quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

INTEIRO, E NÃO PELA METADE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAIECHI 5776

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INTEIRO, E NÃO PELA METADE - PARASHAT VAIECHI 5776 (25 de dezembro de 2015) 

O Rav Israel Salanter zt"l (Lituânia, 1810 - Prússia, 1883) foi um dos maiores rabinos de sua geração. Ele se destacou não apenas na grandeza de seu conhecimento de Torá, mas principalmente no trabalho que ele fazia, consigo mesmo e com seus alunos, para atingir a excelência nos traços de caráter. Ele instituiu em sua Yeshivá (centro de estudo de Torá) que, além do estudo do Talmud, os alunos também deveriam dedicar parte do dia ao estudo de Mussar (estudo que ajuda a pessoa a se tornar um ser humano melhor). Ele incentivava mesmo seus melhores alunos, aqueles que mais se destacavam no estudo do Talmud, a também estudarem Mussar.
 
Certa vez, alguém que não concordava com os métodos de ensino do Rav Salanter questionou a permissão de interromper o estudo de Talmud para estudar Mussar, alegando que isso provavelmente comprometeria a grandeza no estudo de Torá dos alunos dele. O Rav Salanter respondeu que havia aprendido isto de uma Halachá (Lei Judaica) em relação às Brachót que fazemos antes de comer algo. Ao ver a expressão de dúvida no rosto da pessoa que havia questionado, o Rav Salanter explicou:
 
- Existe uma série de prioridades para fazermos Brachót nos alimentos. Por exemplo, quando temos uma fruta completa e outra apenas pela metade, o correto é fazer a Brachá na fruta inteira. Já quando temos uma fruta pequena e outra grande, a prioridade é fazer a Brachá na fruta grande. Porém, o que fazemos quando temos uma fruta inteira e pequena, e outra que é grande mas não está inteira? Para qual das duas damos a preferência da Brachá?
 
- A Halachá ensina que a preferência é dada para a fruta inteira, mesmo que seja menor - respondeu o Rav Salanter - Isto significa que é mais importante a pessoa ser menor em Torá e completa do que grande em Torá e incompleta. Por isso, aquele que estuda Torá e também trabalha em seus traços de caráter, tornando-se alguém completo, está em um nível maior do que aquele que tem mais estudo de Torá e é menos refinado em seus traços de caráter. 

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Nesta semana lemos a Parashat Vaiechi, a última Parashat do livro de Bereshit, que descreve as Brachót eternas que Yaacov deu aos seus filhos antes de sua morte. Cada um dos filhos de Yaacov recebeu uma Brachá única e especial, sob medida para seus talentos e necessidades específicas. Depois desta Brachá individual, Yaacov deu a todos uma Brachá coletiva, como está escrito: "E isto é o que falou para eles seu pai, e os abençoou. Cada um de acordo com sua Brachá ele (Yaacov) os abençoou" (Bereshit 49:28).
 
Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, nos chama a atenção para dois pontos interessantes neste versículo. Em primeiro lugar, se Yaacov já havia abençoado cada um dos seus filhos individualmente, por que precisou dar uma nova Brachá? Além disso, há um aparente erro de concordância neste versículo, pois deveria estar escrito "cada um de acordo com sua Brachá ele o abençoou". Mas por algum motivo o versículo termina no plural, "os abençoou". O que a Torá está nos ensinando ao mudar a concordância do versículo?
 
Explica Rashi que a Brachá individual que Yaacov deu para cada um de seus filhos não se aplicava aos outros. Por exemplo, Yehudá foi abençoado com a força de um leão, enquanto Biniamin foi abençoado com a capacidade de pilhagem do lobo. Portanto, Biniamin não teria a força do leão nem Yehudá teria a capacidade de pilhagem do lobo. O versículo diz que Yaacov deu uma nova Brachá aos seus filhos, e termina com o plural "os abençoou", para nos ensinar que, além da Brachá específica para cada um de seus filhos, Yaacov deu uma Brachá coletiva que incluía cada filhos nas Brachót dos outros filhos. Isto quer dizer que, com a Brachá coletiva de Yaacov, Biniamin também recebeu a força do leão e Yehudá também recebeu a capacidade de pilhagem do lobo. Porém, esta explicação de Rashi desperta outro questionamento. Se nesta Brachá coletiva Yaacov abençoou todos os filhos com todas as Brachót, então por que ele deu Brachót individuais? Não seria suficiente dar apenas as Brachót de forma coletiva, já incluindo todos os filhos em todas as Brachót?
 
Responde o Rav Yehuda Loew zt"l (Polônia, 1525 - República Checa, 1609), mais conhecido como Maharal de Praga, que apesar de cada filho também ter recebido as Brachót dos outros irmãos, isto não os igualou completamente, pois aquele que recebia a Brachá individualmente a recebia de maneira mais forte, enquanto os outros irmãos recebiam apenas parte daquela Brachá. Isto quer dizer que cada um dos irmãos recebeu apenas um aspecto da Brachá dada de forma específica aos outros irmãos. Por exemplo, Yehudá recebeu o maior nível de bravura e coragem, representado pela força do leão, enquanto seus irmãos receberam apenas certos elementos do traço de caráter da bravura, mas não a força completa. E assim foi com cada uma das Brachót.
Porém, ainda não fica claro qual foi o motivo de Yaacov ter dado para cada filho, além da Brachá específica, também alguns elementos da Brachá dada especificamente aos outros irmãos. Cada um não deveria ter ficado apenas com a sua Brachá específica, que ia de acordo com seus talentos e necessidades pessoais?
 
Explica o Rav Yehonasan Gefen que todos têm áreas na vida na qual se destacam. Porém, o ideal é a pessoa se esforçar para ser "completa", isto é, ela pode até mesmo se especializar em certa área, mas isto não a isenta de também buscar o aperfeiçoamento em outras áreas, mesmo naquelas que não são tão naturais para ela. Isto se aplica para várias áreas, tanto para o objetivo de vida da pessoa quanto para seus traços de caráter e seu estudo de Torá.
 
Em relação ao objetivo de vida, há muitas funções que devemos desempenhar. Por exemplo, devemos ser pais, cônjuges, amigos, professores, filhos, etc. Ao querer dar uma atenção especial a certa área, como a educação dos filhos, a pessoa pode acabar se desequilibrando. A educação dos filhos é realmente algo muito importante, fundamental para criarmos uma sociedade saudável, mas a pessoa não pode focar demasiadamente nesta área, pois isto ocorrerá à custa de outras áreas importantes da vida. É de vital importância que a pessoa se dedique para ser um bom pai, mas se é apenas isto que ela faz o tempo inteiro, outras funções na sua vida serão prejudicadas. O segredo do sucesso é o equilíbrio entre o trabalho, o tempo com a família, o estudo de Torá, os atos de Chessed (bondade) e as outras funções que um judeu deve cumprir. Um bom indicador de que uma área está superdimensionada é quando as outras áreas começam a demonstrar sinais de carência. Se a pessoa passa demasiadamente tempo com a família e por isso não consegue estabelecer tempos fixos de estudo de Torá, ou se passa tempo demais no trabalho e por isso não consegue dar atenção para a esposa e os filhos, então é sinal de que há algo errado.
 
Esta necessidade de sermos "completos" também se aplica na área dos nossos traços de caráter. As pessoas normalmente apresentam certas tendências naturais, como aquelas com mais propensão a fazer bondades e aquelas com mais propensão a buscar justiça. A tendência natural é focarmos nosso tempo e nossa energia nestes traços de caráter, em detrimentos de outras características. Por exemplo, uma pessoa que naturalmente faz Chessed pode passar horas ajudando outras pessoas, mas não dedica nem mesmo um minuto para melhorar sua autodisciplina. É natural e correto uma pessoa focar suas forças no que ela já tem um gosto ou uma facilidade natural, pois é certamente uma área onde ela terá mais chances de ter sucesso. Porém, grande parte da recompensa pelo crescimento de uma pessoa vem das conquistas em áreas que não são naturalmente fáceis para ela.
 
Uma demonstração do quanto isto é importante é observado em relação aos nossos patriarcas. Eles enfrentaram seus maiores testes na vida justamente nas áreas que eram opostas aos seus traços de caráter naturais. Por exemplo, Avraham chegou à excelência no traço de caráter de bondade e misericórdia, e enfrentou o incrível teste da "Akeidat Ytzchak", tendo que vencer sua característica de misericórdia e estar disposto a sacrificar seu próprio filho para cumprir a vontade de D'us. Já o maior desafio de Yaacov, que representa a característica da verdade, foi ter que enganar Reshaim (más pessoas) utilizando a característica da mentira, o oposto do traço de caráter da verdade.
 
O equilíbrio também é necessário na área do estudo da Torá, como ensinam nossos sábios: "Se não tem Torá, não tem "Derech Eretz" (bons modos). E se não tem Derech Eretz, não tem Torá" (Pirkei Avót 3:17). O Ramban zt"l (Nachmânides) (Espanha, 1194 - Israel, 1270) explica que estes dois aspectos, o estudo da Torá e o Derech Eretz, se complementam. Isto quer dizer que a pessoa não pode focar em demasia no seu estudo de Torá sem dar nenhuma ênfase ao conserto dos seus traços de caráter. E, da mesma maneira, não é possível que a pessoa conserte com sucesso seus traços de caráter sem estudar Torá, pois a Torá é o "Manual de Instruções" de como nos comportarmos em todas as áreas da vida.
 
É possível aprender muitas lições com as Brachót que Yaacov deu para cada um dos seus filhos. Mas uma das lições mais importantes é que, apesar de ser algo positivo a pessoa se especializar no que ela gosta e tem habilidades naturais, também temos a obrigação de sermos "completos", e isto inclui o esforço para conquistar as áreas que não sentimos uma facilidade ou um gosto natural por elas. Isto se assemelha a uma academia de ginástica, pois normalmente gostamos de fazer apenas os exercícios que são mais fáceis ou mais prazerosos. Porém, o correto é trabalhar todos os músculos, pois o corpo só funciona de maneira perfeita quando todas as suas partes foram devidamente trabalhadas. Assim também ocorre espiritualmente, o ideal é trabalharmos em todas as áreas, não apenas nas que são mais fáceis ou gostosas, mas também naquelas que são mais difíceis ou não nos agradam tanto.

Certamente trabalhar em áreas que não gostamos é uma tarefa difícil. Muitas vezes D'us nos manda testes para que possamos desenvolver estas áreas, como aconteceu com os patriarcas. Mas não precisamos esperar os testes, pois Yaacov abençoou seus filhos e seus descendentes justamente com a força necessária para que, com o devido esforço, consigamos atingir o objetivo de nos tornarmos seres humanos completos.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

GOTAS DE ÓLEO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT VAIGASH 5776

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GOTAS DE ÓLEO - PARASHAT VAIGASH 5776 (18 de dezembro de 2015) 

Num quarto de hospital, o doente precisava de silêncio e descanso. Mas as dobradiças da porta rangiam cada vez que alguém abria e fechava a porta. O barulho incomodava o doente, e até os familiares que estavam no quarto começaram a se irritar. Cada vez que entrava ou saia um médico, um enfermeiro ou uma visita, a porta fazia um irritante barulho.
 
As reações foram as mais diversas. Um quis dar explicações técnicas do porquê a porta rangia. Outro preferiu explicar os motivos pelos quais ele achava que a culpa do barulho era do hospital. O terceiro achou que não tinha nada a ver com o problema. Depois de várias horas de incômodo, chegou alguém para visitar o doente. Ao escutar o rangido, ele colocou algumas gotas de óleo na dobradiça e a porta silenciou, tranquila e obediente.
 
A lição é simples, mas importante. Em muitas ocasiões há discussões dentro dos nossos lares, no ambiente de trabalho ou em qualquer outro ambiente social. São as dobradiças dos relacionamentos fazendo um barulho inconveniente. São problemas, conflitos e mágoas que ficaram. Na maioria dos casos nós podemos fazer a nossa parte para acabar com as discórdias, basta nos lembrar do recurso infalível de algumas gotas de compreensão, e toda a situação muda. Algumas gotas de perdão acabam de imediato com o chiado das discussões mais acaloradas. Gotas de paciência no momento oportuno podem evitar grandes dissabores. Poucas gotas de carinho penetram até nas barreiras mais sólidas e produzem efeitos duradouros. Nas relações interpessoais, algumas gotas de afeição são suficientes para lubrificar as engrenagens e evitar os ruídos da discórdia e da intolerância.
 
Dessa forma, sempre que você perceber que as dobradiças dos relacionamentos estão fazendo um barulho inconveniente, não espere que os outros venham solucionar o problema. Lembre-se que você poderá silenciar qualquer discórdia utilizando um pouco do óleo do entendimento. Não é necessário ter grandes virtudes para alcançar o sucesso nessa empreitada, basta agir com sabedoria e bom senso. Às vezes são necessárias apenas algumas gotas de silêncio para conter o ruído desagradável de uma discussão infeliz. E se você é daqueles que pensa que os pequenos gestos nada significam, lembre-se de que as grandes montanhas são constituídas de pequenos grãos de areia. 

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Nesta semana lemos a Parashat Vaigash, que descreve o momento em que Yossef não aguentou mais esconder sua identidade e se revelou aos seus irmãos. Yossef instruiu seus irmãos a voltarem para Eretz Israel para buscarem suas famílias e seu pai, Yaacov, para que todos viessem morar no Egito e sobrevivessem à terrível fome que assolava o mundo. A Parashat ainda descreve o emocionante momento do reencontro entre Yossef e seu pai, depois de terem permanecido 22 anos afastados.
 
Quando os irmãos estavam se preparando para voltar e buscar suas famílias, Yossef deu um estranho conselho para eles: "E ele (Yossef) disse para eles: "Não se agitem no caminho" (Bereshit 45:24). O que Yossef quis dizer com estas palavras? Que tipo de conselho ele estava dando aos irmãos?
 
Rashi (França, 1040 - 1105), comentarista da Torá, traz três opiniões para explicar qual foi o conselho de Yossef. Citando o Talmud (Taanit 10b), ele ensina que percursos muito longos podem se tornar perigosos caso a pessoa não seja paciente e não tome os devidos cuidados. Por exemplo, a pessoa ansiosa pode querer viajar rápido demais ou continuar a viagem mesmo durante a noite. Yossef estava prevenindo seus irmãos que, em sua pressa de voltar para casa, eles precisavam tomar cuidado para não viajar de uma maneira que os colocasse em risco. De acordo com outra opinião, também baseada no Talmud (Taanit 10b), Yossef estava ensinando aos irmãos a não se envolverem em discussões de Halachá (Lei Judaica), para que o assunto não se tornasse tão envolvente a ponto deles errarem o caminho. E uma terceira opinião de Rashi vai de acordo com o entendimento mais simples do versículo, de que Yossef estava tentando evitar que seus irmãos entrassem em uma discussão acalorada, jogando uns nos outros a responsabilidade por sua venda, e por isso os advertiu para que não entrassem em nenhum tipo de discussão.
 
Ao refletir sobre estas três opiniões trazidas por Rashi, surge um questionamento. É entendível que depois da revelação de Yossef era importante advertir os irmãos a viajarem de uma maneira mais segura, pois a empolgação de voltar para casa com as novidades poderia fazer com que eles se comportassem de maneira descuidada. Também é compreensível que Yossef estivesse preocupado com o surgimento de uma briga entre os irmãos, pois depois de se reencontrarem com Yossef, seria natural um querer jogar a culpa no outro. Porém, o terceiro motivo, de que Yossef estava preocupado que seus irmãos poderiam se envolver em discussões de Halachá a ponto de errarem o caminho, não é facilmente entendido. Na Torá não há nenhuma proibição de se envolver com o estudo da Torá durante uma viagem. Ao contrário, a Torá nos comanda a estudarmos mesmo quando estamos viajando, como está escrito: "E falará delas quando se sentar na sua casa e quando estiver andando no caminho" (Devarim 6:7). Além disso, há um Midrash (parte da Torá Oral) que afirma que Yossef insistiu aos irmãos para que eles não deixassem de estudar Torá durante o caminho, algo que aparentemente é muito contraditório com a explicação dada pelo Talmud. Como entender esta contradição?
 
Explica o Rav Yohanan Zweig que é muito comum, por algum desentendimento, que uma pessoa acabe guardando profundo rancor em relação à outra pessoa, mas que consiga socialmente se comportar de maneira civilizada. Porém, se surgir entre elas uma nova disputa, mesmo que não tenha absolutamente nenhuma conexão com o desentendimento anterior, ela será utilizada como veículo para descarregar a raiva que estava contida. Isto pode acontecer inclusive quando a questão utilizada como veículo para descarregar a raiva for algo de natureza espiritual. Por exemplo, uma discussão acalorada entre duas pessoas em relação à Halachá (Lei Judaica) pode esconder uma disputa anterior, alguma mágoa pendente. E por se tratar de algo espiritual, a pessoa se sente à vontade de entrar em uma discussão muito mais acalorada, pois como sente que está brigando "em nome da verdade", acredita que não tem limites.
 
Parece exagero, mais foi exatamente o que aconteceu com Cain e Hevel (Abel). O versículo que descreve o assassinato de Hevel é um pouco enigmático: "E Cain falou com o seu irmão Hevel, e enquanto eles estavam no campo, Cain se levantou contra o seu irmão Hevel e o matou" (
Bereshit 4:8). Mas afinal, o que eles conversaram? E qual a relação entre esta conversa e o posterior assassinato?
 
Explicam os nossos sábios que Cain e Hevel entraram em uma profunda discussão filosófica: será que D'us tem controle sobre tudo o que ocorre no mundo ou Ele tem apenas um controle limitado? Hevel defendia a visão óbvia de que D'us controla tudo com Supervisão Particular, enquanto Cain defendia a visão equivocada de que D'us tem apenas um controle limitado. A discussão filosófica foi ficando cada vez mais acalorada até que Cain, no auge da discussão, se levantou e matou seu irmão.
 
Porém, se a conversa entre eles foi algo tão importante, uma discussão filosófica tão fundamental, por que a Torá não escreveu explicitamente o teor da conversa? Explicam os nossos sábios que Cain foi o primeiro a ter a ideia de fazer oferendas para D'us. Mas Cain não se esforçou em oferecer do melhor que tinha, e por isso sua oferenda não foi aceita por D'us. Hevel gostou da ideia de seu irmão e também fez uma oferenda para D'us, mas com o melhor do que tinha, e por isso sua oferenda foi aceita. Cain ficou profundamente decepcionado com o fato da oferenda de seu irmão ter sido aceita enquanto a sua ter sido recusada. Este rancor ficou em seu coração, e ele procurou apenas uma desculpa para poder se levantar contra seu irmão. Por isso a Torá nem mesmo registrou qual foi o assunto da discussão, pois na realidade o assunto era irrelevante, era apenas uma desculpa para Cain descarregar a sua raiva.
 
Com este conceito conseguimos entender as palavras de Yossef para os seus irmãos. Ele estava ciente de que seus irmãos haviam guardado rancor uns dos outros por causa da sua venda, mas mesmo assim eles conseguiam se comportar com respeito entre eles. Porém, Yossef teve medo que se eles entrassem em algum outro tipo de discussão, mesmo que fosse sobre algo espiritual, isto seria apenas um veículo para descarregar os rancores antigos e uma desculpa para jogar a culpa uns sobre os outros. A possibilidade disto acontecer era algo que preocupava muito Yossef, pois poderia se tornar uma discussão tão acalorada que os faria se perder no caminho, colocando suas vidas em perigo.
 
O Talmud está nos ensinando que Yossef não estava instruindo seus irmãos a não estudarem Torá no caminho, ao contrário, estava incentivando-os a estudar, mas ele os advertiu para que não fugissem do foco verdadeiro do estudo, para que não acabassem caindo na armadilha de utilizar o estudo da Torá apenas como um veículo para descarregar nos outros suas frustrações.

Deste ensinamento da Parashat aprendemos algo precioso para nossas vidas, que pode nos salvar de discussões. Muitas vezes entramos em discussões com pessoas que nos fazem questionamentos, pois queremos provar que estamos com a razão. Porém, aprendemos que nem sempre os questionamentos são para tirar dúvidas, algumas vezes são apenas uma forma de ataque, uma desculpa que a pessoa está utilizando para resolver outras mágoas. Precisamos ter a sensibilidade de perceber a diferença entre um questionamento e um ataque. Pois para acabar com um questionamento, nada como uma boa resposta. Mas para acabar com um ataque, que pode estar escondendo alguma mágoa, nada melhor que uma boa conversa. Pois não apenas as dobradiças das portas rangem, algumas vezes as pessoas também rangem, e ao invés de tentar consertar com explicações técnicas, nada como um pouco do óleo do entendimento.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm

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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

ULTRAPASSANDO OS LIMITES - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHAT MIKETZ E CHÁNUKA II 5776

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ULTRAPASSANDO OS LIMITES - PARASHAT MIKETZ E CHÁNUKA II 5776 (11 de dezembro de 2015) 

Shimon Waisberg (nome fictício) era um judeu israelense afastado. Conhecia pouco das Halachót (Leis Judaicas) e não sabia cumprir nem mesmo as Mitzvót mais básicas. Certo Shabat ele estava circulando de carro em um bairro religioso, onde normalmente não circulam carros no Shabat, quando de repente viu uma criança que, vinda do nada, atravessou correndo a rua bem na frente do carro dele, sem olhar para os lados. Apesar de ter freado, Shimon não conseguiu evitar a forte colisão. A criança voou longe e, gravemente ferida, foi levada às pressas ao hospital. Em poucos dias Shimon foi julgado e absolvido, pois o juiz considerou que a culpa foi exclusivamente da criança. Porém, apesar da absolvição legal, a consciência de Shimon não o deixava tranquilo, e ele ficava o tempo todo pensando no pobre menino e em sua família. Sem conseguir dormir nem comer direito, ele decidiu ir ao hospital visitar a criança e oferecer ajuda à família. Chegando lá, ele entrou no quarto e viu a criança na cama, em condições críticas. A mãe, muito abatida, estava sentada ao lado da cama, rezando pela recuperação do filho. Shimon, muito emocionado e envergonhado, disse em voz baixa:
 
- Sinto muito pelo seu filho, não foi minha culpa. Há algo que eu posso fazer por vocês?
 
- Sim - respondeu a mãe do garoto - Por favor, a partir de hoje comece a guardar o Shabat.
 
Shimon ficou chocado. Aquela mulher, mesmo diante de uma situação tão difícil, vendo seu filho entre a vida e a morte, conseguia estar conectada com sua espiritualidade. Ela poderia ter exigido uma compensação financeira, poderia ter respondido de maneira ríspida e grosseira. Mas, ao contrário do que Shimon esperava, ela foi gentil e se preocupou com a espiritualidade dele. Shimon se interessou em conhecer o que havia de especial dentro do judaísmo que dava forças tão incríveis para aquela mulher. Em pouco tempo ele se tornou um "Baal Teshuvá" (pessoa que retorna ao cumprimento da Torá e das Mitzvót). Em seu casamento, que seguiu cada detalhe da Halachá, todos da família daquela criança atropelada, que felizmente já havia se recuperado completamente, foram os convidados de honra. (História Real) 

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Nesta semana lemos a Parashat Miketz, que continua contando a história de Yossef, em especial a mudança repentina que ocorreu em sua vida, quando ele passou de um simples prisioneiro a vice-rei do Egito. Apesar de Yossef ser muito bonito e muito poderoso, e apesar de estar em um lugar espiritualmente baixo, de materialismo e promiscuidade, ele nunca se corrompeu. É por isso que, entre todos os nossos antepassados, foi ele que recebeu o "apelido" de Yossef "Hatzadik" (o Justo), em especial por seu autocontrole diante de tantos testes e desafios. Também neste Shabat continuamos a comemoração da Festa de Chánuka. Como esta característica de Yossef, de ter um autocontrole acima do normal, se conecta com a Festa de Chánuka?
 
A resposta começa com uma Mishná (parte da Torá Oral) que afirma: "Há três coroas (no povo judeu): Keter Torá (coroa da Torá), Keter Kehuná (coroa do Sacerdócio) e Keter Malchut (coroa do Reinado), mas o Keter Shem Tov (coroa do bom nome) está acima de todas" (Pirkei Avót 4:13). Porém, esta Mishná apresenta algumas dificuldades. Em primeiro lugar, o que significa a "coroa do bom nome"? Além disso, se a Mishná afirmou que há três coroas, por que listou quatro?
 
Há um paralelo destas três coroas com os utensílios do Beit Hamikdash (Templo Sagrado) que ficavam no "Kodesh", a parte mais sagrada. O Talmud (Yoma 72b) nos ensina que três utensílios tinham um "Zer", que literalmente significa "borda". É como se os utensílios tivessem em sua borda uma coroa, e as coroas destes três utensílios representam as três coroas mencionadas na Mishná. O Aron Hakodesh (Arca Sagrada) ostenta a coroa da Torá, o Mizbeach HaZahav (Altar de incenso) ostenta a coroa do Sacerdócio e a Shulchan (Mesa dos Pães) ostenta a coroa do Reinado.
 
Porém, a verdade é que no Kodesh havia quatro utensílios, não apenas três, pois lá também ficava a Menorá de ouro. O Midrash (parte da Torá Oral) explica que a Menorá ostenta a quarta coroa trazida no Pirkei Avót: a coroa do bom nome. Mas se olharmos os detalhes da Menorá, perceberemos que ela era diferente dos outros três utensílios, pois ela não tinha nenhuma coroa. Na verdade a Menorá não tinha nem mesmo bordas delimitadas como nos outros utensílios. Então como a Menorá pode representar a coroa do bom nome se ela não tinha fisicamente nenhuma coroa?
Explica o Rav Yehuda Loew zt"l (Polônia, 1525 - República Checa, 1609), mais conhecido como Maharal de Praga, que embora a Menorá não tivesse nenhuma borda física que pudesse conter uma coroa, sua coroa era representada pelas chamas das lâmpadas que a delineavam. Isto significa que os três utensílios anteriores tinham uma borda limitada, enquanto a chama da Menorá era uma borda sem limites. Portanto, a coroa da Menorá reflete o conceito de que o bom nome é superior às outras três qualidades citadas anteriormente. Mas ainda fica a dúvida de qual é o real entendimento do conceito de "coroa do bom nome". Além disso, sabemos que a Menorá é o símbolo da Festa de Chánuka. Então qual é a relação entre Chánuka e a coroa do bom nome?
 
Se prestarmos atenção, perceberemos que há uma diferença intrínseca entre as quatro coroas citadas no Pirkei Avót. Enquanto as três primeiras coroas são qualidades que dependem da própria pessoa (Torá, Sacerdócio e Reinado), o bom nome é algo que não depende da própria pessoa, e sim de como os outros a percebem. Mas ficar se esforçando apenas para encontrar apreciação aos olhos dos outros é algo elevado e saudável para o ser humano? É isto que significa construir um bom nome, algo que está acima das outras qualidades?
 
A resposta está em um incrível ensinamento do Talmud (Yoma 35b), que afirma que o comprometimento com o estudo de Torá do grande sábio Hilel, que vivia nas mais severas condições de miséria, obriga todos aqueles que são pobres a estudarem Torá. Já o estudo de Torá do Rav Elazar ben Charsum, o homem mais rico da época, obriga todos aqueles que são milionários a estudarem Torá de uma forma fixa e séria, apesar das preocupações com os negócios. E Yossef HaTzadik, cuja beleza e poder chamavam a atenção de toda as mulheres no Egito, ao demonstrar um incrível poder de autocontrole e retidão ao recusar as insistentes investidas da esposa do Potifar, uma mulher extremamente atraente, obriga todos a controlarem seus impulsos e demonstrarem autocontrole mesmo nas situações mais difíceis.
 
Mas qual é a mensagem transmitida por este ensinamento do Talmud? Já não estamos obrigados a fixar nosso tempo de estudo de Torá diariamente, independente do nosso status financeiro? Não temos de qualquer maneira a obrigação de controlar os nossos impulsos e evitar qualquer tipo de prazer proibido na vida? Então por que o Talmud traz estes três exemplos como se fossem a fonte da nossa obrigação?
 
Existe algo interessante na psicologia do ser humano. As pessoas normalmente estão cientes de suas responsabilidades e obrigações na vida, porém também estão cientes de que há situações que estão além do seu controle e que, nestes casos, elas não podem ser responsabilizadas por seus atos. Este conceito de "força maior", isto é, se deparar com situações que estão fora do nosso controle, acaba tornando-se uma desculpa para os nossos comportamentos. Por exemplo, quando a pessoa tem trabalho demais no escritório e se sente impedida de ir para a sinagoga estudar Torá, ou quando a pessoa está presa em uma situação da qual ela não consegue se libertar, ela se sente completamente isenta de responsabilidades, pois considera que nestas condições todos os seus atos são justificáveis.
 
Porém, como medimos as situações de dificuldade para decidirmos se são realmente situações de "força maior" ou não? Não fazemos isso de acordo com os nossos próprios acertos e erros, e sim comparando com os acertos e erros dos outros. Baseados em padrões criados por outras pessoas nós determinamos se certa situação com a qual nos confrontamos está além do nosso controle. Se nós vemos outros tropeçando em certas dificuldades que nós também estamos enfrentando, sentimos imediatamente um alívio, pois consideramos que é algo que está além da nossa capacidade de controle.
 
Este é o grande louvor que o Talmud traz para os três grandes Tzadikim citados, Hilel, Rav Elazar e Yossef. Qualquer pobre poderia argumentar que suas dificuldades financeiras são uma "força maior" que o isentam de suas obrigações no estudo da Torá e em outras Mitzvót. O mesmo ocorreria para pessoas muito ricas ou muito bonitas. Mas a grande realização destes três Tzadikim foi que eles estabeleceram novos padrões, e assim elevaram nossos modelos de comparação, ensinando que mesmo em situações muito difíceis ainda somos plenamente responsáveis por nossos atos. Eles se enxergaram como sendo independentes dos padrões estabelecidos pelos que estavam em sua volta. Foi justamente por isso que conseguiram transcender os padrões e estabelecer novos limites. Eles demonstraram que é humanamente possível atingir estes limites, e que tudo depende do nosso próprio esforço. Depois das conquistas deles, colocar a culpa na quantidade de trabalho ou nas dificuldades financeiras tornaram-se apenas desculpas.
 
É justamente esta habilidade de criar uma nova realidade, através da qual as pessoas precisam comparar os seus esforços com os esforços das pessoas que alcançaram níveis mais altos, é o que os nossos sábios chamam de "bom nome". Na realidade o bom nome não é uma quarta coroa, e sim o título conferido àqueles que estabeleceram novos padrões de excelência nas três coroas anteriores. É por isso que a Mishná diz que a "quarta" coroa está acima das três anteriores, pois é a coroa daqueles que superaram os limites e se tornaram novos modelos do povo judeu.
 
Isto também nos remete diretamente à Festa de Chánuka, simbolizada pela Menorá. O clima na época da dominação grega era de tristeza e submissão. Mas os Chashmonaim, um pequeno grupo de Cohanim, se levantaram com coragem e enfrentaram o poderoso exército grego. Eles também decidiriam que não queriam acender a Menorá com óleo impuro, apesar de ser permitido pela Halachá (Lei). Através destes esforços eles definiram novos padrões de pureza e de "Messirut Nefesh" (comprometimento com os valores judaicos, independente do custo). Por isso o conceito de "Shem" (nome) é encontrado em vários símbolos de Chánuka: no "Shemen" (óleo), na quantidade de dias que o milagre durou (Shemone=oito), nos Cohanim que ajudaram a libertar o povo judeu (Chashemonaim), e finalmente na Menorá, que carrega a coroa do bom nome.
 
Podemos nos contentar em ficar dentro dos limites estabelecidos pelos outros à nossa volta, ou podemos decidir que queremos ultrapassar estes limites. No judaísmo o número 7 representa o natural, enquanto o número 8 representa o sobrenatural. É por isso que Chánuka representa o potencial do povo judeu de transcender. Que possamos utilizar a força espiritual de Chánuka para vencer nossas dificuldades, derrotar o comodismo e superar os nossos limites.

SHABAT SHALOM e CHÁNUKA SAMEACH

Rav Efraim Birbojm

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HORÁRIO DE ACENDIMENTO DAS VELAS DE SHABAT:

                   São Paulo: 19h27  Rio de Janeiro: 19h12                     Belo Horizonte: 19h08  Jerusalém: 16h00
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Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima, Rachel bat Luna, Avraham ben Chana, Bentzion ben Chana, Ester bat Rivka, Rena bat Salk, Duvid ben Rachel, Chaia Lib bat Michle, Michle bat Enque, Miriam Tzura bat Ite, Fanny bat Vich, Zeev Shalom ben Sara Dvorah, Pece bat Geni, Salomão ben Sara, Tamara bat Shoshana, Yolanda bat Sophie, Chai Shlomo ben Sara, Eliezer ben Esther, Debora Chaia bat Gueula, Felix ben Shoshana, Moises Ferez ben Sara, Zelda bat Sheva, Yaacov Zalman bat Tzivia, Yitzchak ben Dinah, Celde bat Lea, Geni bat Ester, Lea bat Simi, Ruth bat Messoda, Yaacov ben Ália, Chava bat Sara, Moshe David ben Chaia Rivka, Levi Itzchak ben Reizel, Lulu Chana bat Rachel, Haia Yona bat Sara, Shulem ben Chaia Sara, Daniel ben Yonit, Chai bat Rivka, Nitzchia bat Yafa.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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