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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

REFINANDO NOSSOS TRAÇOS DE CARÁTER - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT KI TETSÊ 5786

BS"D
O e-mail desta semana é dedicado à Refua Shleima (pronta recuperação) de 

Eliezer Baruch ben Sheindel

Yehudit bat Chaia Beila

Esther Chava bat Sarah

Avraham Yaacov ben Miriam Chava


Luna Rachel bat Sara

Esther Luna bat Rachel


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O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de:


Sr. Nelson ben Luiza zt"l (Nissim ben Luna) 

Sr. Avraham Favel ben Arieh z"l 

Sra. Rachel bat Luna 


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PARASHAT KI TETSÊ 5786


         São Paulo: 17h32                 Rio de Janeiro: 17h19 

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ASSUNTOS DA PARASHAT KI TETSÊ
  • Mulheres cativas de guerra.
  • A porção do Primogênito.
  • O Filho Rebelde.
  • Enforcamento e enterro do corpo.
  • Devolução de objetos perdidos.
  • O Animal caído.
  • Proibição de homens usarem roupas de mulher e vice versa.
  • Espantando a mãe pássaro.
  • Parapeito.
  • Agricultura Mista e Combinações proibidas.
  • Tsitsit.
  • A mulher casada difamada.
  • Se a acusação é verdadeira e o castigo por adultério.
  • A jovem comprometida.
  • Violação.
  • Casamentos proibidos: A esposa do pai, genitais mutilados, Bastardo, Amonitas e Moabitas, Edomitas e Egípcios.
  • Santidade do acampamento do exército.
  • Abrigando escravos fugitivos.
  • Proibição de prostituição.
  • Cobrança de Juros.
  • Mantendo as promessas.
  • O trabalhador em uma videira e no campo.
  • Divórcio e novo casamento.
  • Isenção da guerra no Shaná Rishoná.
  • Proibição de pegar a pedra do moinho como objeto de garantia.
  • Sequestro.
  • Lembrança do erro de Miriam e a Tzaraat.
  • Garantia para empréstimos e a honra do devedor.
  • Pagamento de salários na data certa.
  • Responsabilidades individuais.
  • Consideração pelas viúvas e órfãos.
  • Presentes da colheita aos pobres (Leket, Shichechá e Peá).
  • Chicotadas.
  • Levirato (Ibum e Halitzá).
  • Pessoa que ataca seu companheiro.
  • Pesos e Medidas corretos.
  • Lembrando Amalek.
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REFINANDO NOSSOS TRAÇOS DE CARÁTER - PARASHAT KI TETSÊ 5786 (21/AGO/26)

“O Rav Simcha Barnett estava visitando a Cidade Velha de Jerusalém em um particularmente bonito Shabat de primavera, junto com um rabino carismático de Manhattan e um grupo de jovens profissionais do West Side que o rabino liderava. Eles pararam em um parquinho entre as ruas de paralelepípedos e vielas sinuosas da Cidade Velha. Um grupo de crianças judias brincava, cumprindo a visão esperançosa do profeta (Zechariá 8:5) de que novamente crianças brincariam nas ruas da Cidade Velha de Jerusalém, um sonho tornado possível apenas recentemente, com o improvável retorno do povo judeu à sua Terra Sagrada.
 
Ainda observando aquela bela cena de crianças brincando alegremente nas ruas, o rabino deu voz aos pensamentos e emoções comuns que todos estávamos sentindo e exclamou:
 
- É isso que torna Israel grandioso!
 
Enquanto concordávamos com suas palavras, comentando como a cena era bonita, ele continuou:
 
- Não estava me referindo às crianças, mas à placa presa nesta árvore. É um bilhete em hebraico, oferecendo uma recompensa de 100 shekels ao dono de um relógio perdido, como incentivo para que ele venha buscá-lo. O judeu que encontrou o relógio quer cumprir a Mitzvá da Torá de devolver um objeto perdido e, em vez de ficar com ele, está disposto a gastar dinheiro para cumprir a Mitsvá. Isso sim é belo.”
 
Quando seguimos a Torá, estamos nos tornando pessoas mais bondosas e refinadas. Em um mundo cada vez mais corrupto e egoísta, a Torá brilha com mais força, como uma vela em um lugar cheio de escuridão.

 

Nesta semana lemos a Parashat Ki Tetsê (literalmente “Quando você sair”), que traz dezenas de Mitzvót, em sua maioria “Bein Adam Lechaveró”, tais como devolver objetos perdidos, pagar os salários dos funcionários na data certa, deixar parte das colheitas aos pobres e sempre utilizar pesos e medidas aferidos.
 
Porém, entre tantas Mitzvót que entendemos sua motivação, há uma que é bastante enigmática: a Mitzvá de “Shiloach HaKen”, de espantar a ave-mãe antes de pegar seus ovinhos ou filhotinhos no ninho, como está escrito: “Você deve espantar a mãe, e os filhotes poderá pegar para você” (Devarim 22:7). Aparentemente, o principal ensinamento desta Mitzvá é que a Torá nos proíbe sermos cruéis com os animais.
 
Há também uma Mishná (Brachót 5:3) relacionada a este assunto, mas que é difícil de ser entendida: “Aquele que diz, a respeito (da Mitzvá) do ninho do pássaro: ‘Sua misericórdia alcança o ninho do pássaro’, deve ser silenciado”. Esta Mishná nos deixa perplexos, pois está nos ensinando que associar esta Mitsvá com a bondade de D’us em relação aos animais é algo tão errado que devemos silenciar quem faz isso.
 
Porém, o que há de errado com essa ideia? Será que podemos enxergar nesta Mitsvá algo diferente da misericórdia de D’us com os animais? Afinal, esta Mitsvá é uma expressão extraordinária de misericórdia, compaixão e consideração pelos sentimentos da ave-mãe. Não existe, nas leis das nações do mundo, algo semelhante em nobreza! Afinal, mesmo as leis de proteção à natureza em geral foram estabelecidas em benefício próprio do ser humano, para garantir que não haverá escassez de recursos naturais. A Torá, porém, exige de nós a proteção da ave-mãe, algo que não está relacionado às necessidades humanas, presentes ou futuras. Por que, então, aquele que diz: “Sua misericórdia alcança o ninho do pássaro” deve ser silenciado?
 
Nossos sábios destacam uma semelhança entre a Mitsvá de “Shiloach HaKen” e a Mitsvá de “Honrar o pai e a mãe”. Sobre honrar o pai e a mãe está escrito: “Para que se prolonguem os seus dias e para que seja bom para você” (Devarim 5:16). Sobre enviar a ave-mãe está escrito: “Para que seja bom para você e prolongue seus dias” (Devarim 22:7). Com a Mitsvá de espantar a ave-mãe aprendemos a honrar o papel da maternidade, pois a Torá falou somente sobre uma ave que está sobre os filhotes ou os ovos e desempenha o papel de mãe.
 
Além disso, chama a atenção perceber que a Torá está prometendo uma recompensa extraordinária, vida longa e boa, para quem cumpre esta Mitzvá. O Midrash se espanta com tamanha recompensa, já que se refere à Mitsvá de Shiluach HaKen como sendo “a mais fácil entre as Mitsvót fáceis”. O Midrash questiona o motivo pelo qual justamente uma Mitsvá tão simples recebe uma recompensa tão grande, semelhante àquela prometida pela Mitsvá de honrar o pai e a mãe, uma Mitsvá tão difícil. O Rabi Elazar então responde que há algo muito mais profundo nessa Mitsvá. Ao mandar a ave-mãe embora, estamos reconhecendo o papel que ela desempenha na continuidade da criação. Afinal, ela se ocupou com “a honra do mundo e seu conserto”, cuidando de sua descendência e contribuindo para a continuidade da vida no mundo. Por isso, D’us determinou que, mesmo sendo apenas uma ave, ela seja poupada. Uma pessoa que tem esta sensibilidade, esta preocupação com a continuidade do mundo, merece uma recompensa extraordinária.
 
Uma ideia mais profunda se revela quando examinamos os detalhes das leis desta Mitsvá. Nossos sábios distinguem entre aves domésticas e aves que vivem livres do domínio humano. Isso é aprendido das palavras “quando acontecer de você encontrar” (Devarim 22:6), excluindo uma ave que já estava à disposição da pessoa dentro de casa. Também aprendemos que a obrigação se limita ao momento em que a mãe está protegendo seus filhotes. Depois que a mãe é afastada, de acordo com a Mitsvá, é permitido capturá-la.
 
O Rambam (Maimônides) ensina, sobre esta Mitzvá, que é proibido utilizar a vantagem de força e domínio que o ser humano possui sobre o animal justamente quando o animal não pode se salvar e fugir, devido ao instinto natural da maternidade, que prende a mãe aos seus filhotes. É permitido ao ser humano capturar os filhotes, pois, por sua natureza, eles já se encontram em uma situação de falta de proteção; mas não a mãe, que, na realidade, poderia salvar a si mesma, mas se coloca em perigo e não foge por causa de seus filhotes. Seria um ato de crueldade, uma falta de sentimentos de bondade e misericórdia, se o homem aproveitasse sua vantagem decorrente da dedicação de uma mãe por seus filhotes.
 
O Rav Chanoch Ehrentreu zt”l conclui que, por meio de Mitsvót como esta, a Torá deseja nos educar e nos orientar. Se em relação a um pássaro, que não possui entendimento e consciência, e faz tudo por instinto, é exigido de nós tamanha consideração, quanto mais em relação às pessoas. A Torá está nos ensinando a não se aproveitar de uma pessoa que se encontra em uma situação de fragilidade, na qual não consegue se defender.
 
Com esse entendimento podemos finalmente compreender as palavras da Mishná. A Torá nos deu esta Mitsvá para nos afastar da crueldade e nos educar para a bondade e a misericórdia, o amor e a delicadeza da alma, pois, como diz o Midrash: “As Mitsvót não foram entregues a não ser para aperfeiçoar as criaturas através delas”. Se é proibido ferir um pássaro que está desempenhando o sagrado papel da maternidade, com muito mais razão devemos honrar e valorizar devidamente nossos pais, que foram criados à imagem de D’us. Nisso, já podemos encontrar uma semelhança entre as duas Mitsvót: o respeito pela maternidade.
 
Não se pode dizer, portanto, que fomos ordenados sobre a Mitsvá de espantar a ave-mãe por misericórdia de D’us pelo pássaro. Isso talvez fosse apropriado para um legislador humano, que deseja proteger os seres vivos. Mas D’us não precisa da ajuda dos seres humanos para proteger Suas criaturas. É por isso que aquele que diz: “Sua misericórdia alcança o ninho do pássaro” deve ser silenciado, pois não é pelo ninho do pássaro que D’us sente misericórdia, mas por nós, os seres humanos. Por isso, Ele nos deu esta Mitsvá, para plantar em nosso coração sentimentos de bondade e boas características, para nos aperfeiçoar.
 
Há dois pontos muito importantes neste ensinamento. Em primeiro lugar, ele esclarece quais devem ser nossas prioridades na vida. A Torá, em diversos lugares, nos ordena a sermos misericordiosos com os animais e até mesmo com as árvores. Mas não devemos usar este sentimento para inverter a ordem de prioridades e colocar as necessidades dos animais e das árvores na frente das necessidades humanas. Muitos sentem dó de cachorros abandonados e se mobilizam para que eles encontrem um lar, mas não tomam nenhuma atitude para ajudar pessoas que dormem na rua. Há também ativistas que lutam pelas causas da natureza, mas apoiam o Hamas e seus atos terroristas. Há algo muito errado em alguém defender a vida dos animais, mas não se importar com vidas humanas inocentes. É uma total falta de clareza sobre o que é o principal e o que é o secundário.
 
Além disso, é incrível perceber o potencial da Torá para nos transformar em pessoas melhores. A Torá não é composta de mandamentos que devemos cumprir sem pensar e refletir. Ao contrário, um dos principais benefícios de cumprirmos as Mitzvót é justamente o quanto elas podem nos moldar e nos purificar. Por exemplo, através de Mitzvót como a Tsedaká, alguém que é mesquinho por natureza aprende a se desapegar de seus bens em prol dos outros. Ser uma boa pessoa não é algo que cai do céu; é necessário esforço e investimento. As Mitzvót são o nosso treinamento diário, para que nossos “músculos espirituais” possam realmente se desenvolver.

SHABAT SHALOM – QUE SEJAMOS INSCRITOS E SELADOS NO LIVRO DA VIDA 

R’ Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
 
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sexta-feira, 5 de junho de 2026

NÃO DISCUTA COM D’US - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT BEHAALOTECHÁ 5786

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NÃO DISCUTA COM D’US - PARASHAT BEHAALOTECHÁ 5786 (05/jun/26)

O Rav Tzvi Hirsch Levin zt”l (Polônia, 1721 - Alemanha, 1800), rabino-chefe de Berlim, foi certa vez questionado por David Friedlander, um dos líderes da Haskalá, o movimento iluminista judaico, a respeito de diversas Mitsvót que, em sua opinião, já haviam se tornado ultrapassadas. Friedlander chegou a defender abertamente sobre a necessidade de “reformas” na religião, afirmando:
 
- Se Moshé Rabeinu estivesse vivo em nossa época, escreveria a Torá de acordo com o espírito do nosso tempo.
 
O rabino respondeu com a seguinte parábola:
 
“Certo comerciante contratou um cocheiro para transportá-lo, juntamente com sua mercadoria, até a feira anual da cidade de Leipzig. Eles fizeram um acordo formal: se o cocheiro não o levasse ao destino dentro do prazo estabelecido, perderia seu pagamento e ainda teria de indenizar o comerciante pelos prejuízos financeiros decorrentes do atraso. Era inverno, mês de Tevet. Mal haviam deixado a cidade quando começou uma chuva torrencial. Poucas horas depois, caiu uma nevasca intensa, que cobriu completamente as estradas. Os sinais do caminho desapareceram e o cocheiro se perdeu. Apenas com um enorme esforço e muita sorte conseguiu finalmente chegar ao destino. Entretanto, chegaram somente após o encerramento da feira, causando ao comerciante grandes prejuízos. O cocheiro então exigiu receber seu pagamento. Porém, o comerciante não apenas se recusou a pagar como também exigiu uma indenização pelos prejuízos causados pelo atraso. Ambos apresentaram suas reivindicações perante o Beit Din. Após ouvir os argumentos e analisar cuidadosamente o caso, o Beit Din decidiu em favor do comerciante e responsabilizou o cocheiro. Indignado, o cocheiro perguntou:
 
- Por que me condenaram? Acaso não se aplica aqui o princípio de que alguém atingido por circunstâncias de força maior está isento de responsabilidade?
 
O rabino-chefe do Beit Din respondeu calmamente:
 
- Tudo o que decidimos está fundamentado na Torá. Por que reclama de nós?
 
O cocheiro pensou por alguns instantes e, então, exclamou de forma bastante exaltada:
 
- Há algo muito errado aqui! Em que época do ano foi dada a Torá? No mês de Sivan! Nessa época as estradas não estão cobertas de neve! Não há tempestades nem nevascas! No verão eu teria viajado em segurança, não teria me perdido e não teria chegado atrasado nem por um minuto! Uma Torá dada no Sinai durante os meses de verão não pode servir para julgar um caso ocorrido no inverno! Estou convencido de que, se Moshé Rabeinu tivesse dado a Torá no inverno, teria escrito a lei de modo a me absolver! Nesse caso o julgamento seria completamente diferente, adequado ao espírito da época, e a decisão seria a meu favor!”
 
Então o rabino concluiu serenamente:
 
- Esse cocheiro parece ser estúpido, não? David, aos meus olhos você se parece exatamente com esse cocheiro...
 
Ao ouvir essas palavras, David Friedlander, profundamente envergonhado e sem argumentos, foi embora.

Nesta semana lemos a Parashat Behaalotechá (literalmente “Quando acender”), que traz vários grandes tropeços do povo judeu durante as viagens no deserto, com constantes reclamações desnecessárias e consequentes punições duras de D’us, como a reclamação por causa dos esforços na viagem, quando na verdade se tratava de uma bondade de D’us para que o povo judeu pudesse entrar mais rapidamente na Terra de Israel, ou a reclamação por carne, embora eles recebessem diariamente o milagroso Man, que poderia ter o gosto do que quisessem.
 
A Parashá começa nos ensinando sobre a Mitzvá do acendimento diário da Menorá, que era cumprida pelos Cohanim. Após as instruções, a Torá conclui com as seguintes palavras: “E assim fez Aharon” (Bamidbar 8:3). Rashi questiona a necessidade desta conclusão e explica que, na realidade, a Torá está dando um louvor a Aharon, declarando que ele não alterou absolutamente nada no comando que recebeu.
 
Porém, este louvor da Torá é difícil de ser entendido. Estamos falando de Aharon HaCohen, o primeiro Cohen Gadol do povo judeu, alguém cuja grandeza espiritual era extraordinária, que cumpria com alegria todos os detalhes da Torá. Se até uma pessoa simples sabe que não se deve alterar um comando de D’us, então por que isso seria um louvor para Aharon?
 
Explica o Rav Yaacov Kranz zt”l (Lituânia, 1740 - Polônia, 1804), mais conhecido como Maguid MiDuvno, que isso pode ser respondido através de uma parábola. Três pessoas adoeceram gravemente. Os três foram a um médico especialista e receberam dele remédios e instruções sobre como proceder para alcançar a cura. O primeiro homem, um completo ignorante em relação aos conceitos da medicina, fez exatamente tudo o que o médico lhe ordenou e se curou. O segundo homem, que possuía algum conhecimento de medicina, começou a analisar os medicamentos que havia recebido. Os remédios cuja utilidade compreendia, ele tomou; porém, aqueles cuja finalidade ele não entendia, rejeitou e recusou-se a tomar. Pouco tempo depois, morreu de sua doença. O terceiro homem também entendia de medicina e, assim como o segundo, interessou-se em compreender a natureza dos remédios. Contudo, diferentemente do amigo, ele não deixou de obedecer às instruções do médico, mesmo quando não conseguia compreender plenamente sua lógica. Esse paciente foi curado, porque teve a sabedoria e a humildade de submeter sua própria opinião à do médico, que era muito mais conhecedor do que ele.
 
Quem tem mais méritos, o primeiro ou o terceiro paciente? O primeiro paciente seguiu as instruções médicas por não ter nenhum conhecimento para questionar. Porém, o terceiro paciente tinha conhecimentos e poderia, como o segundo paciente, questionar e se recusar a fazer o que não entendia. Porém, ele demonstrou sabedoria e humildade ao aceitar as orientações do médico até mesmo nas coisas que não compreendia. Ele tem mais méritos.
 
Da mesma forma, no que diz respeito à relação das pessoas com a Torá e as Mitsvót, podem-se distinguir três grupos. Há pessoas com poucos conhecimentos, mas que cumprem as Mitsvót sem investigar seus motivos. Outros têm algum conhecimento e procuram compreender as razões por trás das Mitsvót. Este segundo grupo encontra-se em grande perigo, pois, ao se se depararem com uma Mitsvá cujo motivo não compreendam, podem acabar deixando de cumpri-la. E, de fato, muitos “grandes conhecedores” tropeçam nisso. O terceiro grupo é composto por aqueles que, apesar de também terem conhecimentos, cumprem as palavras dos nossos sábios na Mishná: “Todo aquele cujo temor a D’us precede sua sabedoria, sua sabedoria se mantém” (Pirkei Avót 3:9). Eles confiam na infinita sabedoria do Criador e cumprem todas as Mitsvót sem questionamentos. Eles procuram compreender os motivos das Mitsvót, mas não condicionam a observância à compreensão.
 
A isso se referia David Hamelech quando disse: “Escolhi o caminho da Emuná; coloquei diante de mim os Seus juízos” (Tehilim 119:30). Em outras palavras, David Hamelech estava dizendo que “mesmo em relação às Mitsvót cujos motivos sou capaz de investigar, estabeleço para mim o mesmo caminho que adoto em todas as Mitsvót: o caminho da Emuná, de confiar na sabedoria infinita do Criador do mundo”.
 
Com este entendimento, podemos agora compreender a grandeza de Aharon e o motivo pelo qual a Torá quis elogiá-lo. O fato de ele ser um gigante espiritual, que conhecia com profundidade toda a Torá, poderia levá-lo a confiar excessivamente em seu próprio entendimento e a questionar Mitsvót que não compreendesse plenamente ou sugerir adaptações ou ajustes para as Mitsvót. Mas, como o terceiro paciente, que, apesar de seus conhecimentos, aceitou humildemente as orientações do médico, Aharon também aceitou com humildade todas as instruções de D’us, sem questionamentos ou “sugestões de melhoria”.
 
Assim como isso constitui um elogio a Aharon, deve servir também como advertência para nós. Muitos tropeçam ao querer se aprofundar nos motivos das Mitsvót e, em consequência, chegam a teorias estranhas segundo as quais seria necessário modificar ou adaptar as Mitsvót conforme o espírito da época. Este foi o ponto inicial de movimentos como o Reformismo, que, infelizmente, afastam cada vez mais os judeus da Torá e de D’us. Esses “conhecedores” perguntam admirados: “como é possível que uma Torá dada há mais de três mil anos continue a nos orientar sem qualquer mudança também em nossos dias? Afinal, entre todas as nações, as leis mudam de uma geração para outra!”.
 
A diferença é que nossas leis não são falhas como as leis humanas, que a todo momento precisam de adaptações. Nossas leis são Divinas, e quando D’us as entregou, já conhecia o futuro, já sabia das mudanças que ocorreriam. Nossas Mitzvót são atemporais, pois seus efeitos são principalmente em relação à nossa alma, não ao nosso corpo. O reformismo, em sua soberba, tenta ensinar que nossa lógica está à altura da sabedoria Divina. A verdadeira grandeza está em nossa humildade, em entender nossas limitações e confiar em D’us mesmo naquilo que não compreendemos. Que desta forma possamos, como Aharon, receber o enorme elogio de “E assim fez”.

SHABAT SHALOM 

R’ Efraim Birbojm

 

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