, sendo recordado na Torá como alguém que foi distante de D'us no passado? Não seria melhor se referir ao Baal Teshuvá como alguém que atualmente está perto de D'us, como o Tzadik?

A resposta é que o Talmud não está depreciando os Baalei Teshuvá, ao contrário, está nos ensinando qual é a fonte da grandeza deles, que os eleva acima dos Tzadikim. O fato de eles terem sido distantes de D'us é justamente o que faz com que eles se aproximem Dele de uma maneira muito mais intensa. Isto se relaciona com um fenômeno interessante, que nos ensina algo profundo na psicologia do ser humano. Quem são os maiores ativistas antitabagismo? Os ex-fumantes. E existem dois principais motivos para isso. Em primeiro lugar, por já terem sido viciados, os ex-fumantes precisam constantemente lutar contra a tentação de voltar ao vício. E o ativismo contra o tabagismo dos outros é um mecanismo natural de proteção, pois pessoas em volta fumando são uma tentação constante. E em segundo lugar, justamente por saberem os malefícios do cigarro e terem sentido na própria pele todos os danos que ele causa, os ex-fumantes aderem a várias campanhas para ajudar outras pessoas a também saírem do vício. E eles têm a grande vantagem de saber o quanto foi difícil abandonar o vício, por isso desenvolvem uma sensibilidade maior de como lidar com o problema e podem ensinar aos outros a fórmula do sucesso.

Isto se aplica também aos Baalei Teshuvá. Por sua vontade de abandonar os caminhos errados, qualquer transgressão se torna uma grande abominação. Eles querem se afastar o máximo possível dos erros do passado, e com isso conseguem se elevar ainda mais do que os Tzadikim. Além disso, pelos Baalei Teshuvá terem passado por toda a dificuldade de mudar seu estilo de vida, eles têm a sensibilidade de entender aqueles que ainda não conhecem o caminho correto, sendo mais fácil ajudá-los a também conseguir mudar.

Com este conceito, podemos entender porque a Torá relata somente o esforço de Avraham para propagar o monoteísmo. Shem e Ever eram Tzadikim desde o nascimento, sempre viveram com a convicção de que existe apenas um único D'us e que as idolatrias eram uma grande tolice. Eles não entendiam o que significava ser um idólatra e não conseguiam entender o coração das pessoas que seguiam as idolatrias, por isso não conseguiam ajudá-las. Já Avraham, que também havia adorado as idolatrias, entendia o coração das pessoas e conseguia convencê-las e ajudá-las a abandonar os caminhos errados. O fato de ter sido distante de D'us foi justamente o que fez Avraham chegar a um nível espiritual tão alto e poder ajudar tantas pessoas.

E como entender a contradição dos ensinamentos do Rambam com a linguagem "Ekev" do versículo? A resposta é que Avraham foi um Baal Teshuvá. Durante muitos anos ele fez idolatria, mas ao descobrir a verdade, ele se afastou com todas as forças do modo de vida equivocado em que esteve imerso por tantos anos. Portanto, a Torá não está dizendo que Avraham serviu a D'us desde os 3 anos de idade, pois ele ainda fazia idolatria até os 40 anos. O que a Torá está nos ensinando é que Avraham serviu a D'us por 172 anos, pois no momento em que ele buscou a verdade e encontrou-a, ele abandonou todas as idolatrias e dedicou sua vida a viver a verdade e a trazer outras pessoas também. Neste momento, todos os seus erros foram transformados em Mitzvót, pois foram utilizados como ferramentas para ter sensibilidade e poder ajudar a aproximar as pessoas de D'us, como ensina o Talmud (Yomá 86a): "Os pecados de rebeldia são transformados em méritos". Com a força da Teshuvá, suas transgressões do passado ajudaram-no a ter força de vontade para crescer e para tocar o coração das pessoas e ajudá-las a entender a verdade.

Isto também se aplica às nossas vidas. Muitas vezes olhamos para trás e nos arrependemos dos erros que fizemos. Muitas vezes sentimos que erramos tanto que não há mais conserto. Mas de Avraham aprendemos até onde chega a bondade de D'us. Não apenas nossos erros podem ser apagados, mas podem ser transformados em Mitzvót. Não apenas podemos nos afastar das transgressões, mas também podemos ajudar outros a se afastarem. Avraham começou com 40 anos. Rabi Akiva, que se tornou um dos maiores sábios da Torá de todos os tempos, também começou seu caminho de Teshuvá aos 40 anos. Nunca é tarde para começar. Podemos utilizar nossos erros e nossas experiências passadas de maneira positiva, ajudando aqueles que estão na mesma situação na qual estávamos. Assim poderemos, como Avraham, transformar nossos erros em mérito e nos tornar uma fonte de Brachá para o mundo inteiro.

SHABAT SHALOM

R' Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:
São Paulo: 19h12  Rio de Janeiro: 18h53  Belo Horizonte: 18h55  Jerusalém: 15h59
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