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quinta-feira, 29 de maio de 2025

IMAGEM E SEMELHANÇA DE D’US - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BAMIDBAR E SHAVUÓT 5785

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IMAGEM E SEMELHANÇA DE D'US - PARASHÁ BAMIDBAR E SHAVUÓT 5785 (30/mai/25)

"Um homem certa vez procurou o Rav Avraham Guenechowsky zt"l e desabafou que seu pequeno filho não estava tendo sucesso nos estudos. Ele sofria muito por isso e chegou a leva-lo a um psiquiatra, que explicou que as dificuldades eram devido a traumas, depressão, hiperatividade e uma lista longa de outros problemas. O psiquiatra concluiu que o pai deveria colocar seu filho em uma escola para crianças especiais.
 
O Rav Guenechowsky escutou o relato emocionado daquele pai e sentiu a sua dor. Ele pediu para que lhe trouxessem o garoto. Quando ele chegou, o Rav sentou-se ao lado dele e perguntou: "Você gosta de brincar com quais brinquedos? Carrinhos, aviões?". Ele então brincou e conversou com o garoto por uma hora, e logo percebeu que o problema dele não era falta de concentração ou entendimento, e sim falta de autoconfiança. Isso fazia com que ele tivesse dificuldade em se enturmar com os colegas, deixando-o triste e levando-o a não conseguir estudar direito.
 
O Rav então convidou o garoto para que viesse estudar com ele uma vez por semana. E logo no primeiro dia de estudos o Rav disse a ele:
 
- Eu te direi toda semana uma charada interessante, e você contará para os seus amigos na escola. Porém, a resposta eu direi somente para você. E, na semana seguinte, você revelará a resposta para eles, e então eu te ensinarei uma nova charada.
 
A primeira charada era: "O que é, o que é, que colocamos na boca, porém não o comemos e não sentimos gosto, e mesmo assim fazemos Brachá?". O menino não sabia a resposta, e o Rav deu uma dica: "Ele faz 'Tu, Tu...".
 
Naquela semana o menino contou a charada na escola e todos seus colegas quebraram a cabeça para encontrar a resposta, e somente na semana seguinte o menino revelou a resposta. E assim aconteceu semanalmente, o menino frequentava a casa do Rav Guenechowsky e este lhe dava atenção e carinho. Estudavam juntos e depois ele ensinava uma nova charada para que ele transmitisse aos seus amigos.
 
O fato de os colegas estarem sempre reunidos a sua volta fortaleceu muito sua autoestima, trazendo confiança, até que o menino se transformou completamente. Os pais ficaram surpresos com a incrível mudança que havia acontecido com seu filho, que passou a ser um excelente aluno, sem a necessidade de ajuda de uma escola especial. Tudo isso devido à percepção, sabedoria e dedicação do Rav Guenechowsky."
 
O Rav Guenechowsky soube dar valor para aquela criança. Tudo o que ele precisava era de autoestima. Atualmente muitas crianças são rotuladas como "problemáticas", quando tudo o que elas precisam é apenas de carinho, atenção e sentir que cada ser humano é único e especial.

No próximo domingo de noite (01/jun/25) chegaremos a mais uma importante parada no Calendário Judaico: a Festa de Shavuót, também conhecida como "Chag Matan Torá", quando revivemos a incrível Revelação Divina no Monte Sinai, momento no qual escutamos pessoalmente de D'us os 10 Mandamentos que, segundo nossos sábios, contém as 613 Mitzvót da Torá. Shavuót é um momento de reconexão espiritual, de novamente mostrarmos para D'us que estamos dispostos a receber a Torá em nossas vidas, para que ela nos transforme em pessoas melhores.
 
Em Shavuót lemos a Meguilat Ruth, que foi escrita pelo Profeta Shmuel. A Meguilá conta a história de Ruth, uma mulher de Moav, descendente de reis, que abandonou tudo, tanto as idolatrias do seu povo quanto o conforto do palácio real, para se unir ao povo judeu. Mas por que lemos esta Meguilá justamente em Shavuót? Qual é a conexão entre a história de Ruth e a entrega da Torá no Monte Sinai?
 
A Meguilat Ruth, apesar de ser um Livro curto, tem capítulos bem movimentados, cheios de acontecimentos importantes. No segundo capítulo, o profeta começa a nos apresentar um grande Tzadik chamado Boaz. A história da humanidade estava prestes a mudar com o primeiro encontro entre Boaz e Ruth. Desta união sairia um nobre bisneto, David Hamelech, de quem o Mashiach descenderá.
 
Cada versículo da Meguilá está carregado de grande simbolismo e significado. Quando Boaz aparece pela primeira vez, a Meguilá descreve uma cena que chama a atenção: "Eis que Boaz chegou de Beit Lechem. Ele disse aos ceifeiros: 'Hashem esteja convosco!' e eles responderam: 'Que Hashem te abençoe!'" (Ruth 2:4). Por que essa trivial troca de cumprimentos é necessária para o "enredo" de uma história tão importante, que trata do início da genealogia do Mashiach? Se estivéssemos escrevendo uma peça de teatro sobre este grande evento histórico, seria realmente importante escrever um diálogo do tipo: "E Boaz cumprimentou seus trabalhadores e perguntou: 'Como vocês estão?' e eles responderam: 'Bem, e você?'"? Isso não parece ser parte importante de um roteiro emocionante. Então por que Shmuel achou necessário incluir essa troca de cumprimentos neste capítulo histórico?
 
A chave para o entendimento não está no fato de pessoas terem se cumprimentado, e sim no detalhe de como elas se cumprimentaram. Não era comum que amigos se cumprimentassem com a expressão "Que D'us esteja contigo", em especial pois o versículo ressalta que eles utilizaram o Nome de D'us, ao invés de utilizar o nome genérico "Hashem", que significa "O Nome". O Talmud (Makot 23b) atribui importância a esse evento ao explicar que, ao se cumprimentarem, eles estavam cumprindo um decreto do Beit Din de Boaz. É proibido mencionar o Nome de D'us em vão, é uma grave transgressão. Foi necessário um decreto específico do Beit Din para permitir essa forma de saudação. Antes da época de Boaz as pessoas nunca se cumprimentavam assim, e após o período de Boaz esse decreto não continuou em vigor. Foi um decreto temporário, de caráter emergencial.
 
O que está por trás desse estranho decreto? Explica o Rav Yssocher Frand que naquela época o povo judeu estava em um estado lastimável. Havia uma fome terrível e os tempos estavam muito difíceis. A prova disso é que um dos líderes do povo, Elimelech, o marido de Naomi, decidiu abandonar seu povo e ir para Moav. Isso era sintomático do que havia de errado com o povo judeu naquele tempo. Moav é um dos povos que nunca poderá fazer parte da comunidade do povo judeu justamente por não terem se importado em fazer o mínimo de bondade com o povo judeu quando eles haviam recém saído de mais de 200 anos de uma brutal escravidão no Egito. Os homens de Moav não ofereceram nem mesmo pão e água aos judeus cansados e debilitados! Escolher Moav como local para viver demonstra que no povo judeu havia um sentimento de não se importar uns com os outros.
 
O que os sábios daquela geração fizeram para remediar a situação? Decidiram que todos deveriam se cumprimentar com o Nome de D'us. O significado daquele decreto era que cada judeu é tão importante e tão sagrado que é digno de ser saudado com nada menos do que o verdadeiro Nome de D'us, e não um "apelido". Isso representa uma maneira muito diferente de cumprimentar alguém do que simplesmente dizer "Oi". E realmente a ideia funcionou, pois o decreto mudou o clima dentro do povo judeu. Ele reestabeleceu o conceito, facilmente esquecido, de que cada pessoa foi criada à imagem e semelhança de D'us. Esse decreto enfatizava: "Todo judeu é um rei e merece ser tratado como tal".
 
O impacto psicológico de cumprimentar alguém com o Nome de D'us foi muito forte e significativo. Esse decreto reforçava a ideia de que devemos ter cuidado com a forma como tratamos as pessoas. As pessoas não são meramente "animais evoluídos", como muitos cientistas insistem em tentar nos convencer. O reconhecimento de que o ser humano foi criado à imagem e semelhança de D'us sugere uma abordagem totalmente diferente de como nos relacionamos com os outros. Esse foi o decreto do Beit Din da época de Boaz.
 
No Shabat que antecede Shavuót sempre lemos a Parashá Bamidbar, que inicia o quarto Livro da Torá, onde são descritos muitos acontecimentos importantes do povo judeu. Um dos assuntos da Parashá é sobre a posição na qual cada uma das Tribos acampava no deserto. A Parashá não descreve nenhuma disputa ou reclamação sobre os lugares. Os judeus se respeitaram. E, na realidade, uma das principais condições para o recebimento da Torá foi justamente a união e o respeito, como definido por Rashi, que descreveu aquele momento especial como se estivessem todos "como um só homem em um só coração". Sem união não haveria a entrega da Torá.
 
O Midrash diz que, quando chegar a hora de partirmos deste mundo, seremos questionados com duas perguntas: "Você fez de D'us o seu Rei?" e "Você fez do seu amigo um rei?". Em outras palavras, seremos questionados: você tratou cada pessoa como trataria um rei?
 
Nos dias de Ruth e Boaz uma nova era estava começando. Os tempos exigiam uma nova forma de lidarmos uns com os outros. Por isso esse capítulo é a introdução à história do Mashiach. A história do Mashiach precisa começar com o cumprimento entre as pessoas utilizando o Nome de D'us, indicando a importância e a dignidade do próximo, e mostrando que cada um merece ser tratado como se fosse um rei. Esse também deve ser o nosso prefácio à vinda do Mashiach, para que, no momento certo, possamos responder afirmativamente à pergunta: "Você tratou o próximo como um rei?"

SHABAT SHALOM

 R' Efraim Birbojm

 

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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
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sexta-feira, 7 de junho de 2024

A RAIZ DO ANTISSEMITISMO - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ BAMIDBAR E SHAVUÓT 5784

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A RAIZ DO ANTISSEMITISMO - PARASHÁ BAMIDBAR E SHAVUÓT 5784 (07/jun/24)

"Certa vez, quando o Rav Yossef Pressburger zt"l (Eslováquia, 1847 - Israel, 1923) caminhava pelas ruas de sua cidade, um grupo de crianças não judias correu atrás dele e começou a chamá-lo de nomes feios. Ele continuou andando, fingindo não escutar o que elas diziam. Em outra ocasião, o Rav Yossef estava caminhando com um conhecido e o mesmo grupo de crianças não judias começaram a gritar ofensas antissemitas para eles. Seu conhecido quis bater nas crianças com uma vara, mas o Rav não permitiu. Ele disse, com tranquilidade:
 
- Deixe-os. Vou acabar com isso pacificamente.
 
O Rav Yossef virou-se então para as crianças mal educadas e ofereceu uma pequena moeda a cada uma delas se continuassem lhes insultando durante um minuto. Então, após as ofensas, ele entregou as moedas para elas, que ficaram muito felizes. A cena se repetiu algumas vezes nos dias seguintes e, após as ofensas, as crianças recebiam o dinheiro. Finalmente, chegou o dia em que ele disse para as crianças que elas poderiam continuar com os xingamentos, mas não receberiam nada por isso, pois ele não tinha mais dinheiro para pagá-las.
 
- Se você não vai dar dinheiro, então não vamos continuar os xingamentos! - disseram as crianças, ofendidas.
 
Depois daquele dia, as crianças não voltaram mais a ofender o Rav Yossef."
 
Há milênios o antissemitismo nos assombra. Mas não será na força que resolveremos isso, e sim na sabedoria.

Nesta semana começamos o quarto Livro da Torá, Bamidbar. E a Parashá Bamidbar (literalmente "No deserto"), que começa com uma nova contagem do povo judeu, demonstrando o amor de D'us pelo Seu povo, sempre é lida na mesma época da Festa de Shavuót, também conhecida como "Zman Matan Torateinu", que comemoramos a partir da próxima terça-feira de noite (11/jun). Esta é a época na qual revivemos a entrega da Torá no Monte Sinai, algo que mudou a história da humanidade. A Torá, com toda a sabedoria contida nela, impactou não apenas o povo judeu, mas o mundo inteiro, trazendo valores morais para toda a humanidade.

Neste ano a Festa de Shavuót vem com um gosto amargo para o povo judeu. Achávamos que o antissemitismo havia terminado, ou ao menos diminuído muito. Porém, no mundo inteiro, manifestações antissemitas, com milhares de participantes, pregam novamente a expulsão e o extermínio do povo judeu. O antissemitismo recebeu um novo nome, "antissionismo", para parecer mais ético, mas na prática judeus do mundo inteiro, e não apenas de Israel, estão sendo atacados, verbalmente e até fisicamente. Israel é manchete em todos os jornais do mundo, e apesar de todos os esforços para ser o exército mais ético, recebe condenações globais injustas. O que se esconde atrás destes milênios de ódio? Por que este antissemitismo de repente borbulha, ferve e explode contra os judeus em todos os lugares, e se repete de tempos em tempos durante toda a nossa história?

Alguns historiadores até tentam trazer algumas possíveis razões. Talvez os judeus possuem muitas riquezas e poder, causando inveja. Ou quem sabe os judeus são odiados por serem diferentes. Talvez a explicação é que foram apenas bodes expiatórios, escolhidos aleatoriamente. Porém, percebemos que os judeus são odiados por serem separatistas, mas quando se assimilam, tornam-se uma ameaça. São capitalistas exploradores e revolucionários comunistas. Possuem a mentalidade de Povo Escolhido junto com um complexo de inferioridade. O ódio contra os judeus nos últimos dois mil anos tem sido contínuo, universal e doentio, mas as explicações constantemente mudam. Quando há muitas explicações, e elas são contraditórias, então isto é um sinal de que estes não são os motivos verdadeiros. E mesmo quando estes motivos desaparecem, o ódio continua. Por que?
 
Muito antes que uma manifestação prática do antissemitismo aparecesse no mundo, a Torá já havia ensinado que o ódio antissemita teria uma participação integral na história do povo judeu, como ensina o Talmud (Shabat 89a): "Qual é a razão pela qual (o monte onde a Torá foi entregue) é chamado de Sinai? Pois é uma montanha sobre a qual desceu o ódio ("Sina") das nações do mundo". A palavra "Sinai" tem a mesma raiz da palavra "Siná", que significa "ódio". Portanto, o Talmud está nos ensinando que há um grande ódio que emana do Monte Sinai.
 

Mas qual é o motivo deste ódio? No Monte Sinai os judeus aprenderam que existe um único D'us, com exigências morais para a humanidade. Imediatamente eles viraram alvo daqueles cujo impulso mais forte era liberar a humanidade da consciência e da moralidade. No Monte Sinai, o povo judeu foi escolhido como "Luz das nações". Mas há aqueles que querem que o mundo seja um lugar de escuridão espiritual. A mensagem recebida e carregada pelos judeus transformou o mundo. Esta mesma mensagem traz à tona o ódio daqueles que dariam sua última gota de esforço para resistir.
 
Adolf Hitler (que seu nome e sua lembrança sejam apagados) disse uma frase impactante: "Os Dez Mandamentos perderam sua validade. Consciência é uma invenção judaica; é uma ferida, como a circuncisão". A ambição que o impelia era libertar o mundo das restrições da consciência e da moralidade. Ele criou sua própria religião: liberar todos os desejos do ser humano. O obstáculo no caminho do sucesso eram os judeus e sua mensagem de um D'us único, da igualdade de todos perante D'us, de amar ao próximo, de ajudar os pobres e vulneráveis. Hitler odiava o povo judeu pois eles eram o oposto de sua visão de como o mundo deveria ser. Enquanto os judeus existissem, ele não poderia triunfar. Os enraizados conceitos judaicos de D'us e moralidade haviam tomado conta do mundo. Ele sabia que sua ideologia ou a dos judeus prevaleceria. O mundo não poderia viver com os dois.
 
Por que as pessoas odeiam a mensagem? Pois a maioria das pessoas não consegue lidar com o peso de serem boas o tempo todo. Quando praticam maus atos, surge um sentimento de culpa. Os judeus são a personificação da consciência coletiva da humanidade. Antes da Torá, as pessoas construíam suas vidas com seus próprios conceitos de certo e errado. Os judeus mostraram que existe apenas um único D'us. Ninguém vive como convém, todos devem submeter sua vontade a uma Autoridade superior.

Em certo nível de consciência, as pessoas reconhecem como verdadeira a mensagem do povo judeu. Aqueles que não desejam receber a verdade descobriram que a única maneira de se livrar dela é destruindo seus mensageiros, já que a própria mensagem é muito poderosa para ser descartada. Se o judaísmo fosse apenas mais uma ideologia, as pessoas poderiam ridicularizá-la e continuar nos seus caminhos. Mas, no fundo de suas almas, cada ser humano reconhece as verdades essenciais da moralidade.
 
As ideias originadas no Sinai mudaram o mundo. Mas são tão difundidas que não damos valor. Os conceitos judaicos civilizaram o mundo. Paz, liberdade, monoteísmo, família, educação e caridade parecem comuns hoje em dia, mas qualquer historiador com conhecimentos sobre os padrões morais do mundo antes da chegada dos judeus pode facilmente reconhecer o enorme impacto que o judaísmo teve. Como disse John Adams, o segundo presidente dos Estados Unidos: "Eu insisto que os Hebreus fizeram mais pelo homem civilizado do que qualquer outra nação... eles são a mais gloriosa nação que já habitou este Terra... Eles influenciaram os assuntos da humanidade mais, e com mais alegria, do que qualquer outra nação, antiga ou moderna".

A solução para o antissemitismo tem a mesma raiz da sua causa, isto é, são os valores da Torá que finalmente eliminarão o antissemitismo. A mensagem que os judeus carregam é a receita para derrotar o mal. As incríveis ideias judaicas podem influenciar o mundo, mas o mundo não pode absorver a mensagem adequadamente a não ser que os mensageiros a conheçam e ensinem. Quanto mais os judeus transmitirem sua mensagem especial, menos um holocausto pode voltar a acontecer. Somente quando os judeus se comportarem como judeus, transmitindo as mensagens éticas da Torá, poderemos esperar viver em um mundo onde o mal foi erradicado.
 
Há um interessante paralelo entre a humanidade e os trabalhadores de uma mina de carvão. Dentro das minas podem se desprender gazes tóxicos. A vida de muitos trabalhadores das minas de carvão já foi salva com uma ideia simples: basta colocar um canário para cantar no local. Enquanto o pássaro está cantando, é sinal de que está tudo bem, mas quando o canário para de cantar e morre, é sinal que o gás inflamável que se desprende das minas chegou a um nível perigosamente alto. É um alerta de que problemas vêm por aí, pois se o canário morreu, os mineiros em breve morrerão também se não saírem logo. O povo judeu é o canário do mundo. Quando o antissemitismo começa a renascer e a ganhar força, é sinal de que há algo errado e que problemas grandes estão vindo. Os judeus abraçam um monoteísmo ético, que responde apenas a D'us, não se dobrando ao relativismo moral. Quando a convivência com tal rigidez ética se mostra insuportável para muitos, é sintoma de que o mundo está doente. 6 milhões de judeus morreram no holocausto, mas não parou só nos judeus. A morte dos judeus era um aviso de que havia algo muito errado. Esse horror todo seria impensável sem a conivência ou a cumplicidade de grande parte da população mundial. Portas foram fechadas, olhos ficaram cegos e ouvidos ficaram surdos. De repente, ninguém mais sabia o que estava acontecendo com os judeus. Os judeus foram os principais alvos, mas era apenas o início de uma perseguição que incluiu muitas outras minorias.
 
Combater o aumento do antissemitismo é uma obrigação moral de todos os que repudiam a injustiça. Não na força, mas na sabedoria, através de bons atos e sendo exemplos, que podem fazer do mundo um lugar melhor.

SHABAT SHALOM E CHAG SAMEACH 

R' Efraim Birbojm

 

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