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quinta-feira, 7 de dezembro de 2023

VOLTE PARA A REALIDADE - SHABAT SHALOM M@IL - PARASHÁ VAISHLACH 5784

BS"D
O e-mail desta semana é dedicado à Refua Shleima (pronta recuperação) de 

Avraham Yaacov ben Miriam Chava

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O e-mail desta semana é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de 
Sr. Gabriel David ben Rachel zt"l 
      Haviva Bina bat Moshe z"l      
Aharon Yitzhack ben David Calman z"l 


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Para dedicar uma edição do Shabat Shalom M@il, em comemoração de uma data festiva, no aniversário de falecimento de um parente, pela cura de um doente ou apenas por Chessed, entrar em contato através do e-mail 
efraimbirbojm@gmail.com.
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PARASHÁ VAISHLACH 5784



         São Paulo: 18h20                  Rio de Janeiro: 18h06 

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MENSAGEM DA PARASHÁ VAISHLACH

ASSUNTOS DA PARASHÁ VAISHLACH
  • Yaacov envia mensageiros.
  • Yaacov teve medo e se prepara para o reencontro com Essav.
  • Yaacov fica sozinho.
  • A luta com o anjo.
  • Yaacov encontra Essav.
  • Chegada a Shechem, Diná é sequestrada e desonrada.
  • Shimon e Levi vingam a honra da irmã, Yaacov fica furioso.
  • Yaacov viaja para Beth El.
  • A morte de Rivka e Dvora.
  • D'us muda o nome de Yaacov para Israel.
  • Rachel tem mais um filho: Biniamin.
  • A morte de Rachel e o enterro no caminho, em Beth Lechem.
  • Reuven mexe na cama de seu pai.
  • A morte de Itzchak.
  • A Linhagem de Essav, de Seir e reis de Edom.
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VOLTE PARA A REALIDADE - PARASHÁ VAISHLACH 5784 (01/dez/23)
 
"Para Shlomo, a beleza da vida se resumia aos passeios de moto. Ele vivia no Galil, no norte de Israel, e sempre que tinha um tempo livre, montava em sua moto e guiava pelas estradas e ruelas que circundavam as maravilhosas montanhas. Ele conhecia cada cidade e vilarejo da região.
 
Certa tarde, enquanto estava passeando em uma pequena cidade, Shlomo passou por um cruzamento e decidiu virar à direita. Ele estava em alta velocidade e não teve tempo de se desviar de uma garotinha que estava em seu caminho. Ela caiu no chão, inconsciente. Shlomo, sob os histéricos gritos da mãe da menina, correu em direção à criança. Após alguns minutos a ambulância chegou e levou a menina para um hospital na cidade mais próxima. A menina permaneceu em coma por vários dias. A família estava arrasada, assim como Shlomo. Ele estava inconformado, mesmo sabendo que a culpa não era dele, já que testemunhas haviam dito que a menina havia se soltado da mão da mãe e corrido para o meio da rua. Shlomo não conseguia dormir de noite e nem se concentrar.
 
Certa tarde, a menina despertou do coma. Aos poucos, foi se recuperando. Alguns dias depois, o médico disse à mãe que a menina não sofreria danos permanentes e que seria liberada do hospital em breve. No último dia no hospital, apesar da vergonha, Shlomo quis ir visitá-la. Ao aproximar-se do quarto, percebeu que a mãe da menina estava sentada do lado de fora. Ele sabia que ela o reconheceria e, portanto, foi direto ao assunto.
 
- Quero que você saiba - disse Shlomo, quase sussurrando - que sinto muito pelo ocorrido. Apesar de não ter sido minha culpa, gostaria de fazer algo por você e pela sua filha. Não sou uma pessoa rica, mas o que você disser, estou disposto a fazer.
 
- O dia do acidente, no qual você estava dirigindo sua moto, era Shabat - disse a mãe, em um tom de voz muito calmo - Tudo o que eu quero é que você me prometa que nunca mais andará de moto no Shabat.
 
Shlomo ficou atordoado. Era tudo o que queriam dele? A mãe da menina explicou que aquilo significaria muito para ela e para sua filha. Shlomo acenou com a cabeça e então se foi. Ele deixou o hospital confuso. No Shabat seguinte, quando já ia ligar sua moto, lembrou-se da promessa. Mas como ficaria sem andar de moto, o maior prazer da sua vida? Desesperado, bateu na primeira porta em que viu que havia uma Mezuzá. Uma criança abriu a porta e convidou-o a entrar. Ele viu uma família reunida na mesa, no meio da refeição de Shabat.
 
- Eu estava pensando - disse Shlomo, hesitante, dirigindo-se ao homem sentado na cabeceira da mesa - Talvez você saberia me explicar o motivo pelo qual não é permitido guiar uma moto no Shabat?
 
O homem começou a explicar. Iniciou-se um bate papo entre os dois, até que o homem sugeriu a Shlomo que fosse à casa de um rabino que morava naquela rua e que poderia lhe explicar tudo sobre o Shabat. Shlomo gostou da ideia e foi até lá. O rabino o recebeu de braços abertos, convidando-o a participar da refeição de Shabat com sua família. Durante a refeição, conversaram sobre diversos assuntos e o rabino convidou-o a voltar em outra oportunidade. Shlomo começou a visitá-lo regularmente e, em pouco tempo, estavam estudando duas vezes por semana. No entanto, após alguns meses, Shlomo lhe disse que estava saindo de férias. Ele precisava de uma mudança de ares e queria viajar pelo país. O rabino sugeriu que ele passasse um Shabat em Jerusalém. Indicou a Yeshivá Or Sameach, especializada em ensinar jovens afastados da Torá, onde poderia tirar todas as suas dúvidas. Shlomo achou interessante a ideia e acabou ficando lá por duas semanas, o que abriu para ele novos horizontes, um mundo que ele não conhecia. A moto logo deixou de ser o objetivo principal de sua vida, sendo substituída pelo estudo da Torá e o cumprimento das Mitzvót. Shlomo mudou-se definitivamente para a Yeshivá, onde acabou estudando por vários anos, até se tornar um grande estudioso de Torá, mudando o curso de sua vida para sempre. Aquele jovem rapaz pegou uma estrada que nunca havia pego antes: a estrada de volta para casa".

Nesta semana lemos a Parashá Vaishlach (literalmente "E enviou"), que começa a descrever a volta de Yaacov Avinu para casa, após 34 anos. Preocupado com o reencontro com seu irmão Essav, Yaacov enviou mensageiros, que voltaram com más notícias: Essav vinha ao seu encontro, acompanhado de 400 homens armados. Yaacov fez então três preparativos: rezou, enviou presentes para acalmar Essav e se preparou para a batalha, dividido o acampamento em dois, para que ao menos parte da família sobrevivesse ao ataque de Essav.
 
Porém, na noite anterior ao encontro com Essav, Yaacov teve outra dura batalha, como está escrito: "E Yaacov foi deixado sozinho, e um homem lutou com ele até o amanhecer" (Bereshit 32:25). Rashi explica que este "homem" era, na realidade, o anjo da guarda de Essav, o próprio Satan, o Yetser Hará. Mas apesar dos seus esforços, o anjo não conseguiu vencer Yaacov. Quando começou a amanhecer, o anjo quis escapar. Yaacov então perguntou ao anjo seu nome, e ele respondeu: "Por que você pergunta o meu nome?" (Bereshit 32:30).
 
Este ensinamento levanta alguns questionamentos. Em primeiro lugar, por que Yaacov se interessou em saber o nome do anjo? O que este conhecimento acrescentaria em sua vida? Além disso, por que o anjo não quis responder? E, finalmente, se o anjo não tinha permissão de revelar seu nome, poderia ter simplesmente falado para Yaacov que ele não podia revelar. Então por que ele questionou o motivo de Yaacov ter perguntado?
 
Nossos sábios explicam que, em Lashon HaKodesh, cada nome carrega uma essência. Isso se aplica aos objetos, aos animais, aos seres humanos e também aos anjos. Por exemplo, o nome do anjo "Rafael" vem da raiz "Refua", que significa "cura". Isto significa que a missão do anjo Rafael, isto é, sua essência, é curar pessoas. Yaacov sabia que estava lutando contra o Yetser Hará. Ele conseguiu vencer esta dificílima luta, mas queria transmitir também aos seus descendentes a sabedoria de como vencê-lo. Para isso, Yaacov queria conhecer a essência do Yetser Hará através do seu nome. Mas por que o anjo não quis responder?
 
Explica o Rav Yehuda Leib Chassman zt"l (Lituânia,1869 - Israel, 1935) que, na realidade, o anjo sim respondeu ao questionamento de Yaacov. Isto significa que ao dizer "Por que você pergunta o meu nome?", ele estava respondendo qual era o seu nome. Mas o que isto significa? Que tipo de nome é este?
 
Para responder este questionamento, precisamos entender uma diferença marcante entre os prazeres espirituais e os prazeres materiais. De acordo com o Rav Chassman, a Torá é representado pelo conceito de "Emet", e "Emet" representa a realidade. Tudo o que D'us quer de nós é que "provemos" o gosto da "Emet", pois todo aquele que prova, automaticamente sente a doçura de D'us. Percebemos isso, por exemplo, no estudo da Torá e no serviço espiritual. Quanto mais a pessoa aprende, quanto mais ela se aprofunda, mais ela sente prazer, além da elevação e aperfeiçoamento. E, ao contrário, em relação ao afastamento espiritual está escrito "Se você me abandonar por um dia, eu te abandonarei por dois dias". Isto quer dizer que aquele que começa a se afastar dos prazeres da Torá, no final acabará se afastando completamente, trocando o prazer da doçura pela amargura do vazio espiritual.
 
Já em relação aos prazeres do mundo material, a realidade é exatamente o oposto. Quanto mais alguém se acostuma com os prazeres, aos poucos começa a não sentir nenhum preenchimento. Assim ensinam os nossos sábios: "Os perversos estão sempre cheios de arrependimentos". Os desejos cegam os olhos e entropecem o coração, fazendo com que a pessoa crie em sua imaginação uma enorme expectativa. Mas quando o desejo é saciado, a vida sai da imaginação e volta para a realidade. Neste momento, a pessoa percebe a amarga realidade de que aquele prazer não a preencheu. Esta pessoa então se questiona: "o que eu ganhei com isso?", e se enche de arrependimento. É como alguém que quer fazer regime, mas não resiste ao bolo de chocolate. Após terminar de comer, ela cai na real de que não deveria ter comido. E mesmo quando a pessoa está afundada nos prazeres materiais, no fundo ela sente que realmente não há um proveito real neles, só algo momentâneo. Isso explica o crescente movimento dos "Baalei Teshuvá", aqueles que estavam imersos nos prazeres do mundo material, pessoas muito bem sucedidas em suas profissões, mas que abandonaram tudo para viver uma vida de "Emet".
 
Com este conceito, podemos entender a resposta do anjo. Essav representa justamente o materialismo, uma vida baseada em imaginação e fuga da realidade. Por isso o anjo da guarda de Essav respondeu que seu nome era "Por que você pergunta meu nome?". O nome representa a essência de algo, mas os prazeres mundanos não tem nenhuma "substância", eles são apenas imaginários. Ou seja, o anjo estava dizendo: "Não tente entender e verificar minha essência real, pois a minha arma é justamente a imaginação e a vanidade".
 
A cura para tudo isso é, portanto, vencer o Yetser Hará através do racional. Isso se assemelha a uma pessoa que vê de noite, na parede de sua casa, lindas luzes que brilham como pedras preciosas. Porém, na realidade, os brilhos são apenas o reflexo das luzes da cidade. Quando a pessoa pega uma lanterna e se aproxima da parede, todos os brilhos desaparecem, e ela percebe que não há nada ali além de uma simples parede branca. Esta é a nossa geração, deslumbrada com os prazeres mundanos. Uma geração de pessoas que caminham no escuro para desfrutar prazeres imaginários, que não preenchem de verdade. Apesar de tanta fartura, as pessoas estão cada vez mais vazias. Apenas quando a pessoa acende a luz da sua razão, ela percebe que não há nada real nestes prazeres, era apenas imaginação. Somente assim poderem pegar o caminho de volta para casa, de volta para a "Emet", de volta para os prazeres verdadeiros, que nos preenchem, tanto neste mundo quanto no Mundo Vindouro.

SHABAT SHALOM 

R' Efraim Birbojm

 

Este E-mail é dedicado à Refua Shlema (pronta recuperação) de: Chana bat Rachel, Pessach ben Sima.
 
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Ben Tzion (Benjamin) ben Shie Z"L e Frade (Fany) bat Efraim Z"L, que lutaram toda a vida para manter acesa a luz do judaísmo, principalmente na comunidade judaica de Santos. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) dos meus queridos e saudosos avós, Meir ben Eliezer Baruch Z"L e Shandla bat Hersh Mendel Z"L, que nos inspiraram a manter e a amar o judaísmo, não apenas como uma idéia bonita, mas como algo para ser vivido no dia-a-dia. Que possam ter um merecido descanso eterno.
 
Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de minha querida e saudosa tia, Léa bat Meir Z"L. Que possa ter um merecido descanso eterno.
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Este E-mail é dedicado à Leilui Nishmat (elevação da alma) de: Moussa HaCohen ben Gamilla z"l, Renée bat Pauline z"l.
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Para inscrever ou retirar nomes da lista, para indicar nomes de pessoas doentes ou Leilui Nishmat (elevação da alma), e para comentar, dar sugestões, fazer críticas ou perguntas sobre o E-mail de Shabat,favor mandar um E-mail para ravefraimbirbojm@gmail.com
 
(Observação: para Refua Shlema deve ser enviado o nome do doente e o nome da mãe. Para Leilui Nishmat, os Sefaradim devem enviar o nome do falecido e o nome da mãe, enquanto os Ashkenazim devem enviar o nome do falecido e o nome do pai).
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quinta-feira, 18 de junho de 2009

SHABAT SHALOM MAIL - PARASHÁ SHELACH 5769

BS"D
QUEM DECIDE? - PARASHÁ SHELACH 5769 (19 de junho de 2009)

O rabino Eliahu da cidade de Vilna, na Lituânia, mais conhecido como o Gaon de Vilna, foi um dos maiores sábios de sua geração, e começou muito cedo a mostrar sua genialidade. Aos 6 anos ele fez a sua primeira prédica, diante de uma enorme público que se encontrava na sinagoga na noite de Shabat. E durante toda sua vida ele se destacou no estudo da Torá e no zelo que tinha pelo cumprimento impecável das Mitzvót.

Um pouco antes de Rosh Hashaná, no ano de 1797, ele adoeceu e o seu médico, um judeu religioso, veio examiná-lo. Como na época ainda não existia estetoscópio, o médico encostou o ouvido no peito do paciente para escutar seu coração e seu pulmão, mas escutou um chiado estranho. Quando levantou os olhos, viu que o rabino, mesmo no leito de morte, pronunciava palavras de Torá sem parar.

E a saúde do Gaon de Vilna foi piorando a cada dia. Era o quarto dia da festa de Sucót, e parecia que a vida dele chegava ao fim. Ele estava rodeado pelos familiares e por muitos de seus alunos, e havia pedido para que sua cama fosse levada para dentro da Sucá, onde poderia cumprir mais esta Mitzvá. De repente, o Gaon de Vilna ficou sério, segurou em suas mãos os fios do seu Tsitsit e começou a chorar muito. Os alunos se entreolharam assustados com a reação do rabino. Então, juntando todas as suas forças, ele explicou:

- Como é difícil partir deste mundo, o mundo dos atos. Aqui, com algumas poucas moedas eu posso cumprir esta linda Mitzvá de vestir o Tsitsit e com isso chegar em altos níveis espirituais de proximidade com o Criador do mundo. Mas para onde eu estou indo agora, o mundo das almas, nem com todo dinheiro do mundo eu terei esta chance.

E estas foram as últimas palavras do Gaon de Vilna.
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A Parashá desta semana, Shelach, começa nos descrevendo uma das piores tragédias que ocorreram ao povo judeu, cujas consequências ainda são sentidas até os nossos dias. Quando os judeus se aproximaram de Israel, após atravessarem o deserto, não confiaram na promessa de D'us de que a Terra era boa e exigiram o envio de espiões. Os espiões voltaram falando mal da terra, dizendo, por exemplo, que havia gigantes e cidades fortemente muradas, o que tornava sua conquista impossível. Era dia 9 do mês judaico de Av, e o povo inteiro chorou. Como o povo chorou sem motivo, D'us jurou que aquele dia seria um dia de choro para todas as gerações. E foi justamente nesta data que grandes tragédias aconteceram ao povo judeu, como a destruição dos dois Templos Sagrados e a expulsão dos judeus da Espanha e Portugal em 1492.

No final da Parashá, a Torá traz o último versículo do Shemá Israel, onde está contida a Mitzvá de Tsitsit. Se prestarmos atenção, veremos que a mesma linguagem foi utilizada nas duas porções da Torá, como se estivesse conectando os dois eventos. Quando a Torá fala sobre os espiões, utiliza a linguagem "Veiaturu", que significa "espionaram", enquanto o trecho do Shemá Israel também utiliza a mesma linguagem, quando nos comanda a não seguir nossos corações e nossos olhos ("Ló Taturu"). Qual a conexão entre o erro dos espiões e não seguir o coração e os olhos? E qual a conexão entre o erro dos espiões e a Mitzvá de Tsitsit?

Antes de tudo precisamos entender exatamente qual foi o erro dos espiões. Afinal, eles foram enviados para espionar a terra de Israel, ato necessário e comumente utilizado por líderes de vários povos antes de iniciar uma guerra de conquista. Inclusive Yoshua, que liderou o povo judeu depois de Moshé, também mandou espiões para a terra de Israel, mas a Torá não descreve este ato como algo negativo. E se o problema foi por terem falado mal da terra, muitas das coisas negativas que eles contaram eram verdade, como os habitantes gigantes e as cidades fortemente protegidas por muralhas. Então qual foi o erro deles?

Explica o livro Lekach Tov que os espiões tinham a única função de reunir informações e transmiti-las a Moshé, o líder do povo, o único que conhecia realmente o potencial dos judeus e as chances de sucesso na batalha e, portanto, o único que estava apto a tomar as decisões de forma correta. Porém, os espiões não se limitaram à sua função e tomaram sobre si a responsabilidade de chegar sozinhos às conclusões e decisões. O erro não foi terem visto gigantes, o erro foi terem decidido sozinhos que não tinham força para subir contra os povos que moravam em Israel. Além disso, eles deveriam ter contado o que viram apenas para Moshé, ao invés de causar pânico contando tudo diretamente ao povo judeu.

Apesar de tirarmos muitos ensinamentos sobre as grandes consequências do ato dos espiões, a Torá traz neste episódio um ensinamento muito mais profundo. Explicam os nossos sábios que o ser humano é considerado um "micro-cosmos", isto é, os elementos que existem no mundo também estão presentes dentro de nós. Nossa alma é composta por um verdadeiro exército de inclinações, vontades e instintos que constantemente lutam entre si. Algumas destas forças dominam, outras são dominadas. Algumas são mais fortes, outras são mais fracas. Para cada uma destas forças existe um propósito e uma função, e elas são utilizadas pelo ser humano para controlar seu corpo e sua alma.

Também no nosso "micro-cosmos" enviamos espiões para olhar o mundo material e nos ensinar sobre o lugar onde vivemos. Estes espiões são os nossos cinco sentidos, e através deles captamos as informações de tudo o que acontece à nossa volta. Todas estas informações são captadas e transmitidas ao cérebro, o nosso tomador de decisões, que baseado nestes relatos decide o que é o mais correto a ser feito em cada instante. Todo momento em que os espiões trabalham obedecendo ao "tomador de decisões", elas nos ajudam a fazer o que é correto.

O problema começa quando os nossos espiões decidem se desviar do seu trabalho e receber sobre si a tarefa de tomar decisões sozinhos. Se recebemos estas sugestões sem verificar com a nossa parte intelectual, temos grande chance de nos perder espiritualmente, pois as decisões baseadas nos sentidos têm a sua raiz no mundo material, e não são baseadas em diretrizes espirituais corretas. É por isso que é utilizada a mesma linguagem no erro dos espiões e no final do Shemá Israel, para nos ensinar que, da mesma forma como ocorreu no deserto, a fonte da maioria dos nossos erros é deixar que o coração e os olhos, os nossos "espiões", tomem as decisões, muitas vezes com graves consequências espirituais.

Para nos ajudar a não cair neste erro, D'us nos deu a Mitzvá de Tsitsit. Mas como ela nos ajuda? Quando temos algo muito importante para fazer e não queremos esquecer, amarramos um fio no dedo para que a cada instante aquele fio nos recorde da nossa obrigação. O Tsitsit também funciona assim, são os fios que nos lembram a cada instante das nossas obrigações. É a lembrança de que a única forma de cumprir o nosso objetivo é trazendo as informações captadas pelos sentidos para o lado racional, e não andar atrás das decisões dos nossos olhos e do nosso coração, que são baseadas apenas no emocional.

Tomamos decisões o dia inteiro, e precisamos prestar atenção se estamos tomando as decisões de forma racional ou emocional. E mais do que isso, as decisões racionais precisam estar embasadas nos ensinamentos da Torá, a única fonte que temos para saber o que é certo e o que é errado. Quanto mais uma pessoa estuda Torá, mais ele tem condições de tomar decisões de maneira correta.

Em hebraico, cérebro é "Moach", Coração é "Lev" e Fígado é "Caved". O cérebro representa as decisões racionais, o coração representa os sentimentos e o fígado representa os desejos. Quando colocamos na ordem correta, isto é, primeiro o cérebro e depois o coração e o fígado, as iniciais em hebraico formam a palavra "Melech", que significa "rei", pois quando é o cérebro quem comanda, temos auto-controle e reinamos sobre nós mesmos. Mas se mudamos a ordem, isto é, colocamos primeiro o coração antes do cérebro, as iniciais formam a palavra "Lemech", que significa "palhaço". Por que palhaço? Por que assim podemos estamos brincando com a nossa eternidade.

SHABAT SHALOM

Rav Efraim Birbojm